Olá bem-vindos e bem-vindas a nossa próxima aula né nossa aula sobre racismo epistêmico essa unidade a gente está diavogando sobre as várias formas do racismo estruturalismo institucional e hoje o racismo epistêmico nosso convidado de hoje o estudante de medicina ativista indígena ou Anderson Jesus vianarães CDB Tucano não é uma grande referência para nós que estamos em universidades pensando construir no epistemologias negras indígenas e hoje ele vai falar um pouco conosco sobre o racismo epistêmico Sobretudo o racismo aos conhecimentos indígenas os povos dos povos originários primeiramente Anderson Nós gostaríamos de agradecer por aceitar esse convite em
nome do educar gera que é o grupo o grupo de pesquisa educação gênero e Raça da UFV e em nome da Prefeitura de ensino agradecemos a sua disponibilidade para contribuir ainda mais com esse debate aqui na UFV a primeira questão Eu gostaria que você falasse um pouco né sobre o que é para você o racismo epistêmico como você pode trazer exemplos né de como você UV dentro das instituições de ensino muito em um professor Simone ganhou aos alunos e eu a meter série B da Sine estou muito feliz neste momento né de estar dialogando com
vocês agradeço a professora Simone e vamos lá né então o racismo epistêmico é uma terminologia eu direi criada dentro da Universidade né uma teoria dentro da Universidade ou seja os pesquisadores aí que são sempre inventores né popularmente falando eles são cheios de modas acadêmicas então aí cria esse conceito que se chama racismo epistêmico então no meu ponto de vista eu diria que assim em todos os espaços né desta sociedade entre aspas chamada Brasil né a exclusão social começa por causa da nossa origem né ou seja ou de fato ser indígenas especificamente da etnia tucano Eu
já lá eu nasço e já eu já sou excluído automaticamente né em todos os espaços aí mas a gente acaba chegando dentro das Universidades né que que é um que é um grande processo de luta né do movimento indígena para a gente acessar as Universidades né a gente eu como um estudante né E também integra o movimento do time indígena eu diria que é muito importante a gente entrar nesses espaços que fomos excluídos né ou seja em várias áreas de conhecimento para fazer esse diálogo com esse entre o conhecimento dominante que é o chamado conhecimento
dominante que é um que são as teorias dos autores autoras europeias e e até o momento né para fazer esse debate é muito difícil né Aos pesquisadores inclusive aos nomes indígenas brasileiros brasileiras também que eles não são vistos e valorizado Como faz aquele diálogo ou Construtor e de uma nova epistemologia Latina né quis dizer né mas na verdade eu diria que brasileiros brasileiros né que são grande produtoras de conhecimentos eles criam teorias mas aqui eu acredito que começa por nós estudantes aí esse desafio maior né de querer dialogar com nossos professores professoras né negras negros
indígenas quilombolas e outros grupos étnicos não indígenas indígenas né que a gente vai pesquisando e vai construindo e nesse sentido eu queria deixar a vocês um livro chamado a queda do céu do grande Xamã e alomame né que é o Davi ele faz esse diálogo né ele traz essa eu não diria narrativa eu diria história né que mostra como é que dialoga com esse como que dialoga com as práticas colonialistas né ou seja com o conhecimento e as práticas dos não indígenas europeias né ou seja então quando eles invadem o Brasil usa-se tecnologia porque não
foi descoberta então a gente passa a sofrer você como disse a razão da nossa origem é a exclusão para muitas coisas inclusive para acesso das políticas públicas né que são poucas mas que são que a gente somos excluídos e é um desafio para nós isso né vamos por exemplo você como os estudantes vocês podem ver na Universidade Federal de Viçosa Quantos professores negros integram nos cursos das de todas áreas de conhecimento apesar da biologia medicina farmácia engenharia mecânica elétrica pedagogia dentro de todos esses cursos né tem a exceção pouquíssimo e também na pós-graduação quantos negros
