Estou hoje na avenida Champs-Élysées, em Paris, passando para trazer mais uma palavra ao seu coração. Quando era ainda garoto, me chamou muito a atenção uma frase que eu li num livro. Ela dizia: “Frequentar uma igreja não fará de você um cristão, assim como frequentar um estábulo, não fará de você uma vaca.
” Em outras palavras, o ambiente não tem o poder de mudar a natureza de alguém. E é disso que se trata o cristianismo. Conversão é uma mudança de natureza.
Fique comigo, nos próximos minutos nós vamos falar a respeito disso. O apóstolo Paulo, escrevendo aos efésios, falando daquilo que Deus fez nas nossas vidas por meio de Jesus, ele diz no capítulo 2:1 a 3: “Ele vos deu vida, quando vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais vocês andaram noutro tempo, segundo o curso desse mundo, segundo o príncípe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre eles também nós todos andamos no passado, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. ” Essa expressão “filhos da desobediência e filhos da ira” aparecem numa concordância bíblica de que a desobediência levava o homem à ira de Deus, ao juízo de Deus.
Nós éramos filhos da desobediência. Nós éramos filhos da ira. O texto diz: “éramos por natureza.
” O problema do homem sempre foi um problema de natureza. E para que a gente entenda a questão do que Jesus veio de fato fazer e tratar, essa tem que ser a perspectiva correta a ser entendida. A Bíblia nos fala a respeito de Adão, o primeiro homem.
Em Romanos 5:12, a Bíblia diz que, “por meio de um só homem”, uma clara referência a Adão, “entrou o pecado no mundo e, através do pecado, a morte e a morte passou a todos os homens. ” Eu e você já nascemos numa condição de pecado. Por quê?
Adão foi a primeira matriz reprodutora, o cabeça de toda uma raça. Adão foi criado à imagem e semelhança de Deus e deveria ter gerado seres semelhantes a Deus, assim como ele era. Havia uma ordem instituída e estabelecida por Deus na criação de que tudo deveria reproduzir segundo a sua espécie.
Então os animais gerariam seres semelhantes a ele. As aves gerariam aves e não peixes. Os peixes reproduziram peixes e não aves.
Essa lei estava em toda a criação, não apenas nos animais, ela envolve a vegetação e ela envolve o homem. Mas quando o homem peca e isso afeta a sua natureza, a morte espiritual se instalou. Ele virou uma matriz reprodutora que passou a estar comprometida em relação ao plano original.
É por isso que a Palavra de Deus nos fala da obra de Cristo como sendo não apenas o perdão dos pecados que nós cometemos, não apenas o perdão das nossas ações. Jesus veio tratar com a natureza pecaminosa. Quando João Batista aponta para Jesus e diz: “Esse é o Cordeiro de Deus que tira O pecado do mundo”, singular, obviamente, o mundo está inundado de pecados, mas quando a Bíblia usa o termo singular “o pecado”, está falando da natureza, do problema do pecado original e Jesus veio tratar com isso.
Em 1º aos Coríntios 15:45 a 49, nós lemos: “Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, se tornou alma vivente”, um ser vivente, “Mas o último, Adão é espírito vivificante”. Que último Adão é esse? Nós vamos perceber que o texto está falando da obra de Jesus.
Por que Jesus é chamado de um último Adão? Nós sabemos do relato de Gênesis, que nos fala do primeiro Adão como um cabeça de raça. Mas Jesus vem para ser o último, não apenas um segundo, mas aquele que resolveria o problema causado pelo primeiro; que traria solução para aquilo que o primeiro Adão falhou, para aquela área onde ele não cumpriu o propósito estabelecido por Deus.
Então, o texto diz assim: “O primeiro homem, Adão, se tornou a alma vivente. Mas o último, Adão é espírito vivificante. ” O primeiro apenas foi criado por Deus e recebe vida, mas o segundo se torna um vivificador dos demais que morreram por culpa do pecado do primeiro.
Versículo 46: “O que vem primeiro não é o espiritual, e sim o natural; depois vem o espiritual. ” Na cronologia, o primeiro Adão natural aparece. Na ordem e na sequência dos fatos, o segundo ou último Adão, Cristo, vem depois para consertar o que o primeiro homem ou o primeiro Adão fez de errado.
Verso 47: “O primeiro homem, formado do pó da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. ” Aqui fica evidente que ele está falando de Jesus. Verso 48: “Como foi o homem terreno, assim também são os demais que são feitos do pó da terra; e como é o homem celestial, assim também são os celestiais.
Assim como trouxemos a imagem do homem terreno. , traremos também a imagem do homem celestial. ” Nós temos aqui a essência da obra de Jesus nos sendo apresentada.
Cristo não veio apenas morrer na cruz para perdoar os pecados que nós cometemos. Ele veio para tratar do problema original, que era a natureza pecaminosa. O que Jesus veio nos proporcionar é uma mudança de natureza.
E é aí que nós vamos entender a conversa de Jesus com Nicodemos, o mestre da lei, lá em João, no capítulo três, quando ele fala sobre a importância de nascer de novo. Fala do momento onde o homem passa a ter uma nova natureza, porque o primeiro Adão reproduziu uma natureza pecaminosa em todos nós. No entanto, o último Adão, Jesus, vem para ser um novo cabeça de raça.
Ele vem para reproduzir seres semelhantes a ele. Ele vem fazer aquilo que o primeiro deveria ter feito e falhou. Então, nós precisamos olhar para a obra de Jesus e entender essa perspectiva importantíssima.
Em Romanos 8:29, a Bíblia diz: “aos que dantes conheceu também predestinou”. O termo “predestinar” significa “destinar de antemão”. Para quê eu e você fomos de antemão destinados?
