Oi pessoal muito boa tarde bem-vindos bem-vindas uma satisfação tá aqui com vocês hoje pra gente ouvir esse diálogo aqui entre nossos queridos luí e a querida Helena a o encontro para amanhã né como a Stephany tava falando é justamente essa essa oportunidade né que a gente tem eh de de encontrar diferentes pessoas diferentes vozes a gente entende Museu como uma zona de contato né um ponto de Encontro e e o museu da amanhã pra gente Esse nome amanhã ele é menos um tempo ou um lugar no futuro e mais uma coisa que que mora em
nós e a gente acha que essa sementinha do amanhã ela Brota a partir de encontro e daí por isso esse nome encontro pro amanhã e esse de hoje né esse tema inteligências né o nosso tema aí dos últimos 2 anos a a no passado e esse ano a gente tá tendo inteligências como tema central e a gente achou por bem a nessa tarde de hoje ah discutir Utopias essa palavra utopia ela tem uma vou contar Uma Breve História para vocês aqui que eu não sei se vocês sabem mas uma de certa maneira a palavra utopia
ela nasce aqui na baia de Guanabara ela teve o navegante Américo Vespúcio em 1502 comissionado pela pela pela coroa portuguesa ele para na baia de Guanabara e vê o modo de vida Tupinambá e escreve uma carta linda chamada o novo mundo pros seus Mecenas e nessa carta ele fala dessa sociedade que vive em Amor à natureza em amor ao próximo ele foi recebido com festa e que as pessoas também se amavam dizer ele que todas pessoas de um e do outro sexo andavam nuas Isso numa época de uma Europa cheia de roupa era para ele
uma medida de ao amor então é essa forma de viver dentro dessa Trindade do amor inspira ele uma visão de futuro que ele bota nessa carta Então esse essa carta inspira o livro Utopia que o Thomas escreve 1 anos depois e Utopia essa Palavra no grego topos é lugar e o u é misterioso que uma eutopia é um lugar verdadeiro uma Utopia seria um não lugar eu gosto de acreditar que a Utopia é esse não lugar é um é um estado futuro um amanhã que se deseja e eu tenho a impressão também que esse desejo
ele precisa ser vamos chamar de educado Ah e ele se educa através de conversa através de escuta Ouvindo pessoas que a gente julga que são diferentes da gente ouvindo pessoas que são parecidas com a gente ouvindo as plantas ouvindo os animais a o nosso desejo a nossa visão sobre o futuro se expande e hoje a dupla que a gente tem aqui para conversar conosco eu tenho para mim que são vozes muito importante nisso escutando Helena escutando Simas os nossos Horizontes se Lar eles vão falar pra gente um pouco hoje sobre arte De rua eles vão
falar sobre sobre carnaval e talvez ter poucas coisas mais utópicas do que o Carnaval que quando a gente consegue imaginar E se imaginar diferente e imaginar mundos diferentes então sem mais delongas vou devolver aqui pra minha querida Stephanie chamar dupla que vai fazer a gente sonhar o tópico por favor [Aplausos] OB então gente seguindo um pouco né O Que o Fábio falou pra gente também eu vou falar um pouco sobre o encontro de hoje eh que tem aí como tema inteligências e utopia o carnaval e outras festas populares também são mais que celebrações passag são
territórios de disputa de reinvenção e afirmação da vida nesse encontro de hoje Elena Teodoro e Luís Antônio Simas mergulham nas Encruzilhadas entre festa e política explorando o samba a rua e os Corpos em movimento e como eles atualizam saberes ancestrais e criam caminhos para futuros possíveis a partir dessas inteligências forjadas na vivência e na resistência o convite é para pensar o amanhã como uma construção coletiva Aonde a alegria é uma tática e a Utopia uma necessidade A Utopia não é um Horizonte inalcançável eh e nem uma ilusão romântica né como o Fábio comentou com a
gente ela é um Exercício de criação radical do presente para quem constrói a vida nas Encruzilhadas da festa do Samba e das manifestações populares A Utopia não se projeta apenas no distante mas se manifesta na potência do agora no corpo que dança na batida que resiste na rua que se transforma em território de invenção as inteligências Que forjam essas utopias não cabem nos modelos hegemônicos de conhecimento porque elas são orgânicas fluidas e Ancestrais se a idade tentou reduzir a inteligência a cálculo e a técnica as ruas seguem provando que há saberes que se expressam pelo
corpo pela coletividade e sim pelo improviso o carnaval as rodas de samba o cortejo e muitas outras celebrações são verdadeiros laboratórios de futuro onde se ensaia com alegria em subordinação a possibilidade de outro mundo nesse encontro de hoje Helena Teodoro e Luiz Antônio Simas atravessam essas Perspectivas em que festa e política se entrelaçam mostrando como a inteligência Coletiva dos povos que resistem se converte em projeto de Futuro A Utopia afinal não é uma espera passiva é o ensaio vibrante do que podemos construir juntos então para iniciarmos estas e outras reflexões para o diálogo duas incríveis
referências sobre essas celebrações políticas gostaria de chamar para ocuparem seus lugares com o aplauso de Vocês luí antnio Simas [Aplausos] [Aplausos] oca filho e neto de pernambucanos e alagoanas mestre em história social pela UFRJ professor de história educador Popular escritor poeta e compositor tem mais de 30 livros publicados sobre culturas de rua do Brasil desde a publicação do seu primeiro livro O Vidente milp da Folha Seca em 2009 foi finalista do prêmio Jabuti em três Ocasiões com as obras coisas nossas de 2017 o corpo Encantado das ruas em 2019 e sonetos de birosca e poemas
de terreiro em 2022 seu primeiro livro Esse foi foi seu primeiro livro de poesia foi ganhador do mesmo prêmio na categoria livro do ano de 2016 em parceria com Nei Lópes pelo dicionário da história social do Samba em 2015 suas canções foram gravadas por artistas como Maria Rita Marcelo D2 Rita bened Dino e Fabiana Ca também atuou como curador das Exposições crônicas cariocas no museu de de arte do Rio ao lado de Conceição Evaristo ele fez também sema samba corpos e atravessamentos junto a Nei Lopes e com curadoria artística e projeto museográfico dos carnavalescos Leonardo
Bora e Gabriel hadad e aos heróis da Liberdade Museu do Samba com gringo Cardia mantém há mais de 15 anos projetos populares de aulas Públicas em ruas praças botequins coretos e quadras de escolas de samba e também terreiros agora para est com a gente acompanhar o cimas nessa mesa eu chamo a Helena [Aplausos] Teodoro Elena Teodoro é escritora filósofa e recebeu a a medalha ir dentes em 2024 assim como a medalha Chiquinha Gonzaga no mesmo ano é professora visitante do ifix UFRJ e presidente do Conselho deliberativo do fundo elas autora da trilogia as matriarcas com
as peças mãe de santo mãe baiana e mãe preta é autora do livro mito e espiritualidade mulheres negras de 1996 o Beis e o carnaval de 2009 e Iã Rainha dos Ventos e das tempestades de 2010 assim como Martinho da Vila reflexos no espelho de 2018 e agora para mediar essa mesa e tá aqui com a gente nessa conversa eu chamo a Patrícia Nascimento [Aplausos] a Patrícia Nascimento é advogada especializada em Direito cultural pós graduada em gestão do entretenimento e e atualmente cursa o MBA em gestão de museus e inovação com a trajetória como produtora
e gestora de projetos culturais hoje como gerente de recursos incentivados do IDG do sua paixão pelo carnaval é uma herança familiar sua avó foi fundadora de escola de samba e sua mãe foi por Muitos anos diretora jurídica do Acadêmicos do Salgueiro acho que temos salgueirenses [Aplausos] e Patrícia e sua mãe desfilam eh como diretoras da da agremiação atualmente Patrícia também contribui com os projetos culturais da escola antes da gente começar eu aproveito para dizer eh que nós temos um sistemas de de perguntas que vocês podem enviar através do k code ali que tá no o
Telão a Patrícia vai receber e vai ler ali quando a gente abrir para as perguntas eh é isso gente obrigada por vocês estarem aqui agora eu vou dar início Patrícia pode começar obrigada a ótimo encontro pra [Aplausos] gente boa tarde tá funcionando tá eh meu nome é Patrícia vou vou começar com a minha autodescrição eu sou uma mulher negra estou de ca de 1,53 de altura não Espalhe tenho est de calças eh calça conferida preta uma camiseta preta um um casaco tipo kimono preto e branco cabelos caracolados tipo 3c castanhos escuros vou estar usando óculos
