Kel Kelvin, isso, Kelvin, is Kelvin, prazer, um prazer conhecer também. Eh, bem, acho que a Raquel já falou, né, que sobre isso, sobre sobre a nossa ideia aqui e tal, acho que é uma entrevista bem básica mesmo, né? Fazer algumas perguntas, entender, é, um pouco como funciona a sua abordagem na sua área, né?
Acho que ela já explicou tudinho bonitinho. E vocês querem fazer um misto, né? Psicologia jurídica e a psicologia.
É. E é, então, tipo assim, a gente não tem necessariamente uma abordagem, é, em si para escolher, né? A gente queria mais realmente ouvir de você.
Então, poderia, então pode ser realmente a questão do que você trabalha. Então, já que você trabalha com guiana, pode ser, pode ser guiana, sem nenhum problema. A gente não é não mirou específico.
É porque na, no roteiro de você estava psicanálise, mas não é psicanálise, né? Ah, sim. Uhum.
Entendeu? Sim. Ah, entendi.
Mas isso vocês entenderam certinho, né? Que não é psicanálise. Ah, não.
Ok, perfeito. Tá joia. Tá bom.
Se fosse canais, aí eu poderia indicar outra pessoa, né? Não, não, tranquilo. Tá bom.
Então eu vou seguindo aí as perguntas de vocês, tá? Vocês vão gravar também para apresentar pra turma, né? Isso, isso.
Exato. Aí é bem rapidinho. Eu acho que a Raquela vai começar, tá?
É uma antes de começar, quero te perguntar uma coisa para vocês. Que disciplina é? Eh, então, na verdade, é um trabalho em grupo, né, digamos assim, de várias disciplinas.
É um trabalho semestral, né, que vários professores eles organizam um trabalho em várias etapas. E aí agora a gente tá fazendo a segunda etapa, que é uma entrevista, né? A nossa primeira foi um estudo lá, um compilado, não sei que.
A segunda etapa é uma entrevista com algum psicólogo de alguma área que a gente tem interesse para entender como funciona a abordagem dele, como que ele usa a abordagem na área dele. E a gente vai aos poucos, ao longo do semestre, montando um trabalho eh gigantesco assim, né? Legal.
É sétimo período. Isso. Isso.
Sétimo período. Beleza. Vamos começar então.
Tá bom. Tá joia. Boa noite, Júnior.
Eu vou começar com as cinco primeiras perguntas e depois ele vai dar andamento. Tá joia? Tá bom.
Tá joia. Então, eh, eu quero saber um pouco sobre o que te fez escolher essa abordagem. Vocês não vão gravar porque não apareceu e é que vocês estão gravando.
Não. Sim. É, é que eu tô gravando aqui pelo por outro aplicativo.
Ah, tá. Porque achei que fosse por isso. Quinta pergunta, então, ô Raquel, por favor.
O que te fez escolher a abordagem? Eh, bom, vamos lá resgatar um pouco da história, né? Hum.
Quando a gente entra no curso de psicologia, eu acredito que paraa maioria das pessoas seja assim, eh, dificilmente alguém entra com conhecimento razoável de alguma abordagem, né? Algumas pessoas fizeram terapia com o psicólogo tal, ouviram falar, enfim, e foi o meu caso, né? Eu não eu não tinha um conhecimento bom das diferentes abordagens quando eu comecei a psicologia.
Primeiro veio o encantamento com a psicologia clínica, começou a partir daí, porque eu fui fazer uma orientação profissional como a psicóloga, achei e me chamou muita atenção assim o consultório dela, o olhar analítico dela, né, olhando assim, me analisando. E aí a gente fez algumas sessões e eu gostei muito desse trabalho e aí me chamou muita atenção isso. Falei: "Bom, talvez a psicologia clínica seja algo interessante para mim".
Quando eu comecei o curso de psicologia, [Música] eh, eu, a psicologia anguiana a gente só tem, eu acho, eu só tive, acho que lá pelo quinto semestre, só que no segundo, no primeiro ou no segundo ano no curso de psicologia, eu entrei num grupo de estudos de psicologia analítica aqui em Porto Velho Rondônia, que é onde eu moro. Esse grupo era formado por várias pessoas, era um grupo de estudos e eram e e é era não é um grupo que ele existe ainda. Eu fiquei muitos anos participando desse grupo, um grupo bastante sólido, assim, né?
a coordenadora era eh uma profissional muito ética, muito eh compromissada com a teoria, né, de fato, fazer uma uma prática embasada e as nossas trocas eram muito interessantes. Aí eu fui conhecendo Jung a partir daí fui eh estudando, lendo os livros das obras completas diretamente de Yung mesmo. É, fiz supervisões na abordagem também.
