Se você puder, abra sua Bíblia comigo no Evangelho de Mateus, no capítulo 18, e nós vamos ver juntos dos versículos 7 até o 9. Eu vou ler na Almeida Revista Atualizada, mas qualquer que seja a sua versão, quero que você me acompanhe. São palavras do Senhor Jesus, e Ele diz: "Ai do mundo, por causa dos escândalos! Porque é inevitável que venham escândalos; mas ai do homem pelo qual vem o escândalo! Portanto, se a tua mão ou teu pé te fazem tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco do que,
tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. E se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo." Jesus faz uma afirmação categórica absoluta; não merece discussão, não é de difícil interpretação. Ele diz: "É inevitável que venham escândalos." Então, essa classificação de Jesus mostra que os escândalos são inevitáveis, mas logo depois Ele sai do homem pelo qual vem o escândalo. E depois diz "ai desse" por meio do qual
vem aquilo que é inevitável que venha. Ele fala a respeito de se a tua mão ou teu pé te fazem tropeçar. Qual a ideia de tropeçar apresentada aqui? Eu quero chamar a sua atenção para o significado da palavra traduzida como escândalo. Eu creio que a palavra escândalo, que é muito próxima do que aparece lá no original do grego antigo — o que é "scandalon" —, não resume exatamente o que está sendo dito. De acordo com o dicionário, a palavra escândalo diz o seguinte: originalmente era o nome da parte de uma armadilha, na qual se colocava
a isca. Por conseguinte, a armadilha ou a própria isso no Novo Testamento, escandalou sempre é usado metaforicamente, na maioria das vezes, acerca de qualquer coisa que desperta preconceito ou torna-se obstáculo para outros ou os leva a cair no caminho. O léxico de Strong apresenta o significado de escândalo assim: uma vara móvel, o gancho de uma armadilha, varas de armadilha, cilada, qualquer impedimento colocado no caminho que faz alguém tropeçar ou cair, pedra de tropeço, qualquer pessoa ou coisa pela qual alguém torna-se presa no erro ou pecado. A tradução brasileira de 1917, que teve como consultores da
língua portuguesa nada menos do que Rui Barbosa, traduziu assim: "Ai do mundo, por causa dos tropeços!" A Nova Almeida Atualizada diz: "Ai do mundo, por causa das pedras de tropeço." E a nova versão internacional — uma tradução que a gente chama de por equivalência e não literalidade — interpretou e diz: "Ai do mundo, por causa das coisas que fazem cair no pecado." Na nossa cabeça, a ideia de escândalo é quando a vergonha de alguma coisa errada cometida por alguém é exposta, e normalmente nós pensamos em escândalo como o problema de alguém que veio à tona,
se tornou conhecido por outros. Mas, por mais que a vergonha tenha sido compartilhada e tornado pública, nós ainda pensamos que é o problema da pessoa. A ideia de escândalo na Bíblia não é apenas o pecado que alguém comete, é o impacto que isso tem na vida de outros. Tem muito mais a ver com o dano a terceiros do que apenas o pecado propriamente dito. E eu quero que a gente possa olhar devidamente para o que o Senhor Jesus falou. O tema da minha mensagem hoje é uma pergunta, e ela faz muito mais sentido quando olhamos
ali o aspecto ortográfico, né? A grafia escrita do que só falar, né? Porque aqui nós temos duas perguntas: "Escândalos inevitáveis" e, ao mesmo tempo, separando em "A pergunta: são evitáveis?" Jesus começa falando que é inevitável que venham escândalos. Então, a classificação de escândalos como inevitáveis é bíblica, mas no mesmo texto, Jesus vai para uma linha de pensamento e aplicação prática, onde ele mostra que os escândalos são evitáveis. E Ele não está se contradizendo, né? Apesar do paradoxo da aparente contradição, a palavra de Deus não se encontra — diz Jesus — que não está se contradizendo.
Eu quero mostrar que as declarações d'Ele, que vêm no mesmo texto, não são divergentes; elas são complementares. Há uma perspectiva de aplicação para a classificação de inevitável e é uma perspectiva bíblica de aplicação para aquilo que é evitável. Mas, antes que a gente fale disso, eu gostaria só de chamar sua atenção que os escândalos podem ocorrer quando falamos do tropeço colocado diante de outros por meio da decepção, da falha de alguém, né, o que sugere a vida de outros; como também por deliberada tentativa de prejudicar outros. Em uma das sete cartas às igrejas da Ásia,
no Apocalipse, no capítulo 2, no verso 14, Jesus fala assim: "Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a abalá, que arma ciladas, coloca armadilhas diante dos filhos de Israel, para comerem das coisas sacrificadas aos ídolos." Então, a ideia de escândalo não é só o pecado que alguém comete, mas como isso pode se tornar uma pedra de tropeço, atrapalhar outros. Repito o que eu falei antes: o conceito tem mais a ver com o dano a terceiros do que apenas aquilo que o pecado faz
contra nós mesmos na nossa relação com Deus. E o contexto disto é muito claro, porque nós lemos os versículos 7 a 9 de Mateus 18, mas eu me lembro de um ditado que já foi popular, hoje em dia não é no meio cristão. Eu via isso ser repetido tanto dentro de casa como na igreja: o ditado era "Texto sem contexto não passa de pretexto." Na interpretação bíblica, a gente sempre procura olhar o contexto. Eu gostaria que você tivesse a paciência de ver comigo os versículos anteriores de Mateus 18. A gente leu antes do 7... Nove,
