olá vamos começar hoje nossa terceira aula sobre a revisão histórica das políticas habitacionais no Brasil e hoje vamos tratar de um período que para mim é bastante importante porque foi o período que eu mais estudei eh do ponto de vista de pesquisa Ah desde praticamente dos anos 80 até lançar finalmente o último livro pioneiros da Habitação social que foi em 2 14 nesses quase 35 anos eu ã estudei eh sobre vários aspectos esse período né ele inicialmente eh gerou esse meu doutorado origens da Habitação social no Brasil que aliás é o tema da nossa aula
de hoje né exatamente o período de 3064 quando tem início a intervenção do estado na questão da habita né e por isso que esse período é muito importante né Nós vamos então nessa aula de hoje estudar esse período que é um período que coincide com o que é chamada a Era Vargas a era do desenvolvimentismo a Era em que o estado interviu na economia para de certa forma modificar as bases econômicas do país de uma base agrária exportadora para uma base Urbana industrial né foi esse o sentido mais geral né do governo Vargas através de
uma política que nós chamamos do nacional desenvolvimentismo ou seja uma política que buscou reforçar o Estado Nacional com uma forte intervenção do estado para promover o desenvolvimento como se entendia na época o desenvolvimento estava muito vinculado à ideia da industrialização e portanto da cidades né E vai gerar aquele enorme crescimento populacional que nós já falamos da primeira aula e que vai fazer com que o Brasil Contemporâneo pudesse firmar suas bases bom o governo Vargas então pode ser entendido como o governo que eh que dá início né a intervenção do estado na questão da moradia isso
vai se fazer por diferentes formas né Eh já né mostrando aqui o o o o esse primeiro slide né Nós podemos ver como né Eh um conjunto de ações que o Estado faz para poder transformar aquilo que era uma promoção privada de moradia que visava o aluguel que era a produção rentista tão forte na república velha num n novas bases da produção de habitação e nesse sentido teve um papel importante né a política eh de inquilinato Ou seja a lei do inquilinato porque a lei do inquilinato que eu trato bastante no origem da Habitação social
ela vai ter por consequência uma uma crescente abandono por parte do setor privado na produção de moradias de aluguel que era o que predominava até os anos 40 a lei de inclinato é de 42 exatamente no momento em que o Brasil tá na guerra entra na Segunda Guerra Mundial e que eh a maior parte da população mora é inquilino e portanto o congelamento dos aluguéis determinado pelo Gover governo Vargas e a proibição de despejos ela é vista com muita simpatia pelos Inquilinos que uma grande maioria era grande maioria da população mas né é uma medida
de caráter populista uma medida que vai ter um efeito na produção Habitacional bastante grande por quê Porque né Deixa de haver interesse do setor privado em produzir moradias de aluguel e com isso nós vamos ter eh num momento de grande crescimento da população urbana brasileira né porque é um momento de realização promovida pelo próprio estado Vargas né um momento de migração Campo cidade eh nós vamos ter um aumento de população e uma estagnação na produção de moradias o que vai gerar uma forte crise Habitacional no Brasil que vai perdurar aí por décadas obviamente né Essa
eh essa eh lei do inclinato é um uma das ações que o estado toma uma outra ação que foi muito importante que tá vinculada a toda a criação de uma estrutura de proteção a trabalhador é a produção de moradias através dos institutos de aposentadoria e pensão o que que são os institutos de ap em pensão são institutos de previdência pública né o estado criou institutos de previdência pública que não existiu no estado no no no na república velha e em decorrência dessa eh política de criação de de uma empresa de um de uma de uma
instituição de previdência pública ele vai concentrar uma grande quantidade de capitais vai criar uma enorme um enorme fundo público claro que esse fundo público vai ser no futuro utilizado para pagar as aposentadorias dos Associados desses institutos mas Principalmente nesse primeiro período os são criados entre 34 e 37 e 38 né são vários institutos eles vão acumular Fundos muito grandes e esses Fundos vão precisar ser aplicados em alguma coisa e uma das aplicações que eh acaba sendo eh uma das principais é aplicação no imobiliário em terrenos e também na construção de conjuntos habitacionais para os associados
desses conjuntos né Isso vai então gerar os primeiros conjuntos habitacionais produzidos no Brasil pelo setor público que são feitos pelos institutos que institutos são esses são institutos com base corporativa ou seja de um certo segmento de trabalhadores são por exemplo IAPI que é dos industriários O iapc que é dos Bancários o IAPI O iapb que é dos Bancários O ipaz que é servidores do Estado O iapetec que é dos Trabalhadores de cargas de Transportes e cargas então o o o iapm dos marítimos então cada segmento e veja que eram apenas os trabalhadores registrados com carteira
