Tecnologia, um reflexo de nossos tempos. Eficiente... computadorizada. A tecnologia é a imaginação humana convertida em realidade. Visto do espaço, nosso planeta é branco e azul. Uma mistura de continentes e oceanos. É um paraíso. A suavidade do ar, o aroma do sal, o frescor da água. Mas no mundo todo, Entre zero e 16 quilômetros acima do nível do mar, existem 1.400 bilhões de toneladas de CO2 emitidos desde o início da industrialização, aprisionados na atmosfera mais baixa. Nos últimos dois séculos, o progresso tem sido a nossa razão de existir. O progresso nos proporcionou melhores maneiras de viver.
O progresso também nos deu o napalm, os pesticidas, os resíduos radioativos e o aquecimento global. O progresso alterou nosso planeta significativamente a longo prazo. Ele pode ser medido na atmosfera, nas calotas polares e nas camadas de sedimentos. BREAKPOINT: UMA OUTRA HISTÓRIA DO PROGRESSO BASEADO EM "O EVENTO ANTROPOCENO NOSSA HISTÓRIA E DA TERRA" Nos últimos 40 anos, a comunidade científica global intensificou pesquisas e alertas. Para eles, esses fatos concretos são muito reais e consideram nossos tempos uma nova era geológica. Uma mudança na era geológica não é algo que se vê todo dia. Até agora, vivíamos em
uma era que começou 11.700 anos atrás, com o fim da última glaciação. Essa nova era foi discutida em milhares de publicações científicas. Os geólogos da União Internacional de Ciências Geológicas Chegaram a cunhar um nome para ela: O Antropoceno: A Era do Homem. Em essência, não estamos apenas vivendo uma crise ambiental, mas uma revolução geológica causada pela humanidade. Quais são os marcos históricos, as descobertas científicas e tecnológicas e as escolhas políticas e industriais na origem dessa grande mudança? Como acabamos nesta situação? Na época dessas imagens, A humanidade já escavava a terra há séculos para pegar seus
recursos industriais. Os seres humanos começaram a usar combustíveis fósseis que emitem CO2, extraindo carvão da terra em grande escala no início do século 19. Esse tipo de fonte de energia é responsável pela turbulência ambiental em que vivemos hoje. As origens dessa empreitada são encontradas na Inglaterra. No final do século 18, em quase toda a Europa Ocidental, o preço da madeira sobe muito. As florestas são intensamente exploradas, Mas não podem continuar suprindo todas as casas, forjas, oficinas e pequenas indústrias da época. As florestas começam a definhar. A comunidade científica está preocupada. O que podemos fazer com
a escassez de madeira? Como podemos combater o desmatamento e todos os desastres que o acompanham? Erosão, deslizamentos de terra, inundações, mudanças climáticas... A crença predominante da época era que a Terra era criação de Deus, perfeita em todos os aspectos, tornando o desmatamento uma alteração perigosa à Sua criação divina. Nesse contexto, a extração de carvão do solo parece ser um santo remédio. É uma solução ecológica para a crise florestal. Os subsolos fornecerão combustível ilimitado, as fábricas funcionarão com capacidade total e as florestas se regenerarão. Isso foi há duzentos anos, no início da Revolução Industrial. Graças ao
carvão, a revolução já está em andamento e nada a impedirá. Os britânicos investem quantias incríveis de capital em seu desenvolvimento industrial e comercial. Máquinas a vapor, fundições, ferrovias, minas de todos os tipos, usinas a gás para trazer luz às cidades. E o mundo é vasto e abundante. Os britânicos extraem grandes quantidades de material orgânico das colônias: sementes oleaginosas, borracha, guano, goma arábica e madeiras exóticas. Para abastecer as gigantescas fábricas têxteis que impulsionaram a Revolução Industrial, os britânicos precisam de algodão mais do que qualquer outro recurso orgânico. E precisam muito. O mesmo algodão que cresce nas
terras férteis das Américas. O mesmo algodão colhido por suor e sangue. No início do século 20, todo o planeta é um playground para as superpotências europeias, que controlam 85% dele. Intelectuais, juristas, economistas e políticos da Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica e Estados Unidos acham que têm o direito de colonizar outros continentes, pois as pessoas lá desconhecem as próprias riquezas ou não as extraem corretamente. Naquela época, homens brancos, mais esforçados, mais esclarecidos pela ciência, concedem a si mesmos o direito de governar o mundo, Para, supostamente, disponibilizar esses recursos para a humanidade. A história do progresso é uma
história humana com sua perdedores e vencedores. SERVIÇO DE FOSFATO Na escala de tempo geológica, a exploração de carvão o progresso industrial ou a colonização podem parecer menores. A história moderna é apenas um momento muito curto da vida útil da Terra. Se você pensar na linha do tempo do nosso planeta como sendo um dia de 24 horas, a humanidade aparece apenas nos últimos cinco segundos, E o Antropoceno, a Era Industrial, nos últimos dois milissegundos. No século 19, as chaminés das fábricas lançavam fumaça densa, sufocando as cidades da Europa Ocidental. Na virada do século 20, os britânicos
dominaram o mundo graças ao carvão, mas os Estados Unidos iriam interceder como superpotência, contando também com o carbono. Uma nova energia estava prestes a surgir ao lado do carvão do Império Britânico. Hoje, associamos o petróleo aos países do Golfo, Mas o primeiro poço de petróleo foi construído em 1859, na Pensilvânia. A terra americana ainda é a mais perfurada na história do planeta. Assim como as várias corridas pelo ouro no final do século 19, ocorre uma corrida pelo petróleo nos Estados Unidos. O petróleo premiado da Pensilvânia atrai exploradores, aventureiros e empresários. Todos sabem o nome do
primeiro magnata do petróleo e, portanto, o nome de sua linhagem. É uma dinastia de refinarias, empresários e banqueiros. Quando John Davidson Rockefeller se aposenta em 1896, ele é o americano mais rico do mundo. A empresa Standard Oil, que ele fundou há 30 anos, controla a maioria do mercado de petróleo nos Estados Unidos. O petróleo firmará e impulsionará a Revolução Industrial. O novo recurso se espalhará rapidamente por todo o mundo, usado para luz e calor, substituindo o carvão como combustível na produção de cimento e depois concreto, tudo muito útil para a expansão urbana da humanidade. Subprodutos
de petróleo serão usados para produzir tintas, corantes, medicamentos, produtos de beleza, solventes. O petróleo também criará novos mercados para betume e asfalto, e para cera de parafina, que permitirão a produção de goma de mascar, gel de cabelo ou velas. E isso foi antes da Era de Ouro do automóvel. “Que bênção o petróleo foi para a humanidade”, John D. Rockefeller declarou uma vez. Pode ser verdade em termos de progresso e em termos de negócios. O petróleo é uma oportunidade para as classes dominantes desenvolverem seus negócios sem qualquer aborrecimento dos contestadores sociais. Isso permitirá que eles ignorem
