Bom dia, bem-vindas todas, é um prazer a gente estar aqui hoje com a Paula Monroy para primeira conversa sobre a cultura transformação o nosso tema de hoje né vamos falar sobre as questões das relações entre cultura e território. A Paula tem uma pesquisa que relaciona questão de território e direitos humanos sobre uma abordagem da micropolítica e bem-vinda Paula. Obrigada, obrigada também Intermuseus pelo convite tô super feliz de estar aqui. Primeiramente eu queria aqui apresentar para iniciar a conversa uma metodologia que ela tá em construção, embora ela já tennha funcionado como matéria para desenvolvimento pedagógico, para
um processo de consultoria de políticas públicas no qual eu colaborei como associada do Instituto a Cidade Precisa de Você, que eu vou contar um pouquinho mais em detalhe mais na frente, mas eu gostaria de começar dizendo que essa é uma aproximação que eu venho desenvolvendo enquanto pesquisadora. Eu sou arquiteta de formação, mas eu venho transitando entre os campos de curadoria, da geografia, Das Ciências Sociais e muito voltada à questão do território, porque é uma questão que me parece que atravessa todos esses campos e não pode ser deixada de lado num contexto onde cada vez mais
a gente se dá conta que é necessário revisitar os objetos de estudo, os lugares onde a gente se insere a partir de uma perspectiva que não olha para ele como objeto e sim como o sujeito que eles são né. Nesse caso o território é um lugar, uma arena onde confluem uma série de conflitos, alianças que eu tenho começado a entender através da micropolítica. Então para começar a falar sobre isso eu queria aqui um pouco contar sobre como é que eu entendo, como que se entende essa aproximação metodológica da micropolítica territorial e é basicamente considerar que
existe um conhecimento teórico né, que eu vou aqui passar rapidamente para a gente também ficar na mesma página. O conhecimento empírico que é o conhecimento que a gente encontra nos territórios, nas comunidades e nas maneiras como um projeto que incide no espaço habitado também dialoga e ferramentas técnicas para conseguir construir uma gramática em torno às complexidades que Fazem parte de um contexto tão diverso e flutuante como o território e a sua micropolítica tá então começando por aí. O que que é o território sobre que que a gente fala quando fala em território, eu tenho me
baseado na teoria do geógrafo Milton Santo, que vocês devem conhecer, que diz que basicamente o território é uma porção de espaço onde operam não apenas demarcações, mas também controle poder e o sentimento de pertencimento. Então são três vetores que participam na construção territorial, ela pode ser definida por limites físicos ou imaginários que determinam a extensão de domínio exercido sobre ela, seja por um sujeito, por um grupo ou por uma instituição. O território também ou essa área pode ser definida por consenso ou por apropriação né como por exemplo os processos colonizatórios, como por exemplo os deslocamento
de populações que têm ocupado infraestruturas locadas vagamente no âmbito urbano, para logo depois desenvolver algum tipo de projeto e infraestruturas urbanas etc. Então o desalinhamento desses limites ou fronteiras ele pode trazer eventualmente conflitos né, então nas Palavras do Milton Santos, também é importante entender que o território no qual a gente vive é mais do que uma simples coleção de objetos que utilizamos para trabalhar, criar, circular porque também é uma entidade simbólica né, porque a gente sente que pertence ao território. Então isso é fundamental então aqui eu gostaria de apresentar alguns exemplos de territórios que eles
não só respondem a uma condição física, os limites físicos, mas também a sua expansão simbólica e programática. Então no caso desse exemplo aqui, que é ocupação Ouvidor 63, um caso de estudo que eu fiquei muito próxima durante muitos anos, a gente vê que, claro, é um edifício ocupado no meio do centro de São Paulo, o qual tem uma um formato né físico específico. Mas ele também tende a ser lido tanto pela comunidade que o habita, quanto pelas pessoas que habitam em torno dele, como mais ou além dos limites dos muros. Nesse sentido que a gente
tá vendo a área externa da Ouvidor que a depender do tipo de programa que eles desenvolvem, ele se estende pra rua para a passarela que conecta o edifício com o resto da cidade, com o terminal Bandeira, que é um outro Território, de outra índole e que, às vezes, por ser os territórios também por terem essa condição de superposição, em muitos casos tem entidades oficiais como por exemplo o caso da Polícia Militar que vai tentar de alguma forma recontorno mais seus limites a partir da perspectiva da oficialidade em relação à perspectiva do espaço vivido ou espaço
micropolítico que é nesse caso o Ouvidor né, já vou explicar aqui que a gente se referir com micropolítica. Esse é um outro caso né clássico de delimitação de território não reconhecido em muitos casos oficialmente, que são a demarcação de terras indígenas, a Ma também tem uma pesquisa super interessante sobre isso e que é curioso que ultimamente tem dispositivos oficiais, apesar deles não serem de caráter público, como por exemplo Google Maps, tá começando a reconhecer esses limites de uma maneira universal, digamos assim, então por um lado a gente pode dizer ah, interessante essa demarcação oficial a
partir de um instrumento tão de massa como seria o Google, mas o que que tem por trás também dessa demarcação, o que que significa, quais são as moedas de troca que existem dentro dessas formas De visualizar o território que independem de quem seria a entidade oficial que deveria demarcar, que seria o estado nação né, então isso como uma pergunta assim ainda aberto, mas pensando no território, que território também contém pessoas né e formas de funcionamento e dinâmicas. O que que seria a micropolítica também, então se a gente se aproxima do pensamento da filósofa e curadora
Sueli Rolnick em colaboração com Félix Guari, eles definem a micropolítica como a série de dinâmicas e aspectos sociais culturais e políticos que acontecem localmente dentro de um território específico, esses territórios específicos podem ser conformados por grupos, por famílias, por coletivos, por associações comunitárias ou, inclusive, por bairros que se organizam autônoma e socialmente Quando me refiro com autônoma, a gente está falando aqui sobre não necessariamente reconhecidos através de algum tipo de Lei, algum tipo de instituição que valide esse tipo de acordo, que existem, que operam nesse território em particular. Além disso, micropolítica revela como essas relações
