O que é "economia sacramental"? Na segunda parte do catecismo, a parte que fala dos sacramentos, o catecismo da igreja católica começa no número 1076 com um título estranho: "a economia sacramental", e o aluno quer saber o que é que isto significa. Bom, para falarmos de economia, nós temos que entender o que é história da salvação, qual é o plano e o projeto de Deus na história da salvação, porque economia quer dizer isso, economia é aquilo que Deus faz para nos salvar.
A palavra "economia" não tem nada a ver com mercado, com dinheiro, "oikos" quer dizer casa, "nomos" que dizer regra da casa, ou seja, o que é que um pai de família faz para governar a sua casa. No caso aqui, Deus é o Pai e Ele vai governando a história da humanidade para conduzi-la à salvação. Economia salvífica quer dizer isso, o que Deus faz na história para nos salvar.
Bom, no antigo testamento nós temos uma história de salvação, ou seja, Deus criou o homem, o homem caiu no pecado e por isso necessitava de salvação. Deus, ao longo dos séculos, foi trazendo a humanidade com paciência até que finalmente Ele escolheu um povo, Ele constituiu o povo de Israel, e através deste povo, Ele foi se comunicando, foi dizendo, foi dando a sua palavra, a "torá", a lei. Esta palavra, ela era uma palavra salvífica.
Então, nós podemos dizer que todo um primeiro período da história da salvação nós tivemos uma econômia salvífica baseada na palavra. O povo de Israel, nesse período, esperava o Salvador, esperava o Messias, e eles pensavam, "quando o Messias vier, estaremos salvos e então irá iniciar o período de salvação em que a história terminou, acabou a história como nós a conhecemos, haverá salvação, a história vai se interromper, ponto final, "game over", o Messias veio, acabou o jogo. Pois bem, a novidade do cristianismo, isso é o escândalo para os judeus, é que o Messias veio, o salvador veio, mas a história não terminou.
Por quê? Porque havia um segredo escondido por Deus ao longo dos séculos. São Paulo chamam isso de "mistério escondido".
Pois bem, esse mistério é que quando o Salvador veio, veio mais do que o "Salvador", veio o próprio Deus. Deus se fez Homem, e Ele, quando se fez Homem, se apresentou não glorioso, mas humilde, então, nós ficamos sabendo por revelação divina, que haverá uma segunda vinda, na glória. Então, isso cria um segundo período na história, essa é a novidade cristã.
Então vejam, os judeus viviam uma história da salvação, viria o Salvador, ponto final, acabou história. Nós, cristãos, descobrimos, por revelação divina, que existem duas vindas: a primeira vinda na humildade, na manjedoura de belém, a segunda vinda na glória, no fim dos tempos. A primeira vinda foi quase secreta, a segunda vinda será manifesta a todos.
Nesse período, novo período da história, que de repente, a vinda se desdobra em duas realidades, se cria um período de tempo, um arco de tempo, entre as duas vindas de Cristo, que é chamada de "tempo da Igreja", história da salvação através dos sacramentos, ou seja, economia sacramental. Os sacramentos só existem nesse período de salvação. Antes de Cristo, não havia sacramentos, depois da segunda vinda não haverá sacramentos, será novo céu e nova terra, nós viveremos com Deus na glória, não precisamos mais de sacramentos.
Nós temos agora, o tempo da economia sacramental, e o que é economia sacramental? É aquilo que Deus faz para nos salvar, distribuindo a cada um de nós os dons que brotam da cruz de Cristo, ou seja, o mistério pascal. Quando o lado de Cristo foi transpassado pela lança lá na cruz, dali brotou água e sangue.
A água simbolizando a economia sacramental, o dom do batismo, o sangue, simbolizando na economia sacramental, o dom da eucaristia, os dois sacramentos básicos. Pois bem, Jesus, ali inaugura uma nova forma de Deus estar conosco e de nos visitar, nos salvar. Nós, católicos, acreditamos que de alguma forma os sacramentos são uma continuação da Encarnação do Verbo, ou seja, Deus infinito se fez Homem.
Vamos simplificar as coisas dizendo que Deus começou a se relacionar com a matéria, com a realidade criada. Pois bem, acontece que agora nós temos a matéria, a água, que recebe a palavra de Deus e se torna meio eficaz, faz filhos de Deus. Nós temos a matéria, o óleo, que através da palavra eficaz de Deus, faz ungidos de Deus.
