através da literatura o livro tem conquistado cada vez mais protagonismo livros histórias e textos de autoria Negra tem ganhado mais espaço Como já dizia Machado de Assis um dos maiores escritores negros da história do nosso país palavra puxa a palavra uma ideia traz outra e assim se faz um livro um governo ou mesmo uma revolução será que esse é o papel da literatura negra no país começa agora mais um programa negros em Foco [Música] de acordo com o escritor Oswaldo de Camargo a literatura negra é literatura que o negro escreve olhando para si mesmo e
para falar mais sobre o tema eu estou recebendo aqui no estúdio O Mestre Doutor em literatura brasileira o escritor Luiz Silva mais conhecido como cute seja muito bem-vindo obrigado pela presença eu agradeço também o seu convite é uma alegria estar aqui com você para esse bate-papo Maravilha e também a poeta escritora e fundadora do Sarau das pretas Elisandra Souza Obrigado Elizandra vocês concordam com essa fala do Osvaldo de Camargo né que é definição é que o negro escreve para si mesmo escreve de si mesmo e escreve para dentro da sua história Eu acredito que sim
porque a gente tem um grande vaco né dentro da nossa literatura brasileira né Os negros sempre foram retratados de forma subalternizada as mulheres de forma ali da servidão E persexualizados então cabe a nós né escritores escritoras negras falar da nossa história do ponto de vista da subjetividade né que é o que o racismo nos tira a subjetividade e para você curtir como é que essa subjetividade como é que é escrever de si mesmo para si mesmo Você concorda com isso aí seus votos Camargo tá eu acho que Oswaldo de Camargo abordou um aspecto da literatura
negra brasileira porque porque nós escritores e escritoras negras no Brasil nós não estamos apenas traduzindo a nossa subjetividade nós estamos traduzindo a subjetividade do Brasil portanto implica nossa literatura irrevelar como que as pessoas trabalham com o racismo que as habita porque o racismo ele não passa por nós e vai embora ele nos habita a vida toda então tratar da subjetividade é tratar como que as pessoas negras brancas mestiças etc trabalham com a literatura dentro de si mesmas então é a subjetividade do Brasil e nós estamos traduzindo na nossa literatura Lisandra a subjetividade é uma dimensão
importante dessa escrita de resistência de luta para você para minha subjetividade ela é fundamental né dentro da escrita negra principalmente né porque nos foi tirado essa humanidade né então quando a gente traz os nossos corpos né os nossos desejos as nossas potencialidades que vai aparecer dentro do nosso texto é sim uma importante arma de luta né da gente poder trazer a nossa identidade né uma construção de uma identidade Negra né que não é uma identidade né são várias identidades e dentro da literatura negra a gente consegue acessar esses diversos perfis de como ser negro no
Brasil né Então para mim é super importante a subjetividade porque é o nosso corpo político né dentro do texto literário para saber dos leitores e leitores qual é o papel da literatura negra vamos acompanhar o que o povo diz [Música] a literatura afrodescendente tem o poder reconstruir identidade eu vou negro Acho que sim é fundamental para contribuir com a construção de uma identidade Negra sobretudo na composição de uma subjetividade Negra podemos reconstruir a capacidade de imaginar outros lugares para a população negra mas também trazendo o empoderamento é uma forma positiva dos leitores se veem né
dentro dessas histórias dentro desses contos ela é um dos fundamentos para o crescimento da Juventude da população negra capacidade das crianças se olharem das crianças se reconhecerem de entenderem que o seu cabelo a sua autoestima que nós negros e negras temos podemos estar em qualquer lugar em qualquer função e a literatura traz isso E pensar um lugar que possa nos livrar por exemplo do racismo e nos livrar de um lugar de Sofrimento nós ouvimos a literatura também é o espaço um lugar de dor e sofrimento e a literatura com a qual nós interagimos crescemos ao
longo do tempo também tem a possibilidade de produzir essa dor e sofrimento ainda hoje Tem sim porque a dor e o sofrimento ela está presente sempre só que é um detalhe ela está presente sempre junto com alegria e com júbilo de existir portanto a nossa literatura negro brasileira Ela traz isso tudo e ela não fala simplesmente do nosso interior ela fala também do interior do branco é por isso que há uma certa resistência a essa literatura porque quando o branco escreve sobre o negro ele está escrevendo sobre ele mesmo ou seja a visão que eu
tenho do outro então agora nós estamos desvelando também a subjetividade do branco na relação com a gente aliás esse não aceitar essa luta e essa resistência tem essa presença negra na literatura do nosso país né o negro está dentro dessa literatura desde o século 19 e temos nomes de destaques como por exemplo Luiz Gama Maria Firmino dos Reis Lima Barreto e Carolina de Jesus então Afinal a literatura é uma ferramenta de resistência e expressão da população negra é isso eles sim a literatura é uma nossa grande aliada né E aí quando a gente pensa na
