[Música] Olá, meu nome é Ana Cláudia, sou professora de imunologia e na aula de hoje nós vamos falar sobre os tipos de vacinas e um pouco sobre as plataformas utilizadas nos seus desenvolvimentos. Antes de a gente falar sobre esses tipos de vacina, vamos compreender, então, primeiro, como que o nosso organismo desenvolve uma imunidade específica e duradoura para conferir uma proteção contra um agente patogênico. Lembrando, que essa imunidade específica, ela é também chamada de imunidade adaptativa.
Durante a vida, o indivíduo, ele pode adquirir esse tipo de proteção basicamente através de três maneiras: seja através do contato do indivíduo com o antígeno ou naturalmente ou por meio de uma infecção né ou artificialmente, através da vacinação. Essa imunidade, ela é chamada imunidade ativa. Normalmente, ela persiste por muitos anos ou até mesmo pela vida inteira, né?
Graças às células imunes, que a gente chama imunidade de memória, como a gente explicou em aulas anteriores. E o indivíduo, ele pode adquirir essa proteção imune específica, também, por meio da transferência de anticorpos de um indivíduo já imunizado para um outro não imunizado. Essa é chamada imunidade passiva.
A imunidade passiva, ela pode ocorrer naturalmente, como, por exemplo, a passagem de anticorpos IgG, pela placenta ou pelo leite materno ou, então, essa imunidade passiva, ela pode ser adquirida de uma forma artificial, através, então, da administração de anticorpos prontos. Por exemplo, um exemplo da imunidade passiva artificial é a administração de soros, por exemplo, antitetânico, antibotulínico, antiofídico, né? E que eles agem neutralizando a toxina liberada pelos seus respectivos patógenos Embora eficaz, essa forma de imunidade, ela confere uma proteção que é temporária, que se perde ao longo do tempo, uma vez que esses anticorpos adquiridos, eles degradam-se um período de semanas ou a meses.
Da mesma forma, a transferência adotiva de células imunes específicas contra um patógeno também confere algum grau de proteção, embora, também, seja temporário. A transfusão sanguínea, por exemplo, é um tipo de aquisição de imunidade adquirida, embora, não seja esse o objetivo principal. Então, assim, na imunidade ativa, uma resposta imune adquirida, ela é desencadeada a partir da infecção ou da administração de uma vacina, né?
Ela é específica e duradoura uma vez que o organismo desenvolve essa memória imunológica e esse é o tipo de resposta desejada ao se desenvolver uma vacina. Já a imunidade passiva, né? Obtida a partir da administração de anticorpos contra o patógeno, como a gente já falou, ela confere uma proteção no curto prazo.
Por quê? Porque não existe o desenvolvimento de uma resposta imune pelo indivíduo, não havendo, portanto, o desenvolvimento da memória imunológica. Então, retornando ao foco do nosso estudo, as vacinas são, então, o que?
São produtos farmacêuticos que contém um ou mais agentes imunizantes. Ou seja, que vão desencadear uma resposta imunológica e eles podem estar em diversas formas biológicas usados para induzir uma resposta imune protetora contra uma infecção. Para isso, é necessário que essa vacina induza uma resposta imune específica e duradoura.
Além disso, ela tem que atender os requisitos básicos que vão possibilitar a sua produção e comercialização. Além da sua utilização com segurança pela população alvo. E o que que seriam, então, esses requisitos?
Primeira coisa: a vacina tem que ser efetivamente segura, podendo, então, ser administrada com segurança em populações de todas as faixas etárias, incluindo aí, também, os pacientes imunocomprometidos. Então, a segurança é um dos principais pressupostos para o sucesso da adesão de uma vacina aos programas de imunização. E essa condição, ela levou a criação de um sistema de vigilância de eventos adversos que possa ocorrer após a vacinação.
Em diversos países tem sido muito perceptível uma expectativa crescente da população em relação à segurança das vacinas, principalmente, por ela ser administradas a pessoa sadias, né? Então, apesar do evidente sucesso dos esquemas de vacinação no controle de diversos doenças infecciosas, a valorização excessiva dos raros efeitos adversos atribuídos às vacinas, tem prejudicado, sobremaneira, os programas de vacinação, muitas vezes com a disseminação de informações falsas que incitam a desconfiança acerca da segurança das vacinas. E nós, como profissionais farmacêuticos, né?
Nós temos o papel de esclarecer a população através de informações seguras, verídicas, né? Contribuindo, assim, para ampliar a cobertura vacinal no Brasil. Então, uma vez segura, a vacina precisa ser imunogênica.
