Hoje vamos falar sobre a escrita de não ficção mas antes de começar a falar especificamente sobre a não ficção deixa eu comentar com vocês que eu gosto muito de trabalhar com categorias vocês estão vendo aqui no curso conta e crônica poesia narrativa acontece que muitas pessoas questionam esse trabalho mais sistemático colocar os conceitos tão abstratos tão complexos dentro de caixinhas mas me parece uma forma didática de apresentar explicar os conceitos Especialmente para quem está começando então é claro que existe o vermelho e existe o amarelo nós conseguimos identificar perceber o vermelho e o amarelo mas
o mundo não é feito de vermelhos e amarelos o mundo é feito de laranjas então nós temos na verdade no antes da cor vermelha até a cor amarela que formam o mundo que formam as artes que formam as cores do céu por exemplo logo na escrita é a mesma coisa nós temos os textos narrativos nós temos os textos líricos e nós temos textos que misturam esses duas essas duas categorias nós temos o conto nós temos a crônica e nós temos textos que misturam com o micrônica como os textos do Veríssimo ou no Marina colasanti isso
não significa que não se possa trabalhar com o conceito conto com conceito crônica me parece que a melhor forma de compreender o conceito é olhar para sua forma mais entre aspas pura para sua forma mais clara mais concreta então se eu vou me tornar um pintor seja um pintor de parede ou um pintor artista eu preciso saber bem como funciona a cor vermelha eu preciso entender Por que Convenções Quais características da cor vermelha o que ela representa o que ela simboliza na sociedade de hoje pelas Convenções de hoje assim como eu preciso entender a cor
amarela o que ela simboliza o que ela representa E aí eu vou misturar as minhas cores e fazer as minhas quadros ou fazer a pintura da minha casa então quando a gente fala em escrita olhando para o conto e compreendendo bem o conto olhando para crônica compreendendo bem a crônica eu consigo depois extrapolar esses gêneros eu consigo ler um texto do Veríssimo e compreender como Ele misturou crônica e conto mesmo que eu não consigo Identificar qual dos dois preponderam naquele texto Mas trabalhar gêneros estudar categorias estudar gêneros não vai fazer mal algum pelo contrário vai
ser muito positivo e tô falando sobre isso porque inclusive ao discutir ficção e não ficção nós vamos precisar refletir nós vamos precisar problematizar onde começa a ficção e termina a não ficção onde começa um e termina o outro Será que é tão Clara a distinção entre o que é ficção e o que é uma ficção você não ficção é a verdade O que é a verdade será que nós podemos pensar nesses termos bem textos de ficção não atribuem a se o valor da verdade eles não se querem verdade eles são ficção é outra coisa a
ficção não é uma mentira a ficção ela é um texto construído com histórias que não aconteceram para provocar efeitos no leitor para sensibilizar o leitor para fazer o leitor rir chorar ou para entreter o leitor então a ficção ela não se atribui o valor de verdade já os livros de não ficção ele se atribua ele chamam para si o valor de verdade ou pelo menos de interpretar fatos mesmo que a gente não fale aqui no conceito de verdade os livros não ficção trazem para si os fatos eles querem contar algo que aconteceu ou eles querem
terminar a explicação para o mundo da forma como ele é eles vão trabalhar em cima de dados factuais eles precisam estatísticas de pesquisas de história já ficção não a ficção ela não está focada no conteúdo como nós vimos em aulas ante a ficção está focada na forma e no efeito que ela vai causar a não ficção ela vai utilizar a forma ainda mais quando nós misturamos escrita criativa e não ficção é uma mistura extremamente produtiva tem dado ótimos frutos livros maravilhosos então sim nós podemos misturar forma e conteúdo mas um texto de não ficção o
conteúdo é muito importante quando um autor de não ficção ele muda determinado fato para efeitos estéticos ele pode estar cometendo uma distorção da realidade e aí nós vamos cair no conceito que hoje é muito falado de fake a gente fala em fake News né então quando há um fake uma mentira quando um autor diz que determinado personagem de tal época morreu de tal forma e ele na verdade morreu de outra forma e aquele texto aquele livro ele se diz um livro não ficcional seja um livro histórico ou ensaio ele está agindo de má fé ele