contribuem à produção de espaços habitados e graficamente ela pode ser Compreensível através da figura do diagrama do rizoma. Eentão pra gente entender aqui mais ou menos como que é esse rizoma, ele é composto basicamente por elementos diversos por conexões e por dinâmicas Então as dinâmicas ativam essas diversidades e essas dinâmicas também com as diversidades criam conexões também através da micropolítica. A gente entende que não necessariamente existe uma leitura hierárquica existem entre elas hierarquias, mas não é uma complexidade hierárquica dessas conexões, essas formas de operar. Então, em outras palavras, a micropolítica responde a aspectos sociais e
culturais de uma ou mais comunidades habitando o mesmo território, se refere a identidades, dinâmicas de poder, formas de comportamento, responsabilidades e direitos de um grupo de pessoas ou coletivos, e não necessariamente, como eu dizia, são formalizadas por um documento ou Lei. É interessante também entender que segundo a leitura de Suely Rolnik, cada território possui a sua própria micropolítica, mas ao mesmo tempo, os territórios em si contém outros territórios em si mesmos. Então tem uma série de dimensões e escalas Que são interessantes de começar a entender e visualizar quando a gente está se aproximando a uma
área definida como território, porque pode ser que dentro dela se contenha outros mais. Então, dito isso, que seria a micropolítica territorial, como uma tentativa de resumo, eu costumo dizer que são aspectos socioculturais de um território específico, onde cultura aqui que a gente entende não como necessariamente as expressões artísticas formais reconhecidas pelo sistema das Artes, mas também como um comportamento humano, aos costumes e as formas de conhecimento próprios de um grupo social específico. Então, nesse sentido, a micropolítica territorial são esses aspectos que seriam importantes ou seriam necessários serem mapeados ou seja visualizados e reconhecidos graficamente. Mas
por quê? Por que seria importante reconhecê-lo e visualizá-lo graficamente? Porque, como diria o artista e ativista Alfredo Jaar, chileno, o contexto é tudo, então é interessante quando a gente tem algum tipo de intenção projetual ou algum tipo de abordagem que vai incidir no território, no espaço habitado, entender que, para isso para ter algum tipo de Diálogo, permeabilidade social, é necessário criar um diagnóstico para começar a trabalhar. Então, não é possível desenhar um projeto que interfere nesse espaço sem entender seu contexto e particularidades né, que seriam as pessoas, condições culturais, condições políticas e com política, não
me refiro à política partidária e sim às dinâmicas que se dão entre seres humanos, conflitos e alianças, as condições climáticas e econômicas que vão determinar a vinda posterior de qualquer projeto ou então a sua permeabilidade social para visualizá-los como é que a gente faz, a ideia basicamente essa visualização é que possa trazer uma aproximação de informações invisíveis para fazê-las visíveis. E isso através da criação de um diálogo ou uma língua em comum que consiga passar conhecimento empírico através de conhecimento técnico e vice-versa. Porque, basicamente, quando a gente faz uma leitura territorial a gente não só
dialoga com as comunidades, mas a gente dialoga para as comunidades. Porque vão ser elas que vão confirmar se essas informações, esse mapeamento são fidedignos ou não. Então, outro ponto importante É permitir que as pessoas envolvidas nas dinâmicas se reconheçam e validem as informações, para ter uma autonomia sobre as suas próprias narrativas, ou seja, que a comunidade consiga também trabalhar com esses diagnósticos para fins que sejam para eles também interessantes e, finalmente, tentar procurar produzir um conhecimento desde a sua fonte primária, que é o território, as comunidades, para participar em contexto de tomada da decisão, a
mídia, a academia, políticas públicas etc. Então, eu acredito que essas leituras conseguem trazer uma possibilidade de negociar do âmbito micropolítico ao âmbito macropolítico, na medida que essa interlocução e dialética se crie e seja possível através da visualização universal desses aspectos. E assim que se chega na metodologia que eu vou mostrar aqui de uma forma muito resumida que a gente nomeou de Mapeamento Cartográfico Territorial, então importante dizer que esse Mapeamento Cartográfico Territorial ele tem foco em cultura, mas eventualmente ele pode ser desenvolvido mexendo, modificado para colaborar em outro tipo de frentes, mas eu precisamente vou Me
focar aqui no âmbito da cultura, que é o âmbito que nos atravessa. Então, só para ter um contexto, o material que eu vou apresentar agora integra uma consultoria que, como comentava para vocês, eu fiz em colaboração com Instituto a Cidade Precisa de Você esse ano, no âmbito de um programa de políticas públicas para o Ministério da Cultura, em parceria com Unesco. Essa primeira fase responde à metodologia de Mapeamento Cartográfico Territorial elaborada por mim, sem essa a primeira fase de etapas posteriores de desenvolvimento de ferramentas de trabalho colaborativo com as comunidades, para desenho e implementação de
centros culturais públicos em diversos territórios do Brasil. Então é para mais ou menos em base a essa demanda que eu vou mostrar, mais ou menos, etapa dessa dessa metodologia. Então, bom, basicamente que já falei e aí eu queria começar com essa primeira fase que é a primeira fase da pesquisa prévia, que é o primeiro motor que vai dar as luzes de como fazer uma leitura territorial. Então, basicamente o processo de mapeamento territorial se compõe por cinco etapas, das quais a primeira, de pesquisa prévia, pode Demorar a depender também da demanda e da urgência e equipe
que se tenha, duas semanas desenvolver e o resto das etapas podem ser desenvolvidas em oito jornadas, não necessariamente uma depois a outra, quer dizer, um dia após o outro, mas sim é necessário ter uma clareza de cada etapa, tem que ser consolidada antes de começar com a próxima. Então, nesse processo de pesquisa prévia, a gente começa primeiramente com alguns critérios para entender qual seria um possível raio de mapeamento territorial a partir de plataformas, de fontes secundárias, já vou explicar que eu me refiro com isso, então partindo dessa base, a gente entende que esses territórios diversos,
de diversas cidades das quais a gente desenvolveu alguns indicadores, para entender como fazer essa leitura em termos de distância. Então, para territórios de densidade baixa se propõe uma leitura inicial de 2 km de raio, ou seja 4 de diâmetro. Para territórios de densidade média se propõe 1 km e para territórios de densidade alta 500 metros. Você entende que esses esses indicadores ou critérios propiciam que se faça pesquisa de campo caminhável. Então, por isso que Mais ou menos se pretende ter essa densidade de leitura e facilidade para que essa pesquisa possa ser feita inclusive pela própria