negras estudantes acessam o ensino de pós-graduação ou indígena quantos estudantes indígenas estão com vocês o desafio Começa por aí porque é muito difícil você a gente não precisa procurar as teorias né Eu acredito que a gente acessa a universidade a gente já vê a realidade não é não professora Simone é enfim assim por exemplo tem essa narrativa né de que os indígenas é que os europeus vamos dizer para os portugueses né que eles romantismo essa essa invasão né eles dizem olha os indígenas quando vê espelho eles ficam admirados e começa a fazer essa troca quando
ele vê texto é romantização da igreja católica né especificamente onde eles dizem quando o texto Ele acha que aquela é colar de miçanga e começa a admirar aí por aí vai essa narrativa né aí só que a gente faz o análise é diferente né é o espelho vamos supor a universidade é uma estrutura de organização do indígena Colonial sabe quantos negros o negras já estão nesse espaço da administração superior das Universidades inclusive do Brasil especificamente Vocês que são os alunos né aí da Universidade Federal Viçosa quantos poucos são pouquíssimos ou seja Porque tudo que é
porque a gente somos visto eu especificamente digo como Tucano né essa peste negra Tucano aí porque assim eles acham ele além de Romantizar eles dizem que ele subestima a nossa capacidade crítica intelectual desses espaços sabe é diferente eu falar uma coisa vamos supor a professora Simone fazer essa abordagem de certa temática especificamente essa poucos escutarão mas se ela fosse daquele estereótipo né ela vamos supor que ela tá no debate eu tive essa oportunidade de estar no consumo eu fiz até fiz curso de Filosofia antes de ir para Medicina né e mas não terminei mas enfim
eu tive oportunidade de estar na no consumo na Unicamp por exemplo aí lá é o debate de alto nível né de como que funciona como é que vai funcionar as Universidades então nas Instância das Universidades tem várias instâncias administrativas né para funcionamento das Universidades Então vamos supor uma fala eu tô dando exemplo pode ser que a professora Simone aborda muito mais que eu né ela chega abordam uma certa situação a dita privilegiada é uma etnia eu tive etnia né os não indígenas de pele daqueles estereótipo Branco europeu Eles olham para professora Simone subestimam a capacidade
intelectual crítica dela e muitas vezes às vezes Nós Alunos diz assim aquela professora não consegue passar aquela mensagem de tal conteúdo da matéria Aí a gente faz essa eu digo isso porque eu sou aluno né aí agora se fosse do estereótipo de mulher Europeia por mais que ela não chegue daquele nível de passar o conhecimento ou seja de repassar aquela mensagem por mais que ela não consiga chegar aos alunos a gente admira Nossa a professora sabe da aula aquele Professor sabe da aula ou seja a gente começa já julgar a partir da cor da pele
a partir da forma como a pessoa veste ou seja isso é isso é um processo que a gente copiou sabe inclusive o os grupos étnicos considerado por essa sociedade branca é que são chamados de minoria mas que somos a maioria né na tecnologia na sociologia explica muito bem melhor né ou seja minoria de representação nos espaços de decisões mas somos a maioria então a maioria somos vistas assim né sabe quando a esse não sei se vocês viram vocês acompanharam também o processo do vereador de Curitiba né que Renato também é trata bem o Vereador Renato
que foi eleito deputado estadual e que sofreu tanto a tanta perseguição né ele também nos ensina ensina muito bem como a gente lutar contra racismo estrutural e racismo epistêmico antes de ela ser estrutural ela é sistêmica então a gente eu diria que ah esse esse julgamento já né mas enfim E isso não é diferente dentro da Cultura Universidade dessa cultura da universidade é Um Desafio maior né ou seja negro estudante negro negra estudante indígena eles eles têm que fazer o triplo muitas vezes é Principalmente quando é pai com de mãe sabe o desafio é maior
e a gente vem das escolas públicas Eu por exemplo venho de uma escola indígena tanto no ensino fundamental médio né onde eu tive que aprender os meus professores eram na sua maioria falavam o meu idioma que é o tucano né que é eu diria que uma das línguas que prevaleceu após o processo de escola de internatos né onde nós tucano deixaríamos de ser selvagens a rainha ensinaram a falar português e a gente tinha que aprender a falar português só que o nosso principal no meu ponto de vista assim Pode ser que outro Tucano ou outro