literatura como a extensão da nossa vida e a gente vai se tornando negro né e a literatura ela faz essa grande contribuição né a nossa grande dificuldade é que a gente precisa procurar e conquistar mais eleitores né que essa literatura seja acessível né que as pessoas possam ler essa literatura como parte né da extensão da vida né literalmente uma literatura de resistência 78 era os tempos de ditadura né E nem a ditadura conseguiu calar a Ponta Negra literária aliás nós estamos falando dos grandes escritores negros do passado escritores negros do presente precisamos conhecer os Escritores
negros do Futuro né E para falar com a gente sobre a importância de uma nova geração de escritores Eu quero convidar para nossa conversa que o premiado autor do livro que chama rastro de resistência Alessandro Alê tudo bem vindo Obrigado é importante essa Resistência é importante a gente fortalecer essa então nossa luta de apresentar e publicizar o negro na sua interesse sim eu tava aqui emocionado até com a fala do cute sobre o quanto a literatura negra não é apenas sobre o Brasil Porque nega-se que o Brasil seja essa tem essa identidade Negra né então
quando a gente fala cara literatura negra não é apenas sobre nós é sobre todo o nosso país é sobre como nosso país destruiu a gente começa a entender a potencialidade dela eu por exemplo eu fui eu cresci consumindo muita narrativa pop Branca super-heróis ficção científica E aí de repente a gente começa a pensar e se eu puder fazer o processo inverso eu quero que as pessoas também conheçam as figuras negras também se relacionam com elas também tenham sentimentos sobre todas as nossas vivências E aí a gente chega numa questão que é de nos humanizar e
realmente tornar nossa presença e os nossos assuntos assuntos humanos iguais assuntos que a gente possa que possa ajudar a constituir o Imaginário sobre o que é o nosso país então a gente está falando de Imaginário atualmente culturaista o ficção e a imaginação futurista ela já estava presente como ferramentas de sobrevivência da arte da cultura negra que toda vez que teve que ser roubado da África trazendo para o Brasil tinha que se reconfigurar reconstruir construir novos signos isso para foi muito a questão da ficção científica quando eu criei essa percepção eu falei caramba posso construir uma
ficção científica com as minhas questões eu posso inclusive colocar o samba na minha ficção científica o rap o Hip Hop todas essas manifestações que são o desuso padrão das tecnologias a partir da experiência de vida Negra Maravilha ali então eu quero desejar muita sorte na construção desse futuro Imaginário que cai bom todos cumprimentá-lo né por essa obra maravilhosa né leve essa voz para todo o seu entorno pros meninos para as meninas são sem encorajadas e volte mais vezes para conversar conosco Vai ser um prazer obrigado mesmo aí por essa possibilidade de oportunidade maravilhosa agora Elisandra
o Alê Então tá fazendo essa provocação Ele tá dizendo que é possível construir o futuro lá na frente não é para que ele seja do tamanho do jeito que a gente queira você acha que também a literatura feminina Negra pode ajudar a construir esse Imaginário do Futuro onde as mulheres negras já se vêem né pertencentes a se veem igualizada já se vê em plenas e Poderosas então quando eu penso né nessa literatura do Futuro né em que todos e todas né estamos incluídos né E possamos ser quem a gente quiser ser é vislumbrar um mundo
sem racismo né que eu acho que a gente fica tanto eu tenho muita preocupação de que o racismo não seja o principal protagonista da minhas histórias e agora curte você já antecipou esse futuro lá em 78 né quando você primeiramente criou os cadernos negros quando você ajudou e criou o movimento que lombo hoje né lá naquele tempo passado para preparar o futuro que nós chegamos hoje até para falar sobre ele tava mais difícil no passado tá mais difícil construir futuro isso é tudo muito relativo né você lembrou que 78 Nós estávamos em plena ditadura militar
então é um contexto bastante desafiador mas lá nós que estávamos de 78 no cecan criando o caderno os negros nós começavamos a enxergar a Elisandra estava lá com a gente no nosso Imaginário por isso que já no caderno os negros número 1 a gente já anuncia no final o caderno negro número 2 ou seja nós estávamos tendo já aquilo que nós aprendemos ousadia no tempo essa ousadia no tempo é que nos garante que este presente já é o futuro vocês viram que para fazer mudança para fazer transformação é preciso antecipar o futuro é necessário não