os sindicatos da anteriormente poderosa indústria de mineração. Esses sindicatos se desenvolveram na Europa Ocidental e na América ao longo do século 19, E foram capazes de impedir a economia de um país inteiro. Mas com o petróleo, as indústrias têm um recurso fluido, extraído do solo. Por causa de sua viscosidade, os meios de transporte não eram mais necessários. Com um sistema de oleodutos e contêineres, os industrialistas agora podiam ter produção e distribuição flexíveis, rápidas e globais. E tudo com uma força de trabalho limitada. No início do século 20, as refinarias começaram a se comportar como corporações
multinacionais E a explorar novas terras. Da Rússia ao Irã, os pioneiros do petróleo perceberam que controlavam um abundante combustível fóssil que se tornaria um recurso estratégico importante. Essa energia terá um papel importante na história do Antropoceno. Em 1910, a Marinha Britânica, até então a maior e mais avançada força do mundo, para por completo de usar carvão para alimentar seus navios. Ela adota óleo combustível. Ao mesmo tempo, a crescente demanda da Marinha incentiva o desenvolvimento de super fábricas capazes de produzir centenas de milhares de unidades por ano. O apoio do trabalho manual com máquinas mais rápidas
e precisas, leva a um novo desenvolvimento: a produção em massa. Esse sistema sem precedentes beneficiará os fabricantes no setor da aeronáutica e, é claro, no armamentista. Entre 1914 e 1918, dezenas de milhões de homens morrerão em linhas de frente fixas, estáticas, imóveis. Esse tremendo abate trará poder e riqueza a muitos fabricantes. Em todos os lugares, as empresas estão expandindo, Graças aos imensos pedidos dos governos em guerra. É o que acontece com a Ford, nos Estados Unidos, com a Daimler, na Alemanha, a Vauxhall, na Grã-Bretanha, e com a oficina de um inventor do oeste de Paris:
Louis Renault. O jovem constrói seu primeiro automóvel em 1898, aos 21 anos. Ele é autodidata e tem habilidades visionárias. Com seus dois irmãos, Louis Renault cria a Renault Frères, uma das primeiras empresas automobilísticas do mundo. Dezesseis anos depois, o recrutamento é imposto. Louis Renault dirige um império. E a guerra vai torná-lo ainda maior. Enquanto jovens morrem no front, Louis Renault e seus funcionários trabalham incansavelmente. Suas fábricas produzem milhares de caminhões, tratores, cápsulas explosivas, motores e aviões de reconhecimento. Em 1917, Louis Renault constrói o primeiro tanque do exército francês, chamado FT 17. Uma máquina de guerra
tecnicamente muito avançada. Durante os quatro anos da guerra, o faturamento da empresa foi cinco vezes maior. A Renault é apenas um exemplo dentre muitos. A Primeira Guerra Mundial dá um primeiro impulso ao desenvolvimento da indústria automobilística e moderna. As linhas de produção estão em plena capacidade. O taylorismo e as linhas de montagem tornam-se a norma no mundo ocidental. O futuro está em movimento. Do outro lado do Atlântico, as empresas americanas recebem tantos pedidos, que o superávit comercial dos Estados Unidos cresce de 400 milhões para 3,8 bilhões em apenas quatro anos. A guerra aumenta os investimentos
e a produção em estaleiros e na aeronáutica, Bem como em outros campos industriais. E, para tornar tudo isso possível, as decisões em tempo de guerra aceleram a extração de carvão e petróleo e, consequentemente, aumentam as emissões de CO2. Então, isto se tornou um problema atual. A Primeira Guerra Mundial foi terrível para a humanidade, mas extremamente lucrativa para as indústrias. E, além do automóvel, aviação, carvão e petróleo, um novo campo tecnológico se desenvolve: a química. Pólvora, balas e bombas são produzidas em números formidáveis na Europa e nos Estados Unidos. A empresa americana DuPont produz quase metade
das munições exigidas pelas forças aliadas. Em quatro anos, a DuPont cresce como nunca. A empresa da Costa Leste, que tinha 5.000 funcionários, contrata 50 mil. Na Alemanha, o brilhante químico Fritz Haber supervisiona a pesquisa para as necessidades em tempo de guerra de empresas alemãs como BASF, Hoechst e Bayer. Haber é, sem dúvida, o maior químico de seu tempo e país. Ele inventou um novo método de síntese de amônia que será usado abundantemente na agricultura ao longo do século. Porém, nesse exato momento, Haber está particularmente interessado em cloro. Como seu país está em guerra, ele coloca
sua inteligência em benefício da nação. Ele quer produzir o primeiro gás como arma. Na sequência dele, franceses e britânicos também criarão seus próprios gases. A guerra é suja por natureza, mas ela só piora. Longe das trincheiras, outra guerra se aproxima. As empresas químicas americanas olham com inveja a criatividade e o know-how dos químicos alemães. O potencial econômico de mexer com moléculas é uma promessa enorme. Quando os Estados Unidos entram na guerra, o Presidente Wilson cria um escritório de patentes no exterior. Seu papel é apreender todas as patentes do inimigo. Os americanos, literalmente, roubam todas as
patentes alemãs registradas nos Estados Unidos. É assim que a gigante Bayer perde uma de suas invenções mais lucrativas: a aspirina. Uma dádiva de Deus para a Monsanto Company, uma empresa jovem, pouco conhecida na época. A apreensão deveria ser temporária, e as patentes retornariam aos proprietários após o conflito. Mas a oportunidade foi tentadora para os laboratórios americanos, e eles decidiram se fundir em uma nova corporação, a Chemical Foundation, e comprar milhares de patentes alemãs por quase nada. Isso garante o surgimento da indústria química nos EUA, pronta para competir com a Alemanha do pós-guerra. Do outro lado
do Atlântico, os químicos alemães precisam responder. Para compensar a desapropriação de suas patentes, as empresas químicas alemãs se reagrupam em 1925 e se fundem ao grupo IG FARBEN. As empresas químicas alemãs estão prontas para demonstrar seus talentos. A IG Farben rapidamente se torna o maior grupo químico do mundo. Seus laboratórios produzem produtos farmacêuticos, corantes, nylon, plásticos, borracha sintética e pesticidas. Durante todo o século, grandes empresas químicas mantiveram uma relação distorcida com guerra e destruição. A IG Farben produziu o pesticida Zyklon B, usado nas câmaras de gás, e a DuPont produziu o plutônio para o Projeto
