Agora, preste atenção para você aprender mesmo com força. É careca de saber. Oi, gente.
Eu sou Guto, professor de literatura e hoje a gente vai dar continuidade nas nossas escolas literárias e vai começar a abordar o realismo, uma das escolas literárias mais importantes como um todo pra história do mundo e principalmente aqui do Brasil, porque é nessa escola literária que surge o grande Machado de Assis, um dos nossos mais importantes escritores, certo? Então, a gente vai dar uma olhadinha primeiro no contexto histórico desse realismo, o que estava acontecendo na Europa nesse realismo e no Brasil. olhar as características, o qual era a preocupação desse movimento literário, como é que ele se colocava, por que ele trabalhava dessa maneira e depois a gente vai falar um pouquinho sobre o machado, certo?
O realismo ele começa na Europa com na França com a obra Madame Bovari do Gustavo Flober em 1857. Mas você não tinha falado na aula passada que no século XIX a grande escola literária o romantismo, que tinha todos aqueles desdobramentos. Sim, a primeira metade do século XIX é do romantismo.
A segunda metade do século XIX vai pertencer em sua grande parte ao realismo. Lógico, o realismo ele tá acontecendo junto com várias outras escolas literárias. Ele tá acontecendo junto com a terceira geração do romantismo.
Ele tá acontecendo junto com o naturalismo, que a gente vai discutir nas próximas aulas, junto com o parnasianismo, junto com o simbolismo. Então esse final do século XIX, muito por influência da das revoluções industriais, do do aumento da velocidade, a questão da dinamicidade, a as escolas literárias começaram a se pluralizar muito também. Então vai existir uma uma grande forma de escrita nesse período.
A primeira delas, a questão do realismo. Bom, eh a gente sabe, a gente já estudou na na aula passada a questão do romantismo, o começo do romantismo como a questão da revolução francesa. Portanto, assim que a revolução francesa acontece, a o absolutismo, a monarquia, ela cai e a e a consolidação da burguesia no poder.
Então a burguesia começa a tomar esse poder em relação à sociedade, a questão mesmo sendo uma democracia, uma república, enfim, a quem vai tomar conta de fato e quem vai exercer o poder sobre o outro vai ser a classe burguesa, certo? A gente tá num num período também da segunda revolução industrial, então tá ebulindo, tá todo vapor, todas as questões relacionadas a essa mecanização, aos avanços. a gente vai ter um desenvolvimento do capitalismo muito forte nesse período, principalmente por influência dessa burguesia que está se colocando no poder, que está mandando, que se coloca dessa maneira.
E com esse desenvolvimento do capitalismo, a gente vai ter, juntamente com a Segunda Revolução Industrial, muitos avanços científicos e tecnológicos. A gente vai dar uma olhadinha já já o que são esses avanços científicos e quais foram as teorias e os conceitos que surgiram nesse período e que influenciam diretamente a escola literária realista e consequentemente aquelas outras que estão coexistindo no mesmo período que ela. São eh são correntes científicas, correntes de pensamento muito importantes, como o evolucionismo do Darwin, o o determinismo do Tin, o positivismo do Conte.
A gente vai ver tudo isso já já. E por fim, a gente tem o fracasso, e é importante a gente colocar, entre aspas, o fracasso da Revolução Francesa. Por que fracasso?
Eles não conseguiram de fato tirar a questão do absolutismo dos reis, do poder, criar uma democracia. Eles não conseguiram isso. Sim, eles conseguiram.
Mas então onde é que tá o fracasso? na questão de que a base da Revolução Francesa, a base de toda aquela revolução, era uma revolução que buscava a igualdade, a liberdade, a fraternidade entre todas as pessoas, que todos tivessem o mesmo acesso e a mesma condição dentro dessa sociedade de aquisição, de vida, que não houvesse mais desigualdade e diferença. O que acontece quando a burguesia e quando o proletariado, enfim, eles estão juntos, quando essas pessoas conseguem derrubar a as a as questões do poder, essa burguesia, em vez eh dela gerar de fato tudo aquilo que foi especulado e que foi criado na Revolução Francesa, toda aquela idealização que vinha junto com as questões relacionadas ao romantismo, aquele espírito de liberdade, aquele espírito do indivíduo enquanto um ser eh único, e que precisa ter esse direito à vida, a burguesia simplesmente toma o lugar do que outra hora eram, eram os reis, eram as raías, eram os monarcas.
