Sejam muito bem-vindos de volta às nossas aulas desse módulo aqui do Centro de Pós-Graduação Under Jumper sobre a ascensão e o triunfo do self moderno. Nós estamos ainda percorrendo o primeiro capítulo da obra. Ah, é um capítulo muito rico, estabelecendo muitos autores importantes e na aula de hoje a gente vai falar um pouco sobre o homem psicológico, ah, que resume um pouco das contribuições de um dos intérpretes da contemporaneidade usado pelo Carl Truman, que é o Philip Riff.
Eu quero mostrar como que ele contribui na compreensão de cultura e do individualismo expressivo, que são marcas constituintes da do período em que nós vivemos. Eh, nós vamos ainda nos alicerçar na as contribuições que o C Truman traz para a leitura do do Philip Riff, que é uma obra muito grande e e que o Truman recorta pros nossos interesses aqui. E eu gostaria de colocar a questão que ele aborda nesse nesse trecho do primeiro capítulo, ah, da seguinte maneira: qual que é o problema, né?
A a pergunta que a gente sempre faz aqui é: "Qual é a questão que o autor está envolvido quando escreveu o que escreveu? " a gente nunca pode partir eh que um autor tá assim pensando num vácuo, não está respondendo questões. E a pergunta fundamental aqui nesse trecho é: como que o ser humano passou a considerar identidade humana ah enraizada numa interioridade psicológica subjetiva?
E para que a afirmação dessa identidade, sobretudo a identidade sexual, demanda reconhecimento público. Então tem duas dimensões aqui. Primeiro é como como o ocidente, a cultura ocidental passou a considerar a identidade humana enraizada não na tradição, não em Deus, não na pól, não na economia, no trabalho, mas hoje numa interioridade psicológica subjetiva.
Veja que em períodos diferentes a identidade do ser humano era encontrada, enraizada eh em lugares distintos. E por que que essa nessa transformação, nessa busca de encontrar a interioridade humana numa interioridade eh subjetiva, isso além disso demanda reconhecimento público. O Truman vai investigar as transformações culturais e institucionais que deslocaram o eixo de formação do self de uma conformidade externa, ou seja, de Deus, da tradição, da pól, da economia.
era tudo externo, com uma ordem muito objetiva para uma expressão interna de desejos subjetivos, explicando porque que a a dissidência de certos comportamentos é considerada uma agressão à própria pessoa. Isso é uma transformação muito grande. Isso explica o problema que a gente tá tratando aqui desde o começo e essa é a questão que o Trum tá lidando.
Então, o objetivo que eu tenho com essa aula é descrever por meio da análise cultural do Philip Riff, como o homem psicológico se tornou o tipo normativo de pessoa de um ocidente moderno. Isso que a gente tá chamando de encontrar a identidade numa interioridade subjetiva, ao contrário das exterioridades bem objetivas, é o que o Philip Reif vai chamar de homem psicológico, que é o que é característico hoje, é o que é normativo hoje na na para entender a pessoa no Ocidente moderno. O Truman, ele vai fazer uma genealogia cultural que levou à centralidade das categorias terapêuticas, interiorização da identidade, psicologização das instituições, transformação e reconhecimento público como elementos constitutivos da identidade.
Então, todos esses elementos aí, o o Philip Riff, que talvez seja um dos autores mais importantes pro trabalho do Carl Truman, ele vai eh mostrar como que hoje a gente não conseguiria entender os processos culturais que nós estamos enfrentando ah de transformação do self e que muitas vezes estão na igreja já por meio da centralidade dessas categorias. Então o capítulo ele é adequado para compreender porque que a identidade pessoal e especialmente a identidade sexual passou a exigir validação pública institucional. E porque que tal exigência se tornou uma espécie de política inegociável?
Organiza as nossas políticas públicas, organiza os nossos planos políticos pedagógicos. E por que isso aconteceu mesmo mesmo quando isso é uma resistência? Ah, veja uma coisa, nós, enquanto eu tô gravando esse curso, a o Donald Trump tá no seu segundo mandato presidencial nos Estados Unidos e ele tá assim marcando o território, eh, reagindo a essas políticas.
