Trocando um pouquinho de assunto aí, tão, estamos acompanhando aí esse momento tenso que o mundo tá vivendo, né? Muito começou aí esse, né? Agora três, quatro dias atrás, essa guerra aí lá no no Irã, né?
Estados Unidos, Israel e tudo mais, né? E e guerra é sempre tem várias, tem toda a parte militar, papo geopolítica e não sei o quê, mas tem toda uma parte humana nessa parada aí, né? tem o lance da gente acompanhar tudo isso daqui.
Será que nós estamos longe ou não? Porque embora são tudos seres humanos, né? Como que a gente acompanha isso, né?
Um ser humano ali eh eh esse sofrimento do ser humano e toda essa essa exposição que tem hoje, toda a parte ética dessa dessa dessa parada toda, o lance das narrativas, porque é um lado que informa aí, só que informa até um certo ponto, porque não pode informar muito, porque senão o outro fica sabendo e tal. Como que o senhor vê todo esse cenário aí? se montando aí na na cabeça do ser humano pro seu ser humano que reflete isso com com que ele olha para aquilo ali e fala e agora e que sem sem nem tô entrando na parte econômica que o preço do petróleo tá subindo nem nada disso.
né? Essa parte aí mesmo humana da da Olha, eu eu penso sinceramente que há um grande ponto de de interrogação assim, de sabe de não saber direito o que dizer. eh uma espécie de constatação de uma certa ignorância em si mesmo, que é, pelo menos para nós, na filosofia, muito positiva num primeiro momento, né?
Eh, eh, no final das contas, nós estamos tendo, digamos, ciência dos fatos eh por narrativas que são feitas na nossa sociedade. E na nossa sociedade, uma boa parte das pessoas, eh, sejamos francos, não tem muito ideia eh nem de onde fica direito o tal do Irã, né, assim, é, é isso é uma coisa interessante. Eu acho que chegaram a fazer uma pesquisa pedindo pro pessoal apontar onde fica o Irã.
As pessoas nem sabem onde que fica. Bom, então eu não eu não chutei tão errado assim. Ah, mas tão errado assim.
Bom, eh, e, e naturalmente estamos aí a mercê de argumentos eh condenatórios da iniciativa norte-americana, argumentos de defesa da iniciativa norte-americana, destacando as mazelas internas eh de um regime autoritário iraniano. e e e portanto, e que bom que isso vai mudar. No final é um mecanismo quase que de salvação do povo iraniano, enquanto outros enfocam a questão da soberania, a questão de que eh o outro país não tem nada com isso, que cabe a quem tá lá dentro, resolver os problemas de quem tá lá dentro.
Caso contrário, vamos então usar os mesmos argumentos e e autorizar a invasão de qualquer país, porque em qualquer país é possível encontrar uma injustiça Lacarte. Sim. A começar pelo nosso, né?
né, começar pelo nosso. Então, eh eh o que eh eu penso é que há uma complexidade de argumentos e mas o que e o primeiro degrau que eu gostaria de de destacar nessa história toda é que qualquer guerra ela é por si só indicativa de um fracasso. E que fracasso é esse?
é o fracasso da política no seu sentido com com pé grande, né? Eh, e por quê? A política, ela é um modo racional, eh, coletivamente chancelado de regulamentação de conflitos.
E, portanto, eh, a política conta com esta possibilidade de legitimar certas soluções que darão episodicamente a vitória para uns, a derrota para outros, tenta no ano que vem e esse que perdeu aceita que perdeu, aí ele volta no ano que vem para tentar. E e a e a e a e a política, ela de certo modo, chancela uma certa distribuição de troféus para pretendentes muito mais numerosos do que os troféus em disputa, como costuma acontecer, tá? Então, vamos imaginar para você que tá me acompanhando, eh, vamos imaginar que haja milhares e milhões de pessoas eh ávidas para ter uma vaga na universidade pública onde nós estudamos.
Bom, o número de vagas é menor do que o número de pretendentes. Portanto, há mais gente desejando do que meios de satisfazer esse desejo. Aqui entra a política.
A política é um modo racional, entendido por mais ou menos justo de resolver esse problema. Pois é, alguns terão, outros não terão. Até porque se fosse como uma festa de aniversário com 10 crianças, você divide o bolo em 10 pedaços e você resolveu o problema da mãe.
Só que as vagas na universidade não tem como dividir desse jeito. Então, alguns vão ser aquinhoados, outros não. Agora, qual é o jeito?