E dessa maneira eles acabam governando para eles, não para o proletariado. Isso gera uma desigualdade social gigantesca. Isso vai gerar também uma quebra da própria esperança desse mundo.
A gente vai entender o por que a gente sai de um romantismo, que é uma escola literária extremamente idealizada, e parte para um realismo, que é uma escola literária real, no que acontece de fato. E uma das grandes influências é esse acontecimento. Por quê?
A a grande ideia da Revolução Francesa era a questão da idealização do mundo melhor para todos, o mundo mais igual, o mundo mais justo. E tudo isso veio gerando essa idealização. A história do mundo passa por essa idealização de de um mundo igual ao mundo fraterno.
A as classes oprimidas sempre sonham com isso e a classe eh dominante não quer que isso aconteça. Então eles ficam idealizando, idealizando, idealizando. De repente, depois de muitos, de repente não, né, depois de um processo longo, eh, depois de muitos anos, eles conseguem quebrar com o absolutismo, eles conseguem quebrar com essa questão monárquica.
Enfim, eles acham que eles vão conseguir viver num igualdade. Mas daí existe essa corrupção da burguesia. o burguês ele se corrompe e ele se coloca nesse lugar continuando a explorar o proletariado.
E isso gera uma desilusão e uma quebra dessa idealização muito grande. Portanto, o realismo vai ser essencialmente um movimento antirromântico. Ele não quer mais idealizar as coisas.
Ele não quer mais mostrar como as coisas são bonitas. Não é mais a questão do sentimento, do eu, do sonho, da fuga da realidade, não. Eles, o realismo vai mostrar necessariamente a realidade, o fato, como as coisas são.
Não existe mais essa ideia do herói de caráter elevado, que que não é corrompido. Não existe mais essa ideia de maniqueísmo, que o homem é completamente bom e o seu vilão é completamente mau. Muito pelo contrário, o realismo, essa escola literária, vai trabalhar muito com uma crítica a essa burguesia que se corrompe.
Então, a grande maioria das obras do realismo trabalham com uma crítica e uma crítica e feroz, uma crítica muito forte em relação essa burguesia corrompida e que se deixa levar por essa questão do poder. Claro? Eh, então, muito importante vocês terem em mente a ideia da consolidação do poder, isso é importantíssimo, a questão da segunda revolução industrial e todo esse desenvolvimento capitalista e das ciências e da tecnologia.
E consequentemente com o desenvolvimento capitalista e com essa questão da burguesia no poder, o que que vai acontecer? A desigualdade social vai crescer ainda mais do que era antes, ainda mais do que era com a questão da monarquia, porque os burgueses vão se colocar muito acima. Então, poucos vão ter muitas coisas e muitos vão ter muito pouco, o que vai acabar gerando a questão da das periferias, o que vai acabar gerando todas essas questões que a gente vai abordar no naturalismo nas próximas aulas.
E por fim, ou de início, essa questão do fracasso da Revolução Francesa, que a gente não pode tirar de vista nunca. Claro, aqui no Brasil o contexto histórico é muito é igual, é o mesmo contexto histórico da terceira geração do do romantismo. Tanto que lembram que eu falei para vocês que no a terceira geração do romantismo influencia muito o realismo por ter essa questão da temática social, essa temática política e de fato vai influenciar porque eles estão no mesmo contexto histórico.
A diferença é que um se mantém atrelado às questões do romantismo, que é o caso do Castro Alves, por exemplo, e outros já passam pra questão do realismo, para uma uma crítica que não trabalha com nenhum tipo de idealização, uma crítica que trabalha com a ironia, que quer mostrar esse podre do ser humano, como esse ser humano é corrompido. Então, tem essas essas nuances. Portanto, o contexto histórico aqui no Brasil é a abolição da escravidão em 1888 e a proclamação da República em 1889.
