quando começa a temporada das premiações de tapete vermelho tipo Oscar e gramy parece que metade da internet se dedica a somente comentar os looks das celebridades foi assim com esse vestido maravilhoso da versate que América Ferreira usou no Oscar que deixou todo mundo com o queix no chão mas também com coisas um pouquinho mais ousadas que geram outro tipo de comentário como esses modelos extremamente reveladores que a Anita e a do alip andaram desfilando em premiações por aí e que só me fizeram lembrar de uma coisa os os e pouquíssimo conhecidos vestidos de miçangas do Egito antigo Então hoje a gente vai falar sobre esses vestidos como eles eram feitos e como a fabricação deles revela pra gente uma faceta bem diferente dos povos da antiguidade em relação à aquilo que a gente estuda sobre eles na escola meu nome é Pauline kisner eu sou historiadora da indumentária e recriadora histórica você está no canal da modista do Desterro Olá mists tudo bem com vocês aí desse lado se você rolou pelas areias do deserto pirâmide abaixo depois de misturar o Brasil com o Egito PR te Charme ficar bonito seja muito [Música] bem-vinde nesse canal a gente fala sobre história da moda a partir de achados arqueológicos e pesquisas científicas sem Ach sem sensacionalismo sem informação tirada do para tentar entender como as roupas ajudam a contar a história da humanidade claro que muitas vezes as roupas que chegam até nós especialmente as mais antigas representam apenas aquilo que era usado pelas pessoas mais ricas da sociedade mas ainda assim são pistas preciosas pra gente conhecer mais sobre o passado o que é exatamente o caso dos vestidos sobre os quais a gente vai falar hoje porque eles representam algo que era usado por um grupo muito específico da sociedade egípcia que eram pessoas da especialmente mulheres nobres provavelmente sacerdotisas os vestidos de miçanga são meio que Auto explicativos são contas coloridas Unidas por um cordão formando desenhos geométricos geralmente em forma de lozango ou diamante alguns pesquisadores acreditam que esses vestidos não fossem usados diretamente sobre a pele mas sim por cima de uma outra peça nesse caso um vestido de linho fino cortado em formato de tê com as mangas já Integradas ao corpo muito simples chamado calas Iris outros pesquisadores usam evidências da escultura e da pintura egípcia para argumentar que talvez esses vestidos possam sim ter sido usados diretamente sobre a pele como essa estatueta da 12ª dinastia mais ou menos 4000 anos atrás que mostra uma mulher carregando o que parece ser uma oferenda e usando algo que se assemelha bastante aos vestidos de miçangas que já foram escavados ou esse recorte de um mural de mais ou menos 3. 200 anos de idade que mostra a rainha nefertari na esquerda sendo conduzida pela Deusa Isis na direita que tá usando o que também parece ser um vestido de contas ou miçangas mas aí é que entra um problema que existe toda uma discussão na academia na universidade se o uso desse vestido de contas diretamente sobre o corpo sem uma outra peça por baixo possa ou não ter acontecido num contexto muito específico de rituais religiosos Só que mais importante do que isso é a gente olhar para como essas peças foram construídas porque elas são um Primor de técnica e nos contam muito mais sobre o passado do que pode parecer à primeira vista o primeiro vestido de miçangas foi encontrado em uma tumba feminina datada mais ou menos de 4500 anos atrás e ele foi remontado no museu isso porque o cordão original que era feito de linho já tinha se perdido mas pela posição em que as peças foram achadas dava para ter uma ideia de qual seria o formato desse vestido e foi possível fazer essa remontagem criando um formato aproximado a gente sabe que ele não é idêntico ao original eram mais de 7. 000 pecinhas em diferentes formas e tamanhos que em 1988 foram exaustivamente montadas nesse formato que a gente vê hoje no Museu de Belas Artes de Boston nos Estados Unidos o corpo é formado por um padrão em losango com contas cilíndricas brancas a cintura é alta do que hoje se chama de posição império e é marcada por uma faixa de contas azuladas com o formato retangular no busto temos duas alças sobre os seios que vão ficando mais finas em direção ao ombro e elas são formadas por dois padrões o desenho de losango do corpo e a faixa azulada da cintura na região do pescoço temos esse desenho no formato de Colares que todo mundo associa com o Egito mas o detalhe que eu mais gosto desse vestido é uma coisa que pode passar meio desapercebida e tá na Barra que é essa franja formada por contas e por Conchas dentro dessas Conchas existem pedras muito pequen menininhas que Muito provavelmente faziam barulho quando a mulher andava ou dançava praticamente um chocalho ambulante o mesmo Museu tem um outro modelo desse tipo de vestido porém um pouco mais recente só tem 4100 aninhos e foi remontado no museu em 2001 Mas claro que esses vestidos não são feitos com a miçanga plástica que a gente compra em lojinha de artesanato eles são feitos com um material um pouquinho mais nobre que é a faiança e que apesar de você encontrar muito suposto especialista em louça por aí Dizendo que foi plada na Itália nos anos 1400 da era comum a faiança foi criada mesma no Egito antigo uns 5000 anos atrás a faiança é um tipo de cerâmica aparentada da Porcelana mas considerada inferior a ela a faiança também é conhecida como majólica ou mayólica e a técnica de produção dela é muito antiga no norte da África e no médio Oriente os antigos egípcios chamavam a faiança de tiget que pode ser traduzido como aquilo que brilha com a luz e as oficinas do antigo Egito aperfeiçoaram as técnicas de produção com base única e exclusivamente Na tentativa e erro sem todo o conhecimento teórico que a gente tem hoje sobre o processo químico dela eles misturavam cristais de quarzo com diferentes elementos químicos adicionavam água para fazer uma pasta que podia ser moldada e depois era aquecida o resultado da cor dependia do elemento químico que fosse usado os tons de azul eram obtidos com óxido de cobre ou com Cobalto esse vaso por exemplo possui dois tons diferentes de azul feitos com esses dois materiais aproximadamente 3.
