Obrigado. Eu antes de mais agradecer o convite à F Profo, e ao professor Francisco e cumprimentar desde já todos os meus colegas de painel e um abraço muito grande a todos os professores que nos estão a seguir através desta plataforma. H, eu não poderia falar da Associação Jorge Pina sem falar de mim próprio, eh, porque a associação foi foi eh, foi e eh construída, eh, para eu conseguir passar eh e e levar aos jovens uma visão diferente, não eh da vida e do mundo.
Eh, eu cresci num bairro social, num bairro diplomático, como tantos bairros cá por Lisboa, por Portugal e pelo mundo. fui um jovem delinquente na minha juventude e o desporto, nesse caso, o desporto que eu frequentei, o box, ajudou-me a sair de um caminho e a colocar-me noutro. H, como disse o professor, o professor, o meu sonhar ter sido campeão do mundo de box, mas durante esse percurso e h não sei se foi a fatalidade ou a sorte, não é, de ter perdido parte da visão, mas essa visão levou-me a ver e e diferente e e a aceitar a vida e o mundo, que os olhos, os nossos olhos às vezes julgam e e que eal Vamos a catalogar os outros por aquilo que os olhos nos mostram, sem procurar a verdadeira essência de cada ser humano.
Olhar sem julgamento para nós julgarmos cor, raça, religião, tendência sexual, whatever. E e foi nisso, nesta nesta de procura depois de ter deixado de poder praticar box, que resolvi em 2011 criar um projeto, um box inclusive nos bairros sociais. Eh, eh, comecei pelo pelo box e depois do box montei uma escola de atletismo adaptado para crianças com vários tipo de eficiência intelectual, visual ou motora que que funciona no estádio primeiro de maio, no Inatel.
E e e agora estamos aqui no espaço onde eh em 2021 inaugurei a Academia Jorge Pina, um espaço que fica num bairro social em Marvila eh inclusive eh também e onde tem temos diversidade, onde vê pessoas todas de todos o canto, aceitamos pessoas de todo o lado, tem pessoas que vêm Bangladeste, eh Ucrânia, Rússia também, de cabdianos, guienses, tudo. Eh, aqui temos neste espaço, temos uma sala de estudo para os jovens quando saem da escola poderem vir fazer os seus trabalhos de casa, eh, com apoio ao estudo, onde depois também podem escolher uma atividade desportiva para o fazerem. Eh, temos esta sala onde do que é uma sala de formação aqui.
Eh, e aqui atrás, no fundo, do outro lado, tá a sala de estudo. Temos um ginásio enorme com rings de box, com pista de tartã 60 m dentro do espaço, com salas de de jis, MMA, eh, com vários tipos de de esportes e com ginásio e tudo. Mas isto só aconteceu porque a minha vida transformou.
Eh, eu tive que que transformar a minha vida eh de um de um momento para o outro. Eh, e nesse momento de luta e de revolta e porque é que isto me aconteceu eh não me não não me deixei limitar ou ou procurar causas para a minha cegueira. Aceitei-a, limpei as lágrimas, como eu costumo dizer, corei a a ferida do coração, comecei a correr, tornei-me atleta paraolímpico.
Eh, mas até chegar a atleta paraolímpico foi o trabalho, foi aceitar, foi procurar transformar-me mim e e quero transformar os outros. h, tentei usar a minha história e o meu e a minha a minha história de vida para para tentar eh colocar sementes no coração das pessoas, porque elas também possam transformar as suas vidas, independentemente do do seu dos obstáculos que possam encontrar na na sua vida. Eh, a vida mesmo feita de desafios e de escolhas, principalmente o que é que queremos para nós, o que estamos aqui a fazer, qual é o propósito que queremos deixar nesta terra e neste planeta?
Como é que podemos inspirar eh as pessoas à nossa volta? quando como é que podemos fazer feliz? Eh, esse é é o meu o meu propósito de vida, ajudar, transformar, ajudar a encontrar caminhos.
Eh, eh, no meio da dificuldade toda, da dos infortúnios que nos possam causar na vida, tudo é possível. É possível fazer magia na nossa vida e na vida daquele que nos rodeia. E a vida foi-me ensinando com porque antes de cegar eu tinha uma visão diferente.
Eh, e eu vou contar algumas histórias. Uma vez fui combater a Espanha com campeão de Espanha. O combate-me tão bem, tão bem, uau, já ganhei o combate.
Na altura de me darem o resultado, em vez de me darem a vitória, deram uma derrota, eu não consegui digerir o resultado e comecei a ter ódio e raiva dentro de mim. Porque é que isto aconteceu? Porque eu não merecia este resultado e voltei a Portugal, continuei a treinar e mais tarde volto a Espanha.
Quando eu chego a Espanha dis, sabes, o João António Barreira, aquele combateu contigo, não vai poder combater mais. Eu então porquê? Ai, se ele voltar a combater, pode ficar cego.
E eu com aquele meu ódio, minha revolta disse bem feita. Eu não sei se foi Deus, se foi o universo, mas pronto, a pessoa que perdeu aquilo que mais gostava, que deixou de ver, fui eu. E eu aprendi desde logo aí que nunca mais ia dejar mal a ninguém.