Vocês sabem, né, já devem ter falado para vocês que fazer supervisão é uma coisa bem importante na nossa prática, né? Eh, e comecei a fazer terapia também na abordagem anguiana. Então, essas coisas foram se juntando e eu fui ficando cada vez mais interessado pela abordagem.
E aí eu vou falar da abordagem em si, que eu acho que vocês querem saber mais disso, né? Eh, uma coisa que me chamou muita atenção nessa abordagem foi a flexibilidade do Jung para pensar a psicologia. Uhum.
Então, ela mesma, o Jung, ele entrou em conflito com Freud na época, né? Eles eram, eles chegaram a ser amigos, a ter trocas profissionais muito intensas entre os dois, trocaram cartas, essas coisas. E aí chega, chegou um momento em que eles eles teoricamente divergiam e aí a amizade deles não perdurou.
E aí na obra do Jung, uma das coisas que ele mostra é essa importância do profissional pensar a psicologia de maneira ampla e ampla e flexível, não ficar centrado na própria abordagem, porque se você constrói um conceito, certo? eh ou uma ideia e você fica em torno dela, você corre o risco de não olhar para outras teorias que estão surgindo, não olhar para outras outras práticas. Então ele o por exemplo estudava outras abordagens, né?
Ele não chegou a estudar tudo, a ver tudo, mas ele estudou psicanálise, ele também conhecia um pouco da psicologia do Adler. E então assim, ele tem uma mente, uma mente aberta, em outras palavras. E eu achei isso muito muito interessante.
Eh, outra coisa também, a experiência que eu fui tendo como paciente me ajudou muito, né? E e aí eu acho que isso foi alimentando, né, a minha minha vontade de atuar com Yun. Que mais?
E eu vou fazer a segunda pergunta agora para você. Qual foi sua trajetória profissional até chegar aqui? Quando eu me formei como psicólogo, eu queria atuar na clínica, como eu disse para vocês, e eu fiz isso.
Uhum. E eu comecei atuando na abordagem ambiana. Eh, eu fiz um concurso paraa prefeitura aqui de Porto Velho.
Eu passei primeiro ano de formado, eu fazia essas duas coisas, atendia e trabalhava na prefeitura como servidor público. Hum. Eh, acompanhando adolescentes que cumpriam medidas socioeducativas.
Não sei se vocês já ouviram falar nesse trabalho. O adolescente comete uma infração, o Tribunal de Justiça vai lá e diz assim: "Olha, você vai ter que cumprir uma medida tal". Eles encaminham para um psicólogo e uma assistência social acompanharem a família, o o adolescente e tal.
Aí eu fazia esse trabalho, fiz por anos. Hum. Só que assim, eh, as prefeituras de maneira geral tano de carreira muito ruim, condições de trabalho ruim, ruins, e eu me vi realmente impelido assim a procurar um trabalho que que desse no serviço público melhores condições e sempre me chamou atenção no serviço público eh a estabilidade, né, eh, profissional.
Então eu queria clínica, mas ao mesmo tempo eu queria algo mais fixo. E aí com um tempo eu fui fui eu abandonei um um os concursos por um tempo, depois eu voltei a fazer, aí passei no Tribunal de Justiça, que é onde eu trabalho hoje como psicólogo. Lá a gente trabalha com psicologia jurídica, que aliás é um trabalho bem diferente da clínica, tá?
É bem diferente. Isso é importante ressaltar porque eh é comum quem entra na psicologia jurídica no início confundir, né? né?
Mas são coisas bem diferentes. Eh, e aí hoje o meu trabalho então continua sendo na clínica, continua sendo agora com psicologia jurídica e eu ofereço mentoria também para quem quer prestar concurso público. Então são essas três coisas.
Legal. Muito bacana. Muito legalmente.
Exalmente. É uma área que eu também quero seguir. Psicologia jurídica.
Eu também. Ah, ela também. Então é uma área bem interessante, não só a prática em si, mas a próprias as próprias condições de trabalho também, o salário, plano de carreira, autonomia que a gente tem, porque eh você pode tecnicamente justificar pro juiz que não vai fazer isso ou não vai fazer aquilo, né?
Eles costumam respeitar bastante o nosso trabalho, assim, falando de maneira geral, né? Sim. Ah, que ótimo.
