Eh, muito boa tarde. Saúdo todas e todos os colegas presentes. Eh, cumprimento os restantes elementos desta mesa virtual e e eh começo por dizer que não tendo a pretensão de substituir o secretário geral da Internacional de Educação, um grande sindicalista e um grande amigo da PEN Prof estará na abertura do nosso congresso.
A, mas não podendo ele participar neste debate, com as razões que já foram explicadas, é com muito agrado que dou voz e partilho convosco algumas das preocupações e do trabalho que a Internacional de Educação tem desenvolvido no âmbito do tema que nos é proposto, o futuro da profissão do S. Como alguém lembrava, há tempos, há muitos futuros possíveis, mas só um se realizará. No que diz respeito ao futuro da profissão docente, cabe a cada professora e a cada professor, mas sobretudo ao movimento sindical docente, a sua voz coletiva, lutar para que esse futuro seja o mais auspicioso possível, não apenas pela profissão, mas também e sobretudo por todas essas crianças, jovens e adultos, com quem e para quem os professores cotidianamente trabalham.
Tenho que aqui ninguém tem dúvidas que a valorização da profissão docente é condição indispensável à construção no futuro melhor. Para não me despertar e não me perder aqui no tempo, parti do título que o David tinha escolhido, o futuro da profissão docente, desafios à escala mundial e alinhei algumas notas que vou procurar seguir nesta intervenção inicial, eh, para não abusar desse tempo que nos foi questionado. Começarei com uma breve apresentação da Internacional de Educação.
A Joana já deu aqui alguma informação. A Internacional de Educação é uma organização que a PO integra desde a sua fundação, em janeiro de 1993. E é, como a Joana já referiu, a maior federação setorial mundial, representando atualmente mais 33 milhões de profissionais de educação em todo o mundo, afirmando-se como a voz do setor de educação junto da UNESCO, da OIT, da OCDE, do Banco Mundial e de outros organismos internacionais, a Internacional da Educação ou IE, como referimos de forma abreviada, tem vindo a desenvolver um vasto le de iniciativas e campanhas em torno de quatro grandes prioridades estratégicas: o estatuto e o bem-estar da profissão docente, uma educação pública de qualidade para todos, os direitos humanos e sindicais, a igualdade de género e a justiça social, a paz, a democracia e a justiça climática.
Centrando-me na primeira destas prioridades, o estatuto e o bem-estar da profissão docente, que é que mais diretamente tem a ver com o tema deste debate, começo por sublinhar que a perda da atratividade da profissão é hoje um problema à escala mundial com nesco estimar a necessidade de mais 44 milhões de professores para atingir o ensino primário e secundário universal até 2030. A professora Ação Flores acabou de referir também aos números. Para a Internacional da educação, as causas do problema são conhecidas e a solução também é clara.
aumentar o financiamento da educação pública e investir nos professores. Isso implica garantir direitos laborais e condições de trabalho condignas, respeitar os professores e confiar no seu saber pedagógico, investir na sua formação e desenvolvimento profissional, envolver os sindicatos dos professores na decisão política através do diálogo social. De três em 3 anos, a I divulga um relatório mundial sobre o Instituto dos Professores, com base num estudo que, pela sua periodicidade permite acompanhar a evolução do estatuto e das condições de exercício da profissão ao longo dos tempos.
O último destes relatórios foi divulgado este ano no dia 24 de janeiro, dia internacional da educação. No essencial, este estudo, a edição deste ano, reforça o que a edição anterior tinha já evidenciado, retratando uma profissão subvalorizada, mal remunerada e sobrecarregada de tarefas, constatando que a profissão docente já não consegue atrair novas gerações de educadores devido às condições de emprego, e alertando para que a contínua falta de professores põe em causa o direito de cada aluno, de cada aluna, a uma educação de qualidade. O estudo realizado em 2024 comprova muito do que já sabíamos sobre os fatores responsáveis pela perda de atratividade da profissão docente, os baixos salários, as horas de trabalho exestivas, o baixo estatuto profissional, a fraca progrão na carreira, práticas de estão inadequadas, entre outros.