Certo? Então vou dar uma apagada aqui para explicar um pouquinho para vocês o que é, o que são esses conceitos científicos, quais são e como eles se colocam, certo? Bom, então para terminar aqui essa questão do contexto histórico e de tudo o que estava acontecendo nesse período, a gente vai falar um pouquinho sobre esses avanços científico, sobre essas ciências que foram desenvolvidas nesse período.
É muito importante que vocês anotem essas questões, porque essas ciências não vão estar presentes só no realismo, mas também no naturalismo. Na aula de naturalismo, obviamente eu vou retomar todas essas questões, mas é importante já que a gente comece a compreender e entender como que essa ciência se colocavam, certo? Então, primeiro que tudo, a gente tem o positivismo desenvolvido por um sujeito chamado Augusto Conte.
Qual que é a grande ideia do positivismo? Eu só posso acreditar naquilo que pode que pode ser empiricamente comprovado, só naquilo que pode ser cientificamente comprovado. Acabou a idealização, acabou a crença no que não pode ser comprovado.
Eu não posso mais acreditar num futuro melhor sem algo que me comprove ser futuro melhor, que era a questão da da própria Revolução Francesa. Eu só posso acreditar naquilo que de fato me dá embasamento teórico, me dá embasamento científico. Eu só possa acreditar no que pode ser comprovado.
Isso é importantíssimo para levar em consideração em relação ao positivismo, além da questão do comando com punhos de ferro, mas a grande questão do positivismo é essa do só acredito no que é comprovado cientificamente, que vai est muito presente aqui no realismo e também no naturalismo, quando eles forem fazer as questões dos romances de tese. O determinismo é um conceito muito importante, porque é a questão de que o ambiente que você está inserido, o contexto em que o sujeito está inserido, determina eh necessariamente a forma como esse sujeito vai agir. Portanto, um sujeito que nasce na burguesia, um sujeito que é colocado nesse contexto que já nasce corrupto, ele já nasce também corrompido.
Ele vai necessariamente eh agir da forma que o contexto impõe para ele. O contexto influencia diretamente na forma como esse sujeito vai se formar, como ele vai agir e como ele vai ser. Esse determinismo é muito importante tanto no realismo quanto no naturalismo.
A ideia do evolucionismo é muito importante, não necessariamente no evolucionismo enquanto eh ciência biológica, mas muito mais como uma questão do evolucionismo social. Qual que era a ideia do evolucionismo do Charles Darwin? Diferente do que muita gente fala, que é o mais forte sobrevive, o mais forte eh consegue se manter, a questão é o mais apto consegue se manter.
Então, qual que é a grande ideia do mais apto conseguir se manter? Aquele que consegue se adaptar às diferentes questões, aquele consegue se virar dentro do daquele contexto e daquela forma que está sendo imposta. Muito relacionado ao determinismo também.
Esse evolucionismo vai ter uma ligação muito forte com a questão de que o mais apto é aquele que tem mais dinheiro, aquele que consegue se adaptar melhor às circunstâncias por ter um recurso capital maior, que é o que a gente vai ver no realismo enquanto os burgueses e é o que a gente vai ver eh enquanto oprimidos no naturalismo proletariado, certo? A questão do socialismo é muito mais voltada pra questão do naturalismo mesmo, pra escola literária ou pra tendência naturalista, como muitos falam, que é a questão da da luta de classes, é a questão do oprimido se colocando a igualdade, ele retoma os pensamentos da Revolução Francesa e coloca eles de uma maneira um pouquinho diferente. E por fim, a gente vai ter a psicanálise, que é a ideia de tentar mapear, tentar entender o o consciente, o subconsciente e o inconsciente do sujeito que tá sendo narrado.
Tanto que a gente vai ver que muitas das obras realistas trabalham com essa questão do mapeamento do consciente humano, do mapeamento da mente humana, como que essa mente se coloca e e sempre pautado em vários estudos científicos, em vários estudos que possam eh trazer isso à tona, trazer isso à luz e trazer uma comprovação. A psicanálise vai aparecer muito também no naturalismo no momento em que trabalham com as questões dos instintos da questão sexual, que é muito trabalhado pelo Freud nesse período. Portanto, positivismo do Augusto Conte, o determinismo do Tin, evolucionismo do Charles Darwin, socialismo do Marx e, por fim, a psicanálise do Zigmund Freud, eh, Freud, enfim, que que trabalha muito e que vai influenciar toda a literatura e todo o pensamento desse período.