cada vez que eu precisar ler estou felicíssima e emocionadíssima e vou fingir costume enquanto tento fazer a mediação eh queria agradecer escano Cristiano Camila Daniel toda a equipe do museu e do IDG que me convidou para est aqui hoje queria começar com a Professora eh pedindo para fazer sua autoinscrição e falando um pouco sobre o tema da da nossa conversa de hoje que stepan falou aqui da cultura do carnaval e a colaboração do carnaval e da cultura popular pra Construção de Novos Sonhos de novos futuros novas possibilidades professora a gente quer te ouvir Boa tarde
para todos para todas para todes é um prazer enorme estar aqui no Museu da manhã para falar do ontem do Hoje e do amanhã eu sou uma mulher negra uso cabelo de trancinhas coloridas vermelhas amarelas marrons pretas na altura das orelhas eu estou com um vestido de ced da bege com estampado de flores vermelhas presente do marido pelos aniversário de casamento 3 anos quase né 29 anos Ontem e estou com colar de marfim e um signo de dcra que ganhei do da Embaixada de Angola que representa sabedoria muito honrada por recebê eh tem 1,60 m
de altura temho 8.1 18 a contrário e tenho um prazer muito grande de ter sido en rista do Salgueiro em 2022 com enredo resistência e a homenagem maior que uma mulher negra pode ter Fui o enredo da Mocidade da Moca nesse ano que passou 2024 em São Paulo foi a Helena porque eu sou uma mulher de terreiro sou de ansan e anan de B como trabalho com filosofia e filosofias ancestrais trago para vocês uma visão dessa coisa do ópus do lugar que a gente imagina que e foi o grande ponto de luta de resistência da
comunidade Negra nesse país a Europa inventou n é criou a Utopia de Africanos Asiáticos oceânicos como sendo selvagens mas com o processo escravagista a partir do século X os que foram escravizados e vieram para as Américas mantiveram a presença de sua inteligência criando suas próprias utopias E aí a gente vê como o carnaval Se vocês forem olhar os enredos desse ano vocês vão ver como essa memória ancestral tá presente é alguma coisa que dentro da filosofia Africana vem com cada criança que nasce cada criança que nasce é um ancestral que volta dentro do mundo ocidental
que inventou uma ciência dizendo que era a única que era a dele cada um seria um corpo feito um balde vazio que receberia os conhecimentos na casa na sua família na sua comunidade na escola e nos meios de comunicação na nossa tradição africana nós não somos um balde vazio nós trazemos memórias ancestrais Não trazemos apenas os aspectos físicos dos nossos pais avós bisavós Nós trazemos também experiências sentimentos memórias e isso faz com que muitas vezes a gente acha que tem uma ideia brilhante e essa ideia brilhante é uma memória ancestral que vinha lá detrás de
outros lugares que a gente nunca viu mas quando a gente chega a gente tem impressão que já conhecia aquele espaço Eu acho que cada um de vocês já deve ter passado em situações assim de chegar a um lugar que tem certeza que nunca tinha ido e ter certeza que já conhecia isso é memória ancestral e a inteligência que a gente encontra nessa memória ancestral traz para nós as grandes filhas de rainhas que para cá vieram e que trazem a memória de uma rainha Ininga de Angola que se rende aos portugueses mas que olha para a
igreja Católica e vê o seu culto de sirum Seu culto de ancestralidade em Angola e ela concorda em se batizar com nome de ergueu uma igreja para Santana mas ela seleciona os seus ancestrais Santos negros e ela coloca os seus atabaques no adro da igreja porque é com o tambor que representa coração batendo que a gente evoca os corações que não estão batendo mais perto de nós mas que a sua espiritualidade se mantém em nós e aí a gente tem hoje as congadas Lembrando Exatamente esse ato de integração e de transformação que a rainha nzinga
faz para nós e inclusive ela treina os seus guerreiros para se não temos armas vamos usar o nosso corpo como arma e aí a gente tem a capoeira fazendo com que dentro da criatividade africana se você não tem se a escassez como diz o meu companheiro Simas a gente cria com mais facilidade gente filosofar é viver a Gente traz todo um processo que vem lá do Ocidente que diz que penso logo existo a gente na tradição africana vive o contrário existo logo penso filosofar é viver é conhecer é modificar é Recordar é lidar com o
real e é ter muita alegria e muita força de vida então vejam bem nas utopias modernas a gente tem um nome que eu não posso deixar de falar aliás são dois nomes muito importantes que Trazem da nossa ancestralidade seja lélia Gonzales que estaria completando aniversário agora que nos deu to uma visão de como hoje a gente fala prog guês tem mais de 2500 palavras bantas que o nosso parceiro Nei Lopes Coloca no seu dicionário banto na língua portuguesa quem não fala mingal quem não gosta de uma série de palavras muito interessantes que os homens amam
nas mulheres e que vem do Quimbundo e logicamente a gente tem uma outra mulher incrível que é Beatriz do Nascimento procurem o filme ori na internet e vocês vão ver inteligência e Utopia E ela diz num dos versos ela era poetiza que eu vou dizer aqui para vocês diz assim do Ponto de Luz onde se origina o universo e o sou átomo átomo integrante do Ponto de Luz onde se origina todas as coisas eu sou um Objeto do Ponto de Luz onde se origina o amor eu sou querida do Ponto de Luz onde se origina
a harmonia eu sou equilíbrio do Ponto de Luz onde se origina o som eu sou a música do Ponto de Luz onde se origina origina o calor eu sou vida Beatriz Nascimento 2015 página 54 vejam bem em diálogo com o pensamento hegemônico de niet o que se diz é que o homem nasceu Para ser guerreiro e a mulher para agradar o guerreiro a Beatriz Nascimento não diz nada disso o princípio feminino é aquele que surge do universo é aquele que surge da luz é aquele que cria vida é aquele que faz as coisas mudarem não
tem uma mãe negra nesse país que não tenha trabalhado para que os seus filhos se formem cheguem na escola brilhem sejam artistas sejam pessoas boas e daí a gente tem as Irmandades religiosas que a rainha in zinga cria com o seu ingresso na igreja que modificam a visão da filantropia que era uma visão de dar a pobre para ganhar um lugarzinho no céu mas as irmandades religiosas negras criam uma filantropia por justiça social compram escravos para libertá-los abre a Roda para receber crianças abandonadas na rua junt dinheiro para comprar um terreno porque negro não podia
ganhar dinheiro mas ordem Religiosa podia e o que que essas mulheres fazem E aí vem uma rainha Africana e anass com suas irmãs e que na Irmandade da Boa Morte junto com a irmandade dos homens negros do Pelourinho compram terreno e criam um espaço que representa seu território a Casa Branca o primeiro candomblé do Brasil e elas lá vão estimular toda uma visão da porteira para dentro é África da porteira para fora é o Brasil é o mundo Branco e vejam todo um processo de dentro dos terreiros Vem pra rua através dos blocos das escolas
de samba e se vocês foram ver os enredos das escolas de samba desse ano elas estão contando as histórias dois orais que vem dos candomblés que criam um território para quem tinha sido desterritorializado que retoma uma fala deles que faz com que seus movimentos seus gestos e sua roupa Possam representar sua história sua origem suas memórias sua ancestralidade E aí a gente tem algo muito interessante a gente tem tengo tengo jáé e a gente tem meu Salgueiro e a gente tem as escolas de samba que Brilham no mundo inteiro fazendo com que a gente transforme
inteligência em realização e que nós possamos pensar que no futuro mesmo se Tendo devolvido muita gente paraa África a comunidade negra é mais de 50% da população desse país e que o Brasil para se considerar Brasil tem que se considerar o lugar do Samba da feijoada do vatapá da escola de samba da alegria de viver e de fazer filosofia porque Filosofia é vida Muito obrigada professora Simas gostaríamos de te ouvir Alô boa tarde primeiro Evidente agradecer ao Museu do amanhã o convite para est aqui Mais uma vez agradecer a alegria de estar aqui com a
mediação da Patrícia sobretudo a alegria a honra de estar ao lado da minha queridíssima dona Helena Teodoro que é uma referência importantíssima para todos nós né interessados em estudar carnaval interessados em estudar culturas populares africanidades culturas de terreiro né Dona Helena que é uma pensadora uma filósofa primeiríssimo Time e tá aí nessa Vanguarda e eu diria que Dona Helena tá falando essa força matriarcal que marcou a formação do Brasil e ela evidentemente é uma referência desse matriarcado que constrói um país mais Generoso então a minha alegria de estar ao lado da senhora mais uma vez