Manhattan. Após a invenção de seus primeiros herbicidas, a Monsanto trabalhou com a Down Chemical no Agente Laranja, Usado na Guerra do Vietnã. Focado na erradicação de seus inimigos, o homem aprendeu a matar qualquer coisa viva. Após a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos se estabelecem como a nova superpotência. O país balança ao ritmo do jazz nos clubes de Chicago e Nova York. Nas ruas, após décadas se deslocando com bondes, as pessoas começam a dirigir os Ford produzidos em Detroit. Guindastes bombeiam óleo como metrônomos para abastecer indústrias. Mais do que qualquer outro bem feito pelo homem,
os carros se tornam símbolos da modernidade. Durante as primeiras décadas, os automóveis são direcionados principalmente para uma pequena parte da população. Sobretudo pessoas da classe média em busca de emoções. Eles são vistos como um novo estorvo e um perigo para a sociedade. De Londres a Nova York, de Paris a Berlim, os jornais sugerem que o automóvel fique longe dos espaços urbanos, ou que a velocidade seja limitada a poucos quilômetros por hora. Ele foi descrito como uma arma perigosa que atropelava os cidadãos. A chegada do automóvel nas cidades exige uma nova disciplina e restringe os jogos
infantis ao espaço público. Em 1921, em Pittsburgh, uma marcha silenciosa reúne mais de cinco mil pessoas em uma homenagem póstuma pelas 221 crianças atropeladas. No ano seguinte, a cidade de Baltimore inaugura um monumento dedicado a elas. O desenvolvimento de carros deixou devastação em seu rastro. O lobby do automóvel explica claramente aos cidadãos que as ruas não pertencem mais a eles. Por favor, senhora! Olhe para o sinal de trânsito antes de sair da calçada. Travessias de pedestres, semáforos, multas por atravessar fora da faixa. As cidades se adaptam para acomodar os carros. Asfalto, estradas rápidas, estacionamentos. Em
1922, uma procissão de dez mil crianças acontece em Nova York. Ao mesmo tempo, um homem poderoso chamado Alfred P. Sloan, proprietário da General Motors, cria um "grupo de trabalho". A missão deste grupo é simples. Montar uma estratégia para substituir os bondes elétricos por ônibus e carros individuais, o núcleo dos negócios da General Motors. Naquela época, havia 1.200 empresas de bondes nos Estados Unidos E quase 40.000 quilômetros de linhas de bondes. Cerca de 300 mil pessoas trabalham para essas pequenas e médias empresas privadas. Milhões de passageiros usam bondes todos os dias. Sloan é um empreendedor ambicioso
e quer uma fatia do mercado de transporte urbano. Mas em outubro de 1929, o crash da bolsa sacode a América. Especuladores, super especulados! As pessoas conhecerão a fome. A classe média e trabalhadora experimentará o desemprego. Os industrialistas e banqueiros, que tinham lucros impressionantes, ficam seriamente abalados. Os maiores nomes, como Merrill, JP Morgan e Goldman Sachs, veem o colapso vertiginoso de seus ativos. A família Rockefeller perde 80% de sua fortuna. Winston Churchill perde 500 mil dólares. Até Groucho Marx perde 240 mil dólares. A produção de petróleo, carvão e automóveis cai radicalmente. Em menos de três anos,
o valor da ação da General Motors, ainda administrada por Sloan, despenca drasticamente. Industrialistas e empresários terão que recuperar seu dinheiro. Sloan ainda está obcecado por bondes. Infelizmente, após a Grande Depressão, As empresas de bondes ficam fracas. Em meados dos anos trinta, chegou a hora de Sloan agir. O resto da história está registrado em um relatório de cem páginas, encomendado pelo Senado Americano e escrito pelo advogado antitruste, Bradford Snell. Sloan reúne seus amigos em torno da General Motors. A Standard Oil, os Rockefellers, a Phillips Petroleum e a Firestone. Um magnata do automóvel, dois magnatas do petróleo
e o primeiro magnata dos pneus. Juntos, eles criam o capital necessário para uma empresa de transporte duvidosa: A National City Lines. Eles assumem o controle e abrem uma série de subsidiárias. E compram empresas de bondes em 45 cidades americanas, incluindo Detroit, Nova York, Filadélfia, Chicago e Los Angeles. Quando os municípios se recusam a vender, os empresários não hesitam em usar a corrupção sobre representantes eleitos e funcionários públicos, com a ajuda da máfia local, quando necessária. Em dez anos, os quatro compradores desmontam dezenas de milhares de quilômetros de linhas de bondes E os substituem por ônibus,
criando novas vagas de emprego para seus próprios mercados: a indústria automobilística e o setor de petróleo. O fim dos bondes americanos é um marco, o símbolo de uma visão inequívoca do progresso. Os Estados Unidos e muitos outros países desmontarão suas próprias redes às custas de um meio de transporte público mais prático e menos poluente. Negócios são negócios. Quase um século e meio se passou desde o início da Revolução Industrial. A população mundial dobrou. Nações, cidades e empresas cresceram extremamente rápido. Nos Estados Unidos e na Europa, o crash de 1929 lançou pobreza em milhões de homens,
mulheres e crianças. Na Alemanha, o nacionalismo cresce e, mais uma vez, o mundo precisará de produção rápida e desenvolvimento técnico. Após a Primeira Guerra Mundial, embora algumas empresas estejam bem, como a empresa química IG Farben, ou os industrialistas Krupp e Siemens, a Alemanha está lidando com uma dívida incomensurável e passa por uma crise bancária sem precedentes. O povo alemão entrou em pânico assim que os jornais relataram a verdadeira realidade da incapacidade do país de cumprir seus compromissos. Os poupadores correram aos bancos para sacar o dinheiro que tinham depositado sob seus cuidados. Em 1933, Adolf Hitler
chega ao poder. Ele é o líder de um país pobre. Mais pobre que a França e a Grã-Bretanha e muito mais pobre que os Estados Unidos. O novo chanceler faz uma série de discursos prometendo restaurar o orgulho do povo alemão. De qualquer maneira, Até o último homem que restar na Alemanha, cada pessoa deve retornar ao seu trabalho. Acredito em nosso povo alemão, acredito nos milhões de pessoas que compõem esse povo. Acredito no bom senso de nosso povo, acredito em minha própria vontade, e deve ser trabalho do diabo se não tornarmos a Alemanha forte novamente e
nosso povo feliz! Adolf Hitler, fascinado por Henry Ford e suas ideias antissemitas e produtivistas, decide lançar novas obras públicas históricas. Ele quer construir seis mil quilômetros de pistas rápidas, a primeira rede de autoestrada no mundo. Em breve, explosivos e bombas começam a dominar o mundo novamente. Aqui, perto da capital alemã, duas toneladas de dinamite estão sendo usadas para nivelar o solo, causando grandes explosões. Para os milhares de quilômetros de rodovia criados na Alemanha, 160 milhões de metros cúbicos de terra foram deslocados, o dobro do necessário para cavar o Canal de Suez. Na Alemanha nazista, a