Claro? Então agora, terminada esse esse contexto histórico, esse levantamento importante, falaremos sobre as características desse período. Bom, para finalizar essa aula aqui, vamos falar um pouquinho das características desse período, eh quais eram as principais preocupações, como é que eles construíam seus textos e abordar um pouquinho Machado de Assis.
A gente vai fazer um levantamento bem rápido do Machado de Assis, falar um pouquinho sobre a sobre a vida dele, sobre as características peculiares dele acima das questões que a gente já vai falar. aqui já vai abordar como características gerais. Eh, e vocês vão ver com mais aprofundamento nas nas aulas relacionadas à análises dos livros, a memórias póstumas e todas essas questões, certo?
Então, vamos lá. O realismo é uma escola literária que aborda necessariamente o realismo. A grande a grande questão do realismo é a burguesia.
E não é um elogio à burguesia, não é um elogio aos interesses da burguesia com a burguesia é boa, bela e verdadeira. Não é a como a burguesia é uma sociedade de aparências. Sendo uma sociedade de aparências, tudo aquilo que todas aquelas características que a gente pensar que podem ser ruins, a gente coloca na burguesia.
A burguesia é uma sociedade corrupta, é uma sociedade falsa, é uma sociedade extremamente eh capitalista, exploradora, mesquinha, gananciosa, egocêntrica, egoísta. E todas essas questões vão ser mostradas nas obras quando a gente fala sobre a burguesia no realismo. A principal delas é essa ideia da sociedade de aparências e todo o resto tá dentro, tá?
Tá incluído nessa questão, porque é uma sociedade que se vende de uma forma, se mostra de uma forma, mas por dentro, lá no seu psicológico ou dentro da sua casa, ela é completamente diferente. É uma outra pessoa, é uma outra forma de abordar e de ser desse sujeito, certo? Então vamos lá.
Eh, uma das principais características, a primeira de todas, é que o realismo é uma oposição ao romantismo. Se o romantismo era subjetivo, se falava dos sentimentos e dessa e desse tipo de questão, o realismo vai trabalhar com a objetividade. O realismo ele vai ser extremamente objetivo.
Não objetivo no sentido de que ele vai ir direto ao ponto. Ele vai direto ao ponto, mas objetivo no sentido de que ele não idealiza as coisas. Ele conta pra gente a realidade tal como ela é.
Lógico, a gente tem que tomar muito cuidado quando a gente fala na realidade tal como ela é, como o retrato da época, porque o realismo ele não vai mostrar a realidade como ela é de fato, mas ela ele vai inverter o romantismo. Se o romantismo idealizava e mostrava tudo muito bonito, ele vai mostrar tudo muito ruim. Por exemplo, existem pessoas corruptas?
Com certeza existem. Todas as pessoas são corruptas? Não.
Quem que o realismo vai escolher? As corruptas. Porque é isso que tá interessando mostrar nesse período.
Então essa ideia da objetividade, mostrar a realidade tal como ela é nas coisas ruins. Bacana. A arte pro realista é necessariamente um retrato da época.
O que que isso quer dizer? Eles querem mostrar como é essa vida, como é essa sociedade e como é, acima de tudo, essa burguesia. A arte vai ser uma denúncia à burguesia, a como a burguesia se coloca, a como ela explora o outro, a como é uma sociedade de aparências falsa, egocêntrica, tudo isso que eu já abordei com vocês.
Tem a questão do engajamento político e social, que tá extremamente atrelado ao retrato da época, a política corrupta, a questão da exploração, a questão social do sujeito que é marginalizado e jogado à beira da sociedade, a periferia, onde ele tem que formar as favelas, as comunidades, enfim, todos esses lugares. em contraposição, essa burguesia que vive explorando esse sujeito marginalizado e que é tratada quase como um animal, certo? O realismo vai trabalhar muito com a ideia do descritivismo.
