Olá! Vamos falar sobre a Arádia hoje. Bom, para quem não me conhece, eu sou a Flávia Esper e esse vídeo faz parte do Oráculo da semana.
Se você quiser participar, vou deixar o link aqui na descrição. É um grupo no WhatsApp, ok? Bom, então, quem é Arádia?
Essa é uma grande pergunta, porque não há um consenso sobre ela. Arádia é reverenciada como uma divindade neopagã, principalmente na Wicca e na Estéria, que é a bruxaria italiana, né? Uma das vertentes filha da deusa Diana.
Ela teria sido enviada à Terra numa época em que a Igreja Católica estava indo contra os cultos ancestrais pagãos e que as pessoas mais ricas estavam oprimindo muito as pessoas mais pobres, principalmente em parceria com alguns líderes da Igreja. Enfim, ela teria sido enviada à Terra por Diana como a primeira bruxa original. Essa semana nós temos duas feiticeiras que saem; Arádia é uma delas, e ela seria assim a primeira feiticeira, a primeira bruxa que teria vindo à Terra enviada por Diana para ensinar as pessoas, principalmente as oprimidas, mulheres e pobres, a arte da feitiçaria, para que esses grupos pudessem se libertar do julgo da opressão, né, da exploração que estavam acontecendo naquela época.
A questão é que esse escritor que falou de Arádia a primeira vez como sendo essa deusa filha de Diana e enfim, que teria sido enviada e que conta essa história teria pego essa narrativa a partir de uma bruxa na Toscana que contou essa história. Algumas pessoas dizem que isso não é verdade ou que ele teria inventado, ou que ele teria recebido informações equivocadas. Na verdade, existem várias informações; Arádia, na verdade, seria uma personagem da Bíblia, ou em outras versões, uma personagem do folclore italiano anterior a isso, ou que Arádia teria sido uma sacerdotisa da deusa Diana e não filha, mas uma das sacerdotisas da deusa Diana na Toscana que ficou reconhecida e acabou, ao longo do tempo, tendo uma história toda criada em volta dela.
Mas para quem escolheu essa carta essa semana, Arádia traz uma questão muito importante, principalmente em situações em que a gente está sendo humilhado, manipulado, oprimido, ou que está sendo rebaixado, limitado de alguma forma, que é o resgate do próprio poder. Por quê? Porque, enquanto a gente está numa posição de vítima de uma situação, né, e ser vítima é estar na mão de alguém ou na mão de uma situação, e vinculado nisso, a gente perde o nosso poder.
Nem sempre é possível evitar as situações que nos tornam vítimas. Se eu sou vítima de um assalto, de um estupro, de um desastre natural, essas são coisas que, na maioria das vezes, são impossíveis de serem evitadas, né? Mas existe um processo de que a gente possa recuperar o nosso poder para sobreviver às situações que se abateram sobre nós.
E é aí que uma vítima de uma determinada situação passa a ser sobrevivente e agente da própria história. Como é que a gente faz isso? Uma coisa que muitas vezes a gente nega fazer, principalmente nesse universo muito da positividade tóxica que temos vivido, é não se colocar no papel de vítima.
Não se faça de vítima, tudo é uma parte sua, né? Isso tem sido levado a um extremo que não é saudável, que não é legal. Então, como é que a gente pode olhar para isso de uma outra forma?
A primeira coisa para deixar de ser vítima é se reconhecer no lugar de vítima; é perceber que, em algumas situações, a gente foi sim vítima de alguma situação, às vezes até de nós mesmos, mas houve uma questão ali em que a gente sofreu. A primeira coisa para a gente poder sair de um lugar emocional é estar plenamente nesse lugar. Então, antes da gente deixar de se fazer de vítima, é necessário reconhecer, principalmente quando falamos de traumas, principalmente quando falamos de crianças, de que aconteceram coisas quando as pessoas eram crianças e realmente não tinham como agir diferente, né, ou fugir daquela situação.