construção de rodovias não é uma necessidade imediata. Existem poucos veículos no país, o objetivo é muito diferente. O país precisa manter sua mão de obra ocupada durante os preparativos de guerra. As rodovias facilitarão o movimento de tropas e veículos blindados. As rodovias alemãs são o símbolo do vínculo poderoso e inerente entre guerra e petróleo. O uso de energia é tal, que a Segunda Guerra Mundial é um momento sem precedentes na história do Antropoceno. Durante a Segunda Guerra Mundial, o soldado americano consome 228 vezes mais energia do que durante na Primeira Guerra. Aliás, a principal vantagem
estratégica dos Aliados É o suprimento quase infinito de petróleo americano. O relógio na parede. No dia sete de dezembro de 1941, será o último instante. Cada hora depois disso foi e será a hora zero. Tempo, o recurso natural mais vital de um país em guerra. Cada clique de um relógio é tempo ganho ou perdido. Cada 60 minutos que passa, cada 12 horas de turno de uma mão implacável, transforma-se em uma grande quantidade de tempo para usarmos para nós mesmos ou entregarmos ao inimigo. Entre 1940 e 1944, A produção industrial cresce mais do que qualquer outro
momento da história: ela triplica. A produção de avião e munição é multiplicada por 15; de barcos, por dez; produtos químicos e bauxita, por três; borracha, por dois. O transporte rodoviário mais que dobra; o transporte aéreo é multiplicado por seis, e o volume do transporte de oleoduto para petróleo é multiplicado por cinco. Os incríveis meios de produção criados para a guerra estão abrindo caminho para um novo mundo. Um futuro de produtividade e industrialização desenfreadas. Em 24 horas, 1/20 de um navio-tanque pode ser construído. Nessas mesmas 24 horas, um esquadra de tanques pode sair da linha de
montagem. E uma esquadrilha de bombardeiros fica pronta, do rádio ao leme de direção. Em um dia, 405 hectares de milho, transformam-se em 30 mil porções de comida. Em um dia, uma fábrica pode produzir fuzis suficientes para equipar um batalhão de infantaria. Os homens que, um dia, podem ganhar uma guerra ou perdê-la. Após a guerra, os métodos de trabalho usados pela indústria militar viram norma. Toda a Europa Ocidental se volta para os Estados Unidos Para aprender a produzir mais e mais rapidamente. Tudo parece possível. O poder da humanidade se beneficiará enormemente de novas máquinas e novos
meios para obras públicas, agricultura ou até a pesca. A adaptação das tecnologias de guerra para obras civis prenuncia um futuro rico. O nylon, desenvolvido pela Dupont para fabricar paraquedas, coletes à prova de balas e pneus especiais, agora é usado para fabricar redes de pesca, com quilômetros de comprimento, melhorando bastante a pesca comercial. Os dispositivos de detecção usados para localizar submarinos inimigos serão usados para localizar cardumes de peixes e terão um papel importante na exaustão dos recursos marinhos. Os tanques, construídos por muitas empresas nos Estados Unidos, Alemanha, França, Rússia e Itália, serão usados como modelos para
veículos de esteira: colheitadeiras, skidders, caminhões madeireiros, escavadeiras. Essas máquinas vão acelerar o desmatamento, desenvolver subúrbios e dar acesso a novos recursos naturais. A Segunda Guerra Mundial permite que a humanidade alcance o auge de sua genialidade. Os humanos estão prestes a testar uma nova ferramenta de destruição. Algo que nunca fora visto antes. Este momento decisivo continuará sendo um importante indicador da relação do homem com a natureza. Em 16 de julho de 1945, longe de uma Europa em ruínas, no deserto do Novo México, centenas de cientistas se preparam para testar a primeira explosão nuclear da história. Codinome:
Trinity. Antes da detonação, Enrico Fermi, um dos cérebros por trás do Projeto Manhattan, faz apostas entre seus colegas de trabalho. A atmosfera inflamaria? E se sim, destruiria apenas o estado ou incineraria o planeta inteiro? A aposta é obviamente irônica, mas carregada de significado. Os cientistas que trabalham no projeto de Manhattan sabem que estão brincando com fogo. A contagem regressiva começa às 5h10. Desta vez, as apostas são altas. Vai ficar tudo bem, Robert, e tenho certeza de que nunca vamos nos arrepender. Bem, saberemos em 40 segundos. Às 5:29:21, o dispositivo é detonado, liberando a energia de
22 mil toneladas de TNT. A explosão deixa um traço eterno na terra e na mente de muitos. Três semanas depois, Hiroshima e Nagasaki são totalmente destruídas. A destruição dessas duas cidades é um objetivo político, muito mais que militar. A opção de lançar a bomba em áreas vazias no Japão foi discutida, mas Robert Oppenheimer, diretor científico do projeto, recusou, explicando que o experimento seria incompleto. Era importante saber os efeitos reais de uma explosão nuclear sobre um território urbano. E é isso que os japoneses veem. Suas cidades, suas fábricas, em ruínas. Muitos de vocês devem se perguntar.
"Por que mostrar isso? A guerra acabou." Bem, queríamos revelar a você um dos grandes segredos da guerra. Achei que você estaria interessado. Sim, você está certo. A guerra acabou, e nós vencemos. E por "nós" quero dizer os soldados de infantaria, os homens no mar, as tripulações que voaram nas missões, vocês, homens e mulheres que trabalhavam nas fábricas, os cientistas que nos deram o radar e a bomba atômica. Isso tudo fazia parte de vencer a guerra. Mas agora há a questão da paz. A maioria dos homens de uniforme retornará à vida civil. Trabalhadores de fábricas produzirão
bens de consumo. Mas nossos cientistas continuarão aperfeiçoando as invenções e desenvolvendo outras novas para a segurança de nossa nação em paz. Logo após a guerra, a energia nuclear abre novas oportunidades para os dois países que a possuem. Assim como os gases durante a Primeira Guerra Mundial, e tanques, nylon e radares na Segunda Guerra Mundial, a bomba atômica definitivamente poderia ser usada para algo mais. A humanidade agora adquiriu uma ferramenta importante para moldar a Terra. A energia atômica virou o símbolo perfeito para o excesso humano. Em 1945, Julian Huxley, um cientista renomado que mais tarde se
tornará o primeiro presidente da UNESCO, se dirige a 20 mil pessoas no Madison Square Garden e cita a possibilidade de usar armas nucleares como uma espécie de "dinamite atômica", para derreter as calotas polares nos polos. Outras personalidades poderosas da época falarão sobre “destruir montanhas, mudar leitos de rios, inundar o deserto, trazer vida a territórios desconhecidos, extrair minérios inacessíveis e mudar o clima”. Esses estrategistas e visionários inspirados chama a atenção de governos com capacidade nuclear. Em 1957, Lewis Strauss, diretor da Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos, lança o Projeto Plowshare. Lewis Strauss fora um empresário.
