Olá, meus amigos! Tudo bem? Professor Fábio Blanco por aqui.
Bom, em filosofia e em todo bom pensamento, nós buscamos sempre uma verdade integral. Nós não nos contentamos com verdades parciais, né? Verdades parciais não têm muita utilidade; nós queremos verdades integrais.
Entretanto, se nós olharmos tempos como os nossos, quando a comunicação está muito rápida, ela é muito massificada, quando nós temos acesso a tudo assim, de maneira muito superficial, a verdade integral, essa verdade integral que nós consideramos a nossa busca, o nosso objetivo, acaba sacrificada. E o que é gerado é um tipo de vício por superficialidade. É tanta informação, né?
Que nós temos contatos muito frívolos com os objetos, com os dados, com os elementos, com as próprias informações, notícias, essas coisas, com os fenômenos. Então, esse amplo acesso, esse excesso de informação, acaba proporcionando esse hábito de nós apenas lidarmos com as coisas de maneira superficial, quase como se nós não tivéssemos tempo, né? Para lidar com tudo.
É tanta coisa que aparece na nossa frente que a gente vai, né, passando tudo muito rápido. Só que, se isso é um vício, um hábito que se tornou comum, como é que a gente vai confiar que o que a gente ouve por aí realmente é algo de pessoas que estão bem baseadas, que estudaram, que estão olhando as coisas com profundidade? Não dá para saber se está todo mundo viciado nessa superficialidade.
É muito difícil a gente confiar que o que as pessoas estão falando realmente tem alguma profundidade, algum embasamento mais sólido. Bom, por que que eu estou falando tudo isso? Esse não é o tema da aula, na verdade.
Veja bem, quando nós olhamos tudo isso, e isso tudo que eu falei tem muita razão, é exatamente o que acontece. Nós temos a propensão a querer rechaçar esse conhecimento superficial que a gente tem percebido como pernicioso e considerar apenas como válidos aqueles conhecimentos que realmente são profundos, que são integrais. Ora, se é tudo esse mapeamento que eu fiz, é realmente tão negativo?
Ou seja, se esse conhecimento superficial é tão ruim, nós devemos abandoná-lo, rechaçá-lo e só aceitar aquilo que for conhecimento integral. Só que isso aí que eu quero que vocês entendam: isso seria um erro, um erro cognitivo. Por quê?
Porque, apesar do conhecimento superficial não conter toda a verdade, não conter a verdade integral das coisas, isso não significa que esse conhecimento superficial não nos forneça aspectos verdadeiros dessas mesmas coisas. Eu vou explicar para vocês. As primeiras impressões que nós recebemos no contato que nós temos com os fatos, com os objetos, com os fenômenos, apesar delas nos darem noções meramente parciais e limitadas da realidade, elas são como uma porta de entrada para a realidade.
Então, eu tenho um contato com as coisas, um primeiro contato. Esse primeiro contato é uma primeira impressão que eu tenho, mas essa primeira impressão tem uma função: ela é uma porta de entrada. Ela não me diz tudo sobre a realidade; ela não fala que a realidade é, de fato, profundamente, mas já me dá uma porta de entrada para essa mesma realidade.
Isso porque, quando nós entramos em contato com um objeto ou um fenômeno, o que acontece? Qualquer contato que nós temos por meio dos nossos sentidos, esse contato vai imprimir em nós como que uma imagem ou uma ideia. Usando a expressão do John Locke, é a mesma coisa que ideia ou imagem.
Ideia ou imagem é qualquer impressão que fique em nós, que pode ser uma imagem visual, que pode ser um sentimento, que pode ser uma lembrança de um cheiro, qualquer coisa, até uma ideia mesmo. Isso tudo é uma ideia ou imagem. Então, quando nós temos contato com as coisas por meio dos sentidos, isso imprime em nós essa ideia ou imagem.
Esse registro que fica em nós é o que nós chamamos de primeiro reflexo. É o primeiro. Só que esse é um primeiro reflexo, não do nada, é o primeiro reflexo do quê?