Sim. Bem legal. Que bom ver isso.
Exato. Eh, e a terceira perguntinha, o que o que você considera ser a principal diferença da abordagem guiana, né, em relação a outras abordagens psicológicas? Eu tenho uma visão bem aberta em relação a essa questão de de outras abordagens.
Eu não gosto muito da de que de ficar criticando outras abordagens de maneira vazia, assim, como se só uma abordagem prestasse, né? Eu não gosto muito disso. Uhum.
Eu tento me apropriar do que eu, Claro, assim, não estudo todas as abordagens, né? A gente não tem tempo para isso, não tem e nem precisa, né? Eu sou centrado em uma abordagem, mas eu leio pesquisas.
Eh, se tiver alguma coisa interessante de outra abordagem que eu possa me apropriar, sem gerar confusão teórica, eu faço isso, né? A TCC, por exemplo, ela tem algumas coisas interessantes de ela trabalha muito eh com protocolos, né, com eh orientações pros pacientes. É uma coisa interessante, sim.
Com coisas práticas também, né? Então, eh, bom, mas aí eu não respondi a pergunta, né? umorno aqui respondendo agora, eh, eu acho que isso que eu falei no início, o Jung, ele dá possibilidade de você eh dialogar com outras abordagens.
Hum. Uhum. Claro que aí você tem que saber fazer isso, né?
Você tem que entender que cada abordagem tem sua estrutura, mas ele dá essa possibilidade. Essa é uma coisa, tá? A outra coisa que eu acho que destaca essa abordagem é a um cuidado muito grande com pré-julgamento sobre o paciente.
Isso é sim. Então, por exemplo, o psicólogo, principalmente quando a gente é estudante, eh é comum as teorias, o o o futuro profissional ou psicólogo tentar enquadrar o comportamento humano em certos conceitos, certo? Uhum.
Estudando para isso também, para vocês analisarem uma situação, linkarem isso com a teoria e produzir uma prática sobre isso. Só que você pode fazer isso de diferentes maneiras. O Jung era bastante cauteloso.
Então isso eu acho muito interessante, né? escutava muito paciente, paciente antes de fazer qualquer análise. Eh, e ele falava uma coisa interessante também, ele falava que depende muito do paciente, porque assim, alguns pacientes vão precisar de uma da determinada forma de trabalho e outro e você vai ter que mudar dependendo de outro paciente, né?
Os pacientes não são idênticos, você tem que considerar isso na abordagem. Eu acho acho bem interessante. Uma outra coisa também que eu acho bem particular dessa abordagem é uma preocupação com a contratransferência.
Então, não sei se vocês lembram que é, mas, né, a contatransferência tem a ver com as reações do emocionais e cognitivas, né, do do terapeuta em relação ao paciente. E o tempo todo, eh, o terapeuta indiano precisa fazer essa reflexão sobre como ele está posicionado na relação com o paciente, né? Uhum.
Então, ah, o psicólogo a gente a gente sente eh seres humanos também, né? Então, obviamente quando vocês forem atender alguém, sentimentos vão surgir. Mas aí o o Jung, ele ele questionava muito qual era a fonte desse sentimento.
Então, ah, o terapeuta está com raiva, né? Ficou com raiva do paciente, mas essa essa raiva veio de onde? Ela veio de algo que o paciente disse.
Eh, e se sim, por que que eu fiquei com raiva do que eu ouvi? ou é uma raiva que vem de um outro lugar. por exemplo, eu estou muito cansado de atender esse paciente, porque é um paciente que me cansa e aí eu preciso prestar atenção nesse sentimento para poder para não deixar esse sentimento atrapalhar o processo.
Eh, outra coisa, por exemplo, também o se o paciente nos faz, a o nosso sentimento ajuda a trabalhar com o paciente também, porque às vezes a gente o terapeuta se sente da mesma maneira como outras pessoas se sentem com aquela pessoa. né? Então assim, eh um paciente X, eh ele produz no terapeuta um sentimento de que o terapeuta nunca é suficiente assim, de que sempre, né, o terapeuta nunca é bom para aquele paciente.
E aí você ouvindo a história do paciente e analisando a situação, você começa a perceber que isso é e parece afetar outras pessoas que convivem com o paciente, talvez. E aí eu estou só aqui Uhum. Criando informações, né?
Não tô falando nenhum paciente específico. Talvez seja um paciente então que nada para ele tá bom, né? Assim, todas as pessoas precisam melhorar, né?
