Menopausa, um tema que por muito tempo foi cercado de silêncio, mitos e desinformação. Mas hoje é hora da gente falar a verdade. A menopausa não é apenas o fim da vida reprodutiva, é um processo biológico profundo, com impacto em todos os aspectos da saúde da mulher, do coração aos ossos, da mente ao bem-estar emocional.
E nessa série nós vamos abordar a menopause e a terapia hormonal com o rigor científico que elas merecem, sem mitos, sem tabus, apenas fatos embasados na ciência mais atualizada. Entender o que realmente acontece no seu corpo durante essa transição é o primeiro passo pra gente enfrentar esse momento com clareza, confiança e poder. Nesse primeiro episódio, nós vamos falar sobre as mudanças hormonais, os sinais e sintomas, os riscos paraa saúde ao longo prazo.
No segundo episódio, falaremos sobre a terapia hormonal da menopausa ou reposição hormonal e, principalmente, como essa fase pode ser o começo de uma nova etapa na sua vida repleta de autocuidado e bem-estar. Chegou a hora de deixar de lado os preconceitos e enfrentar a menopausa da forma informada e sem medo, porque você merece entender a verdade e viver essa fase com todo o conhecimento e apoio que a ciência pode oferecer. Se você é mulher ou conhece uma mulher, esse tema é muito importante paraa sua vida.
A menopausa é uma experiência universal para cerca de metade da população da Terra. A gente estima que só nos Estados Unidos cerca de 6. 000 mulheres entrem na menopausa todos os dias.
Em 2030, cerca de 1. 2 bilhões de mulheres estarão na perimenopausa ou na pós-mopausa. E à medida que as mulheres vivem mais, elas passam cerca de 40% das suas vidas nos anos pós-menopausa, o que equivale a mais de 30 anos pra maioria delas.
Afinal, o que é menopausa? Menopausa é super simples, é um evento na sua vida, é a última menstruação da vida. geralmente de uma forma espontânea, a gente chama isso de menopausa natural, quando você olha para trás e viu que faz 12 meses que não aconteceu mais a menstruação.
Isso é a menopausa. Portanto, a gente usa de uma forma um pouco coloquial até o termo de estar na menopausa. Na verdade, a gente tem a menopausa ou está próximo de tê-la.
Então, alguns períodos são muito marcantes e a gente vai defini-los aqui. Mas voltando um pouquinho, a menopausa iatrogênica, que é aquela menopausa que a gente causa, seja por retirada do útero, estereectomia, retirada dos ovários por tumor ovaliano e, portanto, a queda hormonal, radioterapia pélvica, quimioterapia, enfim, existem fatores que a gente pode induzir uma menopausa até mesmo com medicamentos. Geralmente essa menopausa a gente chama de secundária.
Secundária alguma intervenção. Para simplificar, menopausa, então, é a última menstruação da vida e existem alguns períodos que nós damos os nomes como transição menopausal, que seria um período que começa com uma irregularidade menstrual até a menopausa. Então é justamente isso, um período de transição em que os ciclos menstruais começam a ter intervalos de 40 a 60 dias, não tem um padrão universal.
A idade média de início da transição menopausal é por volta dos 46 anos, mas pode variar dos 39 até os 51. Em geral dura cerca de 5 anos, mas também pode variar de 2 até 8 anos. A famosa perimenopausa, perimenopausa seria a transição menopausal mais um ano depois da menopausa.
Então imagina numa linha do tempo em que nós começamos com a transição menopausal, existem vários sinais e sintomas que vão acontecendo e a gente vai falar em breve. acontece então a última menstruação, menopausa, e um ano após isso indica o período que a gente chama de perimenopausa. Por que que é importante definir esse período?
Porque esse é um período muito especial de muitas oscilações e muito impacto na saúde da mulher. E é onde a gente tem que tomar muito cuidado e prestar muita atenção. Apósmenopausa são todos os anos que vem depois da menopausa.
E a gente chama de menopausa precoce, que tá associado a um quadro de insuficiência ovariana prematura, quando a menopausa acontece antes dos 40 anos de idade. Provavelmente você já ouviu falar sobre o termo climatério. O climatério é um termo um pouco mais genérico e impreciso.
E ele indica o período em que a mulher passa da fase reprodutiva pra fase da pós-menopausa. Curiosamente, menopausa vem do grego em que men significa mês e pause significa pausa. Portanto, seria eh, né, com essa ideia de ter uma pausa das menstruações mensais.
E climatério vem com essa ideia de trazer um um uma sensação de que existe um clímax. é um período crítico na vida da mulher, é um período de clímax em que a gente tem muitas oscilações e isso, claro, vai impactar muito na saúde feminina. Uma outra curiosidade é que a menopausa, ela é muito rara no reino animal, nos mamíferos, ela foi documentada apenas em cerca de cinco espécies, incluindo claros humanos, alguns chimpanzés e algumas baleias como as orcas.
