Olá sou nabil bondu professor de Urbanismo da USP e vou hoje iniciar uma série de aulas para falar deste meu livro pioneiros da Habitação social principalmente eh falar da primeira parte dele que esse livro tem três volumes né mas o primeiro volume trata de 100 anos de política pública de habitação no Brasil e então eu estou iniciando aqui essa essa série de aulas né porque eu vejo que muitas pessoas me pedem para falar sobre esse tema e eu até hoje não tinha nunca e colocado isso de maneira mais efetiva de maneira mais completa na internet
e eu tenho visto muitas vezes comentários com né assuntos que eu trato no livro mas de maneira incompleta Então eu queria aqui apresentar para vocês de maneira bastante completa o conteúdo né desse livro buscando dessa maneira então garantir a difusão desse conhecimento e a possibilidade de muito mais gente poder estar em contato comigo eh eu vou então começar aqui uma apresentação né com esse tema habitação social no Brasil revisão histórica situação atual e perspectivas de intervenção Ou seja eu vou trabalhar nesses minhas aulas eh não só para eh resgatar com uma memória aquilo que aconteceu
uma análise histórica social que ela por si só é muito importante né mas sempre com o foco porque a minha atuação sempre foi de pesquisador e de gestor de políticas públicas principalmente de políticas públicas urbanas e habitacionais então o olhar que eu dou paraa questão da história é um olhar de quem tá preocupado com as questões contemporâneas de um assunto que é cada vez mais importante no nosso país o que a gente vê hoje com todos os problemas sociais problemas sanitários problemas ambientais os problemas das emergência climática todos eles colocam a questão da Habitação como
uma questão muito importante então nós temos que olhar né pra história da políticas habitacionais do Brasil sempre preocupados com o futuro com o presente e com o futuro e essa é perspectiva das minhas aulas esse trabalho que eu realizei eh é um trabalho de muitas muitos anos eu diria de décad da experiência pesquisando estudando e também atuando na questão de habitação no Brasil né e eh já abrindo aqui a nossa a nossa aula né eu eh com essa experiência toda né eu propus uma periodização da política Habitacional do Brasil em cinco períodos como toda a
periodização histórica ela é sujeita a muitas variáveis e muitas simplificações né porque eh muito difícil você dizer que neste ano um certo processo se encerrou ou que nesse ano um outro processo teve início na verdade esses processos são né eles têm uma continuidade sempre a gente tem né indícios do que vai acontecer mais para frente no período anterior assim como a gente tem resquícios né do período anterior Nos períodos seguintes né mas eh nós precisamos de alguma maneira para organizar eu então para elaborar essa periodização eu tive que fazer uma certa simplificação identificando os fenômenos
mais importantes de cada um dos períodos e então eu chego a essa eh a essa organização em cinco períodos eh que começa lá no fim do século XIX né até os anos 30 o primeiro período o que eu tô chamando da produção rentista né Ou seja a produção que foi feita a produção de habitação feita fundamentalmente com objetivo de obter rendas ou seja as pessoas que tinham capitais e que inverti em produção Habitacional para cobrar aluguéis né E isso não era uma questão só da Habitação social isso era uma questão que pegava praticamente todos os
segmentos da Habitação mais pobre até os setores médios de classe média alta até porque a habitação é o bem eh mais mais caro que uma família pode comprar na sua vida uma família claro uma família de renda média ou de renda baixa então né É muito difícil uma pessoa comprar habitação quando não existe se não existisse ou se não exista um sistema de financiamento habitacional e na época não existia nenhum sistema de financiamento aliás até os anos 60 nós vamos não vamos ter um bom bons sistemas de financiamento habitacional no Brasil né Então nesse momento
a produção estava baseada fundamentalmente na locação e eh e então o por isso que ela é chamado período rentista a ação do estado era muito pequena eu vou voltar a esse tema daqui a pouquinho né mas eh eh e o que o estado Fazia fundamentalmente era o controle sanitário a preocupação com as epidemias que graav no país nesse período e o estado buscava então contas epidemias e né atuando fortemente na questão Habitacional relacionada com a questão sanitária a partir de 30 a partir de Getúlio Vargas né da era Vargas né Nós vamos ter uma modificação
muito importante na visão do Estado sobre a questão da Habitação habitação que até então era tratada com uma questão do mercado né uma visão Liberal que predominava até 30 a partir do governo Vargas ela começa a se transformar numa questão social Esse foi o tema do meu livro Origens da Habitação social no Brasil onde eu estudo isso com bastante profundidade né mas que né Tá baseado no início da intervenção do estado na questão da Habitação não é que existia uma política Habitacional porque política Habitacional é uma coisa muito mais sofisticada mais organizada do ponto de
