O que que você acha do cenário com o Hadad? Tá indo bem? Qual a sua opinião sobre isso?
É, o Hadad hoje ele na realidade tá sofrendo crítica de todos os lados, né? Inclusive daqui da da base de eleitores do próprio PT, né? Que que elegeu o presidente Lula, porque o governo tá preso numa armadilha, né?
Na na armadilha do modelo econômico que não mudou nada. Eh, na realidade, nos primeiros mandatos do Lula, ele ainda tentou fazer alguma coisa eh mais voltado pro social, né, para pra classe trabalhadora. teve vários programas sociais que foram tiveram sucesso, só que a nesse terceiro mandato a gente tá muito mais preso eh nesse modelo, o modelo neoliberal que evoluiu, né?
E a estrutura da economia tá toda eh baseada nisso. Então, eh o governo tá refém disso e não tá conseguindo eh provar para o que veio, né? Que é um governo de esquerda, um governo que tem uma base de eleitores muito mais na da classe trabalhadora, que quer mudança, mudança que melhore as desigualdades que tem no país, né?
Eh, da década de 80 para cá, as economias, não só no Brasil, como as principais economias capitalistas, os Estados Unidos, por exemplo, veio cada vez mais concentrando cada vez mais renda e gerando cada vez mais desigualdade, né, não só social como econômica. Eh, e porque tá preso nesse modelo neoliberal. E o Brasil a gente tem o nosso modelo que foi o que foi, digamos assim, o o tripé macroeconômico que foi criado lá no no governo FHC com o Plano Real.
Eh, e a economia ficou muito preso nesse ciclo. E o, e o modelo, uma crítica que eu faço bastante, inclusive quando eu falo um pouquinho de Estados Unidos, é que esse modelo fez com que o Brasil se desindustrializasse, assim como o modelo, o próprio modelo americano, né? E quem não seguiu o famoso consenso de Washington, né, que foi lá na década de 80, são os países que hoje estão bem e cresceram.
A China, por exemplo, a China e a Coreia do Sul. E o Brasil foi seguir, digamos, a cartilha, né, do consenso de o e o Brasil se desindustrializou, que o Brasil era uma potência industrial até a década de 80, né? e de lá para cá a gente simplesmente destruiu a nossa indústria.
Então isso faz com que a nossa economia eh não, a nossa economia não se desenvolveu e faz com que a nossa economia esteja preso eh nesse tradeoff, se eu fosse resumir, né, tradeoff que a gente chama de inflação e desemprego, né, que é o tradeoff ou você combate a inflação, quando você consegue trazer a inflação para médica, você desaqueceu a economia, gerou muitos empregos. Agora você tem que estimular a economia para gerar emprego e ao fazer isso, você estimula também um aumento eh de pressão sobre os preços. Eh, um aumento de pressão sobre o preço generalizado gera inflação.
Então, a gente fica nesse ciclo que é muito volátil paraa economia. Isso é muito ruim para as classes menos eh privilegiadas, né? Porque você acaba sempre nesses ciclos concentrando mais riqueza, porque a política monetária de aumentar ou diminuir a taxa de juros, você tá remunerando cada vez mais o capital quando você quer esfriar a economia.
você aumenta a taxa de juros e aí quem se enriquece nesse cenário é quem já é detentor de capital, detentor de investimentos, né? E a classe trabalhadora, que a grande maioria da população, né, 90% da população, até mais do que isso, né, ela acaba sendo refém desse ciclo, né, uma hora ela tá empregada, quando ela começa a melhorar a sua situação, né, a massa salarial começa, que isso é inclusive um princípio de economia, né, a massa salarial é um dos preços da economia que se analisa, que quando ela tá, o desemprego tá muito baixo, isso começa a ser uma uma pressão para que os salários melhorem, isso acaba também gerando gerando inflação. E um dos alvos da política monetária é justamente em cima é desse preço da economia.
E a você gera desemprego. Então a classe testemunista, quando eu começo a melhorar vem uma pancada sobre a forma de política econômica e eu tenho que piorar um pouquinho. Por quê?
Porque é a grande maioria da população que consome que gera pressão inflacionária. Como sair desse ciclo, né? A gente deveria ser um país muito mais desenvolvido em termos econômicos, eh principalmente na parte industrial.
a gente tinha que ter uma política industrial de uma estrutura econômica muito mais na fronteira tecnológica, né? Até porque a inflação nada mais é que um desequilíbrio entre oferta e demanda, né? Então, quando a gente aumenta a demanda via consumo, que é a melhora da situação da atividade econômica, do outro lado a gente não consegue suprir essa demanda que tá sendo gerada.