E o sentido evolutivo da menopausa é um tema de grande interesse na biologia evolutiva, muitas vezes explicado pela hipótese da avó ou grandmother hypotesis. e que sugerem que a menopausa traz uma vantagem adaptativa ao permitir que as fêmeas mais velhas, ao invés de continuar a se reproduzir, elas comecem então a cuidar dos netos, garantindo mais sobrevivência da prolle. Isso aumenta o sucesso reprodutivo da espécie, já que essas fêmeas podem concentrar energia, recurso em ajudar os seus descendentes a crescer, a se reproduzirem, em vez de arriscar mais gestações tardias que podem ser eh mais complicadas.
E em algumas espécies de baleias, a menopausa também parece ter um papel importante no cuidado e liderança do grupo. Isso é muito interessante, porque essas fêmeas mais velhas são frequentemente líderes do grupo, ajudando na navegação e na busca por alimentos, compartilhando conhecimento ao longo das vidas. E isso parece melhorar a sobrevivência do grupo como um todo.
Assim, essas espécies parecem se beneficiar, sim, né, dessas fêmeas na na fase pós e reprodutiva para garantir a longevidade e a estabilidade social. É muito interessante. Em resumo, a menopausa, ela pode ter evoluído como uma estratégia que melhora a sobrevivência das futuras gerações ao permitir que essas fêmeas mais velhas assumam papéis de suporte na comunidade, beneficiando a coesão social e a transmissão de conhecimento.
O fato é que hoje, se você olhar a curva da espécie humana, a curva de sobrevivência e a nossa expectativa de vida, na virada do século XX, a gente começou a passar dos 50 anos de idade. Então, a menopausa não era um fenômeno comum séculos atrás, justamente porque a gente não vivia até os 50 anos, então a gente não experimentava menopausa. Porém, hoje é muito comum, se você considerar que uma mulher pode viver 80, 90 ou até mais anos, ela vai passar boa parte da vida dela na fase da pós-menopausa.
E isso tem implicações muito sérias na saúde feminina. E nós vamos falar de algumas soluções no episódio dois. A idade média da menopausa no mundo é em torno de 49 até 51 anos.
Isso varia bastante de acordo com o país e parece que quanto mais avançada a economia, quanto mais evoluída a a sociedade do ponto de vista socioeconômico, a menopausa é um pouco mais tardia. Aqui no Brasil a menopausa ocorre por volta dos 48, 49 anos em média. Lembrando que existe um desvio padrão importante nessa idade da menopausa.
E a idade da menopausa, ela é estável há séculos. Aqui para quem tiver assistindo no no YouTube, no videocast, vocês vão ver que tem um gráfico que mostra que a idade ela é estável. Os ovários não apresentaram mutações genéticas significativas para aumentar a longevidade ovariana e permitir que as mulheres têm tenham menopause um pouco mais tarde, depois dos 60 ou 70 anos.
Isso é impossível, isso não existe. O que aconteceu foi sim o incremento na sobrevida, na expectativa de vida. E com isso a gente vive muito esse período da pós-menopausa.
E isso impacta muito a nossa espécie. Olha que interessante esse esse dado. Cada ano adicional de menopausa mais tardia implica 2% a menos de mortalidade por todas as causas.
Falando em outras palavras, quem tem menopausa precoce tem uma mortalidade aumentada por uma série de doenças crônicas, como doença cardiovascular, osteopenia, osteoporose e até câncer. E isso é é visto de uma forma reversa quando a gente fala sobre a terapia de reposo hormonal. Nós vamos falar depois quais são os mecanismos e a fisiopatologia.
Em outras palavras, como é que funciona, por acontece a menopausa. Vamos lembrar, a menopausa, ela marca o fim do período reprodutivo da mulher. É como fechar um capítulo de uma longa jornada que começou lá na puberdade, passando pela menarca, que é a primeira menstruação da vida, o período reprodutivo, os anos reprodutivos e agora chegando à menopausa, nós podemos ver que essa transição é como uma libertação da função reprodutiva constante, abrindo espaço para uma fase mais criativa e social da vida da mulher.
Pense no seguinte, todos falam abertamente sobre as mudanças da adolescência. Nós sabemos o que esperar na adolescência, principalmente quem tem filho. Mas quando o assunto é menopausa, nós ainda enfrentamos um grande tabu.
Por que isso acontece? Talvez pelo fato de historicamente a sociedade sempre valorizar a juventude. E a menopausa marca uma fase da vida em que a mulher geralmente está mais madura e aponta pro envelhecimento.
E hoje muitas mulheres que atravessam a menopauso estão no ápice da carreira buscando relacionamentos mais saudáveis, construindo laços de harmonia e de repente vem uma avalanche de sintomas que prejudicam muito a qualidade de vida. Vale muito lembrar um pouco da reprodução humana. Como é que a gente funciona do ponto de vista reprodutivo?
A grande diferença entre o ovárium e o testículo é que o testículo nasce com um número finito, um número limitado de óvulos que estão dentro de folículos. Ao passo que o testículo contém células que a partir da puberdade, dependendo de uma série de fatores hormonais, o menino vai começar a produzir espermatozóides e testosterona e, portanto, pode ficar produzindo pro resto da vida. Esse é o principal motivo pelo qual existem homens que conseguem ter filhos com seu próprio sem depois de 60 ou até 70 anos, mas a gente não vê mulheres nesta mesma situação.