Porque eh e aí consequentemente o terapeuta sentiu isso também. Acho que deu para entender. Sim, sim.
Tá, eu tô falando muita coisa. Se vocês quiserem que eu explique de novo, eu falo. Mas acho que essas três coisas são bacanas para exemplificar.
Ok, perfeito. E também quero saber, né, quais são os benefícios mais evidentes que os pacientes experimentam ao receberem tratamento com essa abordagem? Eu acho [Música] que uma das contribuições é o processo de autoace aceitação, né, em relação a a si mesmo, a quem a pessoa de fato é, ao que ela deseja.
Então, é feito um trabalho geralmente grande de acolhimento do paciente e para ajudá-lo a reconhecer e a perceber melhor os próprios sentimentos, comportamentos, padrões eh de relação, eh, mas não aceitar no sentido de, bom, eu sou assim, tudo bem, né? Às vezes as pessoas precisam mudar, só que a gente muda a partir, muito a partir desse dessa autopercepção. Então a terapia trabalha muito com a ampliação da consciência do paciente.
E aí você vai a cada sessão ampliando, ampliando, ampliando para que ele vá construindo essa percepção sobre ele, sobre o mundo, sobre as relações, né? E a partir dessa ampliação da consciência, ele conseguir perceber a si mesmo, aceitando que é que aceitar pode gerar uma palavra, pode ser uma palavra confusa, né? Mas prefiro reconhecer, reconhecendo a si mesmo e a partir disso eh fazendo as mudanças necessárias ou aceitando quem ele é e aquilo que não precisa ser mudado, né?
Porque nem tudo precisa ser mudado, né? Às vezes as pessoas acham que a gente precisa mudar alguma coisa. Eh, mas a gente não precisa, na verdade, quem precisa mudar é o outro, né?
Acontece também. Muito, com certeza. Tá, mas eu falei só uma coisa, eu acho que eu falei pouco, né?
Eh, não, não, você falou os pontos principais, os benefícios que essa abordagem traz para o paciente. Mas deixa só falar mais alguma coisa. É, vou ser rápido.
Não, tudo bem. Uma uma outra questão é a autenticidade, né? Porque bacana, na medida em que você vai se reconhecendo mais, você consegue construir uma vida eh com menos persona também, né?
A persona é um conceito indiano, né? Todo mundo, todo todos nós usamos personas, né? Vocês estão só na persona de aluno, por exemplo.
Sim. Cada persona tem a ver com expectativas e o que os outros esperam de nós e o que a gente espera de nós também. Mas isso só a vida não é feita só disso, né?
Então, eh, ninguém aguenta só ficar ficar desempenhando esses papéis, né? A gente precisa de fato mais do que isso. E acho que a abordagem indiana vai dando uma ênfase para isso também.
OK. Perfeito. Interessante.
E quais recursos ou ferramentas você considera essenciais para uma prática eficaz dentro da abordagem urbiana? Abordagem, sim. O terapeuta fazer terapia, isso é muito importante.
Eh, supervisão, hum, também. OK. Você sabe a diferença bem, né, de terapia para supervisão.
Uhum. Sabe? Acho que sim.
É, sim. [Música] Eh, você pode usar outras ferramentas complementares, como por exemplo, os indianos usam muito eh eh formas de do paciente expressar de outra maneira o que a psique dele, né? Por exemplo, desenho, eh, tem guanos que trabalham com argila, com pintura.
Eh, uma coisa também que muitos trabalham, que eu já trabalhei também, às vezes eu trabalho relato de sonhos, né? Eh, só que tem que ter todo cuidado com isso, né? Porque a gente não, o psicólogo não é um dicionário ambulante de de símbolos, né?
O paciente não fala e a gente decifra o sonho. Não é assim que funciona, né? Você tem que ter cuidado com isso, tem que tem todo um uma forma de lidar com isso, mas é um uma ferramenta comum você pedir pro paciente relatar o sonho.
Aí você pode anotar, colher as você colhe com o paciente as associações dele sobre o sonho. Você pode eh fazer uma história também, né? Porque você pega os sonhos do paciente ao longo de toda a terapia e você vai a partir disso fazendo isso, vai ajudando a ampliar a consciência sobre o que tá acontecendo e tudo mais.
Eh, mas a terapia umana é bastante realmente por meio do do diálogo verbal, assim, a gente trabalha muito com é muito de maneira verbal, eh mas com essas ferramentas que podem ajudar também, né? Tá joia? Agora vou passar o resto da das perguntas pro meu amigo aí para ele fazer já para você.
