Muito obrigada. Boa tarde a todos. Antes de mais, gostaria de agradecer o convite e dar os parabéns por esta iniciativa.
Eu gostaria só de também de cumprimentar a todos os que nos estão a ouvir e que estão presentes e a interagir aqui também ent a partir do chat. Eu gostaria só de confirmar se me estão a ouvir bem e se poderia eh [Música] partilhar eh o PowerPoint. penso poderá ajudar.
Muito bem. Então, antes de mais, gostaria de de reiterar eh o agradecimento e dar os parabéns pela iniciativa e dizer também que claramente o professor é uma profissão eh com futuro, de futuro. E por isso, quando coloquei esta interrogação, é uma interrogação à qual todos nós respondemos que sim, vale a pena ser professor, que a profissão do professor e é fundamental.
E o que eu vou aqui trazer e partilhar talvez como mote para o debate serão algumas ideias eh e alguns resultados de investigação e também deixar aqui algumas interpelações, alguns questionamentos que podemos fazer em torno da profissão docente. O que é que caracteriza atualmente a profissão docente? E o que é que constitui a essência do trabalho de um professor?
e que reflexões poderemos eh a partir daqui trazer para a formação e para o recrutamento dos professores, para além de outras questões que vou também relacionar com eh um trabalho que em que estive envolvida no âmbito do Conselho Nacional de Educação, que foi a publicação de uma recomendação eh sobre as dimensões estruturantes da profissão docente. E, portanto, vou deixar aqui algumas notas em relação a esse a essa recomendação h no final que poderá servir também para como mote para a reflexão. E, portanto, esta partilha, eu gostaria de começar exatamente por uma citação de Andy Hargriffs já há 22 anos, que penso que vale a pena colocá-la aqui porque nos traz aqui alguns elementos para reflexão.
Ele dizia já em 2003 que a profissão, a profissão que é muitas vezes descrita com uma importância vital para a economia de conhecimento, é a mesma que muitos grupos têm desvalorizado, que cada vez maior número de pessoas quer deixar, em que cada vez menos pessoas querem entrar e muitos e muito poucos têm interesse em liderar. Isto é mais do que um paradoxo. É uma crise assunção.
Eh, peço desculpa, vou interrompê-la apenas porque quero pedir que faça a sua apresentação eh no outro modo porque está muito pequeno. Sim, sim, já estou a partilhar. Já conseguem ver?
Ah, ok. Certo. Sim.
Tento passar um slide à frente, por favor, para ver se funciona. Uhum. Está melhor.
Boa. Podemos continuar. Obrigada.
Pronto. Então, eu estava a dizer que mais do que um paradoxo é uma crise de proporções preocupantes e talvez esta citação já proferida há há 22 anos hh tenha ainda, não é atualidade eh eh porque nos traz aqui algumas implicações do ponto de vista daquilo que é que são algumas características da profissão docente, alguns desafios, eh algumas tensões e se calhar também algumas contradições. Eh, e que se prende também com aquilo que todos nós sabemos.
que é a crise atual da falta de professores, não é? De acordo com os dados que conhecemos, são necessários 44 milhões de acordo com um dos últimos relatórios da UNESCO. É um problema que afeta os 50 estados dos Estados Unidos da América.
que ainda na semana passadave estive num congresso nos Estados Unidos eh da Associação Americana de Investigação e Educação, onde se onde se discutia precisamente esta questão e o modo como ela vai sendo ou está a ser a tentar ser resolvida nos em nos vários estados. Mas olhando aqui para o contexto europeu, nós também eh de acordo com documentos que conhecemos hh também reportamos também reportam esta situação, nomeadamente a crise vocacional eh visível eh embora com contornos distintos em 35 sistemas europeus e portanto as palavras catástrofe, caos, crónica, falta de professores eh são reiterados. Se olharmos aquilo que é veiculado pelos meios de comunicação social em vários países europeus, mas também nos próprios relatórios oficiais, estas referências são eh reiteradas e Portugal, como sabemos, não é exceção.
Eh, é necessário eh recrutar professores, embora Portugal tenha também uma especificidade própria relativamente àquilo que é a característica, não é, da da falta de professores e e à necessidade de recrutar. Portanto, estão está localizado n algumas zonas, mas também isso tem a ver com as políticas de formação de professores eh e também com aquilo que é o investimento na própria profissão. Eh, sabemos que em Portugal é necessário eh vão ser necessários cerca de 35.
