FL. Salve salve família, bem-vindos a mais um Flow. Eu sou o Igor e hoje eu vou conversar com o Ângelo Canuto que vai contar uma história aí intensa, cara. Obrigado por vir aí, Ângelo. Eu que agradeço, irmão. Obrigado pelo convite e pelo espaço de contar um pouco da nossa história. Boa. Até porque, cara, eh, quando quando ele me contou, eh, que ele foi falar: "Cara, tu conhece o Ângelo? O Ângelo Canuto não sei quê, Pô. o cara eh era envolvido com crime, depois o cara entrou pra polícia, enquanto envolvido com crime, foi preso, uma porrada
de rolé e agora o cara é empresário, tem história dele contando na Netflix e tudo mais. Eu fiquei, [ __ ] para mim já aparece um filme logo de cara. Eh, tu já deve ter assistido um filme O Infiltrados que do Martins Corses, que é que assim, tem um cara que é do crime, vai pra polícia, tem um cara que a família dele é do Crime e ele vai pra polícia também, eles ficam infiltrados um no lugar do outro aqui assim. Eu fiquei, nossa, a história do cara parece com isso de verdade. Uma confusão, né?
É uma confusão. Mas Ângelo, se a gente for começar do cominho mesmo, eh, acho que primeiro é melhor tu falar para mim e quem é Ângelo Canuto. Tem a galera que tá assistindo a gente aqui para saber também do que se trata. Assim, você hoje é um empresário, hoje você faz, tá completamente fora Desse mundo. Mas me conta aí quem é você, pô. Sou Ângelo Canuto. Meu nome é Ângelo Marcos Canuto da Silva, hoje conhecido como Ângelo Canuto, antigamente, na vida louca, conhecido como Fusca. Fusca, fusca, porque eu era garoto. Orelhas abertas assim de abando.
Aham. E aí um amigo meu me chamava de Reginaldo, me chamava de parece um fusquinha de porta aberta, né? Aí fica fusquinha, fusca, fuscão. Entendi. E aí nessa nessa vida louca, quando eu estou Na prisão, esse esse vulgo fica como fuscão. Ficou um pouco um tom mais forte pela necessidade de ser um pouco mais cisudo, né? Um pouco mais é mais atento com a com a sua própria segurança e com a sua fala. Então, Fuscão acho que ficou bem melhor. E aí eu tava treinando bem, porque na prisão você tem que treinar para intimidar, né,
cara? Não é para é que eu quando o cara pensar em ir para cima, ele fala: "Pô, ali o papagai entorta o bico, então é melhor melhor Dar uma segurada". Então, além de você ter a saúde, né? Em dia, você tem que tem que ter essa medida de segurança, como homem das cavernas, né? Entendi. Você tem que se prevenir. E eu sou oriundo de Goianá, extremo leste de São Paulo. Sou tenho seis, seis irmãos. Uma foi doada e um irmão meu faleceu de câncer aos 43 anos de leucemia. Fui criado pela minha avó praticamente, dona
Divina, que morreu com 97 anos. Eu estava na prisão quando ela morreu. Putz. Mas graças a Deus consegui ter o meu momento com ela de de me despedir, né? Me levaram numa escolta super aparamentada, mas aquilo para mim não significava nada. O importante era ela estar ali com ela, eh, de uma relação um pouco conturbada com a minha mãe, em razão de ser o filho mais velho e ter, lógico, logo, logo cedo, ter desenvolvido um senso crítico. Fala, pô, por que que a minha mãe tem um namorado, depois tem outro, Eu tenho um irmão, tenho
outro irmão, todos os irmãos por parte de pai, de mãe e não por parte de pai. Entendi. Então já começa a desenhar uma vida totalmente desestabilizada, morando em favela, despejado de favela. Morava numa casa três meses do aluguel que você deu de entrada ali, já não tinha mais, já não tinha mais pago. Você tem ganha mais três meses de fôlego e é despejado e vai para outro lugar. Vez ou outra a família dividida, meus irmãos morando com um e Com outro. Fui morar com a minha tia, depois morei com a minha avó, depois morei com
a minha mãe, depois morei com a minha avó novamente. Mas sempre junto, mais com a minha avó. E eu pego a minha avó como referência e o amor de mãe eu sou desenvolvo assim. Hoje estou desenvolvendo o amor de mãe com a minha mãe em razão da perda da minha avó, de ter me aproximado mais da minha mãe e de começar a entender mais o universo da minha mãe, do porquer Aquelas coisas na vida dela. Então, vamos dizer assim, que um primeiro homem da vida da minha mãe, numa palavra bem pesada, desgraçou a vida da
minha mãe. Entendi. Fez ela mulher com 17 anos, grávida, abandonou. E nasce o Ângelo Canuto, aquele moleque que vem depois numa sequência de monte de irmãos, mas cada um filho de um pai. Então tu é o mais velho, entendi. Eu sou mais velho. 51 anos eu tenho. Eu sou de 1973, outubro de 73, né? Escorpião. E aí quando eu numa chego numa certa idade que eu sempre cuidei dos meus irmãos, sempre quando eu ia pra rua, meu irmão arrumava confusão ou outra, alguma coisa do tipo, eu não tinha ninguém na minha retaguarda e ninguém na
minha frente. Ou seja, eu tinha muita gente na minha retaguarda, mas ninguém na minha frente. Eu tinha que defender meus irmãos. E na quebrada, pretinho, eh, disposição, eu sempre fui o amigo, mas o amigo para defender Alguém. Entendi. Nós estamos falando o quê? Tu era uma criança, tinha 12 anos. Criança. É 12. É, para você ter uma ideia, uma coisa que é bem forte eu falar aqui, né, para você entender. Eh, a minha primeira minha primeira meu primeiro contato com algo do mal, mas muito do mal, foi promovido por pessoas de bem. Hã, como promovido
por pessoas de bem? um protético que morava na rua de onde eu morava, o dono de um bar, que era o Melhor bar e eu lá morava lá no final da rua numa casinha palpérrima. Eu vivia mais na rua de favores, fazendo favores. Vai ali o moleque na venda, ganhava um gibi, ganhava um doce, R$ 1, mas na época era cruzeiro. Aham. Para juntar uma moeda para poder comprar uma bengala e um tablete de manteiga. Não era nem pote de manteiga, um tablete de manteiga e ajudar a tomar um café da manhã. Então, essas pessoas
que eu fazia favor, tinha Muita gente boa, esses caras também, para mim, na minha visão, eram gente boas. Mas hoje, consenso crítico que tenho, entendo que esses caras me inseriram pro mundo do mal, como era um moleque que ficava até tarde na rua, chegava em casa só para deitar e dormir, porque tava sempre na esperança de ganhar alguma coisa ou comer alguma coisa doada. Aham. Um cachorro de uma família que era no São Bernardo, tava com vírus doente, Alguma coisa do tipo. Colocaram esse cachorro dentro de uma Kombi e me pegaram na rua como moleque.
Falei: "Vamos ali era, sabe aquele moleque corajoso que sempre fazia tudo e tal. Vamos ali. Levaram esse cachorro numa manta pro mato e eu fui levado até esse cachorro. Fala: "Vai lá, esse cachorro tem que morrer". E eu dei umas caibradas nesse cachorro. Eu tenho isso até hoje, esse trauma na minha vida. Meu primeiro, não vou dizer homicídio, Mas minha primeira vida que eu tiro é de um animal e que eu gosto muito. Eu tenho cachorro, amo cachorro e como criança ele deve ter sido muito simples. Mas isso, mas isso é aquela coisa que acontece
muito hoje na periferia, trazendo pra realidade. Você enche a bola de um moleque falando: "Ei, moleque, você é [ __ ] você é 1000 grau, isso, aquilo, outro, o moleque se infla. Ele não tem nada de 1000 grau, mano. É um moleque, pô. Dá uma arma na mão do Moleque, fala que ele é 1000 grau, que experiência que ele tem. Ele, ele acha que ele é 1000 grau. É igual o cara falou hoje, não, eu nasci para ser vida louca. Eu sou vida louca mesmo. Se você colocar isso na sua cabeça, que é vida louca,
só vai ser vida louca até o fim, até você morrer. É. E costuma não demorar muito, né? Quando eu me ligo na prisão que essa parada não tem nada a ver, que seó chegou aqui, salve rapaziada, todo mundo me ouve, fala: "Por que que eu não posso falar lá fora?" Salve rapaziada e todo mundo me ouve. Qual a minha mensagem? Mas isso quando se inicia lá, que eu tiro a vida desse cachorro e eu volto pro carro, eu foi promovida por pessoas de bem. Aham. Por que que o homem não foi lá e fez? Ele
colocou o moleque para fazer. Porque eu tava na rua vulnerável, crianças vulneráveis na rua, igual você vê crianças no farol vendendo isso, aquilo, aquilo outro. A Mercer do que o mundo tem para oferecer. E eu ali naquele curto espaço de 100, 200 m da minha casa, eu fui coptado para fazer uma merda. Sim. E isso sempre em outros insightes na minha vida, quando quando na vida louca, já vivendo intensamente nessas paradas de ouvido ou morre ou mata, essa essa imagem sempre veio na minha mente do cachorro, do cachorro, [ __ ] da disposição. Eu eu
senti as mesmas friezas, inclusive na Polícia, aquela mesma frieza que eu tive enquanto moleque andando naquela trilha de mato, desembrulhando aquele corpo daquele cachorro com pano e dando duas, três paladas na cabeça daquele cachorro com cabro, que quase eu não aguentava o peso do cabro porque era franzino, mas dei. Por quê? Porque falaram que eu era [ __ ] Me enganaram. Porque não falarem, moleque, vem cá, você é [ __ ] Vou te colocar numa escola para você fazer um Curso, você não tem família, vou te ajudar. Não me fizeram lá e largaram. E aí
eu jogava bilhar, jogava bilhar para [ __ ] porque eu ficava o dia inteiro na beira do do boteco, jogando bilhar, sobrava uma bola, dava dava uma atacada, o outro d perdeu lá, jogava as fichas, eu pegava outro moleque e jogava. Então essa era a minha vida, jogar dominó ali, fazendo favores, fazendo favores e vendo tudo o que tá acontecendo. Lógico, naquela época era anos 80, hoje é Totalmente diferente, né? Mas as propostas, o ser humano continua o mesmo fazendo diversas propostas, iludindo a molecada. nessa fase aí da tua vida, tu tava ali eh tentando
sobreviver na tua rua ali, como você disse, vivendo de favor e tudo mais, eh fazendo as coisas, e aí essa foi a primeira coisa horrível que tu teve que fazer, né, que me marca até hoje, inclusive, daí para você, pros caras de fato te coptarem pro lado pro Lado do mal, efetivamente profissional, um profissional do crime demora muito tempo, cara, porque você tinha o quê? 12, 13 anos aí. 12, 13 anos. Aí eu sempre estudei ali os colégio João de Lima Paiva, eh, da prefeitura. Eu fiz do primeiro até a oitava série, ali, me formei.
Depois eu fui por Elisa Raquel Macedo de Souza, que é o Xabilândia, para fazer o segundo ano. Nesse período que eu tô ali na transição, terminando a oitava série, o primeiro ano, que era o Suficiente para você prestar concurso público da polícia, mas eu já vivia em uma outra vila. já tinha mudado ali do dali do quase do centro de Goianáis da Carlos Roberto, já tinha mudado para para Chabil ali Vila Nanci, que é uma outra uma outra quebrada da quebrada, um subdistrito dentro da quebrada. Eu conheço um cara, né, eh que era dono de
uma pizzaria, que tinha o melhor time da quebrada na época. Hoje, hoje o Botafogo de Goianáis, outros times ali surgiram, mas depois desse eu jogava no Garoto Travesso do Fumacê, que é um time da quebrada, que na verdade esse time na maioria, a maioria dos seus jogadores era tudo humano, saía da detenção, saia da penciidade do estado daquele giro, os manos da quebrada e jogava ali no time desse mano. E eu, pivetão, na época ali, desde os 14 anos, eu sempre joguei com ele, ele brigava até com o canal, moleque vai entrar, ele me bancava,
Tirava uma chuteira, dividia a chuteira com outros e tal. e jogava e fui crescendo naquele mitco. Quando eu chego ali para 17, para 18 anos, ele é o cara que mandava perder de vista. Não é igual hoje que tem uma biqueira aqui, outra biqueira ali, quem manda ali, quem manda crime organizado. Crime organizado existia naquela época pela organização do cara que era os frente. Do cara que era os caras da frente. Então o cara da ele mandava de Guanas ali naquele Entorno a perder de vista. E ele chega em mim e fala assim: "Vem cá,
mano, tem coragem de entrar na polícia?" Aí você vê moleque de quebrada, você conhece as regras e fala: "Mano, mas não é mancado entrar na polícia?" Ele fala uma coisa que entrou na minha cabeça e que entra hoje na cabeça da molecada. Eu faço uma comparação. Até hoje essas coisas não mudaram. Hã? Você falar para um moleque de favela, de quebrada, Vendendo doce no farol, fal, vou te deixar rico, ele não quer saber qual é a proposta. É verdade. Ele quer ser rico, ainda mais hoje, né? Ferrari roncando para lá e para cá na mão
de moleque novo. O moleque acha que aquilo ali é muito fácil. Aham. E ele me fala: "Quer ficar rico? você vai ficar rico. Como assim? Ele falou assim: "Você tem coragem?" Falei: "Você tá falando que não é mancada." Eu vou, mano. Que que é uma ferida mais ou menos Para um corpo infectado? Não tô nem vendo. Tinha, não tinha um pai para me orientar, não tinha ninguém para me orientar. Minha, minha, a porta da minha casa era uma escola de madeira, alimento vez ou outra que tinha. vivia mais de doação. Esse esse era um cara
que todas as datas comemorativas ele me dava um kit de roupa, me tratava muito bem, sobretudo o que mais ele contribuía comigo e nessa ideia que ele que ele me ofereceu, me ofertou a ser a fazer parte Do crime entrando na polícia, era o que ele tinha de melhor para ele. A história de vida dele também era [ __ ] Ele não veio de um outro de um outro universo me oferecendo coisa ruim. Ele viveu coisa ruim a vida inteira e aquilo para ele era muito natural. Isso poderia ter sido muito natural para mim hoje,
mas não, eu percebi que isso não era natural, que eu tinha que mudar o curso da história. E o que eu faço hoje é totalmente contrário daquilo que me que me coptaram pro Crime. E aí quando ele me fala, você tem coragem? Eu falei: "Tenho, eu vou emprudado porque eu tinha desvio de sépto. Nasal, passei em tudo de desvio de séto nasal. Ele também não tinha essa visão tão empreendedora disso. Eu saio, mas aquela ideia já tá encurtida na minha cabeça. Eu entro numa empresa como como auxiliar de expedição, numa empresa de jeans, tecelagem. 4
meses após eh da carência do meu plano de saúde, eu me submeto a Essa cirurgia porque eu já tinha aquilo na minha ideia. Falei, ele falou que eu vou ficar rico. Eu não vou ficar rico aqui trabalhando de auxiliar de expedição, vou ficar rico lá com ele. Eu faço a cirurgia dos vídeos certos. Tô OK. Depois de dois meses já feita a cirurgia apta. Eu por meios próprios, porque eu tava trabalhando, eu falto na empresa e presto concurso público. Já sabia todo o caminho que ele me ensinou no começo. Fui lá, fiz de novo. Fiz
e Passei. Eu passo, chego nele e falo assim: "Mano, passei e vou ser chamado". 24 de fevereiro de de 93 eu sou chamado pro curso de formação de soldados. Tu tinha tu tinha prestado a prova muito tempo antes? Eu tinha prestado em 92. Era para eu ter entrado antes do episódio do Carandiru. Tá. Porque eu sou de 73. Era para mim ter entrado justamente ali com 18 anos. Aham. Aí eu entro em 93 ali de 19 para para 20 anos. E aí, mas na tua cabeça tu não era, tu Não queria ser um policial, não?
Não, mas é o seguinte, não fugia muito a regra, porque hoje você pega um moleque da quebrado, ele ele admira o ladrão e a polícia, porque ele admira a violência, ele sente a adrenalina do cotidiano. Ca é rato, gato e rato. Quem caça, quem se dá bem, quem não se dá bem. naquele dia. Você vai brincar hoje nem tanto, porque tudo isso aqui atrapalha a molecada até as diversões que a gente tinha da nossa infância, né? Brincar de polícia ladrão, Pega pega, esconde esconde, bolinha, essas coisas não tem. Só que roubou muito a infância da
molecada. Eu sou dessa época da criatividade. Então, por isso ladrão é uma das brincadeiras mais divertidas que a gente tinha. Então, você tendo a possibilidade de ser, imagina ser polícia e sendo ladrão. Era o melhor dos mundos, vamos dizer assim, com de certa forma o aval do cara. do cara que mandava naquela. Então não era mancado, eu tinha um aval Para ser. E eu vou ir para essa concurso pú e falo assim: "Mano, passei, tá aqui, ó, vou vou ser chamado". Até então, até essa parte aí na tua vida, tu ainda não tinha, vamos lá,
tu não nunca tinha trabalhado em Biqueira, por exemplo? Não, nunca tinha trabalhado em Biqueira. Eu umas duas, três vezes era moda da da época da minha da da do nosso grupo ali da escola. Era moda saidinha, fazia saidinha, tá? E eu fui duas vezes, não me dei bem. Mas fiquei preocupado também porque o seguinte, eu não queria colar no bo dos outros, já tinha aprendido a malandragem. Eu tinha um tio, né? Tenho um tio, né? E na época ele morava com a gente ali, mas era ele lá aqui. E esse meu tio tinha arrumado 38
canelas secas na época. Eu sabia que canela seca, o canela seca era um oitão de cinco tiros só aquele roço, né? Um cano bem fininho. Ah, e eu sabia onde ele escondia. Mas aquilo nunca foi meu desejo. Mas quando Eu tô naquele grupo ali fazendo saidinha na na saindo para fazer saidinha, duas vezes eu saí da escola para fazer saidinha com a rapaziada que tava se dando super bem, já metendo um Adidas no pé, tudo, porque era aquela aquele desejo de ter, como a molecada tem hoje. Não sabia nem que era ser. Ser alguém para
mim era longe. Eu pego esse oitão do meu tio e vou num boco. Só que eu dei pro mano que era mais velha e experiente, falar: "Ó, então o que o que Eu ganhava? Era empreender. Eu ganho porque eu tô assaltando junto e eu ganho porque eu coloquei a arma. Eu tinha duas partes no assalto. Então quando eu coloco se oitão para fazer a fita, a eu não vejo a cena acontecer, mas a gente tinha um horário de se encontrar na porta da escola à noite. Eu encontro com os manos. O mano me dá a
parte da arma, mas não dá parte do assalto porque eu não colei no assalto, não vi. O bagulho foi muito Rápido. Só que eu cheguei à noite, o cara me deu minha parte pelo revólver e tal. Eu saio da escola, volto para casa, eu coloco a arma no mesmo lugar, tremendo de medo de acontecer alguma coisa. Para você ter ideia, eu não era malandro, era [ __ ] tinha medo, era garoto, tinha coragem, mas ao mesmo tempo dividido com medo. Aquele dinheiro que eu peguei a minha parte, eu vou na feira do rola e eu
compro minha, eu empreendo na minha primeira, primeiro Trabalho, vamos dizer assim, eu compro uma arma, falo, já não tenho mais dor de cabeça para ter problema com ninguém. E essa minha arma, quantas vezes vou emprestar? Quantas vezes vou ganhar? Eu já empreendi, falei: "Não preciso de ir no assalto, se eu pôr a arma lá, os manos vai trazer minha parte". Quanto custava uma arma nessa época? Aí se a gente for pensar em dia hoje falar falar em falar em Cruzeiro, falar hoje que você pegava um revólver aí por R$ 1.000, R$00, você pega um revólver
aí, sei lá, um oitão 10, né? Era o meu, já peguei um budoguinho, mas bonitinho, mas e pus manos fazer o trampo e fui fui em duas vezes com os caras. Uma uma uma eu colei ganhei as duas partes e na outra só veio minha parte de tal. Só que nessa segunda vez que vê a parte é a parte podre do crime. Hã, o mano que grudou tava com uma ideia de me fazer para tomar minha arma, me matar para tomar minha arma. Só que o parceiro que Me levou nessa quadrilha para para meter esse
BO, eu gostaria muito de falar o vulgo dele aqui, mas vou preservá e eu tenho grande carinho por ele, porque foi o primeiro momento que a minha vida foi protegida e defendida por alguém. Esse mano chegou no cara e ele era disposição que só que ele era pequenininho e esse cara queria me matar era gigante, grandão. Ele já morreu hoje, posso falar um tal de Ceará lá de São Miguel, grandãozão, sendo o cabelo meio piradão, Malandrão das épocas, né? Então ele cresceu o olho no meu oitão e ele ia me ripar para ficar com a
minha parte, com o meu revólver. O mano bigodou ele e falou: "Chará, o moleque é 1000 grau, o moleque tomosição, comprou o bagulho, colocou aqui, serviu nós, você não vai fazer nada com ele não, então não vai atrasar". E aí ele veio me deu o papo, falou: "Toma cuidado". Foi mais o ensinamento da rua. Toma cuidado. Nem todo mundo é parceiro, é homem, tal. Esse maluco aí ia te matar e tal. Não coloca esses caras. Ele colou nós tal. Falei: "Beleza". Eu falei: "Isso aqui não é para mim, mano. Eu me fecho nessa fita". E
nisso nunca tinha tido nem ideia do do parceiro que me fez a proposta de de entrar pra polícia. Eu já fui meu primeiro contato com o crime e com o medo ali, com a perspectiva de dar de dar ruim. Mas peguei um dinheirinho, já tinha comprado um kitzinho, tava bonitinho para ir pra escola. Mas sempre Gostei de trabalhar, apaixonado por trabalho. Sempre gostei. Como é que tu explicava isso em casa pra tua avó lá? Que tu todo mundo não tinha ninguém para cobrar. É, não tinha ninguém para explicar. Eu testei minha avó uma vez. Como
deixei o revólver em cima da mesa como displicência e fui pro quarto. Ela não colocou a mão e não me disse nada. Quando eu passo por ela, ela me olha até hoje eu lembro daquele olhar assim. Ela fala assim: "Você é homem, Você sabe o que você faz da sua vida. Mas nada. Ela já viu que eu tinha passado da fase de moleque para adolescente, para homem. Antigamente ela pegava um cabo de vassoura. Vem cá menino, que tá fazendo aquela arte, né? Mas naquele momento que acho que minha avó tinha uma uma psicologia assim nata,
né? Hoje eu entendo, hoje eu consegui entender que foi uma psicologia muito forte e a vivência dela. Ela falou com um homem Naquele momento. Eu eu me emancipei ali. Fal, você sabe o que você faz da sua vida. Eu lembro até hoje isso me isso me fura. E quando eu começo a fazer essas coisas que eu tô fazendo agora, coisas boas, eu me sinto aliviado com ela. Ela fala: "Era isso que eu queria de você, tá ligado? uma parada mente falar. E aí eu fiz esse teste e isso me envergonhou um pouco. Então eu fazia
minhas paradas já não trazendo nenhum problema para dentro de casa. Aham. E isso também foi Uma escola que me levou pra vida. A minha mulher nunca viu um bo meu, nunca soube de um bo meu. Eu saía pra rua, ela sabia que eu ia pra luta, mas quando eu voltava, voltava pai de família, amor da minha vida, minha filha e tal, sempre blindando minha família. Quando você vai falar: "Não, porque como é que foi o seu dia?" Meu dia foi péssimo. O seu que deve ser interessante. Eu não quero contar. Eu não quero contar. Meu
dia não é interessante contar dentro de casa. Meu dia era horrível. E aí, beleza, eu tenho essa, eu tenho esse primeiro momento e aí quando eu volto no parceiro que ele fala: "Você vai entrar e vou ficar rico?" Beleza, eu faço o curso de formação de soldado. E aí eu não me dei conta. Hoje sim eu me dou conta que eu não sei fazer nada pequeno. Quando faço, faço algo grande. Eu assim, sem muito esforço, eu sou o segundo colocado da minha turma. No seg aí eu sou classificado pro segundo Batalhão de choque. Eu escolho
o segundo batalhão de choque. Poderia ter escolhido o primeiro que é Rota, segundo batalhão de choque, terceiro que era Gate, quarto cavalaria e quinto que era o que era o coi. Eu escolho segundo batalhão de choque porque eu sempre fui apaixonado por futebol e o meu sonho era ser jogador de futebol. E aí falei: "Pô, choque Rocan, né? Rocan não era Rocan hoje igual tem policiamento de de quebrada, era Rocan que fazia escota do Dos jogos e uma parte da tropa de choque. Eu entro pr pra segundo batalhão de choque fazendo praça desportiva, mas quando
eu saí ali nas minhas fogas, eu já tava na quebrada. E na quebrada já tava fazendo o quê? Carrega ali, transporta ali, eu ganhava R$ 400 na polícia, mais ou menos. Meu salário da época que eu fui preso, né? Em em 97 eu fui preso. Eu ganhava R$ 400, R$ 450, que era o salário do policial. Mas eu saía da minha quebrada em Goianáis, por Exemplo, vinha pra Vila Prudente, vai ia pr para Tatuapé, carregar uma bolsa que eu nem abria. Tá tá certo aqui, tá lacrado, tá? Eu levo. Tem que trazer alguma coisa, tem
que trazer. É um dinheiro, tem que contar. Fazia, ganhava 5.000, 4.000, quando esticava para Baixada Santista era 15 até 50.000. Nossa, num frete isso. Era era nesse sentido que o que o cara queria que tu fosse polícia, que era ser polícia para poder fazer os trampo. E quando eu Começo a fazer os trampos só de transporte, de arma, droga para lá e para cá, trazer dinheiro, os caras falam: "Mano, vai ter um um assalto ali e precisava de fazer o rádio." Você tem? Eu tinha já todos os rádios. Quemud na época que eu pegava todas
as frequências da polícia, eu era rato nisso, operava tudo. Aí ele falou: "Não tem, sem problema, tem que fazer". Ó, então o mano vai vir trocar uma ideia com você. Quando o mano veio trocar uma Ideia, falou, mano, você me dá uma liberdade, fala os cara falou, mano, mano, o moleque é 1000 grau, né? Polícia, mas era um molecote 1000 grau. Eu falei: "Como vai ser assim?" Falei: "Não, vamos fazer assim, posso, pode dar um vamos fazer assim, assim, assim, a gente não dá um tiro." Aí foi um, foi dois, foi três assaltos sem fazer
barulho, sem nem ver. Quando a gente tava dividindo o dinheiro, o bagulho que eu começava a dar no rádio, roubo em Andamento, já tava dividindo o dinheiro, né? E isso sem, opa, sem violência, sem nada. Lógico que tem aquela violência da pressão, uma arma ostentada, mas ninguém agredia ninguém. Eu nunca gostei gosto de bater, humilhar, não existe. Aí eu comecei a perceber que eu tava num patamar do crime grande e isso te iludia mais ainda, como aquele moleque falava: "Você é foda". Eu me achava [ __ ] mesmo, que aí quando dava certo, então os
cara fal [ __ ] mano, é 1000 grau. E aí eu Tô daqui a pouco no transporte de de arma, transporte de droga e assalto. Enquanto isso, na polícia, tu tá vivendo uma vida de polícia. Fazia meu 12 por 36, você manda gorda e magra ali. Só que aí você começa a fazer merda porque dinheiro ninguém esconde. Dinheiro você tá bem, você come bem. Os caras comendo na subsistência ali o negócio, não, comia prato do dia, feijoada e eh virada paulista, toma cerveja aí o mano. Pô, vamos não guarda esse ticket aí, depois Você almoça.