comunidade, se for necessário mais à frente, então tendo mais ou menos uma localização ou um ponto zero do qual a gente quer se ancorar, que em muitos casos, quando se trata de arquiteturas ou de intervenções físicas no espaço, é o terreno onde isso vai acontecer, se toma isso como referência, esse ponto como referência e se traçaria o raio de leitura inicial, a depender da densidade do território que a gente tá observando. Esse, por exemplo, seria um exemplo que a gente utilizou para usando como caso de estudo o município do Rio de Janeiro, onde o raio,
mais ou menos, se faria essa dessa dimensão né, e onde que a gente acessa a essas informações de densidade, no IBGE ou qualquer tipo de plataforma de Censo que se tenha, caso for no território fora do Brasil. Então, dentro disso, uma vez que a gente tem um raio de leitura previamente definido, tem alguns critérios para a gente começar um pré mapeamento de infraestruturas locais ligadas à cultura em plataformas de também livre acesso que se Se tenha, já vou mostrar um exemplo aqui, mas alguns critérios para ajudar a nortear essa busca seriam instituições comunitárias de formação
artística, como por exemplo museus, centros culturais, institutos, fundações, espaços de trabalho e socialização da cultura, como por exemplo oficinas, ateliês, escritórios, galpões, bibliotecas, sejam públicas ou privadas, ou também igrejas e espaços de culto, entre outros que podem surgir, mas são alguns critérios norteadores para começar essa busca. No caso, essa consultoria a gente propôs o Mapas da Cultura que a gente tem aqui no Brasil, é uma base, uma fonte de informação riquíssima, ela abrange o Brasil como um território, o estado nação do Brasil como um território integral e a gente pode se aproximar dos territórios a
partir dos endereços também que sejam subsidiados, para começar a compreender raios de leitura que já foram feitos pela instituição do governo em cada estado especificamente. Então, uma vez que a gente tem esses levantamentos é importante criar, localizar esses levantamentos no mapa, ou seja, nessa plataforma aqui, A gente tá utilizando uma plataforma chamada Felt, que é muito similar ao Google Maps, só que tem ferramentas que permitem traçar, desenhar, localizar, incrementar informação que o Google Maps não tem e logo uma vez que você tem essa informação colocar no mapa da pesquisa prévia, com essa série de infraestruturas
que foram levantadas através de fontes secundárias é muito importante passar à segunda etapa que é a oficina de consulta comunitária, que é basicamente um processo de traçar com a comunidade esse perímetro de leitura e articular com agentes do território, que se identificam como agentes culturais ou de incidência social. Então, se propõe que se leve à comunidade, através de uma instância de encontro, uma oficina, o polígono inicial que seria esse raio inicial e o polígono que se configura através de eventuais pontos de interesse que se encontram fora do raio inicial que forem encontrados através de plataformas
de informação, de fontes secundárias. Então é essa, mais ou menos, a figura que você deve apresentar aqui, obviamente a gente não incluiu nenhum ponto específico, assim um exemplo, mas essa é a leitura Inicial que a comunidade vai ter que confirmar e inclusive indicar caso não se considerasse válido algum tipo de infraestrutura pelo seu uso, pelo seu tipo de incidência e incluir outras que não estivessem aqui no mapa feitas de maneira prévia à pesquisa de campo. Então, uma vez que você tem essa leitura esse diagrama, muito mais rizomático do que um raio central, é que você
sai e se passa a terceira fase que é pesquisa de campo, essa pesquisa de campo é basicamente o processo mais intenso da pesquisa e onde este se centra no território do qual a gente está conversando, falando, pesquisando. Então, em base a essas informações que a gente recebeu da comunidade é que a gente vai tentar agora levantar outros aspectos socioculturais que devem ser mapeados. O que eu vou apresentar aqui para vocês é uma primeira aproximação dessas possibilidades desses indicadores que eventualmente se encontram nos territórios maioritariamente urbanos do Brasil. Mas a metodologia também tá totalmente aberta a
que outras possibilidades, outras formas de leitura, que venham inclusive da comunidade, possa integrar também. Então esses quatro eixos básicos A gente quis dividi-los a partir de tipos de ingerência ou de que tem no território. Então, por um lado, a gente tem recursos locais né que não necessariamente são financeiros, mas eles estão à disposição da comunidade, vem da comunidade ou para a comunidade, estão à disposição, as expressões culturais que também seria um tipo de recurso local, mas no caso da consultoria a gente preferiu dividir porque tem uma série de subdivisões que iram fazer um pouco complexo
ser entendidas como recurso, junto com as outras perfis chaves da comunidade, ou sej,a agência que tem um poder de decisão ou uma certa ingerência movendo as comunidades dentro dos seus territórios e as dinâmicas sociais que se dão no território, que na maioria dos casos resulta desses outros fatores. Já vou explicar, assim bem por cima, mais ou menos, a que correspondem famílias e no caso, por exemplo, dos perfis chaves da comunidade, a gente tem uma divisão entre atores culturais, ou ou seja, pessoas relacionadas às práticas artísticas, gestores culturais, agitadores culturais, mestres de culto, mestres de cultura
popular etc. e os atores comunitários, que Seriam pessoas que estão mais focada na liderança de grupos comunitários, em movimentos sociais, mães, chefes de família também, educadoras e educadores, pequenos comerciantes, agricultores e jovens aprendizes mobilizadores. Esses dois atores muitas vezes vão se juntar numa pessoa só, num ator só, mas esse mapeamento divididamente mais para entender essas possibilidades que pode ser que se preencham de forma dupla ou não. Bom, aqui é uma série de recursos locais possíveis, mas eu vou só dar um pouco as frentes centrais que seriam recursos de infraestrutura né, ou seja, instituições, galpões, espaços,
bibliotecas, igrejas, quadras e casas de show, enfim, infraestruturas construídas, na maioria dos casos, que estão ali à disposição da comunidade se não é pela entrada franca, por um preço muito acessível, se elas não estão colaborando à produção Social e Ambiental do espaço que a gente tá olhando, a gente descartar que o que aconteceria por exemplo num caso pensando aqui, um caso hipotético de um grande estádio que se localiza cercado de uma comunidade, necessariamente a comunidade que habita naquele território frequenta aquele estágio Né, então é importante sempre olhar para que esses recursos sejam usufruídos pela própria
comunidade, também está o recursos de conhecimento associado a formas como o seu nome diz formas de conhecimento ligadas às Artes Visuais, à cultura, ao trabalho com hortas etc., recursos ambientais que são já as intervenções como por exemplo hortas comunitárias, pontos de água limpa, espaços, biomas vegetais que estão disponíveis a serem visitados, trilhas etc. E os recursos de comunicação que seria basicamente as conexões existentes entre grupos de apoio ou então entre atores que estão promovendo ações dentro do território, em instituições externas ao território, que colaboram de alguma forma através de subsídios e de programas etc., também