Então, mesmo quando é um processo de reação, é reação no interior dessas categorias terapêuticas, interiorização da identidade, psicologização das instituições, reagindo a isso, eh, abrindo mão disso, mas ainda assim é a discussão política contemporânea muito central num das potências mundiais, que é os Estados Unidos. Eu fiz uma uma organização desse trecho do capítulo, ainda estamos no capítulo um. A minha edição é a primeira edição da obra do Truman e lembrem-se, né, uma página para trás, uma página paraa frente, se no seu fichamento, ah, você pode acompanhar muito bem.
como é que ele começa essa argumentação ali, por volta da página 42, eh, ele recupera a o o conceito que ele trabalhou nas páginas anteriores ah do Charles Taylor de Poieses e mimeses. Ele mostra como que a gente saiu de uma de uma de um olhar pra realidade mimético e estamos num olhar da realidade poético e e que é de autoconstrução. e como que o mundo técnico, a, a viver numa era tecnológica, estimula o imaginário poético e a autoconstrução da identidade.
Eh, então isso colaborou para dar lugar a essa busca e identificação ah da nossa identidade na interioridade, porque nós estamos nos criando. Ele se vale de um autor agora que depois ele vai ter um capítulo específico para isso, mas ele já mostra como que o Niet torna-se intuitivamente plausível. Por quê?
Porque a filosofia dele tá o tempo todo falando que nós criamos significado e não descobrimos significado. Pro Niet não tem um significado para ser descoberto ah pelo criador, pela natureza, por uma estrutura rígida. Para ele não existe isso.
O o Niet é um é uma espécie de um de um vitalista e historicista. Então ele tá afirmando a vida, por isso vitalista, ele tá afirmando a vida por meio de construções, por de significado, de criação de autosignificado na história, circunscritos à história. E aí então depois dele fazer essa breve introdução, ele apresenta o Philip Riff como um dos principais intérpretes do contemporâneo para mostrar sobre o declínio da cultura e como forma de exteriorização.
Então, a as culturas eh pro Philipe Reif, que é um grande intérprete de Freud. E vocês vão ver que o Crman vai gastar um bom tempo falando sobre Freud, porque talvez seja um dos autores mais importantes para lidar com as questões da do triunfo, da ascensão e do self terapeutizado. E aí o Philip Reif, ele tem uma noção de cultura que é muito alicerçada no trabalho do Freud.
Cultura pro Felipe Reif é definido por proibição, proibição e mantido por instituições que formam indivíduo. Então, cultura tem a ver com tabu. Isso aí tá no Freud.
A cultura diz respeito àquilo que é proibido e que forma então as instituições, as dinâmicas próprias daquela cultura e elas então vão formar o indivíduo. E a liquidez moderna, ela vai dissolvendo a função institucional e formativa, ficando só com os com os tabus e com as proibições. E aí diante disso, então ele tem uma teoria a respeito da cultura, ele vai fazer então uma leitura histórica, retroativa da cultura e ele vai chegar quatro tipos, quatro ideais de selfie, quatro ideais de personalidade, de identidade ao longo do tempo.
Ele vai falar do homem político, eh, que cobriria esse período da Grécia, Roma, clássica, e que tem a sua identidade na política. Ele vai falar do homem religioso que cobriria esse período da da Idade Média e que encontra na transcendência, em Deus, na tradição a sua identidade, o Homem Econômicos, que que é o é o homem moderno da revolução industrial, que encontra no trabalho a sua identidade, e o homem psicológico, que é justamente o homem contemporâneo. É muito interessante, algumas pessoas são críticas a esse trabalho do Philip Ref, porque assim, eh, de fato são modelos, né, muito amplos, longas linearidades cobrindo períodos muito grandes.
Os historiadores não gostam disso porque, óbvio, eh, acaba não cobrindo detalhes importantes do período da história. Mas tem muita ressonância com outros autores. Por exemplo, o Michel Foucault, ele vai falar sobre o homem econômicos também.
