Olá pessoal como vocês estão Meu nome é Bruno S como eu disse a vocês uma vez a cada dois meses eu estarei trazendo aqui no YouTube um vídeo da série é sobre C tempo de Martin heidger parágrafo por parágrafo explicado em linguagem fácil e acessível Neste vídeo nós estaremos estudando os parágrafos de número 74 e de número 75 o parágrafo de número 74 se intitula a constituição fundamental da Historicidade e o parágrafo de número 75 se intitula a historicidade do Design e a história do mundo ou história Universal eu já peço a você que deixe
o seu like no vídeo se inscreva no canal caso você ainda não seja inscrito e Ative o Sininho a fim de receber novas notificações nós estamos caminhando por nós estamos na segunda parte de ser tempo queer pensar um pouco da relação entre o design e a temporalidade e um dos Elementos relacionados com a temporalidade é a historicidade e nós temos até uma expressão né Nós somos seres do nosso tempo nós somos seres do nosso contexto histórico Mas nós vamos ver que existe um sentido ainda mais profundo que dá para falar que a gente é seres
históricos É no sentido de que nós nos constituímos por nos fazermos parte de narrativas Então hoje Se a gente for pegar fenomenologia o porqu certos autores o termo que vai ser comumente Utilizado para falar daquilo que o heidger chama de historicidade do Design é narrativa nós somos seres de narrativa eu nunca consigo me pensar não consigo me constituir não consigo dizer nem quem eu sou sem dizer quem eu sou a partir de uma narrativa então por exemplo né quando eu era religioso eu acreditava que eu estava dentro de uma grande narrativa né a gente coloca
na teologia a narrativa da criação da queda e da Redenção que é uma um esqueminha Muito comum que a gente encontra em alguns teólogos que a ideia de que existe uma grande narrativa que existe a criação Deus criou o mundo aconteceu a queda nós caímos no pecado e nós estamos participando de um processo de Redenção eu achava né como eu era calvinista que eu era um eleito de Deus para fazer parte dessa narrativa né e é interessante quando a gente pega a narrativa que a questão não é nem exatamente sobre sequências de eventos Históricos porque
se a gente pega a narrativa da criação da queda e da Redenção e que que acontece eh a gente poderia pensar em em sequências né primeiro aconteceu a queda quer dizer primeiro aconteceu a criação Deus criou Adão e Eva colocaram ambos no Paraíso depois aconteceu a queda o pecado entrou no mundo e agora está acontecendo a redenção só que se a gente for parar para pensar na verdade essa narrativa não é assim porque por exemplo eu San e Nasci meu nascimento é minha criação e mas eu também sou um PEC dor né dentro dessa narrativa
então eu também sofri a queda a queda é parte da minha história e eu estou também sendo redimido então a redenção também é parte a redenção a queda acontece a todo momento porque na teologia né a gente aprende que a todo momento a gente cai em Pecado nossa natureza pecaminosa ainda está presente então quando eu me coloco dentro de uma narrativa os elementos narrativas não Necessariamente apresentam uma sequência literal de coisas né vou dar um outro exemplo né eu exemplo agora da criação que é de Redenção existe um outro esquema que a gente encontra Principalmente
nos Adventistas né existe até eu tô até com ele aqui coincidentemente existe até o livro né da profetisa Helen White chamado o grande conflito o que que ela vai vai descrevendo né ela vai narrando no livro Que toda a nossa história né Isso aqui é literalmente é interessante porque o livro chama o grande conflito mas quando a gente lê o livro A gente vê que boa parte do livro é história ela vai contar a história do protestantismo ela vai contar história das reformas só que ela tá contando essas histórias não de maneira a mostrar fazer