Ou de situações adultas mesmo, que a gente realmente não tinha como fugir. A primeira coisa é a gente se permitir sentir que houve uma situação em que a gente foi abusado, violentado, ou injustiçado, abandonado. É se sentir nesse lugar, é poder dar voz a isso, é poder entrar em contato com essa emoção.
Primeiro, a gente precisa deixar isso vir à tona, né? Não é ficar se fazendo de vítima, mas em algum momento, em um trabalho terapêutico ou de encontro com isso, para sair e resgatar o nosso poder, a gente precisa reconhecer que esse poder foi perdido ou foi tirado de nós por alguma situação, por alguma pessoa. Então, a primeira coisa para deixar de se fazer de vítima é reconhecer onde, em que situação a gente foi vítima e o quanto isso nos afetou, e o quanto a gente ficou sem o nosso poder pessoal.
Existem situações em que a gente não tem como fugir, né? Então, é entrar em contato com essa dor, com essa frustração; isso é o primeiro passo. Às vezes a gente evita entrar em contato com isso porque dói e porque a gente não quer ser vítima, ou não quer se fazer de vítima, mas esse é o primeiro passo.
Porque se a gente não faz isso, se a gente não olha para o que de fato aconteceu, e se permite sentir a dor que a gente teve naquele momento, a raiva, a angústia, o abandono, o desamparo, seja qual for a. . .
Sensação é que a gente vai ficar preso no lugar de vítima, porque enquanto eu não olho para isso e não deixo vir a emoção que perdeu o meu próprio poder, eu não tenho condição de ir atrás de resgatar o meu poder e sair dessa situação. Isso é a primeira coisa. A segunda coisa é que hoje em dia se usa muito menos a terminologia vítima e mais a terminologia de sobrevivente.
Por quê? Por mais que o nosso poder de sair de uma situação ou de se defender de uma determinada situação possa ser retirado de nós, se a gente ainda está aqui, depois dessa situação, a gente conseguiu sobreviver. E isso também é um poder: conseguir continuar vivo, apesar de um monte de perdas, apesar de uma violência muito grande, apesar de um trauma, apesar de uma tragédia, apesar de um abuso ou de uma relação abusiva, ou de um trabalho abusivo, conseguir sobreviver já é um resgate do nosso poder.
Nem sempre a gente consegue se livrar da situação, mas sobreviver à situação já é uma forma de resistência. Então, a gente perceber, depois do que aconteceu, da perda do nosso poder de sentir a nossa emoção, a gente perceber também que, por menor que fosse o nosso poder pessoal naquele momento ou nosso poder de ação, a gente sobreviveu àquilo, com o custo que foi, com as sequelas que foram. Porque, muitas vezes, há custos e há sequelas.
Perceber que, apesar disso, a gente continua vivo, a gente sobreviveu, é o princípio de resgatar o nosso poder. E a partir daí, aprender na terapia, nos trabalhos de autoconhecimento, na rede de apoio, a recuperar o poder pessoal, né? Ver o que pode ser feito daqui para frente, se conectar com essa força que a gente teve para sobreviver ao que quer que seja, por mais difícil, por mais sequelas que tenha deixado, né?
Conseguir, aos pouquinhos, aos bocadinhos, se reconstruindo e recuperando o controle, o poder sobre coisas menores que a gente possa controlar. Dependendo do tipo de situação que a pessoa viveu, do tipo de abuso, do tipo de violência, da duração e da idade que a pessoa tinha, às vezes, esse é um trabalho de muito tempo e que tem que começar de pouquinho em pouquinho. Então, a arte da feitiçaria, ali, para ser usada contra a opressão, contra tudo isso, é uma forma simbólica também de recuperar esse poder.
Quando a gente passou por coisas muito difíceis, nem sempre é fácil recuperar esse poder. Às vezes, acontecem alterações mesmo no cérebro, alterações físicas que vão gerar alterações no funcionamento do cérebro, né? Então, quando eu falo que a positividade tóxica é realmente tóxica, eu estou falando disso também.