Oficial da Marinha na guerra, Strauss alcança depois a posição mais alta no serviço público. Ele se torna um promotor da energia nuclear americana, e acredita que oferecê-la para uso civil permitirá que eles criem “uma manifestação global a favor do desenvolvimento e teste de armas nucleares”. O Projeto Plowshare é uma caixa de Pandora. Com promessas descontroladas de fogo nuclear e radiação. Energia colossal, relativamente barata, compacta e facilmente transportável. Esta é a nova ferramenta de poder que o Plowshare acrescentou ao recurso humano de energia útil. Para fazer trabalhos que não eram práticos ou até impossíveis. Sim, o
impossível parece estar à mão. A energia nuclear, com seu potencial de morte e destruição, poderia tornar a humanidade ainda maior e mais forte, em suas lutas contra a Natureza. Quais são essas aplicações reais? Algumas serão dramáticas em seus efeitos. Já que as explosões nucleares movem enormes massas de terra e trabalhos de escavação, remodelar a geografia da terra em dimensões antes impossíveis, pode atender às necessidades do homem. Necessidades que ele pode ver enquanto enfrenta a geografia que a natureza acumulou contra ele. Como aumentar a recuperação dos recursos naturais para atender às necessidades crescentes dos homens? A
engenharia subterrânea do Plowshare pode ser uma das respostas. Explosões nucleares nas profundezas da terra quebram e dividem enormes áreas de rocha. Esses efeitos maciços Permitem recursos de recuperação altamente promissores, antes impossíveis ou economicamente impraticáveis de extrair da terra. Onde as viagens terrestres são estranhas, caras, demoradas e perigosas: escavam-se desfiladeiros para rodovias e ferrovias. Onde a navegação é prejudicada por barreiras de terra, escavam-se canais. Os engenheiros do Projeto Plowshare decidem cavar um novo canal na América Latina. Eles hesitam entre duas áreas: Panamá, usando 300 bombas atômicas, e Colômbia, que exigirá 764 cargas nucleares. Eles consideram usar
a bomba H para construir um porto artificial em Cape Thompson, no Alasca. Vão escavar as montanhas Bristol para criar uma estrada, usando 22 dispositivos nucleares. O projeto durará 20 anos e custará 770 milhões de dólares. O equivalente a quatro bilhões hoje. As empresas americanas executarão 27 explosões para fins civis. Feitos terríveis, mas não é nada comparado ao que acontece no lado oriental. Obviamente, do outro lado do planeta, os russos não têm intenção de permitir que os Estados Unidos assumam a liderança nesta corrida. A versão russa do Projeto Plowshare chama-se Programa Número Sete. É ainda mais
devastador. Os russos executam quase 150 explosões nucleares para 13 fins civis planejados. A metade do século 20 marca o início da "grande aceleração", uma frase cunhada por especialistas do Antropoceno. É um momento decisivo para o planeta, uma mudança dramática na produtividade da Terra. É o alvorecer da era atômica. É uma época de petróleo barato, plástico, amianto, concreto, centenas de milhares de novas moléculas biocidas. É um momento crítico para o desmatamento, O clima, a acidez das chuvas e a destruição dos mares. É o começo do consumismo em massa, primeiro para milhões, depois, para bilhões de pessoas.
Após a guerra, o americano médio não sonhava com um novo programa de mineração nuclear ou um novo canal comercial. As famílias queriam algo mais. Hoje, no entanto, os americanos esperam retornar às coisas pacíficas. A guerra havia sido um grande sacrifício, e o objetivo agora é começar uma vida pacífica. Porém, neste momento, há uma escassez de moradia. Não é surpresa que, durante a guerra, todos os programas de construção tenham sido congelados, a fim de priorizar a produção de armas. Em Chicago, Los Angeles e Nova York, em toda parte do país, famílias de veteranos moravam em ônibus,
trailers ou acampamentos improvisados. Algo tem que ser feito. Um agente imobiliário, também um veterano, será considerado por muitos o homem certo para o trabalho. William Levitt passou quatro anos em uma unidade de engenharia que construía e instalava bases militares em locais de operações. Lá, ele aprendeu os métodos usados pelo exército americano Para criar rapidamente prédios para moradias e bases logísticas, construídas com componentes pré-fabricados, fáceis de montar. Após a guerra, William Levitt projeta e executa um novo sistema de construção. A ideia que um homem chamado Bill Levitt teve foi a seguinte: por que não aplicar à
construção de casas os mesmos princípios que fizeram as indústrias americanas atingirem uma excelente imagem de eficiência e serviço? Por que não produzir em massa os elementos que compõem a casa, como a indústria automobilística faz com as peças de um carro novo? Pré-corte as madeiras para que fique tudo pronto para montar na estrutura da casa. Sem desperdício, um caminhão pode entregar no canteiro de obras toda a madeira bruta que será usada em duas casas Levitt. Levitt compra 405 hectares de terras em Long Island, a poucos quilômetros de Manhattan. A cadeia de trabalho é organizada em 26
etapas, cada uma com uma equipe de trabalhadores. Cada equipe trabalha em uma unidade, a 20 metros da próxima. Cada uma trabalha em uma tarefa específica: paredes, teto, portas e janelas, escadas, iluminação, até as cortinas. As casas são idênticas. As famílias logo poderão experimentar uma felicidade tranquila e confortável. Em Long Island, a empresa Levitt and Sons constrói 17 mil casas em dois anos. É um novo recorde. Levitt é um pioneiro, um homem de intuição admirável. O desempenho dá origem a um novo modelo para as cidades. Imóveis suburbanos com arquiteturas repetitivas, estruturados em torno de calçadas. São
chamados de Levittowns. Sim, é isso! Minha cidade natal. Para apoiar o acesso à moradia, o Estado organiza um sistema de hipotecas. A procura por empréstimos dispara. Hipotecas de 30 anos permitem que todos vivam o sonho suburbano por menos de 60 dólares por mês, cerca de três dias do salário de um trabalhador. De repente, para milhões de americanos, tornou-se mais barato ter uma casa nos subúrbios do que alugar uma na cidade. Neste momento da história, a América e o resto do mundo vão perder um desenvolvimento técnico que, hoje, parece indispensável. Durante a guerra, o governo americano
financia programas de pesquisa sobre casas solares. Por quê? Porque tinham de reduzir o consumo de petróleo no país para maximizar a parcela que era enviada para o front. Em 1948, Maria Telkes, uma brilhante biofísica do MIT, desenvolve uma casa solar que é 75% autossuficiente. Outras universidades trabalham em seus próprios projetos. Pequenas empresas desenvolvem e vendem centenas de milhares de aquecedores solares de água. Na Flórida, no início dos anos 50, 80% das casas estão equipadas. Para muitos arquitetos, jornalistas e personalidades, a energia solar se torna um novo ideal. Neste ponto da história, A energia solar parece