é sempre bom a senhora sabe disso Bom enfim eh para falar um pouquinho S vou começar com minha autodescrição Quase esqueci porque vocês começaram a falar de cabelo e no Meu caso o negócio não funciona assim né Eu sou um homem branco eu não tenho cabelo os poucos que eu tenho eu raspo Então eu estou com a cabeça absolutamente raspada eh uso uma barba que hoje está baixa estou de bermuda estou de tênis um tênis azul uma camisa com uma série de doces de São Cosmo e São Damião tem aqui Maria Mole tem pirulito tem
bananada tem quebra queixo eu não sei nem mais o que que que tem aqui enfim mas uma camisa bastante Colorida com doces de Cómo d meão eh e que mais que que foi ah tem Cosmo Damião aqui pronto olha aqui o cosmo da são cosmão e São Damião estão aqui enfim eh e é uma alegria est aqui com vocês bom eh como estamos perto do carnaval e pegando o gancho que Dona Helena falou aqui brilhantemente como sempre a respeito das escolas de samba eh pegando essa fala da Senhora Dona Helena eu acho importante a gente
Lembrar para falar do carnaval do Rio de Janeiro para Falar das escolas de samba as escolas de samba são referências das culturas da diáspora no Rio de Janeiro e aí me parece importante lembrar de um detalhe que é absolutamente fundamental toda a diáspora qualquer diáspora qualquer deslocamento qualquer translado forçado sequestra identidades quebra laços de sociabilidade desarticula redes de proteção social desarticula filosofias desarticula afetos toda a diáspora Fundamentalmente opera na destruição do sentido coletivo da vida toda a diáspora é uma violência simbólica e é uma violência material que se manifesta inclusive na possibil da Aniquilação física
da Morte mas o que me parece absolutamente crucial para entender o Rio de Janeiro paraentender Bras paraentender as escolas de samba e caraval se toda desarticula sentidos comunitários de vida toda cultura diaspórica reconstrói Reinventa aquilo que foi desarticulado então é muito bonito perceber que se a diáspora dispersa a cultura de diáspora agrega se a diáspora aniquila o sentido comunicado da vida a cultura diaspórica reconstrói a vida a partir do sentido comunitário E aí vem um detalhe que eu acho que é absolutamente fundamental Não existe manifestação de Cultura de diáspora que não seja coletiva ninguém aqui
é capaz de encontrar uma Manifestação de uma cultura diaspórica que não seja fundamentada na reconstrução da vida a partir fundamentalmente da coletividade isso é absolutamente fundamental por isso quando a gente fala de samba quando a gente fala de escola de samba quando a gente fala de carnaval a gente tá falando basicamente da organização de sistemas de mundo a partir de uma constatação crucial que tá presente no fundamento Das culturas Africanas a vida só faz sentido como um exercício coletivo de construção invenção resistência e pertencimento isso por para não me alongar muito paraas culturas africanas diversas
e grandes mestres que eu tive me ensinaram isso como meu queridíssimo Professor deil Leto que me pegou pela mão me ensinou Joel Rufino dos Santos como Nei Lopes meu parceiro querido Haroldo Costa com quem eu tenho alegria de ter convivido muitos e muitos anos em Fil no estar de ouro e tal há um elemento aí que é fundamental pras culturas africanas pras culturas não brancas de uma forma geral o contrário da vida não é a morte o contrário da vida é o esquecimento e o contrário da morte não é a vida o contrário da morte
é a lembrança enquanto a sua história for contada for mencionada e o seu nome for evocado você permanece e isso é um elemento que é Muito bonito agora para que a vida possa permanecer é necessário que ela seja experimentada coletiv porque alguém precisa contar a sua história o grande poeta luí Carlos da Vila queridíssimo amigo tem uma frase magnífica que ele diz numa canção em que ele fala o seguinte futuro é para quem lembrar isso é muito bonito o futuro é para quem lembrar as rodas de candom Dona helce Muito bem dos diversos terreiros os
candomblés de queto de jej de Angola os homolo as umbandas sempre giram no sentido antihorário porque simbolicamente elas reconstrói a experiência do retorno ao tempo do ancestral E é isso que faz a vida fazer sentido por isso para concluir essa falha e a gente poder conversar quando a gente fala de naval quando a gente fala de escola de samba quando a gente fala De terreiro quando a gente fala de roda de samba quando a gente fala de tudo isso no Rio de Janeiro porque eu sou um branco carioca que digo isso para os brancos cariocas
porque para negro nenhum eu preciso dizer isso se você tira do Rio de Janeiro as referências das culturas negras não sobra cultura na cidade não existe então quando me perguntam Ah sim mas você estuda o quê eu estudo Rio de Janeiro e não Existe ninguém é capaz de me apontar não tem não tem ou a gente mergulha no fato de que nós somos uma cidade profundamente marcada pelos bantos que aqui chegaram com toda a sua extraordinária cultura que se expressa em sabores em falares em belezas em louvor aos antepassados ou a gente lembra do impacto
da diáspora dos baianos que trazem pro Rio de Janeiro o culto aos Orixás que recebem de África ou a turma que desce lá de cima com todo O culto gesmar vem para cá não sobra cidade por isso eu concluo dizendo o seguinte se você quiser conhecer o carnaval do Rio de Janeiro e se você quiser construir o Tom no Rio de Janeiro a receita tá dada reconheça que nós somos uma cidade profundamente africana uma cidade Dona Helene eu concluo assim que oficialmente foi fundada para expulsar franceses mas que um dia quis ser francesa para negar
que é profundamente Africana Muito obrigado [Aplausos] vamos seguir paraas perguntas professora quero começar com a senhora o samba os terreiros as rodas os cortejos são espaços que pulsam conhecimento e que operam de maneira distinta das instituições formais de ensino Quais são as principais características dessa dessas inteligências ancestrais e coletivas e de que forma elas nos ajudam a construir outras possibilidades de Futuro e eu trago aqui para pegando um gancho que a senhora falou das escolas de samba numa entrevista de mais de mais de 2022 né Depois do enredo resistência do qual a senhora foi curadora
uma fala da senhora que fala dizer que os enredos afros das escolas de samba estão na moda ou são repetitivos e já conhecidos é não quer ver a diversidade do mundo que se reflete em cada escola de samba que fala de um território de seus líderes e de suas histórias que nunca são contadas Nas escolas primárias nem na televisão e que são apresentadas em forma única pelo Canto e dança dos moradores locais com muita originalidade em suas cores e ritmos próprios tenho aqui hã a Beatriz dizia uma coisa muito importante ela dizia literalmente é preciso
saber de onde se vem para saber onde se vai E logicamente educar é fazer cada um Encontrar seu próprio território seu próprio caminho sua própria forma de ser pensar e agir dentro do seu coletivo então cada escola Nossa é num determinado lugar eu não posso querer que uma escola Ipanema tenha o mesmo tipo de referência de comida de vestimenta e de convivência no seu coletivo que uma escola em Nilópolis há uma diferença muito grande no território nós vamos ter 100 anos de Milton Santos o ano que vem maior geógrafo que a gente já teve nesse
país e no mundo e fala exatamente da importância da humanização no sentido de que território só existe quando a gente vê quem habita nele e as nossas escolas querem trazer o suprassumo do conhecimento em educação que seja na Fin onde vocês quiserem mas nós não estamos na Finlândia e nem os nossos alunos são finlandeses então é muito importante que nós tenhamos o Conhecimento da realidade de cada criança com a sua realidade eu tive um trabalho muito interessante com o Leandro Vieira em Ramos onde a gente estava trabalhando com a comunidade de Ramos e fazendo passeio
com pessoas para verem e as Crianças onde era a casa do Paulo Moura onde era o cacique de Ramos o que acontecia em Ramos Qual era a importância de cada um desses espaços entendendo Inclusive a diferença entre um bloco como cacique de Ramos que tá Ligado às indígenas e a história da escola de samba Imperatriz Leopoldo in inclusive o enredo da Imperatriz esse ano é o xalá e qual é a grande relação de Oxalá com esse território o Leandro Vieira é um cara do subúrbio e ele é filho de Oxalá e ele tá falando exatamente