vista da sua gestão haviam intervenções do estado que eram muitas vezes motivada por outros assuntos por outros temas né Eh por exemplo nós vamos ter em eh 42 o congelamento dos aluguéis a primeira lei do inquilinato no país que vai ter efeitos muito grandes sobre a produção Habitacional privada porque vai desestimular a produção privada ao mesmo tempo né a partir da em meados dos anos 30 o estado através dos chamados institutos de aposentadoria e pensão vão começar a produzir habitação para os seus associados Então nesse período Então nós vamos ter uma grande quantidade importante de
conjuntos habitacionais muitos deles influenciados pelo movimento moderno né mas é uma produção pequena restrita né mesmo em 46 quando é criada a fundação da casa popular que tem o objetivo de atender trabalhadores que não são assalariados né Essa produção Habitacional ela é uma produção Habitacional ainda né restrita para muito poucos dos trabalhadores que estavam chegando nas cidades ou que já viviam na cidade naquele período eh a partir dos anos 60 nós vamos ter então um novo período E aí sim um período que eu eh Considero que é quando se estrutura né uma política Habitacional né
esse período ele tem início com o golpe militar de 64 E aí é bem marcante porque o golpe 64 ele extinguiu os institutos de aposentadoria e pensão eliminou a produção Habitacional feita pelos pelos institutos de previdência vai criar um novo sistema o sistema financeiro da Habitação que existe até hoje até hoje nós temos um sistema financeiro da Habitação e eh e esse sistema financeiro da Habitação baseado no FGTS e na poupança ele vai financiar a habitação então aí sim nós vamos criar um sistema de financiamento de habitação tanto paraos setores médios como paraa população de
baixa renda né claro que é uma população de baixa renda que tem renda né que tem renda e que pode comprovar renda porque a lógica do sistema financeiro da pitação é eh utilização de recursos retornáveis ou seja recursos que T que retornar a sua fonte é como se fosse um empréstimo por exemplo dos trabalhadores assalariados através do FGTS pro estado financiar uma política habilitação ou um empréstimo né dos poupadores né das pessoas que voluntariamente poupavam colocavam em cadenetas de poupança na época chamava cadeneta de poupança hoje a gente chama de poupança que ficava então sob
gestão do sistema financeiro para financiar a habitação paraos setores médicos Então esse é um momento importante por se estruturar então não só o sistema financeiro da Habitação como um órgão né de financiamento habitacional que é o Banco Nacional de habitação o famoso BNH e uma estrutura de Agentes financeiros e Agent promotores que vão colocar essa essa engrenagem para funcionar e para produzir uma quantidade bastante significativa de habitações do país 4,5 milhões de unidades habitacionais não é pouco mas é como nós vamos mostrar na nossa quarta aula aqui eh é uma né uma produção assim bastante
pequena frente à necessidades desse período né E esse período vai também nós podemos dizer a até o fim da ditadura militar até o início do processo de redemocratização porque vai ser o primeiro ah governo eh pós ditadura militar o primeiro governo civil governo do sarnei que vai extinguir o BNH e vai paralizar a produção Habitacional embora o sistema financeiro da Habitação ele tenha continuidade porque ele vai né até hoje ele existe né esse período é um período com né baixíssima produção Habitacional feita pelo s sistema financeiro da deputação que estava em crise assim como né
Toda a economia brasileira estava em crise nos anos 80 né uma uma das décadas chamadas décadas perdidas né na verdade eu não acho que é uma década perdida então esse período que começa aí nos anos 80 eu não acho que é perdida pelo contrário é um período de muita inovação é período do ponto de vista do crescimento econômico da crise econômica da crise do sistema financeiro da Habitação Mas por outro lado é um momento de crescimento dos movimentos sociais é um momento de de da redemocratização do protagonismo dos Municípios Então nós vamos ter nesse período
né do né meados dos anos 80 até eh o ano dos anos 2000 2003 que é o período que eu né que eu estabeleço aí como esse quarto período nós vamos ter aí então uma eh uma produção Habitacional muito interessante ao alternativa onde processos alternativos são feitos em relação àquela produção do BH do período anterior que é uma produção uniforme daqueles conjuntos habitacionais todos muito muito parecidos muito eh pouco Eh vamos dizer assim muito pouca inovação do ponto de vista da arquitetura Então a partir de 90 de dos anos 80 final dos anos 80 nós
