você deu o play né agora segura porque quando você estiver no meio da história não vai querer sair mas já aviso não tem volta era noite fechada sem lua só o som dos pneus esmagando o cascalho molhado na estrada de terra a gente estava voltando de um trabalho no interior perto de Manuel Ribas só mato para todo lado Estrada vazia e nenhuma Alma Viva por perto eu dirigia o Neco tava no banco do passageiro E o Zé roncava no banco de trás a chuva fina caía deixando o vidro do carro cheio de gotinhas que refletiam
as luzes fracas do farol tudo parecia normal até o carro engasgar primeiro foi um soluço no motor depois outro até que ele morreu de vez eu encostei no meio da estrada enquanto o Neco soltava um palavrão Sério mano aqui nesse fim de mundo Eu já sabia o que vinha desliguei a chave suspirei e abri a porta vai lá Zé vê o motor enquanto eu tento dar partida o Zé bufou resmungando que eu sempre fazia ele mexer no motor mas saiu o Neco ficou quieto Só mexendo no celular para passar o tempo eu girei a chave
nada só o som seco do motor tentando pegar mais uma o Zé gritou lá da frente eu tentei de novo e de novo mas nada além do som de falha Tá ouvindo aí ele perguntou com a cabeça enfiada no capô não ouço nada além do motor morto respondi mas aí eu parei por um instante parecia que tinha algo mais um som que vinha de longe um estalo ouviu isso Zé perguntei saindo do carro ele ergueu a cabeça coçando a barba ouvi o quê o Neco abriu a janela enfiando a cabeça para fora foi tipo um
galho quebrando não foi o Zé deu de ombros tá cheio de bicho por aqui deve ser algum cachorro mas a maneira como ele disse isso não me convenceu ele parecia tenso aquele silêncio estranho tomou conta da estrada a chuva tinha parado mas o som do mato parecia abafado como se o mundo tivesse segurando a respiração foi quando ouvimos O Grito não era humano era um som que começou baixo como um rosnado e foi crescendo se transformando num uivo profundo e cheio de raiva eu e o Zé ficamos congelados o Neco ainda dentro do carro parecia
hipnotizado olhando para o Mato o que foi isso o Zé largou o capô e começou a voltar pro carro os olhos arregalados anda tenta dar partida de novo eu entrei girei a chave e nada o motor nem sequer engasgou dessa vez tá morto cara o Zé subiu rápido no banco de trás e eu tranquei as portas o Neco começou a rir nervoso vocês estão assustados por deve ser um bicho qualquer se é bicho é um grande PR o Zé murmurou olhando pelo vidro embaçado o cheiro veio logo depois forte podre como carne velha esquecida no
sol o Zé Tampou o nariz e o Neco começou a tosir Que é essa tá vindo do mato Eu não disse nada só olhei para a estrada tentando ignorar o pavor que crescia no meu peito e então no canto do Farol Eu vi algo saiu das sombras primeiro parecia só um vulto mas conforme se aproximava dava para ver os detalhes era alto muito mais alto do que qualquer homem andava curvado com os braços longos e musculosos quase arrastando no chão a pele parecia cinzenta brilhando com a humidade da chuva Mas o pior eram os olhos
amarelos brilhantes fixos no carro não se mexe eu sussurrei o Zé respirava rápido e o Neco começou a xingar baixinho o que é isso é uma pessoa pessoa não é o Zé respondeu tentando se esconder atrás do banco a coisa parou no meio da estrada olhando diretamente pra gente o uivo veio de novo dessa vez tão alto que parecia vibrar dentro do carro e então ele começou a caminhar na nossa direção o som das garras arrastando no chão seco ficou mais claro e o medo o medo tomou conta de tudo o silêncio depois daquele uivo
era tão pesado que parecia que até a respiração da gente fazia barulho demais Eu segurava firme o volante Mas minhas mãos tremiam Neco ainda estava com metade do corpo virado pra janela tentando entender o que estava lá fora e o Zé não parava de olhar PR os lados como se o mato fosse explodir em movimento a qualquer momento tá vindo para cá José sussurrou quase sem ar tá vindo quieto eu falei entre dentes tentando pensar no que fazer o vulto no meio da estrada deu mais um passo o barulho das garras raspando na pedra ecoou