Tucano tenha outra análise né mas no meu análise O Nosso principal arma de luta na atualidade eu diria que é o nosso idioma Tucano né que foi que foi e será a nossa resistência porque com o nosso idioma a gente consegue falar mas assim adentrando um pouco sobre as questões de idiomas né eu peço desculpa se eu não conseguir pronunciar correto é às vezes eu troco algumas palavras mas é eu diria que é normal para mim né mas enfim eu espero passar essa mensagem vamos por exemplo dizer não Universidade quando um estudante ou eles fazem
curso para mestrado vamos supor a gente quer ir para esses espaços também né que há muito tempo a gente não conseguia chegar mas agora a gente tá chegando aí eles pedem né aquela palavra como é que é como é que a professora Simone é Prof eficiência né de língua ciência que você tem que mostrar para aquele programa de pós-graduação que você também domina o idioma do colonizador Além de a gente falar português a gente também tem que provar tem que provar o seu valor sabe você tem que mostrar que você tem também aquela capacidade de
estar lá o sistema nos ou sempre nos obrigando sabe tem muita das vezes a gente não pode provar mas a gente precisa afirmar Aí você faz aquele todo processo né de construção para chegar lá aí nós estudantes né que que vem que são na sua maioria trabalha estuda ou vem de umas escolas públicas que atualmente estávamos sofrendo vários ataques né que já não estava tão boa agora precarizou mais então a gente vem com essas escolas públicas aí você chega você precisa provar o que você fala de inglês fluente né Você fala espanhol fluente Esse é
o desafio sabe nós negros nós Negra eu teriam Mas é uma força de vontade de falar mesmo que eu diria se nós estudantes indígenas negros negras quilombolas é essa é que eu disse né vista como minoria por essa sociedade brasileira a gente tem que é muitas vezes a gente não tem esse curso sabe a gente não tem essa Opa eu vou nessa escola é que de manhã eu faço e Ensino Fundamental né primeiro sétimo nono ano que é antigo é primeira série segunda série desde lá ele já começam né As crianças tem um pouco de
Privilégio eu diria assim mas que aqui a gente acha né que algumas pessoas acham que são melhores né e todo mundo aí eles vão e bota o filho né para fazer o curso e nós não a gente tem que trabalhar triplamente aí para ingressar no curso aí fica muito ruim por exemplo nos ensinos de pós-graduação se você for produzir e publicar com idioma do colonizador você é mais valorizado porque o próprio idioma nacional que é o português sabe é Um Desafio muito maior né O que muitas vezes também a gente eu sempre brinco né É
fácil dizer e você vai estudar né Olha tem vestibular indígena específico uma luta né aí só que o parente que tá lá na aldeia nunca saiu é muito Um Desafio muito maior né que ele tem que enfrentar várias Barreiras até chegar muitas vezes a gente Temos vários parceiros de luta né dentro das universidades aí só que ele chega Tem alguns professores ou professoras né eu digo pela minha própria experiência eles acham que eles querem salvar os indígenas de novo né dessa visão ou você é Coitadinho Oi não vamos ajudar esse Coitadinho não gente a gente
não quer ser visto como Coitada a gente quer ser tratado como gente um seres pensantes de acordo com a nossa especificidade porque há uma pluralidade cultural e filosofia né de Sabedoria eu diria porque assim todos os conhecimentos entre aspas toda a sabedoria a filosofia a medicina ela é romantizada para diminuir vamos supor os Tucano ele diz assim a medicina e Tucano indígena Tucano Ela não é uma medicina ela é conhecimento é sabedoria ele diz assim mas assim para nós é medicina sabe antes dessa medicina tradicional dominante a gente conseguia né Se Curar mas a gente