assinada que podiam se filhar a esses institutos de previdência é por isso que como a professora Ângela Gomes define essa política de proteção do governo Vargas é uma política de proteção para quem tem carteira assinada quem tem carteira assinada tem Previdência Social tem saúde porque os institutos também forneciam saúde pros trabalhadores e tinha né possibilidad não é que tinha garantia tinha possibilidade de acessar uma moradia produzida pelo Instituto né ou de pegar um financiamento com o Instituto para comprar uma casa própria que era uma outra modalidade esses institutos produzidos então pelos institutos eles eram alugados
os os conjuntos eram de propriedade né os conjuntos eram de propriedade do Instituto e eram alugados pros assalariados que pagavam o aluguel obviamente a partir do momento que se decreta o congelamento dos aluguéis um instituto que é público tem que respeitar o congelamento E com isso então esses institutos vão ver e principalmente aquela burocracia atuarial dos institutos que aquela tá preocupada com né a manutenção das reservas dos institutos começa a se opor à produção de conjuntos habitacionais porque eles na verdade não garante um retorno necessário pro capital investido de qualquer maneira essa produção ela é
uma produção extremamente importante porque elas ela é a base da produção de habitação feita pelo poder público no Brasil uma última medida importante né do Estado Vargas foi a a a criação de um decreto lei que facilita que dá segurança jurídica a venda de lotes à prestação né até então os lotes quando eram vendidos né E era comum vender lotes da prestação e o comprador não tinha a segurança de que aquele lote seria seu até terminar de pagar né porque e eventualmente o proprietário poderia no meio né desse processo de venda prestação ele poderia desistir
da venda e podia retomar o lote isso não acontecia de uma maneira geral mas o Vargas vai regulamentar através do Decreto Lei 58 vai regulamentar que é de 38 né 1938 ele vai regulamentar a venda de lotes a prestação que vai ser muito importante pra difusão né da do sistema de loteamentos periféricos de acesso à casa própria através da compa prestação por lotes né que será a grande alternativa pro trabalhador nesse período né e no período seguintes também Então veja que essas medidas de Vargas elas não caracterizam exatamente uma política Habitacional né na verdade a
produção de conjuntos habitacionais é um subproduto dos institutos de previdência né o a o congelamento dos aluguéis está ligado à ideia da proteção dos trabalhadores e vai perdurar durante praticamente toda a Era Vargas daí paraa frente a venda de lotes aprestação é uma medida de caráter jurídico que eh de certa forma foi importante para a questão o enfrentamento da questão Habitacional no Brasil mas não são medidas que foram pensadas de maneira conjunta como parte de uma política na verdade não o o o o governo Vargas até 46 ele não terá um órgão de habitação esse
órgão vai ser criado em 46 pelo General Dutra que foi a fundação da casa popular mas a fundação da casa popular ela nunca teve orçamento eh garantido né dependia de aportes orçamentários a produção dela foi minúscula né E também não se concretizou o que era a expectativa original do projeto da fundação da casa popular que era ela manipular ela poder utilizar os recursos né os Fundos das da Previdência Social Então ela teve uma eh uma produção bastante pequena nesse período né muito inferior aos institutos que foi muito inferior às necessidades habitacionais desse período mas os
os conjuntos são muito significativos porque eles representam não só a primeira a primeira produção de habitação feita no Brasil eh pelo Estado por órgãos do Estado como porque ele também vai adotar os princípios do movimento moderno movimento moderno da arquitetura e do urbanismo né que tem grande crescimento né nasce nos anos 20 né do século XX né na Europa com praticamente arquitetos muito importantes como leur buus como Walter gropius como Ernest May eh como eh Bruno taut né são vários arquitetos que participam né da dos congressos internacionais de arquitetura moderna e que vão colocar a
questão da Habitação né como uma questão muito importante e eh né é a ideia que é de certa forma vem de uma visão socialista eh que é a ideia de que a arquitetura não pode ser só para as elites a arquitetura tem que ser para todos e a ideia de produzir habitação basead nos princípios da arquitetura moderna princípios de racional do da da né da da produção racional né da ideia da eh da da arquitetura como né como a habitação como uma máquina de morar a ideia da produção em série da racionalização da produção né