Todo o mal que eu dejasse alguém que isse em cima de mim de brar. Eu aprendi que eu sozinho não sou nada, que eu precisava do meu treinador, precisava dos meus colegas de treino, precisava do do meu professor, do do meu pai, dos meus irmãos, todos são importantes para o meu crescimento e pela minha aprendizagem. Ainda hoje estou a aprender com todos, com as pessoas que chegam-se ao pé de mim, eh, que vêm ter comigo, eh, porque a nossa vida é feita de constantes, eh, aprendizagens.
Aprendi a conhecer-me a mim mesmo, porque eu não me conhecia. E com esta nova visão fez-me, em vez de estar a olhar para fora para o mundo, olhar para o mundo interior que eu controlo e que eu não o conhecia e que sei que depende de mim tudo, não é? e sentir e questionar-me a mim mesmo porque é que eu era assim ou porque é que eu faço isto ou porque é que eu faço aquilo?
Como é que eu posso ajudar as pessoas a não olharem só para aquilo que os olhos mostram, mas também tentarem-se conhecer elas próprias, descobrirem nelas a riqueza interior que há, porque geralmente nós queremos é o tudo, o ter o que aquilo dos olhos mostra, carro, casa, dinheiro, coisa material e esquecemos que a maior riqueza que nós temos é interior e é e essa não acaba, só aumenta. E foi essa aprendizagem da vida que me ensinou a dizer que sou um homem rico, apesar de não ter dinheiro no bolso. Com a maior riqueza está comigo e está não só comigo, mas com todos os seres humanos, que apesar das dificuldades todas, nós podemos ser felizes e sorrir.
Ontem foi um grande homem, ou não, antes de ontem, que nos ensinou isso, o sorriso e sorrirmos e aceitarmos, nos julgarmos e ajudarmos os outros. E e e é e é e é isto a aprendizagem eh que eu tenho tirado neste meu percurso e que me fez querer servir e não me servir, querer dar e não receber e depois sem eu ver e sem sentir recebo mais do que aquilo que eu penso. E e é isto.
E fui fui construindo esses projetos para para que as pessoas também possam trilhar o seu caminho. E neste espaço onde estamos hoje, isto era um espaço todo destruído que como este espaço levou a construção e tá no como está, nós também queremos construir pessoas, construir seres com os seres humanos e não queremos fazer campeões nos rings, nem nas pistas de atletismo. Queremos fazer campeões na vida.
E é este o nosso projeto, a nossa academia, a nossa associação que prevê que por acima de tudo queremos passar valores. É uma academia de valores, um espaço onde a porta está aberta para todos e é de todos, todos, todos, todos. Como disse, disse o Pafa, todos os que vierem entrar nesta porta são bem recebidos.
Não, eh, não vão não vai não vai haver julgamento, não vai não vão olhar de outra forma. E, e, e, e, aqui tá bem representado este espaço. Com com isso temos um espaço que é um um espaço, um mini templo, onde a gente pode ir lá refletir sobre o o que a gente vai olhar para as paredes e vamos ver muitas cores.
São todas diferentes, mas estão iguais, estão juntas umas às outras, tem a representação de todas as religiões, ninguém tá fora. E é nesta, nesta diversidade que e nesta culturalidade e nesta aceitação de todos, eh, que nós nos tornamos ricos e aprendemos e e crescemos. Eh, e é isto, a associação h box, não é só atletismo, tem mais do que isso, tem desportes de tem gole ball.
Eh, agora vou vou quero fundar uma escola de ciclismo adaptado para pessoas invisuais. Eh, porque houve um ano que eu saí daqui de Marvila até o Vaticano a pedalar em 19 dias, porque achei que tinha que passar esta mensagem de paz à humanidade. Eh, porque a paz, como já foi dito aqui, eh, começa em cada um de nós e é de dentro para fora, não de fora para dentro.
E se nós encontrarmos essa paz, conseguimos passar esta paz e queremos que todas as pessoas possam a ter e viver e vivermos todos em paz e harmonia com o mundo e com os outros e aceitarm-nos independentemente de tudo, porque somos humanos e e o que nós procuramos todos é vivermos felizes uns com os outros. E não sei o que posso acrescentar mais, mas estou aqui, estarei aqui para para responder a questões. A costumo para além de da associação e de e de e dos projetos que nós temos, eu costumo ir a escolas, prisões, dar palestras e falar um pouco de mim e fazer os jovens acreditar neles, porque eles são o futuro, às vezes deixarem de acreditar neles, mas eu continuo a acreditar neles como acreditei em mim, eu transformei-me já com esta idade e de vou fazer 50, mas resolvi ir agora para a faculdade, por isso nunca é tarde.
Por isso, é isso que eu quero dizer, pá, nunca tarde para a mudança, para a transformação, depende de nós. E onde há vontade, nunca haverá limitações. E obrigado por esta oportunidade, professor.
Estamos aqui e um bem a todos. E o mais importante de todos é sermos felizes e conseguirmos fazer os outros felizes.