rádios locais, zines locais, todo meio de comunicação que colabora dentro da comunidade, território. Analizando por um outro lado estão as expressões culturais, que seriam basicamente as intervenções culturais como por exemplo ativações de dança, teatro, intervenções para reativar espaços em desuso, abandonados, murais, projeções de mapping, batalhas de slam, enfim, sarau de poesia, tudo que toda ação cultural que intervém, Seja efêmera ou permanentemente no espaço. Logo depois teriam as ações cidadãs, que são ações que têm alguma pauta em específico ou se organizam em torno de uma demanda em defesa de alguma causa, e as festividades, como por
exemplo o carnaval de rua, festivais de cinema, comemorações de aniversário da cidade etc. E por fim, a gente teria as alianças e os conflitos, que podem ser múltiplos né, que podem ser obviamente de caráter interno como externo, em ambos os casos. Mas eles são mais fáceis de serem identificados, uma vez que a gente identificou o resto dos outros três, outras três famílias né, porque a partir da repetição das visitas e da das perguntas e as conversas que você tem com a comunidade, que você começa a entender conflitos e alianças que muitos casos, entre eles se
conectam, ou seja, um conflito pode gerar uma aliança e uma aliança pode gerar um conflito. Então, basicamente é assim que você vê esse grande diagrama de aspectos socioespaciais, culturais nos territórios e que, uma vez que a gente identifica eles, eles podem ser traduzidos em outros diagramas e cartografias, que digam respeito às particularidades daquele Território. Entã,o eu vou passar aqui bem rápido aí, para não também tomar mais tempo, sobre algumas perguntas orientadoras para o momento da pesquisa de território acontecer, ter embaixo da manga para entender também como se aproximar das comunidades e basicamente vocês dizer né,
quem são, para as chaves quem são e como participam dentro dos recursos locais, se entende como o que que tem nesse território, essas questões culturais podem ser desvendadas através da pergunta “o que se faz?”. O que fazem e as dinâmicas sociais com o que acontece, então, enfim, tem uma série de recursos que a gente desenvolveu aqui na consultoria para ir levantando essas informações em campo, uma vez que a gente também entende sistematiza os aspectos iniciais possíveis de serem encontrados, a gente, nesse caso, propôs um questionário fácil de coisa de que, inclusive, sejam as próprias equipes
conformadas por pessoas que são da comunidade, que podem levantar, tem tudo explicado e que possam também introduzir outras informações, que a critério delas são de interesse. Então essa ideia constantemente de passar uma base para ela Ser transformada e completá-la também a partir do olhar da comunidade. Então, basicamente aqui são todos esses aspectos que a gente tá tendo aqui de uma forma mais organizada e que eventualmente, logo depois, chegam a essa, não que na verdade vão chegar nessa, se for por questionário numa tabela Excel, numa taxonomia que ela organiza as relações possíveis entre por exemplo se
se chega primeiro um ator cultural, obviamente a sua identificação, caso for habilitado pela pessoa consultada, como que ela participa né como por exemplo artista local, se ele é detentor de algum tipo de recurso local, seja de conhecimento, seja ambiental, de comunicação e indicar qual seria esse recurso aqui no caso do João, por exemplo, são habilidades artísticas de pintura e, eventualmente, se esse recurso ou esse agente ou ator está vinculado também a algum tipo de expressão cultural de maneira ativa, não necessariamente todas essas categorias vão ser preenchidas, mas é importante que a gente tenha essa opção
para conseguir linkar recursos que normalmente eles estão, entre aspas, invisíveis, mas totalmente presentes, reconectados no território. Então, Uma vez que a gente tem essa, de alguma forma essa sistematização a gente vai para um momento da visualização desses diagramas e cartografias, que basicamente é a tradução visível desses fatores que foram levantados em campo, sistematizados na tabela Excel e logo levados um diagrama, o qual a gente consiga de novo apresentar à comunidade numa terceira, numa quarta etapa. Então se vocês reparam, aqui a sugestão é que se usem cores ou formas de representação que são fáceis de associar
depois em outros tipos de suporte, para que logo depois desse primeiro diagrama micropolítico, rizomático, com a sua legenda relativa também para ser facilmente compreensível, logo passar ao georreferenciamento através de cartografias. Então, essas duas plataformas são plataformas que também a gente sugeriu que elas são de livre acesso, essa aqui se chama Miro, essa aqui é o Felt, que já mencionei, que através de uma oficina muito rápida qualquer pessoa que tem proximidade com ferramentas enfim tecnológica pode começar a utilizar. A gente já desenvolveu uma primeira oficina, por exemplo, com uma comunidade de estudantes de uma escola técnica
na Brasilândia E chegou a um diagrama muito parecido, que já vou mostrar um pouquinho mais à frente, como esse, e, enfim, isso também propicia não só identificar no mapa, mas de novo levar para a comunidade, para ela conferir validar e continuar a construção dessas leituras. Então, são basicamente esses os exemplos que a gente desenvolveu para a consultoria, para ficar também fácil de entender a relação entre os ambos materiais. E essa era a cartografia o diagrama que a gente desenvolveu com Instituto também em parceria com a escola técnica da Brasilândia, onde foram os alunos e alunas
que construíram, definiram a linguagem, os instrumentos de leitura e confirmaram essas informações, que tinham sido coletadas por eles mesmos em campo. Aqui também seria um instrumento que foi construído por eles logo depois, para identificar a de recursos de territórios, que dentro do que é entendido como Jardim Paulistano, eles visualizaram e entenderam. Então, nesse caso aqui, não se vê muito bem, mas o que foi mapeado como Jardim Paulistano por esse grupo de 15 estudantes, logo depois foi percebido que tem uma direta relação com um outro território, Que está externo a esse inicial, mas que insiste diretamente
no funcionamento de uma série de elementos recursos e fatores que estão dentro do mesmo. Então é basicamente para lá que a gente tenta ir quando faz esses mapeamentos, entendendo que tem inúmeros desdobramentos depois de que se torna ferramentas de leitura, então aqui eu vou finalizar a minha fala com esse último exemplo que são dois, na verdade, primeiro uma cartografia que foi desenvolvida pelo pesquisador Elí Marino, da qual fui curadora da exposição, a qual tentava evidenciar a situação da dimensão na verdade de ocupação cultural, de educação de patrimônio, de crise habitacional em torno do edifício, que