É uma é uma categoria muito importante do pensamento do Fouc dizer quem nós somos. esse homem de consumo, esse homem que lida com todas as coisas, com Deus, com as pessoas, com o trabalho a partir do consumo. Só que de fato o Philip Ref avança e vai dizer: "Olha, nós não somos só homem homens econômicos, nós somos homens eh psicológicos".
Eh, há uma há uma uma grande frase do Philip Ref no seu livro Triunfo da Terapêutica, é onde ele vai dizer que o homem religioso ele precisa ser salvo. O homem psicológico ele veio para ser terapeutizado. É exatamente esse o tempo que a gente vive, inclusive dentro da igreja, inclusive dentro da religião.
a a mensagem de redenção, o aconselhamento que precisava ser redentivo, foram todas substituídas por programações, aconselhamentos e que são terapêuticos, que visam agradar o self contemporâneo ao invés de redimi-lo. E isso é uma mudança muito aguda, principalmente para nós eh homens religiosos. Ele continua sua argumentação falando que a da relação entre homem psicológico, essa categoria que ele tá falando, e individualismo expressivo.
O que que significa? É que a identidade na modernidade ela é ela é subjetiva, né? Ela é encontrada na interioridade, mas ela é voltada para uma expressão exterior.
Ou seja, a expressão da minha interioridade e o self que ele é um individualismo, ele é autocentrado, ele encontra dentro de si, mas ele é expressivo. Não se trata, veja do do movimento contrário, não se trata de a o externo me moldar, me formar, me conformar. Trata-se do interno, expressar-se externamente.
E tudo aquilo que não encaixa ou que impede ou que acaba minando a minha expressão individualista, precisa ser rejeitado porque é tóxico, porque não me permite florescer, porque não me permite ser quem eu sou. Não é exatamente isso que a gente escuta do adolescente que diz que a família dele não permite ser quem ele é. as políticas de identidade que vão dizer que a igreja, a escola, o estado são instituições tóxicas que não deixam as pessoas se expressarem.
Então tudo em tudo isso o que que a gente tem? Individualismo expressivo do homem psicológico. Então o papel das instituições da das das formadoras de uma sociedade externas ao próprio indivíduo, a igreja, a escola, o estado, hospital, eh tudo é invertido.
Elas não formam mais. O que que elas fazem? Elas legitimam performance.
É por isso que há uma crítica muito grande, né? Foucault e a crítica da história, Foucault e a crítica do hospital, por exemplo. Em tudo isso, o que que a gente tem?
A gente tem uma crítica às instituições que sempre foram ah formativas ah pro pro ser humano dentro de de todas as culturas. E agora o que que a gente tem? a gente tem uma inversão radical, nunca vista antes, eh, na história, que é a as instituições deixam de nos formar e passam a ser apenas instrumentos legitimadores das nossas performances, como mulher, como homem, como médico, como professor, como aluno, como pai, como mãe e assim por diante.
E aí então o Philip Ref passa pra sua concepção de de cultura, porque ele vai mostrar que a terapia ela deixa de socializar a pessoa e passa a proteger o indivíduo da comunidade. Isso aqui é um ponto muito importante, porque muitas vezes a gente vai ficar aqui criticando a terapia, né, falando o triunfo do terapêutico. E às vezes tem terapeutas aí nos escutando, tem psicólogos, psiquiatras, ah, até psicanalistas nos escutando e pensando assim: "Tá, mas aí tá tudo errado assim, a gente não, a gente não contribui nada, é um tipo de ciência que não tem nada a contribuir, não é?
" Porque houve uma mudança muito grande que o Philip Reff, que é um estudioso do Freud, conseguiu observar que a terapia a até então, até a contemporaneidade, ela tinha um caráter muito ah específico, que era lidar com indivíduos que estavam por algum motivo, um trauma, uma história particular ou ou alguma questão ah biológica que precisavam ser ressocializados, ou seja, precisavam ser colocados de novo dentro de uma ordem maior, uma ordem social, uma ordem criacional. E a terapia iria ajudá-los a isso, ajudar a lidar com seus traumas, a lidar com a sua história, a lidar com a essas questões para que ele volte a se encaixar, para que ele volte a funcionar dentro da sociedade ah como as outras pessoas. Há uma inversão da terapia quando a gente passa.