tão alto que parecia estar dentro do carro então sem aviso ele parou e virou a cabeça como se estivesse farejando foi quando ouvimos o som um estalo seco vindo do mato à direita como se um galho tivesse quebrado que foi isso o Neco quase gritou se encolhendo no banco eu olhei pro Zé ele estava pálido os olhos galados tem mais de um antes que eu pudesse processar o que ele disse o som veio de novo agora do lado esquerdo do carro um estalo depois outro e depois um rosnado baixo profundo vindo de algum lugar no
escuro para dentro eu gritei puxando o Neco pela camisa para que ele fechasse a janela e então tudo aconteceu ao mesmo tempo um impacto violento sacudiu o carro do lado do motorista como se algo enorme tivesse batido na porta com força o Zé gritou lá atrás agarrando o banco como se isso fosse ajudar o Neco tentou fechar a janela mas o vidro emperrou por causa do impacto foi aí que eu vi a coisa estava ali encostada na lataria tentando se apoiar no carro a pele parecia mais clara agora com a luz do farol iluminando pedaços
dela as garras eram enormes sujas de algo que parecia lama ou sangue seco e os olhos aqueles olhos amarelos brilhavam na escuridão fixos em mim fecha a da janela eu berrei pro Neco mas ele estava tão paralisado que nem se mexia outro Impacto dessa vez no teto do carro o som metálico foi tão alto que parecia que ia despencar sobre nossas cabeças tá em cima o Zé gritou agora chor chando de desespero eu girei a chave na ignição mas o carro só tociu não pegou girei De novo nada e a coisa em cima continuava se
movendo os passos metálicos no teto eram lentos metódicos como se estivesse nos analisando ele vai abrir o Neco gritou finalmente fechando a janela mas tarde demais uma das garras arranhou o vidro antes que ele fechasse completamente o som era ensurdecedor como se estivesse cortando o carro de cima a baixo outro uivo veio mais perto mais forte tão próximo que o vidro do carro começou a vibrar eu não sabia se era o mesmo bicho ou outro mas agora não fazia diferença eles Estavam cercando a gente tranca tudo eu gritei apertando o botão das travas mas não
sabia se isso seria o bastante o som de algo escorregando pelo vidro do para-brisa nos fez olhar pra frente a criatura estava ali apoiada no capô olhando diretamente pra gente a boca dela se abriu devagar mostrando dentes longos e pontiagudos a língua se moveu como se estivesse lambendo os lábios preparando-se para o próximo movimento o Neco começou a gritar o Zé chorava e eu eu só segurava a chave na ignição girando e rezando para que o carro pegasse por favor por favor por favor ou outro golpe dessa vez a porta do lado do Zé amassou
vi o som metálico de algo cedendo e o grito dele me fez gelar tá quebrando vai abrir as garras voltaram rasgando a lataria puxando arrancando pedaços do carro como se fosse de papel a coisa no capô bateu a cabeça no vidro rachando no meio eu consegui ver o nariz dela se mexendo farejando como se já soubesse que era uma questão de tempo a luz interna do carro piscou o som do motor finalmente engasgou e deu sinal de vida mas foi tão fraco que eu sabia que não íamos longe tá vindo vai logo o Zé gritava
atrás de mim outro golpe no vidro lateral quase abriu um buraco na janela do que já estava sem voz de tanto gritar a única coisa que eu podia fazer era acelerar não tinha plano não tinha saída mas ficar parado significava morrer ponho o cinto eu gritei antes de pisar fundo no acelerador O carro deu um tranco e começou a se mover a criatura no capô tentou se segurar mas o balanço fez ela cair para trás raspando as garras no capô enquanto desaparecia na escuridão o som dos gritos do Zé e do Neco enchia o carro
enquanto eu dirigia como se o inferno estivesse na nossa Cola Mas o pior de tudo não era o que deixamos para trás era o som que continuava nos perseguindo o carro disparava pela estrada de terra os faróis balançando enquanto as rodas atropelava buracos e pedras lá dentro era caos Puro O Zé ainda chorava no banco de trás o Neco gritava coisas sem sentido e eu mal conseguia enxergar direito com o vidro cheio de rachaduras e o cheiro de queimado do motor invadindo o carro tá vindo atrás da gente o gritou olhando pelo retrovisor lateral eu