OK. Vamos dar prosseguimento aqui. Deixa eu só pegar aqui.
Eh, bem, já que é que você trabalha com área, né, jurídica, como é o dia a dia de um psicólogo jurídico, né, que atua com essa área, né, com a área, com a área, não, com a com a abordagem guiana? Eh, eu acho melhor eu falar de maneira mais geral, porque você tem poucos psicólogos que trabalham eh com abordagem guiana no jurídico, tá? Tudo bem.
também eu vou falar de maneira geral para contextualizar, senão vocês não vão entender. Tudo bem? Eh, bom, o papel do psicólogo jurídico é fazer uma avaliação psicológica Uhum.
jurídica. Isso é muito importante porque é uma avaliação diferente eh de uma psicologia clínica, né? de quando o paciente chega pro psicólogo na clínica e quer avaliar eh questões psicológicas, neurológicas, né, pro neuropsicólogo, eh ou personalidade, enfim, o psicólogo o trabalho do psicólogo jurídico é tentar entender a dinâmica, eh, psicológica das da das pessoas envolvidas no processo, mas mais muito mais do que a dinâmica psicológica é entender a dinâmica relacionada.
Porque a a muitas vezes o atendimento não é só com uma pessoa. Eu, por exemplo, trabalho na vara de família, então eu atendo pai, mãe, frequentemente pai, mãe e filhos, às vezes asó avós, às vezes tios e outros familiares, né? Uhum.
Eh, então entender é como tirar uma fotografia eh da situação de vida eh da pessoa naquele momento, mas do ponto de vista psicológico, né? Bom, e aí essa avaliação ela vai ser feita para sub para ajudar o juiz a tomar a decisão sobre o caso, certo? Certo.
Para você fazer a avaliação, você pode usar diferentes abordagens, como eu disse aí, no caso, especificamente da abordagem um guian, né? Uhum. Eh, como não é uma terapia, então a existem algumas limitações no uso da da abordagem.
Por exemplo, eu não trabalho com son psicologia jurídica, né? Eu preciso embasar ao meu laudo psicológico em em entrevistas com as pessoas, né? Às vezes visita faço visita domiciliar também, mas a principal ferramenta é entrevista mesmo, né?
Que a principal maneira de acessar alguém é por uma entrevista. Uhum. Eh, e então eu não eu não trabalho sonhos, por exemplo.
Isso não vai, isso pode até assim, é uma situação complicada. Como é que você vai usar isso para fundamentar um laudo de psicologia jurídica, né? É, pois é.
tá fundamentado na clínica fundamenta, mas é outro contexto, entendeu? Uhum. Tem que ter dados mais robustos ali para fundamentar o que você tá dizendo, né?
Eh, então, eh, existem essas limitações, não uso sonhos, por exemplo, mas eu tenho o olhar para pra dinâmica de vida da pessoa, a dinâmica de relações da pessoa a partir da abordagem guiana, mas eu queria também destacar que é muito importante não ficar só na própria abordagem, por Jung, por exemplo, ele não trabalhou com psicologia jurídica, ele não tem nada escrito sobre psicologia jurídica, né? ele não, então assim, eu não posso partir do pressuposto de que a abordagem guiana ela atende completamente a psicologia jurídica. Eu preciso complementar com outras coisas.
Então eu leio autores da área, eu leio pesquisa sobre, né, eh, para me dar mais ferramentas. Eh, e bom, em resumo, é isso. OK, bacana.
Muito bom. Eh, a próxima também é um pouco mais dificinha, né, que na sua experiência, como os conceitos dessa da da abordagem yunguiana se aplicam, né, nos contextos legais e judiciais, né, como os conceitos se aplicam. Isso.
Vocês já estudaram em Jung? Uhum. Sim.
Já. Quantas aulas vocês tiveram? Ah, eu acho que bastante já.
A gente já teve, eu pelo menos tô tendo, acho que é uma terceira vez de novo, voltando um pouco, né? Porque acho que os conteúdos acabam esbarrando, mas a gente já tá bem acostumado já com os conceitos. É, a psicologia, assim, o Jung é uma crítica que eu tenho ao Jung, ele poderia ser mais didático, né?
Cá entre nós. Sim, sim, concordo. Concordo.
Concordo. Eu concordo mesmo. Mas bom, mas aí ele, né, nem vivo tá.