eu quero ler os anteriores, do dois ao seis. O texto diz assim: "Jesus, chamando uma criança, colocou no meio deles e disse: 'Em verdade, vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Portanto, aquele que se humilhar como essa criança, esse é o maior no Reino dos Céus. E quem receber uma criança tal como esta em meu nome, a mim recebe. Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um desses pequeninos que crê em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande
pedra de moinho e fosse afogado na profundeza do mar.'" Jesus toma uma criança literal e, a partir disso, começa a falar. Se o comportamento de vocês não for semelhante ao de uma criança, não há a menor chance de que você possa desfrutar do Reino. Mas, depois, ele diz: "Ai do mundo por causa dos escândalos; ai do mundo porque eles trazem dor, eles trazem vergonha, eles trazem decepção. O seu estrago é inestimável." Mas ele também diz: "Ai do homem, pelo meio do qual os escândalos vêm." Daqui a pouco nós vamos mexer no assunto de juízos sobre
os promotores de escândalos, mas antes disso, eu gostaria de chamar sua atenção para que Jesus está tentando proteger as suas crianças. E isso precisa despertar em mim e em você uma consciência, como igreja, como cristãos, ao mesmo tempo como cidadãos de uma sociedade que deveria proteger melhor as suas crianças. Nós estamos vendo o nível de abuso que estão tentando impor sobre as nossas crianças, e nós não podemos assistir a isso calados. #FicaADica. Voltando para o texto bíblico, o Senhor Jesus fala de crianças literais, mas, quando você olha o ensino bíblico, nós não podemos excluir, embora
a aplicação primária seja sobre crianças literais, aquelas que classificamos como espirituais. Em 1 Pedro 2, a Escritura diz: "Como crianças recém-nascidas, desejem o genuíno leite espiritual, para que por ele seja dado crescimento para a salvação." Então, você vai ter a profundidade avançada que acabaram de nascer de novo, espiritualmente falando, são crianças. Obviamente, Jesus não falava só dessas pessoas, mas, quando ele fala de não escandalizar os pequenos, que crêem nele, são os pequenos, os baixinhos literais, mas também aqueles de uma estatura espiritual ainda não desenvolvida, que também são sujeitos a um forte impacto que o nosso
comportamento, seja positivo ou negativo, pode proporcionar. É diante dessa ideia que o Senhor Jesus vai apresentar o seu ensino. Eu acredito que nós precisamos ter isso muito claro na nossa mente: a vida cristã não diz respeito apenas à forma como eu e você nos conduzimos diante de Deus, mas a maneira como eu e você decidimos nos conduzir diante de Deus vai afetar a vida de outras pessoas. E nós precisamos levar em conta os outros e não apenas a nós mesmos. A pergunta que deve ser feita é: qual impacto o bom testemunho tem na vida de
outros? E, ao mesmo tempo, a outra pergunta feita é: qual o impacto que o mau testemunho pode ter na vida de outros? No meu primeiro ano como pastor, estamos falando de 30 anos atrás, eu me lembro de uma conversa que eu tive numa oficina mecânica lá em Guarapuava. Eu frequentava com certa regularidade a oficina. Ela era de um novo convertido que recentemente havia entregado sua vida a Jesus na nossa igreja, estava dando os primeiros passos, e eu visitava com certa recorrência, porque pensa num carro que ia quase tanto à oficina como eu tinha que ir
ao supermercado. Eu brinco que aquele carro não podia ver um camarada assim, com macacão sujo de graxa, que já ameaçava dar problema. Às vezes, estava dirigindo, passei perto de um cara com macacão sujo, e o cara ameaçou falhar. Eu falei para o carro: "Larga a mão de ser besta!" Era um borracheiro, né? Nem mecânico. Estourou um pneu, como era, não era? Era frequente. Eu estou lá conversando a respeito do carro e dos problemas que inevitavelmente estavam para acontecer. Esse mecânico estava falando: "Se eu tropeçar, o dano não é só meu; eu posso trazer dano a
muita gente." Naquela época, não se imaginava quantas das milhares de pessoas afetaríamos diretamente e quantos milhares afetaríamos indiretamente. Mas, desde então, eu comecei a procurar entender o que a palavra de Deus diz a respeito do assunto que hoje, talvez pela primeira vez nesses 30 anos, ele esteja pregando do formato de uma mensagem organizada e elaborada. A primeira coisa que eu quero que a gente escute é o que é evitável e o que é inevitável. A verdade, vamos começar pelo inevitável, porque Jesus falou primeiro disso, quando ele afirma: "É inevitável que venham escândalos." Não tem mais
o que discutir, o que interpretar, o que relativizar. O Senhor Jesus diz: "Vai acontecer" e ponto final. É certo. A pergunta que deve ser feita é: quando, onde, por meio de quem? Mas que vai acontecer, vai. E aí precisamos entender que o Senhor Jesus estava tentando nos preparar para lidar com a realidade dos escândalos. Nós não podemos, de forma alguma, tentar dizer que isso não vai acontecer no nosso meio. O Senhor Jesus diz: "É inevitável que venham escândalos." Ponto. Agora, do que é que Jesus está falando quando ele simplesmente muda e diz: "Mas ai do
homem pelo meio do qual vem"? Jesus muda uma conversa que é coletiva, escândalos em toda a humanidade, e ele agora vai falar de um indivíduo: "Ai daquele por meio do qual vem." É quando Jesus fala sobre o assunto agora individual, e não coletivo, que ele vai dizer... A mão ou teu pé fazem tropeçar, promovem escândalos; pedra de tropeço para você ou para os outros. E discorda e arranca de você, Jesus, aqui, advogando uma amputação literal. Ele não está advogando uma auto mutilação literal. Até porque não é a sua mão ou seu pé que pecam sozinhos;