vamos ter uma produção com maior Diversidade com experiências de gestão experiências de projeto participação da comunidade na elaboração dos projetos isso tudo vai ser extremamente importante né para que a gente pudesse renovar a política Habitacional no país é também importante eu dizer para vocês que até os até o BNH eu sou um pesquisador né Ou seja eu estudei pesquisei né Fiz levantamentos bibliográficos levantamentos de campo né Mas a partir dos anos 80 eu sou além de ser pesquisador eu sou também um gestor um ativista e um apoiador dos movimentos de habitação né portanto e depois
gestor né de governos então é nessa história da Habitação que eu tô relatando para vocês essa história das políticas públicas de habitação Eu tenho um momento de como pesquisador Mas eu também tenho um momento como ativista muito dessa daquilo que eu estou falando dos anos 80 90 eu participei como gestor né E também aproveitando a minha experiência eh de pesquisador trazendo inovações paraa produção Habitacional E aí então nós vamos pro último período que é o período a partir do século XXI né a partir do século XXI nós vamos ter uma retomada de uma política Habitacional
massiva né não que nos anos 80 90 não teve produção Habitacional ela teve produção Habitacional financiada pelo Governo Federal mas ela foi de de uma pequena escala frente a aquilo que vai acontecer nos anos eh nos anos 2000 quando Então vão ser criados programas massivos de habitação né e programas esses que são eh eh que vão ocorrer principalmente a partir do governo Lula 2003 quando é criado o ministério das cidades mas que nós já temos alguns indícios anteriores A a ele muito importantes né Por exemplo o estatuto da cidade que ele é eh que ele
é sancion nadoo né ele vira a lei em 2001 né mesmo no final nos últimos anos do governo Fernando Henrique alguns programas Como por exemplo o programa de arrendamento Residencial né é um programa importante que vai eh inclusive inspirar aquilo que vai acontecer depois nos anos 2000 quando então são criados programas como o programa de urbanização de assentamentos precários de favela que bebe muito da experiência eh dos anos 80 90 no rio em São Paulo Belo Horizonte Recife né de urbanização de favelas e assentamentos precários e também a criação do programa Minha Casa Minha Vida
que teve alguns avanços importantes em relação ao que se tinha antes temos de produção massiva de habitação principalmente a produção do BNH porque pela primeira vez nós vamos ter subsídio Federal e portanto vamos poder chegar naquela população de renda mais baixa né no minha casa da minha vida embora do ponto de vista da qualidade dos conjuntos da inserção urbanística dos conjuntos assim como na época do BNH né esses conjuntos daí essa produção deixou deixou muito a desejar eh eu quero para finalizar Então essa nossa primeira aula mostrar para vocês um pouco né nesse período nessa
periodização nesse slide Aqui nós temos né aqui embaixo os cinco períodos e depois nesses gráficos nós temos o crescimento da população brasileira o crescimento da população urbana e a estagnação da população rural como vocês podem ver né a população rural aqui tá em verde ela né ela tem um crescimento lento né dos anos 20 até aos anos 70 né passando de mais ou menos 22 milhões de habitantes para 40 milhões de habitantes enquanto que a população Geral do país cresceu muito mais do que isso e ela né ela é impulsionada pelo crescimento da cidade então
a gente percebe como né E tá aqui a a linha amarela mostrando o enorme crescimento urbano do Brasil nesse período de população urbana no Brasil na segunda metade dos anos eh do século XX de 1950 até o ano 2000 a gente vê a população urbana passando de mais ou menos 18.000 habitantes que ela tinha eh né que viviam em zonas urbanas não eram nem as grandes cidades eram todas as zonas urbanas de todas as cidades brasileiras di 18 milhões de habitantes chegando no ano 2000 em aproximadamente 140 milhões de pessoas vivendo em cidades né ou
seja mais de 120.000 pessoas em 50 anos foram viver em cidades isso mostra né a enorme demanda Habitacional porque são pessoas que vão pras cidades em grande parte migrantes que vão do campo para cidad é por isso que a gente percebe também aí que a população rural estag ela praticamente fica estagnada depois ela tem queda então nós temos aí no no no no começo do século XXI nós temos a população rural quase Igual àquela que nós vimos no começo do século XX né mas a população urbana né explodiu né Explodiu e explodiu gerando demandas de
habitação de água de esgoto de luz uma enorme uma enorme demanda de infraestrutura urbana e é por isso então que nós vamos neste período todo ter uma enorme né carência Habitacional uma crise de habitação um crescimento da Habitação precária que são assuntos que nós vamos tratar nas próximas aulas mas por outro lado também iniciativas de produção de habitação social para essa população que vinha morar nas cidades então Eh essa primeira da nossa sequência de aulas e nós vamos então nas próximas aulas tratar de cada um desses cinco períodos muito bom sucesso de 15 minutos demais