O texto diz: “para que fôssemos conformes a imagem de seu Filho, Jesus Cristo”. O plano de Deus para cada um de nós é que a imagem de Jesus fosse reproduzida. Aquilo que Adão não fez, reproduzindo inicialmente a natureza de Deus, reproduzindo inicialmente a imagem e semelhança de Deus, porque comprometeu isso com o pecado, Jesus veio fazer.
Esse é o plano de Deus desde antes da fundação do mundo. 1º João 2:6, diz: “se alguém diz estar nele, deve andar como ele também andou. ” 1º Pedro 2:21, fala de “andarmos nas suas pegadas.
” 2º Coríntios 3:18, diz que o “Espírito nos transforma de glória em glória na imagem do Senhor Jesus. ” Todo o Evangelho fala de sermos semelhantes a Jesus. Isso começa com a experiência do novo nascimento.
Quando Nicodemos ouve Jesus falar sobre o novo nascimento, ele questiona: “Como isso é possível? Eu vou entrar no ventre da minha mãe, vou ser parindo, dado à luz novamente? ” Jesus diz: “Não.
O que é nascido da carne, é carne. O primeiro nascimento definiu você como carne e você tem essa natureza carnal. No entanto”, ele diz, “o que é nascido do espírito e espírito.
” O novo nascimento é algo espiritual. É no nível espiritual que recebemos a nova natureza. 2º Pedro 1:4, fala a respeito de nós, os nascidos de novo, que nós nos tornamos participantes da natureza divina.
A Bíblia diz que ele nos gerou, nos regenerou pela palavra da verdade. Nós podemos ser gerados de novo e receber a natureza de Deus. No entanto, o grande dilema a ser entendido é que o homem, após ter nascido de novo, tem a vida de Deus no seu espírito mas ele continua tendo também o velho nascimento.
Ele ainda é carne e essa carne precisa ser subjugada. Essa carne precisa ser crucificada. É por isso que o apóstolo Paulo diz que os que são de Cristo crucificaram a sua carne, as suas paixões em Cristo Jesus.
Nós precisamos entender o posicionamento de refrear o impulso da carne da velha natureza e nos apropriar da realidade que temos em Cristo, a nova natureza. Escrevendo aos efésios que já haviam nascido de novo, sido cheios do Espírito Santo, o apóstolo Paulo diz que nós temos que nos despir, desvestir do velho homem e nos vestir do novo. Isso não é algo automático que acontece no dia da conversão, mas é uma nova realidade a nosso respeito, que precisa ser trabalhada na minha e na sua vida por obra do Espírito Santo.
É ele que nos torna cada dia mais parecidos com Jesus, ele que nos torna cada vez mais rendidos à nova natureza, cada vez mais distante daquele lugar onde estávamos, e isso requer de mim, de você sujeição à obra do Espírito, rendição a Ele, enchimento contínuo do Espírito Santo. Aliás, a ideia de ser cheio do Espírito não significa que você vai ter mais do Espírito Santo. João 3:34 diz que “Deus não dá o Espírito por medida.
” “Ser cheio”, no conceito bíblico, é ser totalmente tomado. Então não fala de quanto você tem do Espírito Santo, mas fala de quanto o Espírito Santo tem de você. Só ele pode transformar cada um de nós na imagem do Senhor Jesus.
Dia a dia, de forma progressiva, fazendo imperar, dominar e reinar em nós a nova natureza. O problema do homem sempre foi um problema de natureza. Essa solução nos foi dada em Cristo Jesus.
Chegará o dia onde a nossa carne não terá mais a inclinação ao pecado. Paulo escreve aos romanos, dizendo que nós estamos aguardando a redenção do nosso corpo. Paulo diz aos filipenses: “Nossa pátria está nos céus, de onde aguardamos um salvador, o qual há de transformar o nosso corpo de humilhação para ser igual ao corpo da sua glória.
” Haverá um dia onde seremos glorificados nos nossos corpos. Onde o pecado será definitivamente erradicado. Então, não precisaremos mais vencer tentação, porque sequer seremos tentados.
Mas até que esse dia chegue, eu e você podemos a em vitória, permitindo o governo da nova natureza. Ainda que tenhamos que lidar com o dilema que Paulo apresenta em Romanos 7, de uma inclinação da carne, embora ao pecado contra a lei de Deus, embora no homem interior, diz Paulo, ele tinha prazer na lei de Deus, o que claramente indica o dilema de um nascido de novo e não de um não cristão. Apesar disso, eu e você podemos dizer: “quem nos livrará do corpo dessa carne?
” e responder exatamente como Paulo respondeu: “Graças, porém, a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor, pela obra que Ele fez na cruz. ” Então, Paulo termina o capítulo 7, começa o capítulo 8 de Romanos dizendo a respeito de como o Espírito Santo pode vivificar o nosso corpo. Essa carne inclinada ao erro, pode ser completamente aniquilada pela obra do Espírito Santo, para, dessa forma, vivermos a nova natureza.
A boa notícia é que nenhum de nós é escravo mais da velha natureza, embora seja possível pela negligência render-se à obra da carne, viver dominado por ela, mas nenhum de nós precisa estar nesse lugar. Não somos mais escravos do pecado. Podemos viver a nova natureza.
Podemos andar em santidade. Podemos refletir Deus nessa terra. Que isso inspire o seu coração a render-se dia a dia, de forma prática e progressivo, ao governo de Deus, para que você seja também uma réplica de Jesus nessa terra.
Cada vez mais parecido com Ele, para a glória de Deus.