está fazendo uma mentira ele está fazendo um fake e não fazendo uma ficção dentro da reflexão não me parece que caiba dentro da não ficção espaços pedaços de ficção porque nós estaríamos confundindo e esse confundir a história revisionismo histórico Talvez seja o mais perigoso de todos né mas a gente não vai entrar nesse mérito neste momento o fato é que nós não podemos confundir o conceito de ficção com conceito de fake de mentira a ficção ela não se atribui em papel de verdade já Quando nós vamos escrever um livro de não ficção e nós vamos
vender esse livro Como livro de não ficção nós estamos atribuindo a ele verdade nós estamos atribuindo a Ele o recorte do que seria a realidade e o que nós fizemos de diferente disso vai ser fake vai ser mentira a questão do fake me parece hoje mais uma questão ética mas a cada vez se discute mais isso nas legislações nos países e logo isso vai se tornar uma questão inclusive legal uma questão de lei hoje uma pessoa pode escrever um livro distorcer determinada história vamos supor sobre o prefeito de uma cidade isso não vai ser enquadrado
como lei ela vai ser uma questão ética enfim discutível mas a fake cada vez mais é perseguida e como atores de não ficção nós precisamos estar atentos a isso claro que autores que vão compreender o conceito mas vão utilizar o Fake porque o objetivo do livro deles é esse é fazer algum tipo de distorção ou algum tipo de confusão histórica mas aí aqui no curso nós estamos para ver os conceitos né então o conceito de fake para o texto de não ficção ele é danoso ele seria um dos conceitos lá dos pecados do texto criativo
se nós pensássemos e não ficção o pior deles Talvez seja o Fake aquilo que claramente que evidentemente é mentira é diferente de interpretações polêmicas equivocadas ou diferentes de determinado fato quando uma pessoa o filósofo insista ele vai refletir ele vai interpretar um fato de uma forma que não parece ser uma forma mais correta isso não entra na categoria de fake a gente vai falar daqui a pouquinho sobre o jornalismo Isso já é a interpretação mas quando o texto vai para os fatos para números estatísticas dados históricos personagens aí nós precisamos ficar atento aos fatos Então
vamos tentar definir claramente ficar no ponto seguro do que é o ficção e do que é o não ficção o ficção é aquela história como Dom Quixote caso a sensibilidade da DNA Austin Harry Potter Senhor dos Anéis enfim milhares e milhares de livros de romances que são romances feitos como ficção histórias que não aconteceram personagens inventados às vezes baseados em fatos reais ou de fatos históricos mas são histórias feitas como ficção vendidas como ficção lidas como ficção já no caso dos textos jornalísticos as notícias Especialmente quando nós falamos sobre resultado de um jogo de futebol
resultado de uma eleição nós estamos falando em Fatos nós estamos falando e não ficção ali não há espaço sequer para interpretação na notícia daquele tipo de Episódio então houve um jogo que acabou tanto Vamos para o Brasil 7 a 1 Alemanha 7 a 1 felizmente no Brasil houve uma eleição e o Fulano ganhou por tantos por cento dos votos nós não estamos aqui nem avaliando se a eleição foi fraudado ou não ela foi correto ou não a eleição existiu e percentual de votos foi aquele então isso são fatos choveu o determinado dia em tal cidade
despencou um prédio de tal cidade isso são fatos aqui nós estamos no âmbito então para não ficção mas de novo a vida não é feita de vermelho e amarelo A vida é feita de laranjas Então nós vamos ter diversos momentos em que esses fatos se confundem com aquilo que a gente chamaria de ficção a não ficção é um gênero que me parece muito pouco explorado em oficinas de escrita porque ele é um gênero produtivo e que pensando em termos de livros é o gênero que mais vende livros parece curioso isso a gente tem ainda literatura
como gênero mais charmoso o gênero que mais ganha prêmios Talvez o gênero que mais inclusive ganha espaço com nossa cultura contemporânea na escola há uma disciplina de literatura ainda hoje ainda existe essa disciplina mas se a gente olhar a lista dos livros 10 livros mais vendidos em 2020 da Public News nenhum livro é livro de ficção nós temos de ficção livros de não ficção livros autoajuda e religiosos que eles separam da não ficção e livros de negócios nessa lista dos 10 a livros de negócios a livros de autoajuda a livros de não ficção mas não
há livros de literatura nos 10 mais vendidos o 12 ou 13 vai ser um livro de literatura então isso representa muito do que é o mercado Editorial de hoje as pessoas buscam muitos livros de não ficção então ainda a gente precisaria dar mais atenção a escrita de não ficção e eu tô falando aqui de livros mas nós olhamos para a internet para as crônicas para os textos que repercutem na web também são os textos de não ficção que acabam tendo uma repercussão maior do que os textos de ficção Então quem pensa em ser escritor Profissional