Vamos almoçar lá no bar, pagava prato do dia para todo mundo. Só fal cara, eu tenho um bico bom, sou faço uma segurança para um, para outro e tal. Tanto que na época lá em 95 eu chego com a BMW alemã 325. Não tem, ninguém deixa, ninguém deixa eu guardar dentro do batalhão. Aí eu guardo bem na frente, arrumou uma vaga. Quando eu volto, os cara, o sentinela, olhando minha molecada nova também olhava meu carro, fala assim: "Meu, a corge". Os caras Foram mexer no seu carro, levantaram até com macaco e a placa tava dobrada,
amassada para ver lacre, essas coisas, né? Aí eu falei: "Beleza". E tal, até que os caras me chamam e começam a me mandar pra permanência da corregidoria. Teve um assalto de grande vulto, os car falam: "Não, isso não foi reconhecimento, ficava na corgedoria o dia inteiro, aí voltava era inserido na tropa novamente." Enfim, a minha vida começa a virar um um inferno. O um Capitão que também se envolveu com crimes acabou indo preso. Ele chegou numa semana com quando o Color abriu o mercado, ele chegou com uma moto, uma GS, como que era? A moto
era uma SRED 750. E eu chego depois na outra semana com a 1100. uma competição, mas ele era, ele era capitão, eu era soldado, não tinha mínima condição. E aí quando eles perguntavam, eu tinha sempre alguém, porque você compra numa loja ali, numa Hoje, alguém sempre segurava, não, a moto é minha, ficava no nome, então eu tinha tudo e não tinha nada, essa a realidade. Entendi. Mas enfim, não é nada glamuroso. Nessa época tu pensava no que que ia acontecer na tua vida, porque isso daí, se tu me contando hoje, me parece um troço que
não é muito sustentável, sabe? Uma hora, uma hora case ia cair, que nem caiu. Tá bom. É. É mesmo dentro da polícia você faz um juramento. Eu falei até um outro dia Sobre isso, que eu não vejo sentido algum. Hora que morre um policial no exercício da sua função, do seu trabalho, junto a um batalhão de polícia. Antigamente, antigamente esse cangaço existia. Os policiais se reuniam paralelo ao estado da sua função e ia lá no lugar onde aconteceu a morte do policial e fazia uma desgraça. Chacina e chacina para poder mostrar, falar: "Ó, se matar
um polícia vai morrer assim". Hoje eu vejo isso Acontecer com aparelho do estado verdadeiro. Operação Escudo mostra isso. Lá no auge da operação escudo, operação verão. Ninguém dizia que era um cangaço como esse cobrando a morte de um policial. Ninguém dizia naquele momento, é uma ação legítima isso, aquilo, outro, vai procurar a Liga da Justiça e tal, isso, aquilo outro, essas essas essas essas essas esses feedbacks para sociedade. Mas hoje agora sustenta o que eu tô falando, diversos processos Pipocando porque começaram a aparecer imagens, perícias mostrando que realmente aquilo foi um revide desproporcional e não
foi um revide de uma operação. foi execução sumária de pessoas porque moram nas periferias preto, favelado e e sem oportunidades para vingar a morte de um policial. Mas quando esse policial, veja bem, quando esse policial se formou policial, ele pôs a mão na Bíblia e fez um juramento, mesmo que o sacrifício da minha própria Vida. Aí eu vou trazer essa realidade. Então pode matar policial? Não, não, não pode. Assim também como não pode matar um cidadão, porque o moleque quando sai de casa, ele fez um juramento sem pão na Bíblia e sem autoridade presente, sem
uma solenidade. A mãe falou: "Filho, pelo amor de Deus, minha avó falou para mim: "Você, você é homem, você sabe o que você faz de sua vida". Então, quando eu saio pra rua enquanto malandro para fazer arte, eu sei que eu posso não Voltar. E também não não acho justificativa pro crime também sair matando um monte de policiais em razão de eu ter feito uma escolha de ir pra vida louca e morrer. Mano, entendi. Então, se eu digo que a polícia não é, não é justo que a polícia faz se juntar 50 um batalhão de
polícia para exterminar um monte de gente numa determinada favela porque morreu um policial no exercício da sua função, uma vez que ele fez um juramento, não é Justo também que os manos matem matem um monte de policiais em razão de um mano que já fez seu juramento indiretamente, porque quando ele é vida louca, ele tá ligado, mano, que ele não pode, pode ir, pode não voltar. Você entende que são os dois universos se copiam, mas não pode se copiar para propagar mais violência. Por que não se copia para fazer igual tô fazendo agora? Ei, mano,
não é esse o caminho, Chará. O caminho é outro. Por que que o estado não fala, ó, tem um Cara inteligente igual esse mano ali na cadeia, pega o psicólogo e tal, vou fazer um trabalho com esse cara específico, eu vou tirar você, vou perdoar você das suas sentenças, você vai trabalhar em tal lugar, vou te preparar antes. A sua pena é 30, 5 anos você vai estudar. Se você se informar em todos esses cursos que eu te colocar aqui pra prisão, no sexto ano, você tá trabalhando numa oportunidade de emprego. Eu começo a dar
lucro, não Começo, não deixo de dar despesa pro estado. E lá na cadeia, porque sou porque eu sou colocado para ser melhorado. Mas hoje você olha na prisão, ninguém tá sendo colocado para ser melhorado. É isso. O cara sai pior. Eu poderia ter saído pior. Eu poderia ter feito tudo que eu faço hoje, toda essa propriedade intelectual intelectual que eu desenvolvi, essa capacidade de gestão, de criatividade, isso, aquilo, outro. Eu podia continuar empregando no Crime. Eu podia ter sido, tá um cara pior do que eu fui. Mas quando eu resolvo mudar e e percebo dentro
de mim, faço uma introspecção e falo: "Pera aí, mano, que você tá fazendo com você, xará? Minha mulher viia me visitar. Minha mulher visitou 15 anos sem faltar uma visita. Minha filha tem 30 anos agora. Eu tenho duas netas. Minha filha fazia, eu deixava me ver assim de três em três meses, só nas datas mesmos comemorativas, porque eu não aguentava De saudade. Então não queria proporcionar aquilo. Até o dia que a minha mulher vem e diz: "Olha, eu dessa vez eu tirei a roupa, mas a Brenda também tirou a roupa. A minha filha fez fez
vchamentosa, mano. Uma menina, eu falo fala: "Mas essa culpa não é do estado. A primeira culpa é minha, que eu trouxe eles para cá. E a segunda culpa é a falta de zelo com a família do sentenciado que o estado promove. Dexter canta muito bem isso. Agacha, senta num banquinho, num banquinho qualquer sem higiene joga sua roupa lá no canto. [ __ ] é tratado como um estado de coisa, como lixo. Eu tudo bem, vou segurar meus bo, mano. Mas na minha família não pode ser tratado assim. Mas eu falo, esse grito já não tá
funcionando. Eu tenho que mudar minha postura. E eu mudo minha postura. Mas antes disso, como é? Tu tá, tu tava lá, tava na polícia, tava fazendo os corre de levar uma coisa Daqui para lá, levando uma grana, já também participando de roubo, né? E aí, como é que como é que a casa cai no Eu escrevi sobre isso, né? Você começa ali fazendo uma coisa pequena, daqui a pouco você tá grande, né? Na série nossa agora que tá que tá em DNA do crime, né? do crime. Segunda temporada, eu tenho um trecho que eu tava
assistindo e presta atenção, eu escrevo sobre isso, porque o o Isaac, que é o personagem do Alex Nader, ele tá ele tá no no num conflito Interno e ele quer fazer mais, cada vez mais e maior. E aí a gente é parceiro, a gente vai indo junto com ele, mas nem todo mundo tá na mesma disposição. Tanto que tem um parceiro que ele quer sair fora e fala: "Então você já era, mano, porque eu morri, meu irmão em razão de você ter virado bunda mole no meio da cena". Ó o bagulho como faz o sem
alma é um cara que tá lutando para sair da da facção, da organização, mas cada vez que Cada ação que ele faz, ele ele ele ele aumenta esse problema dele, né, até chegar no no no nos problemas que chegaram. Então a pergunta que você havia feito por gentileza. É, não, a gente tava, eu queria saber como é que foi que a casa caiu, porque tu tava me contando como é que Exato. Como como cai a casa no primeiro BO que cai a casa? Eu fui preso em 1997, cara. A gente tinha nossa quadrilha, né? Essa
quadrilha era composta Por só você da polícia ou tinha outros car da polícia. Eu fui um dos pioneiros no na época do do crime, né, que se destacou em ter uma força dentro de uma quadrilha. Foi um dos pioneiros ex policiais aí que entraram nesse sistema e depois eu fui conhecendo outros no sistema que também faziam, mas era muito poucos, né? Mas ali extremo leste eu era o cara conhecido, sou conhecido até hoje, mas isso assustava. Quando chegava Numas bancas, os cara falou: "Pô, mano, polícia, mano". Uhum. Aí esse esse mano era muito inteligente e
ele carava embaixo, ele assinava embaixo. Falei: "Mano, o moleque entrou na polícia, foi eu que coloquei ele". Então, quadrilhas pontuais sabiam do plano. A maioria do crime, assim como eu cheguei na prisão, o universo de populacional, né? a população, a a a parte mais quantitativa quantitativa tinha ideia de que chegou um policial ou ex-policial Preso, mas a parte qualitativa sabia, entendia quais as condições. Falei, ele nunca foi polícia, ele é um mano que entrou na polícia e é nossa. Então eu fui crescendo nesse nesse nesse universo, nessa atmosfera. E em 1997, em razão de uma
treta de tráfico de droga e quadrilhas de tráfico de drogas, eu vou preso, mas sai nos jornais como quadrilha de policiais, porque tinha outros policiais comigo, quadrilha de policiais são presos Torquindo familiar de bandido, de traficante. Mas na verdade era a gente tentando recuperar a nossa droga que foi roubada no quando um avião pousou. E aí isso virou maior Huawei em São Paulo Cara, tava mexendo com os troços grande para [ __ ] Tava grande, tava boca de avião, vamos dizer assim. avião já descia no canavial, a gente já pegava e já trazia, já fazia,
distribuía, já tava nesse patamar. Começou a pó, era pasta base na época, fazia da base, a gente Fazia, fazia o craque e fazia também a cocaína, mas a cocaína era pouca circulação. Depois que o cloridrato começa a vir já pronto, né, e toma uma outra proporção que já era uma época um pouco mais recente, mas lá naquela época foi assim. Essa quando chega chega um carregamento desse aí, isso vira quanta quanto de droga em peso? Não, hoje é na minha na época, por exemplo, 1 kg de base você fazia 6 kg de craque. 1 kg
de pasta base e chegava quantos quilos? Você você fazia chegava a 250, 200 kg de base. Entendi. Craque para [ __ ] Craque para [ __ ] Muito. O bicarbonato nunca teve tanto valor naquela época. Você pegava um tacho, né? Não quero ensinar ninguém fazer droga, mas diluía lá e colocava 6 kg de bicarbonato. 6 kg de bicarbonato. Você pagava pagava total. 800 até chegar essa pasta base aqui, cada quil e você colocava 6 kg de 5 kg de bicarbonato, fariam 6 kg. Você venderia venderia na Época por R$ 2800, R$ 2500 1 kg de
de craque. Tu multiplicava mesmo essa grande, não? Muito muito além. E depois eu num outro num outro universo eu conheço o tráfego internacional que é uma que é uma uma ignorância frente a tudo isso, né? Outro universo, num outro universo que Mas eu conheço um universo mais perigoso, cara, e muito mais rentável. Hã, que eu passo vergonha, inclusive. Imagina eu vivendo toda essa essa realidade, roubo de Banco, tráfego regional, tráfego internacional, conhecendo tudo isso, eu chego na cadeia no regime especial, porque quando eu vou preso na primeira vez, eu passo na cadeia comum, fico 11
anos preso, depois eu, né, entre regime fechado e semiaberto, faço faculdade na prisão, quando eu não quero mais sair do crime, que é um plano, você não sai do crime assim estralando o dedo, é um processo. O processo era eu tenho que me qualificar e aos poucos me Desaproximando. Então eu faço faculdade no regime semiaberto de baixarel administração, 4 anos e quando eu saio eu tô envolvido no tráfego internacional. No tráfico internacional eu vou preso, mas eu já vou preso baixar administração e tava fazendo MB em gestão esportiva. Eu gosto da prerrogativa pela primeira vez
de ter sido agente público e ter uma graduação e vou pro presídio especial. No presídio especial eu sou o mais velho. Eu chego Ali, ativei, vim de eu fiquei em Tremembé se meses, mas se seis meses em Trembé não me comportaram. acharam que ia descer um helicóptero. Eles eles viajavam em tudo que podia pudesse acontecer. Esse cara vai fugir daqui, vai dar problema. E cadeia de Tremember, que é dos artistas, não comportaria um cara com o meu perfil. Eu tinha toda a prerrogativa, mas não não fizeram. Deram um jeito e me transferiram. Eu vou para
para Pinheiros 3, inauguro aquela ala Especial, né, que era a ala da da operação Lava-Jato. Eles começaram essa operação porque começou a vir muita gente da Lava-Jato. Então pegaram esse pavilhão, isolaram dos outros pavilhões e criaram uma ala especial. Só que eu chego mais experiente, eu chego o primeiro lá para ativar o pavilhão e eu começo a trazer, né, começo a receber essa população e começo dizer para eles a cartilha de como é uma cadeia faccionada, qual é o proceder, Sobretudo, né, a a mais a mais a a única em São Paulo que existe, né,
o comando. E eu começo a colocar essa mesma disciplina que eu vivi há 11 anos caras, desde a rua e desde a prisão. Aham. Falam, mano, proceder é esse, não mexer com visita, não se envolver com droga, palavra e tal, né? proceder no dia a dia, mas vai chegando uma rapaziada que não tem experiência nenhuma com esse universo e dá um trabalho da [ __ ] para você doutrinar e os caras começam a ter Um choque de tradição, porque mano, eu o cara não se dá conta quando ele chega na prisão de que ele é
um preso. Eu sou filho de Beltrano, autoritarismo social na veia, eu sou fulano. Um outro chegou, falou: "Eu sou sargento". Falei: "Você é sargento para suas negas. Aqui você é preso, malandro". Ele aqui você é preso, mano. Não, aqui você é preso, mano. Você não tá entendendo. Você não tá fardado aqui, mano. Você vai comer o mesmo bandeco que eu. Você vai dormir na mesma Pedra que eu. Você não manda aqui, que você não é sargento, mano. Que você é preso, xará. Você não foi mandado embora aí, mas você tá na bica de você manda
embaixo que está dentro da prisão. Se você fosse polícia tava lá fora do portão para lá, mano. Se situa respeitar. E aí, né, dando aquela aquela direção e isso acaba trazendo um pouco de problema para mim, né? E porque eu tenho uma linha, eu não posso refugar porque, mano, se eu roncava e tinha Proceder na cadeia de malandro, eu vou dar para trás na cadeia especial. A atitude é a mesma, proceder é o mesmo. Só que os caras confundiram, falar: "Ah, mas teve uma treta ali, vamos cobrar". Falei: "Não, cobrar não, mano. Aqui não é
faccionado para cobrar. A gente vai se juntar aqui para cobrar alguém. Eu tô aqui para te orientar. Eu tô aqui com mais 16 manos para te passar a orientação. Agora você quer pegar o cara, desce lá na quadra e faz o que Você tem que fazer. Ou você vai matar, ou você vai fazer uma lesão corporal, você vai pro castigo, depois você reflete o que você fez. Sua família nem sabe o que tá acontecendo. Comecei aí na contramão dando uma orientação pro cara. Só que para te dizer o que eu, a hora que eu conheço
o lado mais violento, é quando eu tô sentado à noite na minha cama trocando uma ideia com preso político, né? Não preso político, um preso da política que Veio por corrupção, que veio, né? essas coisas que a gente vê cotidianamente, eu sento do lado do cara e começo a entender. E ele tá lá escrevendo bem, falou: "Mano, você tá fazendo?" Porque eles chegaram uns três, quat unidos morrendo de medo. "Te amo, meu amigo". E tal, deu dois meses, tava tudo rachado, cada um morando num barraco, mas um [ __ ] o outro, fazendo delação premiada.
Ih, [ __ ] Falou: "Malando, você chega aqui na Cadeia, agora você vai caguetar o cara". Mano, eu começo a entender isso e quando eu começo a socializar com os caras trocando uma ideia, numa canetada o cara desviou 300 milhões. Em uma outra canetada o cara desviou 100 milhões da da saúde pública. O outro desviou mais não sei 20 milhões da merenda. O outro falei: "Eu sou um comédia, mano". Ô, corre o risco para [ __ ] É, é, é idondo, vender droga, isso, aquilo, outro, assalto. Você numa caneta se Levou tudo isso, mano. E
agora você tá aqui caguetando outro. Falei: "Caralho, eu nunca fui bandido, mano. Sou um bunda mole". Aí eu comecei a entender o outro universo, desenvolver um senso crítico voltado para isso. Falei: "Mano, não tem sentido isso tudo aqui que a gente tá vivendo lá, né? Ali onde eu estava ainda tinha uma boa parte da população. Tem até uma coisa que eu que eu faço um paralelo para você entender. Eu saía no pátio na cadeia comum, 80 90% da população negra. Saí no pátio na cadeia de regime especial 80 90% população branca. Não é questão de
dividir privilégios, é para você entender quem tem mais oportunidades e menos oportunidades ou as melhores oportunidades. Eu estava no momento que na prisão seria a melhor oportunidade, que é uma prisão comum, presídio especial. Preídio especial que ele requer, não pode ter gente dormindo No chão. No presídio comum é uma cela de 10, tem 30, 40, 50 lá. Não podia dormir no chão, porque as pessoas dormir no chão, o cara faz um documento, já [ __ ] o diretor, [ __ ] o secretário, porque ele é filho de uma autoridade. É outra parada, é outra, entendeu?