da e na na Perspectiva inclusive disse avançar no sentido da industrialização são princípios muito importantes para esses arquitetos e eles entendiam que não é o acesso à habitação ia ser garantido exatamente na medida que a casa a habitação ela fosse eh produzida industrialmente né assim como outros bens né que eram anteriormente produzidos de maneira artesanal eles baratear enormemente na medida que se produziu em massa se acreditava que a habitação também iria batear se ela fosse produzida em massa outro aspecto importante do urbanismo moderno dizia respeito à ideia de que a habitação ela não se resumia
à casa ela deveria ser pensada como um conjunto de equipamentos coletivos que estão vinculadas à moradia né então por exemplo as áreas verdes por exemplo os equipamentos sociais como de saúde de educação né como eh as áreas de esporte de lazer Eh toda todas elas deviam fazer parte do conjunto habitacional então o conjunto habitacional entendido como esse essa pequena unidade Urbana né e Ah e a e a habitação podendo ser entendida a unidade Habitacional podendo ser entendida como a moradia mínima ou seja o mínimo necessário para que aquela pessoa pudesse viver né habitar com a
sua família a ideia também muito forte de que a família é a família unifamiliar esses conceitos todos vão vigorar durante décadas e décadas até hoje predomina na visão da Habitação e eh e aí então nós vamos ter aí várias soluções habitacionais propostas pelo movimento moderno que vão de alguma maneira ser incorporadas na produção Habitacional dos institutos de aposentadoria em pensão no entanto né como nós vamos falar mais pro final da aula eh esse ah esse enorme crescimento eh das cidades nesse período né não vai não vão ser atendidas por esses conjuntos que são muito limitados
em decorrência disso nós vamos ter um enorme crescimento da Habitação informal nesse período da era Vargas aqui a gente vê Então essas são capia capas de revista né dos vários institutos esses institutos eram grandes estruturas estruturas que estavam voltadas né como paraa previdência Claro né para recebimento das né da da das né dos do do da tanto da parte dos trabalhadores né 88% do salário dos trabalhadores como uma parte Empresarial e deveria ter uma terceira parte do estado que quase nunca foi efetivamente colocada nos institutos E com isso se gerava então um enorme máquina né
Eh estatal que foi controlado durante esse período praticamente né maior parte do do período por Aliados né do Getúlio ligados ao partido trabalhista brasileiro e aqui a gente vê então né o a revista do iapc e você vê como é importante a produção Habitacional a capa dele mostra um edifício né que foi construído né para os Comerciários né o Instituto de aposentadoria e pensões dos Comerciários e apc aqui a revista dos Bancários eh né que era uma categoria muito privilegiada e ainá que era a os trabalhadores da indústria né dos industriários né o Instituto de
aposentadoria e pensão dos sários e a petec que é o Instituto de aposentadoria e pensões dos trabalhadores e Transportes e cargas né e eh E essas capas esses revistas mostram né a pujança desses institutos né e os institutos quando eu falei que eles eram corporativos eu tem que ter claro que por exemplo os bancários ganhavam muito mais do que os industriários Portanto o fundo por trabalhador do Instituto dos Bancários era muito maior e é por isso que as habitações produzidas pelos Bancários São de muito melhor qualidade do que a dos industriários de tamanho de padrão
de localização nas cidades né Então essa é uma questão da do fato de ser uma estrutura corporativa que vai vigorar até 64 Na verdade até 66 né ou seja vai vigorar durante toda da era Vargas e aqui a gente vê do lado direito né é importante né que também tem um foto de um conjunto aqui na capa que é a revista Municipal de engenharia que é foi produzida pelo pelo departamento pela pelo pela secretaria eh de obras da eh do do da prefeitura do Distrito Federal que é a Prefeitura do Rio de Janeiro essa revista
ela é muito importante nesse período e ela vai publicar eh os conjuntos habitacionais produzidos por um órgão que foi Pioneiro na eh na produção de habitação por prefeituras que foi o departamento de habitação popular da prefeitura do Distrito Federal que foi coordenado pela prefeita pela prefeita pela engenheira Carmen Portinho né que foi uma grande militante feminista e uma grande militante pela arquitetura moderna do Brasil embora ela fosse engenheira ela era uma militante da arquitetura moderna e dos princípios da arquitetura moderna e esse esse esse departamento ele vai ser muito importante a produção dele Ela tá
