[Música] [Música] Olá pessoal tudo bem Hoje eu queria conversar com você sobre a concepção sociointeracionista da linguagem eu tinha pedido para vocês lerem um texto que era o texto do professor D Ataliba de Castilho que tava lá no livro nova gramática do português brasileiro eu pedi para vocês lerem uma pequena parte do capítulo 1 desta obra no percurso argumentativo dele ele começa dizendo que a natural pode ser entendida como um objeto científico escondido e ele coloca esse Escondido entre aspas é importante que a gente entenda o que que significa isso né Principalmente para quem tá
estudando letras né mas para quem tá estudando outras formas de linguagem também como matemática né O que significa um objeto científico escondido né porque a língua natural seria esse esse objeto científico com essa característica exatamente né então sempre quando a gente vai ler um texto acadêmico é importante que a gente não passe despercebido por esse tipo de de afirmação é importante que a gente sempre Entenda como essa afirmação se justifica no contexto né então não sei se na primeira leitura que vocês fizeram vocês pensaram sobre isso mas eu queria ressaltar um pouquinho essa essa questão
ele faz ele uma analogia né que é a analogia estabelecer uma relação de semelhança né e é um recurso didático bastante usado em textos acadêmicos né e ele a analogia que o o professor Ataliba faz é uma analogia entre os linguistas e os botânicos né então os botânicos são aqueles eh biólogos né especializados em plantas e a pesquisa que eles fazem é num objeto então chamado plantas Esse é o objeto científico de estudo dos botânicos e as plantas são necess ente externas ao pesquisador né então a fisiologia da planta o comportamento da planta a as
condições ideais né para pra proliferação daquele tipo de vegetal são todas questões sempre externas ao pesquisador enquanto a língua é o objeto de pesquisa objeto científico portanto dos linguistas né Mas ela é interna ao pesquisador né então a gente diz que pesquisar a uma língua natural é pesquisar um objeto científico escondido porque a língua ela tá sempre interna a nós mesmos né então interna ao pesquisador então é objeto guardado eh em sua mente né na mente do pesquisador Então é assim que se justifica esse uso de objeto científico escondido e é importantíssimo que a gente
entenda isso porque na verdade essa expressão foi usada pela primeira vez pelo Ferdinand de socir que é considerado o fundador da linguística moderna então ele usou essa expressão né da língua como objeto escondido para ressaltar uma questão importantíssima que é a do ponto de vista né então a a gente e deve sempre decidir né Qual é o ponto de vista a partir do qual estamos tomando um dado objeto né o s vai dizer que bem longe né de dizer que o objeto precede o ponto de vista ou seja vem antes do ponto de vista diríamos
que é o ponto de vista que cria o objeto né é uma afirmação complexa densa de entender mas se a gente pensar por exemplo nas plantas vou usar a mesma analogia Que professor Ataliba fez eh as plantas existem como plantas e como objeto científico da botânica porque a gente criou um ponto de vista né a gente criou um ponto de vista a gente podia não ter criado esse ponto de vista e passar por uma uma vegetação e tudo e não identificar aquilo como planta como objeto científico nem nada disso né Isso é uma construção da
da ciência clássica né dessa ciência da descrição né então isso é uma construção recente não é eh desde sempre que uma planta foi uma planta no sentido de uma planta que é objeto de estudo de uma ciência Eh chamada biologia por exemplo né então a gente diz que é sempre o ponto de de vista que cria o objeto de estudo e quando a gente vai estudar qualquer objeto dentro da Universidade a gente vai ter que dizer qual é a teoria que a gente tá usando para observar aquele objeto né a gente tem que dizer como
é que a gente tá observando porque isso caracteriza o trabalho científico né porque é um conjunto de métodos eh verificáveis né e reaplicá-lo [Música] sentido de ponto de vista mesmo então a Teoria é estabelecer um dado ponto de vista o professor Ataliba conversa sobre isso também no texto dele e ele vai dizer até que ele vai reproduzir um diálogo que é bem interessante um pouquinho depois dele explicar essa questão do ponto de vista porque ele fala que a partir disso tem algumas gramáticas né ou seja algumas formas de teorizar a língua que ele chama de
as quatro grandes teorias linguísticas e ele vai colocar cada uma delas e aí ele simula um diálogo Mas que droga eu pensava que a gramática fosse uma coisa só Pois é não poderia ser visto que a língua é muito complexa Então por que que a gramática não pode ser uma coisa só talvez como vocês tenham a impressão vindo do ensino médio de que seja né porque a língua é muito compa para ter apenas uma gramática uma maneira de enxergá-la né então ele diz inteirando-se disso tudo você entenderá por há afirmações conflitantes sobre uma mesma questão
de gramática poderá desenvolver um raciocínio mais flexível aceitando as diferenças de ponto de vista e sobretudo poderá desenvolver suas próprias observações sobre um fenômeno tão importante para nossa identidade pessoal e social a língua que falamos e sua gramática o objetivo maior deste livro é fazer pensar e aí eu tomo emprestadas as palavras do do professor Ataliba para dizer que esse curso também o objetivo maior desse curso é fazê-los pensar sobre a leitura e a escrita né sobre a leitura e a produção de textos pensar criticamente sobre Essas atividades que são centrais no fazer acadêmico as