O diretor ele ouve na cadeia especial, na cadeia comum ele não ouve. Ele pode até te ouvir. Ele disfarça que te ouviu, mas ele te transfere lá pra casa do [ __ ] te manda pro regime de Isolamento, fala que você é subversivo, fala que você é indisciplinado, que você ameaçou. Você vai para um regime de RDD, você vai para um regime de presídio federal, você fica 1 2 3 anos e aquilo que ele colocou no papel é uma verdade, mas na verdade ele reivindicou que a boia tava azeda e que não tinha mínima condição
da população comer aquilo, porque ia dar ia gerar um outro problema que era saúde. Mas ele não é o que tem, mano. Você tá falando, beleza, vai Voltar as boia, vai voltar as caixas, eu vou ter que dar um jeito de trazer lanche, alguma outra alimentação, mas você vai se [ __ ] preso na minha mão. Falei: "Tudo bem, mestrão, vou me [ __ ] mas eu não não arreguei, não fiz merda, porque se eu volto para dentro da cadeia, eu tô na condição de frente, quem vai me cobrar é a população." E lá não
tem grade para separar não. Falei: "Ei, mano, você tá na frente aí representando a gente, você não Conseguiu dar um jeito na na alimentação que tá azeda, quem é você para representar a gente?" Aham. E aí você ganha uma tarja de PCC, você uma carga de trim organizada. Por quê? Porque você reivindicou o básico. Medicação, mano. O cara tá, o cara tem câncer, mestrão. Tá aí na ficha dele, ladrão. Toma aí, paracetamol. Você tá reclamando do quê, mano? Saúde pública já tá uma merda na rua. Toma isso aí, mano. Depois você manda sua família correr
atrás. A Família corre atrás quando traz a medicação. Não pode entrar, [ __ ] Porque o estado tem que fornecer. Aí o cara te [ __ ] Aí você tá morrendo. Aí quantos mandam? Eu perdi mando na gaiola enfartando. Chefão. O cara tá infartando. O cara saiu morto do pavilhão, levaram pro hospital, socorreram, disseram que morreu lá no hospital para não dar be pra cadeia. São essas paradas que vai te revoltando e você vira um faccionado sem ser Faccionado, porque você tem senso crítico e sabe reivindicar as coisas, assim como a população aqui, vou reivindicar
uma má gestão política, uma gestão pública. Ah, eu sou esquerda, eu sou direita, porque eu reclamei de fulano, porque eu reclamei do atual governo, reclamei do outro. Eu tô reivindicando, reclamando como população. Você administra o meu recurso, você tem que cuidar de mim altura. Se a saúde pública tá Disponível, tenho direito, tá lá, tá lá na Constituição que eu tenho direito à saúde pública, eu quero ver uma melhor saúde pública, quero um asfalto bem feito, quero uma água de qualidade, quero lazer, entretenimento para as crianças, sobretudo as periferias, você reivindica, você é uma outra coisa.
Ah, sim. Tem lugar que funciona e tem lugar que não funciona. Parecido com a cadeia. Isso. Então, exatamente. Você a Ah, cadê? Eu digo que é um, você tem uma Caixa d'água, tá todo mundo com desiria em casa. O cara fala: "Vai lá na sua casa e pega água na caixa d'água". Você faz assim e leva lá no pro laboratório. A cadeia é você fazer assim no mundo e colocar aqui. Cadê uma amostra do mundo? Tudo que tem aqui. Só que você tem uma visão sistêmica, né? Você tá vendo tudo acontecer muito rápido. Os car
se mexendo os hamster, né? Se mexendo ali. É uma amostra da Sociedade o que tá acontecendo. [ __ ] muito sinistro. Mas vamos lá, voltando um pouquinho, o o quando é que os caras te pegam para te pôr na cadeia? Onde é que o que que acontece pros caras de fato te pô te prender? Eu vou preso 1997 envolvido nessa guerra de quadrilhas. Eu vou pro presídio Romão Gomes, sou mandado embora no envolvimento de extorção mediante sequestro. extorção mediante sequestro, que foi aquela parada que tu tava Falando. Isso. E aí eu saio absolvido porque só
teve só, como era todo mundo envolvido, todo mundo errado, só teve a prisão em flagrante, o primeiro depoimento. Aham. Depois, na sequência, na audiências, audiência audiências de instrução, não houve mais testemunhas. Eu sai absolvido por insuficiência de provas, tá? Mas o Ministério Público recorre. Depois de se meses, eu sou condenado a 8 anos e meio por extorção Mediante sequestro. Já tinha sido mandado embora da polícia até mesmo antes do processo legal ter rolado. E eu fico procurado, eu meto o pé para Baixada Santista. Quando quando tu quando tu deixa de ser policial, que os caras
te expulsaram ali, o que que passou pela tua cabeça? Foi fodeu, tem que me virar. O que que aconteceu? Eu senti um alívio. É porque a polícia era uma pressão em cima de mim. Era muito grande essa pressão. Falei assim: "Agora Não tenho que prestar continência satisfação para ninguém, não tenho que cumprir horário." Eu era um moleque arredio, falou: "Agora sou conceituado, já sei como fazer". Só sabia ser fazer um trabalho policial e o trabalho do crime. E eu fazia o trabalho policial em razão do crime e fazia o trabalho do crime em razão do
trabalho policial que me facilitava. Entendi. Só que o uma um lado ru esse lado que acontece. Desse lado, eu não Preciso de levantar cedo, não preciso de treinar, não precisa de prestar continência, não preciso de dar satisfação, não preciso de cumprir hora. Eu agora vivo, eu por mim, só que eu era procurado. E na Baixada Santíssa, o que eu sabia fazer? Só ser ladrão. E não dá muito tempo, eu tô entre as maiores quadrilhas da Baixada Santista, vendendo droga e roubando o banco. [ __ ] entendi. Aí tu, mas nessa, nessa tua primeira condenação de
8 anos e meio, Você falou, mas tu disse que ficou preso 11 anos dessa primeira vez. Na primeira vez eu fiquei 11 11 anos preso de de 2001, 18 de fevereiro de 2001, eu fico até 11 25 mais ou menos de dia de de fevereiro de 2011. Só que nesse período eu em 2007 eu vou preso em 2001, eu passo por mais ou menos 16, 17 penitenciárias. Com essa postura de reivindicação, de tá com os caras que reivindicavam, com lideranças, eu vou Pro regime de isolamento. Eu vou, nessa ocasião, eu vou uma vez pro regime
de isolamento e regime de observação. Eu vou para Avaré em 2003, quando eu conheço toda essa rapaziada, né, mais que reivindicam com mais força. Aí eu saio de Avaré, vou para Franco da Rocha, Franco da Rocha, eh, Guarulhos, Guarulhos, uma tentativa de fuga, que meu, meu objetivo era sempre fugir, fugir. Eu era muito querido na na cadeia, principalmente Pros caras zica, porque eu sempre tinha um plano de fugir. Eu era o cérebro, né, mano? Pink cérebro, né? Na verdade, eu sempre arrumava um pink para andar comigo e eu cérebro. Vamos dominar o mundo, vamos fugir
e tal. [ __ ] me conta. Tu tem como dá para tu me contar como é que era esse plano de fuga aí, cara? São, foram vários, né? Não, não é só um plano. Você todo dia você acorda com um plano novo na mente. Eh, eu não tinha condições nenhuma de vestir uma Roupa e tentar sair na visita, porque eu, né, minhas minhas extremidades são totalmente diferentes, é muito masculino, mas tinha uns caras que já tinha um corpo que dava para disfarçar, fazer uma maquiagem, alguma coisa. Então, inúmeras. Aí eu já vi parceiros tentar aí
eh cavar tatu, eh escorar o muro de fora e de dentro para fora, a gente tentar sair, colocar arma para dentro da prisão para tentar pegar os portões. São transferências, né? Em Transferências de de audiência. Você maquinar com telefone na rua com a rapaziada para alguém, né? Abordar o bonde, assim como a gente já fez em outras ocasiões, né? Comprar o muro, porque naquela época a gente comprava o muro, era muito policial na época. Eh, o as muralhas eram castigo de PMs com vários processos. Então, quando ele tava ali na muralha, é muito fácil assédio
para falar: "Meu, joga uma corda, eh, não vê, né? Dá um jeito pra gente poder Fugir." Então ele jogava, o próprio guarda vinha, já jogava uma corda pronta lá, tudo. Você subia o muro, ele tava olhando pro outro lado, você pular, daqui a pouco ele dava tiro, fuga, né? Mas não tinha, tava tudo certo. Então, várias várias várias episódios como esses, né? mais comuns eram esses de a gente simular uma troca de tiro, uma fuga, mas na verdade tava todo mundo comprado. É, o tiro era mais uma comemoração mesmo do que acertar alguém Para poder
rapaziada ir embora. Então já tinha um número de pessoas a, mas já tava pago. Então são vários planos desde a transferência na rua, simulão, uma simulação de um resgate, tava tudo pago. Aí é tiro daqui, tiro de lá, ninguém tá tirando em ninguém. E se de repente alguém tomou tiro, de repente tomou tiro do próprio parceiro, que é para não dar a parte, ou tava batendo de frente meio ou não era de confiança. Assim como vários Policiais que morreram na rua em confrontos, que na verdade não foram confrontos, o cara divergia ou tinha algum problema
com a própria equipe, entrou numa favela, troca de tiro, ele morreu na mão do próprio parceiro. [ __ ] sinistro. É, são hoje, hoje isso vira arte, né? É, hoje a gente escreve roteiro. É, eu eu era para mim, como eu sou do Rio. Uhum. Para mim era, eu quando saiu Tropa de Elite, o filme lá em 2007, por aí, alguma coisa assim, Eh, eu ficava impressionado. Primeiro que para nós ali, aquilo ali era, pô, segunda-feira, sabe? Os caras achando que tinha um monte de fantasia, não sei galera que não era do Rio, ou que
pelo menos que não era de onde eu era, né? Ficava achando que aquilo ali era fantasia, mentira, não sei o quê, era um era cinema. E eu ficava impressionado com as pessoas achando que aquilo funcionava de forma diferente, não sabiam que aquilo funcionava assim. Eh, Para mim foi estranho quando eu mudei para Curitiba que eu descobri que tinha gente que não sabia o que que era tiro de traçante, né? Porque lá no Rio lá era normal. A gente ficava olhando lá, ó, parece que chegou as paradas, hein? Ó lá o tiro de traçante, não sei
quê. Exato. Então, eh, é isso que você falou, é verdade. Hoje em dia isso, isso vira arte, mas é impressionante que na verdade assim eh é importante que tenha noção que boa parte daquela de do que Mostra na arte acontece de fato. É verdade. É verdade. É o DNA do crime, que é a nossa série agora, ela retrata a vida real, assaltos reais. Uma das as maiores quadrilhas de assalto a Banco do mundo é no Brasil, né? E crimes espetaculares, crimes que você não vê violência, emprego de violência, por exemplo, Banco Central. bateu em alguém,
agredi alguém. É, Banco Central foi uma coisa assim, uma obra, né? Tudo bem, é crime, é crime. Ninguém tá falando, Fazendo apologia, nem deve cavar. E também não é fácil, né? Qualquer um que vai lá cavar, achando que tá cavando aqui, entrou no Itaú, não vai entrar, entendeu? Tem que ter ter todo um trabalho por fora, uma engenharia, informação. Eh, são várias equipes. Tem cara que nunca nem pegou numa arma e ganhou dinheiro para [ __ ] por Mas com emprego intelectual que ele achou que para ele fala: "Beleza, é igual alguns eventos que Acontecem
aí um um cara determinada pessoa aí foi preso, foi preso depois morto. Ele não é intitulado como bandido. Não é intitulado como bandido. Outra cont ele não, ele tá intitulado como era um empresário, isso aquilo outro. Não, mano, ele não era empresário, era bandido. Era bandido. Tô falando do cara que que eles dizem o informante do PCC. Aham. Não era informante de PC, mano. Ele era bandido, mano. Ele se Consorciou. Ele foi, ele foi no corre, só que ele foi no corre nem para ser malandro ele serviu, porque ele cresceu o ouro e mandou matar
um cara. Isso querem apurar, né? Dizem que vão apurar. Isso já tá apurado, todo mundo já sabe. É que o rito do processo legal é diferente. É um pouco mais, mas não deu tempo nem de apurar porque o humano morreu. Mano morreu por quê? Porque ele traiu quem ele se envolveu. Traiu. Se ele se envolveu com a polícia, ele Traiu. Se ele se porque ele denunciou. Se ele se envolveu com o malandro, ele mandou quebrar o cara. Ele mandou fazer isso. Ele se envolveu, mano. Ele não é Qual a diferença de um preto traficante, do
mano periférico traficante e um mano que tinha uma consultora, isso, aquilo, outro. Por que que ele é chamado de Nossa, isso tem direto, na verdade. Não, porque ele é chamado. Agora o outro fala assim, morreu, não sei o que ela tinha passagem, tinha histórico policial, Tinha passagem. Então, quer dizer, ter passagem chancela ou legítima tirar a vida da pessoa, tá legitimado, tá tá tá autorizado. Por que que falam toda vez na matéria? Morreu falando digital, mas tinha passagem. Ah, tinha vasto histórico. Aquele fato isolado você apurou, você vai deixar de apurar porque ele tinha passagem.
É aquilo ali faz com que a opinião pública, de certa forma, ah, então tinha que morrer mesmo. Tinha que Morrer. É isso. É mais ou menos isso. Eu induzo você a entender que era normal. Você banaliza a vida. Assassinato de reputação chama paraa grande elite é assassinado de reputação. Pra favela tinha passagem, era ladrão, tinha que morrer mesmo. Aham. Agora quando ela em cima, poxa, tão falando da pessoa isso, mas ele era uma grande pessoa. Você escolhe, mano. Levanta o Dedo. Eu eu fiz, assumo, eu fiz, não fui gente. Fui falado um outro dia para
um policial, ele falei assim: "Não, mano, você tá me diminuindo, não foi só isso. Eu era isso, isso, isso era terrível. Você me conhece, você tá falando, mas hoje eu sou essa pessoa, isso, isso, isso. Eu mudei, mano. Virei a chave. É, mas eu vi você conversando com fulano e fulano, tem gente nos vendo agora. Voltei pra polícia, sou reintegrado, tô com funcionário no bolso, recebo do Estado. Ele não. Então, se eu aqui sendo visto por alguém, não sou policial, conversando com policial, porque quando eu tô conversando com humano, você diz que eu sou bandido?
Eu não posso estar levando uma mensagem, a mesma mensagem que eu tô trazendo para você aqui. Eu não posso estar dizendo pro mano que a vida do crime não compensa. Eu não posso dizer pro mano, mano, os caminhos que eu tomei, literatura, estudo, faculdade, Dentro da prisão. Não virei as costas pros manos, eu virei as costas pro crime, porque eu tenho um monte de amigo lá e para amigo você não vira as costas. [ __ ] o que ele tá fazendo. Eu vou lá levar uma mensagem para ele, vou mandar uma carta para ele, vou
mandar um livro para ele, vou mandar até um jumbo, mandar uma alimentação pra família dele, que eu sei que tá passando dificuldade. Eu sei que é isso. Também Vivi de ajuda de de um amigo ou outro quando não tava legal a situação. Tava num lugar que não tava fora do ar. Minha família não passou nessa cidade porque alguém falou: "Ó, tá aqui, ó". Então, Patrícia, tem gasolina para ver o mano? Como é que tá? Eu sei que ele não fuma. Vamos mandar um cigarro aqui, ele faz o corre dele lá. Isso é amizade. Você é
amigo de um cara que fez o negócio errado lá. Tudo bem, mano. É meu amigo, não quero saber o que ele Fez. É nesse momento que ele precisa de mim. Na festa é muito fácil. Fui, fui em várias festas com ele que até festa que eu não fui. Mas no momento que ele precisou de mim, de uma palavra, de um ombro amigo e de um conselho, eu tenho que estar lá, porque eu sou amigo. É igual os cara fala: "Pôo, você fala do tigrinho, isso, aquilo, aquilo outro, falo. Ah, mas tem um monte de amigo
seu que posta". Você sabe a mensagem que eu falo para ele? Você sabe o que eu falo Para ele sobre o Tiguinho? Por que você tá me julgando? Eu sou amigo dele. Eu não tô para dizer tá certo, tá errado. Você sabe as consequências disso? O dia que baterem na sua porta, você vai saber o que eu tô te falando. Sim. O dia que que Deus, né? Não sei se Deus castiga, mas vamos colocar do senso comum. O dia que acontecer algo trágico dentro da sua casa, você vai entender da onde vem a resposta do
que da tragédia Que você tá promovendo. Eu tenho uma uma consciência, você ter ideia, eu tenho eu tenho quando meu irmão morreu, eu tinha 46, meu irmão tinha 43. Eu sou 3 anos mais velhoso do que o meu irmão. Meu irmão morreu de câncer, cara, sem tomar uma cerveja. Meu irmão não fazia nada de errado, não fumava nem isso, aquilo, outro. Eu não fumo, não cusei droga, nem nada, mas bebia. vivia da noite, não dormia, vivia na loucura, troca de tiro, isso, aquilo, outro, essa Vida louca de polícia, ladrão, toda essa, toda essa violência que
eu vivia. Se tinha que acertar uma conta com Deus, era eu. É, se tinha que ir embora, era eu. Quem tinha que ter tido câncer, vamos dizer assim, né? Que Deus me livre disso, que é uma doença terrível, na resposta teria que ser eu, não é, mano? Essa resposta Mas por que foi, mas por que foi meu irmão? moleque puro, trabalhador, tranquilo, que eu tive que fechar o envelope do meu irmão, Que eu quase não conseguiu ver porque foi na época da pandemia, quiseram colocar no protocolo, falei: "Não, não, meu irmão morreu de câncer, eu
quero um velório digno pro meu irmão". Então eu digo, eu tenho eu tenho uma compreensão, isso é minha, minha. Cada um tem a sua compreensão. Espiritualmente eu tenho minha compreensão que Deus me falou: "Tá vendo? Eu sou Deus. Muda sua vida, malandro. Porque eu Quando eu tô há uma semana para sair da cadeia, meu irmão se interna. Eu saio da prisão para comemorar. Eu comemoro com a minha família, mas não comemoro com o meu irmão. Meu irmão, eu vou na beira da cama na no hospital para visitar ele. E sabe o que meu irmão me
fala? Falei: "André, e aquele mano que tava aqui morreu?" Eu lembro da cadeia quando minha mulher me visitava. Ô, e o fulano morreu. André, e aquele mano que tava Ali naquela cama ali? Foi embora. tá curado, foi embora. E meu irmão lá, eu lembro lá da minha da minha mulher perguntando: "E fulano, eu não vi a fulana na visita?" Não, ele ganhou o vará, foi embora. O leito do hospital é semelhante à cadeia. Acho que é por isso que lá em Marcos, não me lembro em Marcos ou Mateus, na Bíblia que diz: "Estive preso, viesse
me visitar". Entendeu a importância da amizade, irmão? Aham. E lá no nessa tua primeira passagem na cadeia aí tu encontrou alguma pessoa, tu fez amigos ali, pessoas notáveis que muitos amigos, é, muitos amigos notáveis, muitos. Eu conheci, fiquei preso no isolamento, Marcola, GG do Mang, macarrão que tá no documentário comigo no Poder Secreto e tantos outros. Por que eu digo esses caras? Porque esses caras são a referência de quando você fala de prisão em São Paulo. Aham. E eu fiquei, que que você aprendeu com Esses caras? Tá no livro. Lê, li tanto que peguei gosto
e escrevi um livro. Olha o que esses caras me ensinaram. Porque aquilo que eles me passavam falar: "Mano, barato é assim, se eu já sabia de cor salteada". Eu vim da rua, mano. Eu só aperfeiçoei a disciplina porque a disciplina dentro da cadeia é diferente da rua malandroando. Ali não tem para onde você correr. Não dá para tu fugir. É o certo pelo certo, Mano. E o papo é reto. Se acabar com a sua reputação dentro da cadeia, acabou. O homem é um morto vivo. Você consegue se ver no meio da sociedade alguém falando assim:
"Ô, mano, ó o Igor, maior pilantra. Você imagina chegou numa festa onde dois, três amigos te recebem e um restante te olha assim, se afasta de você. Você fala: "Cara, eu tô leproso, mano. O que tá acontecendo? Porque você não tem palavra, você não é Homem. Por que que hoje eu tenho um monte de amigo e tem amigos também na polícia?" Os caras falam: "Mano, você sempre foi um cara de atitude, um cara homem tem meu respeito". Os caras que não me respeitaram, mas se falaram por trás, é porque respeitou. Mas os caras que não
me respeitaram, isso, aquilo outro que veio me agredir ou querer me humilhar. A resposta tá aqui nessa mesa, mano. Onde eu cheguei, eu não fui atrás De ninguém com arma para poder provar pro cara que eu era [ __ ] Eu era, eu tava moscando quando tinha essa atitude. Eu mostro pro cara aqui, ó, a arte, televisão, futebol, literatura, o a mensagem que eu mando pra favela, a mensagem que eu mando pros empreendedores, a mensagem que eu mando pros manos. Essa é a minha resposta. Hoje quando o cara me fui parado um outro dia, o
cara falou: "Não, mano, só para te cumprimentar meu, te virar uma Televisão da hora. Você é um cara 1000 grau, gosto das suas ideias, sou polícia aqui, tá ligado que o bagulho aqui é louco também, mas eu acato suas ideias, eu ouço tato os cara com dignidade, mano. Falo da hora, polícia, você vai longe. Da mesma forma que eu vejo um mano falo, mano, não quero mais e tal. Eu sou de uma época que os caras tinha preconceito com a polícia de ver. Hoje eu falo para os cara, mano, o cara tá do outro lado,
é o outro lado da guerra, do Lado de cá. Se a gente conseguir estabelecer respeito, acabou, mano. Você vai poder chegar na sua casa e não vai ser alvejado, não vai ser sequestrado, porque o cara fala assim, n é malandro, tem que proceder. E como é que foi o o processo para tu conseguir ir saindo da vida do crime? Você começa, eh, quando você sai na da primeira vez que tu falou que fez a faculdade ali, administração, MBA em gestão marketor, gestão em marketing Esportivo e tudo mais, mas tu caiu de novo. Eu caio de
novo porque tu tava ainda no processo, é isso? Tava no processo. Eu tinha me envolvido no no tráfico de drogas internacional. Eu já tinha chegado numa meta que eu falei, eu não quero mais viver disso aqui. Para mim me assustavam, não queria mais. Para mim, eu não sei para um cara glamuroso de que ter isso, aquilo, outro, mas eu tinha. acaba chegando. Só que aí você começa, Os caras descobriram que eu tava envolvido, você começa a tomar pancada uma atrás da outra. Fala: "Cara, eu tô trabalhando pr os caras, mano". O juiz me perguntou, seu