igual um trabalho de historiador tanto é que o livro chama grande conflito porque ela quer mostrar na verdade que a humanidade Está em no meio de um grande conflito entre o bem e o mal né então por exemplo quando John wickliffe quando o Martinho Lutero lá vai trazendo essas narrativas fizeram as reformas protestantes e tudo mais aqui eu tô dando só exemplo Gente Não tô dizendo que ela tá certa ou que o protestantismo tá certo o que eu tô dizendo é que são narrativas Então ela faz uma história que na verdade é uma narrativa de
um grande conflito só que pensa o seguinte esse grande conflito Entre o bem e o mal a gente pode encontrar ele até na narrativa de de pessoas na bíblia por exemplo a gente tem a história no Livro de Jó então ali Jó está no meio de uma disputa de um grande conflito entre o bem e o mal J está passando por uma prova por um teste e aí né depois claro a gente sabe que não é exatamente Satanás mas na interpretação Cristã se fez essa ideia de que o Satã do Livro de Jó seria Satanás
que ali havia um conflito entre Deus e Satanás entre bem e o mal e J está no meio desse conflito ele precisa mostrar de que lado ele está do lado de Deus do lado do Bem do lado de quem não vai blasfemar ou do lado daquele que vai ficar do lado do diabo e a ideia de de livros assim é tentar trazer a ideia de que todos nós participamos de uma narrativa assim então se a gente pensa Por exemplo essa narrativa do grande conflito não é só uma sequência de fatos históricos é uma narrativa que
vai Determinar minha identidade meu lugar no mundo e que é um conflito que tá acontecendo Hoje ontem amanhã então quando a gente eu eu quis pegar essas narrativas que a gente tem no cristianismo para trazer um pouco mais perto de nós para mostrar que na verdade não é tão simples pensar história eh como uma sequência de eventos e que nós somos seres que precisamos estar numa narrativa para que a gente tenha senso de identidade por exemplo agora né Recentemente nós comemoramos o natal de novo o natal é o nascimento de Cristo e é interessante quando
a gente pega o calendário litúrgico da igreja católica porque o calendário litúrgico da igreja católica é uma reencenação de grandes eventos do que eles consideram história da Redenção Então você tem a Páscoa você tem a quaresma você tem a semana santa sexta-feira da Paixão eh antes da eu tô falando não tô falando na ordem né você tem depois o advento você tem depois o Natal você tem o Pentecoste Qual que é a ideia desses eventos é como se todo ano né o misser liard vai falar um pouco disso que nesses calendários religiosos é como se
a história fosse um círculo é circular ela termina e se repete ela termina e se repete na na narrativa Judaica também né você tinha a festa dos tabernáculos que simbolizava os tabernáculos do povo hebreu no deserto quando foram tirados da escravidão do Egito então é como se Essa história fosse revivida todo o ano fosse repetida Por que que a história é repetida Por que que a história tem que acontecer de novo e de novo e de novo porque essa história não é uma história literal de eventos que aconteceram primeiro isso depois aquilo depois aquilo outro
é porque essas histórias é a sua narrativa né é você quem foi liberto da escravidão do Egito na simbologia é você que teve que sair da terra do pecado e entrar na terra da Promessa é você que está caminhando no deserto é você né você é o você faz parte da narrativa a A então a narrativa se repete de novo todo ano no calendário porque não é uma história congelada é porque há uma repetição né E a gente vai pensar também esse conceito de repetição nas narrativas que é bastante interessante as narrativas se repetem acontecem
de novo e de novo né tem aquela ideia do n né de Eterno Retorno Mas se a gente pega por exemplo o autor Como deleuse no livro diferença e repetição ele vai falar que toda repetição é habitada por uma diferença então toda vez que uma narrativa se repete ela se repete de uma outra maneira né ela se repete diferente do que aconteceu na primeira vez Então nós fazemos parte de uma narrativa né se você é religioso se você não é religioso Teoria da Evolução se você pensa evolução das espécies Como que surgi o ser humano
