[Música] eu lhe dou as boas-vindas ao podcast autoconsciente eu sou Regina Janette e o meu trabalho é ajudar pessoas a se entenderem melhor e viverem mais em paz com elas mesmas eu dou cursos e retiros e faço esse podcast que fala de vida interior ten uma jornada de autoconhecimento para você aqui todos os episódios em sequência estão na playlist autoconsciente do zero veja o link na descrição deste vídeo se inscreva no canal Ative o Sininho curta esse vídeo e se você gostar do que vai ouvir aqui compartilhe com seus amigos o que faz bem para
você pode fazer para muito mais [Música] gente Episódio 16 um [Música] contentamento você que acompanha este podcast sabe que quando eu assisto um filme uma série ou leio um livro que me encanta e que tem a ver claro com a temática que a gente trata aqui eu trago para compartilhar com você e dessa vez o que me encantou foi o filme dias perfeitos do diretor alemão Win wenders é um filme recente estreou nos cinemas brasileiros em fevereiro deste ano de 2024 na ocasião eu ouvi falar dele me interessei em assistir mas acabei não assistindo e
o assunto caiu no esquecimento até que dias atrás apareceu para mim no YouTube uma resenha de dias perfeitos Que reacendeu meu interesse e dessa vez eu não deixei escapar ele saiu de cartaz nos cinemas mas está em plataformas de streaming eu deixei onde encontrar na descrição deste Episódio é um daqueles filmes que tem várias camadas pra gente analisar fora isso o modo como Ele conta a história é muito rico é um filme silencioso de poucos mais muitos significativos diálogos que fala com a gente por meio de imagens detalhes gestos da música que toca nas cenas
eu amei para mim o grande tema que dias perfeitos propõe para reflexão é o contentamento com a vida o que é o contentamento e como cultivar esse Estado de Espírito em um mundo onde é tão generalizado o oposto o descontentamento com a vida que levamos com a pessoa que somos com a situação que vivemos essa é a pergunta que fica depois de assistir o filme então eu vou contá-lo aqui para você com aquele costumeiro alerta de spoiler né não é que eu vou contar tudo mas pelo menos aquilo que fundamenta a minha interpretação Quem sabe
você possa tirar deste Episódio uma inspiração uma ideia para cultivar ou aumentar contentamento com a [Música] vida o personagem principal de dias perfeitos é hirayama um japonês de 50 e poucos anos que mora sozinho em um antigo e pequeno sobrado num subúrbio de Tóquio nos dias de semana ele tem uma rotina bem definida que se repete exatamente como eu vou contar a partir de agora ele começa o dia acordando espontaneamente antes do sol nascer com o ruído de uma vizinha que varre o chão embaixo da sua janela se levanta prontamente dobra as cobertas e o
futon uma espécie de colchonete e deixa tudo arrumado num cantinho no chão como é costume no Japão tradicional as pessoas não dormem Em camas mas em um colchonete sobre o chão de tatam então hirayama desce as escadas do seu sobrado escova os dentes e faz a barba em seguida sobe de volta com um frasco de spray e molha mudas de árvores que ele cultiva sobre uma mesinha junto à janela depois veste o uniforme do seu trabalho um macacão azul e desce as escadas novamente apanha objetos num aparador ao lado da porta de entrada e sai
de casa compra um café em lata na máquina de bebidas a poucos metros da sua porta entra no seu furgão Azul abre a lata toma alguns goles da bebida e parte pro trabalho no meio do caminho ele olha paraa grande torre no centro de Tóquio chamada de Sky Tree ou árvore do céu e nesse momento empurra uma fita cassete para dentro do toca-fitas do carro ele escuta músicas dos anos 70 e 80 enquanto dirige pelas Avenidas da cidade que ainda acorda e chega ao seu local de trabalho um banheiro hirayama trabalha como zelador de banheiros
públicos de Tókio com muita dedicação Ele lava vasos sanitários e pias esfrega o chão limpa espelhos esvazia de faz rond por espen S algumas que dizem ele d a ent que escut mas não Coma nada na maior parte das vezes fala o estritamente necessário na pausa pro almoço ele vai a um parque e se senta num banco para comer seu sanduíche quando termina de comer fotografa a Copa das árvores com uma câmera de filme fotográfico preto e branco terminada sua Ronda ele volta para casa pendura uniforme de faxineiro num cabide Veste uma roupa de passeio
e sai pedalando a sua bicicleta vai a uma casa de banhos onde ele se lava e rela numa grande banheira coletiva e depois vai jantar num restaurante Numa estação do metr voltaa lê um livé o sonar apaga luz e quando acorda de manhã faz tudo exatamente igual como num ritual os seus dias são a repetição dos mesmos atos mesmos gestos e lugares se você não assistiu o filme talvez ao me ouvir na Rara rotina diária do hirayama tenha ficado com a impressão de que ele leva uma vida enfadonha repetitiva sem graça pode até tlo imaginado