dá-nos ainda um retrato preocupante sobre a deterioração do estado de saúde mental e das condições de trabalho dos professores, as limitadas oportunidades de aprendizagem profissional e a diminuta confiança depositada na profissão docente. Em suma, disponibilizando um conjunto alargado de informação, o relatório oferece uma visão crítica sobre a situação dos professores em todo o mundo, abordando desafios significativos como a falta de professores, o subfinanciamento dos setores, as condições de trabalho na educação, ao mesmo tempo que fornece recomendações baseadas em evidências para elevar o estatuto da profissão docente a nível global, procurando redobrar a pressão sobre os decisores políticos para que tomem medidas efetivas que permitam reverter a falta de produtores. A tem vindo a desenvolver de há dois anos a esta parte importante campanha com o lema Go Public Fund Education, um lema que h falta de melhor nós traduzimos por pela escola pública investir na educação.
um apelo urgente aos governos para que invistam na educação pública um direito humano fundamental e um bem público e para que invistam nos professores o fator mais importante para alcançar uma educação de qualidade. Como complemento a esta campanha, refiro outra promovida pelo Comitê Sindical Europeu da Educação, que é a estrutura europeia da IE, com lema Tornar atrativa a profissão docente. Esta campanha assentem 10 exigências chave que vão da promoção da autonomia profissional à garantia de salários competitivos, ao equilíbrio entre a vida profissional e a vida privada, à criação de uma cultura de escola democrática ou à necessidade de capacitar, valorizar e respeitar a profissão do seu.
Pelo que já disse, é fácil constatar que o problema da falta de professores e a necessidade de dar resposta está no centro das preocupações da IE, mas vale a pena sublinhar que está também no centro das preocupações de outras organizações internacionais e isso também muito por força de uma cooperação profíqua da IE com essas organizações. Eu vou referir dois exemplos. O primeiro ao nível das Nações Unidas, sublinho a importância de uma iniciativa do secretário geral da ONU, António de Perres, que para responder à alarmante falta de professores a nível mundial, criou o painel de alto nível das Nações Unidas sobre a profissão do C, a primeira iniciativa a nível mundial para os professores desde a recomendação de 1966.
Isto damos a ideia de facto da emergência, o painel que juntou ministros da educação, ministros do trabalho, antigos presidentes da República, representantes dos sindicatos de professores e das entidades empregadoras, académicos, professores e estudantes de todos os continentes. elaborou 59 recomendações divulgadas em fevereiro de 2024, instando uma ação urgente dos governos para pôr fim à esquecer de professores e garantir que a profissão docente seja valorizada e respeitada. A presidenta internacional de educação integrou este painel e o balanço feito do resultado desse trabalho é extraordinariamente positivo.
chama a atenção para que, incluídas nessas recomendações, estão questões como: "Um reconhecimento claro de que a falta de professores só será revertida se houver vontade política para resolver problemas como salários não competitivos, cargas de trabalho incomportáveis, condições de trabalho inadequadas e práticas laborais precárias. a reafirmação da necessidade de um financiamento adequado e previsível do ensino público, o investimento de pelo menos 6% do PIB para a educação, o apelo a uma ação governamental urgente para garantir que os professores e as suas organizações são chamados a participar no diálogo social e na negociação coletiva e que este quadro de colaboração é o principal meio para desenvolver políticas na área da educação, do ensino, e da profissão docente, recomendam inclusive a criação de uma comissão que junte membros do governo e dos sindicatos de professores de outros atores educativos para discutir as medidas específicas a tomar em cada país. O que é que é preciso fazer em Portugal, o que é que é preciso fazer nos Estados Unidos, o que o que é que é preciso fazer em Espanha, etc.