000 1 professores eh até 2030 2031, de acordo com os dados oficiais. Mas este tema já vinha sendo eh identificado noutros relatórios. Eu gostaria só aqui de relembrar o Talis 2018, eh, onde claramente, isto são palavras textuais, se fala de uma mudança dramática de eh quanto ao número de professores com 50 ou mais anos de idade, de 28% no Talis 2013 para 47% no Talis 2018.
E, portanto, esta questão está relacionada com h com a a saída do sistema de muitos professores. E se olharmos para o relatório do que né, do Conselho Nacional de Educação 2022, também vemos que 55% em 2020 2021, portanto 55% dos professores tinham 50 ou mais anos de idade. Esta é o retrato e é e não podemos, digamos, escamotear este esta questão que nos leva, e se olharmos também para a literatura internacional algumas tensões que decorrem precisamente desta situação.
Uma delas é e que aparece muito h nas nos debates em torno da formação de professores, mas também em torno de estratégias para colmatar este esta crise, que é a discussão eh o professor como técnico ou como profissional. o professor é um intelectual que toma decisões ou alguém que executa. E, portanto, em várias propostas é visível esta tensão, mas é também sobretudo está sobretudo patente o modo como eh as respostas vão surgindo, quer numa lógica mais de do professor como técnico, quer do professor como profissional.
Depois, eh, a ideia de formar professores para o mundo que temos ou para o mundo que queremos e quais são as implicações do ponto de vista do recrutamento, mas também ou sobretudo do ponto de vista da formação de professores, que formação inicial e que formação contínua eh é necessária para os desafios que atualmente eh se colocam à profissão docente? Depois, um outro aspecto que é também discutido em vários contextos é a formação de professores para um contexto específico, porque naturalmente a atenção ao contexto é fundamental, mas eh como se pode perspetivar a formação de professores para um contexto global? E nós temos aqui desafios globais como são as migrações globais, a inteligência artificial, a digitalização que está que já foi aqui falada, eh uma outra série de desafios que naturalmente têm também implicações para a profissão docente e para a formação de professores.
E por fim, uma outra atenção eh que é visível também na literatura internacional, que é a falta de professores como um problema de quantidade ou como um problema de qualidade. E, portanto, muitas das estratégias, muitas das propostas vão no sentido de resolver um problema de quantidade que existe e não se pode eh eh escamotear. Eh, mas como é que se colocam as questões da qualidade, não é?
quantos professores precisamos, mas de que tipo de professores precisamos, que formação é que eles devem ter. Por isso, esta primeira parte como eh contexto daquilo que eu gostaria de partilhar pode permitir elencar alguns temas que poderemos discutir no final. Um deles é o recrutamento.
Que que estratégias para recrutar professores? E desde logo, de que professores estamos a falar, que professores queremos e para eh trabalhar nas nossas escolas e que formação devem ter. Por isso, o tema do recrutamento e da formação são temas chave no contexto atual, sempre, mas no contexto atual ainda mais permentes, como é também o tema da indução profissional, que sabemos que no contexto português ele já aparece referenciado há muitos anos.
Podemos eh relembrar o decreto de lei 344 de 1989, que claramente se referia à importância da existência de programas de inoção, no fundo de apoio da de orientação da socialização profissional dos novos professores, mas nunca foi eh regulamentado, nunca foi implementado. Depois temos também que discutir a natureza do trabalho docente, isto é, quais são as dimensões centrais daquilo que os professores fazem ou decidem. Em que é que consiste, digamos, a essência do trabalho dos professores?
E o que é que este, a essência do trabalho dos professores nos diz acerca do seu do profissionalismo docente? Isto é, quais são as dimensões, quais são os elementos que caracterizam o profissionalismo docente? E por fim, a condição docente, isto é, o que é que atualmente significa ser professor, não só relativamente às condições de exercício da profissão, mas também àquilo que é a natureza do trabalho dos professores face aos contextos concretos em que têm que operar, mas também face aos desafios globais que a profissão enfrenta eh em vários países.