de certa forma inserida nesse ciclo de produção de habitação social dos anos 50 que são muito importantes então aqui nesse slide a gente pode ver nos próximos também né uma série de painéis que foram produzidos pelo no instituto de aposentadoria e pensão dos industriários que era coordenada né que era coordenado o departamento de engenharia pelo arquiteto Carlos Frederico Ferreira que era um arquiteto que talvez tenha sido o um dosir um dos primeiros que se dedicou à produção de habitação social em massa no Brasil em função inclusive do seu papel no IAPI e em 1940 eh
ele vai apresentar esses painéis que sintetizam a visão do Instituto do IAPI sobre habitação né E vocês vêm aqui né claramente uma discussão sobre modelo de casas né esse esse slide os seguintes né Eh são apresentam vários modelos de casa Inclusive tem aqui tipo B1 tipo C1 né no slide anterior tipo A1 né são tipos né de habitação de projetos de ação social veja que nós estamos no começo né Nós vamos falando isso aqui isso aqui foi produzido em 38 39 né esses esses painéis foram apresentados no Congresso eh pan-americano de arquitetos em Montevidéu em
1940 né e eh ele tá preocupado em criar tipologias habitacionais né tipos de habitações principalmente com a preocupação de dar conta de uma encomenda que ele recebeu do Presidente do Instituto dos industriários de fazer um conjunto para qu 2000 unidades habitacionais E ele fala né como tá aqui no meu livro el fala bom isso era uma coisa Fabulosa né Nunca tinha se produzido 2000 unidades habitacionais no único lugar no Brasil e o E era uma coisa complexa mesmo né porque você no Brasil nessa época não tinha padronização dos materiais e aí então ele vai ele
e o o o o Plínio castanhede que é o presidente do iepi né fez uma viagem pros Estados Unidos e comprou uma máquina de fazer blocos vocês estão vendo aqui nesse slide né no no painel dois né Vocês estão vendo aqui né uma Opa eh Vocês estão vendo aqui né os blocos produzidos por uma máquina de fazer bloco que foi importada dos Estados Unidos e foi instalada na no canteiro de do Realengo que foi esse grande conjunto que foi produzido e produziu blocos então com isso né se fez uma eh uma coisa que é muito
comum hoje né mas que é fazer uma eh né uma eh uma definição das dimensões dos cômodos em função da dimensão do bloco né uma padronização né da da do material gera uma ionização da unidade Habitacional que permite uma produção em série né então e é essa exatamente a ideia né do do n dessa produção que é realizada pelo Instituto de aposentadoria e pensão uma produção em massa de moradias e a gente vê assim a ideia da família padrão que tá aqui nesse nesse slide né o né Eh eh né Pai mãe filho filha né
É bem esse modelo né uma casa produzida para esse padrão de família e com várias alternativas de plantas que são levadas adiante né seja a casa germinada duas a duas a casa em fileira né a casa sobreposta né são vários projetos são colocados a gente vê aqui também essa ideia de tirar a pessoa do Cortiço e levar pro conjunto habitacional nesse slide 7 eh e também eh a ideia de que eh nós podemos construir blocos habitacionais que tá aqui né a o tipo D em série com dois pavimentos né casas sobrepostas né E nós vamos
ver né Finalmente uma outra né uma outra eh proposta que é a que efetivamente Ele vai construir que é o que é o o primeiro bloco Habitacional no Brasil que estará em realen bom então aqui a gente vê as tipologias O que é curioso a gente ver dessa todas essas tipologias que elas são muito parecidas com o que é até hoje produzido em termos de habitação social né é sala cozinha dois quartos três quartos banheiro né esse modelo de habitação que tão aqui nesses painéis né esse aqui já é o tipo e né são né
os tipos que até hoje de certa forma estão presentes dentro da Habitação social e aqui então a gente vê né um conjunto esse bloco né esse bloco que é uma lâmina bastante comprida lá em rengo é o primeiro bloco Habitacional produzido no Brasil é um né ele fala assim vamos testar esse bloco e aqui vocês vem essa foto aqui não é uma foto real é uma montagem uma fotomontagem onde ele tá expondo as várias tipologias habitacionais que estão previstas né nesse grande Conjunto Habitacional conjunto né né do rengo no Rio de Janeiro que foi foi
produzido entre 38 e 42 com 2.000 unidades habitacionais que foi realmente uma coisa Fabulosa feita naquele período mas ele não é o único conjunto dessa época muitos conjuntos de grande dimensão foram projetados e muitos deles implementados no Brasil e eu não vou aqui ter tempo mas depois eu vou voltar aqui numa outra aula mais para frente só para falar dos projetos porque cada projeto desse aqui merece uma uma uma discussão própria né no pioneiros da Habitação social né Nós temos aqui esse volume dois né do Pioneiros né que é exatamente o o inventário né com