deu 15 16 do 18 A tá bom né esse tempo eu eu achei eu ia continuar com a parte seguinte mas eu falei vou parar aqui que fica s agora eu acho viu que neste caso aqui que eu falei dos períodos Eu não mostrei as imagens né E como eu Estiquei um pouco quer dizer quando eu dou essa palestra eu falo um pouco disso e depois eu vou mostrar tudo eu acho que aqui talvez é possível fazer edição pondo imagens sim eu posso preparar algumas imagens de cada um desses período mes hã ficou muito parado
no mesmo no mesmo no mesmo slide é então mas você pode eu passo você passa eu passo para mim eu passo slides aí é só editar dentro então vamos lá vamos paraa outra para fazer mais pode ir tá tá aqui é gravando automátic gente tudo tá bom tá ó só eu sei que é difícil só cuidado para não ir caindo na cadeira tá para baixo já levanta um pouquinho que você já foi para mais ó posso ir deixo aberto ou já começa pesar vai ter um vai ter uma capa não vai vai então beleza então
vou começ essa aqui Olá vamos dar início Então a nossa segunda aula Desse nosso curso sobre a história O Resgate a revisão histórica da produção Habitacional no Brasil E hoje nós vamos depois de ter na primeira aula feito um uma espécie de um voo geral sobre 100 anos né da intervenção do estado na questão da Habitação nós vamos hoje tratar de um período muito específico que é o período da República Velha o período que vai de eh até os anos 30 que é um período caracterizado né pela eh produção rentista da Habitação um período em
que o estado não interfere na questão social e não interfere também na questão Habitacional na verdade não é bem Que hã logo no começo da tá bom é que eu tomei água eu não ficava eu consigo tirar osos mas quando é muitoa no começo bom Olá estamos iniciando Então a nossa segunda aula sobre esse curso da revisão histórica da produção Habitacional no Brasil né depois da primeira aula onde nós fizemos aí um um espécie de um voo de pássaros sobre 100 anos da produção e das políticas de habitação no Brasil nós vamos Nesta aula aqui
tratar Tá Mais especificamente do período que vai até a década de 30 o período que é da produção rentista o momento em que o estado não intervém na questão social e não intervém também na questão da Habitação na verdade não é que bem que ele não intervém ele vai intervir fundamentalmente na questão do controle sanitário era um momento de muita migração de muitos problemas de epidemias no país epidemia de Cólera febre amarela né de varíola né um momento em que essa questão preocupava muito os governos e a questão da Habitação Popular dos curtiço da população
vivendo de maneira muito precária em condições sanitárias né Muito muito deficientes né vai fazer com que o estado se preocupe com isso com controle sanitário mas não com a produção porque vigorava então a visão eh que eu chamaria uma visão Liberal a visão de que se o estado intervisse na questão da Habitação ele ia gerar um descontrole no mercado que o mercado ia né não ia produzir habitação necessária né para porque obviamente ia achar que o estado iria eh exercer um papel de rebaixar os valores dos aluguéis e o que estimulava a produção privada né
nos aluguéis no na na produção de habitação Era exatamente né a possibilidade de ter uma alta rentabilidade dos aluguéis num momento em que nós não tínhamos Mercado de Capitais os investimentos do setor produtivo na indústria a eram muito arriscados porque nós não tínhamos uma política industrial no país então o investimento no imobiliário né era um investimento muito garantido Então nós vamos ter aí né uma um momento em que predomina a produção rentista né e osos aluguéis não tem interferência do Estado os aluguéis são regulados pelo mercado ou seja o mercado que vai definir o que
é o que o valor do aluguel vai definir as regras quando qual é o tempo de contrato Quais são as condições de despejo tudo isso regido por um contrato particular entre né o o locador e o locatário né então nós vamos ter aí uma produção ventista bastante grande que vai desde o cômodo de Cortiço precário no porão né ins salubre até uma casas as casas de classe média até classe média altas que também eram alugadas Porque nós não tínhamos sistemas de financiamento habitacional né então isso vai predominar alguns empresários vão produzir Vilas operárias né Nós
vamos falar um pouco mais sobre isso que são Vilas operárias também são moradias de aluguel só que são moradias de aluguel que o patrão o empresário aluga pro seu trabalhador e dessa maneira ele acaba tendo né Eh né uma série de vantagens como nós vamos mostrar mais paraa frente mas pode oferecer por um aluguel mais baixo uma moradia que é como na época era chamada uma moradia salubre né e finalmente falar da falta de intervenção do estado na produção Habitacional mostrando dois exemplos que são absolutas exceções né que são dois projetos onde houve intervenção né