precisa provar para ciência para comunidade científica de que aquilo daí cura é mesma coisa filosofia por exemplo a filosofia quando você vai estudar dentro das universidades principalmente no curso de Filosofia ou na área de pedagogia que cada da área de ciências humanas pega uma matéria de filosofia você já viram um filósofo negros seja do Brasil ou da África ou de qualquer outra região né e negro vamos supor assim Pode ser que seja brasileiro africanos colombiano mas se ele for negro ou de origem vista por essa sociedade Mundial como minoria ele não aparece sabe os Brancos
aparecem mais Eu acredito que a professora Simone deve ter várias publicações de tanto do TCC no mestrado porque agora as pós-graduações ela existe que ela exige que o aluno pós graduando o aluno pós graduanda Publique antes de qualificar ou depois né tem que ter uma publicação de artigo para você defender aquilo que você escreveu né então quantos negros negras produzem teorias eu diria assim descoloniais né quantos produzem essa teoria decoloniais coloniais decoloniais né eles vão produzindo também produzindo não eu diria vou imprimindo o que eles vivenciaram e estudam muitas vezes as pessoas as pessoas eu
diria assim de moto geral né eles gostam daquelas pessoas que estudam e falam vamos supor um exemplo né ao serebi agora estuda a parte da das mulheres tucanas aí eu não posso falar por mulheres tucanas tem que falar da minha experiência de vivência agora se quando chega a temática da mulher Tucano eu deixe que a mulher eu por mais que chega convite eu digo não a mulher que tem que falar sabe aí assim muitas vezes aos pesquisadores se você é branco ou branco não fique chateado viu mas enfim assim os brancos ele assume esse discurso
sabe em vez de dar visibilidade ele acaba invisibilizando a pessoa negra negro indígena quilombolas para ser anunciador também da sua teoria anunciar as denúncias denunciar né em vez de colaborar mas a gente temos várias pessoas muitos comprometidas né nesse nas universidades mas também temos essas pessoas né que é assim tem que sempre protagonizar com a dor o sofrimento do outro a gente somos visto nas universidades Como diz do doutor Paulinho Barreto né que é um tucano também que neste ano ganhou a melhor tese de doutorado na área de Antropologia ele sempre dizia né do pesquisado
para o pesquisador que nós indígenas somos sempre um instrumento de pesquisa ou seja visto como objeto de pesquisa a gente não é visto como também portador de Filosofia de a gente que isso também somos historiadores a gente não é visto como aquela pessoa a gente sempre fomos visto como objeto de pesquisa Ou seja a gente bota uma pessoa bem aqui Vamos pesquisar ele sobre que como comportamento como a gente sempre foi isso e muitas vezes vocês podem perceber quando vocês vão ver ou vão pesquisar nas teorias vocês vão ver poucos autores indígenas mas um exemplo
muito concreto eu a queda do céu a livro da queda do céu que o Davi copenar pública junto o sempre esquece que é o nome bem difícil né ele coloca o Davi coopenava também como autor o Davi copenava ele fala português eu não vi ele escrevendo ainda mas eu mas assim foi uma valorização sabe é um exemplo de pesquisador eu acredito que nós como os estudantes também a gente precisa também cobrar aos pesquisadores está nos está aí para ensinar eles é Um Desafio muito maior né um pouco disso não sei se eu falei muito muito
obrigada Nossa muita coisa muito Muitas elementos né importante para a gente continuar debatendo e mais assim né questionar e problematizar também não ficar na teorização né quando você aponta você aponta por exemplo por absimicídio como essa negação né dentro das várias da pluralidade de culturas quando você traz né a obrigatoriedade da por exemplo proficiência nessa vermos o inglês que é uma língua importante mas ao mesmo tempo a gente não conhece as etnias indígenas a gente não sabe das línguas indígenas que são plurais Então porque não há uma obrigatoriedade já que nós somos um povo brasileiro
né o discurso que somos uma nação esse conhecimento né essa esse acesso né esses conhecimentos são in são silenciados né enfim e se você coloca muita franqueza e nos ajuda a fazer essas provocações o quanto que as instituições elas são ainda Bastante racializadas e com viés bastante de uma perspectiva né somente de um grupo étn racial no caso a gente se refere a essa amplitude como você trouxe nelas brancos e brancas você trocou nisso eu gostaria só para a gente finalizar ouvir um pouco mais sobre ti hoje a gente tem vários avanços conquistas dos movimentos