E, portanto, é em torno destes temas ou que eu gostaria de partilhar algumas ideias eh que poderão, como mencionei no início, eh ser importantes eh trazer para o debate. Se olharmos para as perspectivas internacionais sobre o trabalho docente, nós vemos que há exigências cada vez mais complexas, que há até expectativas contraditórias relativamente ao trabalho dos professores e que claramente é possível identificar um conjunto de tensões e de paradoxos. E estas exigências, expectativas, tensões e paradoxos têm muito a ver com mudanças políticas e curriculares.
Digamos, qual é o foco das mudanças ao nível educativo e ao nível curricular em particular, mas também com as expectativas sociais que são cada vez e mais elevadas, tendo em conta a também as características do contexto atual. Um outro aspecto eh são os avanços tecnológicos e cada vez mais eh as questões da digitalização e mais recentemente as questões da inteligência artificial eh se colocam e que, portanto, também têm implicações no trabalho dos professores. Por outro lado, é claramente também é claro também esta esta pressão para aumentar os resultados como prioridade por parte dos governos e que tem a ver com a as avaliações internacionais e o facto de os governos se quererem sair bem eh nessas avaliações internacionais, que também dita, no fundo, eh algumas políticas do ponto de vista educativo e curricular e também relativas à avaliação.
O que é certo é que existe um tema recorrente que é o tema da qualidade e que ninguém nega a importância da qualidade dos professores, da qualidade do ensino, da qualidade das escolas. Só que este conceito de qualidade, sendo um tema, uma palavra-chave, um tema recorrente, ele é entendido de diferentes modos. Portanto, há aqui diferentes sentidos no modo como a qualidade com que todos concordamos é descrita ou é entendida a em vários contextos.
O que é que nós podemos ainda identificar relativamente ao trabalho docente nesta perspectiva internacional? um discurso que vai numa linha de da defesa de um maior profissionalismo docente ou se quisermos um profissionalismo docente amplo, colaborativo, mas ao mesmo tempo assiste-se eh a políticas ou a iniciativas a medidas que vão no sentido de uma desprofissionalização e sobretudo a uma intensificação do trabalho docente através de sistemas de monitorização, de avaliação e até poderemos dizer n alguns casos de controlo. Portanto, são lógicas paradoxais.
Por outro lado, também podemos identificar esta ideia da exortação do ensino como uma uma atividade autónoma, mas ao mesmo tempo uma maior vigilância, supervisão numa lógica de prestação de contas, portanto, como dizia, de maior controle. A par disto, está também uma ênfase recorrente na importância da colaboração que todos reconhecem, mas ao mesmo tempo também é possível identificar formas crescentes de gerencialismo e de prestação de contas num contexto muitas vezes marcado por uma cultura competitiva. E por fim, um conjunto, um outro conjunto de tensões, que é a necessidade eh de alcançar resultados imediatos, mas ao mesmo tempo preparar alunos para uma era de migrações e crescente multiculturalismo.
E, por outro lado, a advocacia de um profissionalismo mais amplo, mais interativo, mas que acontece em contextos marcados por currículos impostos e por uma avaliação externa. Considerando aquilo que são as dimensões dimensões centrais do profissionalismo docente, nós podemos discutir que dimensões é que atualmente estão a ser ameaçadas e que dimensões estão a ser promovidas. Eu julguei que pudesse ser importante trazer aqui os princípios que são id já foram identificados há muitos anos por Hargrid e Fullen relativamente àquilo que poderão ser dimensões do profissionalismo docente.
Por exemplo, em relação à aprendizagem profissional, existem ou não para os professores mais oportunidades e oportunidades mais relevantes diversificadas para a aprendizagem profissional, que é uma dimensão central do profissionalismo? Existem ou não mais oportunidades para que os professores possam exercer o seu juízo discricionário? que como é que é entendida e exercida a sua autonomia profissional ou em que medida é que ela é coarquetada ou limitada.
Por outro lado, existem ou não mais oportunidades para se desenvolverem culturas colaborativas? Portanto, existe ou não uma maior colaboração docente no contexto atual? Relativamente ao comprometimento, uma outra dimensão que é identificada por estes autores, existem não ou não maior comprometimento por parte dos professores em relação ao ensino, aos alunos, à aprendizagem e em relação à própria profissão docente?
Como é que se colocam os propósitos morais e sociais? Alcançar resultados imediatos, resultados escolares é fundamental, como já foi dito, mas também como é que se como é que se eh entendem estes propósitos morais e sociais mais eh abrangentes no sentido também de do modo como entendemos a própria educação e o ensino. a complexidade das tarefas, estão os professores ou não h têm ou não a uma maior o maior número de tarefas e essas tarefas são de uma exigência de uma complexidade cada vez maior.