todos os conjuntos né desse desse período a gente vê né que são né uma enorme quantidade de conjuntos com muitas fotos com muitas informações são 330 conjuntos habitacionais separados aqui e por cada um dos institutos e nesse volume TR né do dos Pioneiros nós temos aqui né 11 conjuntos Então são os principais conjuntos que foram estudados por mim e pela minha equipe de pesquisa né que para cada um desses conjuntos por exemplo esse aqui Passo da Areia né ou esse que nós estamos vendo aqui na tela agora né o vás do Carmo né que é
um conjunto bastante interessante produzido né aqui aqui em São Paulo na onde hoje ali próximo do Rio tamando atei né e e aqui então no livro cada uma dessas cada um desses conjuntos ele é estudado em profundidade com muitas imagens com muitos né informações sobre os arquitetos que fizeram e sobre o projeto Então esse conjunto né como vocês estão vendo aqui no no slide né Ele é um conjunto que foi pensado como um conjunto extremamente racionalista né né o o arquiteto Atílio Correa Lima um arquiteto moderno que infelizmente morreu muito jovens num desastre de avião
que Aliás ele estava vindo para São Paulo porque morava no Rio de Janeiro o Instituto ficava no Rio de Janeiro a sede principal do Instituto ficava no Rio de Janeiro e ele estava vindo para São Paulo para cuidar da aprovação desse projeto né e também de um outro projeto que ele estava fazendo para região de Heliópolis porque pouca gente sabe que a favela de Heliópolis está num terreno que foi Adquirido pelo IAPI para fazer um conjunto habitacional que não foi feito e o Atílio Correia Lima Além de ter feito o projeto do vá do caro
ele estava fazendo um projeto para o eh para o conjunto em Heliópolis que né nunca foi encontrado os os as ideias dele né para Heliópolis e e bom talvez tem até né desaparecido nesse desastre de aviões de avião né que foi né Eu acho que se Se não me engano 42 alguma coisa assim então eh eh eh o o o Atílio Correa Lima Ele é um arquiteto bastante importante racionalista ele né ele pensa esse conjunto com duas dois tipos de bloco um bloco de Quatro Andares eh que são esses blocos baixos estão vendo aqui nessa
maquete eletrônica e os blocos altos com 11 andares né E esses blocos são dispostos sobre um terreno que é um terreno plano na na na vara do Carmo e que é uma né porque fica ali junto a na na verdade hoje a gente né a vag AD TAM mund da a né e a ideia desse conjunto é uma ideia muito presente nas ideias corbus Anas que é habitação num parque portanto toda a área né que não é ocupada pelo conjunto é uma área verde livre Sem Grades sem separação sem divisões infelizmente isso foi totalmente modificado
atualmente o que né o conjunto foi construído parcialmente mas hoje eles são cercados cada conjunto virou um condomínio mas a ideia original qual era a ideia de você criar espaços públicos com fluidez Então as pessoas circulavam como tá aqui nessa maqueta as pessoas circulando no meio desse conjunto E esses esses ah ah edifícios que estão em branco aqui são os equipamentos coletivos do conjunto né tinha uma gama muito variada de equipamentos coletivos tin inclusive nessa parte que nós estamos vendo aqui do lado direito né Eh eh eram edifícios comerciais né e ele tinha propunha aqui
uma rodoviária em São Paulo não tinha rodoviária dos anos 40 rodoviária a a primeira rodoviária de São Paulo vai ser construída somente em 61 lá na na perto da estação Júlio Prestes né mas mas ele propunha pra gente ver como era inovador né esse essa visão do né do Atílio Correa Lima né a gente percebe como que estava presente nesse momento a ideia de modernizar As cidades brasileiras né E esses conjuntos infelizmente grande parte desses equipamentos coletivos não foram construídos aqui a gente vê então nessa foto O que foi construído foram construído esses blocos baixos
de quatro pavimentos esse espaço que tá no meio entre né o essas duas fileiras de blocos baixos eram trí os blocos altos aliás essa área tá muito pouco ocupada até hoje né 70 80 anos depois né praticamente a área está ainda está livre né Eu até tenho uma ideia que seria Fabulosa que é construir aquele aquela proposta do do Atílio Correa Lima construir Esses prédios altos aqui porque essa região tá muito bem localizada na cidade Vocês estão vendo ali no fundo né o centro de São Paulo né Então tá por cerca de do 2 Km
do centro de São Paulo né esse conjunto que é um conjunto E que ficou incompleto como vários outros conjuntos desse período né E vocês vem aqui por essa imagem né como que esses blocos né como é que eles se colocavam né as fotos são um pouco antigas mesmo assim ela já tem uma grade de divisão aqui como vocês podem ver aqui nessa nessa né mas ainda conserva um pouco essa ideia da habita no meio de um parque que é a ideia original né Desse conjunto era tudo isso ser um grande parque onde a habitação estava