produção estatal bom eh então começando a falar um pouco sobre eh essa produção rentista vou falar aqui dos cortiços né os cortiços né O que que são os cortiços na época nós tíos cortiços de vários tipos né a gente hoje quando pensa curtiço pensa um cômodo num casarão etc Essa era apenas uma das modalidades do curtiço Na verdade o que predominava era isso que a gente tá vendo aqui no centro desse slide que era um Cortiço como uma espécie de um corredor de casas Uma não uma fileira de cômodos né porta e janela cada porta
e janela é um cômodo eh sem banheiro eh Aonde a pessoa morava e utilizava um banheiro coletivo geralmente no fundo da né no fundo dessa né Desse corredor e também aonde se né tinha as áreas de lavagem de roupa e muitas vezes também as áreas de cozinha né ou seja né Eh nós tíos aí um tipo de produção Imobiliária uma produção Imobiliária Não Era exatamente uma adaptação de um Casarão é claro que nós tínhamos como a gente vê aqui na foto eh na foto a a esquerda superior você podia ter um Casarão sub né subdividido
para alugar mas claro como as cidades brasileiras eram muito pequenas né até o final do século XIX né São Paulo por exemplo em 1870 tinha 20.000 habitantes né em 1890 vai ter por volta de 40 eh 1000 habitantes ela não tinha um estoque de casarões assim tão grandes para transformar em curtiço né por isso que a produção Habitacional em curtiço era importante aproveitando geralmente lotes compridos e um correr de cômodos ao longo dele obviamente pelas condições sanitárias isso gerava problemas de epidemias E então nós vamos ter esse relatório que vocês estão vendo aqui a capa
dele o relatório da comissão de exames e inspecção das habitações operárias e cortiços do distrito de Santa Efigênia que é um distrito junto ao centro de São Paulo próximo realmente ao centro não né O que era a cidade antes é uma expansão né oeste do centro de São Paulo esse relat história de 1894 né Ou seja no finalzinho do século XIX que exatamente levantou esse mapa que vocês estão vendo aqui né à esquerda na parte de baixo onde ele aponta né os cortiços o levantamento dos cortiços o primeiro censo de cortiços que foi feito na
cidade de São Paulo e mostra como havia uma forte relação entre os cortiços e os focos da febre amarela que foi uma epidemia que graou na cidade de São Paulo nesse momento e ele também mostra que exatamente uma região que era uma antiga Lagoa para onde se dirigiam os esgotos da cidade Era exatamente o lugar onde tinha uma maior quantidade de maior quantidade de eh de de pessoas infectadas com a Ferbe amarela Claro porque nós não tínhamos eh saneamento na cidade ali você tinha água que era de Poço você tinha o esgoto se misturando nas
águas né nas águas superficiais e com contaminando né os os os as águas dos poos E com isso contaminava as pessoas aqui a gente vê esse esse fenômeno não é exclusivo de São Paulo né que a gente vê os curos no Rio de Janeiro com essas mesmas configurações aliás os curos do Rio de Janeiro eram maiores do que de São Paulo porque são o Rio de Janeiro até até praticamente os anos 30 né anos 20 os anos 30 São Paulo o Rio de Janeiro era eh era ele era maior aliás até os anos quase anos
50 né O Rio de Janeiro era maior que São Paulo né mas então os cortiços também eram muito maiores e a gente vê aqui várias modalidades inclusive cortiços aqui com três pavimentos né cortiços de vários tipos que eh predominavam n cidades do Rio de Janeiro em São Paulo nesse período no Rio de Janeiro ficou famoso Então aquela intervenção feita pelo né Prefeito eh eh Pereira pastos né em 1903 a 1906 né no mesmo na durante a presidência do Presidente Rodrigo Rodrigues Alves e quando era né cuidava da área sanitária Osvaldo Cruz no Rio de Janeiro
né quando foi feita aquela a reforma né da abertura da Vina Central que significou a derrubada de dezenas de milhares de unidades habitacionais muitos curtiço né foi uma intervenção né que tinha essa esse viés modernizador ador mas que por outro lado também gerou né a expulsão da população de baixa renda e grande parte do crescimento no primeiro grande fluxo de crescimento das favelas no Rio de Janeiro se deu exatamente quando esses cortiços foram suprimidos no Rio de Janeiro bom mas essa é a modalidade mais barata mais precária da produção rentista que esses curtiço produzidos em
série porque aí nós vamos ter várias outras eh formas de produção rentista então aqui a gente vê né conjunto de vilas né de conjuntos de casas de aluguel que eram então para outros setores de Trabalhadores de Trabalhadores de renda um pouco mais alta do que os moradores de curtiço os trabalhadores braçais dos curtiço né mas que mostra exatamente né a grande diversidade da produção rentista né porque eram capitais que queriam se aplicar em algum lugar e a aplicação desses capitais no imobiliário permitia uma valorização porque as cidades estavam crescendo muito como eu mostrei na primeira