E por fim, uma outra dimensão que estes autores autores trazem, que é difícil de traduzir, mas que é o qu, portanto, o cuidado, a atenção. Como é que atualmente estas dimensões e outras que podemos elencar se colocam? estarão a ser ameaçadas ou estão a ser promovidas?
E o que é que isso nos diz relativamente àquilo que é a definição, mas também o exercício do profissionalismo docente em contexto. O que sabemos do caso português, de um estudo que eu realizei, dois estudos, vou trazer aqui alguns dados, é que claramente os professores portugueses consideram que aumentou o volume do trabalho, que aumentou a burocracia, que se acentuaram as críticas em relação ao trabalho dos professores, que a informação veiculada pela comunicação social tem diminuído o prestígio da profissão e que aumentou o controlo e a exigência de prestação pública de contas. Este foi um trabalho eh um estudo realizado junto de 3.
000 professores eh que não vou estar por uma questão de tempo, não vou estar aqui a ler, mas é importante. Gosto sempre de trazer as vozes dos professores na primeira pessoa, eh, que que trazem aqui dados ligados às questão à questão da burocracia, por exemplo, à questão do que é o sentimento de de a vivência do profissionalismo docente, a vivência do ser professor. E há cada vez mais esta atenção às questões do bem-estar e das oportunidades de aprendizagem profissional.
Eh, e aquilo que nos dizem relativamente àquilo que é ser professora, não é? Portanto, nomeadamente esta última professora que descrevia vários eh várias tarefas que tem que realizar e depois conclui que que o que gosta de ser é professora. E, portanto, isto é muito sintomático daquilo que caracteriza atualmente eh eh a profissão docente, digamos, o trabalho docente, que muitas vezes acaba por h deixar tempo, não deixar tempo e energia para aquilo que é a essência da profissão.
Um aspecto que nós e que decorre também deste estudo é a intensificação do trabalho docente, não é? Penso muitos professores e e quando se ouvem na primeira pessoa falam desta questão eh que é a ideia de fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo e estar sempre a a pensar no trabalho. Esta multiplicidade de tarefas, esta falta de tempo e o ritmo alucinante, nomeadamente quanto eh no que diz respeito ao aumento das tarefas burocráticas e administrativas.
No fundo, aquilo que Hargrid e Fullan falam eh o referem como profissionalismo hiperativo, em vez de um profissionalismo interativo, portanto mais colaborativo. E esta ideia de encontrar soluções rápidas e de ter e de ter de realizar muitas tarefas ao mesmo tempo, h, acabam naturalmente por a nalguns casos h desvirtuar ou ou desligar ou retirar tempo e energia, que são recursos eh limitados aos professores para aquilo que consideram ser a eh a a essência da sua profissão. E por isso nós perguntamos aos professores quais são as dimensões que mais e menos valorizam no trabalho.
Portanto, não são as dimensões que ocupam mais tempo, é o que é que valorizam mais no trabalho e valorizaram claramente a colaboração com colegas, o apoio aos alunos, a reflexão sobre o trabalho desenvolvido, a planificação letiva, a aprendizagem profissional, sendo que os men as dimensões menos valorizadas se prendiam com a realização de tarefas administrativas, atas e relatórios, o envolvimento na comunidade idade ade local e a dinamização de equipas de trabalho. É evidente que nós podemos questionar alguns destes aspectos, nomeadamente a questão das equipas de trabalho. Em todo caso, h, o que é claro é que os professores atribuem maior importância à vertente pedagógica do seu trabalho nas dimensões individual e colegial do profissionalismo e menos importância às dimensões de pendor gestionário.
Uma outra pergunta que nós fizemos foi se a pudessem se pudesse abandonava o ensino. Portanto, a ideia de permanecer ou deixar a profissão, a boa notícia é que 41% dizem que não, que não abandonaria, mas há 26,9% que dizem que sim e 31,9% que dizem que talvez ou que considerando estes dois valores é um número ainda eh relevante, significativo. E naturalmente que avançam várias razões a razões que se prendem também a com as com as políticas e com aquilo que é a natureza h do seu trabalho, e as tarefas que têm que realizar, mas também com o cansaço, eh, o stresse, h, e com, e aquilo que são alguns aspectos que poderão estar relacionados com a realização profissional ou não.