indígenas e movimentos negros né que é as cotas raciais tem vestibular específicos e também as cópias que obrigam né que é uma reparação também histórica dado a toda negação de pessoas indígenas e negras aqui que trabalhava e construir esse país mas e até então Eram poucas né pouquíssimos nessa no ensino superior e além de cotas ela faz essa obrigatoriedade além disso a gente tem ali 11.645 de 2008 né que obriga a inserção da cultura brasileira e indígena então é questionar esse dia do índio que os professores trabalham os professores trabalham nas escolas né o indígena
até o termo né índio não indígena de ter uma caricatura exótica e nada ficou muito distante do real né de como as culturas elas se organizam né E aí eu gostaria de saber dentro tudo isso como você vê de caminhos possíveis para que essas essas dois se efetivem não só nas instituições né de ensino as coisas eles colocam isso mas em termos da história do nosso país as nossas relações sociais de mesmo de complemento como educação Nossa porque também de como nós nos relacionamos nos vemos uns com os outros né sem essa dimensão é desse
outro como lugar de inferioridade esse indígena que ou negro ou negro é que é uma minoria como você falou né nossa perspectiva cotidiano minoria Mas nós somos maioria sociológica né Na maioria enquanto quantitativamente nós somos minorias nos Espaços né e finalizando agora eu tô falando muito eu sei que a sua fala provoca muitas coisas né Por exemplo nós não nós naturalizamos né Nós não questionamos as ausências por exemplo de pessoas negras Mas eu ainda coloco sobretudo mas ainda as indígenas quando o professor indígena eu já tive quantas referências indígenas Eu já li eu conheço quanto
saberes indígenas eu conheço sabedorias de cura de medicina filosóficos pedagógicos E isso não nos causa nenhum tipo de estranhamento porque foi dado Como já padrão esse tipo de conhecimento né que a gente vai à escola desde a educação infantil as imagens dos livros didáticos aquilo que a gente vai consumindo a mídia também então diante disso tudo né você como a também liderança né você vai abrindo o Caminhos né dessas reflexões na instituições Mas você ajuda a gente pensar que ela vai viver né E como você vê caminhos seguir avançando né Assim como que a gente
pode avançar enquanto a humanidade enquanto o povo que se respeita que de fato a gente alcance uma ideia de humanização de humanidade fique à vontade a política de cotas não é uma conquista mesmo muito grande né eu diria mas que permitiu que vários né negros negras estudantes de escolas públicas quilombolas indígenas entre nos nas áreas de vários conhecimentos das Universidade né onde eles se faça presente né presente vivo não só presente presente vivo e que começa a participar né mas enfim eu diria que eu sou bastante assim realista né além de fazer esse processo todo
no meu ponto de vista a lei de cotas ela ela põe a gente em uma bolha só uma bolha sair uma panela né vamos vamos panela de barro né eles colocam uma panela gente vamos por exemplo a Universidade Federal de Viçosa disponibiliza o acesso né agora é através do Enem e outras universidades antigamente era só através do vestibular é Um Desafio né quantos eles adotam o ingresso através do Enem é um grande avanço também onde permite que uns anos atrás a gente era excluído né a lei política de com efetivação da lei de cotas eles
também é adotam o ingresso através do Enem só que eles delimitam a Ampla concorrência e eles vão indicando né L1 L2 L3 helicóptero aí eles colocam para nós sete vacas sete vacas para quem Para o Alto declarado que eles dizem desse jeito né altos declarados indígenas negros estudantes de escolas públicas com renda per capita que eles indicam a tecnologia tantos aí no outro não sete vagas por volta declarado negros indígenas e estudante de escolas públicas Independente de renda Sabe eles vão colocando a gente E aí entra né um estudante vamos supor eu estudei lá em