vai passar agora por uma reforma na sede do CAU de São Paulo, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Então, dentro de uma exposição que estava falando sobre outros assuntos, sobre a reforma difícil, a gente achou interessante aproveitar esse espaço de visibilidade para falar de questões que muitas vezes estão ali, mas não são discutidas ou visibilizadas, em concordância com projetos que vão impactar esse espaço físico e simbólico também, mais ou menos assim como finalizou e essa Aqui é mais uma referência que foi extremamente relevante na época pós-ditadura no Chile, que foi entender a cartografia como uma
ferramenta política, esse mapa talvez vocês já viram por aí, porque circulou muito, que se chama Erradicação de Pobladores de Campamentos, que é despojo ou deslocamento de moradores de comunidades na qual Morais e Rojas desenvolveram um tipo de leitura que desse conta do número de famílias que foram deslocados dos seus territórios de origem, para outros lugares, uma vez que a ditadura chilena se instaurou e onde esses lugares de origem foram cedidos para famílias dos militares, que se localizaram nas regiões centrais, como a gente pode perceber aqui, que são os circulos em branco, enquanto que as populações
que moravam originalmente ali foram deslocados para as regiões em círculos pretos. Então, acho que vou parar por aqui porque senão a gente vai tomar muito tempo e é isso, muito obrigada. Obrigada Paula, é realmente uma aula né muita coisa interessante assim que eu acho que eu vou começar comentando alguns pontos e aí todo mundo que tá aqui presente Pode só fazer um gestozinho assim que eu chamo para pra gente ir comentando mesmo e comentar esse debate assim, essa ferramenta de de cartografia que é muito rica de fato, por um lado essa aplicação que vocês estão
propondo né, enquanto a consultoria, que é assim ajudar essa grande máquina que é o Estado né a não chegar tão de cima para baixo nos territórios né, eu sou aqui o bondoso que vem oferecer a vocês um centro cultural. Então ajudar a reconhecer o que tá nele e que talvez o que o Estado de fato precise oferecer são recursos e infraestrutura para que as coisas que já acontecem possam acontecer, enfim, com melhor qualidade, enfim, como de fato possam continuar existindo, porque muitas vezes são fragilizadas e junto disso assim eu queria até trazer uma fala da
Fernanda Kaigang, que é hoje diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas, que ela defende muito essa ideia de que os recursos financeiros eles têm que chegar nos territórios que já fazem cultura né, em vez dessa ideia de assim, ah vou criar, levar a cultura e criar a cultura onde não tem, primeiro que todo lugar tem, mas assim, Vamos financiar aquilo que já está sendo feito com recursos próprios, de forma, enfim, precária, independente, é nesse lugar que os recursos têm que chegar, enfim, ela fala isso especificamente relacionando às questões das culturas indígenas, que falando que esses
recursos têm que chegar nas aldeias, mas eu acho que ela se aplica para uma coisa muito mais ampla, enfim, pensando em território brasileiro e até outros contextos, junto disso também fiquei pensando nesses medidores diversos que você traz, como uma forma de olhar previamente a implementação desse possível Centro Cultural, assim, mas como que ele também se retroalimenta, já com a existência de iniciativas culturais existentes e que então eles também poderiam ser medidores para você medir os impactos de determinada ação cultural num território, porque ela já gerou inclusive certas lideranças comunitárias, ela já gerou recursos que podem
ser esses múltiplos recursos dos territórios que você aponta. Dando um exemplo aqui, sei lá, porque às vezes uma iniciativa cultural que leva a ter uma horta comunitária, que vai levar depois a capacitação profissional de agentes, enfim, Como isso vai escalando e que é importante a gente falar sobre isso quando a gente pensa em impacto da cultura no território, na sociedade, a gente acredita que a cultura transforma a sociedade e uma forma de explicitar isso é através desses medidores. Se precisa de algum argumento, então fiquei pensando bastante nisso, nessa potência dessa metodologia de mapeamento para múltiplos
usos, para além deste que é dado nesse exemplo, então acho que queria soltar um pouco isso e para você comentar um pouco. Sim é muito bom você fazer esses comentários porque claro, uma vez que a gente chega nesses diagnóstico, para que além de entender e ter essa leitura e aquilo ser confirmado pela comunidade, porque é uma série de fazes, você primeiro se aproxima do território, quem tá na macro quase sempre é quem tem os recursos para viabilizar esse tipo de projetos, se aproxima, tem que ir lá ver, entender, dialogar e confirmar e aprender do que
tá acontecendo, como você disse, há muito antes do projeto assistir como projeto, uma especulação. Então. o processo envolve uma dialética pedagógica para ambos os lados, que isso é um processo interessante que a Gente viu acontecer e com muito sucesso paramos essas partes, mas tem um outro lugar que é: ok, uma vez que a gente tem o diagnóstico que que a gente faz com ele além de saber qual a identidade desse território? E a gente chegou na conclusão que é muito óbvio, que parece muito óbvio, mas nem sempre é, que esse diagnóstico vai dizer quem são
as pessoas que vão ser as que vão dar aula, as que vão ativar a programação, a orientação do tipo de atividade que vai se ter, quem vai estar, inclusive, articulando com outras frentes, com outros programas é a própria comunidade, uma vez que ela se reconhece dentro do programa que tá sendo levado para o lugar que elas melhor conhecem do que ninguém. Então essa era uma outra frente que o programa almeja né, porque todavia ele não foi implementado como programa de governo federal, mas que a metodologia já vem desenvolvendo de uma forma menor e mais humilde,
menos ambiciosa e que tem dado bastante certo, assim que a própria comunidade seja quem tá ativando, com as suas agências relativas, esses projetos e programas. Acho que isso medidor também, eu acho que tem um grande risco quando você entende metodologias ou Formas de operar de uma forma única né. É claro que elas vão se transformando conforme elas vão sendo vividas né, então eu acho que também não existe panaceia, a gente sabe, mas é importante ter isso no horizonte, para que enquanto mais trocas existem, quanto mais instâncias de diálogo existam, esse aprimoramento vai existir para ambos
os lados também, dar autonomia, permitir que outros grupos de outros tipos de de abordagens também surjam através da ideia de mapeamento, com outras ferramentas e etc., mas ao mesmo tempo é importante usar uma metodologia mesmo que ela seja flexível e que ela possa ser feita a qualquer momento, porque eu vejo também essa metodologia como uma linguagem da oficialidade né, até para conversar com essa macropolítica é muito interessante. Então a inserção da micropolítica, reconhecimento das dinâmicas micropolíticas pela macropolítica como uma forma até de combate a pagamentos históricos, no sentido de que hoje em dia são muitos