Por ser uma questão realista, por ser uma questão objetiva, que é mostrar a realidade o mais palpável possível, a as obras realistas vão descrever muitos ambientes. Isto acaba tornando, algumas pessoas a obra realista um pouco chata, o que eu não concordo muito, mas alguns dos autores realistas, de fato, eles descrevem demais, tipo, três páginas para contar como é o pé de uma cadeira. Isso acaba complicando um pouquinho até a própria leitura, mas a grande ideia é esse esse descritivismo para dar pra gente o o acontecimento de forma palpável, pra gente conseguir sentir aquilo, pra gente conseguir tocar aquilo, falar: "Isso é real, isso acontece, isso isso é presente na minha vida".
Por isso que o descritivismo é tão tão trabalhado nessa escola literária. Aí a gente tem a questão da verossemelhança, que é é exatamente a questão do retrato da época de se parecer com a realidade, verou verdade, semelhança, semelhante, parecer. Então, a ideia de se parecer com a verdade, se parecer com a realidade, de novo, a realidade não a realidade realidade de verdade, mas a realidade mostrada só do lado ruim, desse lado da burguesia, dessa sociedade de aparências, certo?
E por fim, o realismo vai trabalhar com romance psicológico. Ele trabalha com uma análise do sujeito. Esse sujeito, tanto internamente, no seu psicológico, no seu eu, quem ele é de fato, e no seu externo, quem ele aparenta ser para a sociedade.
Isso fica muito claro no Memórias Póstulumas de Brascubas, por exemplo, quando o narrador, o Braz, tá contando pra gente como ele era. Ele tá contando pra gente e de forma já colocada, por exemplo, ah, eu era uma pessoa muito boa, eu era uma pessoa que tinha muito dinheiro, eu tinha muitas coisas, mas naquelas entrelinhas, no meio no meio do caminho, você consegue entender quem ele era de fato, você consegue entender quem ele disse ser e quem ele é, com certeza. Claro para vocês?
E é por isso que o romance psicológico ele é chamado de romance documental. Ele é quase um documento da psicologia. Ele é quase um documento da realidade daquele período.
É qu ele quase constitui como um documento histórico. A gente pode brincar com essa questão, certo? Falando um pouquinho de Machado de Assis.
Machado de Assis, muito embora seja colocado em vários livros, em várias fotos, como um sujeito de pele branca de e caucasiano, ele não era. E isso é uma coisa complicadíssima, porque a gente enquanto eh ser brasileiro tenta eh embranquecer um sujeito que era mulato. O Machado de Assis, o maior escritor da nossa literatura era um sujeito mulato.
Ele a a etnia dele era mulata. Ele era filho de um negro com uma branca e com uma caucasiana. E e ele veio de uma família muito pobre.
Ele é um ele é autodidata, ele não conseguiu nem concluir os estudos. Ele não termina os estudos e ele tenta se manter vendendo doce na porta da escola que ele estudava. E ele vai aprendendo a escrever sozinho, ele vai aprendendo a construir as suas questões sozinho.
E ele acende socialmente no momento em que ele casa com a Ana Carolina, que foi a mulher, a esposa dele e quem ajudou muito ele. Por quê? Machado de Assis, ele tinha problema de saúde, ele era gago e epilético, então ele tinha problemas de epilepsia muito fortes e que acabaram eh sendo amenizadas com a Ana Carolina, com a a mulher dele.
A mulher dele ajudou muito a questão de saúde dele, ajudou muito com a com a questão dele ser gago, só que quando ela morre, ele volta a ter os ataques com muita frequência e menos de um ano depois ele também morre, porque ele não consegue sobreviver sem a esposa dele. Foi uma luta muito grande com a família da esposa, porque era uma família burguesa que não aceitava o relacionamento dela com o Mulato. Eh, e Machado de Assis, ele ele foi aprendendo a escrever, ele foi melhorando a escrita dele com as críticas que ele fazia.
Ele foi, ele foi entrando em jornal, ele trabalhava no jornal e ele foi virando crítico dentro do jornal, crítico de teatro. Depois ele passou a questão da literatura, ele traduziu muitas coisas. O Machado de Assis aprende a escrever de maneira fabulosa com o Edgar Alampou, que ele traduz a a filosofia da composição, traduz o poema do corvo.