aula né um crescimento urbano né Eh já bastante significativo né não tão grande como nos anos 50 mas já nos anos 10 20 a gente tinha um crescimento urbano bastante significativo portanto muita gente procurando onde morar e Então tinha uma valorização da terra uma valorização dos imóveis e tinha uma receita de um de um de um aluguel que era regulado pelo próprio mercado então né era um investimento bastante interessante a gente vê né né Por exemplo essas penetrações nos quarteirões por quê Porque os lotes eram muito compridos Então como os lotes eram muito compridos a
gente tinha né a necessidade de ocupação do miolo do quarteirão Então os empreendedores né os os rentistas né aproveitavam esses lotes havia uma abria uma viela no meio né da do lote né ou de dois ou três lotes que tinham um do lado do outro e produziam habitações né em série que são as famosas Vilas que hoje são tão valorizadas né isso surge exatamente no âmbito da produção rendía a gente vê aqui né na foto superior aqui dessa dessa desse slide né A Vila ã a Vila ã vila inglesa né que fica ali no Bairro
da Luz e São casas assim bastante sofisticadas já casas que tem um sótão que tem né São casas confortáveis que eram lugaras inclusive para engenheiros que trabalhavam na estrada de ferro né e a gente a gente percebe Então como havia assim né do Cortiço até a moradia de classe média alta né todos eles dentro né pagando aluguel dentro do né desse mercado rentista e um tipo muito particular de produção rentista for aquela feita pelas mútuas o que que eram as mútuas as mútuas eram uma espécie de associação privada eh Na verdade era uma empresa privada
era uma empresa de previdência privada né podemos dizer assim né mas sim um pouco essa ideia de ser uma multa porque ela também podia ser por exemplo de um Associação de trabalhadores que né faziam né depositavam dinheiro num fundo né num fundo para poder ter uma aposentadoria depois de né de tantos anos de trabalho uma vez que não tinha previdência pública né era um momento que não existia previdência pública ela vai ser criada só no período seguinte com o Getúlio Vargas e nós vamos tratar isso muito na próxima aula nossa né mas eh as multas
então elas eram eh empresas desse tipo e viam na produção imobil área na produção de casas uma forma importante de aplicação desses recursos né para poder capitalizar essa esses esse pecúlio dos né dos dos eh pensionistas né e e de alguma maneira então rentabilizar para poder depois pagar uma aposentadoria e uma eh uma empresa que se né que se destaca nesse período é a ã a a economizadora que é uma empresa que vai produzir três conjuntos habitacionais importantes né conjuntos habitacionais é uma palavra que eu tô usando que não se aplica à época na época
eram Vilas né era Vila economizadora né como vocês veem aqui é uma vila que foi produzida que existe até hoje tá Tombada no Bairro da Luz entre a a Rua da Cantareira e a v do Estado né encostada na estrada de ferro Santo Jundiaí eh e essa Vila economizadora ela eh vai produzir aí né um número significativo de unidades habitacionais vão ser 147 unidades habitacionais com muitos tipos né são eh né como vocês podem ver aqui nessa tabelinha aqui ao lado né são são quase 10 tipos né de moradias diferentes que estão aqui nessa planta
né como vocês estão vendo aqui a gente vê a Vina tamando da ti que na verdade de hoje é a vinia do Estado a Rua da Cantareira a Rua São Caetano e aqui meio coberto aqui a estrada de ferro eh a estrada de ferro Santo Jundiaí então exatamente num lote grande foram abertos vielas internas dentro desse lote para construção de moradias como essas que vocês estão vendo aqui são moradias obviamente não é paraa população de baixíssima renda é uma moradia eh para uma baixa classe média para um pequeno comerciante para um profissional liberal né são
moradias de aluguel que tem eh como vocês podem ver aqui tem alguma algum tipo de ornamentação que lembra então as ornamentações da arquitetura eclética produzidas em São Paulo nesse período bom logo em sequência né Nós vamos falar então um pouquinho das vilas operárias as Vilas operárias T muita fantasia sobre as Vilas operárias e muito desses empresários esses patrões que produziram Vilas op eles são vistos como filantropos como pessoas que fizeram bem pros seus trabalhadores porque eles produziam casas de aluguel casas salubres porque nesse período a ideia que predominava era a ideia da casa salubre ou