O que significa que os antígenos nela presentes, eles devem induzir uma resposta imune eficaz e duradoura na população alvo. Para isso, esses antígenos, eles têm que ser reconhecidos pelo organismo, ativando, então, células da imunidade inata e, também, da imunidade adquirida, né? Resultando na produção de anticorpos neutralizantes e de células imunes de memória.
Então, nesse sentido, o grande desafio é obter uma vacina que ela seja fortemente imunogênica, mas que, também, resulte em poucos efeitos colaterais. Então, o ideal é que a resposta imune protetora, ela seja induzida com apenas uma dose da vacina ou, no máximo, duas. Além disso, é também desejável que essa indução ela ocorra em no máximo duas semanas após a sua administração.
A estabilidade, ela é outra característica que também deve estar presente numa vacina, né? O ideal é que essa estabilidade se mantenha mesmo diante de variações de temperatura, né? De forma que a vacina possa ser armazenada em condições pouco restritas, garantindo a sua segurança, eficácia, em todas as etapas de distribuição, né?
E isso também favorece a logística da sua distribuição, aumentando, então, o alcance da sua administração. Outro requisito também importante para o sucesso de uma vacina é sua viabilidade comercial, né? Para isso, a sua produção, ela deve envolver processos simples, de baixo custo e que favoreçam a sua produção em larga escala.
E, finalmente, mas não menos importante, a vacina deve permitir que a sua administração seja feita concomitante a outras vacinas, né? Estejam elas presentes na mesma formulação ou não. Então, essa condição, ela deve ser sempre priorizada, né?
Por quê? Porque ela contribui significativamente para o aumento da cobertura vacinal, principalmente, porque ela reduz as idas ao posto, ela reduz o risco de traumas e os erros de vacinação. Assim, então, é recomendado que o profissional de saúde estimule a administração de múltiplas vacinas, sobretudo, em crianças, né?
Sempre que essa combinação seja permitida. Então, embora diversas vacinas licenciadas, atualmente, apresentem muitas das características que a gente citou, nenhuma delas preenche totalmente esses requisitos. E, de acordo com as estratégias ou a preparação dos antígenos vacinais, as vacinas, elas podem ser classificadas em três grandes grupos: nas vacinas vivas atenuadas, o patógeno, ele se encontra ativo e tem capacidade de estimular o sistema imune, mas ele está impossibilitado de causar a doença, uma vez que a sua virulência é significantemente reduzida, através de um processo de atenuação.
A atenuação dos microrganismos, ela pode ser realizada a partir de diversas metodologias, sendo que as mais comuns, elas utilizam passagem sucessivas em cultura celular ou em ovos embrionados, né? Resultando, então, em cepas menos virulentas. Então, como exemplo de vacinas vivas atenuadas, nós temos aquelas utilizadas para prevenção de febre amarela e de sarampo, caxumba, rubéola e varicela - catapora, né?
Os vírus, então, são cultivados em ovos embrionados, são atenuados através do cultivo em ovos embrionados, né? Outro exemplo é a vacina oral contra poliomielite, que é a Sabin, né? Nela, o vírus é cultivado e atenuado em células vero, né?
Que é uma linhagem celular isolada de células renais de macacos. Nesse grupo, também de vacinas vivas atenuadas, tá incluída a BCG, né? A BCG, o que que é?
Uma vacina composta por um microorganismo não patogênico, que é o mycobacterium bovis, ele tá atenuado, né? Ele é obtido a partir de bovinos e esses antígenos são utilizados na produção da vacina contra tuberculose. Então, assim, o processo de desenvolvimento das vacinas vivas, ele deve ser muito criterioso, de forma que atenuação desse microrganismo permita que ele seja replicado, de forma suficiente, que ele induz uma resposta imune robusta, porém, isso tem que acontecer de forma segura, sem o risco desse micro-organismo causar a doença clínica.
Então, atualmente, o conhecimento da patogênese molecular de diversas doenças infecciosas tem possibilitado a atenuação de micro-organismos de uma forma muito mais segura. Por que? Porque, a partir daí, consegue-se fazer deleções pontuais, específicas, de genes que estão envolvidos na patogenicidade.
Essa manipulação genética, ela resulta em mutantes atenuados que apresentam menor risco de reversão da virulência, embora, então, a sua viabilidade e imunogenicidade sejam preservadas. Um exemplo disso é uma tecnologia que é usada na vacina oral para prevenção de cólera. E, ainda, então, no grupo de vacinas vivas atenuadas estão, também, incluídas, aquelas que usam vetor viral recombinante.