Eh, a nossa capacidade ociosa na economia, ela rapidamente é ocupada e você não gera oferta. Então, você tem que reduzir a demanda. Quando você aumenta a taxa de juros, na realidade você também tá inibindo a produção de a a lado o lado da oferta, né?
O empresário fala para que que eu vou primeiro ficou mais caro eu produzir, aumentar minha capacidade de produção porque a taxa de jur tá mais alta, o custo de capital aumentou. Segundo, né, a sinalização econômica é vou diminuir a demanda, para que que eu vou produzir mais se não vai ter demanda. Então a gente tá sempre preso nesse ciclo e a economia não cresce.
Então, eh, e o governo ou muda isso aí ou ele vai ser refém, vai ser só mais um governo que fica, né, nesse ciclo de quando eu consigo melhorar um pouquinho, eu tenho que dar um freio e eu fico, e a gente brinca assim que você fica na mão do sistema financeiro, você fica na mão do mercado financeiro que dita essas regras atualmente, né? Então o governo, so ponto de vista da base de eleitores dele, tá indo mal, porque não fez ser só mais um que entrou aí e falou que ia fazer, não tá fazendo paraas classes realmente mais desprivilegiadas, né, que é a base de eleitores desse governo, eh, que estão sofrendo com a inflação, tá sofrendo e tá gerando muita insatisfação, né? Eh, a gente deposita, né, no nos políticos quando você elege que ele tem uma série de promessas que vai fazer mudanças, que vai melhorar a vida do do brasileiro, quando ele começa a fazer exatamente a mesma coisa que sempre foi feita, você começa a gerar uma insatisfação.
Então, sobre esse ponto de vista, eh, pros eleitores do próprio que colocaram o Lula lá, colocaram esse governo lá, eles estão muito insatisfeitos, né? Então, so ponto de vista econômico, eu acho que o governo deveria enfrentar mais essas questões, né? Eu sempre brinco, a gente precisa ter um projeto, a gente não tem um projeto de nação, né?
Nos últimos 50 anos você não vê, se a gente pensar qual foi o projeto de nação no Brasil, o último acho que foi do Jcelino, né? Er os 50 anos em cinco, tal. Ele tinha um projeto.
Uhum. Tudo bem. Trocou o pé pelas mãos, fez uma uma série de de coisas erradas, mas ele tinha um projeto e ele executou.
Tem existem as críticas que, né, desde da foi lá naquela época que a gente começou a gerar pressões inflacionárias, depois veio os militares, né, com endividamento externo também teve, mas os militares também tinham, né, assim como Jelino, eles prosseguiram num projeto de nação. Tanto que a gente chegou na década de 80, o Brasil era uma potência industrial. De lá para cá a gente, digamos, só tá enxugando o gelo, né?
Mas você não acha que que porque assim o nossa taxa de juros tá subiu absurdamente nesse governo agora a gente tá vendo até uma expectativa de subir mais. Você não acha que de repente se fosse um governo que pensasse com, vamos dizer assim, numa numa questão mais paraa direita, né, mais liberal, seria uma forma que estaria melhor hoje? Porque a gente veio de um governo passado com uma taxa selic muito menor, enfrentando inclusive pandemia, etc.
com Paulo Guedes. Você não acha que essa mudança vindo à Dad, enfim, foi muito pior pra economia? Não, porque se quando a gente, você, a gente colocar no espectro direita, esquerda, na realidade as políticas econômicas são de direita, não mudou nada, né?
A política, inclusive a grande crítica ao governo atual, ao governo Lula e ao Hadad, é porque eles estão seguindo uma política de direita, pelo menos so ponto de vista econômico. Não tem nada de esquerda no na política econômica do governo atual. Então, o governo tá preso nisso, né?
preso, a inflação não tá se mostrando sob controle, ela ela continua aumentando. Agora que me parece que o boletim Focus trouxe um um certo freio, porque semanas a semanas que eu venho acompanhando o Boletim Focus, que é um relatório, inclusive para quem não conhece, o Banco Central toda segunda-feira divulga o Boletim Focus com os principais com as principais principais indicadores, perspectivas dos economistas, né? Então você tem lá o IPCA, Selic, o dólar e o PIB, né?
E aí nessa semana que eu vi que deu uma freada, mas muitas semanas veio subindo, por isso que a Cic que teve que vir subindo. E aí eu te perguntar isso, José, o Lula, você não acha que ele tá contra a parede? Assim, não o Lula, mas a equipe econômica?