Então ele aprende muito a escrever com o Alan Paul, eles ele toma muito essa questão do romance policial, do detetivesco e ele coloca nas suas obras realistas. A grande questão é que o Machado de Assis faz uma análise profunda dos seus personagens, mas essa análise não é evidente. Ele não te dá e fala: "Esse sujeito é desta maneira".
ele te faz interpretar. Isso fica muito claro num conto e eu aconselho muito que vocês leiam para entender bem o que é esse realismo, o que é esse machado de assis, como ele trabalha com a ironia, como ele trabalha diretamente com o leitor, como ele pressupõe o que o leitor tá pensando e assim ele constitui a sua obra, o que é uma coisa fabulosa, é o conto chamado o relógio de ouro. Esse conto, o relógio de ouro, ele inicia com a questão do Luís Negreiros, um dos personagens, e a Clarinha, que é sua esposa, uma família burguesa.
E do nada um relógio de ouro aparece em cima da mesa. E durante toda a obra você vai achando que a que aquele relógio de ouro que aparece é da amante, é do amante da Clarinha, que a Clarinha tem uma tem um amante e tudo mais. ele esqueceu o relógio lá e toda vez que o Luís Negreiros vai vai questionar a Clarinha, ela ela chora, ela fica é preocupada, ela sai correndo.
Então tudo no romance vai colocando essas questões de que a Clarinha tem um amante. Só que a gente tem que levar em consideração o próprio nome desses personagens, o Luís Negreiros, o Luiz que esconde algo dentro dele, o Luiz que tem uma escuridão, em contraposição a Clarinha, que é uma pessoa completamente evidente. E e quando você chega no final do conto, eu não vou dar spoiler, embora a obra tenha mais de 100 anos, é quando você chega no final do conto, a você fala: "Meu Deus, mas como isso?
" Só que se você retoma o conto desde o começo, você vai percebendo que durante toda a obra o machado vai deixando pistas pra gente e ele vai mostrando como essa burguesia extremamente corrupta, como que um dos personagens dentro dessa dessa obra, dentro desse conto, ele consegue transcender a burguesia. Mesmo sendo um burguês, ele consegue não ser eh não ter essa sociedade de aparências. Ele é um ser puro mesmo, de fato.
E em contraposição, como que os outros burgues se colocam em numa relação violenta, numa relação de aparentar ser bom, mas em contraposição dentro de casa, ter a questão da agressão, ter a questão da da agressão física e verbal. Tudo isso é colocado de maneira sublime pelo Machado nesse ponto. Para finalizar, o Machado tem duas fases.
A primeira que ninguém liga por ser uma uma fase muito chata, sinceramente, que é a fase romântica dele, é quando ele escrevia ainda eh romances românticos, que faz parte o ressurreição, faz parte Helena, faz parte uns uns umas obras bem chatas. e de repente ele ressurge no realismo, tanto que ele que dá início ao realismo aqui no Brasil com memórias póstumas de Brascubas em 1881. Eh, ele que dá início a esse realismo aqui no Brasil e é um e é um dos autores mais importantes da história da nossa literatura.
Então ele tem essas duas fases, a romântica, que ninguém dá muita bola e a realista, que é a que de fato eh interessa em termos de produção. A produção dele cresce muito porque ele aprende muito a escrever com o o Edgar Alampou quando ele faz as traduções. E ele recebe muitas críticas do Essa de Queiroz lá de Portugal e ele começa a ver que o Essa de Queiroz tá certo e ele muda a sua escrita.
Assim ele se torna o grande Machado de Assis. Certo? Então, por aqui finalizamos o o realismo, conseguimos abordar tudo em uma aula só.
Muito bom. E na próxima aula a gente volta com o naturalismo para explicar qual foi essa outra escola literária ou tendência. Vamos discutir isso nesse mesmo período, certo?
Agradeço muito a atenção de todos. Espero que vocês tenham gostado, apreciado bastante. Assistam as aulas relacionadas ao Machado de Assis e ao de Queiroz, analisando obras onde as questões deles vão ser mais aprofundadas.
Mas de Assis é um sujeito muito irônico. Ele trabalha muito com essa ironia, trabalha muito com essa análise do psicológico. Isso é muito bacana.
Então, assistam essas aulas e até o próximo. Ciao. Ciao.