Professor, eh, o Lula e o Hadad falaram muito em reindustrialização, né, desde o início do do governo. O Brasil já teve um grande O Brasil já foi um país industrializado, teve um grande parque industrial. E eu vi inclusive uma entrevista do senhor falando sobre a oportunidade que nós perdemos de usar o estado para manter eh esse parque industrial.
Ele se foi totalmente substituído por empresas estrangeiras, com uma ou outra exceção, como a Embraer, por exemplo. Eh, a gente esse passo atrás, voltar a esse período industrial é possível e desejável hoje? Eh, na realidade não tem outro caminho, né?
Todos os países cresceram e são potências econômicas, é porque eles estão na parte da industrialização na fronteira tecnológica. A gente perdeu o rumo da história, né? Quando a gente decidiu seguir o famoso consenso de Washington.
Eh, isso tá até bem elaborado num livro da Isabela Weber, que é uma economista alemã, que ela é China, como a China escapou da terapia de choque. A terapia de choque ela fala é o consenso de Washington, é a é a cartilhazinha neoliberal, quando os Estados Unidos na década de 80 falou: "Ó, todos os países agora para crescer tem que privatizar suas empresas estatais, reduzir o tamanho do estado, né? Eh, não, livre comércio, ninguém pode ter contra o proteccionismo.
Todo mundo que seguiu a cartilha deles se deram mal, né? a China se deu muito bem porque fez o inverso. Eh, e por que ela fez o inverso?
Porque foi o que os Estados Unidos fez lá atrás, né? Os Estados Unidos fez exatamente isso para para poder crescer. Então, e o Brasil destruiu nessa época que o Brasil começou a seguir, eh, a produção industrial do Brasil era da China e da Coreia do Sul juntas.
E olha onde a gente tá agora. A gente se desindustrializou, a gente matou a nossa indústria automobilística, a gente tinha Gogel aqui, para quem se lembra, a gente tinha empresas de defesa muito avançada, que era em Gesa, né? né?
Inclusive os nossos tanques de ataque lá, o Osório era mais avançado até que os tanques americanos. Urutu, o era Urutu, Cascavel e o Osório. O Osório tinha um um periscópio que hoje a gente pode achar, pô, coisa mais boa, mas na época era uma tecnologia avançada, né?
O periscópio do tanque ele acompanhava o movimento. Problema a gente tá dirigindo os mesmos tanques até hoje, né? Foram eles que desfilaram no último governo explanada, né?
Soltando fumaça. Eram avançadíssimos. Eram avançadíssimos.
É. Aí não. E então a gente destruiu toda a nossa indústria, aquela que a gente manteve, a gente tá na na fronteira tecnológica, que é, né?
A Imraer hoje em tecnologia de aviação é reconhecidíssima no mundo inteiro. Só sobrou em BRAER, só sobrou só sobrou em Braer, que era uma uma estatel que é uma estatal, né? A Veg, é uma empresa que teve lá no início um grande apoio do da nossa indústria.
Eh, e a Imbrapa, que é mas é tecnologia agrícola. A Imbrapa é ciência pura em tecnologia agrícola. Mas quando você vê tecnologia eh da indústria hightech do agronegócio, não tem nenhum no Brasil.
A gente tinha SLC lá do Sul, para quem se lembra, tinha um as colheitadeiras, os tratores da SLC, foi comprada pela John Deere, né, com essa abertura de mercado. Eh, então o que eu falo, nosso nosso agronegócio produz muita riqueza, mas essa riqueza fica concentrada nas empresas do agronegócio, ela não é distribuída. Os países que realmente produzem riqueza agronegócio, consegue distribuir porque tem muito ganho de produtividade, são os países que vendem os imprementos agrícolas pro Brasil carregado de tecnologia que eles conseguiram manter a sua indústria e desenvolver.
Então você tem uma de John Deere, você tem uma New Holland, você tem caterpillar caterpilas aí na área, você tem na área de sementes cingenta, na área de fertilizantes, tem uma série de empresas que não tem nem uma ação brasileira. E como é que nós saímos desse dessa armadilha? como é que a gente vai sair do praticamente do zero para concorrer com a China?
Porque alguém abriria uma uma grande indústria aqui no Brasil? Na realidade, assim, a gente tem um a gente tem esse problema do modelo econômico, né? Eh, o governo até tem um um programa bom que chama a Nova Indústria Brasil, né?
Que é tocado inclusive pelo vice-presidente Alm. Tem uma equipe muito competente dentro do do ministério e para tocar esse projeto da Nova Indústria Brasil. Só que precisa de dinheiro, né?
precisa de investimento, investimento estatal pesado. E a gente não tem conseguido, amarrado por esse modelo, conseguir ter essa margem de investimento público, investimento estatal. Todos os países que desenvolveram sua indústria teve investimento pesado do estado e ainda tem, né?
Você olha pra China agora que tá todo mundo olhando para ela com medo da da ascensão econômica da China, é tudo um investimento estado. Só que aí o modelo econômico nos amarra, né? A gente tem um tripé macroeconômico, campo flutuante, não tem controle de capitais.
todos os países têm que se desenvolveram. Então a gente fica refém das especulações do mercado, porque se mexe na taxa de câmbio, afeta a inflação. Se afeta inflação, aí tem que atuar a política monetária subir a taxa de juros.
Se sobe a taxa de juros, mata todo o investimento privado, porque nenhuma empresa vai investir com a taxa de juros no patamar que tá. Então a gente tá amarrado nesse sistema. E quem interessa manter esse sistema, quem ganha dinheiro com ele, que é o mercado financeiro, é uma armadilha mesmo.
É uma armadilha. Amen.