colocado lá na verdade como eu vou mostrar no último slide dessa aula de hoje né Essa Ideia tá muito próxima da ideia das super quadras de Brasília né super quadras de Brasília tem muito a ver com esse princípio do movimento moderno aqui a gente vê uma outra tipologia porque os institutos eles também tinham uma diferenciação dos projetos de acordo com a cidade então nas cidades principais das capitais nas grandes metrópoles como São Paulo Rio Belo Horizonte se pensava se trabalhava com a ideia de conjuntos mais densos né de quatro pavimentos principalmente né em alguns casos
até edifícios altos eh mas em cidades menos populosas né como é o caso aqui de Florianópolis né conjuntos de casas então aqui a gente percebe né um conjunto um conjunto residencial eh eh em Florianópolis São casas germinadas duas a duas é um né um projeto mais tradicional né mas aqui também com essa preocupação de garantir uma qualidade de habitação para os industriários da dessa cidade Florianópolis que era na época uma pequena uma pequena cidade da de Santa Catarina bom já eh a cidade industriário em Belo Horizonte é um projeto muito mais ousado e que até
hoje nós não descobrimos exatamente Quem foi o autor desse projeto ele tá identificado como casa né como uma espécie de uma entidade que fez esse projeto mas não há registro de nome do arquiteto que fez esse projeto e essa é uma questão que ainda está em aberto como muitas questões apesar de ter pesquisado muito tempo eh esse tema sempre tem coisas ainda não conhecidas Qual a ideia desse conjunto A ideia desse conjunto é numa área eh que é uma área que fica no bairro da Lagoinha em Belo Horizonte é um bairro na saída ali das
da da Avenida Antônio Carlos em direção à Pampulha existia uma favela e no lugar desta favela que foi removida né durante a prefeitura do prefeito eh Jucelino Kubichek eh que era prefeito do começo dos anos 40 né em em Belo Horizonte então ele remove esta favela e vai construir esse conjunto dos institutos de aposentadoria pensando num convênio entre a prefeitura e o Instituto de aposentadoria esse conjunto é formado por blocos em torno de um Pátio né então vocês estão vendo aqui né os blocos com né uma área aberta no meio eles são são blocos que
ficam vazados né Tem um Pátio interno e eles são de expostos no entorno de um grande Pátio né que fica no meio desses né desses nove blocos que foram projetados né Essa foto aérea da época mostra né o impacto dessa construção no entorno que ainda é como vocês podem ver pela pela foto O entorno ainda de uma ocupação um pouco rarefeita com baixa densidade né e é uma grande intervenção aliás isso caracteriza muito as intervenções dos institutos eles eram pensões de grande porte perante o que se fazia então de habitação né a gente vê aqui
nessa foto à direita como né esse conjunto ele era formado por várias Varandas no entorno dele eh e tinha uma característica muito interessante que é possível ver nessa nesse corte na parte superior desse slide que é eh uma circulação que havia pela pela área superior vocês percebem aqui do lado esquerdo uma ponte que dá acesso a uma parte alta né do terreno né Portanto o acesso pela parte alta se fazia pelo sexto andar E aí então Eh essa esse Corredor penetrava no meio do bloco circulava em torno do pátio interno e saía e depois se
se né se ligava aos demais blocos de modo que quando chegava no último bloco que é o o Bloco Eh o bloco da da eh da extremidade ele vai dar numa cobertura do bloco então a cobertura que é uma cobertura acessível desse último bloco e que vai ser o ponto final dessa né dessa desse percurso né bastante interessante eh de ligação entre os blocos pela parte de cima mas era possível também acessar os blocos por baixo né pela parte baixa do terreno onde estava então né essa igreja que né fechava né a quarto lado né
Desse conjunto E esse grande área pública esse grande Pátio interno Onde existe existia e existe né Toda uma área de lazer né campo de futebol né quadras e tênis quadra de basquete e equipamentos que ficavam também aqui nessa parte eh interior deste desse bloco bom uma arquitetura totalmente diferente ela foi envolvida em Porto Alegre né no conjunto passo de areia é uma uma arquitetura muito mais vinculada à ideia da Cidade Jardim né da né de uma de uma eh construção que dialoga com o meio ambiente principalmente com as áreas verdes com muita intensidade é uma
região de Porto era uma região de Porto Alegre relativamente distante do centro com disponibilidade de terreno e aqui uma característica interessante desse conjunto é que ele tem eh 14 tipos de blocos diferentes e 13 tipos de casas diferentes ou seja 27 tipos diferentes de unidades habitacionais produzidas num bloco de 2500 unidades habitacionais né Isso faz inveja quando a gente vê esses conjuntos contemporâneos esses grandes né conjuntos como nós vamos ver na próxima aula que a gente vai falar do BNH que é o mesmo bloco um carimbo do mesmo bloco produzido a centenas né de unidades