Pariquera onde é a minha comunidade originária onde é difícil acesso à internet onde tem biblioteca sim só que poucos né vamos supor e a gente também não tem essa cultura de frequentar biblioteca e na comunidade indígena é difícil você faça fazer cursinho que se chama pré-vestibular os que estão na cidade ele tem acesso o cursinho que se chama pré-vestibular pago ou também um corsinho Popular né para vestibular como por exemplo a Simone conhece em Bom Jesus no Piauí é o na universidade eles oferecem o cursinho para ensinar o Os estudantes mesmo junto com professores não
como projeto de extensão fazem cursinho né então é Desafio ou seja quem faz cursinho ele já bota um pouquinho o chinelinho na beira da Universidade ou seja na porta da universidade enquanto isso para quem tem um pouquinho de condições ele paga vai estudando sabe eu acho que é sempre brinco né uma dinâmica sabe a gente é robô do sistema a gente não consegue a gente é refém do sistema sabe ou terminei ensino médio ou eu preciso entrar na universidade aí então o indígena ele já fica um pouco para trás quando é o ingresso dentro das
Universidades ele fica para trás quer desafio é maior pode vocês estão dentro da sala de aula vocês vejam Quando você vai conhecendo os colegas do curso você vai conhecendo a história uns trabalharam e terminar o ensino médio e conseguiram ingressar aí esse discurso de meritocracia né que a elite além de roubar nossos sonhos eles eles querem obrigar que aquilo não é nosso eles querem fazer com que a gente acredite que aquele espaço não é nosso quando eles vem com essa narrativa de meritocracia como a gente vai falar discutir meritocracia num país e justo que é
difícil é muito difícil onde o negro negra da Periferia tá trabalhando estudando trabalhando desde cedo mesma coisa os indígenas também não tem essa rotina de sentar estudar essa cultura de estudo de sentar pegar livro escrever não faz parte da nossa cultura mas o sistema nos obriga a acessar as estudar a gente precisa aprender esses conhecimentos também para fazer diálogo né então a gente a gente a gente vai engatinhando aos poucos também então tem um vestibular específico indígena né aí o vestibular específico indígena aí você o indígena aldeado dificilmente ele passa nos cursos porque os parentes
também estão preparados que estão nas escolas da cidade em algumas aldeias tem o ensino médio por exemplo eu sempre brinco né o povo acha que a gente é atrasado mas a gente está na luta também então temos temos escola indígena dentro da terra indígena na minha comunidade por exemplo temos escola indígena Então não é um processo de luta de conquista né aí vamos supor eu que estudei só na escola indígena com professor falante do idioma Tucano muitas vezes meu professor é poliglota no que expressas vários idiomas indígenas tem Professor eu tive um professor de 10
anos que falava desse ano Tucano Espanhol porque a gente faz fronteira com colômbias aí tem português aí aí vai esse processo né de luta de construção aí então é desafio mas aí eu já fico um pouco depois do meu parente que tá atrás todo vestibularzinho ele já está ingressando então é difícil vocês perceberem eu digo sempre digo né Isso é verdade aí fora tem aqueles que se auto declaram diferente dos parentes que estão na retomada estão retomando tô no processo de luto mas tem uns que não são nem tem veículo com história indígena ou seja
não faz parte de nenhuma etnia mas para acessar aquela política de ingresso ele diz olha tem até agora as narrativa dizendo Olha quando eu era criança as pessoas diziam que eu parecia como índio aí então eu sou Índio sabe uma história sem fundamento uma história superficial e assim acontece também nas políticas de cotas onde Branco acessa no lugar do negro sabe então nos explores indígenas em algumas universidades têm esses relatos históricos sabe e mas enfim aos poucos a gente vamos até entrando né E nessa aí agora e assim é a gente conta e agora Um
