A igreja tá cheia de gente que quer ser servida por Deus, mas que não quer servi-lo. Meu irmão, minha irmã, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vindo a esse vídeo. Eu sou o Ângelo Lacerra e hoje nós vamos falar um pouco sobre um problema que se tornou epidêmico no coração de toda a igreja, a inversão da lógica cristã do serviço.
E o nosso Papa Leão 14 já começou o seu pontificado nos alertando sobre isso. E se você canta ou toca na missa, é bom prestar atenção, porque talvez sem perceber você também esteja vivendo essa inversão. Você já deve ter percebido, por exemplo, que na prática muita gente vai à igreja para ser atendido por Deus e não para se doar.
E no contexto da música litúrgica, isso tem sido gritante. Para entender toda essa questão, te convido a ficar comigo até o final desse vídeo. Com certeza você vai gostar.
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O Papa Leão X, na sua primeira homilia como Papa, disse algo que me marcou profundamente. Olha só, ainda hoje não faltam contextos em que a fé cristã é considerada uma coisa absurda para pessoas fracas e pouco inteligentes. Contextos nos quais, em vez dela, da fé cristã, se preferem outras seguranças, como a tecnologia, o dinheiro, o sucesso, o poder, o prazer.
E ele continua: "Quem acredita se vê ridicularizado, desprezado ou no máximo tolerado. " E sabe o que é que isso tem a ver com a música litúrgica? Tudo.
Porque um músico litúrgico que deve ser alguém a serviço de Deus, ou seja, alguém que de certo modo vive pela fé, muitas vezes tem servido a si mesmo, buscando os próprios interesses, ainda que inconscientemente. Essa inversão da lógica cristã sobre o serviço se manifesta principalmente quando o músico canta aquilo que ele quer na missa e não o que é ensinado pela igreja, quando escolhe o repertório pelo gosto pessoal. ou não pelo rito, quando se coloca no centro da celebração, ao invés de deixar o protagonismo para Jesus.
Sobre isso eu cheguei a falar no outro vídeo que inclusive eu tô deixando no card que tá aparecendo aqui nesse momento onde eu digo que a música litúrgica está doente. Se você não assistiu, vai lá assistir. Enfim, aí sem perceber o músico acaba confirmando com o seu serviço exatamente aquilo que o mundo pensa da fé católica, que ela é fraca, que o seu ensinamento é incoerente, que tudo na igreja é improviso.
Porque se a igreja ensina algo e o músico não segue, é porque esse ensinamento é inútil, não é? E eu quero deixar uma coisa bem clara aqui. O músico não é o culpado por toda essa situação.
De forma alguma tenho plena consciência de que falta catequese, de que falta um ensino preciso e fiel em muitos lugares do Brasil. Essa é a triste realidade, infelizmente. E o músico muitas vezes acaba sendo vítima de toda essa situação.
Eu também sou músico, tá? Eu sei do que que eu tô falando e eu quero te ajudar a refletir sobre isso também. Então, vamos parar e pensar um pouquinho.
Você já se perguntou a quem você serve quando canta ou quando toca na missa? Porque se a resposta for a Deus em primeiro lugar, você tá certíssimo. Se for ao povo também, de certa forma o pensamento tá correto.
Acontece que para que esse serviço seja um serviço verdadeiro, ele precisa estar profundamente enraizado naquilo que a própria igreja nos ensina sobre a liturgia e sobre a música litúrgica. Entendeu? Quem serve a Deus faz a vontade dele, segue o ensinamento dele, faz o que ele pede.
Ponto final. E Deus já disse como quer ser servido. A liturgia não é um laboratório criativo.
A igreja, como diz o Papa Leão 14, é a guardiã da fé. Ele na sua primeira homilia usou uma expressão que resume tudo isso. Olha só.
Ao dizer: "Tu és o Messias, o filho de Deus vivo", São Pedro expressa em síntese o tesouro que a igreja, através da sucessão apostólica, guarda, aprofunda e transmite a 2000 anos. Entendeu? A igreja guarda, aprofunda e transmite essa fé que necessariamente passa pela correta celebração da Santa Missa.
Então, por que que a gente acha que pode chegar lá e cantar qualquer coisa? A música litúrgica não é para ser neutra. Ou ela nos educa na fé em Deus, na fé da igreja, ou ela nos esvazia.
E desculpe dizer isso aqui. O músico que não escuta a igreja, que não se submete ao que ela nos pede nos documentos, age como se a liturgia dependesse dele, como se o mistério de Cristo não se realizasse sem a música dele, como se o povo não pudesse rezar sem a voz dele. Sabe o nome disso?
ego. E quando o ego entra no serviço, a adoração a Deus sai correndo. Ainda sobre uma homilia do Papa Leão 14, no quarto domingo da Páscoa, ele disse algo que se os músicos compreendessem de verdade, mudariam completamente o jeito como se aproximam do serviço.
Olha só, quanto é importante escutar. Jesus diz: "As minhas ovelhas escutam a minha voz". É muito importante escutar a voz do Senhor, escutarmo-nos nesse diálogo e perceber para onde o Senhor está nos chamando.