os grupos que vêm demandando o direito ao uso dessa linguagem oficial para reconhecimento das suas existências. Vou trazer aqui outra fala né do do Takumã Kuikuro, que é um Cineasta do Xingu, que ele fala “a gente não tá só demarcando terra, a gente tá demarcando as telas de cinema, a gente tá demarcando todos os espaços em que a gente ocupa”. Então, de um modo mais geral, se a gente pensar assim como essa coisa muito orgânica, que acontece na prática muito antes de qualquer teoria em cima e que muitas vezes vai cair nesse estigma de “ah
quem trabalha com cultura é desorganizado” ou “não vai ter esse controle dessas ferramentas”, tomar o controle dessas ferramentas da oficialidade para si para também defender aquilo que deve ser defendido. E que sem isso, às vezes, fica fragilizado, pensando aqui também numa até num aspecto de de não cooptação por certos sistemas políticos que vão usar a cultura como uma ferramenta, porque por um lado a gente pode olhar a cultura como um um motor social de transformação social, mas como ela também pode ser usada como um soft power, como um ativo dessa cultura do meu país, e
é assim que eu vou adentrar outros territórios. Enfim, então a cultura é essa ferramenta que tem usos muito ambíguos possíveis. Exato, talvez porque ela, isso é o que eu eu sinto, que talvez seja o mais Difícil e por isso que muitas vezes a cultura cai nesse lugar, não que não seja, mas nesse lugar de lazer, cultura e turismo né, cultura e qualquer coisa, muitas vezes, e a cultura ela se bem ela é articulada por muitas frentes, ela é uma coisa muito em si mesma, também da qual todos nós fazemos parte, em maior ou menor grau
é cada um, por isso que eu gosto de pensar que cada território, evidentemente conforme ele vai tendo uma forma de se organizar vai criando uma cultura também dessa organização desses acordos tácitos, de tipos de comportamento ou tipos de iniciativa que fazem mais sentido pelo histórico também. Não por ser uma coisa que vai se construindo dia após dia, mas tem um histórico também que muitas vezes como você disse não foram plasmados nas ferramentas oficiais, seja livros, seja teses acadêmicas, seja lá o que for, entendendo como ferramentas oficiais, elas são invisibilizadas, então a ideia justamente de entender
o mapeamento como uma ferramenta o mais didática possível, compreendendo também que é necessário que ela seja universal, universal não só para as comunidades se apropriarem, mas também de leitura universal, Para que essas pessoas, esses agentes que estão no lugar da facilidade não deixem espaço à dúvida de que é isso que está sendo, estamos falando sobre isso. Nesse sentido, a visualização gráfica ajuda muito, costumo dizer que perante à diversidade que os direitos humanos abrange é necessário construir uma gramática em torno deles e essa gramática muitas vezes ou é encriptada numa linguagem docta que não fica fácil
de ser lida por todo o mundo né ou então tá relegada à ambiguidade de pode ser tudo, tudo pode ser nada, então eu tento sempre ver, apesar da cultura ser um elemento tão rico e múltiplo, tento ver quais as ferramentas mais objetivas para, a partir dessa objetividade, começar a subjetividades porque senão fica um pouco, é isso, fica um pouco na mão de que pode ser tudo e tudo em nada, então acho que talvez por aí a gente pode ter uma uma ferramenta muito útil. Posso fazer um comentário, eu não consegui achar minha mãozinha porque eu
tô como com anfitriã, bom eu fiquei super mais ainda empolgada do que a gente já tava de curioso com a apresentação que você fez, assim, de um uma construção metodológica que tem ali um destino, De sei lá, vão amparar e ancorar um processo de decisão, eventualmente, de construção de novos centros culturais disseminados e que eles possam ter uma outra história com relação a seus territórios, porque eles já estão partindo de uma de um afofar de terreno, de levantar essa vida visível e invisível desse território, mas eu fiquei um pouquinho curiosa com com essas muitas possibilidades
que tem um processo metodológico semelhante a esse, assim, que possa acontecer também posteriormente como reavaliações e reposicionamentos de lugares já existentes também, como que pode se pensar em, a gente estava lá a Cidade de Tiradentes, em que tem esse grande Centro de Formação Cultural implantado lá e extremamente esvaziado ainda com relação a tudo que acontece, então, como também um processo de diagnóstico pode trazer fluxo e vida para lugares também que já existam a partir de replanejamento e reprogramações de vocação, mesmo de atuação. Enfim, achei muito legal, assim, essa ideia eventualmente também você pode trabalhar só
uma procura de alguns agentes e o que para mim veio assim para dessa experiência do micro que Você falou que cada vez mais a gente vê que o poder de dar um nome, de dar um reconhecimento, quando você fala de gramática me veio um pouco isso né, aí que a mágica já começa a acontecer, dar um nome, pôr no mapa e permitir que quem tá atuando com histórias lá comece a identificar essa capacidade de encontros, porque pensando num mapeamento como esse, ele é um grande gerador de percepção de confluências, que vão acontecendo. Então tá bom,
o espaço se cria, mas também que caminho metodológico pode se ter né que esse novo espaço consiga estar aberto para essas formações de confluências, que vão se fazer entre agentes e expressões que já acontecem e uma capacidade de aglutinação e de intensificação que eu vi muito forte assim a partir de um mapeamento ou fazer sem isso, então a gente tem, assim, muita experiência de olhar, por exemplo, processos reversos, quer dize,r um museu que é criado não por uma série de outros interesses vai da macropolítica e que depois de criado precisa se fazer às vezes para
ganhar e adquirir pertencimento abertura, aquela uma palavra que você usou ali de que eu tava achando Que eu anotei aqui permeabilidade social, que você usou a partir do Jaar, como que, às vezes, um esforço grande para esse movimento e que muitas vezes acontece um pouco numa identificação empírica e pontual é que as coisas vão acontecendo e vão se evidenciando, mas como é rico ter esse mapeamento porque a capacidade de reverberação e de expansão disso é muito maior do que você simplesmente falar puxa, identifiquei que aqui ao lado tem e vou começar com esse, claro é
válido, mas você tem de fato um scan das possibilidades de germinação, de muita coisa com um apelo desse assim, achei muito legal, acho que de fato tem a uma lider e aí, a pergunta que eu também queria te fazer, quando você colocou também as questões mais do teórico com o empírico que tem uma linha ali, que vem do Desenvolvimento Social, que chega lá ser chamar de mudança de sistemas ou de um entendimento que vem um pouco ao encontro acho que dessa teorização, que você colocou com relação a essas dimensões do visível e do invisível que