Desafio maior no ingresso na pós-graduação como eu falei da proficiência um indígena como por exemplo indígena tucano ele não domina muito em inglês mas ele tem que provar para aquele para aquela para aquele programa que ele costura inglês uma expressão Nossa Regional mesmo né de Cachoeira mesmo ou seja ele só mostra que ele também tenta dominar a inglesa no Supremo tem que provar para aquele programa E esses são as barreiras além de políticas cotas eles vão colocando né Aí a professora Simone eu vou chegar né que a professora Simone disse como é que a gente
faz para que o ensino né de relação étnico-raciais tanto da cultura Negra cultura indígena brasileira como é que a gente faz para efetivação dentro das áreas de conhecimento né que o ensino é lei é obrigado né É obrigatório aí aí eu diria que é uma responsabilidade nossa né dos Estudantes indígenas dos pesquisadores indígenas E dos nossos Aliados aliadas né que são que também sempre são parceiros de luta de se organizar e chamar essa responsabilidade né eu diria que também pode ser para os negros também muitas vezes na sua maioria nas universidades os irmãos e irmãs
negras são bastante organizado né eles são bastante organizados nas lutas eu diria Então eu acho que para nós é acionar o Ministério Público Federal né para aquela universidade para que o ministério público Faça o seu papel né de fiscalizar e que determina que aquela tal programa de pós-graduação ou da área de graduação pelo menos que que se não tem é uma grande violação aos direitos humanos inclusive uma grande violação de um direito conquistado dos indígenas dos negros das negras né os quilombolas um é uma grande violação principalmente no ensino que é o que é de
pluralidade das Universidades Então é isso sabe então acho que a gente vamos supor com essa matéria que a professora Simone e que a instituição tá oferecendo é um grande avanço não é não é muito mas é um espaço que a gente vai entrando nessa peneira da Universidade né que lá na minha região é que eles fazem peneiras homens mulheres quando fazem farinha eles e eles tentam peneirar a gente para dizer os deles entra e os nossos conhecimentos fica em cima só que não a gente não quer ser peneirado a gente vai dizer não a gente
não quer mais ser peneirado não dentro da Universidade a gente não quer mais esse filtro que eles acham isso né Porque que a sociedade inclusive somos muito influenciados na cultura Cristã na europeia e eles acham que o conhecimento Ou seja a cultura dos indígenas é do diabo que a gente não demonizando o conhecimento as teorias sabe vão demonizando foram demonizado e parada entrar nas universidades precisa passar por esse filtro né então quando você aí a gente não quer mais esse filtro excludente a gente quer entrar quando o estudante indígena ou negro negra quilombola ou camponês
ou da Periferia quando ingressa ele tá ingressando junto com sua cultura com seu conhecimento com sua espiritualidade com seu jeito de viver sabe essa nossa fisionomia só de fato a gente tá naquele ambiente que onde nossos pais nossos avós não puderam estar presente mas nós estamos a gente incomoda mas a gente tem nos Aliados aliadas que sempre nos fortalece E por que que nós estudantes que vimos dessa dessa S lugares eu diria eu diria da vamos supor peças aldeias dessa Aldeia tanto da Aldeia da Periferia do Quilombo do campo estamos em vários espaços né que
os indígenas estão em vários espaços presentes em vários espaços aí a gente quando a gente chega a gente incomoda a pessoa mas a gente chega com o nosso jeito de ser a gente não vai chegar para agradar para ganhar porque aí a gente acaba sendo perseguido dentro das Universidades muitas vezes né e a gente adoece porque os sistemas adoece lá dentro do sistema a gente acaba é porque o desafio é maior sabe porque é o filtro o filtro nos prejudica muito ele diz assim você não pode botar brinco você não pode você tem que cortar
cabelo social vamos supor assim eu tô dando Exemplo né que isso aconteça porque academia com suas teorias de filtro ela filtra a gente ela não permite que a gente entra com esse com essa nossa tradição mas enfim eu fico muito feliz de estar dialogando com vocês e pecatiça a professora Simone artesão de onde vocês estão estudando né e pega orçamento falei a aí não a cultuar Europa café tá bom Carlos estudantes companheiros professores estou dizendo que eu tô agradecendo mas ao mesmo tempo tô dizendo que precisamos ter coragem vamos pesquisadores estudantes né E vamos construir