A gente sabe que o pico de número de óvulos e de folículos na vida da mulher não é quando ela nasce, é antes, cerca de 5 meses na barriga da mãe. Por volta de 20 semanas de gestação, o feto feminino tem cerca de 5 a 7 milhões de folículos ou óvulos, que são as pequenas unidades que vão produzir os hormônios lá na frente quando acontecer a ovulação. Ao nascimento, esse número já caiu para em torno de 1 a 2 milhões.
Na primeira menstruação, esse número é em torno de 300 a 500. 000 óvulos e perto da menopausa, menos de 1000, algumas centenas. Daqui a gente extrai uma taxa que é muito interessante.
A mulher perde cerca de 1000 óvulos por mês. Mesmo se você usar alguma pílula contraceptiva e está bloqueando a ovulação ou fazendo uma estimulação paraa fertilização em vitro, você não está guardando mais óvulo no seu ovário ou gastando mais. E esse fenômeno ocorre por um mecanismo chamado de apoptose, que é uma morte celular programada.
Ou seja, os folículos já têm desenhados desde o seu início de vida. que boa parte deles vão morrer e eles morrem num estágio microscópico. A gente não consegue enxergar isso no ultrassom ou em algum exame.
Por isso que a gente vê que os marcadores de reserva de óvulos, como o hormônio antimileriano, o FSH e até a contagem de folicos anrais, sempre vai mostrar que existe uma queda ao longo do envelhecimento, chegando no final da vida reprodutiva, que é a menopausa. Mas veja que isso não é de repente, existe uma queda gradual e geralmente alguns anos antes da menopausa a mulher já começa a sofrer algumas oscilações hormonais que podem gerar uma série de sinais em sintomas que nós vamos falar e que podem marcar esse período da transição menopausal e perimenopausa. É claro que algum isso varia muito entre as mulheres.
Tem mulheres que nascem com 1 milhão ou tem mulheres que nascem com centenas de milhares. Tem mulheres que nascem às vezes sem óvulos. E isso implica a idade em que ela vai sofrer ou vai sentir os sintomas da privação hormonal.
Vamos lembrar um pouquinho do ciclo menstrual, porque isso é super importante pra gente entender os hormônios que a gente vai falar, principalmente no episódio dois. Vamos assumir que existe um ciclo menstrual de 28 dias. Lembrem que a primeira fase do ciclo é uma fase chamada de folicular quando a gente olha pro ovário ou uma fase proliferativa quando a gente olha para o endométrio.
O que que significa isso? Todos os meses, quando a menstruação vem, o ovar ele apresenta uma série de folículos, que são pequenas unidades que contém óvulo. E um desses folículos vai ser o dominante.
O folículo dominante, ele tem mais vasos ao redor, ele tem mais, ele é mais capaz de receber o hormônio que vai estimular ele, que é o FSH. E, portanto, ele cresce em detrimento dos outros. Esse folículo dominante, ele começa a produzir o hormônio tipicamente chamado de feminino, que é o estradiol, que é o estrogênio mais potente.
A sigala do estradiol é E2. E esse estradiol, ele tem uma função fundamental na vida da mulher, mas principalmente nesse período reprodutivo de espessar o endométrio, a parede interna do útero, para esperar o embrião que vai chegar da pouco, se for se acontecer a fertilização. Portanto, existe um pico do hormônio estradiol e no meio do ciclo, por volta do 12º, 14º dia, existe um pico do hormônio LH, que é o hormônio lutenizante.
E esse hormônio vai fazer aquele folículo dominante ovular romper. Quando ele rompe, existe a produção da progesterona, que é o hormônio progestar, é o hormônio feito para aumentar a chance de engravidar. É o hormônio tipicamente que a gente chama da gravidez.
E a progesterona, ela tem uma curva, como vocês vão ver aqui no gráfico, em que existe um pico da progesterona por volta do 18º, 22º dia do ciclo menstrual. E caso não ocorra a implantação, caso aquele óvulo que foi liberado pelo ovário não seja fecundado pelo espatozóide e não forme o embrião e esse embrião não implanta, esse corpo lúteo que é o resultado da ovulação no ovário, ele para de produzir a progesterona porque ele não tem mais estímulo e aí sim ocorre a descamação do endométro que culmina com a menstruação. Esse é o ciclo menstrual.
Resumidamente, acontece também no meio do ciclo um leve pico da do hormônio da testosterona, que pode levar um aumento da libido no meio do ciclo, aumentando então a frequência da relação sexual e, portanto, aumentando a chance de gravidez. Quando se aproxima a perimenopausa ou a transição menopausal, essa dança hormonal já não é mais a mesma. Existe uma oscilação tremenda nos níveis de estradiol e nos níveis de progesterona, principalmente, porque existe uma escassez de folículos.