ou quem é jornalista é de uma área mais dura mais focada ela não ficção vale a pena pensar na ideia de escrever textos não ficcionais pode continuar escrevendo a ficção eu tenho livros de ficção e meu livro que mais vende que mais circula é o escrita criativa para iniciantes que é um livro de não ficção então nós podemos manter as duas coisas é desejável até que se faça isso mas nós não podemos ignorar ou subestimar a não ficção porque é um gênero extremamente Popular extremamente importante na sociedade que nós vivemos hoje e que as Guerras
são simbólicas são por discurso e é uma ficção participa de uma forma muito contundente nesse tipo de guerra simbólica e guerra de discurso nós vamos pensar como assim não ficção Então tá compreender melhor o conceito trazer gêneros dentro da não ficção então por exemplo nós temos as biografias biografias são maravilhosas a biografias hoje um texto fabuloso de ler Eu sempre gosto de citar a estrela solitária que é um livro sobre Garrincha feito pelo Rui Castro o próprio Rui Castro tem outras biografias bastante importantes então biografias são muito procuradas são textos muitas vezes gostosos de ler
porque é um grande romance feito sobre determinada pessoa nós temos também os livros de ensaio um grande livro de ensaio que eu já citei aqui na oficina mas eu nunca lembro o nome do autor é aquele homo sapiens então é um livro de ensaio é uma grande reflexão sobre o universo sobre o mundo sobre humanidade há outros livros de ensaio mais focados mais de nicho então há livros de ensaios sobre o dinheiro agora de um do Eduardo gianetti sobre o dinheiro acho que é o valor do amanhã o nome do livro então há livros de
ensaios mais diversas áreas há livros de memórias em que as pessoas elas relatam as suas memórias às vezes em forma de crônicas às vezes uma narrativa longa é um pouquinho diferente daquela biografia porque a biografia é feita por um terceiro normalmente nas memórias há uma auto-referenciação é o próprio autor referenciando o que aconteceu às vezes focado na sua pessoa né uma autobiografia às vezes focado num fato então a memórias de algum de algum acontecimento específico eu lembro agora de Lágrimas na chuva do Sérgio Faraco e que ele conta um período que Ele viveu na União
Soviética outro tipo de livro outro gênero de livro da não ficção bem popular e bastante utilizado são as grandes reportagens é quando especialmente jornalista ele se aprofunda em determinado assunto e ele vai fazer uma grande reportagem sobre aquele assunto é transformar Aquilo num livro O Caco Barcelos notabilizou por fazer livros de grande reportagem temos ainda os livros históricos os livros históricos no estilo do 1808 1822 escravidão Laurentino Gomes que Aliás era um dos livros el dos livros mais vendidos em 2020 naquela lista que Eu mencionei antes esses livros históricos nós tivemos antes no Gomes o
Peninha o Eduardo Bueno aqui de Porto Alegre fazendo livros de história que venderam para caramba nos anos 90 anos 2000 esse tipo de livro ele é muito controverso entre as pessoas da história segundo eles Isso não é um livro de História porque ele fantasia sexualiza mas o fato é que esses livros são considerados não ficção e os profissionais os dois tanto pela Valentino Gomes São jornalistas Olha que interessante em São jornalistas se debruçando sobre fatos históricos e tornando esses fatos numa linguagem mais popular numa narrativa mais envolvente transformando os personagens e personagens mesmo com densidade
com característica com diálogos e isso torna a leitura mais dinâmica mais fluida e o leitor pensa assim bom além de estar me divertindo me envolvendo com uma história boa de ler eu estou aprendendo sobre a história do Brasil então é muito interessante esse tipo de livro ele tem feito muito sucesso por mais controverso que ele seja diante de historiadores estudiosos mais profundos dessas questões então nós temos aí Alguns gêneros que fazem a não ficção daria para incluir nesse guarda-chuva da não ficção e talvez seja o tipo de texto que vocês que estão me ouvindo escrevam