esse conhecimento Brasileiro né com o nosso jeito de ser vamos dialogar com essas epistemologias dominantes né as dicas dominante vamos supor vamos dizer olha isso é o conhecimento indígena que queremos dialogar que a partir de hoje vamos vamos dialogar dessa forma mas a gente pensa muito a gente sonha muito mas na hora de escrever artigo o sistema nos obriga sabe o que é aquela Bendita bibliográfica elas nos obriga você aí a própria regra do ABNT elas obrigam a colocar você referências né de onde você está tirando essa essa sua fala ou seja você sempre tem
que legitimar outros para provar o que você está escrevendo é válida né para validar a sua teoria você tem que referenciar o outro e nessas referenciada a gente não esquece os pensadores pensadores brasileiros latinos americanos ou melhor dizendo latinos daqui do nosso continente né especificamente do Brasil seja indígenas pesquisadoras pesquisadores indígenas negros negras quilombolas camponeses né também vem vem ocupando esses espaços né que nessas prateleiras que só era prateleira daquele lado então a gente quando a gente chega e a gente vai se animando e vai se construindo de uma forma Bonita Isso é o nosso
espírito de coletividade isso que é bonito que a que essa a dita elite branca essa cultura europeia né que só querem ser melhores que nós nós não nós considerado para esse grupo dito como falei né esse grupo que é numeroso né mas nos espaços de decisões somos a minoria e eles não vê como minoria né Nós temos espírito de coletividade então com esse espírito de coletividade tradicional a gente vai se uma humanizando e conscientizando e como dizem é uma frase popular da Educação do Campo né Vamos reflorestar ou plantar sementes Florescer as mentes com as
nossas práticas coloniais e decoloniais e vai ser um grande avanço para nós como por exemplo é um dia momentos é o tempo de esperança que vem da professora Simone nesse espaço que há muito tempo eles diziam que não nos pertencia mais com a presença tem professores indígenas como Professor Edson né Instituto Federal da Bahia Gerson banida que eu sou da UnB e aos poucos essas pessoas Essas pessoas vão nos inspirando e vamos dando a referência né E isso nos motiva estar mais continuando e fazendo essa parceria de luta e sempre precisar professora Simone estou à
disposição também para aprender para somar eu fico muito feliz e desejo boa aula para todos se eu peço desculpa se eu falei alguma coisa equivocada né mas assim se eu se eu não conseguir passar mensagem para vocês Eu Também peço desculpa é porque como eu falo o meu idioma né Aí quando falo português aí vem aquele aquelas como é que é aquele rodeios de palavras aí que aí vai soltando uma palavra que outra como metade mas enfim eu peço desculpa viu mas eu tô muito feliz aí com vocês muito obrigada Felipe Anderson não tem palavras
mesmo para agradecer em homem também do cagera é sempre muito provocativo te ouvir assim você sempre provoca as mentalidades que são forjadas a chacoalharem e pensar em outras questões e avançar né então a gente Só agradece a sua disponibilidade enfim essa possibilidade de te ouvir te ouvir sempre aprender um pouco mais e andar sempre mais ao lado daquilo que você acredita e você vai passando para gente né que essa questão da conectividade a solidariedade o respeito e a busca pelo conhecimento né Nós conhecimento que a gente aprende desde pequenininho mas é o conhecimento dos nossos
né das nossa histórias então muito obrigada mesmo e que você prossiga né Sempre como bons Aliados aliadas na proteção dos seus a sua espiritualidade enfim gratidão por estar aqui ser essa pessoa referência para nós espero que vocês tenham um bom estudo todas as pessoas que estão estão assistindo essa aula procure né mais conhecer mais professor seribe né o nosso mestre aqui hoje dessa aula eu trouxe algumas referências como livro aqui é tudo do céu Então a gente tem sim referências indígenas nós temos sim nossos conhecimentos e saberes e vamos romper né com as nossas amarras
as nossas cegueiras sempre [Música]