normalmente, executam o que está dentro de você. Não adianta você se livrar deles, pois a maldade vai continuar dentro de você. O que Jesus está dizendo é que nenhum sacrifício é alto demais para se evitar escândalos, mas ele está dizendo que escândalos são evitáveis à luz da perspectiva individual. Vamos tentar explicar isso melhor quando falamos da perspectiva coletiva em termos de humanidade. Vamos deixar de lado a humanidade quando pensamos nos ímpios, com natureza pecaminosa caída, governados pela velha natureza. Vamos falar de crentes que nasceram de novo, que têm uma nova natureza, mas não viveram todo
o processo de santificação e transformação. Ou seja, são falíveis, sujeitos ao erro e à possibilidade de queda. Nesse ambiente de falibilidade, que é o ambiente infalível, eu vou tentar falar. A gente não vai sair. Nós precisamos entender que os escândalos vão pipocar. O que Jesus está dizendo é que é inevitável que eles apareçam porque não temos controle sobre a decisão dos outros. Então, quando falamos dos escândalos na perspectiva coletiva, eles são inevitáveis; não dependem de nós. Mas quando ele traz o assunto para o individual, precisamos entender que o que a Bíblia está nos ensinando é
que eles são evitáveis. Ou seja, eu e você vamos reconhecer, de acordo com o que Jesus falou, que os escândalos vão pipocar por aí, mas, através de mim, não é uma escolha que eu e você, enquanto indivíduos, podemos fazer. E tudo que Jesus ensina na sequência não faria o menor sentido se os escândalos não tivessem esse aspecto de serem evitáveis. Os outros textos bíblicos que nós vamos ver não fariam o menor sentido, porque não foi só Jesus que falou a respeito do assunto. Por exemplo, em Romanos, no capítulo 16, nos versos 17 e 18, Paulo
diz: "Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses não servem a Cristo nosso Senhor, e sim ao seu próprio ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam o coração dos incautos." E diz: "Tem gente inocente sendo enganada." Tem, mas afaste-se dessas pessoas. As orientações sobre a possibilidade de evitá-los se estendem, por exemplo, além daqueles que deliberadamente se opõem a essa doutrina. Nós temos aquilo que não dá para classificar como pecado direto. Eu classificaria como indireto. O que é isso? É quando o
erro está necessariamente naquilo que você faz, mas na maneira como você faz. Eu classificaria isso como uma liberdade irresponsável. Em Romanos, no capítulo 14, do versículo 13 ao 15, o apóstolo Paulo, falando pelo Espírito de Deus, diz: "Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pôr de tropeço ou escândalo ao vosso irmão." Vamos fazer uma pausa. Você pode repetir isso comigo? "Tomai o propósito de não pôr de tropeço ou escândalo ao vosso irmão." Se os escândalos não fossem evitáveis, por que a Bíblia nos mandaria firmar o propósito de evitar
o escândalo? Na perspectiva individual, eles são evitáveis. Agora Paulo continua e diz: "Eu sei", verso 14, "estou persuadido no Senhor Jesus de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse, é impura." Se por causa de comida o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não a faças oferecer àquele a favor de quem Cristo morreu. Gente, para nós hoje, muitas vezes, não percebemos o quão sensível esse assunto de alimentação era no início da igreja, quando se conversava com os
judeus que, durante séculos e séculos, seguiram, além de Moisés, muitas determinações classificando o que era puro e o que era impuro, o que se podia e o que não se podia comer. Paulo está tratando com toda clareza do assunto e diz: "Eu sei, estou persuadido no Senhor Jesus de que nada é impuro para si mesmo, a não ser para aquele que assim considera." E resolveu acreditar nisso. Mas ele está dizendo que, ainda que você tenha essa liberdade de entender que comer de tudo não é pecado, se você advogar o uso da sua liberdade de maneira
irresponsável e atropelar o seu irmão, você está faltando com amor e está levando outras pessoas a errar. Ou seja, errado não é só aquilo que você faz. Às vezes, você pode fazer uma coisa certa e advogar da maneira errada e, ainda assim, trazer dano para pessoas que são fracas na fé. Andréa, amor previne escândalos. Em 1 João 2:10 diz: "Aquele que ama seu irmão permanece na luz e nele não há nenhum tropeço." No grego, "escândalo". Agora, o oposto, a falta de amor, só vai trazer danos. Em 1 João 2, a Bíblia diz: "Aquele, porém, que
odeia seu irmão é na..." A Bíblia não é apenas a vontade de tentar matar alguém; a falta de se importar em andar em amor. Aquele, porém, que odeia ser irmão está nas trevas, anda nas trevas, não sabe por onde vai porque as trevas lhe cegaram os olhos. A Bíblia nos mostra que, na perspectiva coletiva, os escândalos são inevitáveis; vão acontecer. A pergunta, como eu disse, é quando, onde, por meio de quem? Porque nós não podemos controlar a escolha de outros. Mas, no âmbito pessoal, os escândalos são evitáveis porque nós podemos ter gerência sobre nós, sobre
as nossas escolhas e dizer: "isso não terá lugar na minha vida." Definido isso, em segundo lugar, eu quero te lembrar de uma das essências do cristianismo, que é o princípio do exemplo. O exemplo não é apenas uma forma didática; ele é a forma didática e não apenas. Quando falamos da formação de discípulos, passou Marciano a valorizar sem ser acreditado na gente. Quando éramos os improváveis, foi um bom exemplo, porque hoje estão acreditando, e muitos de vocês também eram improváveis. Jesus diz em João 13:15: "Eu vos dei exemplo, para que, como eu fiz, vocês também façam."