abrir caminho para um novo e brilhante futuro. Isso foi há 60 anos. No entanto, de modo absurdo, a eletricidade produzida a carvão prevalecerá no restante do século. A energia solar não oferece lucro para fornecedores de eletricidade e empresas de equipamentos elétricos, como General Electrics ou Westinghouse. Elas são apoiadas por produtores de carvão e empresas ferroviárias que o transportam. E vão se organizar e financiar muitas campanhas de marketing eficazes. Eu nunca percebi que havia tantos empregados elétricos. Há muitos deles. Um de cada vez ou todos juntos, fazem uma grande diferença na maneira como vivemos. É por
isso que toda dona de casa os deseja. Os modelos mais recentes com seus aperfeiçoamentos. Porque ela sabe que você realmente começa a viver quando vive melhor. Eletricamente! Agora, o objetivo não é apenas aquecer as casas, mas também esfriá-las. Surge o ar-condicionado. A casa elétrica traz o sonho de um novo conforto. As empresas de eletricidade se definem como inventoras do futuro e estabelecem novos vínculos com Levitt e seus amigos. Para construir uma nova regra para habitação, incluindo aquecimento, ar condicionado e eletricidade, grandes fornecedores e empresas de equipamentos chegam a um acordo com seus criadores. Suas propriedades
serão equipadas eletricamente, mas o comprador deverá estar conectado à rede elétrica deles. E é assim que os magnatas da eletricidade e da construção acabam com o desenvolvimento da energia solar. Essa grande aceleração, a que definitivamente empurrou o mundo para a era do Antropoceno, não é meramente explicada pelo crescimento populacional, a dinâmica da ciência Ou o talento de grandes empresas, quando se trata de vender seus produtos. Mais do que tudo, a Guerra Fria envolve o mundo nessa corrida desenfreada, colocando em oposição, o capitalismo fordista e o comunismo produtivista. Nos dois lados da Cortina de Ferro, cada
bloco inicia políticas de crescimento. Eles precisam garantir um padrão de vida e consumismo às suas populações, para que possam melhorar a ordem social e alcançar a vitória militar, econômica, cultural e política. Ambas as ideologias lutam em nome de seu povo. Os cidadãos americanos vivem um tipo de alegria coletiva. Os carros, antes o maior símbolo de riqueza, são acessíveis agora a qualquer pessoa. Os Estados Unidos estão quebrando todos os recordes, enquanto a União Soviética mal é motorizada. Em 1955, nos Estados Unidos, quase dez milhões de carros são fabricados no país. Quase uma a cada seis pessoas
trabalha direta ou indiretamente na indústria automobilística. Em 1956, o Presidente Eisenhower, impressionado com as rodovias de Hitler na Segunda Guerra, lança um grande plano para construir estradas rápidas. Neste plano, não haverá cruzamento. O acesso será controlado. Ele unirá o país inteiro. Será possível dirigir do Atlântico ao Oceano Pacífico, e do Canadá ao México! Em rodovias seguras, modernizadas e divididas, sem semáforos ou sinal de parada. Você viajará com rapidez, facilidade e segurança. Este sistema de rodovias interestaduais e de defesa é para o tráfego do futuro. Eisenhower pensa grande. Os 70.000 km de rodovias interestaduais serão construídos
com a quantia incrível de 50 bilhões de dólares. Para o Congresso, essa abundância de dinheiro É justificada pela necessidade de segurança interna. Conectar as 400 bases militares, mas também diversificar a indústria americana, para que ela resista em caso de um ataque nuclear russo. Do outro lado da Cortina de Ferro, a União Soviética mantém sua indústria ocupada, sobretudo na metalurgia e nos trabalhos militares. Eles experimentam um sucesso retumbante com o primeiro satélite orbital da história. A humanidade está agora envolvida no infinitamente grande, tanto quanto no infinitesimalmente pequeno. Tudo no mundo que você conhece é feito de
moléculas, E algumas das mais úteis são as várias formas de plástico. Como Alathon, Delrin, Lucite, Teflon. É disso que precisamos! Puxa vida! Moléculas! Há plástico em sua torradeira No liquidificador e no relógio No abajur e na torradeira Na porta e na fechadura Na lavadora e na secadora Nas suas ferramentas de jardinagem No amplificador de música E na fritadeira elétrica Você tem um amigo de plástico Na Europa, o modelo americano está se espalhando. A França e a Europa Ocidental entram na era do consumismo, com seus ícones e seus templos. Hipermercados, exposições de carros, exposições domésticas. Na
garrafa feita para apertar Ou na bandeja para congelar Com o plástico, você está em casa O consumismo alimenta o crescimento, acelera o progresso e melhora a qualidade de vida. Também aumenta as emissões de CO2 exponencialmente. Câmeras e claraboias Esse é o nosso destaque No mundo do plástico Todos fomos feitos para isso Não brincaríamos com isso Todos fomos feitos para você Como os Estados Unidos conseguiram melhorar tanto a qualidade de vida nas décadas após a guerra, trazendo a Europa Ocidental para a mesma dinâmica social? Para entender o que aconteceu, precisamos voltar aos anos imediatos ao pós-guerra.
Entre 1939 e 1945, o produto interno bruto da América quadruplica. No final da guerra, a Europa está arruinada, e os Estados Unidos possuem um grande estoque de moeda. Eles produzem e consomem 60% do petróleo do planeta. São responsáveis por 60% da produção industrial E valem 1/3 do PIB global. Quanto tempo isso pode durar? No início dos anos 50, em um livro com 20 milhões de cópias impressas, os conservacionistas William Vogt e Fairfield Osborn condenam a exploração excessiva nos Estados Unidos e no planeta em geral, que se estende muito além do que seria sustentável. Os dois
conservacionistas sugerem que a espécie humana deveria parar de combater a natureza. Os seres humanos deveriam cooperar com a natureza. Para tal, pedem o limite do consumo de recursos naturais globais. Mas a Guerra Fria é forte e, nos Estados Unidos, a elite política, econômica e militar acha que essa sobriedade não é compatível com a corrida devastadora já iniciada entre Ocidente e Oriente. Em 1951, o presidente Truman se encarrega do assunto. Ele ordena um relatório do comitê parlamentar de inquérito liderado por William Samuel Paley, empresário e executivo-chefe da rede de mídia CBS. Truman quer mudar o fornecimento
de matéria-prima nos EUA, a longo prazo. Após vários meses de trabalho, o comitê sugere a "mobilização dos recursos mundiais Para protegê-los para o mundo ocidental, enquanto preserva os recursos americanos para o futuro". Os avisos dos conservacionistas são ignorados. O crescimento deve continuar, custe o que custar. Os Estados Unidos devem mudar de status. De país exportador, passam a importar matérias-primas e energia. A mudança será iniciada gradualmente. As empresas americanas terão um papel importante na reorganização dos sistemas globais. Nas décadas seguintes à guerra, as empresas tenderão para a globalização e se tornarão as corporações multinacionais conhecidas hoje.