Então, lembra, todo mês a mulher perde cerca de 1000 óvulos, 1000 folículos. Existe um momento crítico em que o nível, o número de folículos já não é mais suficiente para produzir ovulações consistentes, regulares. E aí a progesterona cai, ela fica baixa por alguns meses, a mulher não menstrua.
Ou até existem ciclos mais curtos em que o folículo cresce muito rápido e a mulher ovula muito rápido e, portanto, o ciclo menstrual ela acaba antecipando. Isso é muito comum. Você deve perceber que quem está atravessando a transição da menopausa, muitas vezes fala que o ciclo encurtou para 21 dias, 25 dias, às vezes menstruador, às vezes no mês para depois começar a espaçar.
E aí quando ele passa é um sinal de que realmente tem muito pouco folículo. E aí o FSH, que é o hormônio que é a hipófise secreta para fazer o sinal da ovulação, para fazer crescer folícul, ele não é suficiente para recrutar mais folículo, porque praticamente não tem. E tem um detalhe que os receptores muitas vezes desse hormônio FSH acabam ficando mais resistentes e o oválio ele não responde tão bem.
A mulher que vive a infertilidade, quer ter filho perto dos 40 anos ou mais, ela muitas vezes sabe disso, porque a reserva ovariana às vezes está baixa e é difícil de estimular mesmo num tratamento de fertilização em vitro. Muito bem. Nesse período que varia de 1 ano até 5 anos em média, existe uma oscilação tremenda dos hormônios.
E é por isso que a gente tem que tomar muito cuidado com o diagnóstico, porque o diagnóstico aqui ele é clínico. Se você dosar os hormônios numa fase e que estava tudo bem, o seu médico ou você mesma pode interpretar que você não está nessa fase da transição menopausal ou da perimenopausa, mas isso pode ser mentira. Lembra que existe uma oscilação e aquela fotografia que você fez, aquele exame de sangue que você fez, só mostra aquele momento do seu ciclo e você poderia muito bem estar ovulando naquele ciclo e estava tudo bem, não estava com nenhum sintomas.
Agora, se você começa a terim alguns exames muito fora do range ideal, como um FSH muito alto, acima de 25 ou 30, ou um antimileriano muito baixo, que é um hormônio que marca a reserva de óvulos, quanto mais baixo, menor a reserva de óvulos, ou até um ultrassom com contagem de folículos que mostra pouquíssimas unidades de folículos, é muito provável que a menopausa esteja próxima. A gente não consegue hoje prever quando vai acontecer a menopausa baseado nesses biomarcadores, mas sugere que vai acontecer nos próximos anos. E aqui vale reforçar o estradiol, que é o estrogênio mais potente, ele não cai gradualmente, pelo contrário, ele fica dentro de um range normal e até levemente mais alto por um período, até cerca de um ano, para daí sim começar a cair.
Então cuidado com exames que mostram que está tudo normal. O mais importante é a gente ouvir os sinais e sintomas do seu corpo. Um outro cuidado que vale muito a pena prestar atenção é que a mulher que tá com seus 40 e poucos anos, mas que ainda está ovulando e tem ciclos irregulares, às vezes com intervalos longos de até 50 dias, ela pode ter ciclo ovulatório em até 1 qu4to das mulheres isso acontece.
O que que significa? Que essa mulher pode estar fértil. E uma gestação muitas vezes nessa idade, principalmente para quem já tem filhos ou não quer ter filhos, é uma gestação, claro, não planejada e muitas vezes de risco.
É um risco pequeno, sim, de acontecer a gestação, mas ele é um risco real. Portanto, essas mulheres merecem também falar sobre contracepção e não só sobre reposição hormonal. Vamos falar brevemente sobre alguns hormônios importantes nessa fase.
O primeiro deles é o estradiol, que é o estrogênio mais potente. E os níveis pré-menopausa durante ciclos ovulatórios chegam até 400 picoglemas por m. Na pós-menopausa, esses níveis são em torno de 10 a 20 picoglemas por ml.
Então cai bastante. A testosterona, que é um hormônio comumente chamado de hormônio masculino, ele é um hormônio muito feminino. Vamos lembrar que se você dosar testosterona versus o estradiol, a mulher tem muito mais testosterona do que a estradiol.
As unidades são diferentes. A gente calcula testosterona em nanogramas por dclil, estradiol em picogramas por ml. Mas a mulher também depende muito da testosterona.
Só que a testosterona ela não cai muito na pós-menopausa porque existe uma produção nas adrenais. Então, a produção adrenal suprarrenais segura um pouco esses níveis de testosterona. E esse nível de testosterona na mulher que não faz seposição hormonal, muitas vezes é responsável pela conversão periférica na gordura em estradiol.
Então, vamos lembrar uma regrinha básica. Os androgênios ou hormônios entre aspasinos como a andocenediona e a testosterone, eles são convertidos em hormônios, entre aspas, também femininos, como estrona e estradiol. E essa conversão, ela pode ser importante evolutivamente para garantir um nível mínimo de estradiol, que pode ser eh ter uma função importante, por exemplo, paraa manutenção da saúde óssea.