seja a casa que não estava né que tinham e casa raru era sinônimo de casa unifamiliar onde tinha instalações hidráulicas dentro da casa portanto que não tinha o banheiro coletivo o banheiro coletivo que era próprio dos curtiço era visto como uma coisa promíscua uma coisa que é que era condenável só que o cortiço ele não era porque as pessoas queriam morar no Cortiço era que a renda dela né E esse é esse é o essência do problema da Habitação né que a capacidade de pagamento das famílias não permitiu elas pagar o aluguel de uma casa
salubre como uma casa da Vila economizadora Como Uma Casa de vila daquelas que nós vimos né nos sles anteriores Então as pessoas moravam em cício por incapacidade de pagamento como aliás até hoje é assim que acontece né quando não há uma política pública né de apoio a de acesso à moradia adequada bom então o que faziam esses empresários produziam casas salubres mas elas eram destinadas aos seus trabalhadores né E esses empresários tin uma série de vantagens Por isso às vezes como é o caso aqui por exemplo dessa Vila né do Belmiro oveia a vila de
pedra em Alagoas a fábrica dele precisava ficar perto das quedas d'água porque as quedas d'água geravam energia então essa Vila pedra tava né lá perto né da Cachoeira Paulo Afonso no interior né no fundão lé do de Alagoas né e ele precisava instalar a fábrica lá e ali não tinha uma né não tinha trabalhadores então ele precisava produzir a Vila Operária para atrair os trabalhadores e nós estávamos aí já no trabalho assalariado nós não tínhamos mais a escravidão se fosse na época da escravidão Talvez ele comprasse escravo né mas ele não podia já já tinha
acabado a escravão no Brasil nós estamos falando aqui do começo do século XX vai produzir Então essa Vila como vocês podem ver né bastante interessante como arquitetura como essa colunata de colunas redondas né a foto de cima né Essa foto que estão vendo aqui é uma foto de época aqui embaixo é uma foto que eu fiz eh né Mais ou menos há uns 10 ou 15 anos atrás antes da publicação desse livro né e a gente vê ainda alguns remanescentes dessa colunata né é uma realmente uma intervenção importante e esse empresário era visto como filantropo
mas na verdade ele precisava levar os trabalhadores para lá e e e tem uma algumas vantagens porque ele cobrava aluguel mas ele cobrava aluguel na folha ou seja ele não tinha risco de n adimplência ele não tinha né ele também fazia da da da da do aluguel da Habitação uma maneira né de eh reter a mão de obra né porque a mão de obra eh né era escassa né pres dessas áreas mais distantes do País Aqui a gente vê outro né outro também chamado filantropo na época luí Tarquínio e a Vila do impório Industrial do
Norte em Salvador que é uma outra Vila que tem essas Vilas além delas terem moradia elas tinham também equipamentos sociais né elas tinham às vezes uma escola elas tinham às vezes né algum tipo de né de espaço coletivo né e fazia parte então Da Lógica dessas Vilas uma ideia que vai ser muito difundida Daí paraa frente presente depois né do movimento moderno na Europa dos anos 20 que a ideia de que habitação não é a moradia Habitação é hab é a moradia mas é um conjunto de equipamentos que tem que fazer parte também dessa moradia
como a creche como a escola como a área verde né como eh uma biblioteca ou um cinema claro vai depender de cada situação um programa de equipamentos sociais coletivos que são implantados jun junto a essa área de habitação né isso então vai est presente na Vila eh do luí Tarquino e vai est muito presente numa famosa Vila aqui em São Paulo que é a Vila Maria Zélia né que foi né obra né de um outro empresário também muito considerado como filantropo que é o Jorge Street Então essa Vila que fica no bairro do Belenzinho né
Eh aqui em São Paulo ela também existe até hoje As casas estão muito alteradas mas ainda tem alguns equipamentos coletivos como por exemplo né esses dois espaços eh que eram espaços eh um armazém né um armazém que é esse que nós estamos vendo aqui nessa foto aqui do lado esquerdo em cima né A outra era uma biblioteca que nós não temos a foto nessa imagem seguinte a gente pode ver aqui ess é uma foto aérea atual esses dois equipamentos um de cada lado da igreja Claro que aqui também tinha né dentro dessa política de esses
empresários que produziam essas moradias a ideia também de impor hábitos né e com uma presença muito grande da Igreja Católica né que atuava para de certa forma configurar né um modo de vida conservador né muitos desses empresários também tinham medos de revoltas das greves né Então na verdade a habitação ela também funcionava como um elemento que era de amortecer os conflitos sociais amortecer as greves porque o o empresário que se envolvesse num greve perdia não só podia perder o emprego mas podia perder a moradia Além do mais uma outra eh uma outra situação importante né