aqui não aqui né Você tem uma especificidade uma né uma é quase como se se desenhasse a cidade com uma diversidade planejada o que mostra que nós podemos fazer conjuntos habitacionais com diversidade né e o e o conjunto Passo da Areia ele mostra Exatamente isso conjuntos habitacionais com vegetação conjunto habitacionais com diversidade de tipologias conjuntos habitacionais que dialogam com o meio físico né E é isso que nós temos sentindo falta hoje no nosso país né um último conjunto que eu queria mostrar não é o último mas é um mais um deles é o conjunto residencial
da Penha no Rio de Janeiro né aqui novamente vocês vem a generosidade do espaço público né Nós estamos vendo ali blocos que são esses sim são blocos um pouco convencionais já foi numa fase que o IAPI ele tava começando a racionalizar a produção da da das unidades habitacionais dos blocos então é o mesmo bloco produzido né em um número grande de unidades é um bloco grande também né mas no meio entre as duas fileiras de bloco nós temos uma grande área pública né Muito bem cuidada inclusive Lago né uma área vegetada né lugares para as
pessoas fazer o lazer e no fundo a gente vê o ginásio e não estamos vendo nessa imagem Mas tem uma escola do lado direito e né como equipamentos públicos ou seja a ideia ideia da Habitação né no meio de um parque né um verdadeiro Parque essa generosidade dessa área verde do peia já aqui nós temos um uma uma proposta que se assemelha muito às unidades de habitação de Marcélia que são aquelas unidades de habitação famosas projetadas por leobus e aqui foi Projetada pelo arquiteto eh Eduardo Niz de Melo o arquiteto Paulistano que foi o primeiro
Presidente do Instituto de arquitetos do Brasil e que vai fazer então numa área onde anteriormente havia um curtiço o IAPI vai comprar essa área demolir O Cortiço todo e implantar esse projeto que é um projeto né de unidades habitacionais duplex né e ele vai exatamente né Fazer o duplex para economizar na quantidade de corredores eh e para poder também eh reduzir o um pouco a altura dos prédios por quê Porque a legislação determinava um pé direito mínimo paraas áreas eh paraas áreas de permanência como os quartos e a sala e uma área de pé direito
um pouco menor para pros banheiros e para as cozinhas áreas de serviço então ele vai exatamente criar essa separação entre os né entre os os compartimentos de modo a criar com o duplex a possibilidade de ter um edifício que fica eh com número maior de andares garantido garantindo a legislação Municipal né Outra característica importante desse conjunto ele é todinho construído sob piloti ele tem um bloco né de comercial na parte da frente como vocês podem ver aqui na parte à beira da rua Portanto ele de certa forma recupera a rua apesar de ser um conjunto
solto do terreno no fundo e eh adota algumas características importantes antes do movento moderno Como por exemplo o teto Jardim teto Jardim é mais uma característica dos edifícios modernos propostos por Lecor buus que é transformar o Jardim num uma grande área pública uma grande área pública não uma área coletiva né então ele vai eh projetar essa Marquise né na cobertura como uma área de lazer aberta para todos né infelizmente foi muito mal cuidada e praticamente hoje é inacessível né mas ela eh ela é bastante interessante como proposta e eh na verdade é precursora de uma
ideia que vai ser desenvolvida posteriormente no parque de bir apuera que é a Marquise de mirap puera a gente percebe que essa Marquise proposta pro teto do do do Japurá né ela se assemelha muito à marquisa de Ibirapuera né Lembrando que Ibirapuera embora todo mundo né credite ao niemer né o projeto do Ibirapuera na verdade Quem fez o prir pera foi uma equipe de arquitetos coordenada por pelo n Maria e o Eduardo Niz de Melo era um dos esses arquitetos então a gente pode ver que essa Marquise no Alto do edifício Japurá é a precursora
da Marquise de bir apuera né E que embora acreditado o nemar na verdade a autoria dela é do Eduardo Niz de Melo eh né Finalmente eu queria mostrar aqui o Conjunto Residencial dos marítimos é um dos poucos conjuntos né desse desse porte feito pelo iapm que é o Instituto de aposentadoria e pensões dos marítimos é um conjunto bastante denso né mas que tem uma característica interessante que é a lavanderia comum coletiva no último pavimento que é esse esse andar aberto que nós estamos vendo aqui eh é um conjunto que eh é construído numa área íngreme