esquecer o passado mas precisa também de ousadia é de luta de coragem de perseverança no próximo bloco nós vamos saber mais como o cenário da literatura tem se desenvol vido ao longo dos anos a gente volta já já [Música] já estamos de volta com o nosso programa negros em Foco hoje o nosso tema é palavras e saberes através da literatura negra comigo aqui o estúdio escritor mestre Literatura e dramaturgo Cut e a escritora poeta e jornalista Lisandra Souza a gente tem aquela máxima né o ensinamento do Mandela que ninguém nasceu odiando né E que as
pessoas para odiar precisam ser ensinadas e que por conta disso elas também podem ser ensinadas a amar que é mais ou menos o que o cute está dizendo Olha nós temos uma construção literária em que essa agressão essa utilização racista não só está presente Como se reproduz como é então que a gente pode usar esse amor né pra gente tirar esses resquícios é que ainda estão dentro da literatura na atualidade construir esse Imaginário onde caibam todos ouço vozes aqui dentro vozeria gritaria identidades diversas o avesso do meu eu colcha do retalho do nós ancestralidade plana
para acendermos a chama eu acho que a gente já tem um material muito significativo né eu tinha mencionado sobre uma linha do tempo que a gente construiu enquanto coletivo que é pedir na benção as escrituras que vieram antes aproveito né deveria ter feito isso no começo para pedir a benção de vocês né porque são homens negros homens negros Pioneiros né que fazem parte dessa construção de mudança de sociedade né O que a gente vem fazendo enquanto o povo não é pouca coisa né O que a gente vê em sobrevivendo né mesmo eu vivi essa fase
escolar né a escola não mudou tanto assim mas a gente já tem pessoas nossas dando aula e dizendo que a gente tem que ler autores como nós né aliás uma são muito importante dessa questão né a não presença a ausência e ainda é a pouca abrangência dessa literatura dessa obra desses escritores negros os dados mostram que a predominância nessa área é de homens brancos com ensino superior e que mais da metade mora nesse eixo é Rio São Paulo Então eu vou te convidar para você ver um pouco mais os dados sobre a presença dos negros
nesse ambiente literário vamos lá de acordo com a pesquisa realizada pelo grupo de estudos de literatura contemporânea da Universidade de Brasília entre 2004 e 2014 apenas dois e meio por cento dos autores publicados não eram brancos quando se trata de personagens literários apenas 6,9% do sujeitos retratados eram negros em apenas 4,5% das histórias eles apareceram como protagonistas a pesquisa ainda diz que há cinco principais ocupações dos personagens negros nas obras analisadas eram bandido empregado doméstico escravo profissional do sexo e dona de casa passa régua fechou tudo como diz na gíria porque tá aí um dos
grandes motivadores desse estado eliminatório que a gente fala e você repara que isso daí é uma limitação da nossa humanidade Porque nós não somos só favelados Nós não somos só ladrões Nós não fomos só escravos e em outras coisas eu por exemplo tenho me preocupado muito com aquele personagem que dá certo tem gente que não morre no final que não vai preso no final entende quer dizer porque porque este personagem ele existe na realidade eu tô preocupado também com aquele personagem que é um profissional liberal porque o Imaginário racista impede impede inclusive que pessoas negras
construam essas outras possibilidades que são reais quer dizer nem todo negro dá errado na vida a maioria dá certo Quer dizer por que que nós temos que ficar fixos naqueles negros que só dão errado que são presos no final que são mortos que são assassinados por que que a gente não constrói esse outro Imaginário dá para você mostrar aí essa literatura transformadora que você tá fazendo Esse é o meu livro mais recente que é quem pode acalmar e ser demônio de ser mulher preta é um livro bilíngue português inglês porque a gente quer o mundo
né e eu quero falar um poema que é o poema aqui da titula o livro redemoinhos quem pode prender essa ventania que mora em mim essa fertilidade de espalhar boas sementes de unir elementos contraditórios dentro de si tempo que se fecha sem chover poeiras do meu invisível sabe quando o mar desfaz a escrita na areia sabe quando o dia vai virando noite e tudo se torna mistério tem dias que a loucura mescla com a solidão e eu me vi várias vezes vagando Sem Destino Certo eu tenho medo de que não se lembrem nossos passos vem
de longe e precisamos prosseguir quem pode acalmar esse redemoinho se mulher preta que maravilha Parabéns maravilhoso agora eu sei curte que você também tá tentando descobrir quem pode a mar o redemoinho de ser um homem negro e de ser um negro no nosso país há muito tempo mostra pra gente aí algumas das suas obras amorosas esses aqui são os meus últimos livros né um livro de poemas e um livro de contos Aqui nós temos o livro de poemas que eu gosto muito também e aqui um livro de peças de teatro São duas peças de teatro