Existe, portanto, uma queda abrupta dos níveis de estradiol. A progesterona talvez seja o hormônio que mais cai e fica em zero depois da menopausa, porque a mulher não vai mais ovular. E a progesterona é praticamente produzida só no corpo lútil pós ovulação.
E esse é um fenômeno que não existe mais. E a testosterona é um hormônio que fica em níveis ainda visíveis, dosáveis no sangue da mulher na pós-menopausa. Com o tempo, a contribuição da adrenal nos precursores paraa produção dos estrogênios, ela começa a reduzir e se torna inadequada.
Existe então uma baixa disponibilidade de estradiol e uma incapacidade de sustentar os tecidos, os órgãos que são dependentes de estradiol, que praticamente o nosso corpo tem receptor de estrogênio no corpo inteiro. E esse é um dos motivos pelo qual a atrofia vovaginal, o ressecamento vaginal, ele só piora com a idade, principalmente na mulher que não faz terapia de reposição hormonal. Agora vamos falar um pouquinho sobre o que acontece no corpo.
Quando nós falamos de menopausa, muitas pessoas pensam apenas nas ondas de calor, mas isso é só a ponta do iceberg. Há mais de 70 sinais e sintomas já descritos associados à menopausa. E é muito superficial a gente reduzi-la apenas aos fogachos.
Pense na endometriose. Assim como não se resume apenas a cólica menstrual até uma simples dor, como era achado no passado, a menopausa é muito mais complexa do que as ondas de calor. Pense nisso.
Você tá no pico da sua carreira, confiante, realizada, mas de repente entra numa reunião e começa a ter um calorão insuportável e constrangedor. se vê irritada, cansada, acordando às 3 da manhã com pijama todo molhado, desesperada porque tem que acordar ali algumas horas, às vezes tendo que cuidar dos filhos que podem ser pequenos e precisam da sua presença como mãe. O que era fácil de lembrar, agora fica quase impossível.
Você começa a esquecer o que ia fazer, às vezes vai pra cozinha, esquece o que ia pegar. As palavras não vêm mais à mente, esquece de alguns eventos, fica mais e mais difícil de se concentrar, de ler um livro, de responder um e-mail. E além disso, as calças começam a apertar, a cintura já não é mais a mesma.
As pacientes falam que muitas vezes estão se sentindo quadradas. Aquela cintura que ela tinha no passado já não é não é igual. A libido desapareceu, o sexo já não traz mais o mesmo prazer de antes, tem ressecamento vaginal, tem que ficar usando cada vez mais lubrificante.
E às vezes o a ideia de ter relação sexual é uma ideia muito dolorosa. O orgasmo muitas vezes já não é mais alcançado. Tem sentimentos de tristeza, medo, ansiedade, irritabilidade.
Tudo isso pode ser, pode vir junto de uma vez só. Os sintomas da menopausa, eles são diferentes para cada mulher, não só como você pode ter poucos sintomas ou quase todos, mas a intensidade deles também pode mudar bastante. E é aqui que o clínico, o ginecologista, treinado para isso, tem que ter um ouvido muito bom e um questionário muito bom para entender quais são os principais as principais queixas da paciente e o que a gente quer melhorar com o nosso tratamento.
Então, vamos lembrar quais são as principais os principais sintomas da menopausa. Primeiro, alterações do ciclo menstrual. Aqui pode acontecer de tudo.
Irregularidade do ciclo. O ciclo fica mais curto, depois fica mais longo. O fluxo menstrual, ele pode ficar, é muito comum ele encurtar o tempo de menstruação, justamente porque a produção hormonal tá menor e aí o endométrio ele é menos estimulado.
As menstruações às vezes ficam podem ficar mais prolongadas no início, depois elas começam a reduzir. E por fim existe a chamada amenorreia ou ausência de menstruação que culmina então com a menopausa. Claro, sintomas vasomotores, que são as famosas ondas de calor ou fogachos, que muitas vezes são acompanhados de sudorese noturna.
Então, como é que funciona isso? Cerca de 80% das mulheres têm ondas de calor, mas olha que olha que interessante, apenas 10 a 30% buscam ajuda médica. Muitas mulheres estão sofrendo.
Eu tenho certeza que você conhece alguma delas, ou até mesmo você é uma delas, que pode estar sofrendo com onda de calor e achando que isso é só um sintoma simples e que vai passar. Mas são episódios muitas vezes desconfortáveis, súbitos, de vaso dilatação, ou seja, os vasos da pele eles dilatam no tronco, no pescoço, na face. Geralmente nessa porção superior.
Podem durar de 1 a 5 minutos, podem acontecer durante o dia ou a noite, chegando até eh ter frequência muito elevada. Tem mulheres que têm ondas de calor a cada hora. Geralmente é acompanhado de de uma sudorese muito intensa, de aquecimento da pele, de um eritema, que a gente chama de uma vermelhidão.
Pode ter palpitação, calafrio e gerar uma ansiedade. Como que funciona isso? Qual o mecanismo?