O jeito é esse que nós conhecemos aí de Enem Festal. Muito bem. eh eh será criticável o quanto for, porque qualquer procedimento será criticável, mas eh quem perdeu eh tenta o ano que vem e e quem perdeu não vai achar pertinente, né, se armar eh para sair atirando contrair lá, é para matar aqueles que estiverem fazendo a sua matrícula no primeiro dia de aula.
Então veja, isto é o sucesso da política. A política ela ela ela convence o derrotado de que a derrota eh alguém tem que perder e que numa próxima ocasião é possível que o resultado seja de outra natureza. Ora, eh o que é a guerra?
É quando o cara pega e fala: "Viu eh esse negócio aqui de resolver essa parada no Enem ou na FVEST não vai rolar mais, entendeu? Isso aí é uma grande sacanagem. Por quê?
E ele poderá dizer, porque quem pagou escola de 10, 15 pau por mês, eh, né, Playboy, filho de de de coisa, tem mais chance de estudar sobre a Revolução Francesa do que eu que fui para uma escola pública onde o professor não chegou nesse ponto. Então, não tem justiça nenhuma em eu fazer a mesma prova que esse cara se eh eu não tive condição de estudar o que ele estudou, mas nem perto, mas nem perto, entendeu? Então agora isso não vai mais funcionar assim, entendeu?
Nós vamos resolver na porrada quem é que vai eh ocupar as vagas, entende? Eh, de uma certa maneira, esse é o fracasso da política. A política ela eh existe até o momento que a guerra começa.
A guerra começou, a política fracassou, ela deixou de existir. Então, claro está que quando a gente assiste a, digamos, proliferação de focos e bélicos, o que a gente tá assistindo antes de mais nada é uma espécie de fracasso da política em cascata, em dominó, como se você fosse derrubando as peças uma a uma. E aquilo que chamam de escalada da guerra, na verdade é a ecatombe progressiva da política, né?
Na mesma é só só derrota atrás de derrota, né? Derrota atrás de derrota, né? Então, eh, nesse sentido, eh, que fique claro, eh nós aqui, eh, na nossa sociedade temos, eh, jeitos muito diferentes de entender o Brasil ideal, temos jeitos muito diferentes de conceber a sociedade que queremos para nós, temos, enfim, que que o pessoal chama aí de polarização, etc.
Mas aqui ainda ganhou um, o outro foi paraa casa, ganhou o outro, o primeiro foi paraa casa, etc e, tal. Isto é o sucesso da política em que pese, né? É a cor, ah, mas foram para paulista e tal.
Então, veja, eh eh o que que o que que nós estamos eh observando, né? que quando uma força, né, geopolítica resolve eh, brigar aqui, brigar aqui, anunciar que vai brigar lá, anunciar que vai intervir ali, anunciar, já está previamente dizendo o seguinte: "Não me venha com a sua churumela política internacional". Por quê?
Porque eu não quero nem ouvir mais. Eu vou, né? Como como foi dito, nós temos o mais bem armado exército do planeta e aonde a gente entrar a gente vai ganhar.
Tá certo? Então, eh, por que que eu vou submeter essa hegemonia militar a um crio de argumentação? Se na argumentação eu posso perder?
Não, eu eu vou logo direto ao assunto. Eu vou resolver isso. Agora, que fique claro, há aqui um problema interessante a considerar, porque quando você exerce uma dominação, ou seja, eh eh eh exerce sobre outro algum tipo de poder, aonde a vida do outro acaba dependendo um pouco da sua vontade, né?
Eh, quase sempre essa dominação será tanto mais eficaz e consolidada quanto menos ela precisar ser explicitada, certo? Eh, eh, ela será entendida como legítima quando o próprio dominado sair em defesa da sua posição de dominante. E isso é muito comum, não?
Quem tem que mandar é ele, é ele que sabe, é ele que entende, ele há n mecanismos legitimadores de uma situação de poder. Ora, na hora que você precisa sair paraa briga, é porque os os velhos e bons mecanismos legitimadores da dominação já não estão efeito, né? Se algum dia eu dominei pela indústria cultural, se algum dia eu dominei por Hollywood, se algum dia eu dominei pelo McDonald's, se algum dia eu dominei, hoje eu tô precisando bater pro cara entender que eu sou mais forte.
E isso pode ser sim um sinal de uma certa fragilização da posição hegemônica.