Ângelo, falou assim: "Chegou uma hora que eu comecei a trabalhar pros caras, mano. Entendi. Porque é muito dinheiro, você vai preso, vou prender sua mulher." Eu fui pro deck, eu saí do deck pelado. Cheguei com uma grife e saí Pelado porque os caras me descabelaram e não me mandaram pro regime de isolamento. Eu vi minha droga ser vendida no pátio do deck. O cara com o telefone fala assim: "Aí, ladrão, para você ver como é que é o bagulho, ó. Tô vendendo sua droga aqui. É boa, hein, [ __ ] E deixou só uma cota
pro flagrante, o resto ele vendeu, mano. E o filha da [ __ ] do outro lado comprando também. Bandido. Na onde que é bandido? Na onde que o outro era bandido Comprando minha droga? Na onde que o outro era polícia vendendo a droga? É, ó que louco. Quem é mais filha da [ __ ] racionais canta? Não sei, meu irmão. Aí fodeu, né, mano? Eu, você, quem é a justiça? Quem é o crime? [ __ ] e como é que isso não desilude o o o cidadão, cara? Porque, pô, tu tá, você vai preso, tu
roda e tu vê o a a o lado que era para ser a justiça. Assim, não é nem falar que tu não devia ter rodado porque tu tava traficando. Igual eu falei, eu Levanto o dedo, falei, é comigo a responsa mestão, né? Minha família não é mãe mulher não é ninguém é comigo. Ai fulano não tem nada a ver com o fulano. É comigo. O cara nem sabe o que carro que ele tava dirigindo. É comigo. Mas aí tá lá o cara que te pegou. Aí tá lá o cara fazendo. Lembrando, o problema não é
a polícia civil ou militar, o problema é o ser humano que está lá naquele momento representando o estado. Você tem o canadura, tá vendo na polícia? Tem um Cara que é canadura falando: "Se tiver errado vou prender, se não tiver tchau." Mas tem aquele que caça o cara para [ __ ] o cara. Tem aquele cara que é corrupto, que pressiona tanto o cara que não tem como. Tem um tem um um amigo meu agora que ele foi condenado num processo, ele parou já faz tempo e tudo. Sabe o que chegou para ele? Hã? As
custas processuais e multa. Quer que eu te falo o quanto que ele tá mutado? Quanto? 1.700. [ __ ] ele não roubou Isso, irmão. Ei, ele não roubou isso. Ele não ganhou isso no tráfico. Mas ele tem uma multa de 1.700 para pagar. Não vai pagar. Acabou a vida do cara. Ô, ele vai pro corre. É. Aí falou: "Vai sujar meu nome agora. Vou devir para todo mundo. Vou meter até um belo na casa Bahia. Vai ficar tudo junto. Tá no mínimo mínimo para contravenção, né? É, tá induzido porque tem sentido. É, você investigou, você
sabe, tá lá, mas a justiça que que Acontece? Ela não tá sabendo o que tá acontecendo. Chegou o papel lá, o cara fala: "Ah, quanto que é?" Então, tá 15 milhão. Eio, multa aí. O cara, se o cara, o cara pega e fala assim: "Não, pera aí, mano, eu tenho que cumprir com a minha palavra, tenho que cumprir, né? O meu nome é meu nome que tá lá, eu tenho que pagar". O cara fica quadradão nisso, porque uma coisa assim, no crime tudo bem, o cara tem que vai ter que dar o jeito dele, mano,
que ele não vai Morrer. Igual falar os cara, meu, deve ir pra casa de Bahia, deve ir para outro lugar, para outro, né? Coloca assim porque era o carnezinho, né? Deve ir pro banco, mas não deve na rua, não deve pra Jota, não deve pro crime. Quer pegar dinheiro, organiza sua vida e pega um crédito no banco, mas não pega fora. Já começa por aí. Quer mudar de vida, vai, eu vou dando essas orientações. Não, mas eu peg Não pega dinheiro com mano, não pega dinheiro com ninguém. Vai no banco, Sistema de crédito é o
banco. É, é [ __ ] também, rouba para [ __ ] e tal, mas ele não vai mandar ninguém te matar. Pois é, já pode dormir melhor, entendeu? Ninguém vai bater no pé da sua porta. Pode ser oficial de justiça para levar um bem tiver no seu nome, mas já que você é um desgramado que não tem nada, 0 x 0 é zero. Mas é começa, esse princípio da orientação começa por aí. Quer viver uma vida legal? Esteja preparado para tá duro, esteja preparado para não ter Gasolina para pôr no seu carro, esteja preparado para
vender seu carro, para pagar a dívida e pegar condução. Mas é uma dívida digna. E aí você quer mais e melhor, se qualifique. O que que eu falo para os caras? O que que é foco? Foco é se qualificar. Eu fiz faculdade, mano preso. Sabe que os cara falava: "Ei, ei Rex, vai pra casinha". Uns manos meu que saiu na mesma época, fugiu, tá tudo preso de novo, alguns já morreram. E eu Fui devagarzinho, percebi verando, falei, falava para minha mulher, isso aqui um dia vai servir. E serviu porque a oportunidade que apareceu, por exemplo,
elenco esports, que eu trabalho hoje, quando apareceu, se eu não fosse um administrador de empresa, eu não tinha capacidade intelectual de agarrar aquela oportunidade de transformar isso em produto. É, se eu não tivesse estudado, eu não teria tido a capacidade de pegar essa oportunidade na Netflix, Na Paranoia de Filmes e outras produtoras e trabalhando hoje com roteiro. Eu não teria tido a capacidade nem a cabeça para poder fazer um teste e atuar e pegar um [ __ ] de um personagem. Eu não teria capacidade de desenvolver o meu personagem. Olha só, eu me qualifiquei, eu
tô falando gira com você aqui, eu tô com a mão para trás e aí, mano, as ideias é o seguinte, tio. Eu posso usar como personagem, mas como cidadão, a minha oportunidade eu crio, Eu trabalho para isso, eu leio, eu vejo jornais, não vejo um para não ser sugestionado, mas vejo dois, três, quatro, faço minha opinião, debato na internet, que isso ajuda muito na minha, meu poder de argumentação, eu me qualifico todo dia. Um debate, ô pô, você fica discutindo na internet, você parece besta. Não, mano, tô testando um cérebro do lado de lá. testando
o meu, colocando o meu a prova, se eu tenho poder de argumentar com um cara que Pensa diferente de mim. Aham. Isso é se qualificar, é um curso grátis, porque eu uso essa merda da internet em benefício da minha pessoa, não em detrimento da minha pessoa, em para me destruir. É, às vezes outra você vê alguma coisa aqui legal de ostentação, até um corpo bonito aqui, eu sou casado 33 anos, minha mulher sabe que eu gosto de um corpo bonito, eu olho aqui, vai falando aí, eu falei: "Pô, essa se não olhar test ainda tá
boa, né? Me divirto. Tô 33 anos com a Minha mulher, desde garoto. Ela tinha 14 anos, eu tinha 17. A gente tá junto. Vida louca, maloqueiro. Mas responsa. Cuida da minha mulher, cuida da minha filha, cuida das minhas netas, cuido da minha família. Eu sou uma formiguinha. Eu vou pra luta e trago para dentro do meu formigueiro. Esse é um cara que aprendeu a viver a vida louca, transformar a vida louca numa coisa boa. Aí você havia me perguntado como que o cinema entrou na sua vida, como que o Futebol entrou na sua vida. É
que foi o caminho para tu sair de vez, né? Que foi o caminho para de vez. Quando eu saio em 2018 da prisão, eu encontro um cara que eu chamo ele de homem da brificação, hã, que é o Guilherme Miranda, que é um dos meus sócios hoje, né, na Elen Esports, é o dono da Elen Esports, ele, Fernando Garcia, até deixar bem claro que as pessoas falando eu não sou dono da elenco, eu sou dono da Fênix Esports e Canutos entretenimento. Fênix Esports, Eu tenho futebol, meu, minha carteira de futebol credenciada na na CBF, Canutos
Entretenimento, que eu faço meu trabalho no cinema, literatura, palestras. Quando eu encontro o Guilherme, eu não tinha nem a Fênix, ainda tava pobre louco. Eu tinha que reabrir minha empresa, porque eu era sócio numa outra empresa que quando eu fui preso, estragaram minha vida. Eu tava estragaram não, né? Eu fui o percursor. Mas pesaram a mão sobre isso. Tu chegou A ganhar dinheiro para valer nessa parada? Pr [ __ ] E o que que tu fez? E o que aconteceu com essa grana toda? Foi já viu, já ouviu falar meu nome, não é Johnny? Hã?
Eu quero ganhar 1 milhão. Ele falou: "Quero gastar 1 milhão". Eu fui o Johnny, mano. Entendi. Você tem 1 milhão porque não tem como. Não tinha residência fixa, não podia ficar. Tudo era alugado. Você não conta dinheiro. Dinheiro não tá no banco, tá na caixinha de sapato. Não tem cartão de crédito no Na na no bolso. Não tem documento verdadeiro original no bolso. Você paga a régua toda hora, todo mundo sabe quem você é. Não adianta falar que você não sabe. Você na balada, por isso sabe quem é você. Chegou o cara com cordãozão desse
tamanho, [ __ ] de um carrão, mulher bonita, família bonita, morando bem, morava, tinha quatro endereços. Pulando sempre de endereço. Por quê? Uma hora já sabe que eu tô aqui, sabe que eu tô ali. Você acabou de comprar um carro, o cara Te viu, você tomou uma dura, você vai ter que ir lá vender o carro na loja. A loja vai meter já 20% a menos e te dar outro mais caro. Dinheiro vai diluindo, irmão. Esse é o sistema. Advogado, você tem que pagar, você tem que ter um bom defensor, um bom advogado. Polícia pagou
e fala: "Ó o seguinte, mano, nem chamo gravata, tio, já me dá tanto e já era." Fal, tá bom, tá, tchau. É dinheiro roubado mesmo, dinheiro do crime, toma. Vai você com essa sujeira para lá. Mas Eu preciso de ir embora. O sistema vai, vai tomando isso. Aí você vai preso e fica preso todo esse tempo. Onde vai o dinheiro? Dinheiro de lua. Irmão, eu me fodi dentro da prisão. Por quê? Porque eu tive que me envolver com o tráfico dentro da prisão para manter meus advogados, manter minha família, que é uma corrente. O advogado
não é, não tá fazendo errado. O advogado tá defendendo. Ele não vai escolher onde vi O dinheiro. Ele tá me defendendo, mas eu tenho que pagar ele. Eu que tenho que me virar. Ele não vai perguntar, da onde você vai tirar dinheiro? Não importa, doutor, me defende. Vou pagar qual dia que tem que pagar. Tal dia vou pagar. Vou dar um jeito. A mulher também falou: "Amor, tem que fazer compra em casa, vai chegar o dinheiro da compra". Ah, o aluguel vai chegar, não tenho gasolina para te visitar, vai chegar. Se vira, malandro, isso é
ser pai de família, Estrutura. Mas isso acaba com o cara. E tudo isso pesou para eu sair fora. Não aguento mais. O que mais pesou foi minha família ser humilhado. Eu não aguentava mais ver aquilo. Mas toda essa correria em vão, enxugando o gelo, é o que me cansava. E outro, ainda tem que tomar a bigodada nas ideias. Ei, mano, o bagulho é isso, aquilo. Eu falei: "Ô, xará, por quê?" Porque você tinha dinheiro, porque você tinha postura, o cara querendo pegar você na errada, que é a traição. Aham. A inveja, pilantragem, tem muita, muito
mano da hora 1000 gra na cadeira, tem, mas a maioria não, que é o seu mal, mano. O cara não pode vir só você chegou com jumbo, o cara é amigo jumbo. Chegou um jumbo, ele encosta você e irmão, vai bater um prato junto, comer uma gulosema. Você não chegou nem a visita, ele já tá, ele já tá igual a buta. Ele já tá na outra visa, na outra visita lá. O mano que chegou um jumbo da hora. Entendi. É mais ou menos isso. E aí Quando eu sou inserido, né, vamos falar que venho pro
futebol, eu amava o futebol, sempre tentei ser jogador de futebol. É um dos capítulos que eu escrevo aqui na minha no na minha no meu livro, que é o Extra Campo na Ótica do Cárcere. Extra Campo na Ótica do Cárcere. Aqui tá tá a tua história. E essa daqui e tem aqui uma uma parte escrita pelo Dexter que ele conta aqui que te conheceu na cadeia. Dexter. Eu conheci o Dexter. Eu conheci o Dexter Assim, cara. Conheci o Dexter em 1998. Tá. Logo depois que tu foi preso. Não é. Eu saio, eu vou preso, eu
saio absolvido, depois já em seis meses já fico procurado e meto o pé pra Baixada Santista. Eu tô com documento falso, sou procurado. Aí uns parceiros de B meu foram presos, a gente tentando fazer uns trampos, os caras foram presos, já não ficava mais na baixada, porque ficava na baixada a gente resgatava, a gente dava um jeito, corrupção ou tomava. Os Parceiros foram transferidos pra casa de detenção. Na casa de detenção os caras fala: "Mano, na época o telefone era aquele tese BCP, lembra? Não tinha câmera. Aham. Mano, você não tá nem ligado. Nós estamos
aqui com mano na cadeia que você falei: "Quem?" O Dexi, tá louco, mano. Tá, vai falar que isso? Vou falar com o Dex, porque eu conheci o Dex do encarte do álbum, né? Aí ele põe: "E aí negrão?" "Ô, mano, firmeza da hora, satisfação. Fizemos uma amizade da Hora, mano. Pelo telefone, cara, né? Pelo telefone fizemos uma amizade. Beleza, passou-se anos, isso foi em 98, eu eu pirado 509E, o álbum e tal, né? Ouvia todas as músicas do Dex, cantava rap para caramba, gostava para caramba. E aí eu vou preso em 2001, em 2003 eu
vou pro regime de isolamento. Quando eu saio do regime de isolamento, é, o sistema comemora quando o humano sai do regime de isolamento, porque na maioria das vezes o cara sai piné, o cara sai Chapado e aí os caras falou: "Mano, tá firmão?" Não, toda hora. Como é que tá a mente? Legal, graças a Deus venci e tal. Ele falou: "Mano, vai ligar o Dexter ali, o Dexter vai mandar uma música para você na 105. Pera aí, P. Aquele negócio de transferência da época, né? Hoje eu faço isso no cinema, né? Monto a central como
é, né? aquela coisa aí. Colocou daqui a pouco o Dex que entrou na linha. E aí negão firmão mano, como é que tá a cabeça? Tá boa? Tá boa. Graç. Ô mano, Presta atenção aí. Fala pra família que eu vou mandar um salve para você na 105 agora. Aí já liguei, falei: "Ó, o Dex vai mandar um salve para mim na 105". Eu não conheci o Dexter como figo do álbum, não conhecia pessoalmente, mas ele tinha um respeito por mim, pelo meu nome, né? Aí daqui a pouco o 105, Fábio Rogério para ver só tum
tum tum. Acharam que aí vem uma música, [ __ ] a cadeia balançou, falou: "Caralho, o mano mandou a música. A cadeia toda ouve, né? essa Essa rádio do rap da 105. E aí, beleza, passou esse tempo, eu tô em Aras, que é um presídio de segurança máxima no interior, que é como se fosse presente ves lá hoje. Estamos lá de tarde lá, né? Fechou a cadeia, só fica solto ali os manos da responsa ali que cuida da limpeza e tal, distribuição da alimentação. Tô na gaiola, o Dexter chega, né? Só que ele não me
conhecia, eu conhecia. Aí chegou vários manos, ele chegou no pavilhão. Nós tem marido lá de Cada grade. O guarda vai abrir para entrar os manos, né? Com a sacola e tal. Os cara tudo já olhando. Parque dos monstros, né, mano? Os cara tá olhando se tem teta, se não tem, né? Que é maldade, né? Os guichê, todo mundo olhando assim quem chegou. Aí o negão chega, fala assim: "E aí, mano, tem até uma parte da música, os destino do réu que eu falo, né, uma frase lá". Falei: "E aí mano? Tá firmão?" Aí o Dex,
né, cara marrudo, quem é você, Mano? Eu sou o Fusca, mano. Pá, ele pulou, me deu um abraço. [ __ ] mano. É você, tal. Sou eu, meu truta. Independente do lugar, seja bem-vindo aí, tal. Pô, que da hora, mano. Eu sabia que você tava aqui. O diretor falou que quem tava nos pavilhões. Falei: "Não, nós que vim para cá porque tá você falandos dos parceiros do Daniel, Marcel, Marcelo Gregório, uns manos da hora e eu vim para cá porque, pô, queria falar com vocês aí e tal." Falou: "Não, Seja bem-vindo aí negão. Estamos [
__ ] mano. Da hora, pô". Aí ele, aquela zoeira nossa, né? Negão bonitão e tal, falou: "É, né, mano? Tava forte, é, tava fortão." Aí o Dexter vem e eu e a gente começa a viver ali aquele cotidiano, caminhando e tal e vendo tudo acontecer no sistema. A gente troca muito ideias, muitas letras de músicas. dele de lá para cá surgiram através dessas trocas de ideia. E aí numa das ocasiões a esposa dele tava fazendo, a Esposa anterior que ele se separou, tava fazendo faculdade de direito e ele passando dificuldade para comprar livros e tal
e eu, né, mano, tô no meu corre e eu sabia que a educação era importante, cara. Tinha alguém me fala, eu gosto de ler para caramba e é importante. Aí eu falei: "Vê lá quais os livros que ela precisa lá, nós vamos comprar esses livros aí". E por isso que ele faz hoje aí na na contra-capa do meu livro essa dedicatória, fala assim: "Que alguém, Né? Não imaginava que alguém pudesse te oferecer vida, quer oferecer vida, livros na na cadeia. E a gente trocava muita leitura na cadeia, né? E uma dessas difícil alguém na prisão
te oferecer vida, tá escrito aqui, né? Isso é. E era livros, né? A vida que a gente fala era livros, as ideias que a gente trocava. E a gente fez um quase que um pacto lá dizendo assim: "Mano, ele falou: "Quando você sair daqui, você vai ser meu padrinho de casamento". Aí a gente falava, né, dia quando a gente sair e aconteceu quando saiu, eu fui padrinho de casamento dele, eu, Gog, é, Taí, outros manos, né, a gente estudo naquele lugar e naquele dia você vê como que é a gratidão, como que é um negócio
da hora. O negão na na solenidade, ele quando ele começa a falar no casamento dele na hora do baile lá, ele começa a agradecer aos padrinhos e ele lembra justamente disso. Eu não lembrava. Você me ofereceu livros na cadeia, mano, não Esqueça, até hoje minha esposa se formou porque você ajudou ela se formar também, tal. E aquilo me marcou. Eu falei: "Isso é bom, cara. Eu quero reproduzir mais disso". E essas coisas foram me contaminando, tá ligado, pro bem para eu falei, mano, eu sou um cara da hora, sou um cara legal, sei fazer as
coisas legal. E aí fui na luta. Foi quando eu conheço o Guilherme, que é o cara da bifurcação, eu tô desenrolando umas ideias com os manos ali de uma treta que Teve, que não tinha nada a ver comigo e tal, mas eu eu pelo conceito eu tô ajudando a resolver. E do outro lado eu tô numa mesa de negociação para retomar minha carteira de jogadores e tal e voltar pro futebol. Eu falo pro Guilherme, Guilherme, dá um tempo aqui só trocar uma ideia com os manos, que coincidência a gente tava na mesma churrascaria. Eu vou
troco ideia com os manos, você vê elite do futebol e a elite do crime no mesmo ambiente. Eu vou E aí rapaziada, ô da hora. E aí padrinho? Como é que tá padrinho? Por quê? Porque eu sou padrinho do Dex. Dex tanto me chamar de padrinho, as pessoas virei padrinho. Não é mais o fusto, já é mais o fusto. E quando eu vou preso, os caras colocam padrinho como um título de poderoso chefão. A mídia fez um massacre na minha imagem e hoje eu falo assim: "Não apaga". Porque quando eu falo na palestra eu quero
que a pessoa olha e fala: "É verdade", entendeu? Não apaga. Eu tenho um corro que apaga, vai para lá que se corre. Eu não apagar o Google para mim, eu fico triste. O cara tem que olhar e falar: "O cara era zica mesmo, né?" Mas rapidinho, eh, o Guilherme eh, não é muito comum, não sei se é. Aí tu me ajuda. Mas assim, tu era um ex-presidiário que que tinha um cara aim te dar uma oportunidade. É isso. Quando o Guilherme me conhece, na verdade eu eu eu lá antes de preso, eu era empresário do
Luciano, jogador do do São Paulo. Sou Empresário dele até hoje. E na época eu tinha trazido ele pro Corinthians. Eu sempre gostei de trabalho, como eu te falei, eu era vida louca, mas eu 5% do meu tempo eu era vida louca, resolvi meus bagulhos, mas 90% eu gostava de trabalhar, ser útil. Tem uma, eu, eu invejava essa vida do pai de família, trabalhar, voltar, dar um beijo na família, sair com os filhos. Eu não tinha isso. Aham. E eu gostava. Então eu trabalhava ali e tal, mas era vida Louca, sabia que uma hora ia dar
merda. E aí quando eu saio, o Guilherme sabe que eu era empresário do jogador, fala assim: "Pô, tem interesse no Luciano?" Falou: "Ongelo saiu". Saiu, todo mundo vê saiu. Falei: "Saiu, faz uns dois meses que ele saiu. Eu sento com o Guilherme e ele fala: "Ângelo, isso, isso". Eu falei: "Então tudo bem, vamos embora. Eu tento já começar a resgatar minha carteira de jogadores para fazer negócio. Eu entro pro futebol e ele e Ele quando ele tem essa sacada que ele me vê, ele fala assim: "Mano, você é um cara inteligente, você é um cara
sábio para caramba. Tenha paciência, vem aqui, tal, tá fal vamos assim". Ele me mandou um soldo, falou: "Mensalmente não vamos te dar tanto, vamos trabalhando aqui e tal". E eu vou lá, troco ideia com os manos. E quando eu vou trocar ideia com os manos, o mano me chama de canto. Padrinho chega aí. Pô, mano, é o Seguinte, não tem uma subida, uma descida lá, não. Que é subida, subir droga aqui e descer lá. Eu tinha tudo isso, gringo lá para receber, subir aqui, tal, tinha toda essa estrutura, mano. Vou te dar 10. Sabe precisando
de um carro? Toda a oferta. Eu eu na minha conta eu faria no primeiro mês, eu faria 10 milhões, 5 milhões no mínimo para não ganhar nada. Eu ganhava 1 milhão para não ganhar nada. Eu falo: "Não quero mais isso para mim e eu vou aqui com Esse cara da bifurcação". E aí eu começo a trabalhar com o Guilherme, passo um perrengue do [ __ ] vou indo, vou indo, vou indo e aí nos primeiros negócios vão acontecendo, o futebol também mexe com cíflas boas e eu vou em captação aqui, vou captação lá, vou aqui.
Aí veio a pandemia, quando vem a pandemia a gente lança o celo de trep em São Paulo. A gente até, vamos dizer assim, a gente fez até uma, vamos dizer assim, como diz, eh, nos bailes clandestino, a gente Foi meio meio meio subversivo, né? E aí a gente lança, lançamos o Cauê, né, na época o iluminado. Aí do Cauê a gente pega o Kai Black e o Cabirinha, a gente faz a carreira deles também. Depois a gente lança o FK, que em razão da morte do Kevin, ele tinha sempre interesse que ele fosse nosso artista.