400 anos atrás com o manganês obtinha-se preto e púrpura como os que vemos nessa placa de cerca de 3. 100 anos representando os povos inimigos do Egito com o antimoniato de chumbo faziam os tons de amarelo e de verde como esse pequeno detalhe floral de uma Peça não identificada com a faiança os egípcios produziam amuletos na forma de deuses e de animais sagrados os usabit que eram figurinhas funerárias destinadas a substituir o morto em seus afazeres diários no além além é claro das contas de faiança sobre as quais estamos falando nesse vídeo mas as contas não eram usadas apenas em vestidos elas aparecem nas joias egípcias em especial nos famosos colares largos chamados de USC e usados por homens e por mulheres e também recobrindo sarcófagos essas coberturas foram as que melhor se preservaram e que permitem aos pesquisadores conhecer a técnica pela qual elas eram trançadas umas nas outras Mas mesmo nas roupas essas miçangas podiam ser usadas de outras formas além daquele estilo Rede dos vestidos elas podiam ser costuradas diretamente nas roupas que é o caso das túnicas do faraó Tutancamon que foram recriadas por uma equipe de especialistas a partir dos achados arqueológicos para que a gente possa ter uma ideia de como elas eram Originalmente caso você se interesse pelo Faraó tanamo a gente já tem um vídeo aqui sobre as cuecas que foram encontradas na tumba dele o link tá no card e também na descrição uma das coisas mais interessantes dessa pesquisa foi descobrir como na internet a origem da faiança é quase sempre atribuída à Itália no Renascimento quando na verdade ela só Voltou a se espalhar pela Europa a partir de 400 porque na real a faiança egípcia já circulava na Europa antes disso é provável que você tenha estudado sobre os chamados povos da antiguidade na escola egípcios gregos Romanos fenícios persas hebreus assírios babilônicos e por aí vai da maneira como os livros costumam trazer esses conteúdos às vezes pode parecer que essa galera toda existiu em momentos diferentes no tempo e mal tiveram contato uns com os outros mas não era bem assim vários desses povos não só foram contemporâneos mas tiveram contato muito intenso uns com os outros através do Comércio e também das Guerras e tem um caso específico relacionado às contas de faiança egípcias que ilustra muito bem essa relação e esse caso começa com o naufrágio 3350 anos atrás um navio de comércio afundou na costa daquilo que hoje é a Turquia especificamente a cidade de cas a região é muito frequentada por mergulhadores que coletam esponjas marinhas e foi graças a um deles que o naufrágio foi descoberto em 1982 essa é uma réplica em tamanho real do navio que fica no museu de arqueologia subaquática de bodrum na Turquia através da análise da madeira e das técnicas de construção a equipe chegou à conclusão de que o navio provavelmente era de origem Fenícia e se você esqueceu das aulas de História deixa que eu te ajudo a antiga Fenícia ficava na região que hoje corresponde ao litoral da Síria do Líbano e a parte norte de Israel e além de terem inventado o vidro e o corante púrpura mais caro do mundo que atingia até as túnicas dos senadores Romanos os fenícios eram excelentes navegadores construtores de navios e Comerciantes que ganhavam a vida transportando mercadorias de diferentes povos através do mar mediterrâneo o navio que afundou em ubur transportava vidro Fenício colorido de azul resinas vegetais vindas do Norte de Israel que provavelmente seriam usadas para fazer perfumes e Incenso E cerca de 70.