O ensino de Jesus não era só teórico; olhem, a gente faz isso! O ensino dele era muito prático e era fundamentado no quê? No seu exemplo, que se torna a nossa referência, o nosso padrão de fé. E Paulo, em 1 Coríntios 11, diz: "Sejam meus imitadores, como eu sou de Cristo." Paulo está dizendo: "Eu decidi como referencial; e, à medida que eu me alinho com ele, eu me torno referencial e modelo para vocês." Quando era garoto, eu ouvi tanto na igreja uma frase que cheguei quase a acreditar que ela era parte da Bíblia: a frase
que a gente ouvia: "Não olhe para o homem; olhe para Jesus." Eu acho que essa frase fez tanto bem quanto mal; tinha o seu aspecto positivo e negativo. Qual é o aspecto positivo? Quando alguém se decepcionava com a queda de outros, especialmente um líder, lembrar essa pessoa de olhar para Jesus. Primeiro lugar, é bíblico: Hebreus, capítulo 12, verso 1: "Olhando firmemente para Jesus, o autor e consumador da nossa fé." Os nossos olhos devem estar nele. Agora, se a frase for usada para se eximir da responsabilidade do bom testemunho, do exemplo, aí nós temos algo caótico,
catastrófico. Porque nós temos a responsabilidade de imitar o exemplo de Jesus e, dessa forma, nos tornar referenciais e exemplos para os outros. E, gente, isso não diz respeito à sua fé. Quando eu e ele lançamos nosso livro "Como Flecha" sobre criação de filhos, eu me lembro de uma live que estávamos fazendo com alguém. A pessoa do outro lado perguntou: "E aí, o que vocês acham que é o mais importante na criação de filhos?" Nós respondemos juntos, como se tivesse combinado: "O exemplo!" O que não adianta é você dizer para os filhos: "Faça o que eu
falo, mas não faça o que eu faço." O exemplo tem um peso, tem um poder extraordinário. E, no Reino de Deus, é a maneira através da qual nós reproduzimos na vida de outros aquilo que temos que reproduzir da parte de Cristo na nossa própria vida. Quem está entendendo? Antigamente, quando você olha para a Escritura, nós precisamos entender essa declaração: "Não olhe para o homem; olhe para Jesus," na seguinte perspectiva: se alguém deixou de seguir o referencial, você o descarta e mantém os seus olhos em Jesus. Mas, quando alguém está seguindo a Jesus como referencial, ele
deve ter a consciência, a responsabilidade de ser modelo, e cada um de nós deve ter essa atitude, essa mentalidade. Isso não diz respeito apenas a uma liderança; a responsabilidade de não escandalizar não se limita a líderes. Eu citei Romanos 14:15; Paulo está falando para todo cristão: "Se o seu irmão se entristece por causa da comida, você não está andando segundo o amor." Isso tem nada a ver com liderança; tem a ver com o comportamento do dia a dia, na hora da refeição. Não era nem no culto! A responsabilidade que você tem, à luz de um
bom comportamento, lê testemunho de vida, é porque ele embeleza, de acordo com a Escritura, a doutrina de Cristo. E a falta dele, nós podemos dizer que macula e feia a doutrina de Cristo. Se a gente puder inventar o verbo encerrar, em Tito, capítulo 2, de 7 a 10, nós lemos: "Paulo disse: seja você mesmo um exemplo de boas obras." Você pode repetir isso? Diga comigo: "Seja um exemplo de boas obras." Paulo diz: "No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia, irrepreensível, para que o adversário não seja envergonhado; para que o adversário seja envergonhado, não tendo nada
de mal a dizer a nosso respeito." Ele está dizendo que um bom testemunho cala a boca de qualquer opositor da fé. Ele segue dizendo: "Quanto aos servos, que sejam todos obedientes ao seu senhor, dando-lhe motivo de satisfação; que não sejam respondões, nem furentos, mas que tenham prova de toda fidelidade, a fim de que, em todas as coisas, manifestem a beleza da doutrina de Deus, nosso Salvador." A outra tradução diz: "A fim de ornarem, embelezarem a doutrina de Deus." O bom testemunho, o mau acaba com a beleza da doutrina. Ou seja, nós temos a responsabilidade de
viver um evangelho que não seja meramente teórico, mas que seja prático, que manifeste exemplo e boa conduta. Quem está entendendo? Antigamente, então, quando falamos de escândalo, nós estamos falando de pessoas que deixaram de ser boa referência, bom exemplo para se tornar uma péssima referência e um mau exemplo. Agora, a pergunta é feita aqui na sequência, depois de pensar no que é evitável e no que é inevitável. Entendeu o princípio do exemplo? E aqui eu quero gastar um pouquinho mais de tempo. Neste terceiro lugar, como lidar com os escândalos? Se... Na perspectiva coletiva, eles são inevitáveis
e vão aparecer. A pergunta é só quando, onde, por meio de quem. Quando surgirem, como eu e você vamos lidar com isso? Eu acredito que Jesus era intencional em tudo que falava e ensinava; ele queria nos preparar para isso. Eu sempre digo que a decepção é proporcional à expectativa, e muito de nós criamos fantasias. Expectativas são fantasiosas, exageradas a respeito de muitas coisas. Alguns entram no casamento com uma expectativa acima da realidade, e a decepção será proporcional; outros, ao viver ou procurar viver a vida profissional dessa forma, em todas as áreas, funcionam assim. E na
igreja não é diferente. Essa é a razão pela qual, desde o início da igreja, há 18 anos, eu lembro que, durante muitos anos, só eu dava aqui o curso de membresia. Era um momento, usando a linguagem dos meus amigos nordestinos, de dizer: "onde é que você tá amarrando seu jegue?" Então, a gente dizia: "a igreja é assim, nós cremos nisso, nós trabalhamos dessa forma". E, desde o início, no final, eu fazia uma promessa a vocês. O povo ficava curioso; a gente já passava a promessa e, quando chegava o fim, isso eu falava. Sempre tinha um
que cobrava: "pastor, cadê a promessa?" Eu dizia: "a minha promessa é a seguinte: nós vamos falhar com vocês". Então, vamos dizer o quê? Eu garanto, empenho a minha palavra que nós vamos falhar com vocês. Nós não queremos, mas em algum momento, eu sei que nós vamos falhar. Agora, nesse ambiente onde nós não queremos falhar, mas vamos falhar, quando falhar, nós vamos manifestar uma grande exposição de conserto. Depois, as pessoas dizem: "pastor, por que essa promessa?" Quer dizer, porque eu quero derrubar a sua expectativa. Nós não somos um ambiente de gente perfeita; nós vamos falhar. E
quando eu olho para Jesus ensinando essas coisas, eu acredito que não é muito diferente. Nenhum de nós pode deduzir que mesmo líderes estejam acima de qualquer suspeita; isso não existe no mundo cristão. Numa fé ensinada nas Escrituras, nós temos a mania de olhar para homens e mulheres que Deus usa quase como aquela mentalidade dos gregos antigos, são Semideus. Isso não é verdade! Quando a Bíblia fala de homens que Deus usou, como Elias, diz que são semelhantes a nós, sujeitos às mesmas paixões; traduzindo: farinha do mesmo saco. Ei, precisamos entender isso. Por exemplo, em Primeira Timóteo,
capítulo 5, verso 19, Paulo diz assim: "não aceite denúncia contra presbítero, a não ser exclusivamente sobre o depoimento de duas ou três testemunhas". Ele está dizendo que, se for só a palavra de um contra o outro, o processo disciplinar não avança, porque essas pessoas não chegaram a ter esse lugar sem construir uma vida de exemplo. E, em Primeira Timóteo 3, Paulo disse: "alguém almeja episcopado, excelente obra almeja". E diz mais: "o bispo tem que ser...". Aí vem uma lista de qualificações. Se você olhar só uma lista, que ele vai dos bispos na sequência dos diáconos,
eliminando as repetidas, você tem uma lista de 16 características explícitas. Dá para tomar mais uma ou duas por inferência das 16 explícitas, e só uma diz respeito à habilidade: apto para ensinar. Todas as outras são traços de caráter. Agora, qual o modelo de formação de líderes da igreja, generalizando, dos últimos séculos? A gente manda um camarada para quatro anos de seminário, estudar teologia, aprender muito para voltar apto para ensinar. Só que 15 das 16 características são traços de caráter, e a maioria sai de quatro anos de teologia sem nunca ter tido uma aula sobre caráter.