Na guerra, participaram da construção de bases militares no mundo todo. Depois disso, construíram campos petrolíferos, oleodutos, refinarias e fábricas. Entre 1945 e 1965, as empresas americanas respondem por 85% de todos os novos investimentos no mundo. Os países capitalistas industrializados já dispunham de muitos recursos na Ásia, África, América e Oriente Médio. A Europa já obtinha benefícios de suas colônias. Mas no contexto da corrida pelo progresso na Guerra Fria, a exploração dos países do Sul aumenta muito e rapidamente. Os Estados Unidos e a Europa Ocidental drenarão muito as matérias-primas do resto do mundo: urânio, alumínio, petróleo, madeira,
produtos agrícolas. Nessa corrida, o bloco oriental também entra em ação. Os investimentos iniciados durante a guerra, nos campos das indústrias pesadas e militares, são mantidos. A URSS explora intensamente seu próprio território e recursos. Esse entusiasmo produtivista levará às catástrofes ecológicas que conhecemos hoje: a devastação do mar de Aral, a poluição do carvão, as contaminações nucleares de sua própria terra. O resto do mundo é o território privado do mundo ocidental. Década após década, o Oriente Médio e a América Latina são destituídos de seus recursos brutos, para beneficiar os países ocidentais, que até hoje vivem com crescente
conforto. A exploração maciça dos recursos nos países pobres degrada seu modo de vida e traz muitos problemas: resíduos da mineração, escavação do petróleo e corte de madeira. Hoje, isso se chama trade-off ecológico injusto. Alguns países exploram suas terras com trabalho de baixo custo. Outros países compram e consomem. A mudança do mundo para o Antropoceno Não depende apenas do avanço da indústria militar, de suas aberturas civis ou da exploração de países pobres, mas também da agricultura. Os primeiros passos da agricultura que conhecemos hoje começaram nos anos entre guerras. Lembra-se de IG Farben, ou Fritz Haber, ou
das empresas químicas americanas? Naquela época, os químicos criaram os primeiros pesticidas. Agrônomos e geneticistas criaram novas variedades de grãos, selecionados para resistir a esses pesticidas e bastante homogêneos para permitir a colheita mecânica. Os americanos desenvolveram seu próprio milho híbrido, Enquanto a Rússia soviética, a Itália fascista, a Alemanha nazista e a Europa colonial aplicavam programas de semeadura intervencionistas muito rígidos. Este tipo de agricultura se tornará o agronegócio, e começará a se espalhar para o resto do mundo, sobretudo nos países em desenvolvimento, graças à filantropia da Fundação Rockefeller. A fundação atua em muitos campos, como educação, cultura,
medicina, biologia ou agricultura. No início dos anos 40, o vice-presidente Henry Wallace pede à fundação Rockefeller que ajude o governo mexicano a desenvolver sua agricultura. O país está com dificuldades para alimentar sua população. Para o governo americano, bem como para os Rockefellers, isso é um problema. A fome no México pode resultar em instabilidade política e, por sua vez, afetar seus pesados investimentos nesta parte do mundo. A fundação sugere uma profunda mudança na agricultura mexicana. Eles querem aplicar os métodos agrícolas industriais americanos: sementes selecionadas, irrigação e mecanização. Muitos criadores de gado mexicanos como o Sr. Gonzalez,
dono desta fazenda, melhoraram a raça de seus animais. A produção de leite está abaixo do que deveriam esperar. O Sr. Gonzalez pediu conselho a um bom amigo, seu agente de extensão agrícola. O pesquisador da área dá ao Sr. Gonzalez alguns cepos e explica-lhe como plantar a grama em sua própria fazenda. O Sr. Gonzalez pode aprender por experiência própria se isto o ajudará a resolver a questão da alimentação do gado, e o aumento da produção de leite. Mais comida para mais pessoas. O Ministério da Agricultura do México, com a cooperação da Fundação Rockefeller, está ajudando agricultores
e pecuaristas mexicanos a adotar muitas melhorias semelhantes. É também a história de uma parte pequena, mas vital, de uma campanha internacional Para acabar com a fome entre as pessoas do mundo. No México, o programa Rockefeller é experimentado em 1941, com sementes de milho híbrido. Ele rapidamente se expandirá para outros tipos de sementes, como trigo, feijão, arroz, forragem, e outros países latinos, como Colômbia, Chile e Peru. A agricultura moderna começa a se espalhar pelos países do sul. O programa mexicano levará a outro programa, maior e ainda mais estratégico. Nos anos 50, no auge da Guerra Fria,
a Índia enfrenta uma grande crise alimentar. O crescimento agrícola é menor do que o demográfico, e a guerra deixou muitas cicatrizes no país. Para o mundo ocidental, essa crise é perigosa. Isso poderia levar a uma revolução vermelha. A questão é debatida durante a campanha presidencial americana. Em que áreas os Estados Unidos podem agir de modo ofensivo em um desafio ao comunismo nos próximos quatro a oito anos? Acredito que a Índia representa uma grande área para uma ação afirmativa do mundo livre. A Índia, sob uma sociedade livre, fez progressos. Mas se ela não tiver sucesso Com
450 milhões de pessoas, se a liberdade não der certo, os outros determinarão, ainda mais no mundo subdesenvolvido, que o único modo de desenvolver recursos é pelo sistema comunista. O Ocidente reúne suas forças. A Fundação Rockefeller, a Fundação Ford, a Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional e o Banco Mundial se reúnem para apoiar o governo indiano e transformar sua agricultura. A ideia é implantar na Índia os métodos experimentados no México e na América Latina. Transformar a antiga agricultura autossuficiente de pequenos agricultores em uma nova agricultura moderna. A Índia deveria mudar seus métodos ultrapassados. Mesmo em
anos regulares, parcelas de palha mal cortadas são dadas para alimentar o gado. Em algumas regiões, deveríamos afastar o fatalismo e a apatia dos homens que se contentam em esperar pela ajuda do céu e observam suas esposas trabalhando. Mas impedir técnicas e tradições em um país enorme como a Índia não pode ser feito em um dia ou sem recursos financeiros. Um brilhante agrônomo e seletor de sementes fará uma conexão entre o México e a Índia. O nome dele é Norman Borlaug. Ele iniciou sua carreira na Dupont durante a guerra e participou do programa mexicano da Fundação
Rockefeller. No México, com uma equipe de pesquisadores, Borlaug desenvolveu grãos de trigo de alta safra. Um trigo global, que germina em qualquer continente. Borlaug lidera o programa indiano no início dos anos 60. As sementes que ele criou no México são perfeitas. No entanto, exigem duas coisas. O uso de fertilizantes e irrigação intensa. Com o apoio das fundações americanas de cientistas, a Índia investe dezenas de milhões nessa nova agricultura e nos negócios associados. O país subsidia fortemente o acesso a novas sementes, maquinaria moderna, bombas e tubos de irrigação, colheitadeiras, debulhadores, fertilizantes e pesticidas adaptados às sementes.