a crônica a crônica ela é multifacetada mas se eu tivesse que diferenciar crônica de conto a crônica é não ficcional e ao falar de crônica eu estou falando de gêneros como Crônicas de viagem então existem vários gêneros dentro mas a crônica Com certeza é um texto de não ficção nós podemos incluir também os livros de auto-ajuda ou mesmo livros religiosos na classificação do publiche News eles separam autoajuda e religiosos de não ficção porque a gente pode entrar em determinados temas especialmente religiosos que são controversos por exemplo autores como hauerba que consideram a Bíblia o melhor
livro de literatura de todos os tempos agora para quem acredita na Bíblia para quem professa a fé da Bíblia falar que a Bíblia fala não é uma livro de ficção é um livro de literatura é uma heresia uma ofensa as pessoas enxergam a Bíblia como um livro de não ficção Então os livros religiosos podem haver certa confusão mas os livros de autoajuda me parece que são livros de não ficção são livros em que as pessoas trazem em forma de crônica em forma de memória de forma de relato conselhos dicas enfim são livros que poderiam sim
ser classificados como livros de não ficção e ainda tem uma outra categoria que é uma derivação da categoria autoajuda que são os livros de negócios existem livros de negócios mais didáticos né aqueles livros em que vão ensinar algo mas o que tem feito muito sucesso são livros de auto-ajuda para negócios ou para Finanças aqui entra por exemplo Gustavo cerbassi aqui entra o Thiago migro que é o livro mais vendido neste momento de negócios Então são livros que motivam no ambiente Empresarial profissional que é um tipo de autoajuda e que não deixa de ser não ficção
também é um tipo de livro de não ficção e todos esses gêneros da naficção podem aproveitar devem aproveitar as técnicas tá escrita narrativa para que eles tenham histórias mais fluentes para que eles tenham uma linguagem mais interessante para o leitor mais focada no leitor para que ele se tornem mais leves de ler e o que eles querem trazer o impacto que eles querem trazer porque a gente não pode falar em mensagem num texto ficcional o texto ficcional provoca efeito ele não quer trazer nenhuma mensagem mas um texto não ficcional a gente pode pensar o conceito
de mensagem então se o livro for bem escrito a história for mais fluente nós vamos conseguir trazer mensagens para o leitor também mais produtivas mais fluentes e isso pode ser muito útil para quem quer escrever não ficção há alguns conceitos do texto jornalístico que são muito úteis para quem vai escrever textos de não ficção especialmente a imparcialidade e a objetividade são conceitos extremamente controversos e polêmicos mesmo entre jornalistas entre público geral já está abatido né já se já se desacreditou nessa possibilidade de um texto ser objetivo e Imparcial mas para o jornalistas é importante pensar
um pouco sobre isso e para quem vai escrever não ficção também então o que é objetividade O que é imparcialidade primeiro vale dizer que escrever um texto jornalístico uma questão de técnica escrever um texto não ficção uma questão de técnica não é um achismo não é uma inspiração Divina a técnicas que nos permitem tornar um texto mais objetivo e mais Imparcial a questão é que naturalmente não existe uma imparcialidade absoluta momento em que eu escolho falar ou não falar de um assunto eu já estou não sendo tão Imparcial assim alguns assuntos impõe Mas a outros
assuntos que a gente escolhe como jornalista como cronista a gente vai tratar dele ou não eu posso escrever um livro sobre racismo ou eu posso escrever um livro sobre gênero ou eu posso escrever um livro sobre homofobia E essas escolhas que eu faço já é uma forma Imparcial de lidar com o mundo então é claro que não existe aí para a sinceridade absoluta Mas se nós nos propusermos a fazer um texto acadêmico ou um texto jornalístico especialmente uma notícia algumas técnicas que permitem que a história seja menos que o texto seja menos parcial e seja
mais Imparcial uma delas é bem conhecida que é ouvir todos os lados eu sei que essa coisa de ouvir todos os lados é bastante questionável porque em geral o repórter ou ouvir um lado ouve o que seria o antagonista o outro lado e tantas e tantas histórias não existem só dois lados existem milhares de Visões e lados diferentes e por vezes ouvir dois ou três lados não condiz com o fato porque 80% das pessoas acreditam numa coisa 20% estou em outra mas a matéria traz um e outro lado 5050 então a imparcialidade ela também precisa
ser buscada na escolha das fontes na escolha de quem a gente vai ouvir ouvir diversas vozes quando a gente faz um texto acadêmico ou quando a gente faz um relato não ficcional aí nós ouvimos uma pessoa só nós temos uma grande chance de estar lidando com uma versão e não com a história completa nós precisamos buscar os outros envolvidos ouvir a versão deles desses fatos por mais que às vezes seja uma versão que nos enoja que nos enjoaria E aí é o grande método ter uma capote no sangue frio ele aprofundou a história dos bandidos