E nós começamos a tornar o processo de formação de líderes cada vez mais complicado, porque valorizamos habilidades e subestimamos a importância de um caráter, de acordo com o princípio bíblico. Para chegar lá, ele tinha que ter uma história exemplar, mas se depois de chegar perdeu o exemplo, tem que sair do lugar em que está. Apocalipse, capítulo 2, carta à igreja de Éfeso, o Senhor falando com os anjos, disse: "se você não se arrepender, eu tirei de você o candeeiro que eu lhe entreguei". Se você lê Apocalipse na visão de João, cap. 1, v. 20, as
estrelas e sete candeeiros, a Bíblia diz que os sete candeeiros eram as sete igrejas e as estrelas eram os anjos, os mensageiros das igrejas. O Senhor está falando por mensageiro: "se você não se arrepender, eu tomo de volta a igreja que eu lhe confiei". Porque, para entrar no ministério, tem que ser exemplar, e para permanecer também. Se o exemplo for comprometido, a liderança também está comprometida. Agora, quando a Bíblia apresenta líderes, fala sujeitos ao processo disciplinar, e você vai tentar criar uma ideia de que isso nunca vai acontecer. Eu queria poder prometer a você que
no nosso meio não vai acontecer, mas não posso, até porque já aconteceu. Anos atrás, quando ainda usávamos o prédio da estrutura da Água Verde, eu passei por um dos momentos de maior dor e vergonha da minha vida; tive que vir diante da igreja anunciar não apenas um processo disciplinar para um membro da equipe pastoral, mas tive que publicamente pedir perdão pela conduta de um dos nossos. Eu nunca senti tanta dor no meu coração, tanta vergonha, naquele dia que tive que vir a público. Ou seja, quando nós olhamos para nossa própria história, não dá para garantir
que escândalos não acontecerão. A pergunta é: quando acontecerem, como eu e você vamos nos conduzir? Como eu e você vamos nos comportar? Agora, preste atenção, isso não significa que esteja tudo bem falhar! Jesus diz: "ai do homem por meio do qual vêm escândalos!" Sabe o que Ele está dizendo? Ele diz: "eu vou tratar do assunto com seriedade". É mais grave do que a maioria de vocês imaginam. Em Mateus, no capítulo 13, no verso 41 e 42, no final da parábola do joio e do trigo, Jesus diz: "Mandará o Filho do Homem os Seus anjos, que
ajuntarão do Seu reino todos os escandalosos, os promotores de escândalos, as pedras de tropeço, e os que praticam iniquidade. Os lançará na fornalha acesa. Ali haverá choro e ranger de dentes." É indiscutível que haverá juízo. Jesus fala de pessoas que, no último dia, vão dizer: "Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu nome? Não expelimos demônios? Não curamos enfermos?" Ele não dirá: "Estou mentindo." Não, Ele não vai dizer coisa nenhuma, vai dizer: "Apartai-vos de Mim, vocês que praticam iniquidade. Eu não vos conheço." Sabe o que Ele está dizendo? "Vocês não Me representam. Fazer as Minhas obras
sem manifestar o Meu caráter não dá a vocês o direito de Me representar." Então, nós não podemos olhar e simplesmente dizer: "Não, não vai acontecer." Ao mesmo tempo, quando acontece, a gente diz: "O juízo será severo." Ao mesmo tempo, precisamos entender que pessoas como Davi, chamadas de homem segundo o coração de Deus, que caem e se arrependem, precisam encontrar no nosso meio um ambiente de restauração. Gálatas, capítulo 6, verso 1, fala a respeito disso. O texto diz de uma maneira muito clara: "Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vocês que são espirituais, restaurem essa
pessoa com espírito de brandura." Outra versão diz "com mansidão." Mas Ele também disse: "E que cada um tenha cuidado para que não seja também tentado." E está dizendo: "Mesmo vocês, os espirituais, que podem ajudar a restaurar, cuidem, pois o que aconteceu com ele poderia acontecer com você." Tradução: ninguém está acima de qualquer suspeita. O ambiente de amor e restauração não significa um ambiente onde está tudo bem, onde se pode fazer o que quiser. Nós precisamos ter uma cultura, uma mentalidade forte, para fazer todo o possível para asfixiar toda a possibilidade de escândalo no nosso meio.