Então o que ele escreveu foi foi ele que escreveu e ele não pode se defender, coitado. Ele não pode se defender, né? Mas assim, vamos lá.
Eh, quando quando uma pessoa entra com processo, ela vai contar fatos que aconteceram com ela, mas aí tá o nosso trabalho, né? assim, o que o que a pessoa diz que aconteceu com ela? Aconteceu com ela realmente, aconteceu mais ou menos.
Ela tá projetando o próprio mundo interior dela, eh, naquilo que ela tá dizendo, né? Ou até mentindo, porque lembrem que em contextos judiciais um dos principais fenômenos é a mentira, porque há um conflito de interesses. Você tem um conflito, né, de ganha perde, né?
Eh, então assim, geralmente ganha pede. Claro que a justiça muitas vezes tenta fazer com que os dois ganhem de alguma maneira, porque em muitos casos seria injusto só uma pessoa ganhar, mas é um conflito, entendeu? Então quando você escuta alguém, né, falar sobre o que tá acontecendo, muitas vezes você, o psicólogo não foi testemunha, então a gente não vai poder dizer se aconteceu ou não.
A gente não pode. Uhum. Ah, fulano, como ele me me violentou.
Uhum. não é papel do psicólogo dizer se foi fulano, isso é uma investigação judicial. Contudo, quando a gente escuta a pessoa e faz avaliação, a gente consegue eh perceber às vezes eh que algumas situações pontuadas pela pessoa têm mais a ver com questões psicológicas ou individuais dela do que do que exatamente algo que merece o mérito judicial, né?
Eh, às vezes é uma pessoa que tá num sofrimento psicológico muito grande, né? E aí ela tá eh usando a justiça de uma maneira, ela precisa, tudo bem, entrou com um projeto judicial, mas ela precisa também de uma psicoterapia para ela, né? Eh, ou às vezes nem precisava de um projeto judicial, de fato, a pessoa precisava de uma terapia.
Então, eh, essa a forma como a pessoa está lidando com o que aconteceu com ela ou até mesmo eh possíveis distorções que ela esteja fazendo, a gente consegue com limitações, porque lembre, psicólogo não é um setor poderoso, diferente de como às vezes acham, né? A gente não tem um scanner, um raio X psicológico nos olhos, né? Então, eh, não é assim que funciona, ainda mais o contexto jurídico, onde a gente às vezes a suspeita de alguma coisa, só que a gente não pode afirmar, tem que ser embasado, né?
Eh, então assim, aí a psicologia umana fala muito dessa dessa questão da projeção, né, da própria psique no mundo externo. Então, acho que isso é uma coisa que ajuda. Eh, uma outra coisa, ah, o conceito de sombra também, acho que vocês já ouviram falar, né?
Mas eu vou relembrar aqui. Sim, eu vou dar esses dois exemplos, senão acho que a gente talvez se alongue muito, né? Vocês têm mais perguntas.
Então, acho que um um conceito de um é esse, a projeção da psique sobre o mundo externo na própria psique individual. Uhum. Outro conceito indiano que ajuda é o de sombra.
Em resumo, a sombra ela seria parte da da nossa psique, eh, que contém emoções, pensamentos, impulsos que podem eh que são, entre aspas, faz mais feios socialmente, né? Eh, sim, são conteúdos mais desagradáveis, mais de fato às vezes reprováveis socialmente, né? A gente pegar, por exemplo, uma pessoa que tem eh ela tem um um desejo de agredir a outra e ela gosta, né?
E ela gosta. Eh, quer dizer, de fato, a sociedade não pode, aceitar isso, certo? Então, mas a pessoa ela ela pode não ter a consciência de que ela gosta, ela tem um certo sadismo em eh ver o outro sofrer ou ficar subjulgado sobre sobre a a violência dela.
Eh, pode ser que essa pessoa não tenha essa consciência desse elemento sombrio, por exemplo, né? Eu, claro que eu dei um exemplo mais exagerado, drástico, mas você tem vários exemplos de sombra. por exemplo, uma pessoa que é egoísta, eh uma pessoa que eh que tem outro tipo de agressividade, ela pode ser que ela não perceba essa agressividade, né?
Ou pode ser que perceba inclusive. Eh, então no jurídico o que que acontece? Aí eu vou dar um exemplo da vara de família.
Eh, frequentemente as partes, por exemplo, pai e mãe que estão em processo, usam a criança ou o adolescente como objeto de vingança. Hum. Isso pode ser uma uma dinâmica sombria em que um dos dois ou os dois não percebem que estão fazendo isso ou percebem de uma maneira, percebem parcialmente, né?
