A fábrica de fundição de alumínio de Moçambique, Mozal encerra as suas portas este domingo, dia 15, após cerca de 25 anos de atividade num percurso que começou no final da década de 1990, período em que o país procurava consolidar a transição para a economia de mercado e atrair grandes investimentos estrangeiros. Considerado um dos maiores projetos industriais do país, o empreendimento foi implantado na zona de Beloruan, província de Maputo, tornando-se rapidamente uma referência na estratégia de industrialização e na captação de investimento direto estrangeiro. Para viabilizar o empreendimento.
O governo moçambicano concedeu um conjunto significativo de incentivos, incluindo benefícios fiscais, facilidades aduaneiras e um regime especial de enquadramento legal destinado a garantir competitividade internacional à produção de alumínio. Durante anos, a Mozal desempenhou um papel relevante na economia nacional, contribuindo para o aumento das exportações, geração de empregos diretos e indiretos e dinamização de infraestruturas logísticas e industriais associadas. Entretanto, um dos principais desafios enfrentados pelo projeto ao longo do tempo esteve relacionado com os custos de energia elétrica, um dos fatores mais determinantes para a indústria de fundição de alumínio, caracterizado por elevado consumo energético.
As negociações para a fixação de uma tarifa de energia considerada sustentável para a continuidade das operações tornaram-se progressivamente mais complexas, envolvendo diferentes intervenientes do setor energético regional. Ausência de entendimento com a Sul-Africana SCOM em torno de um modelo tarifário que garantisse equilíbrio entre a viabilidade do projeto e os interesses das entidades fornecedoras de energia, acabou por agravar as incertezas em torno do futuro da indústria. Perante este cenário e depois de vários anos de discussões e tentativas de renegociação das condições energéticas, os gestores da empresa decidiram avançar para o encerramento das operações esta segunda-feira.
marcando o fim de um ciclo industrial que durante mais de duas décadas simbolizou a presença de megaprojetos na economia moçambicana. Com a saída da Mozal, Moçambique perde uma indústria que desde a sua implantação figurou de forma consecutiva entre as maiores empresas do país, em volume de negócios e exportações. Para além do seu peso económico, o projeto impulsionou programas de desenvolvimento comunitário e social nas zonas circundantes e estimulou a criação do importante cluster industrial.
À volta da fundição, desenvolveram-se investimentos estimados em mais de 5000 milhões de dólares americanos na indústria metalomecânica e em atividades associadas, gerando cerca de 22. 000 postos de trabalho diretos e indiretos. Ao longo da sua operação, a Mozal chegou a representar cerca de 30% do volume total das exportações de Moçambique e contribuiu com aproximadamente 4% para o produto interno nacional.