E aí eu te pergunto, músico, você tem escutado a voz do Senhor? Porque parece que muitas vezes muitas pessoas estão ouvindo apenas a própria voz ou a voz de quem busca Deus só para ter as suas necessidades atendidas e não para se doar. Mas e a voz do Senhor?
E a voz da igreja? Quem é que tá escutando? Quem não escuta a igreja tá dizendo com as suas ações que a própria voz tem mais autoridade que o magistério, que as suas crenças pessoais têm mais peso do que os documentos, por exemplo, que a sua sensibilidade justifica modificar, adaptar o rito da missa.
E olha, eu vou repetir isso aqui com toda a clareza do mundo. A Santa Missa não precisa da sua criatividade, precisa da sua obediência, da sua doação. Esse sim é o serviço verdadeiro.
A obediência que escuta antes de falar, que estuda antes de cantar, que entende a função do canto na liturgia antes de sair escolhendo música, porque combina com aquela palavra do evangelho ou com a humilia. E olha que eu já fiz isso, hein? O padre falava alguma coisinha ali na homilia que me lembrava uma música.
rapidinho eu colocava ela como canto de pós comunhão. Quem nunca, né? Enfim, aqui entra uma distinção fundamental.
Existe o músico de eventos e existe o músico de missa. O músico de evento canta pro público, pensa na estética, na performance que ele vai fazer, no impacto que a música vai causar, nos sentimentos da plateia. Já o músico de missa canta para Deus, não no sentido de excluir o povo e a sua sensibilidade, não é isso, mas no sentido de ter a convicção de que ao executar através do seu serviço o pedido da igreja, ou seja, obedecendo a igreja, ele vai alcançar com mais força ainda os corações dos fiéis, porque ele tá fazendo a vontade de Deus.
O músico da missa pensa na coerência litúrgica, na oração, no silêncio. Ele sabe que o que a igreja, que é nossa mãe, quer para nós, é sempre o nosso melhor pela nossa salvação. O mundo já zomba da fé católica, diz que a igreja é retrógrada, que crer em Deus é coisa de gente fraca, ultrapassada, emocionalmente instável.
E o que é que muitos fazem? confirmam tudo isso com o seu serviço, cantando músicas desconexas da liturgia, com letras rasas, muitas vezes sentimentalistas, cheias de repetições vazias e sem querer, veja, eu não tô dizendo que a culpa é do músico, transforma o altar num palco e a missa numa apresentação. O Papa Leão X, quando ainda era cardeal, disse uma coisa muito relevante sobre isso.
Escuta só. A igreja deve resistir à tentação de crer que pode competir com as mídias de massa, transformando a sagrada liturgia no espetáculo. Os padres da igreja, como tertuliano nos recordam que a nossa específica missão é iniciar as pessoas à natureza do mistério como antídoto contra o espetáculo.
Consequentemente, a evangelização no mundo moderno deve encontrar os meios apropriados para direcionar a atenção do espetáculo para o mistério. Percebe o que é que tá acontecendo? A liturgia, que deveria ser o lugar onde Deus se revela na sua beleza, sobriedade, no silêncio e na verdade, tá sendo reduzida a um evento de impacto rápido, com cânticos que agradam, mas que não ensinam, que tocam, mas não transformam a vida de quem os escuta.
Isso é grave. grave porque os documentos da igreja são claros. A música litúrgica tem a missão de servir ao rito da missa, de conduzir a oração, de expressar a fé da igreja.
A música não é um anexo da liturgia, ela é parte da própria celebração. E quando mal empregada, se torna um obstáculo entre o povo e a graça de Deus. O Papa Leão 14 fala dos lugares em que o evangelho é ridicularizado, contrastado, desprezado, lugares onde quem acredita é tolerado com pena quando não é combatido com ironia.
Mas ele diz algo ainda mais forte. É justamente nesses lugares que a missão se torna mais urgente. Agora veja, se a missão da igreja é mais urgente, onde a fé é ridicularizada, o que você acha que acontece quando a própria liturgia passa a se parecer com aquilo que o mundo já diz da fé católica?
A resposta é óbvia. As pessoas se afastam de Deus, podem até encher as igrejas, podem marcar presença em todas as missas, em todos os eventos da paróquia, mas o coração vai estar longe de Deus. Porque se o meu serviço na missa é incoerente com a fé que eu recebo da igreja, o que é que ele vai ter para oferecer aos meus irmãos que o mundo já não oferece?
O músico litúrgico quando canta fora da liturgia, desconectado dela, sem critério, sem reverência, sem doutrina, tá dizendo pro mundo: "Toma, é isso aqui que a igreja tem a oferecer para vocês". E o mundo responde: "Obrigado, mas a gente já tem algo parecido e com uma produção muito melhor do que essa sua". Você entendeu o que é que tá em jogo?