tá refletido nesses quatro elementos, assim os recursos falam de um nível do sistema que é muito evidente que Tá ali, tá dado. Depois tem as agendas, tem os relacionamentos, depois mais profundo ainda tem as questões dos vieses inconscientes de padrões de comportamento, de desigualdades ali que estão num nível muito mais baixo e achei que esse mapeamento ele também dá conta, ele não é um mapeamento que tá só nos recursos e espaço, ele é um mapeamento que tá nos sujeitos, que tá nas relações, quando eu fiquei no começo com a dúvida entre o que que seria
expressões e o que seriam as dinâmicas, aí depois na hora que abriu a ramificação eu entendi também que as dinâmicas são esses relacionamentos, relacionamentos de poder, aliança, conflitos e as expressões são as realizações ou as práticas culturais nesses espaços, mas esses comentários que eu queria saber se essa questão dessa mudança de sistema de transformação ah isso também chegou para você e essa ideia que eu acho que é muito mesmo de ver processos, de ver fenômenos, não ficar nessa leitura mais estanque da cultura, como a cultura vai se juntando com o olhar da arquitetura e também
dá um embasamento que vai entrando com os dados e com a pesquisa de campo muito antropológica também né, muito bacana. Sim, Ai obrigado, Joana, pelos seus comentários, se assim, se eu pudesse responder sua pergunta, na verdade não sei se eu consigo responder a pergunta como um todo, porque é muito, tem muito a ver, são muitos olhares, muitos olhares envolvidos num processo de pesquisa, que não só eu, mas pessoas com quem eu colaborei, parcerias, agentes, comunidades ofereceram para ir entendendo essa dimensão que é poli-perspectiva e é também interdisciplinar. Então eu diria que a maior fonte de
compreensão desses matizes, dessas diferentes camadas que compõem uma micropolítica territorial seria o exemplo da Ocupação Ouvidor 63, que foi o primeiro exemplinho que eu mostrei de território, da qual eu me aproximei como de curioso, um dia que eu tava andando por ali, entrei e o primeiro que me chamou a atenção é uma ocupação de caráter não só de moradia, mas também de práticas artísticas, só que conforme eu fui me aproximando e entendendo, aí fui fazendo parte de uma intervenção, aí colaborei no processo de desenvolvimento da Segunda Bienal de Artes da Ocupação, como um todo, junto
com ao redor de 50 pessoas mais junto com as pessoas que moram lá que Na época em 2018 eram 120, a gente foi entendendo que a complexidade da configuração só daquela micropolítica, só daquele território, ele ia para muitos lugares e que o sistema é ciente disso, então todo tipo de reivindicação que pudesse colocar no papel ou ou no mapa, o que tava acontecendo ali com tal deles garantirem não só seus direitos de posse por um por períodos inter cortados, mas também de serem legitimados enquanto um centro cultural, para então conseguir acessar a Pontos de Cultura
e a nomenclatura de Pontos de Cultura há uma série de fundos e recursos que estão à disposição para esse tipo de práticas, enquanto mais isso pudesse acontecer ia ser melhor. Então, eu diria que um pouco a partir dessa experiência que no meu caso foi uma experiência de três anos, quatro com fechamento do mestrado, e as pessoas que colaboraram, inúmeras, inúmeros agentes da oficialidade, da não oficialidade, do campo das Artes, do campo da agricultura, do campo da insurgência também, foi que se construiu essa visão e ainda em processo de compreensão do que seria essa leitura micropolítica
de um território com foco cultura. Então eu acho que assim, resumindo, a gente tem que estar no território para entender que o que a gente quer fazer e, claro, não dá para aparecer em todos os territórios, mas quando a gente não tá em 300 territórios, tem as pessoas que moram ali e é importantíssimo que elas façam parte dessas leituras desde o momento zero até o final, e que também eles aprovem e validem serem colocados no maps, porque não se trata só de desenvovimento de informação, produção de conhecimento, para que depois essas informações desapareçam daquele lugar
e vão para um outro, para outros fins e que nunca retornem. Vai lá, Andreia, você tá no mudo. Obrigada Paula, é muito bom ter você aqui, super inspirador a gente também ir tomando contato com com mais pesquisas e formas de fortalecer essa perspectiva territorial mesmo de atuação, de entrar e conseguir se aliar também às forças todas que estão lá presentes e que cada vez mais pra gente fica muito claro as coisas só ocorrem mesmo no território. E essa metodologia ajuda a ir desenhando o que se trata, me pareceu assim, me parece muito, é muito bacana,
porque também ela é Uma ferramenta de empoderar todas as figuras lá, todas as forças e todos os grupos que se encontram no mesmo território, empoderá-las como reconhecendo cada um o seu próprio. E aí eu queria confirmar se vocês chegaram a ter também esse tipo de coisa, mas reconhecendo o seu próprio potencial e o que como parte de uma rede que faz sentido em si e fortalecendo essa rede, então por um lado, assim, achei muito importante também como atuação, quer dizer, sim para não não chegar de fora, mas com o que a gente pode ter de
fora como ferramenta, disseminar mesmo para que eles possam cada utilizá-la também para seu fortalecimento. Isso foi uma das questões, assim, que sempre fica, queria ver assim se vocês conseguiram também já chegar nesse momento, enfim, se faz sentido e uma outra coisa que aí me vem de outro campo, de outros campos mesmo, que não é o da cultura, é que é isso né, quando a gente tá trabalhando com cultura seus impactos na transformação social e seus impactos sociais, a gente tem que pensar também nessa conexão, não é um uma tirar do blocado o que é essa
dimensão da cultura, então sim, você já tá Falando isso, mas é muito mais assim, o que que a micropolítica da cultura pode ajudar no diálogo com a macropolítica, não sei se faz sentido que tô pensando, mas assim, por exemplo, você pensar grandes políticas públicas, porque no nível macro você tem que pensar, num país como o Brasil, com a diversidade e desigualdade do Brasil, ainda assim é muito difícil você chegar em cada ponto, então você sim pensar em educação é muito fácil, porque as políticas de educação elas chegam nível federal, estadual, municipal, mas ainda assim ela
tem que chegar com grandes diretrizes, isso é a macropolítica, só que quando ela vai ser realizada lá na ponta, isso é, na educação a lógica subverte totalmente, quer dizer a efetividade daquela do que foi pensado na macropolítica é muito relativa e é relativa, é distribuída pelo o território, então ainda mais, e eu acho que a cultura não só, óbvio, a dimensão micropolítica, a cultura sendo num território fortalecida, todos os atores e todos os grupos e e formas de expressão se fortalecerem, ela talvez consiga muito mais também dar fazer esse diálogo com a macropolítica e falar