O Kevin chegou a ser sócio com a gente, aí faleceu, a gente lança o FK e aí depois a gente lança mais que mais alguns artistas. Enfim, Nós nós passamos a ter o principal co de trap em São Paulo. Aí a música me trouxe um recurso financeiro legal também. E eu fico como tendo um percentual da do do faturamento da empresa e como executivo da música e do futebol. Aí a gente vem até se se associa com uma outra empresa de de funk também, a Portuga Records. Aí não deu certo parceria, a gente sai. Aí
saturou e começou. Como o movimento do funk é muito diferente do futebol, o futebol requer disciplina, mais Tranquilidade, o funk é muito acelerado, funk dá muito problema, muita dor de cabeça, discussão, madrugada, treta, enfim, o funk é não é o funk, a música. A noite ela é problemática para todo mundo. Você sai pra noite, você tem que sair esperto. É bem diferente de como você sai de dia. E aí a gente se cansou e a gente acabou vendendo esse selo. Vendemos para GR6 e aí deu uma boa cifra também, mas depois eu acabei perdendo um
dinheiro legal depois da da venda, né? Mas eh profissionalmente falando. E nesse momento que a gente tá trabalhando no no no trap, na música, no funk, uma produtora liga na empresa pedindo um teste com a Mariá, irmã do Rariel, que ela tinha o perfil de uma personagem. Aí vem a vem aquilo que eu te disse que eu era preparado porque eu estudei. Aham. A secretária pega e fala: "Ângelo, ligaram aqui querendo um teste, uma empresa para Netflix da Mariá para ele passar o contato que essas coisas Maiores eu que tratava. Eu tudo bem, como é
que tá? Eu falo com o Alonso, que é o diretor de elenco da da Paranoia de Filmes. Tudo bem, Alonso? Falou, tenho aqui. Falei aí, eu já vi uma oportunidade. Falei: "Cara, eu tenho um co de trap, nós estamos aqui na Portuga Record, nós temos vários artistas aqui, temos mais ou menos uns 90 MCs." Ele: "Caramba, que legal". Mandei os perfis, ele pegou quatro perfil, manda junto esse daqui e eu vou junto no dia do Teste. Quando eu chego no teste, vejo o teste acontecer, tudo aquilo, outro e tal, vou embora, ele fala com com
a secretária e fala assim: "Pô, mas ele é o Ângelo Canuto do poder secreto do documentário da ITBO." Ela falou: "Ve é ele mesmo, [ __ ] Eu reconheci, pô". Mas eu fiquei na dúvida para não atrapalhar. Será que ele não tá para fazer um teste? Aí me liga aí, tá? Eu falo com o Guilherme, falou: "A gente cheio de Tarefa na música e no futebol." O Guilherme fala: "Tá louco? O cara que tem um perfil para para fazer essa série é você faz o teste. Falei: "Mano, mas nunca tô indo, não sei nem o
que que é isso, não, vai lá e faz". Eu fui, fiz o teste, três testes e passei. Entro na na série também como um personagem, o lobo. E nessa e nesse momento eu abro, eu eu trago a Paranoide para fazer o teste dos artistas dentro da Portuga Records, onde entra o negão original, o Dr. Menor MR, A gente leva uma um monte de funqueiro pra primeira temporada do DNA do crime que ela fica sensacional. Ela explode também porque o perfil da molecada é muito legal. Aham. Aí eu empreendo nisso. Quando eu o roteiro vem pra
minha mão, que eu estudo o meu roteiro, eu vejo furos no roteiro. O roteiro é bom, mas tinha furos de comportamento, algumas coisas que não condizia. E eu falo, falo, pô, isso aqui não falou certo, falou. Aí o Alonso pega e fala: "Ele é o Ângelo, é o cara, mano, conhece. Eu conheço o Heitor Dia, que é o diretor geral. Quando eu converso com ele, ele fala assim: "Como que é?" Então, aí eu falei assim, assim, e conto minha história, a gente faz uma roda e começa cada um contar sua história, sua experiência. Ele é
um diretor muito [ __ ] muito sagaz. Ele falou: "Beleza, corrige aqui." Aí eu corrijo e eu já faço um contrato de consultoria de roteiro. Aí faço o contrato de Consultoria e começo a fazer consultoria de sete. Como que faz essa cena, anjo? Começa a fazer consultoria de sete. Aí veja que o ator não tá preparado, o ator profissional, porque nós somos atores da vida real e tem os atores profissionais. Aí eu pego os caras, aí os caras começa a vir na gente esponjar, mano, como que é? Aí eu fala, vamos dar um rolê na
quebrada. Aí eu começo a pegar os artistas [ __ ] e vou Paraisópolis, tá fazer vivências, trocar ideia com os Personagens que tem a mesma característica. E eu ganho essa essa essa esse respeito dentro das produtoras. E aí eu faço depois consultoria da da Irmandade pela O2 filmes. Faço irmandade que a série do São Jorge, Irmandade três, faço a consultoria de roteiro, consultoria de sete, fiz depois junto com o Guilherme Quintela, o Sintonia 5. Faço o resgate do Nando. Resgate do Nando é uma era uma coisa que teria que ter acontecido, Fatos reais. É, meu
parceiro quase morreu na cadeira, não deixaram ir pro bonde pra rua. Ficou três meses na mão ali, quase morreu. Ele ainda fala assim, eu falei com ele, aí mano, viu a série lá? El falou, [ __ ] Falei: "Como é que eu tenho sequelas até hoje." Só que o que aconteceu com o Nando ia ser acontecer na vida real, só que na vida real os caras viram que ia ter resgate, mas o Nano já tinha tomado remédio, ficou três meses comigo na cadeia, quase Morreu, [ __ ] Tem. Então, quer dizer, aí a série ela
se permeia assim em fatos reais de vivências e quando não você não teve a vivência direta, mas você sabe como acontece. Então você ou conhece o mano que teve no negócio, aí a gente, eu, eu, eu e mais outros manos, né, que estão lá junto com a gente, a gente assume esse papel de dar sintonia fina pro roteiro. E aí espalha a vivência de todo mundo, um pouacinho da tua história em um monte de lugar. Então, um monte de Lugar. E aí quando me dou conta, eu tô semana passada na H toc falando de Tirquin,
né, numa palestra sobre específica sobre isso. Eu já havia palestrado em outros centros quando eu sou descoberto na literatura. Eu faço uma palestra na Universidade Federal de São Carlos, no Ofuscar, pro mestrando e doutorando de sociologia com Gabriel Feeltran, que é um sociólogo sensacional, que escreveu irmãos uma história do PCC. Aham. E quando surge o Documentário do Poder Secreto, ele não tinha um personagem que tinha tido essa vivência. E esse personagem sou eu dentro do poder secreto. Entendi. Né? Que que tem a fala da verdade de quem veio de dentro de dentro para fora. E
aí, né, permeando e caminhando nesses nesses campos, eu me torno o Ângelo Canuto, o cara hoje empresário de jogadoras de futebol, empresário da música, dos eh, pessoal me chama muito de roteirista, mas eu sou consultor de Roteiros. Rabisco algum roteiro ou outro, mas eu sou consultor de roteiros. E hoje eu acho que agora com a segunda temporada o público vai dizer se eu me consolido como mator ou não, né? Maneiro, cara. [ __ ] parabéns. No fim das contas, né? Porque o fato de você tá vivo aqui já é é o principal, né? Sem vida,
você é o quê? Nada. Bom, é, não é nada. Mas assim, a verdade é que o teu caminho, se a gente fosse pensar eh um tempo atrás, o teu caminho não era um Caminho de vida, ele era a estatística comprova, não passaria de 25 anos ou deveria estar preso ou preso ou deveria estar preso. E E então a virada de chave vem quando você começa a ler, a aprender, guiado pelos chefões. Não foi isso que você falou? É, eu pego, eu tomo como exemplo a conduta dos caras, boa literatura, boa oratória, porque quando o comando
muda de mão, isso eu falo no poder secreto, quando ele muda de mão, ele toma uma outra característica. Hã, Você chegou lá na cadeia anterior lá, antiga, lá, fala assim: "Esse maluco aí lá do programa lá, esse boy aí, os cara vai te esturqu, acabava que você não tinha paz, você, você viver sempre acuado com medo. Hoje você chega na cadeia que fala: "Mano, tá vindo de on tal, não sou artista, sou isso, aquilo, aquilo, outro". Que aconteceu? Pô, briguei com a namorada, surtei, pô, fui mão baseado, polícia me meteu num tráfico ou [ __
] bebi, saí da balada, Bati o carro, atropelhei uma pessoa. É, são essas pessoas que chegam na cadeia. A cadeia não tá lá só para assaltante, ladrão, isso aqui não. A cadeia tá para quem num determinado momento aconteceu uma tragédia na vida do cara. Ele chega na cadeia. Se ele chegar na cadeia, os cara vai levar você na fachina e vai trocar. Chega aqui, mano. Beleza. Como que é o seu nome, Igor? E tal, qual quebrada que você é s tal lugar? Quem que você conhece lá que pode Falar para você? Geralmente que você morando
numa quebrada, você sempre conhece alguém envolvido. Não conheço um cara, ó, não é boa referência, é boa referência. O cara vai fazer um cadastro e vai saber quem é você. E tem estabelecida a igualdade. Ninguém pode tehar, mas você também não pode fogar com ninguém. Você não é do crime, não. Não sou bandido e tal. Você já deu seu cartão de visita. Ninguém vai te cobrar uma atitude de criminoso. Você é População. Você é um cara que tá preso lá. Tentou vai receber sua visita, ninguém vai esturquir sua visita. Não se envolve com droga. Se
você se envolver com droga, você já vai prender a regra. Paga em dia. A a regra é não se envolva. Mas se você se envolveu, tem a palavra paga em dia, porque aqui é a lei do cão. Malandro, você que tá querendo se submeter a ela. Se você não se submeter a ela, você vai tirar seus dias e vai embora tranquilo. Antigamente não. Antigamente os caras estupravam até o cara, eh, forjava o cara, coagia o cara, mexia até com a visita do cara. Não tô dizendo que o comando veio, ele regulamentou. Hoje eu até até
arrisco a dizer, eu tive uma reflexão esses dias assim que eu vejo uma disputa entre o Estado democrático de direito e o estado paralelo. Eu vejo uma disputa porque o estado paralelo quando ele resolve as coisas da quebrada, o estado democrático de direito sobre a sobre a a Pessoa de alguns políticos, não digo analisa, ele vai lá e quer tomar posse daqueles números. Sim. a baixa violência, a organização que as que as ONGs fizeram dentro das comunidades, a pavimentação, a alimentação, arrumou fiação, buscou recursos em tal, isso, aquilo, outro. Mas o poder público não foi
lá. O poder público foi lá só para ganhar votos e para e tirar foto naquilo que quem fez, infelizmente ou felizmente foram os Manos. Então, há uma concorrência de aquilo que os manos fizeram que é bom, o número é do estado, mas aquilo de de ruim que os manos fizeram, o estado joga na conta dos caras. Mas quando os a população cobra a atitude do cara que virou bandido dentro do dentro do do da política, que não tinha razão alguma de ser, você acaba sendo perseguido. Por exemplo, essa minha fala pode ser até uma uma
fala meia meia que possa ser até: "Ô, mano, o Que você tá falando? Alguém queria me me silenciar? Eu não tô apontando fulano, ciclando belrano. Eu tô falando de um sistema corrompido. Entendi. É diferente. É uma coisa generalizada. A política é necessária e boa. É, a polícia é necessária e boa. É, porque você não sufou quem te salva. Até quantos manos já foram salvos pela própria polícia? Porque tava na mão de outros caras ou tava na mão até de uma Polícia corrupta? O próprio polícia salvou o bandido na mão de um policial corrupta. Então essa
filosofia que você começa a colocar na cabeça das pessoas, falar: "Cara, é mesmo, tem razão, porque o cara era bitolado numa ideia só". E essas coisas eu aprendi com os caras que fizeram pensar, porque eu cheguei na cadeia, eu teria que ter morrido. Mas os cara falou: "Chegou o mano ali, é, mas ele viste o fardo dele aí, mano. É igualdade. O cara é homem Igual a nós, é sujeito, tá no proceder. Você sabe a caminhada dele? Caminhada dele é essa e essa e essa. Pô, mas eu não vi essa história. Então você vai lá
na quebrada dele e puxa lá. Se vier algum ponto, eu falava pros cara, vai na minha quebrada, tuta. Se eu tiver algum milho, alguma mancada, você pode me cobrar. Eu desço na bolinha com você ou meto o pé da cadeia. Fiquei 15 anos na cadeira, nunca tive um problema, nunca encontrei uma porta fechada, porque eu Sabia o que eu tava fazendo, mano. Tem que ser homem. Todo lugar que você frequentasse, você tem que ser homem. Vou dizer uma coisa para você. Você sabia que para você usar o banheiro, só a reputação tá em risco? É
mesmo? Como assim? Você usando o banheiro, você tá com a reputação em risco. O banheiro público, por exemplo, hã, eu vou entrar no banheiro agora, eu não te conheço, você é a sequência. Eu vou entrar no Banheiro. O banheiro tá limpinho. Se eu sair daquele banheiro e deixar ele sujo, que que você vai falar de mim? Vou falar que tu é um imundo. Minha reputação foi pro cara. É verdade. Se eu entrar naquele banheiro sujo para caramba e sair daquele banheiro e você entrar lá, você vai falar que eu sou imundo, mas a imundícia quem
fez não foi eu. Qual que é a minha cara? Qual que é o meu proceder? Antes de eu sair, eu vou deixar Limpo. Você vai entrar? Você não vai falar nada de mim. Sabe por quê? Porque quando a gente faz o certo, não precisa de falar nada da pessoa. E é estranho hoje que quando você faz certo, as pessoas comemoram. É natural você fazer certo, mano. É sua obrigação. Eu entendi isso enquanto enquanto sociedade. É minha obrigação. Não tem que me elogiar. Não tem que me elogiar o que eu tô fazendo hoje aqui. É minha
obrigação. Sou cidadão. Só que dá uma repercussão Porque a minha vida era torta lá atrás, bem torta, entendeu? Porque eu saía e deixava o banheiro sujo, mano. Ou eu para entrar naquela porta, se tiver sujo, eu pego e falo assim: "Parceirinho, você vai entrar na sequência aí, mano? Mas ó o banheiro como é que tá, mano? Eu só vou usar porque eu não tô aguentando." Mas vê só a imundícia que tá falou: "Caralho, hein, mano? Que banheiro. Cuidei da minha reputação, zelei dela, mas se eu Entrar, eu tô no bo. Fechei a porta, é tudo
comigo, mano. É igual no crime. Você entrou no crime, fechou a porta, é tudo com você, mano. Não vai miar não. Estorqu sua família para fazer. Ô mãe, [ __ ] tem que pagar meu banco. Você que se envolveu, mano. Fala pr os cara, você quer ser bandido? Não fica ligando pra sua família pedindo jumbo, isso aquele estorquí não. Segura o seu b, vai lavar roupa, malandro, vai fazer alguma parada, alguma responsa aqui. Tá ligando Pra sua mãe aí, pressionando sua mãe. Por que o bunda mole? Sai do barraco. Vai, você não vai morar com
nós não. Você não é digno. Você é bunda mole, hein? Você não é bandido. Tá ligando pra sua mãe, pra sua família, esturquindo, sua família aí, vacilão. Que tinha cara pegava. Ô, mano, só dar um beijo na minha família, pegava pro car. Ô man, [ __ ] vou me bater. Dá esse telefone aqui o seu [ __ ] tá falando o que pra sua família aí, bunda Mole. Vai amanhecer cama do barraco. Vai morar com malandro, não. É regra da vida, mano. É essa é a regra da sociedade. Se você coloca esses tipo de de
atitude de proceder, eu zelo por você e você zela por mim, mano, a gente vai longe. Eu venho com a verdade, com você, com a palavra, a gente vai longe. Se eu chegar com mentira aqui, vai lá onde? É, esses dias eu peguei um o garoto ali, ô tio, compra, não compro nada dessa molecada no farol, troca uma ideia, fala Que você quer me ouvir, que eu tenho para te oferecer é muito melhor do que eu te comprar uma bala ou te dar um dinheiro, mano. Você não quer me ouvir, então você não quer riqueza.
Aí cheguei nos moleques saindo do condomínio, do mercado, vamos ali, menor. Parei o carro. Falei: "Vem cá, quantos anos você tem?" 17 menor, 17. E você? 18. Eu falei: "Ô, truta, papo reto, você tem quantos anos?" "Não, 17." Falei: "Papo reto, quantos anos você tem?" "Não, não, Tio, tenho 18". Falei, tá vendo? Com mentira você não vai lugar nenhum. Ó, tem um teste ali da Netflix, vai fazer um teste paraa molecada de escola e tal. Dá aqui o contato de vocês e tal, que eu vou colocar com o produtor lá. Liguei pro produtor na hora,
falei assim: "Alonso, esses meninos aqui tem o perfil da série?" Falou: "Tem o perfil, tal, manda o contato. Vai ser, inclusive, vai ser amanhã esse teste pr pra molecada para interpretar uns personagens em uma Escola". O moleque já chegou mentindo. Eu falei: "Ó, tá vendo? Você com mentira. você chegar, vocês tem que mostrar o documento. Então, com verdade você vai longe. É uns exemplos que eu dou, eu também entro nessa em que contar a verdade ou falar a verdade, ser adepto da verdade é sempre a melhor opção mesmo. Porque até porque assim, por mais que
tu consiga sustentar a mentira por um tempinho, uma hora tu não aguenta. Uma hora tu, você mesmo não aguenta Aquela mentira. O que que é a mentira para você? Eu pergunto, cara. Para mim, a mentira, vamos lá, como conceito, eu diria que a mentira é uma um dos piores defeitos do de um ser humano, porque você não a partir do momento que você tá andando com alguém, que tu não consegue confiar naquela pessoa, então era melhor tu tá andando sozinho, porque tu não sabe se esse maluco aqui vai te dar uma rasteira, tu não sabe
se esse maluco aqui vai te [ __ ] se te abandonar ou Qualquer coisa nesse sentido, porque, [ __ ] tu não confia, né? E é e essa é a coisa mais escrota que tem, né? E quando você percebe que o cara tá mentindo, putz, aí tem alg, vou te dar uma sacada, hã, toda mentira é cheia de um monte de verdades. Ó, vou te contar, ó, mas eu vou ser mais sincero ainda, ó. Mas vou ser transparente com você, ó. Vou te dizer, toda hora tá querendo lapidar aquela verdade que é uma mentira, com
alguma Nova verdade. Mas é uma mentira. A verdade, ela é única. Você não tem como contar um monte de mentira para justificar uma verdade. Você contou, acabou. Verdade é isso. É única. Nossa. E é uma vergonha também. Quando tu imagina tu, tu é um cara, um cara como, sei lá, 40 anos na cara que nem eu, [ __ ] contando mentira, [ __ ] Eu digade, vou dar um exemplo. Quando eu começo, quando eu começo na roda a contar minha história, A molecada começa a falar assim: "Esse velho, esse tiozinho aí, ô, tá achando que
é super homem?" Eu tenho meu, trabalha comigo aqui o meu filmmaker, quando ele foi trabalhar no meu bar aquele que cuidava das artes, que aí a gente trocou uma ideia, falou: "Mano, você não, a minha vida era essa, essa, essa ele ele zombou, ele deu risada quando ele saiu, você fala: "Você é louco, mano? Você vai ser mandado embora, mano". Aí aí ele é que nem e é Que nem vamos dizer assim, sabe aqueles gato pequeno que fica na sua perna aqui enchendo o saco aqui? É ele, entendeu? Porque toda hora ele ri. Por quê?
Ele fala assim: "Meu, depois que eu me dei conta e eu vacilei para caramba, não sabia quem você era." É a história. Então, quando você conta sua história, sua biografia, é lindo quando ela é repleta de verdade, mas uma biografia mentirosa, alguém vai pegar o livro e falar assim: "Opa, não, essa página aqui Eu vivi essa história com ele aqui, ó. Isso não é verdade. O meu livro aqui tá aqui, ó. Todo mundo que pega fala: "Caralho, mano, eu lembro dessa parada, eu lembro, eu posto, eu faço mentoria, eu contribuo escrevendo." Você fala: "Mano, mil
graç essa reflexão". Eu lembro, tava, eu postei agora recentemente de um problema que eu tive, problema assim, né? Eu cheguei em Guaruz depois que eu saio do, olha só, eu saio do regime especial, hã, Que é uma coisa que eu vou falar até do POS que tá acontecendo para vocês entenderem. Os cara falou assim: "Pô, o Pose eh se intitulou CV, ele foi lá na ficha lá e colocou CV". Funciona assim, cara. Você chega no sistema, tá? Como eu te falei, você vai ter o sumário lá dentro da cadeia que é de ladrão para ladrão,
de população carceriana, mas antes você passou pela inclusão. Na inclusão é obrigação do estado saber em qual comunidade você mora. Por Exemplo, eu moro numa comunidade no Rio de Janeiro que é muito pulverizada. São Paulo é uma coisa só, mas eu moro em determinada comunidade no Rio de Janeiro que é que é que é milícia, vamos dizer. Você é carioca, você sabe disso. Mas eu chego na cadeia que é você vê como é que eu vou fazer o meu meu cadastro, meu endereço morando na comunidade de milícia e vou entrar numa cadeia que é CV.