Por quê? A gente tá com uma inflação que ainda não tá sob controle, não tem como derrubar a taxa de juros nesse momento. E a gente vê que o a desaprovação do Lula tá tá aumentando bastante, principalmente no Nordeste, onde ele tinha muitos eleitores, né?
E aí o que que eu eu paro para me perguntar? As eleições estão chegando. 2026, o Lula se vê numa situação do seguinte: ou eu libero grana ou eu libero benefício para tentar atrair um pouco mais de votos, digamos assim, mas ao mesmo tempo eu posso prejudicar a inflação.
Qual seria a saída do governo atual agora para não continuar aumentando a desaprovação, né? E pro Brasil também, pra economia brasileira, qual seria uma solução para que a gente pudesse melhorar a nossa economia? Quando a gente olha eh sobre o ponto de vista da macroeconomia, existe aqueles o tripé macroeconômico você tem que seguir, que é sistema de metas de inflação, câmbio flutuante e superait primário, né?
Então, se você seguir esses três parâmetros e o mercado vê que você tá seguindo, o mercado, digamos, fica sob controle, fica calmo, não tem nenhum movimento especulativo, não tem nenhum movimento de fuga de capitais ou de eh então o governo tem que seguir isso. Quando você olha meta de inflação, tem um problema que a gente reduziu a meta de inflação de que era 4% para 3%. Era 4% com uma banda de dois, né?
Então podia oscilar entre dois e seis e a gente simplesmente diminuiu para uma meta de três com a banda de 1,5. Então pode ir para 4,5 e 1,5. Eh, esse é um esse é o grande problema, acho que foi criado na economia brasileira.
Eh, estruturalmente a economia não mudou nada. Então, por que que mudou essa média de inflação? Por incrível que pareça, quando você pesquisa, não tem motivo para ter feito isso, né?
o presidente do Banco Central, que era o foi economiz chefe do Itaú Unibanco muito tempo, o William William Gold Fun, quando questionaram ele falou: "Não é porque o Chile é assim". Quer dizer, eh, não existe justificativa pra gente ter baixada a meta de inflação. E por que que isso é importante?
Como disse, a nossa economia não é dinâmica. Nós somos um país que se desindustrializou, né? A nossa pauta de exportações é basicamente commodities, né?
De ferro, petróleo e o o agro, né? Soja. Então a gente tá preso em commodities que é precificado internacionalmente.
Então a gente tá refém porque é cotado em dólar, né? Inclusive essa guerra tarifá agora a gente tá tentando ver se a gente vai se beneficiar ou se a gente vai se prejudicar. Talvez, né, uma ala acha que vai se beneficiar porque Estados Unidos e China começa a brigar, talvez abra uma oportunidade pro Brasil, né?
A China agora vai comprar mais do Brasil do que dos Estados Unidos. Viceversa a mesma coisa, né? O agronegócio americano tá preocupado com isso.
Sim. pro vai ficar bom pros brasileiros, inclusive para vender para nós mesmo aqui nos Estados Unidos, né? Sim.
Então existe agora esse cenário, mas qual que é o grande cerne disso? Nós somos reféns disso, né? Nós somos reféns de de uma pauta de exportações que é toda dolarizada.
Nós não somos formadores de preço, nós somos tomadores de preço. Então, o processo da industrialização, eh, o grande, isso é muito ligado em marketing, né? A minha formação é marketing também, né?
Na graduação, eu me formei em marketing e a gente estudava muito sobre diferenciação, né? Quando você fala comodity, diferenciação e marketing é a sua capacidade ou não de formar preço. Então você tem um produto diferenciado, né?
Você vende um iPhone, você põe o preço que você quer. Você vende soja, você não põe o preço. Você é você é tomador.
Você vai cumprir o preço que o mercado tá impondo. Então o Brasil é tomador de preço, não é formador de preço. Então o fato da gente se industrializar, a gente ir pra fronteira tecnológica e a gente ter uma pauta de exportações onde nós conseguimos formar preço, né, que é as grandes economias industrializadas hoje fazem isso.
Então sobre o ponto de vista de marketing, por que que você quer sempre um produto diferenciado? você consegue praticar uma margem maior, você tem um certo poder de formar preço e você tem uma margem maior no seu produto. Então você tem um benefício.