não a história das vítimas e fez aquele livro magistral diferente criativo e original então a imparcialidade é a busca da imparcialidade não é a imparcialidade em si quando nós vamos escrever um texto jornalístico especialmente uma notícia mas também se busca isso na reportagem ou quando nós vamos fazer um livro de não ficção que qualquer um livro de investigação um livro jornalístico e eu diria que mesmo texto acadêmico nós precisamos tentar ser imparciais buscar a imparcialidade nós não podemos por exemplo ter juízo de valor nós temos que evitar usar adjetivos nós vamos dizer aquele safado nós
vamos usar os termos usados descrição e deixar que o leitor perceba que ele é um safado então a busca da imparcialidade ela é desejável Ela é uma parte da técnica do texto jornalístico que nós podemos trazer por texto de não ficção e que nós devemos trazer para o texto acadêmico me incomoda bastante orientei alguns trabalhos de conclusão Na graduação aquelas pessoas que vão para o trabalho para provar elas fazem um trabalho para provar tal coisa então eu quero provar que o leitor de não ficção ele é mais ácido ele ler mais que o leitor de
não fica de ficção enfim a pessoa tem algo para provar Não é assim que se começa a trabalhar acadêmico né gente a gente começa a trabalhar com uma hipótese Será que o leitor de não ficção ler mais que o leitor de ficção e a resposta no final pode ser que não então a gente se a gente entra para provar alguma coisa nós vamos conseguir provar mas nós não vamos ser em parciais nós vamos fazer recortes que provam daqui do lado então isso subverte um pouco a lógica original do que é a informação do que a
investigação do que a pesquisa a pesquisa parte de uma hipótese e Se nós formos analisar aquela hipótese de forma mais Imparcial possível nós vamos chegar a uma conclusão ou a outra nós não podemos ter a conclusão para estabelecida isso é sobre a imparcialidade então é difícil ser Imparcial é impossível ser totalmente Imparcial mas a busca pela imparcialidade o compromisso com a parcialidade ele deve ser uma missão de jornalista ele pode ser uma missão do autor de não ficção e o leitor percebe isso o leitor aquela palavrinha mágica credibilidade que se fala tanto em jornalismo que
parece que ganhou mais importância ainda com a fake News então a pessoa que tem credibilidade hoje ela tem um valor muito grande muito alto próprios escritores jornalistas quando a gente começa a fazer coisas que não são tão interessantes que não são não dão tanta credibilidade nós podemos até fazer mais sucesso só que esse sucesso é mais efêmero é credibilidade ela ela retém a credibilidade ela mantém o leitor próximo de nós tem uma frase né que diz que não se consegue enganar muita gente por muito tempo é possível enganar pouca gente por muito tempo ou muita
gente por pouco tempo então mas não se consegue enganar muita gente por muito tempo logo a credibilidade é um valor necessário ela é um valor importante para que a gente tenha como autores e não ficção e para buscar essa credibilidade nós precisamos buscar a imparcialidade reconhecendo a sua impossibilidade reconhecendo os locais nosso lugar de fala né onde a gente não consegue ser Imparcial porque se eu vou fazer uma história falando sobre racismo eu não vou conseguir ser Imparcial em relação a racismo é possível que eu acabe pesando a mão anunciando a questão do racismo e
isso é natural pelo meu lugar de Fala pelas minhas crenças mas eu vou se eu me propusear a fazer uma reportagem um livro de não ficção sobre isso agora um parentese eu nem me propõe a fazer isso porque eu não quero ter compromisso de trazer todos os lados problematizar uma questão que para mim não precisa ser tão problematizada tem que ser denunciada e combatida mas se eu fizer um livro não ficção sobre isso eu preciso ouvir todos os lados eu preciso tentar compreender as raízes desse racismo eu preciso tentar compreender Como isso acontece de entre
negros e brancos entre brancos e negros não apenas de uma via enfim eu preciso aprofundar essa questão da forma mais Imparcial possível já em relação ao objetividade esse conceito ele é um pouco mais claro ele é um pouco mais fácil ou pelo menos um pouco menos difícil de nós buscarmos no nosso texto objetividade tem dois dois caminhos né que a gente pode ver primeiro o objetivo idade como concisão ou seja ser objetivo e não ser prolixo Mas não é isso que nós estamos falando aqui aqui a ideia de objetivo é tentar ser mais objetivo e