A música litúrgica ruim, digamos assim, não é só um erro pastoral, é um obstáculo para a evangelização. Ela não apenas fala em converter, mas também confirma o motivo pelo qual tantos não acreditam. Nós precisamos dar testemunho dessa fé que nós recebemos da igreja através do nosso serviço.
Ainda sobre a primeira homilia do Papa Leão 14, ele diz: "Jesus, embora apreciado como homem, é simplesmente reduzido a uma espécie de líder carismático ou de superhomem. Isso não apenas entre os não crentes, mas também entre muitos batizados, batizados iguais a mim e a você, que acabam por viver a esse nível num ateísmo prático. Ou seja, são batizados, recebem os sacramentos, vão à missa todos os domingos, mas vivem como se fossem ateus, porque não estão dispostos a viver a vontade de Deus.
Sabe qual é a chave que vai resolver todo esse problema? A conversão. Quem tá na igreja, mas não escuta a voz da igreja, tem que se converter.
Quem ignora os documentos, tem que se converter. Quem trata o altar como se fosse um palco e quer ser reconhecido mais do que Cristo, tem que se converter. Isso não é ofensa não, meu irmão, minha irmã.
Isso é um chamado de Deus para nós. Conversão é um chamado para toda a igreja. Todos nós precisamos buscar a conversão diariamente.
A igreja não precisa de músicos que emocionam, precisa de músicos que obedecem. Porque obedecendo eles vão emocionar, só que do jeito certo, entendeu? A igreja precisa de músicos que rezam não só antes de tocar na missa, mas que rezam durante o serviço litúrgico.
Músicos que buscam se aperfeiçoar sempre, seja para entender melhor sobre a liturgia, sobre a missa, seja para aprimorar o seu canto ao toque do seu instrumento. Músicos que compreendem o que é o mistério que estão ajudando a celebrar. Você até pode ter a melhor voz do mundo, o melhor ouvido, a melhor música, ser o melhor instrumentista, mas se você não tiver disposto a escutar a igreja, você não tá a serviço da liturgia, você tá a serviço de si mesmo.
E isso, meu irmão, minha irmã, não edifica nem você, nem o povo de Deus. O caminho é simples, é conversão. Não é fácil, mas é simples, é resposta única.
conversão. Primeiro passo, escute. Escute os documentos, escute os santos, escute o que a igreja já ensinou com tanta clareza.
Pare de dar ouvidos a opiniões atravessadas sobre o assunto da música litúrgica. Vamos sair também do comodismo. Hoje com tanta tecnologia à nossa disposição, não dá mais para dizer que ninguém nunca me ensinou, né?
O ensinamento tá aí à disposição de todos. Mas quantos estão dispostos a doar-se de verdade? Não seja como aqueles que vão à igreja esperando que Deus faça tudo por eles.
Faça também a sua parte. Segundo passo, obedeça. Mesmo quando não entende, obedeça a igreja em tudo.
Mesmo quando não concorda com alguma coisa, obedeça. Porque obedecer a igreja é um ato de amor. E o altar é lugar de amor, não de rebeldia.
Terceiro passo, desapareça. Pois é, desapareça. Porque o músico litúrgico de verdade, ele sabe desaparecer para que o mistério apareça.
Quando o povo lembra mais da sua voz do que da palavra que você cantou, é porque algo deu errado, né? A sua missão é cantar para que Deus seja escutado, não para que você seja lembrado. Converta-se, meu irmão, minha irmã, essa mensagem é para mim também.
E seja sinal de conversão para os outros. A igreja precisa de ministros, não de artistas, de servos, não de protagonistas, de homens e mulheres que escutam, que obedecem e que cantam como quem reza. Porque a fé cristã pode até ser ridicularizada pelo mundo, mas ela nunca será vencida quando for cantada dentro da liturgia com verdade.
E para você que já entendeu sobre esse chamado que Deus te fez para o serviço litúrgico, que é o chamado da obediência à igreja, da doação, eu quero aproveitar para te lembrar que aqui na descrição desse vídeo tem o link para adquirir o meu livro digital, A verdadeira Música da Missa, onde eu trago para você todos os fundamentos que um músico litúrgico precisa conhecer para servir dignamente a liturgia. Léo eu falo sobre a espiritualidade do músico, sobre a função de cada música dentro da celebração, sobre onde se deve buscar repertório adequado. Então, se você deseja aprofundar o seu serviço na música litúrgica, com certeza esse material vai ser um forte aliado na sua caminhada.
Bom, se esse vídeo te ajudou a entender melhor sobre a necessidade do serviço musical estar subordinado aquilo que a igreja diz, não esquece de curtir esse vídeo, de deixar seu comentário e de compartilhar esse vídeo com todos os seus irmãos e irmãs que servem com você na liturgia. Te convido também a me acompanhar lá no Instagram Angelo. lacerra.
Lá eu compartilho muita coisa sobre o serviço litúrgico através da música para te ajudar a servir cada vez melhor. Muito obrigado por ter ficado comigo até aqui e lembre-se, quando falamos de liturgia, a nossa obediência no serviço é o que vai fazer o povo de Deus ser tocado pela graça. Deus te abençoe.