quatro grandes teorias linguísticas que o professor Ataliba coloca São essas a língua como um conjunto de produtos aí a gente teria uma gramática descritiva que é uma gramática bem próxima eh da Concepção clássica de ciência né que vai descrever os movimentos vai descrever a língua né então a língua é um conjunto de produtos que seriam descritos a segunda teoria a língua é um conjunto de processos mentais estruturantes aí a gente tem a gramática funcionalista cognitivista a terceira grande teoria língua é um conjunto de processos e de produtos que mudam ao longo do tempo né Então
aí a gente teria a gramática histórica e a quarta teoria talvez a mais conhecida a língua é um conjunto de usos bons e aí a gente teria a gramática prescritiva ou a gramática normativa que é ainda a que se dá mais ênfase na escola né O que se enfatiza na escola é o ensino desses usos bons né dessa gramática esse conjunto de normas né de prescrições de como eh se fazer um bom uso da língua né enquanto a A Gente Tem aí outras três grandes teorias linguísticas que costumam aparecer muito pouco na escola por exemplo
a parte histórica quase nunca aparece a gramática funcionalista cognitivista começa a entrar na escola eh de algumas décadas para cá né e a gramática descritiva a gente pode dizer que ela sempre teve eh presente mas muito mesclada com a gramática prescritiva normativa bom existem também como a gente já viu três concepções de linguagem Então a primeira concepção E essas três concepções têm a ver com essas teorias a primeira delas é a linguagem como expressão do pensamento depois a linguagem como instrumento de comunicação depois a linguagem como interação a gente vai ver agora cada uma dessas
concepções a linguagem uma expressão do pensamento ela prevalece no ensino até o final da década de 60 né então quem teve a oportunidade de estudar nessa época né Talvez os avós de vocês né Eh aprendeu com uma com uma certa ênfase na fala né e com uma concepção de que uma fala organizada era o resultado de um pensamento organizado né Essa concepção como fica claro aí é ela dá uma grande ênfase no psiquismo individual né então se o indivíduo tem um pensamento organizado se ele consegue racionalizar né e organizar o seu pensamento sua fala vai
ser organizada também então a escola deve ensinar a falar a escrita relegada a um segundo plano e há um grande enfoque na gramática normativa prescritiva enfoque esse que como eu já disse permanece ainda hoje nas escolas a linguagem como instrumento de comunicação ela prevalece no ensino essa concepção durante a década de 70 e adentra nos anos 80 nesse caso a língua é entendida como um sistema fechado de regras e Convenções né a língua é vista como uma estrutura concreta então um código passível de ser analisado internamente né então como ela é um sistema fechado de
regras e Convenções pode-se dizer que ela é um código ela tem uma estrutura e daí eh essa corrente chamada de estruturalismo né cujo principal nome é justamente o SF que a gente já viu no começo desse vídeo a partir do estruturalismo né Eh começa-se uma reflexão bastante grande principalmente na Europa sobre a sobre as línguas né e começa a se considerar também o caráter social da língua E aí então surge o funcionalismo que é uma das teorias linguísticas lá comentadas pelo professor Ataliba eh e por fim a linguagem como forma de interação ela passa a
ser difundida nos anos 80 eh os principais nomes são dois Russos baktin e vigotski e a linguagem é entendida como social ou seja a linguagem é o resultado de uma construção coletiva e de processos de interação né o vigot vigot traz a ideia né de que a linguagem possibilita um contato com o mundo né Então essa questão da interação do sujeito com o mundo e essa interação acontece por meio da linguagem né Essa é uma ideia que pra gente hoje parece bastante óbvia mas que foi uma construção né foi um processo de reflexão eh do
vigotsky que afetou diretamente o o o os estudos sobre educação sobre ensino né e o bacin ele propõe um olhar dialógico sobre a linguagem né dialógico Aí vem de diálogo né então é essa esse diálogo pressupõe um outro com quem falamos com quem interagimos para bacin 2004 a linguagem é um ato social que se realiza e se modifica nas relações sociais e é ao mesmo tempo meio para interação humana e resultado dessa interação já que seus sentidos não podem ser desvinculados do contexto de produção a linguagem é portanto de natureza sócio-ideológica e tudo que é
ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo né Então aí fica uma citação sobre essa noção de interação que é fundamental para essa concepção da linguagem como forma de interação então essa perspectiva né sociointeracionista considera o discurso né então o que tá no centro não é mais a palavra ou um fonema mas o discurso né e o discurso tem alguns elementos que são inseparáveis que sempre eles estão presentes né a língua os falantes e os seus atos de fala né que são realizados em determinadas esferas sociais e carregam valores ideológicos
né então o discurso ele é a o interrelacion obrigatório de todos esses elementos né indissociáveis Essa questão da presença do outro caracteriza Então essa perspectiva dialógica e interacional dessa concepção eu coloquei aqui para vocês as referências bibliográficas que eu usei no vídeo Espero que tenha ficado Claro e e que vocês tenham entendido obrigada [Música]