daquilo que tem referência com a sua vida com a sua maneira de ser de sentir e de agir a escola brasileira só vai acabar com analfabet Quando ela for feita para brasileiros e Para brasileiros negros porque a nossa escola ela quer disciplinar ela quer Toler ela quer fazer com que as nossas crianças trabalhem como crianças francesas finlandesas ou inglesas Então eu acho que as escolas de samba são verdadeiros espaços de vida de de ensino e de encontro de cada um com sua história obrigada agora eu vou fazer uma pergunta pro Simas o carnaval é frequentemente
Pensado como um evento de ruptura Mas ele também é um processo contínuo de construção de narrativas e Futuros como você acredita que a inteligência do carnaval pode inspirar novas formas de organização social política e cultural para além dos dias de festa e aí eu trago para ilustrar uma fala sua de fevereiro de 2023 pro Brasil de fato eh quando eu falo que o carnaval Inventou o Brasil possível é porque para mim o Brasil possível é o Brasil da da diversidade é o Brasil da Solidariedade é o Brasil da construção de sociabilidade é o Brasil que
contesta um modelo hétero patriarcal normativo Branco eh outra frase dessa mesma entrevista um dos maiores equívocos sobre o carnaval é considerá-lo uma festa de alienação você pode trazer a indignação com a festa A Festa nunca foi no Brasil De forma nenhuma um componente dissociado à luta não existe isso agora a luta sem festa eu acho que se esvazia festa sem luta também vira um mero evento sobretudo num país como nosso é essa essa questão eu acho que é importantíssima sabe por Patrícia e a gente tem que encarar uma realidade sem a qual a gente não
vai chegar a lugar nenhum o Brasil Como projeto de estado nação ele foi projetado para excluir Nós não somos um projeto de Estado nação solidário nós somos um projeto de estado nação excludente o estado nação brasileiro foi projetado dentro de uma lógica colonial de Aniquilação de saberes não brancos de Aniquilação de corpos não brancos o estado nação no Brasil fechou aos brasileiros não brancos os caminhos institucionais de exercício de cidadania as Universidades durante muito tempo Foram fechadas as escolas durante muito tempo foram fechadas os parlamentos durante muito tempo foram fechados nós somos um projeto de
exclusão e constatar que nós fomos projetados para excluir para concentrar renda para concentrar propriedade para aniquilar saberes é o caminho que a gente tem para transformar isso em alguma coisa melhor e mais Generosa então não adianta embarcar no mito da conciliação no mito da cordialidade né no mito do encontro Das três raças porque isso a Rigor mais cara o fundamento violento da nossa formação mas aí vem a questão que cruza com a sua indagação e que me parece fundamental aquele povo brasileiro que foi excluído o subal aqueles que foram por exemplo sequestrados do outro lado
do oceano e trazidos para cá sem acesso aos meios institucionais de exercício da Cidadania construíram os seus Pertencimentos construíram as suas sociabilidades construíram os seus sentidos comunitários de vida a partir da festa Dona Gonzales gostava de dizer que nós temos um calendário de festas que é eurocat cólico mas que esse calendário eurocat cólico ele foi redefinido reapropriada reinventado pelas comunidades de africanos e africanas que começaram a construir nas frestas nas brechas desse Projeto de horror os seus sentidos de beleza de pert e de apropriação do mundo o nosso Carnaval tem uma origem portuguesa Lógico que
tem é o inudo mas esse inudo português ele foi sendo lambuzado de africanidades diversas e foi ganhando feições absolutamente novas inusitadas e fundamentais por isso eu digo que não foi o Brasil que inventou o carnaval mas foi o Carnaval que inventou um Brasil Possível inventou um Brasil possível e é importante lembrar cruzando muito com o que você perguntou e que um carnaval que as escolas de samba o Carnaval minha gente para o Brasil é um grande evento da cultura e o maior risco que o carnaval pode correr é ser confundido e capturado pela cultura do
evento o evento da cultura ele é orgânico uma escola de samba por exemplo Ela desfila porque ela existe ela não pode existir porque desfila no momento em que ela começa a existir só porque desfila ela vai acabar então quando eu falo desse carnaval que inventa o Brasil e cria possibilidad de vida é um evento da Cultura agora a cultura do evento ela tá nos assolando é um tal de evento evento evento evento isso daí vai o qu Né pelo amor de Deus né evento evento Dona Helena que é de oias sabe o que que é
vento é vento caceta né carnaval é vento é Ventania Então essa dimensão é muito bonita por isso eu sou um sujeito convencido de que nós não inventamos o carnaval mas o carnaval inventou um Brasil possível né um Brasil que tem o samba que organiza sentidos de mundo Agora a gente tem que ter cuidado porque esse carnaval evento da Cultura ele não pode ser capturado pela cultura do evento porque essa é gratuita ela se apropria né E ela é medonha para concluir ning mais do que escola de samba atuou pela educação das crianças do Rio de
Janeiro é importante lembrar que em 1960 quando Salgueiro levou o Quilombo dos Palmares pra Avenida você não encontrava Palmares em livro didático salgueira apresentou palmares para muita gente que sequer tinha ouvido falar no quilombo eu me Lembro que eu já tinha feito história tava começando a dar aula quando a Unidos do Virador só para concluir com ex veio com enredo sobre Teresa de Benguela e o quilombo do quariterê não tem um livro didático que você encontra que fale de Teresa de Benguela quando a virad apresentou Teresa de Benguela na Avenida e para quem fala vou
concluir dando uma bronca aqui muita gente que tá falando besteira para quem fala que tem excesso de enredo Afro eu quero lembrar de uma coisa o primeiro desf foi 1932 e as escolas foram submetidas por regul a contar histórias oficiais de uma cultura que é branca a primeira orixá citada num desfile de escola de samba do primeiro grupo foi emanjar pelo Império Serrano em 1966 glórias e Graças da Bahia o primeiro enredo monotemático sobre um orixá foi logum o Príncipe de efan Arranco do Engenho de Dentro 1977 é ontem 2 anos depois Imperatriz faz oar
a lenda do arco-íris então a Rigor a Rigor a gente não tem que se perguntar por que tem tanto enredo afro a pergunta Tem que ser outra por que que demorou tanto a ter né Essa é a grande [Aplausos] questão pergunta eu queria contar um pequeno Casinho e bom eu sou de família de carnaval e eu lembro Desfile do Salgueiro eu lembro se eu fechar o olho consigo lembrar da casa consigo lembrar quem tava na sala consigo lembrar os móveis foi Templo Negro em tempo de consciência negra eu tinha 10 anos e eu lembro de
ver naquela televisão que não era muito grande mas de ver Anastasia no carv alegórico sorrindo né era uma escultura de Anastasia sorrindo e foi a primeira vez que eu ouvi falar de Anastásia sem ser chamada de escrava né que era a Condição que tinha sido dada a ela e sorrindo e eu lembro como aquilo me transformou eu lembro de ficar olhando aquela imagem na televisão e ficar ela tá exato pode falar no microfone exatamente o samba chamava Anastasia pelo nome como aquilo me transformou de uma maneira que eu me lembro e me emociono até hoje
e há pouco tempo num programa desse de reality uma uma participante eu trou com uma camisa Com Anastasia sorrindo e foi uma comoção na internet e bom eu já tinha 40 e tantos anos e né e eu consegui entender aquele sentimento aquela comoção na internet porque eu já tinha sentido aquilo o samba já tinha me dado aquilo quando eu tinha 10 anos e foi o Salgueiro que me deu foi o Carnaval que me deu e a minha próxima pergunta e aí eu quem vai querer responder é o papel do Samba o papel do carnaval o
papel da cultura Popular na transformação dos futuros como eh trazer esses enredos afros esses heróis esses personagens que a gente não conhece porque não estão nos livros que a gente tá habituado ali nas escolas enfim como o carnaval tem esse papel transformador da possibilidade de futuros Olha eu vejo que a educação brasileira tem que se pautar no samba a escola tem que deixar de ser eh uma cadeirinha atrás da outra como a gente tá aqui e passar a ter aquela Coisa de todo mundo se levantar dançar cantar viver porque na verdade a gente ainda est