Por quê? Porque nessa concepção que eu mencionei clássica de terapia, o que que tá pressuposto? tá pressuposto uma ordem que eu me encaixo, tá pressuposto a um ordenamento, seja ele criacional ou ou meramente político, mas eu eu me encaixo nesse ordenamento.
Então, a regra é externa. A terapia muda quando a regra passa ser interna e eu então as instituições elas só legitimam minhas as minhas performance. Então, a terapia não diz respeito mais a me ajudar a ressignificar a minha história, meus traumas para eu poder voltar a me encaixar.
Mas a terapia visa me proteger, me adular, me me confortar. E aí então a gente tem eh nessa inversão para proteger o o indivíduo da comunidade uma crítica absurda, uma anticultura, uma vez que cultura diz justamente a tabus que o indivíduo aprende, que ele não pode fazer e ele deve se encaixar. E aí, então, a gente passa a uma prática cultural em que as instituições que deveriam apresentar normativas e deveriam apresentar proibições passam a apenas legitimar aquilo que eu encontro dentro da minha interioridade.
O Philip Reif vai dizer, a gente não tá numa numa cultura, a gente tá numa anticultura. A gente tá dentro de um processo que vai arrebentar com todas as instituições, com todos os processos formativos da cultura ocidental, que são antigos, que possibilitam toda a nossa existência e que simplesmente vão ser solapados, porque eu agora tenho um outro critério que ele simplesmente ele é incompatível com esse tipo de de processo. Então, o compromisso externo é substituído por validade interior.
Instituições viram plataformas de expressão. Então, a escola, o professor, ele não pode fazer isso comigo dentro de sala, porque a a escola é um lugar de de eu me de eu florescer enquanto indivíduo. Eu que tenho que digitar o tom.
Grade curricular, imagina uma grade curricular. Isso me isso me isso me limita, lembra de tabu, cultura como tabu? Isso me limita.
Isso aqui é um absurdo. Eu não quero uma grade curricular, uma escola boa é escola que não tem. Ela é construtivista, ela ela me deixa florescer na hora que eu precisar.
Ela ela simplesmente não vai me obrigar a nada. eh igreja com com disciplina, eh obreiros e e e mandando, pastoreando a minha vida. O Foua era era muito crítico ao governo pastoral.
Por quê? Porque elas não me permitem ser quem eu sou, não são plataformas de expressão. A universidade vai trazer um palestrante aqui que vai apresentar uma visão contrária minha de jeito nenhum.
Isso vai me colocar em perigo. Isso é tóxico. Isso isso não permite que eu floresça como indivíduo.
Veja, é uma, isso é possível de ser explicado. Não é só um chilique ah de um aluno de uma escola eh primária ou ou de do ensino superior. é um processo histórico, intelectual muito objetivo de uma inversão, de uma concepção de terapia que que visava ressocializar o indivíduo e recolocá-lo dentro de uma ordem maior do que ele para uma mudança em que o indivíduo é o critério para julgar e legitimar as exterioridades, as instituições e toda a ordem ao seu redor.
E aí então fica muito mais fácil porque a as minhas identidades precisam de reconhecimento público? Porque que eu preciso de uma politização da minha identidade? Porque principalmente as identidades sexuais, elas exigem legitimação pública porque elas estão ligadas à estrutura do selfie.
Não basta. Já viram aquilo. Às vezes as pessoas perguntam assim: "Tá bom, por que que a pessoa não pode simplesmente ter os seus comportamentos sexuais alternativos a internos a dentro da das quatro paredes?
Por que que precisa virar uma causa política? Não é, as pessoas não querem só isso. As pessoas querem legitimar politicamente a as suas identidades, seja ela quais forem.
Por quê? Porque se trata justamente de um individualismo expressivo. Não pode ser um individualismo não expressivo, que é vivido ah numa interioridade secreta.
Por quê? Porque é ele que avalia as instituições exteriores, é ele que dita o tom daquilo que é legítimo ou não. E isso faz com que seja necessário eu transformar a expressão da minha identidade em luta política.