Tem uma sigla que é o VVR. Esses vetores, eles são vírus não patogênicos, não replicantes, estão atenuados, mas são capazes de produzir antígenos de outros patógenos, quando inoculados em um indivíduo. Então, essas vacinas elas resultam numa expressão prolongada e eficiente desses antígenos, induzindo, então, uma resposta imune humoral e celular eficaz.
Essa tecnologia, ela já vinha sendo pesquisada para prevenção de Zika, Chikungunya e também para o Sars Cov 1. Mas ela ganhou destaque durante a pandemia de Covid-19. Sendo, então, essa, a plataforma empregada na vacina, que é chamada de Oxford, pela farmacêutica AstraZeneca.
Ela utiliza adenovírus de chimpanzé, com vetor viral não replicante. Já as plataformas vacinais que empregam ácido nucleico, elas baseiam-se na inserção do RNA ou do DNA responsável pela codificação da porção antigênica que induz a imunidade protetora. Então, essa tecnologia, ela oferece diversas vantagens, quando comparadas as tecnologias tradicionais, além de estimular, tanto linfócitos T, quanto linfócitos B, a ausência do agente infeccioso oferece uma maior segurança, uma vez que não vai causar a doença.
Elas também são muito versáteis e elas podem ser facilmente adaptadas e produzidas em larga escala, em caso de patógenos emergentes. E isso foi o que permitiu o desenvolvimento inédito, em tempo recorde, das vacinas contra a Covid-19 pelas farmacêuticas Pfizer, BioNTech e pela Moderna. Ambas as farmacêuticas utilizaram essa plataforma.
Usaram formulações que utilizam nano partículas para inserir o RNA na célula da pessoa. As vacinas inativadas, elas já surgiram da noção que a imunidade protetora a alguns patógenos, ela pode ser obtida a partir de uma resposta imunológica direcionada em um único alvo como, por exemplo, uma toxina, ou ainda, componentes estruturais do micro-organismo. A primeira vantagem dessas vacinas, então, o que que é?
É segurança, uma vez que o patógeno está morto ou são partes do patógeno. Então, é nula a possibilidade de virulência desse micro-organismo. No entanto, geralmente, é necessário a administração de mais doses para induzir uma resposta imune adequada.
E, além disso, algumas vezes, essa resposta ainda precisa ser novamente estimulada através de reforços da vacina. Elas, então, são de fácil estocagem, transporte e na sua formulação geralmente contém uma substância adjuvante, com a função de aumentar sua imunogenicidade. Então, os componentes antigênicos, eles podem estar presentes nessas vacinas inativadas de diferentes formas.
Então, a gente pode pode ter uma vacina inteira, que contém o que? O micro-organismo completo morto inativado por processos químicos ou por processos físicos. Um exemplo são as vacinas inativadas contra poliomielite, que contém os tipos 1, 2 e 3 do poliovírus, cultivados em células vero, e são inativados por com formaldeído, quimicamente.
Temos, também, as vacinas de subunidades. Elas são compostas por uma ou mais partes do patógeno que correspondam aos determinantes antigênicos desse patógeno e ainda, dependendo da natureza, as vacinas de subunidades, elas podem ainda ser subdivididas, por exemplo, vacinas de toxoides, elas são obtidas a partir de toxinas naturais, purificadas e inativadas do patógeno. Um exemplo, é o toxóide diftérico, toxóide tetânico, né?
Que compõem as vacinas de difteria e de tétano. Então, as vacinas de subunidades, elas podem, também, ser compostas por vacinas polissacarídicas. O que que elas contém?
Apresentam polissacarides purificados da cápsula ou da membrana do agente infeccioso. Essas vacinas, elas têm como desvantagem a indução de uma resposta protetora pouco duradoura. Sendo, então, pior em crianças menores de dois anos.
Essa resposta ela é pouco eficaz e não é recomendável para essa faixa etária. Já, por exemplo, nós temos a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente. Ela previne contra doenças causadas por 23 tipos de pneumococos, mas ela não é recomendada para crianças abaixo de dois anos.
Temos, também, as vacinas polissacarídicas conjugadas. O que que são? Elas são compostas por polissacarides purificados de cápsula, né?