no sistema europeu daquele palco italiano das pessoas ficarem aí olhando e a gente aqui falando é preciso que o sentimento que está em cada um seja passado no coletivo para todos e que a gente possa ter aquela possibilidade de cantar junto de brincar junto a visão do coletivo tá vivo tá junto com outras pessoas acabar um pouco com essa mania De tudo tá no celular das pessoas não se falarem mais de ficarem na mesa mexendo no celular em vez de conversarem umas com as outras de haver isolamento a coisa mais importante do mundo é gente
é a gente poder se conectar e a gente poder comer junto rir brincar se abraçar beijar falar bobagem e tá vivo e se sentir vivo então a escola de samba ela nos dá a visão da vida ela junta criança pequenininha com a velha guarda com as Baianas com os jovens com os pais todo mundo se divertindo junto se comunicando junto comendo junto vivendo junto um momento que é importante para todos não tem aquelas coisas de criança de um lado adulto do outro como a gente vê uma criancinha de 2 anos sambando com a bateria tocando
ela desesper dançando não sabe de onde saiu aquilo e ao mesmo tempo eu nos meus 80 anos na Viradouro a bateria tocando e aí mestre Cissa bota a gente para o ensaio põe a bateria nossa Volta e começa a tocar com as ganhadoras e a gente começa a sambar começa a sambar eu digo meu Deus eu tô dançando aqui eu não sei nem o que que eu tô fazendo mas a bateria tá mandando eu fazer o que o meu corpo quiser fazer Então esse sentido de ser tá vivo de participar é fundamental e a nossa
escola tem que se transformar num salão de escola de samba onde as pessoas se interessam por lei por Aprender para poder decorar o sambo enredo para poder saber a história do sambo enredo para entender o que é importante paraas suas vidas e quem já usou raiz quadrada aqui levanta o braço tá na vida então tá [Aplausos] dito é concordo inteiramente só completando Isso foi uma coisa até que outro dia eu falei eu falei esse negócio então muita Gente ouviu no acho que foi na semana retrasada quando eu fui ao programa Sem Censura eu acho que
a gente continua confundindo escolaridade com educação eh e escolaridade e educação não são a mesma coisa quando a gente pensa em escolaridade a gente tá falando da instituição da formalidade adequada a uma série de currículos normativos como do lenel disse o negócio que tá Completamente maluco porque nós temos uma escola que é estruturada do ponto de vista da sala de aula como o espaço do século XIX com professores do século XX ensinando alunos do século XX então é um sarapatel temporal em que ninguém se entende e é importante lembrar e grandes educadores já falaram isso
não é novidade nenhuma que o fenômeno educativo ele acontece o tempo inteiro você se educa evidentemente na Rua você se educa no botiquinho você se educa no terreiro você se educa na igreja e você se educa na quadra da escola de samba você se educa no bloco de carnaval você se educa numa roda de samba são fenômenos da educação quando a escolaridade a educação se encontram é o melhor dos mundos O problema é que dá a impressão às vezes que a escolaridade tá indo para lá e a educação tá indo para lá e aí não
tem quem Resolva e é importante lembrar e isso me parece que é é é é muito contundente eu que convivo com escolas e escolas de samba porque eu continuo sendo um professor do chão de escola eh tô completando esse ano 30 anos ininterruptos de Magistério com crianças e adolescentes né no ensino privado trabalhei muito tempo no ensino público e tal e dentro de escola de samba né vivencio a cultura das escolas de samba eh vou desfilar depois de muito tempo Que eu tava no corpo de jurados lá do standar não podia destilar mas esse ano
vou destilar na Unidos da Tijuca porque eu sou um dos compositores do samb na Mangueira que vem um carro não sei o que e tal né eh e aí eu queria concluir porque vocês falaram tanto do salgueiro e eu adoro Salgueiro que eu queria lembrar que o enredo da minha escola minha escola tá lá no grupo de acesso né tá lá tranquilo eu sou Império Serrano mas o enredo do Império Serrano é sobre Beto sem Braço e eu tenho a alegria do título do enredo ser uma frase que eu sugeri sobre o Beto sem Braço
O que espanta a miséria é festa porque eu tava lendo lá a hemeroteca da Biblioteca Nacional né hemeroteca é uma delícia para quem gosta ficar pesquisando e tal aí eu encontrei uma entrevista do Beto sem Braço que tem tudo a ver com a fala maravilhosa da Dona Helena em que o Beto sem Braço eh dava uma explicação pro fato de ter sido Expulso de casa pela quinta vez e tal a mulher expulsou o Beto sem Braço Porque ele ganhou um dinheiro forte de direito autoral eh de uma música que ele compôs com Amir Neto Zec
Pagodinho gravou e tal e ele torrou aquele dinheiro todo no fim de semana com uma festa retumbante pra comunidade do rato molhado e aí quando perguntaram pro Beto sem Braço Ô Beto mas você acabou com o dinheiro todo num fim de semana ele Virou se de uma resposta que eu acho de auto teor filosófico mas eu acabei com o dinheiro todo porque o que espanta a miséria é festa e aí você vê o título do eniro do império é o que espanta a miséria é festa e uma vez Dona Helena eu tava conversando com o
nosso querido Martinho da vi eu falei pro Martinho uma frase que meu avô adorava falar e é o seguinte porque a minha família era muito festeira eu Sou o primeiro carioca de uma família de alagoanos pernambucanos tinha festa o tempo todo e o meu avô tinha um negócio na vida dele que era o seguinte quanto Pior estava a situação da família mais festa tinha né Maior ap pindaíba tem que guardar dinheiro faz festa e não sei que e tal e ele adorava dizer uma coisa que é a seguinte mas ninguém faz festa porque a vida
é boa a gente faz porque não é se fosse boa não precisava ficar fazendo Festa coisa nenhuma E aí eu perguntei Martin Martin a gente faz Martin mas eu não tenho dúvida nenhuma a gente faz festa porque a vida não é boa não é boa o que que a gente faz faz festa né porque é uma maneira de você Reinventar de você resistir né de você gingar de você isso é absolutamente fundamental gente para concluir Olha que coisa impressionante né não era para existir o escola de samba não era para Existir porque o projeto de
um Brasil oficial foi o de aniquilar todos os saberes não brancos mas não só existem não só permanecem como subvertem o horror pela dimensão da alegria eu acho que a grande obra existencial do Samba é ter transformado o pau que bate no corpo em baqueta que bate no couro do tambor para Reinventar o mundo como Samba isso eu acho que é de uma beleza muito grande e uma coisa mais interessante ainda quando Dom Simas fala que a cidade do Rio de Janeiro é uma cidade negra vocês vejam no início do século XX o prefeito Pereira
Passos estava tão preocupado com isso que quis tirar os negros do centro da cidade Porque se vocês forem ver o livro do maest do nosso mestre genor Miranda sobre os candombls do Rio de Janeiro vocês vão ver que a maioria dos candombls da cidade eram no centro da cidade E aí se tira todos os negros do centro da cidade se coloca no subúrbio e da onde que vem basicamente toda a força da cultura carioca Aonde que a vida tá pulsando que tem gente abessa cestou tá lá é no subúrbio e a criatividade das coisas que
acontecem é lá na feira das yabás é na Portela é no Império Serrano é na Mangueira é na zona norte é no subúrbio carioca Onde tá a comunidade Negra Onde tá a vida Onde tá a alegria de estar junto com um outro que é diferente de você e que te ajuda a ser melhor porque aquele que é diferente de mim me dá elementos para eu ser uma pessoa melhor e para aprender coisas não é para todo mundo ser igual e para morrer na praia é para cada um aprender um pouquinho com o outro que é
diferente e salve a diversidade salve a cultura Negra e a Filosofia africana choc agora o papo ficou bom vou completar Dona hel mas a ideia é essa a ideia é papo agora é o pap bom isso que a senhora falou que é maravilhoso tem dois detalhes que são muito curiosos eu moro na Zona Norte do Rio de Janeiro enfim e Tem três coisas que são muito engraçadas eu me lembro somos eu me lembro por exemplo de uma ocasião eu escrevia pro Globo tinha uma coluna lá e tinha uma relação muito Afetuosa com as pessoas do
jornal mas eu me lembro que uma vez eu tava lendo aquele caderno programa do Globo que falava assim vale a pena atravessar o túnel para Aí falava de um programa que tava acontecendo na zona norte aí passou um tempo de novo vinha vale a pena atravessar o túnel para não sei quê aí eu mandei um e-mail pro jornal falando gente olha só eu e a maioria da população do Rio de Janeiro se eu atravessar o túnel eu vou me afogar na Lagoa Rodrigo de Freitas então vocês têm que entender essa é uma ocasião a outra