Então, nem todas as formas de expressão elas são aceitas. E é por isso que o reconhecimento eh político ele permanece seletivo. Calurman vai lembrar dos pedófilos, a gente pode lembrar dos necrófilos, uma série de identidades de pessoas que a gente olha assim, fala: "Não é possível a a pedofilia".
assim, isso é isso é um limite, é um tabu cultural. Eh, isso aqui é um é um limite, é um eh lidar com corpos de pessoas mortas. E isso isso é absurdo.
Então, isso é um tabu cultural. Por quê? Porque se é uma sociedade que abriu mão da revelação de Deus, da palavra de Deus, que critérios que ela tem para selecionar isso?
Trata-se apenas de um processo cultural até que a pedofilia seja eh legitimada. A gente não tem critérios para impedir isso. A gente abriu mão da revelação, a gente abriu mão dos parâmetros que são externos ao indivíduo.
Se os parâmetros são só expressão individual, é só uma questão de tempo e de organização de muitos indivíduos querendo se expressar nessa direção para que pedofilia, necrofilia, zoofilia e tantas outras eh organizações ah da interioridade subjetiva de uma pessoa ganhem reconhecimento político e e qualquer a freio nisso, qualquer impedimento, antagonismo a isso, é um tabu, é um tabu cultural que uma hora ou outra pode ser demolido. Eu coloquei aqui para vocês um quadro depois vocês olharem com calma a os tipos de self diferentes aqui na esquerda que o Philip Rip fala, o homem político, o homem religioso, o homem econômico, o homem psicológico. E aí uma descrição principal, a a fonte da identidade e a implicação formativa e a implicação eh teológica.
Então, por exemplo, o homem, vamos pegar aqui o homem político, né, inspirado na pólis grega, a fonte da identidade dele era participação nas discussões públicas. E qual que é a implicação disso? é que a formação dele enquanto indivíduo depende da coletividade da ordem pública.
Então, eh, se era homem maior de 21 anos, livre, então ele ele poderia ter uma identidade. Agora, se era mulher, se era escravo, se era menor de idade, ele simplesmente não existia. O homem religioso, por exemplo, ah, cobriria esse período da da do medievo.
A a identidade dele é concebida pelos rituais e símbolos da fé. Então, qual que é a fonte da identidade dele? igreja, liturgia, peregrinação, calendário sagrado, eh a Bíblia, a palavra de Deus.
E e qual que é a implicação disso? A alma é moldada pela tradição. A alma é moldada pelo que Deus quer de mim.
Eh, eu eu se eu estou construindo quem eu sou numa direção contrária ao criador, eu preciso de arrependimento. O homem econômico é é da modernidade industrial, então a fonte da identidade dele é o trabalho, o comércio, é uma função econômica. E aí a implicação disso é que toda a ética do dever sobrepõe do desejo.
Valor é utilitário, é externo, eh eh serve enquanto dá lucro, se dá prejuízo, precisa ser substituído. E como é que é o tempo que nós vivemos do homem psicológico? A identidade é construída internamente, como nós vimos, eh da introspecção, da autenticidade subjetiva, da autoanálise, do mergulho dentro de si.
Já viu aquele povo que fala assim: "Ai, vou fazer uma viagem agora que eu tô precisando e compreender quem eu sou. Eu preciso de um processo assim para saber quem eu sou no mergulho interior. E qual que é a implicação disso?
Esse eu interior exige validação. Ele exige validação pública. Porque ele, eu tô me expressando, eu não posso só me expressar.
Se eu se eu vou me expressar, eu quero que as pessoas validem a minha expressão. Caso contrário é tóxico, caso contrário é violento, caso contrário é é uma instituição que tá me privando de ser quem eu sou. E aí então as instituições públicas viram palco de afirmação pessoal e todo tipo de guerras intestinas que a gente tem na universidade, na escola, no hospital, na igreja e por aí vai.
Eu separei uma citação que tá ali na página 49, que eu acho que é muito significativa para nós, onde o C Roman diz o seguinte: "No mundo do homem psicológico, entretanto, o compromisso é antes de tudo consigo mesmo e é dirigido para o interior. Assim, a ordem é invertida. As instituições externas tornam-se, com efeito, servas do indivíduo e de sua sensação de bem-estar interior.