Quando você olha seu ponto de vista do país, como se fosse, né, uma grande empresa, é justamente isso. Agora eu tenho produtos que eu sou formador de preço, teoricamente eu consigo ditar a margem que eu quero colocar isso no mercado e eu tenho uma margem de negociação muito maior, até porque eu tenho uma certa exclusividade, uma diferenciação no meu produto, né? Então o Brasil não chegou nesse ponto, ele é tomador.
Então deu uma dor de barriga, a nossa taxa de câmbio teve algum problema, vai impactar a inflação. Por que que a inflação, você falou do boletim Focus, caiu as expectativas, porque a taxa de campo tá caindo. É simples, né?
Quando subiu lá no no final do ano passado, teve um componente especulativo muito alto, já veio aquele impacto de, ó, vai gerar uma inflação muito grande. Justamente por isso, aumentou o preço do aum câmbio, o arroz ficou mais caro, a soja ficou mais cara. Ah, mas por nós que produzimos, não, a gente exporta.
Uhum. A gente é sujeito a esse preço, né? Ao o dólar subir e descer.
Então, quando o o quando, olha como que é ruim quando você tem isso na economia, né? Quando o a taxa de câmbio deprecia o real, ou seja, o nosso real depreciado, é bom para quem exporta, porque o nosso produto fica mais barato lá fora em dólar. Então eu como, sei lá, produtor de arroz compensa eu exportar mais.
Quando eu começo a exportar mais, sobra menos arroz no Brasil. Sim. menos arroz no Brasil P sobe.
Então a gente tem esse esse grande impacto da taxa de câmbio, né? Então vamos guardar essa informação. Tá de câmbio é um problema nosso hoje na economia, eh porque a gente fica refém de coisas que não estão no nosso controle, né?
Eh e aí a política monetária atua sobre isso. Quando eu subo muito a a taxa de juros também é para tentar reter um pouquinho do capital. Tem investidor fugindo, né?
O real tá se depreciando, o dólar tá valorizando, vou investir em outro país, vou fugir do Brasil. Então, quando eu tenho esse fluxo de capitais saindo muito mais do que entrando, vai afetar a taxa de câmbio. Então, o Banco Central aumenta a taxa de juros também para tentar segurar um pouquinho esse movimento e manter a taxa em campo sobre controle para controlar a inflação.
Sim, esse é um problema. Eh, voltando o sistema de médio de inflação, como a nossa economia não tem essa dinâmica, não é uma economia industrializada, o que que acontece? Eu fico refém de ficar mexendo só na demanda.
Eu não consigo investir para aumentar a nossa capacidade produtiva, né? Então, taxa de juros alta, eu nunca vou, nós enquanto empresários vai falar, que eu vou aumentar a minha capacidade de produção. Primeiro, o governo tá esfreando a demanda, segundo é caro.
1425 é a taxa básica, né? A empresa vai tomar dinheiro no mercado, é muito mais caro que isso, né? Sim.
E aí você tem que tomar dinheiro no mercado para investir bens de capital e para os operaçõ eh famoso capital de giro. E o capital de giro é muito mais caro, né? você tem que tomar dinheiro para ter capital de giro para você conseguir justamente controlar essa esse essa defasagem entre eu produzir e vender, né?
Sim. Quando tá lá dentro do meu balanço é capital de giro. Então eu também fica caro para mim.
Então eu como empresário não vou investir num cenário desse. Num país que tem esse cenário e que tem essa taxa de juros, eu não vou investir. Então o governo sempre fica refém de ficar controlando a demanda.
Isso é ruim, né? Não para nós que temos condições, né? Graças a Deus, hein?
Não, não nos afeta tanto. Mas as classe mais baixa é porque o sinal que o governo tá dando o seguinte, quando você começar a comer melhor, você vai você vai gerar uma pressão na demanda, que é o que tá tendo agora, né? E aí eu vou ser obrigado a tirar o seu poder de compra.
Sim. Vou aumentar a taxa de juros, vou gerar desemprego, vou tentar segurar a demanda, porque taxa de juros a 14%, a 2%, eu tenho certeza que a gente aqui não vai deixar de comer, não vai comer menos. Nós vamos continuar tendo nossa vida.
A gente vai ter até mais oportunidade de investimento, né? Exatamente. E as classes mais baixas, não.
Isso significa realmente comer ou não comer melhor, né? Comer uma carne melhor ou comer uma carne pior, comer a carne pior ou comer frango. Então eles sempre estão são reféns disso aí.
Então, o Brasil tá preso nesse tripé macroeconômico, que é o modelo econômico que a gente segue.