uma delas tenho medo de monólogo que eu compus essa peça com a atriz Vera López e aqui eu trouxe também para mostrar o caderno os negros número 44 este ano de 2023 nós estamos indo para o 45 Então vamos comemorar 45 anos de edição ininterrupta dois cadernos negros a resistência na literatura ela é interna ou seja o próprio texto é um dado de resistência eu trago aqui um poema chamado persistência eu não vou ler ele todo porque ele é longo vou ler apenas alguns trechos pode ter barulho a pampa supimpa o poema Sobe e Desce
a rampa na mais fina estampa de metáfora e metáfora espontâneo dança pode ter rancor e mágoa no meio dessa estrada o poema passa pelos vãos da pedra que só ele enxerga e alarga e vamos para o final pode qualquer poder decretar o fim da linguagem Negra Que persiste impressa do lado oposto da farsa o poema es Garça Norma decreto lei e teoria de supremacia de raça de povo escolhido ou qualquer outra desgraça de novo Parabéns de fato eu já vou ficar com esse livro para mim não quero nem saber eu preciso ler mais sobre isso
Aliás a escritora e professora Luana Tolentino tem usado a literatura para dar voz né a sua luta contra o racismo nós fomos acompanhar o lançamento do seu novo livro Sobrevivendo ao racismo e saber mais sobre a sua trajetória vamos acompanhar [Música] acredito que o papel da Luana sobre a literatura brasileira é justamente abrir caminhos e mais repertório ela tem uma forma de escrita muito sofisticada e muito sensível então ela nos ajuda a compreender essa grande questão no Brasil que é o racismo com a Luana é uma mulher preta guerreira e nos representa principalmente na literatura
[Música] sem escritora Na verdade é um sonho infantil um sonho que eu consegui realizar não tenho como retribuir não tenho como devolver a generosidade você essa estarem aqui nessa noite gelada de São Paulo a escrita entrou na minha vida muito cedo muito em função do meu pai um leitor voraz Inclusive eu falo disso na apresentação do livro né eu tive a sorte de crescer em lá permeado por Livros além de professora a escritora sou ativista da luta antirracista também com advento da internet a partir do momento que eu comecei a publicar texto nas redes sociais
em sites de notícia e comecei a ver repercussão desses textos então eu percebi que o caminho era esse que a escrita também poderia ser uma forma um instrumento de combate ao racismo ao rememorar tudo isso sinto uma tristeza imensa fico me perguntando em que momento as crianças aprenda em que para nos humilhar nos ofender para aferir nossa alma elas devem nos chamar de macacos nesse livro eu trago uma série de cartas que eu escrevi para pessoas anônimas e outras famosas também outras mais conhecidas do sentido de por meio de uma escrita afetiva apontar Como que
o racismo se dá no cotidiano de nós negros Então eu fico assim sonhando muito desejosa de que esse livro de fato contribua para sensibilização e a tomada de consciência da sociedade brasileira é quanto a necessidade urgente de enfrentar e combater o racismo nesse país [Aplausos] [Música] [Aplausos] gostava de pão para ela também daqui agora que maravilha né a gente vê mais uma escritora mais um livro mais Literatura e uma mulher né Cheio de energia acreditando na potência né de construir novos imaginar agora Curte ela de novo vem numa questão importante Ela tá dizendo Olha esse
estímulo esse entusiasmo começou em casa com os meus pais e com acesso que eu tive aos livros e a grande maioria dos brasileiros sobretudo dos jovens negros brasileiros não tem eventualmente esse estilo em casa e não tem o acesso como é que a gente consegue por conta de um conjunto de Agentes né que fazem com que a literatura chegue nas pessoas Você tem o professor Você tem o jornalista Você tem o editor você tem enfim n pessoas em volta trabalhando para que essa literatura Vai em frente e nós estamos melhorando Nesse sentido porque um dos
grandes problemas Como eu disse anteriormente é que o racismo ele não nos atravessa ele nos habita então o que que o racista dessa área da área da literatura Qual é a postura dele com relação aos nossos textos é essa eu não li e não gostei não li não vi não gostei não li e não gostei Então olha o livro é uma arma poderosa né uma alma revolucionária ele é uma tecnologia em si mesmo e que ele precisa ser então um objeto de valor que nem a gente disponibilize para os nossos filhos em casa que disponibilize
para nós mesmos né que a gente disponibilize para toda a sociedade que a gente continue acreditando e insistindo né que construiu o futuro pode ser feito através da nossa Atena das nossas ideias dos nossos sentimentos Quero Agradecer demais curte a sua gentileza da sua presença sempre brilhante cumprimentar por essa trajetória Fabulosa e desejar que você continue escrevendo muito mais eu agradeço também que o seu convite da mesma maneira continue aí né conquistando os leitores as leitoras construindo essas obras maravilhosas e por enquanto obrigado pela gentileza da sua presença eu agradeço abraço a todos até o
próximo programa negros em Foco [Aplausos] [Música]