meio apático mas na verdade el dem est muito bem com a vida que leva a vida que ele escolheu levar certos acontecimentos do filme dão a entender que ele renunciou a uma vida de conforto material que teve no passado e também de conflitos familiares que ainda lhe doem Mas enfim na sua vida atual de um Solitário zelador de banheiros que mora numa humilde e antiga casa ele demonstra estar muito satisfeito toda vez que abre a porta de casa ao sair pro trabalho Olha pro céu e Respira fundo com um sorriso no rosto parece estar animado
pro dia que começa ele demonstra apreciar realmente vários momentos do seu cotidiano quando escuta clássicos de rock e blues em fitas cassete dirigindo pela cidade ou deitado no chão do seu quarto com o sol batendo no rosto quando contempla a copa de uma árvore ou rega as plantas que cultiva em sua sala quando relaxa na banheira fazendo água borbulhar sob o nariz ou pedala calmamente sua bicicleta balançando o corpo de um lado pro outro até mesmo sob a chuva e ele adora livros que escolhe num cebo e leva para casa por apenas um dólar hirayama
demonstra apreciar também o seu trabalho que ele faz com incrível zelo e atenção a detalhes tem até um espel para enxergar a sujeira nos cantos mais escondidos dos banheiros chega a desmontar equipamentos para atirar o pó com uma escovinha Por que alguém se importaria em limpar uma sujeira que não aparece só pode ser porque encontra sentido e satisfação em fazer isso eu não vejo outro motivo quando lhe perguntam Você limpa banheiros ele acena um sim com a cabeça e um sorriso e a propósito el sri facilmente se não é de falar muito por outro lado
olha pessoas cumprimenta com olhar e sorri se poderia dizer que ele tem contentamento com a vida um conceito que é explorado por várias correntes da filosofia por exemplo a filosofia que é originária do Japão e busca o contentamento na beleza das pequenas simples e imperfeitas coisas da vida tem aspectos no modo de vida do hirayama que se encaixam nessa filosofia a apreciação da natureza o cultivo de plantas que ele pratica são fontes de contentamento também a vida minimalista que ele escolheu levar com pouco dinheiro numa casa antiga um tanto decadente até o ABS vê beleza
naquilo que se desgastou com a passagem do tempo nas coisas imperfeitas do cotidiano a escolha do personagem de fazer uso de tecnologias do passado como o toca-fitas cassete a câmera de filme fotográfico e ele também tem um celular tipo flip que só funciona como telefone Essas são opções pela simplicidade e contentamento paraa Filosofia é sinônimo de satisfação com uma vida simples sem excessos sem a necessidade do supérflu [Música] certamente o gesto mais emblemático de contentamento que o hirayama cultiva em sua vida é tirar fotos da Copa das Árvores são fotos em preto e branco que
apesar de tiradas sempre da mesma coisa do mesmo ângulo de baixo para cima essas fotos nunca são iguais as folhas se movem com o vento e form um desen diferente a cada instante o japones T até um nome parae desenho comb ou TZ com eu não sei comb captura a imagem dos Raios do Sol que atravessam a folhagem criando um jogo de luz e sombra que nunca se repete simboliza a impermanência da vida e a importância de valorizar cada momento e é bem isso que o hirayama parece fazer valorizar o momento presente numa cena com
a sua sobrinha ela sugere que eles façam o passeio de bicicleta e ele responde que poderão fazer da próxima vez ela pergunta e quando é a próxima vez e ele diz da próxima vez é da próxima vez agora é agora a gente percebe que ele está sempre atento ao que faz e ao que se passa ao seu redor ele pode não falar muito mas nota a presença das pessoas faz uma reverência para elas uma coisa assim eu vejo você e para quem está presente um dia nunca é igual a outro por mais rotineiras que sejam
as nossas atividades hira percebe coisas às vezes Muito pequenas que passariam batido PR maioria das pessoas um minúsculo broto de árvore que buscam o lugar ao sol o pedaço de papel escondido numa fresta de um banheiro deixado por alguém que quer interagir com um desconhecido o mendigo que perambula pela cidade e parece invisível aos passantes apressados e ocupados mas é visto e saudado pelo hirayama e também não é porque ele tem uma rotina bem definida que se apega a isso ele flui com acontecimentos que mudam totalmente o seu dia a sobrinha que não vê a