Quem está entendendo, diga Amém. E precisamos entender que o assunto é sério e merece juízo, julgamento diferenciado. Mas a pergunta a ser feita é: se esse alguém falhar, o que eu e você podemos fazer? Nós podemos escolher não promover o escândalo, mas não podemos escolher pelos outros, e outros escolherão promover o escândalo. E quando isso acontecer, a pergunta é: como eu e você devemos nos comportar? Eu quero te apresentar quatro perspectivas e vou te dar o fundamento bíblico. A primeira delas é: Não se afaste de Jesus por causa dos que tropeçaram. Você pode repetir isso
comigo? Diga: "Não se afaste de Jesus." Vamos fazer melhor: fala para o vizinho ao lado, se não conhece, se apresenta antes. Então, fala para o vizinho ao seu lado: "Diga: Não se afaste de Jesus por causa dos que tropeçaram." Em Filipenses 3:18, o apóstolo Paulo disse: "Pois muitos andam entre nós, eu lhes dizia, e agora digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo." No nosso meio surgiram pessoas que, pela sua conduta, não são promotores da mensagem da cruz; eles se tornaram inimigos. A pergunta a ser feita é: eu vou permitir que o inimigo
da cruz me coloque contra aquele que morreu por mim na cruz? Eu vou deixar que a queda dele seja desculpa para que eu esfrie e me afaste de Jesus? De jeito nenhum! E aí nós voltamos a Hebreus, capítulo 12, verso 2: "Olhando firmemente para Jesus, o autor e o consumador da fé." Ele começou a minha fé, Ele termina. Não vou deixar nenhuma dessas pessoas abortar o processo ou me roubar o relacionamento com Ele. Quem está entendendo? Antigamente, segundo a verdade, não desvalorize a palavra pelo não cumprimento dos que a ensinaram. Eu tenho visto muita gente,
muita gente! Quando falo "muita gente", não são só aqueles que recebemos aqui. A maior igreja hoje no Brasil não se reúne nos prédios, não está em contato com os outros irmãos; ela é composta de muita gente decepcionada pelo mau testemunho de muitos outros. Agora, a pergunta a ser feita é: o não cumprimento da palavra por parte daqueles que ensinaram invalida a verdade da palavra de Deus? Sim ou não? Vamos ver o que Jesus, o Cabeça da Igreja, ensinou: Mateus 23, do verso 1 ao 3. Então Jesus falou às multidões e aos Seus discípulos: "Na cadeira
de Moisés se assentam os escribas e fariseus; portanto, façam e observem tudo o que eles disserem a vocês; mas não se imitem suas obras, pois o que dizem não fazem." Jesus está confrontando bandidos religiosos hipócritas e está dizendo: "Vocês olham para o comportamento deles? Não merece ser imitado porque eles não vivem o que estão ensinando a vocês." Mas o que eles estão ensinando não é um código de comportamento humano, é a palavra de Deus. Então, obedeçam tudo o que eles ensinarem enquanto eles estiverem ensinando a palavra; só não orem pelo comportamento deles e não imitem
o mau testemunho deles. Mas saiba que Jesus está dizendo: "O não cumprimento da palavra por parte dos que ensinam não invalida a veracidade da palavra de Deus que nos alcançou." E nós temos um compromisso com a palavra, independente do bom testemunho de quem ensina. Quem está entendendo, diga Amém. Em terceiro lugar: afaste-se dos promotores de escândalo. Você pode repetir? O segundo ponto é: não desvalorize a palavra pelo não cumprimento dos que a ensinaram. Terceiro: repita comigo: afaste-se dos promotores de escândalo. Em Romanos 16:17, Paulo diz: "Logo, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e
escândalos, e de acordo com a doutrina que aprenderam, afastem-se deles." Ele não está falando de mera punição social. A Bíblia diz que, quando alguém peca, a gente vai trabalhar na restauração. O que a Bíblia está falando é de gente que continua promovendo sem se arrepender, ao nível de relacionamento onde você não exerce mais. influência e não proporciona mudança. E se você chegou nessa fase, o risco é que você seja influenciado. Sem contar que o relacionamento e o convívio com promotores de escândalo podem funcionar como uma espécie de cumplicidade ou de chancela sobre um comportamento errado.
Então, a Bíblia está dizendo: não se relacione com esse tipo de gente; é promotor de escândalo, afaste-se deles, até porque esse negócio é contagioso. Quarto lugar: escolha olhar para os que permanecem. Eu quero ler a declaração de Paulo. Ele só ouviu, ele pensa em 3:18 no início, mas eu quero ler ele dentro do contexto do 17 ao 19. Paulo diz: "Irmãos, sejam meus imitadores e observe os que vivem segundo o exemplo que temos dado a vocês." Pode dizer: "Estou imitando Cristo e, por isso, posso dizer a vocês: me imitem." E não apenas me imitem, observem
aqueles que estão seguindo o exemplo que nós temos dado. Paulo está dizendo: "Não apenas eu, mas muitos outros no meio de vocês são referenciais." Depois, dizer que tem bons referenciais, é que ele diz: "Pois muitos andam entre nós, dos quais repetidas vezes eu lhes dizia; agora digo até chorando que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o Deus deles é o ventre, a glória dele está naquilo de que deviam se envergonhar, visto que só pensam nas coisas terrenas." Ele está dizendo: "O nosso meio tem boa e má referência." Sabe o
que ele está dizendo? Olhe para as boas, não coloque os seus olhos nas más referências. Muitas vezes, porque estamos diante de pessoas que tiveram mau comportamento, a gente decide ser influenciado pelos de mau comportamento e não pelos que seguem andando em integridade. Quando tive que vir a público pedir perdão pela conduta de um dos pastores da casa, eu me lembro que não foram um, dois ou três, mas vários irmãos e irmãs, diferentes, sem ouvir uns aos outros, procuraram no final do culto e disseram: "Pastor, a gente sabe que seu coração está despedaçado pelo que aconteceu,
mas nós queremos que o senhor saiba que podemos olhar para todos os outros de vocês que permanecem firmes e dando bom exemplo. O mau testemunho de um não vai falar mais alto na nossa vida do que o bom testemunho de todos vocês." Eu lembro de gente dizendo: "A sujeira não foi varrida para debaixo do tapete. Vocês trataram dessas coisas publicamente, mostraram o compromisso com Deus. Nós escolhemos olhar para vocês." E sabe, eu e você precisamos ter isso em mente: que nós podemos escolher quem vamos colocar os olhos. Quando a Bíblia fala a respeito dos líderes,
eles não são perfeitos. É um momento específico onde eles vão se tornar uma referência inquestionável. Sabe quando? Depois que os seus dias na terra já terminaram. Hebreus, capítulo 13, verso 7: "Lembre-se dos seus líderes, os quais pregam a palavra de Deus a vocês, e considerando atentamente o fim da vida deles, imitem a fé que tiveram." Aqueles que já partiram e deixaram um bom legado entre eles... Nós saudosos, Pastor Francisco, alcançamos aquele lugar, dizendo que esses inquestionavelmente podem ser limitados, porque alguém pode, 90, 95, 99% da sua vida, manter um bom testemunho e estragar tudo no
final. Mas, quando nós terminamos a carreira de referência de bom exemplo, então, o legado do bom exemplo se perpetua. Até que a gente chegue a esse dia. Não estou dizendo que a gente vai desconfiar de tudo e de todos, mas nós precisamos entender que coletivamente os escândalos são inevitáveis; podem surgir. E quando surgirem, a pergunta é: como eu e você vamos nos conduzir? Quem está entendendo, diga Amém. Para terminar, eu acredito que nós precisamos ter uma fé – e esse é o ensino bíblico – que sobrevive a tudo. Pastor, o que o senhor quer dizer?