eu estava falando numa livraria queridíssima simpaticíssima janela no Jardim Botânico vou para lá hoje inclusive falar lá de corme Damião e tal mas uma vez eu tava lá falando na janela e aí eu tava falando da força do suburbios né de Madureira da grande concentração de escolas de samba na grande Tijuca Vil Mangueira Salgueiro aquele negócio todo e não sei que e tal P pá aí uma pessoa virou para mim e falou e aqui no Jardim Botânico o que que você acha que aconteceu de relevante assim eu fiquei pensando rapaz eu falei gente mas a
única coisa que eu poderia citar é Dom João VI passeando pois deixa eu te contar uma coisa de relevante do Jardim Botânico Nós criamos no Jardim Botânico convido todos para visitar o memorial mãos negras fundamental al nós descobrimos que 50 aladas eu fiz parte da da comissão científica que fez essa Pesquisa que os 50 elementos que criaram o Jardim Botânico cultivaram eram escravizados Imperador eram negros de Angola e conseguimos descobrir nidade de cada uma das ossadas que foram encontradas lá e projetamos junto com o Sérgio presidente do Jardim Botânico um espaço chamado Memorial mãos negras
prestigiando todos aqueles que criaram o Jardim bot do Rio de Janeiro inclusive o botânico que planejou o Jardim Botânico Era um negro angolano Botânico livre e olha que beleza e não tem nenhuma cultura ali que rese agora podem ir lá que tem O Memorial é bonito Memorial Tá feito construindo foi inaugurado a 29 de Novembro de 2024 e tem lá uma placa com o nome de todos aqueles que construíram Jardim Botânico idad e de que Porto vieram de África e a cidade foi toda construída por esse pessoal E aí e o terceiro fato que é
Muito curioso foi logo depois de eu ter eu e Nei ganhamos o jabuti lá de livro do ano aí a repórter do Estado de São Paulo para entrevistar e tal eh porque Essas entrevistas mais doidas assim o Nei mandava para mim porque ele é mais velho ele tá no tem que mandar mesmo e aí ela falando assim mas sim mas o Rio de Janeiro e tal agora que manifestação cultural da Periferia do Rio de Janeiro que você cita como uma manifestação que você gosta e tal pá pá pá é porque já Falou de samba eu
falei da Periferia do Rio de Janeiro Aí eu virei e respondi assim para repórter do Estadão eu acho não a minha resposta foi diferente falei olha a maior manifestação cultural da Periferia do Rio de Janeiro para mim é a Bossa Nova aí ela virou-se para mim e falou assim não não mas eu tô falando eu falei da Periferia eu falei não a Bossa Nova porque a Bossa Nova trabalha o samba de uma maneira e tal pá pá pá não mas da Periferia Aí eu virei e falei olha Depende de que conceito de Periferia você utilize
e como nós estamos falando de Cultura né do ponto de vista da cultura Madureira não é periferia é centro do ponto de vista da cultura Salgueiro não é periferia Periferia copacab isso é periferia nós Como diria o poeta Onde fica o centro o centro Fica onde você está o centro Fica onde nós estamos está aqui Na Zona Norte no subúrbio carioca muito bom bom falando de subúrbio eu vou pegar uma pergunta que chegou aqui Unidos do Cabral infelizmente elas enrolaram Bandeira né sim duas escolas de samba que acabaram Ah é eu chilei do Cabral também
já gente na tendente Magalhães Faz parte do meu currículo de de de carav esi no carro alegórico da Unis do Cabral homenageando Amira Dad uma pergunta do público chegou aqui da plateia a portela de 2024 levou o romance Um defeito de cor para Avenida depois disso o livro esgotou-se nas livrarias o carnaval reinventa tão bém a literatura gente o Val tem vários espetáculos relacionados à Literatura e inclusive da vida a literatura falando não apenas daquele sentido da literatura portuguesa com preocupação com a forma ou com a Estética mas contando histórias que nunca foram contadas Eu
acho que o defeito de Cor na Portela prova tranquilamente a necessidade e importância de nós termos a nossa história que nunca foi contada nem escrita porque eu preciso saber da minha história eu sei que meu avô veio de Minas Gerais fugido criança de um uma fazenda se reinventou no Rio de Janeiro como taxista como cozinheiro agora como eu vou saber de onde ele veio Não tenho como descobrir não tenho registros Então a nossa história precisa ser reescrita e a literatura é importantíssima e a pesquisa que nós estamos fazendo na academia de agora trabalhando com Quitéria
Chagas no Império Serrano a história de Dona Dalva primeira rainha de bateria do Império Serrano queremos inclusive entrevistar o senhor Don Simas tá porque as Rain de bateria são aquelas mulheres importantes naquela Comunidade e que ajudavam a dizer se estava bom aquele samba como é que as coisas correm melhor porque o princípio feminino é básico e Fundamental no mundo todos os homens nasceram de uma mulher não adianta reclamar porque por mais que eles sejam muito importantes e prazerosos eles precisam das mulheres para que a vida continue então o princípio feminino tá sempre sendo colocado de
lado continuam usando aquela expressão do niet né o homem nasceu para Ser um guerreiro e vencer e as mulheres eu são repouso do guerreiro S repouso de nada a gente não repousa coisa nenhuma a gente cuida do guerreiro faz comida pro Guerreiro atura o guerreiro e por trás de um grande guerreiro tem sempre uma mulher Então as escolas de samba podem tranquilamente ser produto pra literatura contar histórias e produzir uma série de propostas para que livros sejam lidos e que sejam livros de Escrevivências e não apenas formas literárias e rebuscadas onde você pega para ler
e pega o dicionário 10 vezes para poder entender a primeira página Então vamos usar literatura nas escolas de samba e fazer das escolas de samba [Música] literatura os enredes tem que ser publicados e e a gente para em que o acesso ao livro é muito difícil em que o livro é um produto caro né a Democratização da Leitura é um problema então quando uma escola de samba pega um livro quando uma escola de samba monta um espetáculo dramático porque uma escola de samba gente é o maior conjunto de manifestações artísticas simultâneas do mundo ali você
tem o espetáculo dramático do enredo ali você tem o canto ali você tem a dança ali você você tem a orquestra de percussão ali você tem fundamentalmente Diversas manifestações artísticas que simultaneamente vão acontecendo ali você tem figurino ali tem de tudo né então falar de livros num país em que o acesso à leitura é muito dificultado por uma série de de coisas é imprescindível é ível eu confesso que sempre fui louco por sambas de enredo que falassem de obras literárias até confesso algo que morra aqui que para um sujeito que escreve as pessoas podem achar
esquisito Mas eu sou até hoje um Sujeito convencido como eu já tô coroa eu não vou mais mudar de opinião acho Eu por exemplo continuo achando que o samba macunaima é muito melhor que o livro né então quando eu ouvi o samba a primeira vez de Macunaíma vou me embora vou me embora eu aqui volto mais não vou morar no infinito e virar constelação Portela apresenta do folclore a tradição e miragens do Sertão a Mata Virgem assombrada por mil tentações se a rainha mãe do Mato Esse o é tão bonito oh macunaima fascinou ao loar
se fez poema ao filho encarnado uma maldição legou macunaima índio branco catimbeiro negro sono Feiticeiro mata cobre dá o nó a sensibilidade do artista Popular que pega o livro e transforma numa obra de arte como essa é esplêndida isso é absolutamente fundamental então a escola de samba além de tudo isso é um elemento de difusão de cultura e é um elemento que dispara coisas para que a gente Possa fazer e pensar em outras coisas que venham portanto mais livros mais enredos mais escritoras e escritores que falem da negritude e é muito bonito no defeito de
cor Ana Maria é uma querida é uma amiga pessoal que eu tenho e ela tava muito feliz com o defeito de cor virar em até porque ela achava que de certa maneira Portela estava entregando o livro dela para o público que ela queria que lesse o livro dela não e isso alguma Coisa maravilhosa e aí ainda bem que as vendas dispararam é uma coisa que o teatro para mim tem me dado assim uma alegria enorme Nessa altura da vida né ter a minha tese de pós-doutorado Martinho da V reflexo no felho se transformar no musical