menos subjetivo ou seja focar mais no objeto nos Fatos e não tanto no sujeito na interpretação Quando eu digo Nelson Mandela ex-presidente da África do Sul eu estou sendo objetivo Quando eu digo Nelson Mandela um grande líder um grande herói da África do Sul eu estou sendo mais subjetivo interpretativo Eu dei um exemplo bastante aleatório mas num texto a gente tem vários momentos em que de forma consciente ou inconsciente nós podemos escolher entre ser mais objetivo ou mais subjetivo o texto de ficção não é bom nós temos objetivos demais não é bom nós dizermos um
texto de ficção que a menina tinha 13 anos e meio e que ela media 1,50 m isso no texto de ficção é péssimo na verdade um texto de não ficção pode ser melhor eu dizer que ela tinha 13 anos e meio do que dizer que ela era jovem ou que ela era criança ou que ela era pré-adolescente porque era um texto de não ficção eu vou trabalhar com fatos com dados então quanto mais o objetivo for melhor claro que aqui a escrita criativa e o texto não ficcional eles colidem né por isso que a gente
vai ter que fazer escolhas macro esse texto afinal de contas é um texto de não ficção ele é um texto para como um documento ele é um texto para informar ou para convencer ou ele é um texto de ficção ele é um texto para emocionar essa escolha macro a gente já falou bastante na primeira na segunda aula mas voltando a objetividade eu não vou escrever que determinado produto era caro ou ele era barato ou que o Fulano era bonito que era feio isso é um adje pessoais que depende do sujeito da subjetividade eu vou dizer
que determinado produto custava tantos reais e esse tantos reais pode ser barato para alguns e caro para outros então a buscar a objetividade no texto é mais fácil porque é mais a gente consegue sublinhar o momento em que tá mais objetivo ou menos objetivo ah por exemplo as operadores argumentativos como até já ainda quando nós usamos um até já ou ainda nós estamos sendo subjetivos ele o prefeito ainda não terminou as obras bom esse ainda tem um juízo de valor então eu posso colocar o Prefeito Não Terminou as obras que começaram a dez anos 10
anos atrás nesse caso nós estamos sendo objetivos nós estamos trazendo uma informação um fato então buscar a objetividade é mais possível é mais fácil do que buscar a imparcialidade embora elas estejam ligadas né Quanto mais objetivo for um texto mas Imparcial ele vai ser também logo esses dois conceitos para não fixar uma lição muito importantes a outros conceitos que a gente poderia aprofundar nós vamos ficar com esses dois e o fato de que nós não conseguimos ser completamente objetivos ou completamente imparciais não significa que nós não temos o compromisso com o objetividade e a imparcialidade
quando nós estamos fazendo um texto que se diz um texto não ficção um texto que vai trazer fatos claro que há alguns textos de não ficção que focam na interpretação o próprio jornalismo hoje trabalha com três grandes gêneros o texto noticioso que é o texto informativo a reportagem que é o texto interpretativo e a opinião que é o texto operativo no jornalismo se convenceu a dizer que o texto interpretativo ele também vai buscar seu objetivo Imparcial Mas ele já se assume como uma interpretação dos Fatos e aquela grande reportagem são aqueles textos mais fôlego os
textos opinativos já não tem esse compromisso com objetividade e parcialidade pelo contrário são livres os são textos mais autorais focados na opinião do autor e não tanto no assunto no conteúdo já os textos informativos eles têm a obrigação eles têm compromisso com a imparcialidade e objetividade por mais que a gente saiba que às vezes isso não acontece então buscar a imparcialidade objetividade nos textos mais focados para informação ou até para interpretação dos fatos é um compromisso ético desejável para o autor de não ficção mas não podemos deixar de citar também os livros que a gente
chama hoje de jornalismo literário o grande propulsor do gênero se não o criador do gênero foi turma capote que nos anos 50 60 publicou um livro chamado a sangue frio neste livro ele faz uma grande reportagem sobre um crime que ocorreu lá nos Estados Unidos uma família inteira foi morta dentro de casa por um par por uma dupla de bandidos e ele vai então detalhar os primeiros Capítulos são terríveis no ponto de vista de que a gente está lá dentro daquela casa sofrendo com aquela família que é presa no banheiro ela é ver o crime