Quero dizer que tem os dois lados na moeda, ou seja, precisamos não só o que os outros fazem, que podem trazer dano para nós, mas a nossa escolha de não nos dobrarmos às tentativas de dano contra nós. Primeiro lugar: Jesus previu e nos preveniu de que haveria difamações. Eu vejo alguns clientes ficarem profundamente desanimados, abatidos, aborrecidos, porque tem gente falando mal deles. A gente tem que esperar isso. Mateus, capítulo 5, versos 11 e 12: "Bem-aventurados são vocês, quando por minha causa os insultarem, os perseguirem e mentindo disserem todo mal contra vocês." Jesus não disse: "Senta,
chora, desanima, entrega os betes." Diz: "Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus, pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês." E você precisa de uma fé resiliente! Ela tem que sobreviver às difamações e às tentativas das pessoas de falarem mal. E me tirem quando a minha conta... Você, segundo Jesus, tentou nos preparar para perseguições. Mateus, capítulo 10, diz: "Quando, porém, os perseguirem na cidade, fuja para outra." Diz: "Vai ter perseguição." Tentou nos preparar para ameaças de morte, até a possibilidade de morte. Mateus 10, 22 e 23: "Um irmão
entregará à morte o outro irmão; o pai entregará o filho; haverá filhos que se levantarão contra os pais e os matarão. Todos odiarão vocês por causa do meu nome." Aquele, porém, que ficar firme até o fim, esse será salvo. Porque ele está dizendo: "Não importa o nível de oposição, de ameaça, ou nem se chegarem às últimas consequências de matar você por causa da sua fé em Jesus, o Senhor está dizendo: 'Não desista.' Ele está dizendo: 'Sua fé tem que resistir a tudo.'" Agora, ele nos preparou para ter uma fé que aguenta difamação, perseguição, ameaça de
morte, a própria morte, mas não sobrevive escândalo. A quantidade de gente distante de Jesus hoje por causa do escândalo dos outros é enorme, e de forma alguma estamos tentando justificar o escândalo dessas pessoas; eles serão julgados por Deus. Mas preste atenção à escolha de como se conduzir diante do... Que outros fazem, mesmo tentando trazer, dando a você, é sua e não é deles. Paulo escreve aos Coríntios em 1 Coríntios 11:18 e 19: "porque antes de tudo estou informado de que, quando se reúnem na igreja, existem divisões entre vocês, e eu em parte creio que isso
é verdade; e até necessário que haja divisões entre vocês para que também os aprovados se tornem conhecidos". O que Paulo está dizendo é que é necessário. Outro dia, vim reclamando: "Pastor, tem muita imaturidade no nosso meio". E falei: "É nessa hora que os maduros aparecem". E o irmão não está aparecendo porque, sabe, é fácil ficar falando dos outros. A pergunta é: como você vai reagir diante da fraqueza, da debilidade, da imaturidade dos outros, da carnalidade de outros ou mesmo do escândalo de outros? Em Atos 20:29-30, Paulo, numa conversa com os presbíteros de Éfeso, numa reunião
que aconteceu em Mileto, ele diz: "Eu sei que, depois da minha partida, aparecerão no meio de vocês lobos vorazes que não pouparão o rebanho e que até mesmo entre vocês se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás de si". Agora, a gente acredita que isso ia acontecer naquela época, mas não hoje. A verdade é que precisamos ter um coro um pouquinho mais forte, e nós precisamos dele no entendimento claro do que a Bíblia ensina na próxima fase que virá. Nós teremos a responsabilidade de viver uma vida de compromisso, de integridade, de exemplo
como nunca antes. Nós somos chamados a criar um ambiente de entendimento bíblico, de rendição ao Senhor, que asfixie toda a possibilidade de escândalo. Mas, se surgirem, nós precisamos ter uma resiliência de fé dizendo: “meu compromisso com Jesus seguirá inalterável, independente da esculhambação dos outros”, uma fé que sobrevive a tudo. Quem está entendendo? Antigamente, para terminar, eu vou mexer na parte que alguns não gostam. O ensinamento de Jesus sobre escândalos incluiu o perdão aos que falam conosco. Em Lucas 17, temos um detalhe que no registro de Mateus 18 não é mencionado. Lucas 17:1-4, Jesus disse aos
seus discípulos: "É inevitável que existam pedras de tropeço" (no grego, escândalo), "mas ai de quem é responsável por elas! Seria melhor para esse que uma pedra de moinho fosse pendurada ao seu pescoço e fosse atirado no mar do que fazer tropeçar um desses pequeninos". Deixa eu fazer uma pausa antes de terminar o texto. O texto está todo junto. Jesus não está fazendo apologia ao suicídio, no meu entendimento bíblico. Isso precisa ficar claro para nós enquanto igreja local. O suicídio está numa condição complicada quando falamos de salvação. Paulo escreveu aos Coríntios e disse: "Se alguém destruir
o corpo, que é o santuário do Espírito de Deus, Deus o destruirá". O que sobrou para Deus destruir depois que você se suicida? O que é que você acha que essa destruição está falando? De condenação eterna? Nós podemos abrir discussões sobre casos de sanidade mental, a juíza com que alguém fez uma escolha, mas não podemos ter uma mentalidade tolerante ao suicídio. Dar fim à própria vida não é o caminho de Deus para ninguém. Que ninguém ceda a esse tipo de pressão, não importa o seu nível de desespero. Que ninguém deixe de ser misericordioso, eu diria,
mais do que empático, cheio de compaixão por qualquer pessoa à sua volta que dê sinais de aflição e sofrimento. Nessa hora, nós precisamos de uma mão amiga, mais do que a mão no ombro: intercessão, oração, jejum, apoio, suporte. Mas nós não podemos criar uma mentalidade de tolerância ao suicídio. Nós precisamos promover um ensino contrário. Então, não. Jesus não faria qualquer Bíblia contrária. O que é que ele está dizendo? Em primeiro lugar, Ele está dizendo: "Se você vai escolher viver uma vida onde os escândalos entram, você não deveria imaginar que vale a pena viver esse tipo