Nós temos o pão e o vinho, matéria, que através da palavra de Deus, Verbo eficaz, são o Corpo e o Sangue de Cristo, a própria presença do Deus encarnado. Vejam que coisa extraordinária, nós, católicos, cremos na eficácia dos sacramentos e que eles realmente fazem alguma coisa. Infelizmente, os nossos irmãos evangélicos protestantes não acreditam na economia sacramental, e diria até, eles acreditam cada vez menos.
Por quê? Porque lá atrás, há 500 anos atrás, quando Lutero iniciou a revolução protestante, ele acreditava ainda no batismo, na crisma, a ceia pra eles ainda era um sacramento, esses são os sacramentos básicos que os luteranos ainda aceitavam. Mas ao longo dos séculos, aconteceu o seguinte: cada vez menos, os protestantes foram acreditando nos sacramentos, a tal ponto que hoje, por exemplo, os pentecostais, que são a maior parte dos protestantes aqui no Brasil, não acreditam em nada, em nenhum sacramento.
"Não, padre, eles têm o batismo! ". Sim, mas o batismo nas águas para eles não significa nada, o batismo não realiza nada, o batismo é simplesmente uma manifestação pública da própria fé.
Aquela água derramada na cabeça pessoa não faz nada. Nós, católicos, pelo contrário, acreditamos que ali existe uma ação Divina. Para os protestantes, principalmente pentecostais, essa realidade dos sacramentos é uma superstição católica.
Nós, católicos, cremos que é a nova forma de Deus agir, a partir da encarnação de Cristo. Então, vejam, nós, católicos, somos os que foram colocados por Deus como guardiões da vida sacramental, nós temos uma nova economia, uma nova forma de Deus agir, que não aboliu totalmente a última economia, a economia antiga, porque a palavra de Deus continua valendo, mas a transformou, foi levada à plenitude, onde a Palavra agora se encarna, se encarnou em Cristo, se encarna no seu santos, se encarna em cada cristão que quer viver a vida de Cristo, de tal forma que eu posso dizer: "vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim". Mas existe essa forma concreta, real, garantida, nos sacramentos eu tenho uma garantia da ação de Deus.
Se você vai rezar em casa sozinho, pode ser que Deus aja, mas não tem garantia, mas se você recebe os sacramentos, você tem a garantia, a palavra de Deus garantida de que haverá uma ação salvífica ali, e se você não nota essa ação, já é um problema de você não abrir seu coração para ação de Deus. Então veja, que alegria de ser católico, que alegria em viver na igreja onde os sacramentos argem, onde nós não estamos sozinhos, onde nós temos esses veículos de salvação, essas realidades salvíficas, que alegria você saber que você não está numa igreja onde não há uma presença sacramental. Você olha para um templo protestante quando ele está fechado, não tem ninguém dentro, aquilo é um prédio vazio.
Você olha para uma igreja católica, você sabe que ali habita a presença do Altíssimo no tabernáculo, no Sacrário, Deus está lá. Eu nunca trocaria uma igreja onde o Santíssimo está presente, por igreja vazia. Meus irmãos, eu não estou dizendo isso para falar mal dos protestantes, pelo amor de Deus, eu estou dizendo isso simplismente por uma coisa: alegria imensa de ser católico, alegria imensa de ter os sacramentos, de ter a nova ação de Deus na história, onde os frutos da redenção de Cristo são distribuídos através dos sacramentos.
Que alegria saber que eu não estou sozinho nesta luta, mas que a igreja, dispensadora dos mistérios de Deus, vem ao meu encontro. Agora, nós temos que exorcizar do nosso meio certas influências protestantes por excesso de ecumenismo, por excesso de ecumenismo algumas pessoas estão esvaziando o significado os sacramentos. Existem católicos dizendo que o batismo é simplesmente uma manifestação pública da fé, a Eucaristia é uma partilha, os sacramentos perdem o sentido.
Você vai se confessar, e se transforma a confissão, não no perdão dos pecados verdadeiramente, mas num psicologismo, para a pessoa sair aliviada. Não é nada disso gente, os sacramentos são sinais eficazes, a eficácia dos sacramentos, nós precisamos crer nisto e nos alegrar com isto. Que felicidade, saber que Deus age, que Deus está conosco, que ele caminha conosco.
Nós poderíamos resumir tudo isso dizendo que este tempo da igreja, é um tempo da continuidade do mistério da encarnação, porque a igreja é a Encarnação de Deus que continua ao longo da história, nos seus santos e nos seus sacramentos.