Sublinho que a implementação destas recomendações é hoje para a Internacional de Educação questão central e uma exigência maior. E por isso no âmbito da campanha Go Public Fund Education tem vindo a promover e apoiar iniciativas dos seus sindicatos membros em todo o mundo, iniciativas à escala nacional, mas também regional ou subregional. Dou um exemplo.
Nos próximos dias 12 e 13 de maio, a Internacional de Educação vai promover uma reunião em Atenas com os sindicatos do sul da Europa, onde a FPR também vai participar para discutir justamente quais as recomendações mais pertinentes no nosso contexto e o que podemos fazer em conjunto para sensibilizar a opinião pública e criar pressão sobre os governos para que concretizem estas recomendações. Não é preciso inventar a roda. Sabe-se o que é que é preciso fazer.
É preciso que isso seja feito. Segundo exemplo, ao nível da UNESCO, da UNICEF, da OIT, que juntamente com a Internacional de Educação são as organizações promotoras da comemoração do Dia Mundial do Professor. Este dia representa a oportunidade de celebrar a profissão de professor em todo o mundo, assim como de fazer um balanço dos avanços registados e do que ainda está por fazer.
Refletindo sobre os grandes desafios que se colocam à profissão e à educação, cada ano tem um lema diferente, procurando dar visibilidade a uma preocupação ou desafio central. Não, por acaso. O lema escolhido para 2023 foi os professores de que precisamos para a educação que queremos, o imperativo de reverter a escassez de professores.
E este ano, 2024 o lema foi valorizar a voz dos professores rumo a um novo contrato social para a educação. Numa declaração conjunta, as organizações promotoras afirmam que é crucial que as vozes dos professores sejam ouvidas e valorizadas, não apenas para resolver os problemas que afetam a profissão, mas também e sobretudo para reconhecer e beneficiar do conhecimento especializado e do contributo que trazem para a educação. Lembro a este propósito que o Dia Mundial do professor é uma comemoração que se realiza anualmente desde 1994, o ano seguinte da criação da Internacional da Educação e que é uma comemoração que tem lugar no dia 5 de outubro, porque foi num dia 5 de outubro em 1966 que a UNESCO e a OIT adotaram uma importante recomendação sobre o estatuto dos professores, ainda hoje considerada um marco histórico para a profissão do centro.
De forma complementar, o Dia Mundial do Professor comemora ainda a adoção em 1997 da recomendação do UNESCO relativa ao ensino pessoal docente do ensino superior, abrangendo também os investigadores. Ora, quase 60 anos depois da adoção da primeira recomendação, a UNESCO anunciou que vai iniciar um processo de revisão destas recomendações e a Internacional de Educação constituiu já uma comissão para intervir nesse processo no sentido de uma maior valorização do estatuto e das condições de trabalho dos professores que possa tornar a profissão mais atrativa e gratificante. Uma das questões que a IA não deixará de colocar neste âmbito é justamente uma que o Mar Nogueira já referiu no início deste debate, a proposta que nasceu no seio da FR por iniciativa de Isal Batista, que muitos colegas que participam neste debate conhecerão e que tem também contado com a preciosa colaboração do professor António Nóa, uma proposta que visa a aprovação pela conferência geral da UNESCO de uma declaração reconhecendo a relação professor aluno como património da humanidade.
Este é um processo moroso e complexo. O facto do professor António Nova ter sido representante de Portugal na UNESCO ajuda-nos a perceber os constrangimentos burocráticos que temos encontrado e a procurar os melhores caminhos para concretizar esta ideia. Estamos ainda muito longe de o conseguir, mas temos reunido com regularidade, como o Mário disse, e não vamos desistir.