Martim coração de rei Nossa uma alegria enorme e com grandes partes das coisas de referência da relação do Martinho com a política com a cultura com a vida enfim algo importantíssimo e eu vejo no teatro Brasileiro uma possibilidade muito grande da gente poder dar continuidade a vários enredos das escolas de samba que que são montados e apresentados maravilhosamente bem e que podem se transformar também em espetáculos musicais em espetáculos teatrais e fazer com que o a arte brasileira ganhe um vigor muito grande falando de nós para nós porque isso é muito bom quando a gente
tá de bolso vazio ter o coração cheio de alegria ajuda Bastante a gente tem tempo para mais uma pergunta vamos lá nos seus trabalhos vocês destacam a rua como um espaço fundamental de aprendizado e construção do amanhã o que perdemos quando a cidade se torna mais controlada policiada e hostil às manifestações populares Como podemos fortalecer a inteligência da rua diante desse cerco crescente bom eu vou falar rapidinho porque como eu tô completando 82 eu lembro de uma Rua Rua Dona Maria 33 onde tinham todas as festas do no tempo que donon jogava no Andaraí donon
era meu tio não é e o avô da Larissa minha neta que tá ali homenageia o tio dondom com nos tempos de dondom mas na casa da tia Alice tinha sempre um monte de gente reunida porque tava sempre o pessoal do Salgueiro lá e a gente tendo algo muito muito importante que era as pessoas na calçada Os vizinhos se falando o bloco da rua e da gente se organizar no carnaval para fazer um bloco de sujo para andar de trem de ônibus ou qualquer outra coisa durante o dia para depois ir na escola de samba
de noite Havia o processo da comunidade que se encontrava na rua as pessoas brincavam na rua as pessoas viam o espaço da rua como um lugar de encontro então a falta de segurança falta de relação entre as pessoas as pessoas ficarem nos Apartamentos cada um na sua gaiolinha né e é algo muito complicado e que afasta muito cada um de nós e isso vai fazendo com que a rua Deixe de ser aquele espaço quando eu olho a Praça Tiradentes hoje eu me lembro dos tempos da estudantina e de início do século as pessoas dançando no
meio da praça fechar as Praças botar grade nas praças públicas acaba com toda a possibilidade de encontro das pessoas na sua hora de lazer não é a gente fica com medo de ir Na esquina porque pode ser assaltado você fica com medo de tá vivendo fora da sua casa e aí a gente não tem nem mais antigamente a gente se comunicava por carta ninguém escreve mais carta um pro outro mandar tudo pelo Zap e até para mandar pelo zap não escreve mais por qu é pequ nem tem o sentido de passar o seu sentimento pro
papel e muito menos na Oralidade Então eu acho que realmente a rua faz muita falta por isso que é tão bom carnaval de rua de Salvador eh esse negócio da rua eu eu sou um sujeito impressionado com a rua eu tenho filho por exemplo de 14 anos e eu passei grande parte da minha infância na rua até porque foi num bairro de Nova Iguaçu chamado Jardim Nova Era em que eu vivi os melhores momentos da minha infância na Rua Castor No Jardim Nova Era se alguém conhece Nova Era Nova Iguaçu ali o lugar de referência
mais próximo ali é a rosa dos ventos mas eu era um sujeito que saía de casa garoto por exemplo da idade do meu filho 8 horas da manhã e aparecia para dormir né até ran gente eu pegava em vala a gente brincava jogava bola e eu não vou dizer que eu era que eu soltava a pipa porque eu era péssimo Sofri bullying porque a pipa sempre foi para mim uma desgraça e tal né na bola De good eu era bom na búlica mas no triângulo a coisa já não funcionava direito e não sei qu mas
as minhas afetividades de rua foram com construídas todas né em Novo Iguaçu na Baixada Fluminense em brincadeira de rua encontrando as pessoas conhecendo as pessoas e tudo mais mas me parece que hoje para responder a pergunta Tem a questão da segurança mas eu acho que tem uma outra questão também que é básica as nossas cidades hoje elas são Pensadas a partir da lógica da circulação do capital e essa é uma questão muito séria né né a Dona Helena falou ah as pessoas no tempo do lazer hoje as pessoas nem tempo de lazer Às vezes tem
mais então eu acho que as nossas cidades as grandes cidades do mundo de uma forma há um projeto para que a rua não seja pensada como ponto de encontro mas que seja pensada como um ponto de circulação de mercadoria de capital e de Corpos apressados dentro de uma certa disciplina do trabalho a questão da rua é essa porque a rua segura é a rua cheia eu não tenho dúvida nenhuma em relação a isso qual é a rua mais insegura que tem é a vazia qual é a rua mais segura que tem é aquela que tá
cheia né Eh então disputar a rua eu acho que é uma questão absolutamente fundamental As ruas estão em disputa e me parece que hoje por exemplo Quando a gente pensa no carnaval de rua e aí senhora falou de mas eu acho que é uma encrenca que o carnaval de rua tá vivendo que é o seguinte e o carnaval de rua para mim a maior ameça que existe hoje ao carnaval de rua nem é o discurso da segurança pública e nem é o discurso do Imaginário do pecado é o capital que pensa a rua prioritariamente a
partir da circulação de mercadoria e da geração de ganho de dinheiro então quando uma determinada Marca compra o carnaval de rua né e você no carnaval de rua é obrigado a beber exclusivamente uma determinada cerveja e tal isso me preocupa mais do ponto de vista da morte da rua do que uma eventual porrada com a polícia você quer ver que coisa interessante existia um bloco no Rio de Janeiro no engenho de dentro que chamava-se chave de ouro ele morreu depois foi recriado e tal mas o chave de ouro ele surgiu para sair na porrada com
A polícia porque o chave de ouro desfilava na quarta-feira de cinzas quando a arquidiocese proibia desfile na quarta-feira de cinza não podia ter Dom Eugênio Sales ficava desesperado com chave de ouro louco que eles até num certo momento a arquidiocese deu abç a torcer e disse não tem mais o que fazer Deixa eles desfilarem quarta-feira de Cinza o bloco acabou por quê cumpriu sua missão porque a lógica do chave de ouro era afrontar o Poder instituído e transgredir aquela proibição num exercício da rua pela festa mas quando você tem uma rua tomada pela lógica da
circulação você uma outra coisa não posso falar de deixar de falar isso antes de terminar de concluir eh É lógico que existe uma economia criativa do carnaval que é fundamental o carnaval emprega a gente nós temos os trabalhadores e as trabalhadoras do carnaval é fundamental que essa cidade Valorize isso é fundamental que os trabalhadores e trabalhadoras do carnaval que estão nos barracões de escola de samba tem os seus direitos trabalhistas adquiridos as suas carteiras assinadas é funda que a gente lembre que o carnaval traz divisa pra cidade gera capital pro Rio de Janeiro mas se
não gerasse Dan tinha que continuar tendo carnaval porque o carnaval é uma experiência que transcende a lógica do capital e vai pra Dimensão do encontro do ser com ele mesmo o carnaval é uma experiência radical não da máscara Como di Mas é uma experiência radical do encontro com quem você efetivamente é o carnaval é o momento segundo o audir em que a gente tira a máscara que usa o ano inteiro para poder exercer em plenitude o direito de ser então é importante que a gente faça esse discurso da economia é importante que a gente Pense
nisso é importante Lembrar que o carnaval traz divisas no Rio de Janeiro mas o carnaval é uma experiência existencial de radicalidade é mais né transcende a isso então quando a gente pensa nas experiências da rua a gente tem que entender também e Dona Helena sabe exatamente disso mais do que eu a rua também é uma espiritualidade então quando a gente ataca a rua a gente tá dispersando O Aché isso é muito sério e não se Esqueçam na rua não é à toa que as escolas de S desfilam ao ar livre nem os blocos porque é
o contato que a gente tem com o espaço com espaço Ceral é o sentido que a gente tem de que a gente pertence à galáxia que a gente sabe que está num planeta que a gente tem uma integração com a plenitude do espaço está dentro de casa é est protegido das intempéries estar na rua é Louvar a natureza e a gente precisa Louvar a natureza para poder ter alegria De viver e é isso que a gente faz no carnaval a gente poderia ficar aqui bastante tempo né acho que a gente pode podem mandar umas mensagens
un e-mails pra gente ter mais mas é bom terminar com gostinho de quero mais de quero mais então com esse gostinho de quero mais eu queria pedir as considerações finais porque as perguntas foram abertas aqui a gente tem é vou vou consultar a gente é minha primeira vez como mediador Então também aqui porque tô fazendo pedagogia e coordenador fao da faculdade obrigado tem tempo não tem tempo a gente tem tempo não tem alguém pode tem minut pode fazer sua pergunta consegir é realment uma preocupação mim né Eh eh com né Eu queria uma uma preocupação