Não, tô [ __ ] Assim, no mínimo eu vou. Mas você é CV? Não sou CV nem milícia. Você é uma, você é um cidadão que mora numa comunidade. E lá no Rio tem muito disso. Você sabe, você atravessou de uma comunidade para outra, você morreu. Mas o menino era estudante, ele errou o caminho. Não, mas ele era da comunidade do do do da milícia. Ele tava na na comunidade do CV informante alguma coisa, aquela brutalidade. É, então quando o Pose faz o nesse sentido lá inclusive é muito mais que quando o POS faz, aí
vem o sensacionalismo de algumas Mídias podre, faz o sensacionalismo que ele se titulou CV. Ele não é CV, cara. Eu moro numa comunidade CV e eu eu faço meus shows, meu trabalho, sobretudo nessas comunidades. Eu não tem comunidade que ele não pode entrar. Tem isso, é claro, todo mundo sabe, mas por que que usa isso? Para assassinar a reputação. Lembra que eu falei do banheiro? Aham. O cara quer assassinar a reputação do cara, porque a partir do momento que eu assassino sua reputação, Eu faço o que eu quiser com você. Deixa de ser um ser
humano, né? Ninguém vai brigar por por você, porque eu já acabei com a sua reputação. Você é um lixo. E ninguém tá falando que não tem que investigar se achar que tem que investigar e tudo mais. Irmão, o estado democrático de direito, princípio de ampla defesa do contraditório, me dá o direito, mas não me coloque, não me julgue. Por exemplo, esse caso dele ter colocado lá, já falaram que ele é sever, Ele já assumiu essa coisa. Então, assumiu o quê? Eu moro numa comunidade, eu eu tenho mais facilidade de sobreviver dentro da prisão numa cadeia
do CV. que é o que ele colocou. Imagina ele colocar, não, tudo bem. Ah, coloca o que você quiser. O guarda coloca ele lá, vai terceiro comando, milí, tal, pose vai ficar vivo, não vai. Você não vai ainda vai arrumar problema de possibilidade de [ __ ] motim e o [ __ ] Isso é dever do Estado cuidar da integridade física da pessoa. Ele ele tá tutelado pelo Estado. Então quando faz o procedimento normal lá da onde é tal isso, aquilo, outro, só que vaza um documento que os caras falam que querem daquele documento. É
um procedimento normal de chegar. Eu chegu, eu eu quando fui sair aí voltando pra minha história, né? Quando eu saio do de Pinheiros, que eu ganho regime semiaberto, não tem regime semiaberto para eu poder trabalhar o quanto eu só Tinha Trememb e Trememb não me aceitava. No meu perfil profissional dava. Eu tive que fazer uma, vamos dizer assim, uma regressão de perfil, ou seja, uma mudança de perfil, colocar lá PCC na minha pasta novamente para eu poder ir pra cadeia de perfil, que é os regimes semiabertos. Sobretudo, é uma cadeia de presos que vem de
cadeias que são ditas como cadeia de facção, tá? E aí vai para lá. Então eu consegui ir para Guarulhos somente mudando, fazendo minha mudança De perfil. Só quando eu faço minha mudança de perfil, que eu chego lá, os presos não têm informação do que que é uma cadeia especial, a carência de informação, que que traz a ignorância. Os caras fala: "Não, mano, tem um salve aí que cadeia de oposição não entra". Se e aí e o comando aqui faz isso, mano. Não entra. Você é de outra facção, você tava em outra cadeia de outra facção,
então não entra, mano. Nós não quer guerra, não quer tirar a vida de Ninguém, já não entra. Procura o seu rumo. Procura o seu rumo. Por exemplo, o cara chegou com crime crimes sexuais, ele quando ele vai lá na pasta, ele fala assim: "Eu tô envolvido em crimes sexuais, ele já é direcionado para uma cadeia de crimes sexuais, mano. Vai colocar ele hoje igual antigamente. Antigamente porque ele morria muito porque o cara chegava com problema de crime sexual em sede de apuração ainda. Não sabe se a mulher forjou, a ex-mulher Forjou, se uma menina for
uma mulher forjou no cara, porque teve muitos casos que a pessoa se arrependeu. Não, eu eu falei porque mas não tinha dimensão do que é isso. E muitos que chegaram no BO morria por quê? Porque tá no lugar errado, mano. Né a cadeia dele ali. E a brutalidade do sistema era essa. Então quando eu chego lá os caras falam: "Ô, mano, mas você vê, fale: "Ô, truta, não tô falando na grade aqui, ó. Não tô vindo de facção Não, mano. Eu já, eu tava aqui em 2011, eu sou fulano, passei em tal lugar". É, mas
você tá vindo de Pinheiros, mano. Cadê especial, mano. Sabe que cadeia especial? Não, para mim é tudo cadê especial, irmão. Eu tenho faculdade, eu sou exfuncionário público, isso, aquilo, outro. Eu tive lá e agora fiz uma mudança de perfil porque eu quero fazer faculdade aqui, eu vou me transferir para cá, meu emprego aqui perto, tudo Certinho e tal. Os caras tinha essa brutalidade até eu resolver isso. E quando eu falei disso na minha rede social, vários manos vieram e falam: "Mano, eu lembro, eu tava lá que é o princípio da verdade. Se eu tô mentindo,
os cara fal e truta, tá contando a história da carochinha aí, ô vacilão? Os caras já vai printa lá e fala: "Esse mano não tava, esse mano é falastrão, esse mano é acabou com a minha reputação." Então quando eu falo algo, Eu falo com com a propriedade da minha vivência e e a verdade, não é a minha verdade, a verdade. É. E a reputação ela é muito importante em vários aspectos, mas eu suponho que nesse mundo aí ela ainda mais importante, não é isso? no livro das 48 Leis do Poder, que também aprendi a ler
com esses manos, tem lá um um capítulo na numa das leis que diz, né, que dê sua vida pela reputação. Eu falei, dê sua vida pela reputação. Falei: "Cara, mas mais Importante da gente, não é a vida para cara que se jul, que se julga homem, que se titula homem, que é homem, a reputação vale mais do que a vida". Reputação é muito importante, de fato. Muito importante. Que é o a gente chama de o cara que não tem reputação é o morto vivo, tem ar nenhum, não tem espaço nenhum, não tem voz nenhuma. Ele
olha até pra família dele com vergonha. Então quando você no livro as 4 leis do Poder diz: "Dê sua vida pela reputação". Aí eu falei: "Caralho, é verdade, reputação é tudo. Eu tô sentado com você aqui. Por quê? Porque hoje eu gosto de uma reputação, embora com uma história eh bem complicada, bem complexa, mas eu eu até falei esses dias sobre isso no meu podcast. Eu tenho um podcast chama Pais e Filhos, né? entrevisto as pessoas a partir de quando você se entende como pessoa. E eu Entrevistei o Taí e falei: "Taíd, aqui eu posso
falar, mano, todas as merdas que eu fiz na vida, Deus me ensinou a transformar em ouro, transformar em coisa boa." Então, eu tô contando uma história que eu quero levar as pessoas para esse caminho de entender que vale a pena e que dá certo, mano. Você vai amassar um barro do caramba, você vai se lascar, vai pisar em lavas, vai pisar no breu, mas vai valer a pena. Tá curtindo fazer um podcast para [ __ ] Muito bom, é muito louco. Eu gosto de trocar ideia, gosto de gente, né? Gosto de trocar ide, pô, né?
Eu comecei a ver seu trabalho, falei: "Você eu, seu seu podcast ainda é mais solto, você vai, [ __ ] [ __ ] porra". E tal, fala: "Mas esse cara é muito espontâneo, é muito da hora, curto". E você é polêmico porque você entra nas paradas que você não tem medo de entrar na Eu gosto disso também igual os car falou: "Ô, mano, você vai fazer? Eu Gosto de diálogo, mano. Gosto de gente. Eu eu tô preparado para todo qualquer tipo de assunto. Eu acho da hora conhecer gente. Eu eu aprendi a dialogar bem, salvando
minha vida, charará, porque eu tava olhava assim, eu via só os facão brilhando. Eu falei: "Put, se eu não ganhar esse debate aqui, eu tô [ __ ] vou sair picado". e ganhei. Tô aqui, perseverei. Caramba, o poder, esse sufoco aí que tanto tu passou por esses sufocos aí várias vezes. Eu tenho um Capítulo no meu livro que chama-se A língua chicote do corpo. Que que Bom, eu sei o que que isso quer dizer, mas o que que isso quer dizer no contexto do livro? No contexto do livro é o seguinte, só para você entender
uma parada. Tô envolvidaço no bagulho. Aí eu vou bater uma bola, meu telefone toca na cadeia, aí eu pego e falo: "Ô, mano, e aí um vou preservar nomes, né? Tá, o mano fala assim: "Como é que tu tava com Esse telefone para começar?" Ah, o telefone chega, mano. De qualquer jeito você tem que estar no ar, né? Você tem que falar, chega, tá? E a maioria das vezes ele chega por quem não poderia ter chegado. Entendi. Entendi. Às vezes o cara coloca culpa na visita, isso aquil outro nada, mano. É dinheiro ajuda, né, mano?
É muito louco. Eu acho até interessante essa coisa que deveria ter comunicação na cadeia porque faz parte do processo de reintegração. Tudo Grampeado, tudo escutado. Hoje com a tecnologia que a gente tem uma burriça, não tem telefone na é melhor que tenha cadeia e que seja grampeado. Faz parte. Faz parte do processo de ressocialização. O preso estar mais próximo da família. Faz parte do processo de ressocialização o preso ter contato com a família, nem que seja por telefone ou ou videoconferência. Hoje a gente tem uma tecnologia, usa essa tecnologia em favor da ressocialização, Da melhora,
do preso. Preciso eu cometer uma contravenção, porque a saudade dá. Se você me jogar lá na floresta, eu vou dar um jeito. Daqui a pouco eu tô com cabaninha, mano. Suí, só esperando chegar um bombom para ficar comigo, entendeu? Mas eu vou me adaptar numa selva de pedras. Vou me adaptar. Quantos caras estão nessa cracolândia adaptado a essa a essa tragédia que vieram do nordeste que vivia da da cultura do do plantil? Ele se adaptou. É. Então o Telefone é uma adaptação. A primeira coisa do telefone que você vai usar, você vai ligar pro seu
amor, amor da minha vida, tudo bem? Como é que tá os filhos? Tudo bem? É o primeiro contato é bom. E por que não ter esse contato bom? O segundo contato, já que ninguém tá vigiando, vou fazer merda. Mas se eu tenho lá à disposição o regramo, o horário, tudo certinho, as minhas vezes para falar, para que que eu vou correr o risco de perder meu Benefício trazendo um telefone se eu tenho telefone para falar? Você não quer falar com o seu amor? Sen vai falar com senor, já que ela não vai vir visitar, tá
doente, tá hospitalizada, que acontece, eu vou falar com vou lá, ô chefão, tá na hora da minha ligação, tá lá preso, então 5 minutos vai ligar, a ligação vai cair, tá tudo gravado. Solucionamos o problema do sistema, mas não tem vontade política. Isso não é interessante. É que é luxo para falar, Todo mundo tem. Você quer ressocializar, mostra pro cara que que a vida aqui fora é boa. Não adianta falar que tu quer ressocializar os caras se tu trata eles que nem você trata que nem animal. Eu eu tive uma uma entrevista com o Lázaro
Ramos. Hã, olha, meu, quando eu falei Lázaro Ramos, eu vou ser entrevistado para pel um um sistema que eles têm da Amazon Prime, eu falei: "Mano, isso é não é verdade, passagem Aérea, hospedagem tudo. Fui lá. Aí tô falando com com o negrão, não falo assim porque ele não sensacional. Aí ele falou assim: "Ângelo, eu não é clichê falar que a educação resolve a vida da pessoa". falou assim: "Não é falou: "Tom prova". Eu falei assim: "Esse telefone aqui, ó, iPhone, o melhor engenheiro, melhor linha de produção, as pessoas passam por uma entrevista, o olho
tem que brilhar Para você trabalhar numa Apple. Você tem que ser [ __ ] para trabalhar na Apple, porque você acredita no iPhone. Aham. Os engenheiros da Samsung, a manufatura da Samsung, eles têm que acreditar na Samsung. O cara que faz a Ferrari tem que acreditar na Ferrari que é um carro [ __ ] Se você pôr um cara que não acredita, o cara não vai parafusar o carro direito, vai dar merda. Vamos trazer isso para um processo de de reciclagem, né? Porque o Nós somos matéria feita de Deus, então vamos lá para ser melhorado.
Demo demos mancada aqui fora, estamos presa. Quem é o sistema que vai nos regenerar, nos reintegrar, nos ressocializar ou nos reciclar? É um sistema composto por pessoas que acreditam na ressocialização. Ah, não. Você vai no porteiro, faz tudo bandido, não quer nem falar com você. O diretor, outro, o outro no máximo você vai pegar uma psicóloga, um assistente social engajada Profissional de verdade que quer fazer a transformação. O restante não acredita no sistema. Então, como é que eu vou ter essa peça trazida de volta da melhor forma possível? Não vou conseguir trazer esse ser humano
para cá porque ninguém acredita. Vou dar uma outra referência para você. Eu saí pra faculdade para estudar. Eu saí às 6 da manhã, ia trabalhar no regime de semiaberto, estudava, trabalhava à tarde, se 6 para 7 horas, Ia pra faculdade, fiz faculdade do Cruzeiro do Sul, ali em São Miguel e já acabava ali 11:15, 11:30 tinha que estar na cadeia. Olha só, eu saí de manhã, business, negócio, trabalho, isso, aquilo outro. Depois foi pra faculdade, que é um lugar sensacional. Várias tribos, ideias, mil sonhos. Vivi toda aquela coisa gostosa da vida. Quando chegava na cadeia,
o guarda tinha que me revistar para eu entrar, guardar minhas coisas para ele me revistar. Ele Tinha que chegar em mim e falar assim: "Tudo bem, Silo? Como é que foi? Dia, estudo, trabalho, tudo legal? Foi tudo tranquilo?" Não, foi tudo tranquilo, não. Como que eu chegava? Vai, ladrão, desengoma. Guarda com a touca enterrada aqui, com a cara de mais vilão do mundo. Ele fala: "Vai, ladrão". Eu fiquei o dia inteiro cidadão, aluno. Isso. À noite meu castelo caía. Vai, ladrão. Desengoma. Desengoma. Tirar a roupa. Tirava a roupa, ficava pelado. No chão, Levanta a sola
do pé. Olha aí, a boca, uma humilhação, veste a roupa tudo de novo. Chega tudo desengonçado na cela, o cara trac tac tac tac. De manhã a mesma rotina, 4 anos assim. Esse cara martelava na minha cabeça aqui, ó. Vai ladrão. Vai ladrão. R para você ver. Vai ladrão. Qual a matrícula? Vai ladrão. Isso com martela na cabeça do cara. E aí me traz uma lembrança. Todas as vezes que eu fui colocado frente à justiça, tô sentado aqui, tá o juiz Aqui. Senhor Ângelo Marcos Canuto da Silva. Senhor Ângelo, senhor Ângelo, até para sentenciar, senhor
Ângelo, o senhor tá sendo sentenciado em tanto, tanto, tanto, tanto, pelos crimestais, senhor Ângelo, que você tem sua defesa? A autoridade máxima me tratava como cidadão, até me julgando e me condenando. O agente do estado, que é o primeiro contato com essa matéria a ser ressocializada, me Tratava como um lixo. Como é que eu vou ser melhorado, irmão? É muito difícil. Você, como você disse, se os caras não acreditam que é possível, realmente fica muito difícil. E o juiz me sentenciava acreditando que eu tava sendo inserido no lugar que eu ia ser melhorado. Se ele
soubesse, na verdade sabe, né? É, mas se ele pudesse, fal, não posso sentenciar esse cara porque lá naquela ponta os caras não vão fazer o que tem que ser feito. Eu tô Sentenciando ele aqui para ser melhorado, mas ele vai para uma linha de produção e a que vai ser piorado na ele vai sair piorado, mano. É, olha que que loucura. É bom, mas felizmente tu não só saiu como se tornou o cara que você se tornou. Eh, cara, tem tu agencia quantos jogadores de futebol hoje? Cara, eu tenho meus jogadores diretos, seis jogadores diretos
e indiretos a gente trabalha com uma carteira de mais ou Menos 100 jogadores. [ __ ] uma galera. Tem uns caras na Europa, tem os cara jogadores na Europa, tem jogadores na na Arábia, Qatar, [ __ ] e Portugal, França, Espanha. Chipre, [ __ ] tem gente espalhada pelo mundo aí. Não, tu já tu já viajou para esses lugares? Portugal vou bastante, né? Eu tenho dois jogadores em Portugal, fazendo um trabalho lá no no Portimonense com o João, que é um zagueiro que era do Corinthians, e o Arielson, que tá no Portimonense, que foi artilheiro
agora da Liga Revelação, 23 anos. Então eu vou para lá, fui pra Ucrânia, né, na época de guerra, ainda estado de guerra, levei ele, mas foi durante a guerra. Durante a guerra, agora recentemente, né? Ainda está. Eu fui pro fui pro Portugal, eh, Áustria. Da Áustria a gente foi de carro até passamos pela Eslováquia, entramos pela fronteira terrestre na Eslováquia entramos por Entramos pr pra Ucrânia. Aham. Aí da Ucrânia a gente foi porque tu não consegue ficar longe de tiro, né, cara? [ __ ] que pariu. E aí te falo, cara, sabe uma coisa interessante?
Você fez isso talvez não nos não nos assuste tanto. Se fosse um outro agente, fala: "Mano, não vou". E aí uma reflexão que eu falo a respeito desse meu jogador que é de Rondônia, cara. Hã, os caras falam, mano, um monte de jogador veio embora de lá para cá, Ele tá indo para lá. Muito embora o clube deu todas as garantias de segurança, porque eles saíram de uma zona de conflito, montou uma sede ali nessas divisas ali, Polônia, Eslováquia ali não tem razão de bombardear e desperdício, então quer dizer, não tem, a vida tá seguindo
ali quase que normal, né? É uma dificuldade tremenda. Eu fiz até alguns conceitos. Hoje eu vejo que que o que que o o pobre nordestino, sobretudo cara que mora lá querendo vir Para um sonho aqui em São Paulo, que ele sofre porque você não tem espaço aéreo. Então lá os clubes estão jogando sem espaço aéreo. Cansa para caramba o jogador 12, 13 horas de viagem, 8 horas de viagem de volta. Em contra partida, você fazia isso em uma hora de voo, né? Então eu vejo a dificuldade das pessoas também em evoluirem, crescerem, ter mais oportunidade,
porque não tem grana para ter espaço aéreo, faz tudo ali no no buzão ou deixa de ir porque é muitos Dias na estrada. E aí esse garoto achei interessante porque o contexto de vida dele em Rondônia que ele veio, ele é tão trágico quanto a situação de estado de guerra que vivem as pessoas na Ucrânia. Tão trágico quanto. Tão trágico quanto. E é uma realidade sem tá em guerra. Você pode pegar comunidades aqui que vivem em estado precário de sobrevivência que é a mesma coisa do estado de guerra. Eu não tenho condições De pegar um
avião para ir no tal lugar. Eu não posso ir no restaurante, não tenho condição de ter essa comida. Eu vivo de doação. Acredito. É a mesma coisa. Nós vivemos no nosso país, em vários lugares do nosso país, tá em estado de guerra sem perceber. É, é que lá no Rio, lá no Rio a gente vive um, eu vivia lá um, é que eu saí de lá em 2016, né? Então não dá para falar, eu só saí até 201 sair. Eu vou puxar essas ideias aí, mano. Deu uma casada, maluco. Prim, A primeira a primeira chance
que eu tive que sair do de que eu tive de sair de lá, eu saí, eu morava, eu sempre morei na zona norte lá. Uhum. E o cara que que não manja de rio e v É interessante que o rio tem norte, oeste sul, não tem leste, né? É, é, é, é. Vi isso num lugar que não tem zona leste? É, é porque lá e assim e lá as coisas são bem mais divididas do que aqui em São Paulo, por exemplo. Aqui em São Paulo a gente tá na Vila Prudente, mas aqui é uma região
Legal da Vila Prudente. Se tu for um pouquinho mais para lá, já vai mudando. Um pouquinho, um pouquinho para lá tem Heliópolis, não é? E aí por aí vai. Isso. Eh, lá no Rio não, lá no Rio tu não é que não tem favela nos lugares, mas por exemplo, eh, tem favela dentro do Leblon, mas, pô, o Leblon é, [ __ ] um lugar de gente com grana e tudo mais. Tem a favela lá no Recreio, mas, [ __ ] ali já começa os caras que que ganharam grana, emergente, tudo ali, bairro Recreio, não sei
quê. Então, o cara que tá na zona norte, em geral, não é que não tem os caras com gran lá, mas em geral o cara tá no sei lá, cara, tá meio [ __ ] né? Então eu morei na, eu morava na zona norte o tempo inteiro e lá a sensação de guerra é uma sensação meio constante mesmo. Então assim, eh, é diferente daqui, porque aqui como é inclusive lá no lá no saindo ali perto do jacarezinho, tem uma parte lá em manguinhos tem uma parte que os caras Chamam de faixa de gasa mesmo, que
eu passava ali com alguma frequência, era complicado. Eh, o ponto é que assim, a sensação de guerra para nós lá, ela acaba sendo bem é segunda-feira. Sabe isso que você tá falando que os caras tão em guerra lá? Pô, para nós, cara, eh, pô, o último lugar que eu morei lá, que era foi o melhor lugar que eu morei lá no Rio, foi no Cachambi e era perto do North Shopping. Eh, tirotei os cara passar ali na vina da Suburbana ali, Queria pegar um cara, derrubava o bar inteiro, era normal, sabe? Era trágico, trágico, mas
normal. Cotidiano, o rapa, né? R do cotidiano. O cara, Exato. O cara roubar o o inclusive o Falcão é lá do Engenho Novo, é lá da minha área. É o o cara ir roubar carro na minha rua era normal. [ __ ] eu lembro de ver um vídeo que que era de sistema de segurança deuns caras subindo, descendo a rua na contramão. Olha que viagem. Tava saindo do prédio aqui assim, uma senhora com Uma criança. Desceu os malucos do carro, deram uma banda na senhora, roubaram a mochila da criança que ela tava indo pra escola
e foram embora. [ __ ] Então para nós isso era [ __ ] Uhum. E foi muito doido quando eu saí de lá e eu percebi que não, mas eu não saí de lá por vacilação, não. Eu saí de lá principalmente porque eu tinha muito medo das com do que poderia acontecer com as minhas filhas, sabe? Eh, foi na época que o o nome do Super Proteção, Né, meu pai? Lógico. Esse esse o motivo número um lugar também tá louco. O motivo número dois foi que o Rio de Janeiro é muito caro, muito caro para
tu viver. Se tu tá duro e [ __ ] se tu tá duro e preso lá no Rio de Janeiro, tá [ __ ] porque lá é tudo muito caro ou era. E o terceiro é que lá é quente para [ __ ] também, que aí tem a ver com o segundo que o no, por exemplo, como é que eu como é que eu ia viver com ar condicionado lá sem fazer aquele Macetinho no relógio, tá ligado? Velho gato. Ah, então eraã já erramos, já cometemos crime. Ah, sim, sim. Eh, já chegava nos lugar procurando
ver como é que ia fazer, tá ligado? Vou dar o gato. É, aí aí a primeira oportunidade que eu tive que eu dava aula de inglês antes, mas aí fui pra internet, as coisas foram andando na internet e quando eu comecei a ganhar aqui no canal e tudo mais, eh, a mesma coisa que eu ganhava dando aula, eu Vazei, mané, fui embora, fui morar em Curitiba, que assim, eu saí logo do 80 e fui pro oito devagão, outra vibe completamente diferente. Bom, tô em São Paulo hoje porque para fazer o que eu faço não tem
escolha. Irmão, isso que você fez eh, por exemplo, hoje hoje o que eu faço e que todo periférico sonhador quer fazer, todo mundo acha, a favela é 1000 grau, é da hora uma união, 1 kg de arroz meio vamos dividir, açúcar, vizinho, né? Um protegendo o Outro e tal, embora aconteça várias coisas. Aham. Mas a favela é isso. Mas ninguém quer viver na favela. Você acende uma classe, condição financeira, você quer sempre o melhor. Eu falei para um um MC outro dia lá no condomínio e ele falava assim, falei: "Mano, eu não tô no grupo
do condomínio, mas minha esposa tá no grupo do condomínio, ela veio e me mostra, pô, ó o que estão falando do MC aí, ó. Pô, pessoal também pega pesado e tal, isso, aquilo, outro". Aí eu para pensar, falei: "Pô, mas também, mano, o mano quer dar grau dentro do condomínio, mano. Bololô, grau, bagunçar e aí vai dialogar, ele não sabe dialogar, ele tava carente, ele tá perdido. Aí eu tô lá numa coincidência, passei com a minha moto no lago, encontrei o MC. Ô, e aí? E aí, como que é? E aí, bigode? Ô, beleza, tal.