Na verdade, devo insistir mais nesse ponto. As instituições deixam de ser locais de formação dos indivíduos por meio de sua educação nas várias práticas e disciplinas que lhes permitem ocupar o seu lugar na sociedade. Em vez disso, elas se tornam locais de atuação, onde o indivíduo pode ser o seu selfie autêntico, precisamente porque são capazes de dar expressão a que eles são internamente.
Então, todas as transformações que a gente tem terapêuticas e afetivas, veja, a escrita afetiva, a culinária afetiva, educação afetiva, ah, tudo isso diz respeito ao quê? a transformar instituições que outrora moldavam o comportamento do ser humano em instituições que agora validam a expressão da sua individualidade. Então, por exemplo, a universidade deixa de ser um local onde a gente se inscreve e e vai ser transformado, quer ser transformado para se tornar um lugar de plataforma da minha performance identitária para eu ser quem eu já sou.
Então, não tenho nada para aprender. Eu só tenho, eu só tenho espaço para reforçar aquilo que eu quero. Eu só leio autores, eu só assisto aula, eu só acompanho professores que vão reforçar as minhas compreensões identitárias.
Eu não tenho nenhum tipo de espaço para transformação, para arrependimento, para mudança, para conversão. Isso vale pra igreja. O que que é uma igreja boa?
Aonde eu me senti bem? onde eu não me senti acusado, não me senti acuado, aonde as pessoas afagaram o meu ego. Tudo isso são dinâmicas próprias do homem psicológico, do triunfo, da terapêutica e de como a gente tá numa anticultura.
Então, a gente não pode sair daqui dessa aula sem alguns conceitos fundamentais que eu gostaria de deixar para vocês. Primeiro é homem psicológico, que é um tipo caracterizado pela busca interior paraa felicidade psicológica pessoal e em contraste com os tipos anteriores voltados pro exterior. Então, qual que é o objetivo do ser humano ocidental contemporâneo?
Felicidade psicológica é tranquilidade, segurança psicológica. Já viram isso? Ah, não.
Essa universidade aqui é um espaço seguro para você ser quem você é. a cultura, segundo o reif, né, que é um outro nome para um conjunto concebido de motivos que direcionam o self para fora em direção a aqueles propósitos comuns somente nos quais os selfes podem ser efetivados eh e satisfeitos. Eh, outrora foi a a pól grega ou ou a República Romana.
Ah, depois a Igreja por toda a Idade Média, a indústria na modernidade e agora o próprio eu. Terapia na visão clássica e na sua reversão. Então, é importante eh ver isso.
Muitas vezes, deixa eu fazer uma aplicação aqui. Muitas vezes nós que temos uma abordagem do aconselhamento bíblico, somos conselheiros bíblicos, que acreditamos na suficiência da palavra de Deus em ah alcançar o o único instrumento para alcançar o coração humano e encontrar eh redenção. A gente enfrenta às vezes muitas muitos obstáculos contra uma noção de terapia que é sua reversão, que não é a visão clássica.
a visão clássica estaria a a nosso favor, estaria um em um trabalho de cobeligerância com com conselheiros bíblicos. Agora, o grande problema é a visão revertida dela. A terapia era comprometida com um paciente com o sistema de símbolos da comunidade que ajudaria ele nisso, mas agora ela busca proteger o indivíduo da sociedade que o oprime.
E aí a Bíblia oprime, o pastor oprime, a igreja oprime, o hospital oprime, a escola oprime, a família oprime, o casamento oprime. Então a gente tem que tomar muito cuidado com isso, porque outrora a terapia nos ajudava a ressignificar, enquanto que o aconselhamento bíblico ele é redentivo. O homem religioso precisa ser salvo.
o homem psicológico quer ser agradado. E por fim, individualismo expressivo pr dos conceitos pra gente entender o tempo que nós vivemos. Esse é um dos mais importantes, é a compreensão da vida de cada um que tem a sua própria maneira de efetivar a sua humanidade contra o conformismo imposto de fora.