sei e você quer que eu faça o pare para pedir desculpa eu berrei tentando manter o carro na estrada tá mais rápido que o carro acelera desgraça acha que eu t passeando e foi nessa gritaria que o Zé soltou um som estranho um tipo de gemido que fez eu e o ne olharmos para trás meso tempo elea branco feito as mã que os nós dos dedos estavam vermelhos que foi Zé tá passando mal perguntei sem conseguir disfarçar o pânico ele só Balançou a cabeça respirando pesado Zé fala logo tá tendo um treco o Neco gritou
chacoalhando ele pelo ombro Foi aí que o cheiro veio de início achei que fosse o motor queimando mas não demorou muito para entender que era outra coisa um cheiro forte quente nojento que se espalhou pelo carro como uma bomba não não acredito o Neco tapou o nariz com a camiseta os olhos arregalados Zé não foi você né o Zé abriu a boca para negar mas só conseguiu soltar um soluço meu Deus do céu Ele cagou no carro boneco berrou e eu tive que segurar o volante para não perder a direção de tanto rir e tcir
ao mesmo tempo foi sem querer o gritou a voz embargada vocês não têm ideia do que eu tô passando eu não acredito que você fez isso Zé o lobisomem vindo atrás e você cagando de medo literalmente é fácil falar né seu filho da quero ver se fosse você se olha lá no retrovisor vê o tamanho daquele bicho para ver se você não se borra também boneco gargalhava mesmo Enquanto tentava abrir a janela para respirar Zé você tá pior que o acho que ele vai desistir de nos comer por causa da Catinga Ah vai se mas
antes que pudéssemos rir mais o som voltou primeiro era só o barulho das rodas cantando no cascalho depois o uivo atravessou a noite e o riso morreu instantaneamente Ele ainda tá vindo eu disse apertando o volante pega essa curva rápido o Neco apontou PR frente tá louco o carro vai capotar se não pegar ele vai alcançar a gente olhei pelo retrovisor no escuro vi os olhos amarelos brilhando de novo o som das patas na Terra era cada vez mais alto e o carro não estava rápido o suficiente para fugir era como se ele estivesse nos
encurralando nos forçando a tomar a decisão errada merda tá do lado o Zé gritou apontando pro vidro lateral a criatura apareceu na janela correndo ao nosso lado o rosto del estava tão perto que dava para ver os dentes pingando saliva a respiração ofegante embaçando o vidro o Neco soltou um grito tão alto que eu pensei que fosse quebrar meus tímpanos vai pro mato vai pro mato sem pensar duas vezes joguei o carro pra direita atravessando o barranco e entrando direto no meio do mato o carro sacudiu violentamente e o som das galhadas arranhando a lataria
foi ensurdecedor a criatura desapareceu por um instante mas eu sabia que não era o fim tá funcionando tá funcionando o Neco gritava olhando para todos os lados o motor tá no limite respondi se der problema agora fodeu o Zé tremia no banco de trás os olhos cheios de lágrimas não para mano pelo amor de Deus não para mas o carro já dava sinais de que não ia aguentar o motor comeou a engasgar e a luz do painel piscou não não agora o barulho veio de novo um rosnado perto demais olhei pelo retrovisor e lá estava
ele de novo entre as árvores nos seguindo como um caçador brincando com a presa de repente o carro começou a perder velocidade o motor morreu e a gente ficou no meio do mato cercado por silêncio não sai ninguém sai do carro eu disse minha voz quase falhando a coisa se aproximou lenta os passos pesados esmagando o mato o som era tão claro que parecia estar ao nosso lado de repente ela bateu no vidro rachando de novo o Neco gritou e o Zé começou a rezar Mas eu sabia que isso não ia adiantar os olhos da
criatura nos encararam mais uma vez e um sorriso doentio surgiu no rosto dela como se estivesse se divertindo com nosso desespero e então ela sumiu o silci voltou mas não era um alívio era a calma antes da próxima onda Será que foi embora o Zé perguntou a voz tremendo eu respirei fundo mas antes que pudesse responder o som das garras no teto começou de novo e aí quer saber como essa história termina deixe nos comentários e se vocês querem a continuação a gente ainda não tá fora dessa e pode ser que nunca saia he