muito Muito grande é um grande parte da pulação negra usa a sua liberdade a su posições que negam que alienam sea própria cultura e sua própria cultura por exemplo por exemplo se constat na grande movimentação evangé eu tô tempo sabe gostaria queesse euo com mús tem esse problema com o corpo o corpo sear uma série de Coisas porque não é umaa bom tem um um detalhe importante que a gente não pode esquecer que é como as pessoas são moldadas para ter determinados comportamentos a cor da pele é alguma coisa que nesse país tem um peso
muito grande só pode entender realmente a problemática de quem é negro quem tiver na pele negra porque a que se tem é muito grande eu posso falar isso tranquilamente porque venho de pais Militantes e que me deram uma consciência muito grande da minha Negritude e que eh quando eu vou dar algumas palestras em escolas as crianças perguntam quando você se descobriu Negra euo não me descobrir Negra eu sabia que era Negra desde que nasci porque dentro da minha casa os meus pais eram negros de classe média militantes e que tinham uma consciência de entender que
só através da educação e da Preservação do encontro com a própria família e Trabalhando sem levar em consideração quem tinha Universidade quem não tinha Quem era do mor Quem era fora do morro mas sim o afeto a relação do coletivo e entender como todos podem ajudar a todos a entender a diversidade a gente só pode alcançar isso depois de um certo estágio de conquista os meus pais os meus avós eram negros urbanos e que tiveram possibilidade de trabalhar lidando com política com Sindicato com isso com aquilo com aquilo outro e de estudar de noite e
de ter uma outra visão da sua cultura da sua tradição e do orgulho de se o que são se você tem um grupo que é trabalhado e vamos dizer assim comandado como rebanho por um pastor e que se encontra acolhido naquele lugar onde é rejeitado em todos os outros você vai encontrar acolhida apoio uma forma de alimentação e faz com que você antes de pensar na tradição Cultural que você traz você pensa na sua sobrevivência tem um filósofo americano Goodman que fala da Conciência possível em determinadas situações para sobreviver as pessoas deixam de ter uma
consciência integral para ter uma consciência possível e muita gente vai pra igreja protestante por fazer com que ali ele cria uma nova família Deixa de ser daquela família negra discriminada isto aquilo aquilo outro para ser da Família evangélica ali ele consegue ter algumas coisas que fora Ele não tem consciência de que pode pular essa barreira e a gente não pode acusar essas pessoas porque elas não tiveram como sair desse círculo vicioso E aí a grande importância das escolas de samba dos enredos que a gente traz contando a nossa história e da aglutinação que nós temos
que fazer e de trabalhar juntos negros e brancos tendo parcerias e entendendo que cada um tem Que conhecer a sua própria origem que nenhum é superior ao outro mas para isso para esses acordos para essas alianças é preciso que todos possam caminhar juntos se olhando da mesma maneira Por enquanto é muito difícil porque o nosso país é profundamente racista e eu posso falar isso de cadeira porque sou professora pós-doutora Universitária e não adianta porque o racismo é uma construção que veem lá do século XVII e é uma visão do outro como sendo Inferior daria um
não Dona Helena falou tudo mas eu só quero lembrar do seguinte também só para concluir eh e é construção de sociabilidade gente é construção de pertencimento você tem muitos lugares por exemplo que quem oferece a possibilidade da creche é a igreja você tem muitos lugares em quem oferece a possibilidade de auxiliar alguém que perdeu o emprego é a igreja e me parece que há um detalhe aí que é Interessante o movimento protestante brasileiro ele não é um movimento homogêneo ele é um movimento com blocos com distinções com diferenças então existem aqueles que são intolerantes que
praticam o racismo religioso e tal mas existem aqueles que são abertos ao diálogo né existem aqueles que são adeptos de um cristianismo negro mais vigoroso eh e me parece porque eu eu eu eu sou um branco Azero que nasci num terreiro de candomblé e tal que lá do Xangô do Recife aquela coisa toda mas me parece que é necessário que a gente enfrente essa questão com a dureza que ela exige mas tentando também estabelecer Pontes com alguns setores do próprio movimento evangélico que são afeitos ao diálogo interreligioso né e compreender que muitas vezes Dona Helena
falou aqui não tem nada que contrapô imagine é uma aula sobre o fato de que as sociabilidades Negras se constroem num país racista na medida do possível e não na medida do ideal né então eu sou um sujeito convencido de que a abertura de canais com setores dispostos ao diálogo é importante com os setores que não são dispostos ao diálogo aí é guerra bom a gente vai precisar se encaminhar pro final infelizmente podemos podemos não quem sabe né eh vou pedir pra professora Fazer suas considerações finais e depois porque a gente tem uma questão de
tempo mesmo assim tá sendo transmitido online A gente tem é mas o que acontece é que apesar da lei 10639 que eu fui uma das grandes batalhadoras que tive Durban que já tem 20 anos e que completou 20 anos o ano passado e que não conseguiu ainda ser efetivada apesar de ser lei é porque não é fácil você Lidar com o preconceito que está arraigado nas pessoas e assim como nós da comunidade Negra trazemos uma memória ancestral de luta e de resistência também tem o grupo que traz uma memória ancestral de autoridade de predominância e
de olhar o outro como sendo inferior Então você tem que entender a grande dificuldade nessa relação é todo o racismo é mutável pode ser mudado mas é preciso um trabalho de Formiguinha e a gente entender que não é de uma hora para outra que isso vai mudar nós temos muita dificuldade de lidar na educação com isso eu agradeço demais a oportunidade de estar aqui no Museu da manhã é um prazer enorme estar aqui com vocês e numa outra oportunidade estaremos sempre à disposição ainda mais estando do lado desta figura maravilhosa que é Luís Antônio Simas
essa grande figura que Colabora com a comunidade negra com a comunidade indígena com os estrangeiros com todo mundo que seja bom malandro eu agradeço ressaltar de novo que é um prazer est aqui falando com o museu da manhã e e sobretudo Dona Helena sendo muito sincero estar numa mesa aqui conversando mais uma vez com a senhora é uma alegria porque eh é estar conversando já que a senhora falou que eu faço tudo isso é porque eu Acho que eu tive boas referências e a senhora é uma delas Muito obrigado é isso gente [Aplausos] obrigada muito
obrigada a intenção não era encerrar a discussão né enfim poderíamos ter outros poderemos ter outros e agora eu passo a palavra paraa Stephanie para finalizar o nosso encontro de hoje oi gente espero que vocês tenham gostado não tem como não gostar né Desse Encontro maravilhoso mas a gente quer saber o o que que vocês acharam então por favor respondam à nossa pesquisa de público inclusive eh para que vocês solicitem mais encontros como como esse aqui então o o k code que tá aqui mudou não é mais aquele de pergunta esse é para responder eh a
pesquisa falando um pouquinho do encontro e queria dizer também que entre os espaços de Formação outros que a gente falou aqui né a rua a escola de São A gente também precisa englobar os museus né Eu acho que é muito importante que a gente siga ocupando museus como vocês tiveram a iniciativa de ocupar hoje para que a gente possa eh sempre manter esse diálogo aberto e o encontros faz Exatamente isso então vocês estão aqui hoje mas é um ciclo de debates né de conversas que tá sempre eh tá tá sempre levantando né discussões importantes eh
no no âmbito aqui do museu e do público em geral a pesquisa De público também vai ser enviada para vocês por e-mail e se vocês quiserem saber ainda mais do que tá sempre rolando aqui porque o museu do amanhã é um espaço de Formação ativo constante eu vou pedir para que vocês Sigam o Instagram do museu e assim acompanhe também a gente pelo site pelo tiktok tem várias formas aí de ficar ligado no que a gente tá fazendo então é isso obrigada obrigada mesa Obrigada Dona Helena obrigada Simas e obrigada a [Aplausos] vocês Y