Todo esse equipamento e esses produtos eram produzidos na época por empresas americanas e europeias do agronegócio. A revolução verde está em andamento. Borlaug recebeu o Nobel da Paz em 1970. E toda a Ásia gradualmente passa para agricultura industrial. Inegavelmente, o modelo de Borlaug permitiu um aumento substancial na produção, Mas nem todos se beneficiaram dele. O modelo apoia agricultores que podem investir e se tornar empreendedores agrícolas. Promove uma agricultura voltada para grandes exportações, em vez de alimentar as populações locais. Muitos economistas e historiadores afirmam que, com os mesmos recursos, seria possível obter melhores resultados em alimentação,
desenvolvendo métodos técnicos e ajudando pequenos agricultores a expandir. A agricultura industrial está amplamente difundida em todo o mundo agora. É um marco importante na era do Antropoceno. Seus efeitos na natureza são devastadores. A estratégia que consiste em cultivar a mesma super variedade em milhões de hectares de terra extinguiu muitas variedades tradicionalmente cultivadas. Também aumenta drasticamente o consumo de água, requer o uso de fertilizantes e pesticidas. Geralmente leva à fertilidade reduzida do solo e, às vezes, à esterilização total. A agricultura industrial também requer uma quantidade incrível de combustíveis fósseis. É preciso petróleo, muito petróleo para abastecer
as máquinas e produzir fertilizantes e pesticidas. No século 19, na Europa Ocidental, uma caloria gasta produzia de 5 a 12 calorias de alimento. Hoje, na França, Estados Unidos, Dinamarca, e em muitos outros países, uma caloria gasta produz apenas 0,7 de caloria de alimento. A intensificação da agricultura a tornou deficiente em energia. Nos anos 70, nos Estados Unidos, os problemas aumentam, e o exército americano derruba 70 milhões de litros de agente laranja no Vietnã. Ainda é química, mas não tem nada a ver com agricultura. Classificadas como armas incapacitantes, são usadas para os chamados fins humanitários, Uma
vez que, teoricamente, possibilitam expulsar o inimigo sem matá-lo. Mas o mundo científico dá o alarme expondo a ameaça contra a população vietnamita pelo uso intensivo desses produtos químicos, cujos efeitos não são conhecidos no equilíbrio da natureza. Preparar. Três, dois, um. Em 1972, a Apollo 17 tira a primeira foto da Terra em sua totalidade. A foto rapidamente vira o símbolo de um mundo fechado, um mundo finito, um planeta frágil. No mesmo ano, o Clube de Roma, Um grupo de especialistas, oficiais e industriais de mais de 50 países, solicita um relatório de uma equipe de pesquisadores do
MIT. O título do relatório é: "Os limites para o crescimento". Esses cientistas possuem uma tecnologia de ponta, uma máquina moderna ainda não disponível ao público: o computador. Eles modelam a Terra com curvas, estatísticas e equações. O relatório fornece 13 cenários para o futuro e alerta para o colapso rápido e inevitável da civilização industrial. As razões deste colapso? Poluição, falta de recursos e superpopulação. Pela primeira vez, A ideia de um limite para o crescimento é considerada pelas mais altas elites do capitalismo. Em 1973 e 1978, dois choques de petróleo se sucedem. A América está atordoada. Em
15 de julho de 1979, o Presidente Jimmy Carter discursa para 65 milhões de telespectadores. A identidade humana não é mais definida pelo que se faz, mas pelo que se possui. Mas descobrimos que possuir coisas e consumir coisas Não satisfaz nosso desejo de significado. Aprendemos que acumular bens materiais não pode preencher o vazio de vidas que não têm confiança ou propósito. A crise do petróleo teve grande impacto na opinião pública. O Presidente Carter questiona o consumismo desenfreado. Seus conselheiros sugerem que conduza o país a uma transição de energia e desenvolva outras renováveis, para contrabalançar as necessidades
de petróleo. Carter quer enviar sinais fortes e produzir símbolos para mostrar o envolvimento do país em uma nova era. Ele instala painéis solares no telhado da Casa Branca. O Presidente Carter tem a solução para o espírito da época. Algo tem dado sinais há anos, na América e na Europa. Movimentos ambientalistas surgem em todo o mundo ocidental. Parece ser o tempo de um despertar ecológico. Essa nova consciência é na verdade a continuidade de todos os avisos enviados continuamente durante os últimos dois séculos. Inúmeros processos contra a poluição industrial se acumulam nos tribunais e mostram que os
danos ambientais não começaram nos anos 70. Os documentos contábeis das empresas químicas mostram que, todo ano, os industriais pagam indenizações a seus vizinhos Por plantações perdidas ou deterioração de suas terras. A Revolução Industrial e os níveis altos de poluição que a acompanham foram ignorados em prol da modernização. Os médicos dos séculos XVIII e XIX, consideram o meio ambiente o alicerce da saúde. Na Europa, durante a Revolução Industrial, os vizinhos das fábricas se reuniam para reclamar da poluição. Nas cidades, os policiais checavam a qualidade do ar, as fábricas, a fumaça expelida e as chaminés. Década após
década, por dois séculos, os avisos nunca deixaram de existir. Nos anos 70, algumas pessoas acreditavam que tudo ia mudar. O resto é história. Nesta crise atual, o governo não é a solução para o nosso problema. O governo é o problema. Uma nova onda de globalização econômica é apoiada pela chegada de Margaret Thatcher, na Inglaterra, e Ronald Reagan, nos Estados Unidos. O mundo é de novo impulsionado para uma nova aceleração que nos levará onde estamos hoje. Homens e mulheres do nosso tempo ainda são consumidores cada vez mais gananciosos, Mais compulsivos e mais numerosos a cada dia.
Os países ricos conseguem estimular suas economias, apesar da produtividade e dos salários estagnados, graças a um excesso de consumismo, baixo custo de petróleo, de matérias-primas e exploração de mão de obra. Progressivamente, China, Índia e Brasil se tornam grandes produtores de CO2 e muitas outras poluições. Esta é a história da humanidade, a nossa história. Conta a história de uma corrida frenética. Uma corrida de sangue, suor e paixão, Que se estendeu nos últimos dois séculos. Ao longo desses dois séculos, a necessidade de poder deu origem a inovações tecnológicas e científicas, cheias de grandeza e destruição. Nestes dois
séculos, o acúmulo de riqueza aumentou a desigualdade entre países e até continentes. Ao longo desses dois séculos, o consumismo se tornou o impulso econômico e o antídoto para o protesto social. Hoje, os maiores emissores de CO2 são os 20% mais ricos de homens e mulheres do planeta. O que era um modo de vida imaginado no século 19 pela burguesia dos países ricos tornou-se hoje a rotina diária de um quinto do mundo. Cerca de 1.400 bilhões de toneladas de CO2 emitidas desde o início da industrialização estão presas na atmosfera mais baixa. Hoje, o consumo de carvão
continua crescendo e, pela primeira vez na história, o consumo de petróleo atingiu um milhão de barris por dia. Também ficou claro que a produção em massa de painéis solares é altamente exigente em termos de metais raros. Nossa infraestrutura digital também exige mais energia. Assim como a promessa de que o carvão salvaria as florestas no século 19, a promessa de que a chamada "tecnologia verde" nos salvará é difícil de acreditar hoje. O Antropoceno é, talvez, a era sem volta.