você faz parte dessa Narrativa se você é naturalista né você faz parte de uma narrativa sobre como será o fim do universo cósmico então narrativas não são só parte de religiões todos nós fazemos parte de uma narrativa nós temos uma maneira de contar a história do ocidente nós somos os ocidentais e nós temos uma narrativa e essa narrativa não é sobre um passado distante essa narrativa a gente carrega com a gente é o que nos constitui Você também tem a narrativa da sua família né Você faz parte de uma narrativa na sua família você tem
a narrativa da sua vida por exemplo eu tô fazendo doutorado em filosofia Pretendo um dia me tornar Professor Ah e eu construí toda uma narrativa para mim e eu sou quem eu sou dentro dessa narrativa e dentro desse projeto narrativas então estão também ligadas com projetos né no na teologia quando a gente pega as narrativas a gente tem uma ideia de um projeto de Deus ou projeto de Deus de Redenção Por Que que tem a criação a queda e Redenção porque é o projeto de de Deus é o projeto de Deus paraa humanidade eh a
gente pega o grande conflito existe um projeto Divino existe um fim dessa história que vai terminar com a vitória do bem sobre o mal né nas narrativas nas chamadas teod disas de grande conflito ou teod disas governamentais também são chamadas assim que é uma teodiceia de que na verdade tudo que tá acontecendo é uma forma de Deus reivindicar a sua Justiça ante um questionamento do diabo então todo tudo tem um projeto por trás eh o naturalismo por mais que o naturalismo pareça uma uma não teleologia até no naturalismo a gente tem um fim para onde
as coisas estão caminhando seja que o fato de que o universo vai terminar com uma geladeira cósmica sem sentido mas mesmo esse sem sentido tem um sentido porque tem um fim tem um tem um tem um Telos né Para onde as coisas caminham mesmo que ele seja um Telos não intencional então a a ideia que a gente precisa entender Por que nós fazemos história porque nós somos seres de narrativa esse que é o ponto do rid então a história só é possível porque nós somos seres de narrativa porque nós construímos narrativa sobre nós mesmos não
haveria história sem narrativa não haveria história se nós não fôssemos seres de que constroem narrativas então a própria historiografia só é possível porque nós somos seres que estão sempre Se colocando em narrativas e construindo narrativas então esses parágrafos vão discutir esses pontos né então acho que a gente já pode iniciar com a leitura pra gente ir pegando um pouco do que o heidger pretende nos trazer com essas questões iniciamos então o estudo do parágrafo de número 74 a constituição fundamental da historicidade Heider disz ele vai falar primeiro que ele vai apresentar uma tese Então vou
ler aqui a tese dele Factualmente o das Tem cada vez sua história e pode tê-la porque o ser deciente é constituo pela cdade Vamos ler aqui usando a palavra narrativa para vocês verem também factualmente o design Tem cada vez sua narrativa e ele só pode ter essa narrativa porque ele é um ser que é constituído pela narratividade a narratividade né a historicidade constitui o meu próprio ser eu sou um ser que constrói narrativas e eu Construo narrativas porque ser narrativ an ser um ser de narrativa é é minha natureza e natureza não naquele sentido de
natureza fechada né mas é Minha Essência construir narrativas então se eu pego aqui por exemplo né Eh não existe ninguém que não faça parte de uma narrativa não existe visão de mundo que não seja uma narrativa não há ninguém que não faça parte de uma narrativa você é o que você é dentro da narrativa que você está a narrativa eh determina Digamos assim a sua identidade eu sou quem eu sou dentro de uma narrativa quando alguém me pergunta assim San quem é você Geralmente eu respondo contando a minha história não é assim geralmente quando alguém
chega em você e pergunta assim João Quem é você que que você responde você responde com uma narrativa Ah eu sou o fulano de tal que nasceu em tal lugar que fez tal faculdade que trabalhou com tal coisa perceba que geralmente a pergunta quem eu sou É Respondida com uma narrativa dificilmente Alguém responde a pergunta quem eu sou a não ser que esteja perguntando seu nome mas até seu nome carrega uma narrativa até seu nome carrega uma história Então essa é a tese né factualmente O que que é factualmente considerando a questão fática considerando os