anos aparece de repente para ficar na casa dele tudo bem ele acolhe a sobrinha dá seu quarto para ela e vai dormir exprimido num depósito cheio de caixas no andar debaixo da sua casa a sobrinha quer ir com ele pro trabalho tá bom vai ele a leva o colega do trabalho pede seu carro para dar carona para uma garota e depois cisma de levar suas fitas cassete para uma avaliação de valor de mercado hirayama embarca no rolê com paciência e boa vontade Ele só não deixa o colega vender as suas fitas aí também já seria
demais quando o passeio inesperado termina já é noite hira ema não tomou seu banho não jantou o seu carro está sem gasolina numa avenida longe de casa e ele não tem dinheiro para abastecer porque emprestou quase tudo que tinha na carteira ao colega e apesar de tudo está Sereno e conclui que o jeito é vender uma das suas fitas cassete para botar gasolina no carro do comportamento do hirayama Nós também podemos ver aspectos do estoicismo como esse de não se deixar perturbar pelas adversidades pelas imprevisibilidades da vida para a filosofia estóica uma das chaves pro
contentamento reside na compreensão de que na vida existem coisas que estão sob a nossa esfera de controle e que essas nós podemos mudar e existem coisas que não estão sob a nossa esfera de controle e essas nos cabe aceitar aceitar não é simplesmente se dar por Vencido diante da adversidade mas sim escolher ativamente reconhecer que a diversidade nos acontece por algum motivo e lidar com ela o estoicismo entende que os fatos que nos acontecem são impessoais e neutros e não para atender as nossas expectativas o contentamento então não depende de fatores exteriores mas de uma
disposição interior de ver beleza e significado em tudo na [Música] vida outro princípio do estoicismo para uma vida de contentamento é não depender da aprovação alheia nesse ponto Então hirayama segue arrisca o figurino estoico ter renunciado a uma vida confortável para viver modestamente fazendo um trabalho muito pouco reconhecido isso vai na contramão do que a sociedade entende como ideal de sucesso o fato é que a opção de vida do personagem contrasta com muitos aspectos da vida da maioria das pessoas o filme expõe esses contrastes e nos leva a refletir sobre o descontentamento generalizado com a
existência que se leva nesses nossos tempos pós-modernos há por exemplo muito descontentamento em Takashi o jovem que hirayama supervisiona no trabalho Takashi já começa o dia a reclamando porque encontrou um banheiro muito bagunçado reclama porque um usuário Demorou muito para desocupar um sanitário reclama do salário para diminuir o seu enfado com o trabalho ele se distrai mexendo no no celular com uma mão enquanto a outra esfrega uma privada chama a atenção como ele sempre avalia as pessoas e situações de que fala numa escala de 0 a 10 a garota de quem ele está fim é
10 de 10 a comunicação do chefe é dois de 10 e assim por diante disso a gente pode deduzir como ele próprio se avalia numa sociedade em que não encontrou melhores oportunidades sem dinheiro para sair com a sua Crush como se diz o Takashi desabafa até para se apaixonar é preciso ter dinheiro Isso é modernidade Há também um ar de descontentamento em aia a Crush de Takashi ela tem um quede melancólico se identifica com a personagem de uma música que fala da sua desilusão amorosa sai com Takashi sem entusiasmo uma coisa assim Tanto faz a
me faz pensar nos relacionamentos líquidos que são tão fáceis de entrar e sair que as pessoas buscam para preencher um não sabem o queê e que as deixa tão vazias há descontentamento em Nico a sobrinha adolescente de hirayama ela foge do lar abastado para se refugiar na humilde casa do tio onde se sente livre da Muito provavelmente rigorosa e exigente educação que recebe dos Pais po po se também supor algum descontentamento na vida do jovem profissional que entra bêbado num banheiro público logo cedo carregando o paletó amassado em uma das mãos a camisa social em
desalinho são comuns as jornadas de trabalho exaustivas no Japão que chegam a causar um fenômeno chamado por lá de kochi a morte por esgotamento no trabalho o ritmo de vida Frenético a solidão a comparação social as pressões para que as pessoas se adequem a certos padrões tudo isso está no cenário ao redor de hirayama E como eu disse lá no início são aspectos dos nossos tempos que podem facilmente nos arrastar pro descontentamento com a vida que levamos com a pessoa que somos mas enfim talvez a história do hirayama possa nos dar alguma inspiração para levar
uma vida com mais contentamento como qualquer ser humano ele também tem as suas feridas e tristezas Mas isso não o impede de apreciar as pequenas coisas que para ele T significado e beleza que lhe trazem um sentimento de satisfação com a vida talvez a gente também possa reconhecer essas pequenas coisas que nos cercam e apreciá-las valorizar mais o que possuímos para não desejar tanto as que não possuímos eu acho que esse seria um bom começo que você esteja bem um abraço