Me chama bigode por causa das ideias. E aí, bigode? Ô, da hora, tá parando umas motos que colocamos no Pezinho. Aí ele falou, ele falou: "Mano, muito louco aqui esse lugar e tal". Eu falei: "Tá, eu fiquei, deixei ele desabafar". Eu falei: "Vem cá, mano, você me permite aqui te dar uma falou ficá louco, mano, né? Porque eles gostam muito de mim, porque eu troquei várias ideias com com Kev, outros meninos lá". Aí falei: "É o seguinte, como é que tá na favela hoje? Você der um bololô na favela e dá graudinho da favela? Tem
até as faixas lá, ó. Sujeito A [ __ ] Justo a lei da favela, mano. Lá é um condomínio. Tem regra, mano. Ó, a menina passou com a porcha agora. Al, ó. Pô, falei: "Essa menina pode entrar lá na na favela com essa porta lá dentro para comprar um bagulho?" Não, ela tem que deixar o carro dela lá fora e vir a pé. Tem todo um procedimento para ela entrar. Se ela entrar com a porte lá dentro, ela tá arrastando. Não pode ir lá pegar o bagulho lá. Certo? São regras. Beleza. Lá é regra. Fala,
essa casa aqui alguém te deu? Não, mano, é só conquista. Eu conquistei, F. Você não tá valorizando só conquista, mano. Por que você veio morar aqui? Você morar aqui porque você quer paz, você quer tranquilidade. Fala assim: "Eu sou, eu sou boy, eu sou bico sujo?" Não, não, se eu tô ligado sua história, então. Mas eu vim para cá porque eu quero paz, mano. Quantos manos estão aqui dentro morando aqui que quer paz, mano, que já Sofreu pr caramba. Aí você não consegue se adaptar à regra daqui, mano. Você respeita a lei da favela e
não quer respeitar a lei daqui, mano. A lei daqui é branda. O cara vai te dar uma multa, no máximo e vai persona não grata ou fazer um processo dependendo contra você. Lá não, tio. Lá você já vai entrar no [ __ ] mano. É outras ideias. Ei, [ __ ] o mentor, eu não tinha nem me ligado nisso, mano. Foi então você Veio para cá, valoriza suas conquistas, mano. Isso aqui é seu. E aqui tem regra, mano. É só você andar na regra daqui, mano. Quando você sair da porteira para fora, você faz o
que você quiser, mas aqui dentro é regra. É igual na favela. Só da favela, você faz o que você quiser na avenida. Mas então, para dentro da favela, você tem que ter proceder, atitude e tal, mano. É a mesma coisa, só universo diferente. Ele, nossa, mano, tava moscando. Foi da hora. Tá aí, tá Dado o papo tá aí o papo. Mesma regra, só ambientes diferentes. Mesma regra, mesmo conceito de regra, né? Aham. Ambientes diferentes, mas o mesmo conceito de regramamento, direitos e deveres, né, mano? Simples. Aí você começa a colocar na cabeça, o cara entende,
fala que da hora. É igual, por exemplo, eu saí, por que que eu não moro hoje em rua, isso, aquilo outro? Porque eu me tornei uma pessoa pública, eh, é uma, uma ascensão Profissional boa que me dá uma condição de vida melhor, eu tenho que proteger minha família porque eu viajo para caramba, tô sempre na rua. E aí vem um desavisado lá, não sabe, vai pula o meu quintal, vai lá e faz. Eu levei minha família para lá, pago o caro por isso, mas para para cuidar da minha família, como você fez. Você saiu de
lá, porque eu eu receio receava que acontecesse algo com a minha filha, não veio, né, a gente brincou, não veio corrida nem Nada, foi para outro lugar. Eu trabalho para caramba para poder garantir a segurança da minha família, o bem-estar da minha família. O luxo é confundido. O bem-estar é confundido com o luxo. Faz parte, mano. É bonito, é legal. A geografia te abraça. É gostoso. A a geografia da quebrada é uma agressão. Eu quando vinha da da elenco ia, eu morava em Goianáes, depois de Ferraz, que eu passava, quando passava do Tatapé, começava a
descer, falou: "É Uma agressão meu pro visual até. Já começava a ver a polícia com outra atitude, com outro olhar. Eles olham pra gente como caça. É, eu ando nos jardins aqui para lá e para cá. Tá em Bibi, Faria Lima, desce aqui, Armanso de Carvalho. Vou falar, vou para um restaurante aqui, sai de um restaurante, entre outro. Não sou, não tô em atitude de suspeita, porque é normal sair de um restaurante entrando em outro. Reunião, reunião, reunião, barbacoa. Vai aqui, Vai ali, faz isso lá na quebrada. E aí tá no jet, tá no co
para, põe a mão na parede, vai. Ô, [ __ ] mano. Eu sou o mesmo cara, a mesma pessoa, o mesmo carro, só que aqui eu sou tratado diferente pela mesma polícia. Por que que eu sou um estranho no ninho aqui, mano? Tô com na parede aqui, ó. Não consigo nem descer. É louco, mano. Que sociedade que a gente vive? Que informação que a gente vai propagar? É, né? O que que a gente vai transmitir aqui, mano? É lógico que a gente vai dar risada outra, uma coisa outra aqui, mas vamos falar barato que é
sério para evoluir a cabeça da molecada. Eu trabalho com com jovens. Uhum. Eu trabalho com jovens, formação. Falo: "Meu, não se ilude com o dinheiro. Você tem que ser o cara reconhecido pelas suas ideias, não pelo que você tem. Você Vai ser o cara da Ferrari até quando?" Pois é, a visão de a visão do o curto prazo, ele é muito tentador, né, cara? Por isso que eu tava te perguntando lá no começo quando tu tava falando de quando tu tava na polícia lá fazendo as paradas, a noção de que, pô, tu sabia que essa
[ __ ] ia acabar, não sabia? Porque não tem como, sempre acaba. A casa cai uma hora. É, é isso, isso é claro, né? Em qualquer algum momento, eu nunca achei que eu fosse voltar para Casa. Eu cheguei num patamar assim, falei: "Não, não vou voltar, mano". Passava por cada um, falei: "Só por Deus na cadeia, na rua, não morrer foi misericórdia de Deus". Eu tava conceituando até com o pessoal ali conversando ali agora. Uma coisa até engraçada assim, hã, sabe o que é o crime hoje? Assim, vou trazer uma coisa, uma uma fazer uma
fantasia aqui bem bem interessante para vocês entender e pra Molecada vai rir, o pessoal vai achar interessante, porque é o seguinte, sabe o que que é o crime? Hoje eu eu conceito várias coisas. O crime para mim é um tomate, vários tomates atravessando o asfalto. Esse esses três gestos que eu fiz agora, alguém três já morreram no crime, mano. É tomate atravessando o asfalto. É a vida do crime. Quando chega lá do outro lado, é maior sorte, mas você tem que voltar, Né? Mas tem que atravessar de novo. É um vai e vem essa vida
do crime. Tomate atravessa no asfalto, mano. Aqui em São Paulo. É que eu não sei se tu não sei se tu vai ter essa fazer essa correlação, porque eu Bom, lá no Rio é mais sinistro ainda do que aqui em São Paulo, né? Especialmente porque aqui a gente tem aqui tem só o só o comando. Só o PC, só o comando. É. E lá é muito faccionado, né? Tem vários, né? Muitos territórios. Eu fiz um trabalho no Rio De Janeiro uma vez, cara, lá em 2012, 2013, que eu fui com o Dexter. 2011, entre 2011
e 2013, eu fui lá no Vigaro Geral, sabe? O bar da dona Chupetinha, já ouvi falar, muito famoso, tal. E a gente foi lá conhecer o o conhecer o o Afroeg, tá? o Dexer ia fazer shows, eu fui como produtor dele, parceiro, e a gente foi nesses nesses lugares. E em contrapartida também fiz um trabalho para quando eu tinha uma transportadora, eu queria um conceito de De entregas de encomendas lá quando eu tava no regime semiaberto, foi quando eu comecei a ganhar grana trabalhando, né? Ganhei uma boa grana investindo no futebol com essa grana. Foi
assim, não contei essa parte. Eu tava no regime semiaberto, fui pro regime semiaberto em 2007, saí de Paquembu, do interior de São Paulo, venho, fico cinco dias em casa e me apresento lá no em São Miguel Paulista, quando eu eu presto eja, elimino matérias, pego o diplomas de Segundo lugar e vou prestar e e presto o vestibular e e e começo a fazer faculdade de administração. É. E aí um amigo meu, na época, meu amigo, tinha uma empresa de prestadora de serviço, ele me chamou para fez toda a documentação, eu saio para trabalhar na empresa
dele, não tinha muita coisa que fazer e tal. Aí a gente começa a empreender e falou assim: "Mano, você quer meu sócio sócio, pô? Eu vi que você se se dá bem com esse negócio de Administrar e tal". Fal, só que na sua casa não tem condições, né? Vamos sair pra rua. Aí a gente alugou uma casa, uma salinha lá no centro de Guanázias. E aí o nosso modem, internet, todo, todo escritório precisou internet. Não vinha, não vinha, não vinha. Aí o dia que chegou, chegou num carro descaracterizado. Aí o cara chegou e falou assim,
falei: "Meu, por que que demorou tanto?" Falei: "Aqua de risco, já foi roubado, ó, ó, o histórico, já Foi roubado três vezes o mas vai roubar mod." falou: "Não, os cara vem para roubar a carga, o Moden vai junto." E aí nisso eu tinha criado no nosso escritório o Motoboy Express, por a gente, como fazia muito trabalho de de cerca de de elétrica de condomínio, assessoria de de controle de acesso de prédios e tal e reformas, pequenas reformas em prédios públicos que você não precisa de licitação. Então a gente fazia essas reformas, trocar uma porta,
Essas coisas. Então eu sempre, eu ia lá fazer orçamento, fazia orçamento, trazia e tal. e colocava mão de obra para fazer. E aí tinha vezes que eu tinha que sair de Goianázi lá em São Miguel, Emelino Matarazo, para levar de repente um detergente, alguma coisa que faltou, um rolo de fio. Aí não tinha motoboy em Guanáis. Falei: "Pô, não tem motoboy aqui, cara". Falou: "Não tem, aqui os cara rouba muito". Aí eu falei assim: "Eu vou montar uma empresa de motoboy Aqui, prestar serviço aqui." Por como que eu empreendi? Eu tinha um mano que tava
preso comigo e tinha uma CG e ele não saia para trabalhar porque não tinha emprego. Aí eu falei: "Mano, eu vou tirar você pela minha empresa, eu consigo te pagar metade do que você ganha, que é o salário mínimo, metade do que você ganha. O restante a gente faz serviço de motoboy e a gente paga aqui, porque tinha que pagar na cadeia, o seu salário é depositado na cadeia, né? Fica Lá". Entendi. Aí falou: "Não, beleza, vamos embora, tal". Aí eu fiz uma placa lá, estilos express, tal, motoboy. Aí quando o cara me entregou, falou:
"Você é uma empresa de motoboy? Olha só a mentira, mano. Eu peguei, falou uma empresa de motoboy empreender, né?" Aí falou: "Quantas motos você tem?" Oito motos, tinha nada, só tinha um cara. E carros faz entrega de carro, tem quatro carros a gente tem. Aí o cara me deu um cartão, falei: "Ó, fala com essa pessoa Aqui lá na na época era direct log lá em Barueri." Fala aqui que não tá precisando de fazer entrega aqui. Vocês entrega telefone, entrega tudo, mano. Aí falei, tô faz entrei para dentro do escritório, peguei o telefone e liguei.
Rafaela Silva, não a vejo muito tempo. Muito gente boa. Tudo bem, Angel? Sou entregou o Gelson aqui, entregou o molden e tal. Quantos? Oito. Mima mentira. Oito moto, quatro carros. Só tinha uma moto. Ah, então uma reunião Aqui amanhã cedo aqui na directa, tal, o horário que ela me passou, eu não tinha, não dava tempo de eu sair do semiaberto ainda. Falei assim: "Eu posso ir um pouquinho mais tarde porque eu tenho um compromisso." Eu tava preso compromisso, compromisso com a grade, né? Aham. Aí beleza, marcamos corneu. Eu falei com o meu sócio, ele falou:
"Ó, você resolve isso aí, meu. Você dá, fale beleza, fui, eu tinha uma uma twist, uma motinha, fui para lá para Barueri". Fiz a reunião Mesma mentira, oito motos, quatro carros e tal. Ela me apresenta empresa Natura, tudo que eles entregavam lá, americana Shop Time, submarino, logística gigante, tudo que vendia na internet. Ela falou: "Só que eu quero que você faça entrega para mim dos telefones livres da Embratel, que era os telefones, lembra, da Embratel?" Da Embratel. Tem que fazer entrega aqui. E eu tenho um gargalho muito grande. Aí eu comecei a entender o que
que era gargalo, os os jargões de Logística, né? lá na faixa de CEP 84 tal que era lá no cidade Tiradentes, 849 final de faixa de CP. Falei: "Beleza, tal, tudo certo, ó, vou te pagar tanto por entrega, eu fiz as as contas, falei: "Tá, falei, depois eu vou pedir mais, que é muito pouco, mas vamos fazer". Falei: "Po mandar". Daí fui pra empresa falar, "Amanhã vai chegar um um programador. Vocês tm quantos computadores?" "Ah, tem quatro computadores." Já saí catando computador Até que jogava videogame em casa. Monta lá, tem que tá lá. Aí montando,
peguei meu tio que era meu tio era rato no no no no guia, né, que a gente usava guia. O GPS tava começando a nascer o GPS. Isso em 2000 2008, 2007, 2008. Beleza, chegou lá, o cara veio, colocou o sistema e tal e eu tinha que ter essas oito motos, os quatro carros. Que que eu faço? LIGO pros moleques, com os bod que entregava pizza à noite. Não, mas mano, fazer entrega, mano. Vai pega. Então vamos. Chegou a molecada tá lá para esperar e peguei uns quatro mano que era tudo mano correria que é
vagabundo que tava no meio da semana. Falei: "Mu vocês tem que me ajudar, mano, tenho que montar". Aí eu lembro que chegou um falecido amigo meu nego, hã, e ele tinha um pá enjoado, não tocava naquele pedinha até som no encosto do, né? DVD no encosto. Aí ele chegou, aí o cara tá tá colocando o sistema lá, o cara falou assim: "Você Vai fazer entrega com esse carro aí e com essas correntes aí mal criado de quebrada, né?" Fal, você quer fazer a entrega? Quer saber como é que eu ando? Aí ignor aí falou: "Não,
não". Falou assim, deixa que nós se vira, mano. Tacamos as entregas pra rua. Cidade tira dent dá 1 hora, 1 hora e meia, mano. Tentaram me roubar aqui, mas resolvi, tá? A outra, mano, não teve jeito. Os cara me roubou aqui e tal. Falei: "Cara, daqui a pouco Tocou o telefone, outro roubou aqui." Falei: "Calma, espera aí". Aí, nossa, mano, que bagulho louco. Peguei minha moto, falei: "Espera aí que eu tô indo aí. No não faz bo, mano. Tô indo aí". Cheguei lá, parei, o cara tá aqui, moto sem a chave, tudo, a mochila já
foi. Falei: "Onde você tava?" Qual três últimas entrega? Tal tal. Voltei as três últimas entrega, já vi uns manos andando já ligeiro para ir para cá. Salve rapaziada, firmeza? Como é que tá? Tranquilo. E aí mano? Qual que é? Sou fulano de tal assim assim. Essa empresa que fez entrega aqui, os manos robô e tals. Também sou mano, tô no semiaberto e tal. Aqui é progresso, tô entregando produto que é da quebrada. Não, da hora, mano. Você conhece quem conhece? fulano se cland daqui a pouco ch. Ô mano, tá fazendo aí, fazendo aí contato network,
né? Aham. Dentro do contexto, né? Network, conheço todo mundo. Não importa quem eu conheço, mas eu conheço. Aí já Achei a carga, chegou a carga, trouxe a carga, recuperei algumas meia bagunçadas, já liguei na empresa, ó, falei: "Ó, teve um problema de roubo aqui, mas eu tô com uma carga aqui, só tá rasgada a embalagem. Posso tentar fazer a entrega?" Não, se a pessoa aceitar, fã, beleza. Comecei já a fazer gerenciamento de risco, entregar. Aí falei: "Caramba, mano, vou ficar bom, mano, mas vai roubar? Como é que a gente não sabe que É sua? Não
tem nada que identifica. Falei: "Nossa, eu preciso de criar uma marca". Aí já fui num amigo meu que tinha Estamparia, ó, ó o comércio local. Estamparia. Falei: "Meu, preciso de umas camisa assim, assim, a o logo da minha empresa tava tal estilo express e tal." No outro dia tava com as camisas cheirando tinta, todo mundo uniformizado. E aí mesmo assim aconteceu. Falei: "Não, mano, a camisa é minha não, mas não sabia, agora já sei Qual é". Falei: "Já sei, final de semana, no sábado eu vou fazer evento esportivo aqui." Mandei fazer uniforme pro time, dei
o time pros cada quebrada que eu fazia entrega, dei uniforme, bola, pontapé inicial, falei: "Mano, explicando o conceito, a minha empresa assim também tiros dias, tô saindo fora do crime, que é aquele processo de sair fora do crime, tô saindo fora do crime, não quero mais isso para mim, tal, tal, montei uma empresa, entrego encomenda na Quebrada, é, eu entrego o que vocês compram, mano. Você não tá roubando ninguém, é o bagulho que vem para cá." E foi naí o outro falou: "Mano, o seguinte, eu não consigo trabalhar não, meu corro é esse, mas eu
não quero meu irmão na vida do crime, não tem como empregar meu irmão?" Falei: "Tem sim". Mas meu irmão não tem habilitação, mas sabe dirigir, sabe? Então o resto a gente se vira, vamos embora. Empregando um aqui que não tinha habilitação, outro Com carro, carro zoado, pinada, desgra. Falei, vamos fazer entrega, tem que fazer. E aí foi indo, foi indo, a empresa foi crescendo, crescendo, crescendo. Eu saí de um cômodo como essa sala, alugo uma casa do fundo, quebro as paredes, aumento, já não dava conta, pego um ponto comercial, vou crescendo, eu pego a demanda,
cara, que era assim, eh, extravio e e sinistro, era na casa dos 30, 25, 26%. Eu baixo isso, sabe para quanto? Em um ano. 0,16, dízima Periódica de sinistro. [ __ ] [ __ ] Levo o bagulho assim. Eu saio de eu saio de 200 entregas por dia. Eu tava fazendo 2500, 3000, 3.000 entregas por dia. Eu já fazia americana submarino, Shoptime, que é B2W, né? Companhia Global de Varejo, iPhone. Eu entro pra linha branca, faço parceria com Jad Log, com várias empresas e crio um negócio gigante a partir da empregabilidade. Eu e cadastro minha
empresa no CNJ. No começar de novo, começo a trazer caras Do regime semiaberto para trabalhar. Aí um dia a empresa, essa empresa foi vendida para tex para tagma logística gigante. Os caras colocam a Rodobens como seguradora. Os caras vêm na minha empresa, eu queria falar com o com o dono da empresa, gente, fala: "Sou eu, tal, tal". Fiz uma reunião com eles, falou assim, ó: "Nós somos da Rodobens, a gente tem que atestar o seguro da carga e tal". Mas a gente tem uma informação para trazer para vocês aqui, Ó. 90% do seu quadro de
funcionários aqui, colaboradores aqui são ex-presidiários. Aí eu pego e levanto o pé assim, mas não falaram de mim para você não? Eu tava com a tornzeleira. Aí falou assim: "Começa por mim, mano". Aí o cara se assustou, falei assim: "Você tem que investigar, você investiga o dono". Falei: "Ó, deixa eu te explicar, você não vai entender que é meio complexo. E eu faço empregabilidade sentenciado pelo Conselho Nacional de Justiça, minha empresa cadastrada na na na Secretaria de Administração Penitenciária. Eu tenho preso regime semiaberto, tem egressos assim como eu. E é por isso que os nossos
números são interessantes, porque só humano que conhece a quebrada que consegue fazer essa entrega lá, mano. Ele tá no asfalto, ele põe a camisa, vai no escritório de advogado. Tudo bem, doutor, lá uma entrega pro senhor aqui, um vado, isso, aquilo outro. Quando ele Vai lá na quebrada entregar um perfume lá ou alguma coisa, ele põe a camisa nas costas. Salve mano, beleza? Tem uma entrega aqui, ó. Você aqui para chegar, tá tranquilo, pode chegar, pode chegar. Fez a entrega e saiu. Tem que ser eclético. Essa essa essa é a sacada. O cara falou: "Nossa,
falei: "Quer dar uma volta na área de risco?" Falei: "Vamos". Coloquei ele na van e fui. Jardim São Carlos lá, divisa com Guianá e Taim. Parei lá no alto, liguei o piscalerta da Van, toda caracterizada, toda branca e descendo como se tivesse procurando o endereço. Lá embaixo na esquina já começa um bod bod que é essa CGzinha para cá para cá, os moleques se distribuem e eu vou descendo. Quando o moleque veio assim, eu já baixei o vidro, falei: "Ei, menor". Falou: "Ô, mano, eu tô achando que ia fazer um vale que é pegar". Aí
eu falei assim: "Ó, os caras do banco aí que da seguradora e tal". Aí os cara olhava assim: "Ô, Beleza." Aí o cara não se ligou, falei assim: "Você não viu?" Fã, esses moleques rouba a gente, mano. Esses moleques ia roubar agora. Você viu que a moto foi daqui, foi dali, de lá. Só esses moleques, eles estão o dia inteiro esperando passar uma vítima. E aqui é o descaso social. Não tem nada para fazer. Eles só roubam para se manter. É um tênis, uma bola, uma camisa, um dinheiro para de repente até para usar. Uns
levam alimento para dentro de casa, mas são Esses moleques. Esses são os ofensores sinistros que a gente tem aqui. Aí foi por isso que meu trabalho é diferente. Eu tenho relação com a comunidade. Ele falou: "Sau, empresa senso direitinho, só tem um problema aqui para me atestar. Você não tem um segurança?" Falei, você não entendeu seu pão segurança aqui, eu não não tô acreditando na quebrada. A segurança aqui é a nossa palavra. Ela testou o meu rodovestou 100% a minha base. O seguro. Tem a ver com o cara Entender também onde é que ele tá
chegando, né? E aí em 2013 eu vou pro Rio fazer esse show com o Dexter lá e ajudar ele e eu vou ajudar. Aí a a empresa me falou: "Ah, você pode me ajudar na consultoria? Tô com um cara que saiu de uma de uma base nossa no Rio Grande do Sul que era modelo e ele foi para lá gerenciar, mas ele não tá dando conta. O cara lá não deu certo, falei: "Beleza, vou lá". Cheguei lá, tudo bem, meu amigo, como tá? Dá um mapa aqui da Região, o mapa tudo pintado. Eu falei: "Qual
o funcionário mais velho que você tem aí?" Chama ele aqui. O cara veio, eu com essa minha, né, característica, falei: "Mano, que comunidade que é aqui no mapa?" O cara, o gerente me olhou, não sabia nada. Aí o cara me olhou, falou: "Pode falar, mano, aqui é o quê? Você vê e tal? Sou polícia, não pode falar." Aí falou: "Não, aqui é tal". Mapei tudo, só que no no naquele mapa plastificado, eu como com canetão eu fiz CV, TCP, ADA, rabisquei tudo. Aí eu falei: "Obrigado, mano". Aí o cara falou: "Que que tem a ver