E que estão quimicamente conjugados a uma proteína carreadora, que geralmente é o toxóide tetânico ou diftérico ou, ainda, uma proteína mutante derivada desses toxóides, por exemplo, tem um mutante atóxico, da toxina diftérica, chamado CRM 197. Essas vacinas polissacarídicas conjugadas, elas foram desenvolvidas com objetivo de obter antígenos com maior peso molecular, produzindo, assim, uma resposta imunológica mais eficaz e capaz de induzir uma memória duradoura. Elas são eficazes mesmo em menores de dois anos.
Por exemplo, nós temos a vacina pneumocócica conjugada 10-valente. Ela é composta por polissacarídeos purificados de cápsulas de 10 sorotipos do streptococcus pneumoniae, sendo que oito deles são conjugados com a proteína D, do hemofiss influencer, tipo B, e um é conjugado com toxóide tetânico e o outro com toxóide diftérico. Temos, também, a vacina pneumocócica conjugada 13-valente e outro exemplo é a vacina meningocócica conjugada quadrivalente, que é a CWY.
O que que ela contém? Antígeno das cápsulas dos sorogrupos ACWY da varicela meningite e eles estão conjugados a uma proteína. Dependendo do fabricante, essa proteína pode ser o toxóide tetânico, o diftérico ou, então, a proteína mutante CRM 97.
Essa vacina, então, previne meningites e infecções generalizadas, causadas pelos tipos ACWY, do meningococo. Nós temos, também, dentro das vacinas de subunidades, as vacinas proteicas recombinantes. São vacinas de subunidades produzidas por uma técnica de engenharia genética, onde outros micro-organismos são programados para produzir a proteína antigénica desejada.
Por exemplo, a vacina da Hepatite B. O que que ela é? Ela é composta por um fragmento purificado da proteína do envelope viral do vírus da Hepatite B.
E esse fragmento, esse antígeno, ele é produzido por uma levedura modificada geneticamente. Dentre as vacinas proteicas recombinantes, estão incluídas aquelas que empregam partículas que mimetizam estruturas das partículas virais. São as chamadas Virus-like particle (VLP), que são desprovidas de material genético e de outras proteínas virais.
Mas elas apresentam, elas contém proteínas imunogênicas preservadas. Um exemplo é a produção das vacinas contra o HPV. Então, esse é um tipo de classificação, mas as vacinas elas, também, podem ser classificadas de acordo com o número e a natureza do antígeno nelas presentes.
Então, por exemplo, nós temos as vacinas monovalentes. Elas possuem na sua formulação antígenos de um único micro-organismo. Então, elas induzem uma resposta protetora contra apenas um patógeno.
Ela deve ser administrada somente em casos específicos. Um exemplo é a vacina contra hepatite A. Nós temos, também, as vacinas polivalentes.
Elas possuem na formulação antígenos de duas ou mais cepas, porém de um mesmo micro-organismo. Por exemplo, as vacinas contra a influenza, trivalente ou a quadrivalente. A quadrivalente tem proteínas de duas cepas do vírus Influenza A e duas do vírus influenza B.
Nós temos ainda as vacinas combinadas. Elas contém uma associação de antígenos provenientes de dois ou mais micro-organismos diferentes. Sua aplicação, então, tem como objetivo facilitar a proteção contra mais de uma doença numa mesma aplicação.
Então, ela deve ser sempre a primeira escolha, sempre que possível. Por exemplo, nós temos a vacina Tríplice bacteriana celular do tipo adulto juntamente com poliomielite, né? Ela é composta pelos poliovírus 1, 2, 3, inativados e, juntamente, ela apresenta subunidades de toxóides diftérico, tetânico e, também, por componentes da cápsula da bactéria da bordetela pertussie, causadora da coqueluche.
E temos, ainda, um outro exemplo: a vacina pentavalente A celular, né? Ela inclui a tríplice bacteriana celular, né? Contra difteria, tétano e coqueluche.
Ela contém vírus inativados também da poliomielite, né? Tipo 1, 2 e 3. E ela contém, ainda, um componente do hemofitos influenza do tipo B conjugado.
Então, pessoal, a gente pode perceber que são diversos os tipos de plataformas de desenvolvimento de vacina, né? E, com os avanços da recombinação genética de tecnologia, essas plataformas, elas evoluem a cada dia. Um assunto que está sempre se renovando e precisa ser atualizado.
Então, nós como profissionais farmacêuticos que atuamos na área de vacinação devemos sempre estar atualizados sobre este assunto. E para que você amplie seu conhecimento, obtenha mais informações, tire suas dúvidas, né? Eu sugiro que você aprimore esse assunto a partir das leituras complementares sugeridas.
Bons estudos e boa sorte! Até a próxima!