Hum. Então, assim, o tempo todo é importante quando a gente faz a avaliação, a gente fica atento a essas dinâmicas, porque eh elas acontecem muito, né? o uso judiciário, não só para reivindicar um direito, mas para atingir o outro, para ser agressivo com outro, para eh a alguém que não está conseguindo lidar com a separação.
Então, inclusive existem casos de falsas denúncias, até mesmo de falsas denúncias de abuso sexual. Então, uma maneira que eh já foi registrada na literatura, né, utilizada pela uma das partes, foi dizer que a outra cometeu um abuso sexual. Uhum.
Quando não existe o abuso, né? Eh, não existia o abuso, quer dizer, uma falsa de para atingir o outro. OK.
Caramba, bacana. Interessante. Eh, bem, a nossa oitava pergunta.
Existe alguma dificuldade comum que você encontra ao aplicar eh a abordagemana nesse campo específico? Dificuldade? alguma dificuldade comum assim.
Nossa, você tá ali tentando aplicar. Eu gostaria de mais literatura na área sobre hum, né? Eu, mas eu acho que como eu já estudei muito, assim, eu fiz muita supervisão, muita terapia, eu tenho um ano estudando essa abordagem, eu já não me sinto, eu não me sinto perdido nela.
Uhum. Então, para mim não é um, não é um problema. Mas se for fazer uma pontuação, eu acho que vale vale a pena a publicação de mais estudos nessa abordagem psicologia jurídica.
Ah, ok. Então é realmente a falta dessa dessa literatura, né, de conteúdo, de profissionais na área para É, não é que não tem, né, mas e não é que não a literatura que existe não ajude. Eh, você tem, por exemplo, muitos textos sobre família, né?
Eu trabalho na de família. Sim. Mas eu acho que é um campo aí aberto para essa abordagem.
Uhum. OK. É, no geral, então, são poucas, né, digamos assim.
Poderia haver mais. Poderia. Tá, tá.
OK. Tá ótimo. Eh, bem, a nossa nona pergunta.
Você já passou por alguma situação em que teve que conciliar conflitos éticos entre o campo jurídico e a prática clínica, né? Acha, você acha que já ouviu esse conflito? explica melhor, porque são duas áreas, duas áreas de atuação diferentes.
E vocês cruzaram a pergunta, o que que é exatamente? É, assim, é, então, no caso, por exemplo, seria ah algum conflito em que, digamos assim, eh, você tem um papel como psicólogo, né, digamos assim. Uhum.
E que da mesma maneira quando você trabalha num caso, né, você tem um, digamos, um compromisso ali, digamos assim, com o caso, por assim dizer. Então, já houve algum conflito em que eh ou você já experienciou já algum conflito entre a prática clínica e a atuação na área jurídica, digamos assim? Houve algum momento em que o ser psicólogo houve eh tipo, teve conflito com a área em si, com a área jurídica?
Tá, acho que eu entendi a pergunta. Deixa só ligar o ar condicionado um minuto aqui. OK, tudo bem.
[Música] Então, a questão ética, ela é fundamental em qualquer área de atuação da psicologia. Tanto na psicologia clínica quanto na jurídica, é comum a gente pensar em questões éticas. Eu acho que principalmente na psicologia jurídica.
Sim. Porque na psicologia jurídica o psicólogo vai ter que produzir um documento. Uhum.
esse, ou seja, outras pessoas estão envolvidas e um processo judicial está envolvido. Então, assim, você tem que pensar até até onde você vai escrever, porque a, né, como nossa ética, código de ética disse, você deve escrever aquilo que eh realmente for necessário, né? Uhum.
Eh, você vai atender quem, né, quem de fato deve ser atendido. Então, o tempo todo perpassa o trabalho, perpassa essas essas reflexões é com frequência. Eh, eu acho que em relação às duas abordagens, eu eu fui psicólogo clínico antes de ser jurídico, né?
Eh, eu acho que uma questão que atravessou isso foi eh diferenciar bem essas duas áreas, porque se o psicólogo não tomar cuidado, ele pode acabar confundindo com uma certa facilidade. Hum. Porque a nossa formação ela é bem clínica, né?
Uhum. Sim. Eh, a minha foi talvez mais do que de vocês, inclusive, mas são áreas diferentes que tem um diálogo, mas áreas diferentes.
Então, um limite ético seria esse, né? Eh, respeitar as as características de cada área, as limitações. Sim.