A gente entende hoje que existe uma disfunção do centro chamado de termorregulatório no cérebro. a queda do estrogênio no hipotálamo, que é uma uma região do cérebro acima ali da hipófise, mais as alterações de dopamina, norepinefrina e serotonina levam mudanças centrais desses neurotransmissores e um aumento dessa reatividade vascular na periferia. Portanto, o estradiol, ele teria uma função protetora de acontecer essa desregulação.
É quase que, imagina que o nosso sensor ele começa a pifar e a presença do estradiol ajuda esse sensor ficar funcionando normalmente. É mais comum ter as ondas de calor na perimenopausa e perimenopausa tardia e nos primeiros anos pós-menopausa, mas acontece sim na transição menopausal e eles podem durar de 2 até 10 anos. Tem alguns casos descritos de 20 anos de ondas de calor.
Imagine 20 anos tendo ondas de calor que podem te acordar à noite e piorar muito a sua qualidade de vida. A gente estima que cerca de uma a cada cinco mulheres peçam demissão nessa fase da vida, muitas vezes por conta por conta dessas ondas de calor. Eh, e a frequência e intensidade são muitos muito variáveis.
depende muito da genética, do ambiente, da raça, do estilo de vida e de outros fatores como obesidade. É mais comum em pacientes negrans e que fumam. Um outro sintoma muito importante é a insônia.
Os distúrbios do sono na menopausa, nessa pega menopausa, são muito frequentes, desde uma dificuldade de iniciar o sono até um sono interrompido, uma dificuldade de manter o sono. A gente estima que pelo menos metade das mulheres na transição menopausal vão ter algum distúrbo de sono e é mais comum na fase tardia dessa transição menopausa. Quais são os mecanismos?
Tanto pela sudorese noturna, a onda de calor faz a mulher despertar. Isso frequentemente interrompe o sono e piora, claro, o ciclo do sono, mas também acontece nas mulheres que não têm ondas de calor. Existem, claro, vários fatores psicológicos e psiquiátricos comuns nessa fase da vida e que também afetam a a saúde do sono.
As alterações de humor também são muito comuns na permenopausa, desde irritabilidade, ansiedade e até depressão. Olha que interessante, a mulher tem mais que o dobro do risco de ter depressão nessa transição menopausal do que na pré-menopausa. Isso já tá bem documentado.
As mulheres mais vulneráveis, elas podem ter episódios ou recaída de ansiedade ou depressão na transição menopausal. E aquelas pacientes que tinham síndrome pré-menstrual, antigamente conhecida como TPM, isso pode ser um forte preditor de sintomas depressivos na transição menopausal. Então, temos que prestar muita atenção.
Existem as alterações cognitivas como perda de memória, dificuldade de concentração. A gente sabe que o risco de Alzheimer é duas a três vezes maior nas mulheres do que nos homens, principalmente na pós-menopausa, pelo efeito da queda do estradiol. O estradiol tem um efeito protetor contra as mudanças decorrentes da queda da serotonina e da depressão colinérgica.
Portanto, a terapia hormonal pode ser sim um aliado na proteção do risco de Alzheimer nas mulheres. Outros sintomas muito coms são sintomas chamados de urogenitais ou ginecológicos, como secura vaginal, dispararonia que a dor durante a relação sexual por conta de um ressecamento vaginal ou uma atrofia vaginal, perda da rugosidade da mucosa, as infecções urinárias começam a ser mais frequentes, começa a ter mais urgência urinária, que é aquela sensação de que tem que correr pro banheiro, senão vai perder xixi. e a incontinência urinária de esforço, que é a situação em que a mulher perde urina quando faz algum esforço, principalmente quando ela torce ou espirra.
Existe um conceito interessante que é a síndrome geniturinária da menopausa. O que que é isso? É uma atrofia volvo vaginal em que existe uma perda da flexibilidade, a cor fica mais pálida da mucosa e exige uma redução do volume da vagina.
O pH fica mais alcalino, lembrando que a vagina é um meio ácido e esse aumento do pH favorece a proliferação de bactérias. levando o aumento de infecções na uretra, infecção na bexiga e até infecções mais sérias como sepsi e pielonefrite, que é a infecção do rim. A secura vaginal é extremamente comum e tende a piorar se a mulher não faz reposição hormonal.
Pelo menos metade das mulheres vai ter algum sintoma de secura vaginal. A secura vaginal, ela é prevalente em pelo menos metade das mulheres, em níveis variados. E lembrando que a queda do estradiol, ela leva uma perda do colágeno, perda da gordura e desidratação.
A pele fica mais ressecada, levando um afinamento dessa região e atrofia da vagina, muitas vezes gerando ressecamento, coceira, chamado de plurido, dor na relação e até fechamento da vagina. Muitas vezes, algumas pacientes que não fazem reposição por muitos e muitos anos t até dificuldade de fazer um ultrassom transvaginal ou até um exame ginecológico simples, mesmo com espéculos pequenos. Sintomas músculoesqueléticos, esses são muito frequentes, desde dor muscular até dor articular.