de vida. É mais importante do que viver: evitar escândalos". Outro dia, alguém falou: "Mas pastores, na sua antologia, o suicida está pegando um passaporte meio que direto para a condenação eterna. Por que é melhor o cara fazer isso do que passar 10 anos aqui?" Eu falei: "É melhor ele ir para o inferno sozinho do que arrastar um monte de gente com ele". Dá para entender a diferença? A condenação eterna não é só dos que abriram mão da salvação no nível pessoal. A Bíblia diz que lá cada um será julgado de acordo com as suas obras,
e quanto mais gente o cara arrastou com ele para o inferno, maior será o nível de condenação que ele vai viver. Então, Jesus está dizendo: "É melhor você se despachar para lá sozinho do que arrastar mais gente com você, que vai ficar ainda pior". Mas não! Jesus não está dizendo: "Faça isso". Ele está dizendo: "Não vale a pena viver para se tornar um promotor de escândalo". Então, se entendemos isso, nós não vamos à fim da vida. Nós vamos escolher viver da forma correta. Ele vai entender. Depois, deixar claro o assunto. Jesus imenso e disse: "Tenham
cuidado". Cuidado com o quê? "Se o seu irmão pecar, repreenda-o; se ele se arrepender, perdoe-o; se pecar contra você 7 vezes num dia, 7 vezes lhe disser: 'Estou arrependido', perdoe-o". O assunto do perdão é extenso, mas eu tenho visto muita gente que está machucada pelo mau testemunho de outros permitir que o veneno comece a entrar no seu coração. Alguém definiu recentemente, mais ou menos, o seguinte exemplo para indicar a falta de inteligência: "O ressentimento guardado no coração é algo semelhante a você beber todo dia um pouco de veneno, esperando que quem feriu morra". Quem está
morrendo é você. Muita gente está carregando dano da escolha de outros, de mau comportamento, porque abriga isso no seu coração. A dor da decepção, onde Jesus diz: "Ai do mundo por causa dos escândalos". Gente, isso é trágico. Não há outra forma de definir. Mas aí podemos parar o efeito disso no nosso coração. Nós. Podemos ter uma blindagem em Deus, onde a gente diga: "Eu não vou sucumbir à escolha errada de outros", tá me entendendo? Para concluir, reconheço que quanto a outros escândalos, são inevitáveis, e, nessa perspectiva, prepare-se para eles. Mas reconheço que, quanto a você,
na perspectiva individual, os escândalos são evitáveis. Não faça suas escolhas de forma egoísta ou leviana. Um crente, quando tropeça, nunca está afetando só a si mesmo; ele nunca está prejudicando só o seu relacionamento com Deus, ele vai afetar outras pessoas. Reconheça que você é um candidato e procure andar em vigilância e usar os recursos de Deus. Eu tenho uma oração que faço desde o início do ministério. Eu com frequência digo a Deus: "Senhor, se em algum momento eu acordar e for romper para o meu lado, eu não for segurar a onda, eu não for dar
conta, eu lhe imploro que o Senhor me leve antes". Isso significa que eu não quero viver? Não, significa que não vale a pena viver. Se for para macular o nome do Senhor, se for para desonrá-lo... Já falei para minha mulher e toda a equipe pastoral: "Se eu for embora cedo, não ore pelo ressuscitar, porque só há uma possibilidade de ir embora cedo, que é Deus me poupando de alguma bobagem". Isso não significa que estou esperando que isso aconteça. À medida que oro isso dia após dia, estou me lembrando de que, antes de qualquer escolha, preciso
ficar longe do escândalo e honrar o Senhor. Porque, naquela época, cuidando de algumas poucas centenas de pessoas, a advertência do mecânico lá era clara. Eu fico imaginando hoje o lugar onde estou. Eu não tenho direito de tratar o ministério como se fosse só um privilégio, mas uma responsabilidade. Isso aqui é um bom motivo para ficar longe dos escândalos. Jesus disse: "Vocês os evitarão". Você entra na vida e diz: "Mas os meus anos vão recolher os promotores, buscando, vão lançar no fogo do inferno". Eu acho que só isso gera motivo suficiente, mas ainda seria uma perspectiva
egoísta. Nós precisamos pensar não só em nós, precisamos pensar no impacto que a nossa maneira de viver terá sobre as pessoas. Talvez você não tenha escolhido uma vida de pecado, mas talvez você tenha escolhido ser um crente medíocre, na média, para não dizer abaixo dela. A pergunta é: Qual o impacto que você está exercendo sobre as outras pessoas? Não dizemos a ninguém, mas quanta gente? Nós precisamos pensar que as escolhas que fazemos vão produzir impacto na vida de outros, e Deus não julgará apenas pelos efeitos das nossas escolhas na nossa própria vida, mas pelo impacto
na vida de outros. Não dá para deixar isso de fora do Evangelho. E se a gente tentar deixar, nós não estamos só brincando de igreja; o Evangelho não é uma brincadeira de muito mau gosto. Então, que Deus nos ajude, debaixo do temor do Senhor, a entender a importância de uma vida de santificação, integridade, compromisso, fidelidade e de bom exemplo. Se nós queremos passar de fase, vamos ter que entender isso de uma maneira bem mais profunda. Você recebe essa palavra em nome de Jesus? Alguns falaram "Amém". Vamos ficar em pé para parecer que está acabando. Senhor
Jesus, nós pedimos graça e favor do alto, para que nossos entendimentos não sejam apenas racionais, mas espirituais, da Tua palavra; para que haja aquela aplicação personalizada que só o Teu Espírito pode produzir. Para que a Tua palavra, como o Senhor falou por boca do profeta, cumpra o propósito pelo qual tem sido enviada. E nós oramos para que não seja só aqui, agora, nessa reunião. Achamos que, depois, deixamos esse lugar, que aquilo que o Senhor começou continue, que mais do que informação, mais do que alinhamento, a Tua palavra produza resultados maiores e progressivos na nossa vida.
Que o temor do Senhor toque de uma forma particular os nossos corações. Nós oramos em nome de Jesus, em nome de Jesus. Amém.