É o primeiro reflexo de alguma coisa, é o primeiro reflexo de alguma coisa que existe. É isso que eu quero que vocês entendam: é um primeiro reflexo, uma impressão que não informa tudo sobre aquilo, sobre o que a coisa é, sobre o que o fenômeno é, mas já nos diz algo sobre ele, já nos diz algo. É uma primeira impressão de alguma coisa.
Se ele não está explicando tudo que é, mas pelo menos ele está dizendo que é algo, que há algo. Então, seria um erro da nossa parte dizer que essas primeiras impressões não devem ser consideradas porque elas são falíveis. Eu já trouxe para vocês o que eu considerei o erro cético e o erro racionalista.
Bom, eles são falíveis, são parciais, não dizem toda a verdade. Não dizem. Só que elas são essenciais, essas primeiras impressões, exatamente por serem, apesar da sua falibilidade, o primeiro contato que nós temos com o conhecimento verdadeiro.
Então, nós vamos ver o seguinte: que é função, talvez, das mais importantes das primeiras impressões delimitar aquilo com que estamos tendo contato, que estamos observando, aquilo com que estamos nos relacionando. Então, são as primeiras impressões. Então, o que eu quero dizer é o seguinte: você tem contato com um objeto.
Você pode não saber exatamente, nesse primeiro contato, o que ele é, mas ele te deixou uma impressão. Essa impressão está em você; você talvez não consiga dizer o que é exatamente, mas certamente você pode dizer várias coisas que ele não é, ou quase tudo que ele não é. Então, você tem, por exemplo, uma primeira impressão, você tem um primeiro contato com um animal, com um gato, mas você não tem certeza se é um gato, né?
Você teve só uma primeira impressão. Aquele animal te. .
. Deixou uma primeira impressão. Você não tem certeza do que ele é, mas certamente você já tem certeza de que ele não é uma caneta, que ele não é um carro, que ele não é uma baleia, que ele não é uma estrela.
Então veja bem: a partir do momento que você tem uma primeira impressão da coisa, você já elimina o universo e direciona o seu entendimento para aquela coisa, para aquela primeira impressão, que já vai focar a sua atenção naquilo que talvez ou provavelmente aquela coisa seja. Entendeu? Então, você viu aquele animalzinho ali, você já eliminou tudo, sobrará o quê?
Talvez um gato, talvez um tigre, talvez um leão ou talvez algum outro animal ali parecido, um gambá. Talvez, mas veja bem, as possibilidades do que aquela coisa é diminuíram imensamente, infinitamente. Entendeu?
Então, olha a importância das primeiras impressões! Isso aqui é essencial, gente, para o conhecimento. Quando você tem a primeira impressão com a coisa, você elimina quase tudo e foca em algo.
Então, tem importância. Então, assim, não é assim: "Ah, isso aqui não me dá verdade. " Ah, eu abro mão dessa primeira impressão.
Não! Eu continuo ali olhando para a primeira impressão e agora ela vai me ajudar; ela é uma porta de entrada para o conhecimento. Aí eu vou me aprofundando.
Então, a gente percebe assim que o problema não está nas primeiras impressões; pelo contrário, as primeiras impressões são essenciais. Mas a questão é como nós lidamos com elas. Nós vamos errar se pararmos nas primeiras impressões e acharmos que isso é suficiente.
Como eu falei, é um tanto do vício que nós temos hoje: nós temos primeiras impressões sobre um monte de coisa e já emitimos opiniões, já falamos, debatemos, temos convicções em cima dessas primeiras impressões. Esse é o grande erro; isso está errado. Mas nós vamos agir muito corretamente se olharmos para essas primeiras impressões e as entendermos como necessárias e como parte, e como início desse processo de conhecimento.
Então, eu não descarto as primeiras impressões; eu olho para elas de acordo com a função que elas têm, que é me abrir, é ser uma porta de entrada para o saber. Tá bom, gente? Por hoje é isso aí e até a próxima!