isso aí?" Primeiro para você fazer logística no Rio de Janeiro, você tem que conhecer de segurança pública, mano. É verdade. Aí ele falou assim: "Como?" Falei: "É segurança pública, você faz a captação de de mão de obra como?" Info job. Falei: "Você sabia que o cara dessa comunidade não pode entrar nessa?" Ele não, você o cara, o cara vem, Trabalha um dia, você põe ele para fazer entrega aqui, ele não pode entrar, ele já tá encurtido na cabeça dele que ele não pode entrar lá. Aí ele, nossa. Aí o cara começou, a expliquei esse conceito
de de guerra e tal, de conflito, ele falou: "Nossa, espetacular. O que que eu faço?" Falei assim: "Você vai nas associações de moradores de bairro de cada região, vai falar oferecer um curer local, você vai sair com a carga daqui." Era ali na Ali Duque de Caxias, onde fica aqui galpões. Falei: "Você vai levar o carro daqui, você vai entregar na Associação de Moradores de Bai, já tem a permissão para você entrar, você vai descarregar tudo lá e lá eles vão entregar, porque eles sabem a mulher que mora no barraco tal, mas ele é cabeleireira
lá, sabe do cara que trabalha ali, mas ele é açoogueiro ali, sabe do outro que tá lá, mas que tá no jet, na biqueira lá. ele vai entregar, as formiguinhas vão fazer Ele corrigir a logística dessa empresa no Rio de Janeiro, assim, com conceito de segurança pública e parte social. É bom, porque exatamente assim, quando você vai, já dizia o negão da BL, né? Não, lesados são aqueles que não buscam saber a segurança do ambiente. [ __ ] não é? Não tem, resumindo, é, tem que saber onde tá pisando, mano. É, [ __ ] Tem
mensagem pra gente aqui, G? Tem aqui que eu tô vendo. Vamos ver o que que os caras Estão querendo saber de você aqui, Ângelo. Ó, ó, tá rendendo quase 9 horas. [ __ ] tu fala um monte, né, cara? Você fala, hein. Ó, o Zac mandou aqui, ó. Qual era a sua ligação com o MC Kevin? Minha ligação era o mentor do Kevin. É, eu fui o cara que comecei a direcionar ele num pensamento mais amplo além da da das próprias músicas. E o e o Deixa a vida me levar. O Kev era um menino
sonhador que mudou toda a Estrutura da família dele financeiramente falando, dando uma condição melhor de vida, mas não tinha uma base que o sustentasse psicologicamente com toda aquela coisa que chegava. E quando eu o conheci, foi interessante que eu conheci ele num futebol da elenco, meio de ano, férias dos jogadores, né, em junho, julho, essa essa época aqui, o período de férias dos jogadores da Europa, que a a a o período maior de férias deles é Diferente do nosso, o nosso é dezembro, deles é mediano. E eu vou assistir um jogo 2019 ali, tô assistindo
um jogo num churrasco nosso. E eu vejo o Magrel ali correndo, jogando para caramba. Tava ali no meio do Guilherme Arana, Malcon, eh, eh, e eh Gabriel Magalhães, que era jogador da nossa agência. Falei: "Que moleque terrível. Quem é isso?" É o MC Kevin. E eu tinha ficado preso num período que o funk estourou, então não conhecia muito desse movimento. Aí eu Entro para jogar ali, tiro uma onda jogando bola com ele. Mas solto velhão, dando um tapinho ali, brincando, tal. Tu é bom de bola, Angel? Sou ruim para caramba. Eu bato bem, eu sou
briguento. Eu sou sou rçudo, não gosto de perder não. Mas barba de bode, né, como diz, né? Mas eu tô corro lá. Aí, cara, eu conheço o Kevin ali, faço [ __ ] de uma amizade com ele. Coincidência, eu já morava no condomínio lá, em Mogio das coisas, onde eu moro. O Kevin foi morar No condomínio do lado. Quando eu fui lá no churrasco e tal, aí o Kevin fala: "Mãe, ele é fulano, ele escreveu até um livro". Aí ele ficou preso. Aí a dona Val pega e fala assim: "Mas Kevin, sem filtro, você só
tem amigo bandido, você só relaciona com quem não presta." Quer ver? Eu senti aquela vergonha assim, mas eu entendi que é mãe e tal, né? Aí falou: "Não, mãe, ele escreveu um livro, ele é empresário de jogador e tal, tal". Aí num momento ali a gente conversando, Ela falou assim: "Âjo, que que você faz?" Fala: "Eu sou empresário, mas eu faço mentoria que eu cuido da cabeça do jogador pela experiência de vida que eu tive. Todos eles vêm de um ambiente que eu vim. Então eu tenho que prepará-los para isso. Eu queria que você fizesse
a mentoria do Kevin." Falei, "Seis meses vão fazer isso. Só só se a senhora achar legal, a gente trata um acordo." Eu começo a cuidar do Kevin, ele começa a melhorar o repertório dele de música, de Escrita, de pensamento, né? A a conhecer mais sobre os seus contratos. até que ele decide ter uma carreira solo. Só que na carreira solo, quando ele é o ele é o próprio empresário que ele saiu da GR6, aconteceu essa fatalidade. Mas eu trabalhava a cabeça dele, melhorar a cabeça dele, não dizer o que ele tinha que fazer, mas eu
dizer para ele as consequências do que ele de cadação. É bom. E visão de de mundo também, né? outra perspectiva de vida que e para mim Até hoje é doloroso eh entender o que aconteceu com eu me hospedei inclusive no mesmo hotel que aconteceu o episódio com ele para entender, tentar entender, mas não dá para entender. É incompreensível, tá nas mãos de Deus. O Luís mandou aqui, ó, com todo respeito do mundo inteiro, eu sei que o Ângelo já falou que não usa drogas, mas por que os olhos dele estão vermelho assim? É alguma condição
médica? É, eu estou, vou Até postar sobre isso para depois o pessoal ver que é verdade. Eu passei no médico no domingo, eu tô com uma conjuntivite alérgica e um outro nome que dentro dessa dessa dessa clínica, né, ocular, né, da da oftalmológica, eu não sei o nome expressar o nome, mas é uma conjutivite alérgica e mais um não sei o que lá IT também que tá nos meus olhos. Eu tô sendo medicado com três colírios e um vior oral, mas eu não uso nada. Parece até tem gente até que Falou: "Mano, me arruma um
desse, né, meu que meu olho tá bomba 24 horas, né, meu? Eu já acordo pingando o coliro. Já passou até da hora que eu tinha que pingar umas 7 horas, mas esqueci de trazer. E o Guilherme Paranhos mandou aqui também: "Quem mantém o crime organizado é o estado ou o crime já faz parte do Estado?" Olha, o crime sempre vai existir. Desde que Caimou Abel, que foi o primeiro crime que se que se se foi Reportado, né? que é o crime contra a vida. É uma coisa que tá no ser humano. Gente boa e gente
ruim tá em todo lugar. É, sempre vai existir polícia e ladrão, sempre vai existir. O que tem que se entender é que quando um estado, nós somos regido por uma uma um regente nessa banda que é o que é o o governante. E quando o governante não consegue desenvolver a boa política pública ou sobretudo é omíciil ou corrupto, que é o Que vem dominando, predominando dentro das das classes políticas, eh, quando você armazena um lixo no lugar errado, ele vai produzir chorume, doença e vai trazer um problema. Então, o problema das organizações criminosas, elas não
nasceram, salvo, salvo me engano, no Rio de Janeiro, mas mesmo assim elas nasceram na no presídio da Ilha Grande, foi quando juntaram subversivos presos políticos com os assaltantes, que eram Bandidos das periferias e os bandidos modernos, vamos dizer assim, mas na verdade não eram bandidos, porque os caras era subversível contra a ditadura daquela época, mas se juntou à intelectualidade com disposição, criou a facção falange vermelha que depois virou o CV, né? E aqui em São Paulo criou-se o o PCC a partir de um acúmulo inconsequente desvada de pessoas de determinado local que é a prisão,
que Como eu falei, são 10 camas, tem 30 presos, são uma cadeia feita para 500 presos, tem 4.000 presos. Que que vai dar? Esse, com todo respeito à pessoa, só fazendo uma analogia, se eu pegar o lixo da minha casa e não jogar fora, você numa hora você não vai entrar, não vai conseguir entrar na cozinha, porque vai descer chorume, vai ter bigato, você não vai aguentar o cheiro, vai trazer doença, alguém vai ficar doente. É, então o a organização criminosa nada Mais é que uma é uma uma consequência de pessoas acumuladas num determinado lugar,
porque o ser humano tem uma capacidade tremenda de se reinventar. E o que foi interessante disso, quando ela se criou, quando ela se se cresceu dentro das prisões, ela ela veio patinando, sofrendo, eles não se entendiam ainda enquanto facções, falando como estudioso agora, né? Não se entendiam enquanto facções a sua o seu pertencimento, a sua razão de ser. Então Existiam atrocidades, mortes, extorções dentro do próprio da própria organização, dentro da prisão. Foi quando os caras se deram conta, falam assim: "Pô, mas o meu inimigo não é você, nós estamos presos aqui tudo na minha sala.
Não sou seu inimigo. Você não é meu inimigo. Caramba, é verdade. Quem é o nosso inimigo? O sistema que não gere essa nossa prisão, essa nossa cautelar, essa nossa essa nossa subsistência aqui para ser melhorado. Que que tá sendo melhorado? Não tem estudo, não tem trabalho, não tem não tem uma alimentação digna, não tem um trabalho. É, você tem preso que é problema psicológico, tem uma, tem uma, tem uma um um e psiquiátrico, tá preso com preso, junto com preso comum. Eu cuidei de dois presos que moravam comigo um tempo, que o cara ficava em
cima da cama e subia na cama e fazia assim, ó: "Vou sumir". Nó tinha que entrar no barato Dele. Nós fal: "Cadê o Thiago, cadê o Thiago? Cadê? Cadê ele? Cadê ele?" Aí daqui a pouco ele voltou na segurar e falou: "Não faz isso, meu vai dar problema na contagem, tal". Isso era engraçado. O [ __ ] é quando abrir a tranca que ele queria matar o guarda de qualquer jeito porque ele tava ouvindo a mãe dele apanhando lá fora. [ __ ] o cara era esclerosado, psicopata, tinha uma psicopatia. E se soltasse ele pegava
o guarda igual Um pitbu. Tinha vezes que ele fala pro guarda: "Mestrão, não entra aqui porque hoje ele tá terrível, o bagulho tá milhão. Cadê o remédio dele? A família não trouxe porque o remédio dele tinha que vir pela família porque o estado não tinha o remédio que ele que ele tomava. E o cara tava preso com preso comum, mas tinha que cuidar. E você tinha que segurar a onda dele? Tinha que segurar a onda do cara, entrar na pilha do cara. Fiquei preso com um cara que matou a Noiva e que todo final de
semana ele arrumava a cama para receber a visita da noiva. E ele vinha em mim quando acabava que montava tudo. Os caras falam: "Mano, quero tirar a visita". Falei: "Não contraria, mano. Ali é o lugar dele. O cara chegou primeiro, é o lugar dele. Aí ele vinha, mano, não sei: "Calma, mano. Que que sua mãe falou? Que a mãe dele vinha? Não, falou que ela teve que trabalhar tal, tal. Então fica tranquilo. Ela falou que vem semana que Vem. Semana que vem ela vem, então fica tranquilo. Toda semana se repetia isso. O cara tava preso
lá. Isso é gestão do estado. Imagina as outras mágestões que não acontecia. E aí surge as organizações e as organizações colocam de dentro da cadeia para fora sai um regramo. Esse regramo, principalmente São Paulo, contribui para uma baixa significativa. O estado de São Paulo hoje é um dos dos menos violentos no que diz respeito a Homicídio. Sobe umas taxas latrocina isso, aquilo outro. Porque igual tava falando hoje para um cara que falou: "Mano, não tá errado a mina aí na série". Aí o cara questionou, tá errado a mina na sério com o dedo fora do
gatilho? Não tem que ficar no do gatilho. Falei: "Não, aí é regra. Ela tem que ficar com o dedo fora do gatilho, porque se é uma vítima que aparece na frente, essa fração de segundo de levar o dedo no gatilho, ela Economizou uma vida. Mas se ela tá com o dedo no gatilho no susto de até você saber quem é quem, você disparou. É o que muita molecada tá fazendo na rua, não sabe nem o que tá fazendo. Sai para roubar, não tem nem perícia para roubar. Vai roubar o cara aqui com o dedo no
gatilho, com revólver engatilhado. O cara fez algum gesto, ele escorregou o dedo, matou o cara. Você pode, você vê nitidamente que o filha da mãe, que eu falo bem assim, ele não foi lá para Matar o cara, ele foi para roubar, mas ele não tem perícia para aquilo. Ele é imperito, não sabe nem o que tá fazendo. Sabe o que tá fazendo. As pessoas vai falar assim: "Pô, o anjo tá não tô passando pano, [ __ ] Ele sabe o que tá fazendo, que ele foi roubar, foi fazer merda, mas ele é imperito até para
roubar. tá com o dedo no gatilho, disparou, tirou a vida de uma pessoa, ele desgraçou a vida dele, vai chegar na Cade, pô, mano, eu tive vários relatos cara fal assim, mano, tô no latrô, mas e aí mano? O bagulho disparou nem sei como, pai. Ô, mano, era só para pegar o bagulho. E relato real, tem os caras que são ruim de natureza, porque é o que eu falei, entre o bem e o o bem e o mal tá na pessoa. Maus policiais, não é a polícia que é ruim, maus policiais e bons policiais faz
um trabalho exemplar, cara. A gente sabe, ô mano, da hora, você esculacha, cara. Não vou te Esculachar. Se tiver errado, você vai preso. Se tiver tudo certo, você vai embora. Acabou. Aí tem um outro que você tá todo limpão, tudo certinho, o cara vem te [ __ ] Entendeu? Assim como tem o marginal que sabe roubar, que não dá um tab fala: "Mano, gera até aquela síndrome de estocom, né? Pô, que ladrão da hora". O cara foi educado, me roubou. Nem nem me assustei, nem suei. O cara não me esculachou nem nada. tenta entar no
ser humano. E aí, respondendo a Pergunta do amigo, o problema das da da do crime no Brasil, no mundo, em São Paulo, sobretudo, vamos falar, é justamente uma ingerência. A segurança pública e a redução da criminalidade, ela começa lá na ponta, na educação maciça, investimento verdadeiro. Não é meia boca de investimento, não. Investimento verdadeiro. Você pega um moleque que estudou no Dante e o moleque que estudou lá onde eu nasci lá, quem Que vai liderar isso? Quem é o provável governador? É eu ou o moleque do Dante? Ou moleque do Dante. Tá aí. Faz diferença
educação. Provei, né? [ __ ] Muito simples conseguir provar, né? Faz, faz diferença, né? Por que é liderado? Porque quem? E aí lá quando fala: "É, mas o menino lá passou em primeiro lugar de medicina na USP. Ó, ó o Ângelo aqui também. Eu saí da cadeia, mano. É, eu tô aqui falando. Mas você não é, tu não é a regra. Eu não sou A regra, só sou acidente de percurso, porque nessa linha de produção tinha que tá morto. É verdade. Eu sou uma peça que deu o defeito. Que que esse filha da [ __
] tá falando lá no no no flow agora? Que que ninguém calou a boca desse cara? Agora ele tá falando, agora ele é conhecido. É, agora ele tem propriedade para falar. Ele estudou, ele não é um dos noss, mas ele bate de frente com a gente porque ele fala a verdade, esse filha da mãe. Ele sabe o que ele tá Falando. Sim, foi um pouquinho de educação, um pouquinho de de informação que eu busquei. Já virou meu chip, já deu. [ __ ] Ângelo, muito obrigado por vir aí. Antes da gente ir embora, me fala
onde é que compra o teu livro, cara. Esse meu livro você encontra na editora Dialética Extra Campo na Ótica do Cárcere. Coloca na Dialética que vai aparecer lá na dialética. O melhor melhor melhor valor nos outros nos Outros marketplace aí os caras estão chutando o balde. Um cara viu um livro meu 110 conos tá louco, [ __ ] É 110 no não no quebrado não dá. Aí você vai na dialética é 67 se não me engano. E ainda picota no cartão ainda, né? Boa. É. E tem muitas ideias, são 32 reflexões extra campo norte. que
é um livro que eu escrevi dentro da prisão, que eu trago orientações a partir da gestão do jogador, né, trazendo o o porque eu vi muitos craques chegando na cadeia, Muitos moleques bom de bola, muitos talentos, bom na oratória, inteligentes, bom na música, bom no esporte, que poderia ser utilizado em outro lugar, atletismo dentro da prisão, tá assim de jovens cheio de de de coisas boas para Mas não é explorado. É explorado como ocioso na quebrada vai ser explorado para outra coisa, mano. Ele vai se espelhar em alguém. O no mundo mágico de o o
Ed Rock já cantava. Ele se espelha em quem tá mais perto. O estado e a Oportunidade precisa estar mais perto. Eu tive uma oportunidade, mano. Eu tinha uma ideia de mudar e essa oportunidade apareceu e eu mudei. Quantos caras estão com uma ideia de mudar, mas não tem oportunidade? É. É bom. E aí para te encontrar tem lá, tem a série de Netflix, tem o DNA do crime, DNA do crime um e dois. Tô nessas duas temporadas, né? como consultor de roteiro, como ator também, eu sou o lobo nessa série. Poder secreto é uma série
Documental que a gente fez, acho que se eu não me engano, em 2019, 2020, 21, HBO Max tá na tá na Band também, no no Band Play. Essa é a tua história mesmo. Essa é permeia a minha história também, fala história de várias pessoas, mas ela a gente fala a respeito dessas causas e efeitos, né? Tá? E que hoje eu sou um contador de história, como acabo encerrando lá o documentário. Fiz agora também o o consultoria do Irmandade 3, né, com a O2 dois filmes com o diretor Pedro Morelli, que é um cara sensacional também.
Quero mandar um abraço para esses meus diretores também das séries, né? o Heitor Dáia, que é um cara sensacional, que traz o egresso, que ouve, que escuta, é um diretor assim aberto, que tá produzindo muito, muita coisa boa. A, a a Velas também, que é um outro diretor sensacional também que que me deu muitas muitas dicas boas. aos atores que estão comigo aí também, Alex Nader, Tomás Aquino, Maev, eh, o Rômulo, vou falar também da rapaziada que tá comigo aí sentenciados e Bert Cleiton, Dr. Cléber, tem um advogado aí que era mano, assaltante bigode, chegou
no escritório para trabalhar, a mulher falou de advocacia, falou assim: "Se você não estudar, não tem sentido você trabalhar aqui. Ele estudou, fez direito e hoje já é advogado." [ __ ] história muito louca também, tem meu meu respeito. E aí a gente e através desses manos a gente vai Contaminando os caras de forma positiva, trazendo para essa coisa, né, de se qualificar pra oportunidade ser agarrada, porque a oportunidade vai aparecer um momento, né? Você tem que estar qualificado. Então me encontram no Instagram Angelo M. Canuto, né? Eh, eu sou palestrante também, já fiz palestras
na PUC Metodista, né, pra Semana do Direito, Universidade Federal de São Carlos e outras. Fiz agora o H toc, né, no True Crime, falando na numa banca de De de diretores de de cinema sensacional. E é importante ocuparmos espaços, né? só ocupando os espaços que as pessoas vão nos notar e a gente vai ter a oportunidade de de fazer coisa boa e mostrar pras pessoas que é possível, porque eu venho eu venho quando eu falei do True Crime, só para encerrar minha fala aqui, meu irmão, eh eu sou fruto do True Crime. Eu nasci no
True Crime. O cinema vem e me traz, me dá Essa oportunidade. E aí eu começo a enxergar o cinema a partir do ponto de vista do diretor. Então eles contam contavam uma história daqui para lá, ouvindo um eco de um grito de lá para cá. Aham. Eu sou esse cara que tá lá agora, que não grita e que não emite eco. Eu conto a história junto agora. [ __ ] essa parada que é 1000 grau. Eu no cinema hoje eu trago a história na sintonia fina contada, não é mais gritada e nem eco. Aham. Porque
deram chance pra gente. Netflix, Paranoide, O2 film, Boutique Filmes, esses grandes, essas grandes produtoras estão fazendo umas coisas sensacionais que dando oportunidade para car igual a gente e a gente vem trazendo os nossos. Vem, mano, vendo que tem coisa boa. Essa fonte aqui é boa. Essa é fonte da vida, mano. Isso é legal. Tá certo. E aí o Fuscão ficou para trás. Agora temos Ângelo Canuto. Ângelo Canuto e o Fusca tá aposentado. É isso. Mas o Fusca sabe das ideias aí, né, mano? Né? Não tá, não tá moscando, né, Angelo? Muito obrigado de novo por
vir, cara. É sensacional ouvir tua história aí. De repente a gente te chamo de novo aqui pra gente falar de alguns outros meandros, de como funcionam as coisas aí. Exposição. Exposição para mim, eu gosto da comunicação de eu eu acredito que a comunicação transforma vidas. Você tem transformado muitas vidas. Eu também. Amém, Cara. Muito obrigado pela moral. Vocês que estão assistindo aí, ó, a gente vai deixar aqui no comentário fixado todos os links para você encontrar o Ângelo com clique só facinho, tá? Aproveita, já se inscreve aí no canal, dá o like e se quiser
mandar e se quiser eh sugerir um novo convidado ou ou um novo tema, tem o Discord ali que tem a galera para ficar olhando aquilo ali diariamente, tá bom? E eu não sou concorrente do meu parceiro porque o podcast dele é 1000 grau, mas Eu tenho um podcast também que é pais e filhos, que eu vou numa outra vertente de troca de ideias que eu gostaria até um dia de poder entrevistar você para entender. Você contou sua história um pedaço, você saiu fora do Rio para não dar ruim pr as crianças. Isso é pai, mano.
Pai se preocupa. Você colocou debaixo da asa, fala: "Vamos embora. Eu só tô aqui por causa delas, essa que é a verdade. Com a sorte ou não, você foi pro mundo, mano. Mas você tinha um Objetivo, proteger. O meu podcast fala disso de mudança de vida, paz e fiz. A partir de quando você se entende por gente? Eu tenho certeza que na sua infância depõe muito sobre o que você é. Também, também acho. Estamos junto, mano. Isso mesmo. Na comunicação. Demorou, pô. Se tu me convidar e a gente ir rolando a agenda, eu vou pr
caramba. Vou embora, tá? Já era. Demorou. Então, ó, vocês aí, tá aqui o link para vocês no comentário fixado. Se inscreve, dá o Like e a gente se vê amanhã, tá bom? Beijo, junto. Valeu.