Isto é, em termos de valorização ou sentir-se ou não valorizados e realizados profissionalmente. Professor, assunção, desculpe interromper mais 5 minutos, por favor. Sim, sim.
Vou então terminar. Eu só gostaria de dizer então que não vou não vou apresentar esta citação. De qualquer forma só para dizer que algumas falas estão muito ilucidativas relativamente àquilo que é o sentimento dos professores.
E como só tenho c 5 minutos, vou vou só h avançar para alguns aspectos que são importantes. Talvez deixe esta questão do profissionalismo, dos vários profissionalismos que estão aqui em tensão, mas que talvez o que possamos discutir é qual é a natureza do profissionalismo e se não temos aqui profissionalismos no plural e profissionalismos em conflito. Eh, como referia a professora Teresa Estrela já em 2014, estamos provavelmente perante velhos e novos profissionalismos.
Há progressos, mas também há retrocessos e não podemos deixar de os considerar neste debate. Eh, um uma autora que de relevância nesta área que é Judit Sax australiana, que fala num aspecto que é importante, porque é que estamos ainda a discutir eh o profissionalismo docente? Os professores são profissionais e, portanto, é necessário considerar considerá-los enquanto tal nas políticas ligadas à formação, ao seu desenvolvimento profissional, eh à educação em geral.
H esta ideia que é, aliás, o modo também para este debate, uma profissão de risco ou uma profissão em risco, ou então estaremos nós numa eh numa perspectiva de reprofissionalização e o que é que isso significa. Portanto, desprofissionalização ou fortalecimento da profissão. Por exemplo, um aspecto que temos que considerar é que cada vez mais os professores trabalham com outros profissionais nas escolas.
E, portanto, que implicações é que são estas do ponto de vista da acentuação, do reforço e da e da do reforço da sua própria identidade profissional? Eh, o que podemos ver é uma tensão entre o modo como os professores descrevem a sua identidade e o seu trabalho, eh, e o modo como percebem que o mundo exterior, os decisores políticos e as políticas definem o seu papel e procuram delimitar a sua autonomia e juízo profissional. E por isso Judit SA faz um apelo à ação no sentido de mobilizar os professores, mas sobretudo de enfatizar a importância da aprendizagem profissional e dos professores conseguirem sustentar e validar as suas práticas através da indagação.
Eu vou avançar porque não gostaria de, e portanto é mesmo a última parte, como avançar e aprofundar. Eh, nós temos aqui contributos importantes do ponto de vista da investigação, do ponto de vista daquilo que é a própria concetalização do profissionalismo docente e do que sabemos acerca da formação de professores. Mas no contexto português, eu gostaria só de trazer algumas indicações sobre esta recomendação do Conselho Nacional de Educação acerca das dimensões estruturantes da profissão docente em quatro eixos: valorização da profissão, o contínuo da profissão, as condições de exercício da profissão e o profissionalismo docente.
Eh, esta recomendação inclui 29 recomendações. Não vou trazê-las todas, mas só gostaria de destacar algumas. Do ponto de vista da valorização da profissão, a importância, complexidade, que é preciso reconhecer que é uma profissão complexa, mas também muito específica da profissão docente e o que requer também uma maior visibilidade do trabalho dos professores das escolas no espaço público.
A importância que eu penso que deve ser eh feito ainda mais sobre isto, que é a participação dos professores nas discussões e nas decisões educativas. eh a importância de medidas para valorizar e eh e a profissão e para aumentar o seu prestígio. E, portanto, aqui eu penso que é um esforço coletivo que tem que ser feito para aumentar o prestígio da profissão, sobretudo no contexto em que nos situamos.
Depois, em relação à formação, eu penso que é preciso dar atenção a este contínuo da formação. Isto aparece muito plasmado nesta recomendação, que é a formação inicial, a formação contínua, mas também a indução, que tem sido esquecida. Eh, a ideia que é necessário também repensar o modelo da formação inicial e à luz da abrangência e mult dimensionalidade do conhecimento do professor, enfatizando a importância das ciências da educação, mas também as múltiplas competências que estão inerentes à profissão docente.