acontecendo e até que ela é morta isso em detalhes em várias e várias páginas então é muito imersivo mas estamos lá acompanhando aquele crime e depois o livro avanço e vai acompanhar como eles fogem como eles são capturados período na prisão Então existe toda um trabalho profundo sobre esse crime sobre esses dois bandidos o termo capote na época ele fez reportagem Ele leu notícias ele entrevistou bastante os dois bandidos existe um filme muito interessante conta como foi produzido o filme também é ficção né mas enfim que é o filme capote mas no caso do Sangue
Frio então há fatos a dados de fato houve aquele crime de fato o personagem foi preso e aquilo tudo aconteceu e o próprio tem uma capote conversou com a bastante com os dois para ter os detalhes das ações mas evidentemente ele precisou preencher espaços não tem como repórter saber o que um outro falou como ele agiu como ele andou qual era o jeito de caminhar como que os personagens pensavam especialmente as vítimas né que já não estão ali para contar para ele então há certamente um grau de ficção dentro da grande não ficção que ele
construiu mas o trauma capote o sangue frio é considerado uma grande reportagem é considerado um livro de não ficção criar um gênero né criar um gênero novo no jornalismo inicialmente se tornou o nariz se considerou que isso não é Jornalismo e hoje se considera que é um gênero uma forma de fazer jornalismo diferente mas sim a ideia de Jornalismo e particularmente não consideraria livros como a sangue frio como Jornalismo e não consideraria como literatura eu consideraria como jornalismo literário e não tem mal nenhum demérito nenhum em fazer isso Ele criou uma forma nova de trabalhar
de escrever que é seguida por diversos jornalistas hoje é muito utilizado inclusive no dia a dia do jornalismo Nas reportagens a Eliane Brum aqui no Brasil faz textos maravilhosos usando técnicas de jornalismo literário dá para dizer inclusive que o jornalismo literário é trazer a escrita criativa para dentro do jornalismo é quando se encontra ou então técnicas criativa com técnicas de jornalismo de não ficção e criam esses livros maravilhosos que a gente quando lê realmente se envolve se sente dentro da história e ainda por cima está vendo está aprendendo sobre algo que realmente outra mistura de
ficção e não ficção que acontece é quando há um caso oposto ou anterior a pessoa quer escrever uma história que é uma história real que aconteceu e normalmente aconteceu com ela então já recebi por exemplo um aluno lá no curso de formação de escritores aqui em Porto Alegre que ela disse assim eu vim para esse curso para escrever um livro sobre meu ex-marido que me maltratava que havia problemas de abuso enfim e ela queria escrever um livro para denunciar isso para denunciar o ex-marido já né respirei fundo porque qual é o problema de nós escrevermos
histórias nossas memórias relatos envolvendo outras pessoas nesse relato o problema jurídico então é bem provável que ela escreveu neste livro o marido vai processar porque vai discordar de fatos do livro da interpretação dela do livro ainda mais que ela não deve ter provas ou pelo menos não contundentes suficiente para entrar com processo formal Ela pensou em fazer um livro e aí como é que vai ser ela talvez como autora Não se preocupa em relevar o processo talvez ela é exatamente Busque esse conflito busca esse processo Talvez o processo inclusive uma forma de um personagem reconhecer
que fez alguns fatos porque imagina só se as pessoas escrevem um livro que é uma cena de abuso e ela não usa o nome do personagem aí a pessoa vai dizer ah eu era esse personagem Então realmente você abusou dela você pode ser considerado por isso mas enfim o fato é que a pessoa que escreveu um livro como esse ela vai assinar o livro ela vai colocar o seu nome ela precisa informar para o grande público de que a história não é ficcional porque ela quer isso ela quer mostrar que aquilo aconteceu com ela então
no mínimo o aviso de que não é ficção vai ter e o nome dela na capa vai ter por mais que ela não use o nome dos envolvidos mas a pessoa que é o marido vai saber que é o marido o filho vai saber que é o filho a mãe vai saber que é a mãe então isso é muito complicado isso vai gerar o processo judicial não só contra autor ou contra o autor mas também contra a editora e as editoras elas evitam esse tipo de problema elas não vão querer participar de um processo desses