Nem a Fen Prov contactou o professor António Nova para ser uma espécie de patrono desta ideia. nem a é que abraçou a ideia desde o primeiro momento e está fortemente empenhado neste processo porque como é dito no texto de enquadramento dessa proposta e oário já citou aqui alguns e eh eh algumas frases e eu vou aqui complementar com outras duas, a relação professor aluno eh influencia de forma marcante os itinerários educativos a aprendizagem dos alunos e as suas histórias de vida num contexto de digitalização crescente da vida humana e social, apresenta a presença física daquele que ensina e educa, adquire uma importância reforçada, conforme ficou bem evidenciado durante a COVID-19. A consagração da relação professor aluno com património da humanidade terá enorme valor simbólico para o prestígio e a dignificação dos professores, constituindo um marco decisivo na história da profissão docente, representando um fator de valorização e de atração dos jovens para o magistrado.
Portanto, poderá contribuir também para tornar a profissão mais atrativa e combater a falta de professores. Em síntese e em jeito de conclusão, tal como a Internacional de Educação tem vindo a sublinhar, o mundo enfrenta uma escassez de professores sem precedentes, o que ameaça o direito à educação de milhões de estudantes, agrava as desigualdades e discriminações e compromete o desenvolvimento social e económico a longo prazo das comunidades e das nações. Na origem desta escassez está o subvestimento, o subinvestimento no setor e a deterioração das condições de exercício da profissão docente.
É urgente aumentar o financiamento da educação e investir na profissão. Isso passa por melhorar o estatuto e as condições de trabalho dos professores, mas também passa por reconhecer o papel insubstituível da relação humana no processo de ensino aprendizagem que nenhuma tecnologia ou inteligência artificial poderá substituir ou ainda por desenvolver uma narrativa positiva em torno dos produtores educadores que realce o seu papel fundamental na sociedade e aumente a percepção do valor da profissão. É necessário alargar o alcance e o âmbito do diálogo social e da negociação coletiva no desenvolvimento de situações eficazes e sustentáveis para a falta de professores através do envolvimento ativo dos profissionais de educação, dos sindicatos, dos governos, dos estudantes e de outras partes interessadas na definição de políticas para elevar o estatuto dos professores.
Finalmente, é necessária uma visão estratégica a longo prazo para a profissão docente que antecipe e prepare as necessidades educativas futuras, as mudanças demográficas e os avanços tecnológicos que oriente o desenvolvimento de políticas para melhorar a qualidade da educação a nível mundial e no futuro. Só assim será possível assegurar um professor qualificado em cada sala de aula, a cada dia, em cada lição, para cada aluno em cada país, em todo o mundo. Permitam-me que termine com uma nota mais pessoal, uma outra forma de responder à pergunta tema deste debate, educador professor, profissão extinção ou ainda de futuro.
No passado mês de setembro, na semana de abertura de ano letivo, um canal de televisão passava uma notícia com o título: Novo ano letivo, inteligência artificial substitui professores no Reino Unido. A notícia relatava uma experiência de uma escola privada em Londres, em que os alunos do 12º ano têm aulas numa sala com computadores e óculos de realidade aumentada, mas sem professores. O diretor da escola dizia que não estava a desvalorizar o trabalho humano, estava só a tornar mais eficaz o ensino de algumas disciplinas.
Nem de propósito, um ou dois dias depois, o noticiário matinal de uma estação de rádio dava nota da morte do do ator norte-americano James Jones, conhecido por emprestar a voz ao lendário vilão da saga Star Wars, Dark Vader, ou a MFAça em O Rei Leão, dizia ao jornalista. No entanto, nada o predestinou para se tornar numa das vozes mais emblemáticas da história do cinema. Até aos 8 anos, o jovem James E Jones mal falava devido a uma forte gaguez.
Como ele próprio contou ao Daily Mail em 2010, a Gaguez é dolorosa. No catecismo estava a tentar ler as lições e as crianças atrás de mim rebolavam no chão de tanto rei. Acrescento do jornalista.
recupera finalmente o controle da fala, graças à recitação de poemas por por iniciativa do seu professor de inglês, ele próprio poeta. E assim permitiram. Muito obrigada.
M.