bom, a gente Se reconhece de tal forma e isto que tá sendo pensado para o nosso território a gente como vindo da parte da cultura e conectado com tudo, a gente recebe isso de tal forma e pode redimensionar ou ressignificar ou, mas nem se até mesmo concretamente, como é que a gente traduz isso, essas grandes diretrizes, seja na área, bom, saúde tem muito isso, territorial, é muito territorial, educação que é que vem mais, tem a sua rede, mas não conversam tanto e vem com grandes diretrizes, mas isso como é que isso se mescla, com esses
outros campos todos, porque isso que fortalece um território e a cultura tem esse potencial muito grande do empoderamento, do reconhecimento, quer dizer, essencialmente o senso de pertencimento é fundamental. E é isso que fortalece o indivíduo os grupos para chegar, e eu acho que assim, você pensar em grandes políticas públicas em diversos campos, no país com toda essa desigualdade, você precisa exatamente desse senso e empoderamento dos territórios para que faça sentido para que ela ajude os territórios e que se ajude também a pensar no macro, que o macro perceba todas essas diferenças e diversidade, até por
questões mesmo De avaliação, depois de distribuição de recursos, de coisas muito concretas também nesse nível. Então, não sei também o quanto vocês também já tem essa dimensão desses diálogos todos e interface, diálogos com a macropolítica e diálogos com todas os outros campos também da micropolítica. Muito interessante Andreia, porque é um grande desafio, é realmente talvez o calcanhar de Aquiles de não só no Brasil, realmente aqui na América Latina a gente sabe que existem e não só desigualdades como eu diria, assim, uma diferença entre quem tá mais perto em termos de setor, você mencionou o setor
da Saúde, da Educação e quem tá um pouco mais atrás, por uma não sei exatamente por será, mas a gente vê evidencia nisso, na quantidade de programas, de políticas pública que já estão olhando pro território há muito tempo e eu tava comentando agora a pouco aqui antes da gente começar que é que são pautas que já estão vindo com mais força em outros governos, eu tenho experiência por ser do Chile, do governo do Chile que já vem trabalhando essas aproximações intersetoriais que são fundamentais. Por muitas razões, primeiro porque tem Ministérios que são Mais fortes do
que outros em termos de orçamento, em termos de articulação, em termos de tempo nos territórios etc., inúmeras razões. Segundo porque na medida que você está começando a se aproximar a uma perspectiva territorial micropolítica, obviamente que você vai ter que ir se, como que se diz, afinando muito ou apurando muito o olhar e tentativa e erro, vai ir um pouco formatando essas formas, programas ou projetos que se aproximam a conseguir conectar micro com macro. E outro ponto é que, tal como você também menciona, tem a dimensão que é, no caso do Brasil, federal né estadual, municipal,
então são vários os filtros e são várias camadas orçamentárias, de agendas, de vontades políticas que existem também até chegar no ponto que nos interessa, que é o território, o território não seu sentido menor, porque território pode ser o país inteiro como um todo, então, no caso dessa consultoria que eu tava aqui comentando, é uma consultoria que vai ser implementada enquanto programa no ano que vem, então ainda não foi testada nessa dimensão federal até chegar nos municípios, mas como processo eu venho tendo ela como uma ponta de lança para um Programa educativo do qual eu faço
parte, que é o programa pedagógico da faculdade de arquitetura da Universidade das Américas, no Chile, que justamente é um programa que ele é vinculado com a área de saúde, com a área de geografia e com área de serviço social, então arquitetura é uma quarta área, colabora onde os TCCs se juntam sobre um programa que chama Intervenção Comunitária e onde a premissa é todos os TCCs que funcionar tem que servir dentro de uma comunidade, que é definida pela Universidade por uma questão de aproximação, já de análise prévio e tem que ir em função das necessidades que
aquele lugar, território tenha. Então, é a partir desse desse, digamos, laboratório que a gente, eu pelo menos enquanto profissional, venho desenvolvendo essa metodologia e que responde mais do que de cima para baixo, do lado pro outro lado, do lado da academia, que não tem nenhuma conexão, às vezes, com o território, com os territórios, a partir dos territórios. Também conversando de gerar esses dispositivos, intervenções, pequenos programas de pequena escala, também porque são TCCs, então também o orçamento não é muito grande, mas tem Tido bastante sucesso na pós vinda, digamos assim. Então a gente volta nas comunidades
um ano depois, dois anos, e as intervenções estão ali, sendo ou ocupadas ou foram ampliadas ou foram transportadas de um lugar para o outro, para ter maior acessibilidade, para, enfim, outros públicos. Então dentro do próprio território, então eu diria que é realmente um processo que tá na mente assim, mas do qual sempre que seja a partir de baixo para cima e com confirmação constante com todos os órgãos que dialogam, eu acho que as possibilidades de ter desca cortou aqui possibilidades de ter diálogo são altas. Aí uma outra coisa que eu ia mencionar é que muitos
casos, pelo menos no caso da consultoria, funciona essa aliança com órgãos multilaterais, como é o caso da Unesco, então é uma grande instituição que ela colabora nas garantias mínimas do ponto de vista mais macro para que esse tipo de programas de fato cheguem aos territórios aos quais estão mirando as políticas públicas é uma outra também. Bom, Paula, queria agradecer a sua presença nessa conversa perguntar se tem alguma fala final que você quer fazer aqui pro nosso público que também vai tá Disponível no YouTube, quer agradecer e assim também sendo ativa nisso, mas eu acho que
quanto mais a gente coloca em prática né esses estudos, as teorias, aproximações e possa disso ir nutrindo até as orientações dos programas que a gente tá pensando e que a gente funciona eu digo a gente é quem tá desenvolvendo esses tipos de leituras, quem tá tentando entender, eu posso falar da minha frente de ação, que é de uma pessoa sociedade civil, professora também estar nesse país, mas que de alguma forma tem se encantado pelos desse lugar maravilhoso que é o Brasil e tentar entender que não se faz sozinha. Então quanto mais rede a gente consiga
construir, a gente coloca a serviço, trabalho essas redes, melhores políticas públicas, cultura que a gente vai conseguir construir. Ótimo, uma ótima mensagem mesmo terminar assim e, bom, a gente continua na semana que vem com a presença do Tiarajú Pablo D’Andrea, vamos seguir nesse debate, ele vai trazer as pesquisas dele que envolvem muito a formação de sujeitos periféricos, então vai territorializar numa especificidade aqui de São Paulo e é isso até lá.