Então, eu acho que eu eu respeitei esses limites, mas eh envolveu uma reflexão tanto durante o processo de estudo para pro concurso quanto quando eu entrei, né? a gente inclusive passa por curso, né? Geralmente o TJ oferece e alguns cursos de de capacitação e tudo mais.
Ah, que ótimo. OK. Bem, então agora a nossa última pergunta, né?
Eh, qual dica você daria para estudantes de psicologia que têm interesse tanto na área jurídica, né, quanto na área? [Música] Que que eu diria para vocês? É, pois é.
Bom, estudar muito, né? Vocês escolheram uma profissão que tem que estudar muito. Eh, repito a questão de fazer supervisão e terapia.
Eu acho que isso ajuda muito na nossa prática, bastante. Uhum. OK.
desenvolver um senso ético bem forte, porque como eu disse, principalmente na na jurídica, o tempo todo, assim, eu me vejo, você tem que fazer reflexão tempo todo, porque cada caso é um caso. Esse, nesse caso, eu vou até onde eu vou relatar o que no laudo, então desenvolver isso. Eh, no caso de psicologia jurídica, aprender a escrever documento psicológico, né?
Aquela resolução lá do conselho, ela é bem importante até mesmo para concurso. Então, se vocês forem fazer concurso, decorem aquela resolução de documentos escritos, não a desatualizada, a de 2019, número seis lá, né? Uhum.
Eh, que fala sobre laudo, relatório, parecer, tá, tá, tá. Eh, na abordagem anguiana, mais especificamente, tem uma vivência na como paciente nessa abordagem. Uhum.
Eh, busquem auxílio de outros textos para ajudar a entender, sabe? Porque é dificil existir fácil. O Jung, eu acho que ele poderia ser mais didático nesse ponto, por exemplo, eu acho que a TCC ganha assim em termo de didática, né?
Você pega os livros da abordagem cogiva comportamental, é a didática costuma ser boa, né? Eh, então, mas tem outros textos depois do Jung que são mais didáticos que podem ajudar, né? Eh, uma coisa também que eu acho que ajuda, mas aí vocês têm que saber usar.
Vocês sabem usar inteligente artificial? É, eu diria que hoje em dia, né, em 2025, eu diria que sim. Sim.
Então, porque existe um grande, eu uso bastante para estudar, para, eh, pesquisar, só que você tem que ter, principalmente a gente da psicologia, tem que saber usar muito bem, porque ela erra e uma certa frequência. Ex. Então assim, se você pedir para explicar um conceito de um guiano, eh vocês t que saber pedir para paraa inteligência artificial.
Eh, pede para ela citar a fonte de onde ela tirou também. Eh, dá uma olhadinha também, uma Eu eu esses dias fui pesquisar uma coisa, aí ela me mandou um, eu pedi para mim mandar a citação direta de texto tal, a Iá, ela fez uma confusão na não tinha aquela citação direta no texto que ela dizia, então esses cuidados. Mas eu acho que usar inteligente artificial a nosso favor, entendeu?
Eu acho muito útil tanto para estudar para concurso quanto para estudar para para graduação, para psicologia, né? Mas aí eu acho que não dá para ficar só no chat GPT também. Tem uma tal chamada, não sei se vocês conhecem, Plexity.
Não, não desconheço. Vou mandar o link para para vocês, por favor. Ela, por exemplo, porque cada IA tem um ponto forte.
Chat GPT não é ainda excelente para fazer pesquisas, para buscar fontes assim, né? Ah, eu quero sobre isso. Ele dá lá, mas você tem essa essa IA, por exemplo, ela é mais precisa e melhor para fazer isso.
Hum. Perfeito. Mandei lá.
Bom, mas é isso, então. OK. Tá ótimo.
Muito bacana. Até porque é raro a gente ver essa questão, digamos assim, a a yunguiana, né, sendo usada eh em psicologia jurídica. Mas que bacana saber que que existem, né, eh, inguianos em jurídico.
Olha, eu acho quase nenhum. É porque os os inguianos de maneira geral gostam mais da clínica e não gostam tanto de de dar aula também. Uhum.
Então assim, você encontra alguns na academia, mas você encontra mais na clínica, que é bem aquela tradução em um guiana mesmo, né? Sim. Eh, de de terapia e tal.
Eh, mas você tem alguns que trabalham em outras instituições. Eu tenho uma colega que é psicóloga hospitalar, por exemplo. Eu tenho uma outra colega que é psicóloga militar.