Como já mencionei, a importância de se criarem programas de indução e de parcerias entre instituições de ensino superior e escolas. h reforçar também as políticas de formação contínua, atendendo a este caráter multifacetado do trabalho dos professores e à diversidade de práticas e contextos, eh às oportunidades que os professores têm devem ter de desenvolvimento profissional relevantes, considerando o seu percurso formativo, a sua trajetória profissional, a fase da carreira em que se encontram, mas também o contexto em que trabalham e naturalmente a decisão de a necessidade de de fomentar a dimensão coletiva da profissão através da promoção de espaços de reflexão, de partilha e de construção de conhecimento profissional. E para isso é é necessário um recurso fundamental que condições para isso, nomeadamente tempo.
Hum, professora, agradeço que termine a sua intervenção. Sim, vou então só para eh eh avançar. Já falei um pouco aqui nesta questão, mas penso que é necessário reforçar esta centralidade da ação curricular e pedagógica dos professores e da do entendimento dos professores enquanto profissionais.
H, isto traz implicações para o modo como se concebe o trabalho docente, mas também a sua formação. E queria só terminar dizendo que a própria recomendação traz esta importância de uma formação inicial e sólida e de nível superior que reconheça a complexidade da profissão nas suas várias vertentes: intelectual, relacional, técnica, investigativa, ética, social, cultural e emocional, apontando também para as questões da agência dos professores e da consolidação de redes e comunidades de aprendizagem profissional. Razões para preocupação e esperança.
Para terminar, recrutamento e formação de professores. Quem são os professores? Como é que eles são recrutados?
Quem entra na profissão. Uma preocupação é a redução da formação educacional geral na formação inicial, eh que desde 2008, nomeadamente no contexto pós-bolonha, tem vindo a ser reduzida. Passou de 22 créditos para 18.
E agora no caso do terceiro ciclo e secundário, por exemplo, o mínimo de créditos para as áreas da filosofia da educação, da organização e administração escolar, do currículo, da avaliação, da psicologia, eh, vemse vem sendo reduzida, portanto, e neste momento o mínimo são nove créditos. H, e portanto é uma preocupação porque tem a ver com uma dimensão central daquilo que é ser professor e a sua formação. Penso que um aspecto que também pode ser h melhorado ou reforçado é a voz dos professores, mas também dos formadores de professores.
Muitas vezes prevalece uma lógica mais marginal ou invisível, mesmo quando se auscultam. E, portanto, penso que há aqui aspectos a a serem eh tomados em consideração e reforçados. Eh, e uma vez que já viram aqui o PowerPoint, um dos aspectos que me parece eh importante é considerar a experiência e a expertise dos professores.
Nós temos professores qualificados, altamente qualificados, eh cuja experiência é fundamental, mas também, já agora, dos formadores e das instituições de formação. Portanto, eu diria, eu terminaria dizendo que vale a pena pensar quais são as razões atuais para ser professor. Eu que sou formadora de professores e que eh eh recebo os alunos no primeiro ano do mestrado no primeiro semestre.
Eh, a pergunta e a que se impõe é porque é que querem ser professores e quais são as razões que eles trazem e que se lhes são oferecidas para serem profissões do ponto de vista dos valores profissionais, da cultura profissional, da natureza do trabalho docente. Eh, e mesmo para terminar, sublinhava só três três três conceitos. Um deles é confiança nos professores e na e a valorização da profissão, que eu penso que tem que ser feita a partir de fora, mas também a partir de dentro, num esforço coletivo.
E a pergunta que nós podemos colocar é que imagem da profissão docente neste contexto? Depois a própria reconfiguração da profissão docente, dado o número elevado de professores que vão sair e o número elevado de outros professores que vão entrar no sistema. que oportunidades para a aprendizagem profissional e para, digamos, a passagem de testemunho e o legado.
E por fim, a importância de renovar e ampliar o profissionalismo docente a partir do do de dentro. Penso que há aqui dois conceitos importantes que não me vou alongar, mas queria só referir. Uma um deles que é a agência dos professores e outro o orgulho.
Portanto, confiança e orgulho em ser professor. Como é que se podem h digamos fomentar ou trabalhar eh estes aspectos h no futuro e que pode ser também aqui um modo para o debate? Muito obrigada.
Eu peço desculpa que alonguei-me, mas eu não, como não estou a ver ninguém, eh, não. Obrigada pela sua intervenção.