Mais da metade das mulheres vai ter algum tipo de dor nesse sistema. Isso tá também associado a algumas situações em que a mulher pode ter um risco maior nessa fase da vida, como depressão, sobrepeso, obesidade, a as próprias ondas de calor. E a gente sabe que o estradiol ele é importante nas vias de sinalização de dor, no sistema imunológico e nos condrócitos.
E existe uma piora disso tudo quando existe a suspensão da reposição hormonal e alguns e o uso de alguns remédios como inibidores de aromatase que bloqueiam a a produção de estradiol. Os sintomas sexuais são muito prevalentes, como queda da libido e diminuição da resposta sexual, a excitação e o orgasmo. Os sintomas dermatológicos, afinamento da pele, a pele mais seca.
Existe uma perda do colágeno, da elasticidade e até da espessura da pele. As mulheres falam que a pele fica, quando você aperta, ela fica muito fina, ela está, entre aspas, envelhecida, mais enrugada, mais seca. Isso porque o estadiol ele reduz o turnover e melhora a qualidade do colágeno.
Tanto que hoje tem algumas empresas desenvolvendo estradiol tópico paraa mulher aplicar na face, melhorando então esse turnover do colágeno, essa qualidade do colágeno cutâneo. Algumas mulheres experimentam sintomas cardiovasculares, como palpitações e sensação de mal-estar torácico. E a gente sabe que também existem sintomas metabólicos clássicos, como aumento de peso, dificuldade de perder o peso, principalmente na região abdominal, diminuição da massa muscular ou até dificuldade de ganhar massa muscular, resistência insulínica, que é super importante e, portanto, até um aumento de riscos de diabetes tipo 2, e as alterações no perfil lipídico, como o aumento do LDL colesterol.
Agora, eu gostaria de trazer atenção para vocês para um ponto que é muito importante e que muitas vezes passa de uma forma silenciosa, que são os sintomas ósseos. Existe uma redução importante da densidade mineral óssea, levando à osteopenia ou osteoporose e assim um risco aumentado de fraturas. Olhem isso.
A taxa da densometria óssea, um exame simples que você pode fazer no laboratório, ela começa a cair cerca de 10% em 10 anos e o pico de perda ocorre um ano antes até da menopausa, até os dois anos seguintes. Isso por vários mecanismos, mas principalmente porque o estradiol tem uma função importante no metabolismo do osso, reduzindo então a reabsorção óssea, lembrando que o osso é um tecido vivo e que o nosso corpo muitas vezes fica reabsorvendo esse osso para trazer o cálcio pro corpo. E o estradiol tem uma função fundamental de manter a resiliência óssea.
Vamos falar então por fim quais são os impactos a longo prazo da menopausa. Primeiro deles é um aumento claro do risco de doenças cardiovasculares. A doença cardiovascular, ela em geral ocorre na mulher 10 anos mais tarde do que nos homens.
E o risco de AVC, ele dobra nos 10 primeiros anos após a menopausa e ultrapassa o risco dos homens nas idades mais avançadas. A gente acredita que aqui o impacto da queda hormonal, especialmente do estradiol, é fundamental. A menopausa precoce e a insuficiência ovariana prematura, ela tá implicada com risco maior, tanto que a menopausa precoce, ela envolve um risco maior de doença cardiovascular e mortalidade geral.
Essa é uma mulher que precisa fazer terapia hormonal. Os estrogênneos têm uma função fundamental na vasodilatação, na remodelação e na elasticidade da artéria e na regulação dessa dilatação e atividade local inflamatória. A queda do estradiol leva uma ativação do que a gente chama de sistema renina angiotensina, levando um aumento da regulação, que a gente chama de upulation da endotelina, que é um potente vaso constritor, e uma redução da ação do óxido nítrico, que é um potente vaso dilatador.
Em resumo, a queda do estradiol leva uma piora da saúde vascular, levando aumento do risco de doença cardiovascular. E aqui um parênteses, vamos lembrar que a doença cardiovascular é hoje a doença crônica que mais mata a população no mundo, disparadamente muito mais do que câncer, juntando todos os cânceres. O impacto na saúde óssea é fundamental.
a gente estima que metade das mulheres vão ter alguma fratura óssea na vida, não só osteoporose, mas fratura. E isso decorre muito da baixa densidade mineral óssea que se acentua na menopausa. Existe uma piora da cognição e do aumento do risco da Alzheimer no longo prazo.
O principal efeito no do estradiol no sistema nervocentral é no córtex pré-frontal, no hipocampo e no corpo estreado. Em outras palavras, existe um impacto no controle do aprendizado, do registro e lembrança de informações, do julgamento, do processo de avaliação, da habilidade com linguagem, do que a gente chama de função executiva. E a mulher que atravessa a perenopausa sente muito isso.
O estradiol tem ações genômicas e até não genômicas que levam ao crescimento e sobrevivência dos neurônios, melhoram a transmissão e a função neural e a chamada sinaptogênese, a criação de sinapses. Então, em resumo, o estradiol ele tem uma função super importante na saúde cerebral, na saúde cognitiva e mental, reduzindo a resposta inflamatória local, levando a menos distrofia e menos demência. E resultando então numa melhora da memória e da fluência verbal.