do caso aqui das vilas operárias era que eh eh a família toda trabalhava na fábrica então né havia uma nesse momento nós não tínhamos uma regulamentação por exemplo de horas extras jornada de trabalho nós não tínhamos regulamentação trabalho de criança trabalho da mulher né então né em geral quando a pessoa recebia a casa a família toda trabalhava na fábrica né É claro que também como parte dessa política de né de uma certa visão social né o o Jorge também vai produzir as escolas Vocês estão vendo aqui nessa foto a escola né tin uma escola para
meninos e para meninas então vocês veem que é um misto entre né uma maior exploração da força de trabalho e né uma certa filantropia né que fazia parte dessa lógica das vilas operárias bom mas né como a gente vê né é produção é toda privada mas tem duas pequenas experiências que são de produção pública de habitação feita pelo Estado uma delas é a renovação é esse pequeno Conjunto Habitacional produzido na Rua Salvador de Sá no Rio de Janeiro eh que começa né na por intervenção do prefeito Pereira Passos né mas Mas vai ficar pronta depois
né do do da de finalização da gestão do Pereira Passos Pereira Passos como eu já falei foi aquele Prefeito que abriu Avenidas do Rio de Janeiro a Avenida Central foi mais importante Fez muitas reformas urbanas despejou muita gente isso sofreu muitas críticas E aí então Eles resolveram para dizer que alguma coisa se fazia de habitação social vocês vem que isso não é uma coisa só hoje né hoje né quando acontece algum desastre todo mundo vai lá produzir habitação social né Eh para atenuar então o problema e mostrar que alguma coisa sendo feita na época nada
se fazia a política de estado era não fazer mas ele então nessa rua que estava sendo aberta vocês vem nessa foto aqui em cima né numa área densamente ocupada vai se abrir uma né uma rua né Essa Rua Salvador de Sá né que vai ligar eh a áreas mais centrais do Rio de Janeiro com a zona norte né E aí então nesta Avenida vai sobrar remanescentes da desapropriação desses lotes que vocês estão vendo aqui que os lotes são afetados então sobram remanescentes nesses remanescentes Então são né o a Prefeitura vai produzir aí um número relativamente
pequeno 120 unidades habitacionais eh que são neste modelo que vocês estão vendo aqui são casas sobrepostas unidades sobrepostas né casas algumas delas no térreo sobe-se uma escada Outras casas no andar superior aqui a gente vê uma foto contemporânea esse conjunto existe até hoje pode ser visitado AD por quem quiser ir ali na né na Rua Salvador de sado do Rio de Janeiro conhecer essa intervenção e outra intervenção muito significativa essa tem um peso maior né ela foi feita no governo do Marechal heres Marechal Hermes foi um presidente da república que governou entre 1911 e 1914
que eh que eh que na verdade furou o esquema do Café com Leite né A República Velha era um né era um um havia eleições praticamente fraudadas onde se revezavam né Eh a elite do café com a elite do leite a elite de de São Paulo com a elite de Minas Gerais né E que faziam uma política que era uma política voltada para favorecer os negócios dessa Elite né Principalmente a de produção agrícola né e o o o o Hermes da Fonseca que é um Marechal ele vai ser eleito ele vai ganhar a eleição do
Barbosa que era o candidato né escolhido aí pela Elite do Café com Leite ele vai ganhar a eleição e ele representa mais os setores médios os militares nesse período eram militares que olhavam mais paraa questão social né eram integrantes muitos deles eram integrantes que vinham das classes populares outros vinham das classes médias e eh ele vai ter um olhar mais social e vai fazer o primeiro empreendimento de habitação social do governo federal que é o né A Vila Operária Marechal herbs que começa em de 1912 né E que na verdade ficou praticamente 40 mais de
40 anos em produção porque ele começa a construção desse conjunto vocês vê aqui o projetinho dele é um projeto ainda com uma arquitetura eclética né e constrói uma uma uma primeira pequena leva de casas muitas casas ficam nos alicerces ele né esse projeto não tem continuidade quando né ele sai do governo e né e depois vai ser retomado 20 anos depois né quando o Getúlio Vargas assume a presidência e coloca então a questão da Habitação como uma né uma das ações que ele vai fazer na perspectiva de proteção dos trabalhadores mas esse conjunto além das
habitações tinham também esses dois espaços que vocês estão vendo aqui na parte de baixo esses dois edifícios que eram duas escolas profissionalizantes também tinha essa visão né Assim como tinha uma visão de condução de habitação também tinha uma visão de qualificação da mão de obra e né a presença desses né desses eh dessa escola profissionalizante faz parte Então desse conjunto que fica eh paralisado durante muito tempo que expressa exatamente um momento em que o governo no Brasil não estava preocupado com habitação de interesse social e estava né Muito mais voltado a deixar com que esse
problema fosse tratado pelo mercado isso vai né começar a mudar com o Getúlio Vargas a partir dos anos 30 e vai ser o tema da nossa próxima aula