Quando há uma perda de poder, uma perda de poder de se defender, né? Quando há um trauma ou algo que abale a nossa consciência no nosso próprio poder, quando há situações de abuso em que a gente passa a duvidar até da gente mesma, existem alterações que acontecem, muitas vezes, no cérebro. Não adianta dizer para uma pessoa que passou por algo assim: “Você tem que mudar de pensamento, você não pode se fazer de vítima, pare de se fazer de vítima.
” Não adianta! Isso é a mesma coisa que dizer para alguém que está no meio da rua porque acabou de ser atropelado por um caminhão: “Levanta daí, pare de se fazer de vítima, continua andando. ” Quando a gente está num trabalho de resgatar o poder pessoal, esse tipo de frase, esse tipo de conselho é a pior coisa que você pode fazer.
Só faz a pessoa se sentir pior, só faz a pessoa sentir que, meu Deus, eu devia estar fazendo isso, por que é que eu não consigo, realmente eu nunca vou conseguir, né? Aí entra a dúvida: “Eu não tenho mais o mesmo poder, a mesma força. ” Qual é a forma de ajudar?
Primeiro, é acolher. O primeiro passo é sempre, diante de qualquer emoção, acolher e validar aquela emoção. O que é isso?
Essa emoção tem direito de existir. Uma pessoa que passou por uma situação horrível tem o direito de se sentir vitimada, tem o direito de chorar, de ficar triste, de achar que nada mais vai dar certo. Ela tem o direito.
Isso faz parte do processo e, enquanto a gente não dá espaço, não valida essa emoção, esse momento, ainda que seja se sentir vítima, a gente não vai conseguir sair disso de verdade. O primeiro passo de lidar com qualquer emoção é validar essa emoção, dar espaço para sentir o que vier. Depois que a gente consegue deixar essa emoção aflorar, vir, sair e esvaziar, aí sim eu posso começar a olhar para as coisas.
Nem sempre tem um lado bom do que aconteceu. Às vezes, as coisas são realmente ruins, mas do que sobreviveu, como é que eu posso alimentar o que sobreviveu? Como é que eu posso me estruturar, se for possível, para que esse tipo de situação não aconteça de novo na minha vida?
Como é que eu posso ganhar forças, criar motivação, encontrar motivos que me façam querer ir para frente, querer seguir adiante? Como é que eu posso construir redes de apoio? Como é que eu posso olhar para o que me aconteceu de um outro lugar?
Isso é um segundo momento e é um momento, muitas vezes, longo. Quando a Arádia vem quase como um Messias, né, para salvar aquelas pessoas, ensinar algo a elas que possa libertá-las, isso também traz um simbolismo muito grande de recuperar nosso poder diante da opressão, diante dos abusos, diante desse poder que foi arrancado de nós. Se você escolheu essa carta esta semana, tem algumas considerações.
A primeira delas é: onde, em que situações ou em que área da sua vida você está precisando recuperar o. . .
Seu poder, o seu poder de decidir, o seu poder de escolha, seu poder de ação, a sua rebeldia diante de coisas que não façam mais sentido. Onde, na sua vida, você está precisando se libertar, recuperar a autoconfiança? Ela ensina uma arte da feitiçaria, uma arte, é um ensinamento, é algo longo, é um aprendizado.
Então, como você pode aprender e desenvolver recursos para conseguir se libertar do que você precisa ou para conseguir aumentar e recuperar o seu poder pessoal, a sua autoconfiança, a sua certeza, o saber o que você quer? Se você está, é sobrevivente, né? Ou foi vítima de uma situação?
É uma sobrevivente ou um sobrevivente de uma situação. Como é que eu posso reaprender a lidar com a vida? Como é que eu posso aprender uma outra forma de olhar para essa situação que não me machuque tanto?