Como então é feito o diagnóstico da menopausa? O diagnóstico ele é clínico, é super simples. É lógico que se você tá um ano sem menstruar e você tem útero, você teve a menopausa um ano atrás.
Mas nem sempre ele é tão óbvio. Por exemplo, pacientes que não t útero, fizeram alguma cirurgia, pacientes que fizeram uma ablação endometrial e, portanto, o endométrio não funciona mais, você não menstrua mais, pacientes que usam di hormonal como Carlina Milena. Aqui a gente perde o parâmetro do fluxo menstrual e os exames de sangue podem nos ajudar.
Normalmente quando a gente dose o FSH, que é o hormônio folículo estimulante, é aquele sinal do da hipófise pro ovário produzir e crescer os folículos dominantes. Geralmente esse esse hormônio ele tá acima de 30. O LH, que é o hormônio lutenizante, que deflaga a ovulação, também costuma estar alto.
O estradiol costuma est baixo, mas lembrando, dependendo da fase que você colhe, ele pode estar alto porque você estava ovulando naquele mês. A progesterona costuma est baixa, baixa de um. O hormônio antimileriano, que é um marcador de reserva de óvulos, costuma est abaixo de 0.
05. Basicamente, esses são os exames de sangue que a gente pode pedir nessa fase. Não são obrigatórios.
Se você vai fazer um ultrassom transvaginal com contagem de folículos, geralmente essa contagem tá baixa, mas não necessariamente está zero. Às vezes você tem um folículo ou dois folículos, mas não quer dizer que você está ovulando. Eles simplesmente estão ali, mas não necessariamente estão respondendo ao sinal da hipófise, que é o FCH.
E geralmente o volume ovariano e a espessura do estroma do ovário estão menores, mas esse não é um bom parâmetro no ultrassom. Então, em linhas gerais, o diagnóstico ele é clínico, mas muitas vezes a gente usa exame de sangue até para entender que fase a mulher está atravessando e principalmente nas pacientes que não tem útero e a gente ou perde o parâmetro da menstruação. Uma dúvida muito frequente é: será que vale a pena a gente pensar em prevenção da menopausa?
Eu recebo algumas pacientes do consultório que perguntam: "Doutor, o que que a gente pode fazer para prevenir? Porque eu não, eu não tive menopausa, meus ciclos estão regulares, mas eu não quero sofrer como a minha mãe sofreu. Será que vale a pena a gente fazer alguma coisa antes?
Então, a primeira coisa é evitar o que vai levar uma antecipação da menopausa, né? E a gente sabe que existem alguns fatores de risco pra menopausa mais precoce, como divórcio dos pais, baixo nível socioeconômico, tabagismo, né? O cigarro claramente piora a reserva de óvulos e as pacientes que fumam mais de 15 cigarros por dia podem antecipar a menopausa em até 4 anos.
A nutrição pós-natal recém-nascida, que teve um aleitamento materno, ela tende a ter uma menopausa mais tardia, ao passo que as as recém-nascidas com baixo peso até os 2 anos de idade, em geral tem uma menopausa mais precoce. Isso muitas vezes reflete a desnutrição e, claro, a restrição calórica grave também tá associado a isso. Eh, a gente viu isso muito em períodos de guerra, né?
aquelas meninas que passaram por e ali na década de 40, 30, 40, elas sofreram muito e geralmente isso é uma geração de mulheres que teve ali menopausa precoce. Depois disso tudo, você pode pensar que a menopausa é uma avalanche de sintomas e sinais ruins. Ela pode acontecer com uma série de de fatores negativos, mas ela pode ser sim uma grande oportunidade.
E eu convido a você a pensar no seguinte. A espécie humana hoje morre basicamente de doenças crônicas. As principais são doença cardiovascular, infarto AVC, câncer, Alzheimer.
As doenças metabólicas como diabetes tipo 2, esteatoepatite, esteatose hepática não alcoólica e as quedas, principalmente acidentes ou quedas nessa população, quedas muitas vezes da própria altura com fratura, por exemplo, do quadril e uma taxa altíssima de mortalidade no ano que se segue. E a menopausa, ela marca sim um fim do período reprodutivo, mas ele marca também um começo, se a gente não tomar cuidado, de uma fase de muito aumento de doença crônica. As principais são essas que a gente acabou de falar.
E esse é o momento que o ginecologista e o médico clínico geral tem que prestar muito atenção, porque se a gente olhar a paciente que atravessa a transição menopausal como uma grande oportunidade para promover saúde e muitas vezes de falar de terapia hormonal, falar abertamente sobre os possíveis benefícios, sim como prevenção de doença crônica, a gente vai entregar muito mais longevidade para pelo menos metade da população da Terra. Então, a menopausa, ela não deve ser percebida como um sinal de declínio irreparável, mas sim como um novo capítulo na vida, que deve ser bem-vindo e mais bem planejado para garantir uma boa saúde e um ótimo bem-estar nos próximos anos.