Porque isso pode ser muito gostoso pode ser muito desgastante para Editora aí a gente não sabe né quando o autor vem com uma história como essa a gente não vai entrar no mérito se aquilo realmente aconteceu ou não pode ser que sim que seja uma forma de denunciar um abuso e pode ser que venha um outro autor fazer uma outra história e usar usar esse tipo de texto que não é ficção usar o livro para prejudicar a imagem de alguém de político ou de desafeto Enfim então nós temos que ter esse cuidado também com histórias
que elas são baseadas em fatos reais elas são fatos reais mas quando elas vem para o livro elas eram consequências jurídicas práticas no mundo real e como resolver um pouco isso como tentar diminuir o risco da do processo risco da complicação jurídica bem não publicar não é uma opção a pessoa quer publicar aquela história então a minha sugestão é ficcionalizar fatos reais parece que fixa analisar fatos reais é muito útil para dois tipos de situações para situações como essa em que a gente quer falar sobre a nossa história a nossa vida mas não quer se
expor ou não quer arrumar um processo depois e também para situações em que o autor ele é iniciante ele não tem tantas boas ideias de histórias Mas ele tem boas passagens na sua vida e ele fixa analisar algum elemento da sua própria vida pode funcionar muito bem para ficção para história para provocar o efeito no leitor então fixa analisar fatos reais é uma técnica possível de ser usada interessante e que a gente pode explorar bastante como fazer essa fixicionalização bem nós podemos fazer um curso inteiro sobre isso nós vamos trazer algumas dicas algumas técnicas aqui
primeiro é importante não ficar preso demais a realidade e essa é a melhor dificuldade daquelas pessoas que estão fixa analisando mas queriam colocar o nome do personagem queriam estar não sexualizando porque não ficar tão preso a realidade porque quando a gente vivenciou uma história aquela história suficientemente interessante para nós então nós achamos que aquilo foi impactante que aquele final foi muito forte muito relevante quando nós passamos para alguém ler a nossa história alguém que não sabe do contexto que não conhece os envolvidos que vai ler como ficção não vai ler como não ficção por mais
que a pessoa tenha curiosidade Ah isso aconteceu isso não aconteceu mas enfim ela vai ler um livro Como ficção ela pode não acha tão interessante assim porque há tantas histórias né tão interessantes para nós então não dá para ter medo de alguns detalhes da história original para tornar ela mais impactante mais interessante para o leitor não pode ter medo de fazer isso Isso vai tornar o texto de ficção melhor vai tornar o efeito melhor quando a gente resolveu ficcionalizar fatos reais nós caímos para o âmbito da ficção nós vamos ser lidos como ficção no máximo
uma ficção inspirar em fatos reais que gera curiosidade do leitor nós nós estamos ficcionalizando então não pode ter medo de mudar especialmente detalhes da história que dêem mais densidade para ela outra sugestão é que os personagens eles têm homens bem diferentes dos personagens originais que também não dá né para essa pessoa por exemplo aqui vamos supor que o marido se chamasse Jonas e aí na história dela ia se chamar João não dá também né a gente fica muito claro essa semelhança e tal então o personagem com nomes distintos nomes diferentes e se possível modificar os
personagens então ao invés de ser uma pessoa Podem ser duas ao invés de ser um filho homem podem ser duas filhas mulheres onde não vai mudar demais né o núcleo da história aquilo que eu não posso modificar quanto mais eu mudar melhor do que mais se afasta da realidade mais fixa Analisa mais interessante fica a ficção então tentar modificar um pouquinho esses personagens também há uma estratégia interessante e por fim essa ideia de que as palavras as frases a forma tem que estar muito bem feita quando a gente faz um livro de Memórias quando a
gente faz um livro de desabafo nós ficamos tão concentrados no conteúdo que nós esquecemos um pouco da forma quando nós estamos fiscalizando nós estamos usando técnicas de escrita criativa para contar uma história dura minha própria nós precisamos usar essas técnicas e usar então a preocupação muito grande com a linguagem com as frases vocabulário é legal ter diálogos e a forma de falar do personagem pode não ser a mesma personagem original que também vai afastar um pouquinho da realidade para evitar ali na frente né um processo processo pode tomar igual né o processo existir não precisa
existir uma base na verdade depois isso vai se discutir em juízo mas pelo menos afasta um pouco essa questão deixa mais personalizada deixa mais distante dos episódios da vida real [Música]