Como é que eu posso, dependendo da situação, criar estratégias para que essa situação não se repita mais? Como eu posso me fortalecer, aprender, estudar, desenvolver recursos internos e externos que me motivem a seguir na vida com mais segurança? Se foram traumas ou situações que deixaram ali resquícios muito fortes, como é que eu posso buscar terapia e que tipo de terapia buscar para que eu possa ter segurança de trabalhar essas questões?
Quais são os espaços que eu posso encontrar de segurança? Quais são as pessoas com quem eu posso contar? Sejam amigos, terapeutas, parentes, para realmente poder acessar essas emoções que estão presas aí, porque eu não quero me fazer de vítima e que eu nunca consegui botar para fora.
Como é que eu posso entrar em contato com essa parte minha que realmente se sentiu vítima, deixar ela falar e chorar tudo que precisar para depois acolher e olhar para o fato de que eu sobrevivi? Como eu vou fazer? Qual é a partezinha sua que ainda está precisando falar de tudo que passou?
Depois disso, aí sim você pode acessar sua outra parte, que pode consolar essa, que pode trazer para essa uma nova visão ou mostrar para ela que, apesar de todo o horror, ela sobreviveu e mostrar para ela motivos que façam a vida daqui para frente valer a pena. Então, se você escolheu essa carta, é muito importante pensar em como está o seu poder pessoal. Você está deixando a vida decidir as coisas por você?
Os outros decidirem as coisas por você? Você consegue se colocar? Você sente confiança suficiente para dizer, para pedir, para negociar aquilo que é importante para você?
Existe alguma parte sua que ainda se sinta muito oprimida e sem voz? Existe alguma parte sua que ainda se sinta vítima? O que você faz com essa parte?
Você escuta? Você acolhe? Ou você manda ela calar a boca porque você não quer ser vítima?
Primeiro, ela precisa falar, senão, aí é que você nunca vai deixar de ser vítima. Se a gente tem uma partezinha nossa que a gente nega, aí sim a gente vai ficar preso o resto da vida. A deusa Diana só envia Arádia para resgatar as pessoas que estão sendo oprimidas na terra, porque ela reconhece que essas pessoas precisam de ajuda.
Quando a gente está numa situação de opressão ou quando a gente está numa situação em que a gente está num lugar de vítima ou que a gente perde o nosso referencial ou o nosso poder pessoal, a gente precisa, na maioria das vezes, de ajuda. Pedir essa ajuda, não querer resolver tudo sozinho, também é uma mensagem dessa deusa. Ela é enviada para ajudar, para ensinar.
Há momentos em que nem todo mundo sabe tudo, então há momentos em que a gente precisa de alguém que nos ensine a fazer de outro jeito. Às vezes, a gente nunca aprendeu a ser amado, a amar de outro jeito, ou a se defender, ou a agir nos colocando em primeiro lugar. Às vezes, a gente precisa de alguém que nos ensine, e Arádia é essa deusa que vem ensinar como você pode se defender, como você tem poder, como usar isso, o que fazer.
Então, se você está numa situação em que sente que não sabe o que fazer, peça ajuda. Peça ajuda a pessoas com quem você tem a segurança ou a profissionais. Peça ajuda se você já se reestruturou, mas tem uma parte sua que nunca aprendeu alguma coisa, né?
Ou que teve vivências difíceis, que nunca aprendeu como é se amar ou como é poder relaxar, que vive tenso o tempo inteiro. Peça ajuda para aprender como é essa sensação, como você pode agir de outra forma. Então, para quem escolheu essa carta essa semana, ficam todos esses questionamentos acerca do nosso poder de dar espaço para os momentos em que a gente está se sentindo vítima.
Ir atrás de quem possa ajudar, de quem possa ensinar, ou de pessoas ou espaços seguros em que a gente possa treinar novas habilidades, como recuperar e fortalecer o seu poder pessoal na sua vida. Qual é a área da sua vida, pedacinho, que está precisando dessa atenção e desse cuidado? Você está sendo dura demais com você?
E se tem alguma parte sua que precisa sentar e chorar, às vezes, tá bem. É isso. Uma boa semana e até semana que vem.