Isso é meia muito adolescente, não é? a a pessoa assim eh contra todas as instituições, eh, formativas que vão me enquadrar, que vão me deixar o meu pensamento quadrado. Eu quero assim manter uma fluidez, eu quero manter uma uma individualidade assim resguardada.
Esse é muito típico do romantismo, a gente vai ver as raízes disso depois, mas que hoje encontra assim a sua maisficial e também mais ampla eh expressão contemporânea. Eu queria terminar fazendo algumas aplicações. Eu sei que eu não resisto e eu faço algumas aplicações ao longo do caminho, mas eu deixei três pro final, aonde a gente pode dizer o seguinte: primeiro, a gente tem que discernir e essa lógica do discipulado terapêutico disfarçado de ministério.
Isso é muito comum hoje em dia. pastores, líderes de igreja, eles precisam reconhecer quanto que o aconselhamento, a pregação e a prática pastoral, os programas da igreja, eh, reproduz uma lógica moderna de validar sentimentos e em vez de formar o caráter, a luz da palavra de Deus, da igreja de fato confrontar o pecado, confrontar a pessoa e ela encontrar ali eh não uma plataforma para ela ser quem ela é, mas para ela para ela mudar e para ela se conformar em quem Cristo é. A igreja não é uma plataforma de expressão, ela é um corpo que forma, ela é uma instituição formativa.
Sempre foi, sempre será e apenas na nossa época que ela tornou-se essa validadora de sentimentos e de afeições individualistas. Segundo, a gente tem que reestruturar as nossas instituições eclesiásticas como lugar de formação e não como lugar de performance. É uma implicação da primeira eh aplicação.
Por quê? Porque pastores e líderes, eles devem resistir a uma pressão cultural muito dominante que transforma a igreja num espaço de autoexpressão e e para afirmar ministérios, cultos, comunidades que existem para conformar o indivíduo como imagem de Cristo e não para a pessoa se sentir bem, ela avaliar um culto, avaliar um pequeno grupo, avaliar uma aula na escola dominical como ah me deixou assim seguro, me senti quem eu era, tive espaço ali de abertura para compartilhar. É claro que tem que ter esse espaço, mas pra gente encontrar transformação, pra gente ouvir o que a palavra de Deus tem a dizer para nós.
E em terceiro lugar confrontar a a centralidade da interioridade na na espiritualidade evangélica. A espiritualidade evangélica é marcadamente autocentrada. Ela é marcadamente centrada em si mesma.
Muitos fiéis confundem autenticidade com espontaneidade emocional e subjetiva. A formação espiritual reformada, ela exige que a verdade externa, a palavra de Deus, o sacramento, o corpo de Cristo, reforme o interior e não o interior valide a verdade. Você vê isso nos cinemas, já viu que todo toda vez que a gente tem um filme é é chato já, inclusive isso, é é o problema é sempre exterior.
O herói ou o antiherói, a a o inimigo, ele ele se transforma, o vilão, né? Ele se transforma em alguém por causa de alguma coisa exterior a ele. O problema nunca é interior.
Então assim, é porque os seus pais morreram, é porque é uma grande catástrofe ambiental e deixou eles com fome e aí toda a narrativa gira como aconteceu alguma coisa externa e aí aquele herói individual e de individualismo expressivo, ele vai conseguir ah melhorar toda a narrativa sendo quem ele é. Isso vai sendo para Moana até eh Madnex e e uma série de outros filmes eh que a gente tem. contemporâneos, assim, é, é um desastre ambiental ou então uma luta eh tribal, os filmes infantis, os filmes de adulto, o que que a gente tem?
A gente tem sempre eh um problema exterior e um indivíduo vai encontrar respostas na sua interioridade para poder resolver aquele problema. A narrativa do cristianismo é exatamente o contrário. O problema é interior e a gente vai conseguir resolver esse problema interior saindo de si mesmo, deixar de estar centrado em si mesmo e olhando para fora.
Não é olhando para fora para qualquer lugar, é olhando para o criador, pra ordenança criacional, pra revelação desse criador na palavra dele. E então a gente pode ter o nosso eu redimido e não meramente terapeutizado.