e então os blocos eles vão se Adapt and ao terreno né junto ao Porto área portuária do Rio de Janeiro e finalizo então aqui sim agora sim finalizando essa pequena síntese desses conjuntos eh o conjunto residental do Pedregulho o conjunto residental do Pedregulho é o talvez certamente o conjunto cal mais famoso do Brasil né Inclusive era o único conjunto que era conhecido né Eh e que tá em todos os livros de arquitetura moderna brasileira n como a gente vê aqui ele na verdade ele faz parte de um ciclo de projetos habitacionais desse período Mas ele
tem algumas características específicas como esse grande bloco serpenteante que acompanha a topografia e que permite um acesso pelo terceiro pavimento pelo andar livre né Nós temos aqui no terceiro pavimento um andar aberto que é alguns equipamentos sociais e que vai dar acesso à área mais alta do terreno que como o terreno cai né Nós vamos poder ter um acesso pelo terceiro andar pela parte de cima e debaixo desse acesso vão ter mais dois andares inferiores né aqui a gente pode ver o conjunto como um todo né com o bloco serpenteante os blocos retos são dois
blocos retos Estamos vendo aqui também a escola né a escola aqui o ginásio a piscina Opa né E aqui o posto de saúde e nessa ponta aqui né os a lavanderia coletiva outra característica desse conjunto é ter uma laneria coletiva né que é uma eh uma novidade principalmente porque ela não é só coletiva ela a Carmen Portinho que é a que foi a gestora desse Conjunto O projeto é do ardo niis aliás desculpe do Afonso Eduardo rid né que é o arquiteto desse conjunto mas a c Portinho que era a sua companheira e que era
diretora do departamento de habitação popular do Rio de Janeiro ela vai eh ela vai eh eh importar uma máquina de lavar roupa mecanizada eh dos Estados Unidos para poder implantar na lavanderia coletiva ela com uma uma feminista ela tinha a ideia de tirar todo o trabalho doméstico de dentro da casa né para que a mulher pudesse trabalhar ou pudesse exercer outras atividades e não ficar presa a Essas atividades domésticas então ela vai ser uma grande incentivadora das lavanderias coletivas no caso a lavanderia coletiva do do do Pedregulho ela vai ser uma lavanderia que eh vai
funcionar Durante algum certo período com muita resistência dos moradores né Eh eh por aspectos culturais né Eh havia muita resistência de eles eh levarem os seus suas roupas muitas vezes roupa antigas velhas rasgadas né para ser levadas coletivamente eh a importância desse conjunto é porque ele traz paraa produção de habitação social a plasticidade da arquitetura moderna brasileira né esses conjuntos serpenteante né ela e mesmo os conjuntos dos equipamentos da escola da do ginásio né Eh Na verdade ele vai trazer paraa produção de habitação social princípios importantes da arquitetura moderna brasileira né porque os demais conjuntos
são H né tem uma relação muito forte com a produção internacional né mas o que caracterizou a arquitetura moderna brasileira foi exatamente a combinação dos princípios modernos com uma plasticidade específica e o niemer o rid e outros arquitetos tiveram um papel importante nesse aspecto né inclusive nesse conjunto nós vamos ter painéis de mosaico painéis de azulejo né Vamos ter um uso bastante intenso dos cobogós que são aqueles elementos vazados que são utilizados aqui a gente vê os cobogós do né na parte posterior do edifício né e aqui a gente vê o Andel o andar o
andar eh intermediário serpenteante e o acesso por uma ponte eh que liga a área alta do terreno né com o terceiro andar e os andares inferiores aqui nos andares inferiores nós os unidades menores né o que hoje seria chamado estúdio mas na verdade uma espécie de uma kitinete uma unidades menores né para pessoas solteiras ou para uma família sem filhos e em cima a gente tinha unidades duplex eh que permitiam então que eh pudesse ter unidades de quatro de dois a quatro dormitórios né e vou finalizar Então essa aula de hoje mostrando aqui muito rapidamente
né uma foto da eh do do do das super quadras e em Brasília né super quadras essas que são formadas pelo aquilo que era o espírito desses projetos que é habitação no meio de um parque né ou seja os blocos dispostos na área verde no caso sub piloti que permite as pessoas circularem por essa área pública né com fluidez né Sem identificar a propriedade privada no meio da área pública é extremamente interessante a gente perceber como existiu aqui um ciclo um ciclo de projetos habitacionais com grande influência do momento moderno da carta de Atenas né
dos grandes arquitetos internacionais mas reelaborada pelos arquitetos brasileiros o que gerou uma produção Habitacional de qualidade que infelizmente atendeu há poucos naquele período na próxima aula nós vamos exatamente mostrar a transformação dessa política habitacional né baseada em moradias de aluguel baseadas na produção principalmente né de eh uma produção Habitacional dirigida para Associados dos institutos para né a grande mudança que vai acontecer com a criação do banco nacional de habitação em 1964