fatos considerando a condição concreta na qual nós vivemos Considerando o fato de que Nós estamos lançados nesse mundo nós fazemos parte de uma história e nós só podemos fazer parte de uma história porque nós somos seres constituídos por isso então ele vai explicar aqui né que se é parte da essência do Design se é parte da essência do ser humano ser um ser de narrativa então isso tem que ter a ver com a essência do ser humano qual que é a essência do ser humano né E nós já caminhamos por ser e tempo e nós
Chegamos à conclusão de que a essência do ser humano é a preocupação então eu vou ler aqui porque se a essência do ser humano é a preocupação e sermos seres de historicidade ou sermos seres de narrativa eh é parte da nossa essência então isso tem que estar articulado de alguma maneira o por isso né o heidger vai dizer assim o ser do dasin foi definido como preocupação a preocupação se Funda na temporalidade Por conseguinte é preciso Buscar no âmbito da temporalidade um acontecer que determine a existência como histórica dessa maneira a Interpretação da historicidade do
Design se mostra no fundo como uma elaboração só mais concreta da temporalidade esta temporalidade foi desvendada primariamente do ponto de vista de modo de existir próprio que caracterizamos como ser resoluto precursor vamos entender esses conceitos Pra gente ir entendendo Qual que é a essência do Design a essência do Design é a preocupação a palavra preocupação sor né no no alemão ela significa cuidado como quando a gente diz assim eu estou cuidando de ser quem eu sou Então vamos entender que a nossa essência como seres humanos é de ser seres que cuidam de ser quem se
é eu estou sempre cuidando de ser quem eu sou Então eu estou sempre cuidando de mim cuidando de me Constituir cuidando de ser quem eu sou Então isso que quer dizer que a nossa essência é cuidado porque nossa essência é constituído pelo movimento pelo qual a gente tá sempre cuidando de ser quem a gente é a gente tá sempre se constituindo a gente por nossos atos comportamentos escolhas está sempre constituindo quem nós somos nós somos seres de escolha nós somos seres de autodeterminação nós somos seres que está todo o tempo assumindo Possibilidades e essas possibilidades
nos constituem então quando o heidger falar que a nossa essência é preocupação ele quer dizer que a nossa essência é cuidar de ser quem nós somos é nos constituirmos eh assumir possibilidades e nos e fazer quem nós somos por meio dessas possibilidades que nós Assumimos então cuidar de ser quem se é na verdade é a nossa essência então digamos assim que a nossa essência não é algo dado fixo Previamente a nossa essência ela é uma constituição nossa essência nos constituir nossa essência é construir quem nós somos a partir de nossa própria existência a partir de
nossas escolhas escolhas entendidas como assumir possibilidades entendido isso né Nós podemos pegar um outro outro conceito que é o conceito de temporalidade o rger vai falar que a preocupação está relacionada ao movimento temporal né que ele vai até falar assim i vóvio já sido Né O que que eu já sou e o que que eu herdei o que que eu tenho sido e a partir desse tenho sido eu me lanço no futuro eh Então vamos pensar como uma catapulta né então sei lá eu como se eu pegasse a herança do que eu já tenho sido
colocasse na catapulta ela puxasse a catapulta para baixo e jogasse isso pro futuro para isso ter uma direção e o que se destaca nesse movimento é o futuro porque o futuro é o meu projeto Eu leio O meu passado a partir do meu futuro então por exemplo se eu penso na minha história de vida no que eu pretendo ser eh eu pretendo ser um professor de Filosofia eu vou ler toda a minha história de vida a partir desse projeto Se eu por exemplo sou cristão e acredito que tudo é um plano de Deus para mim
talvez eu vou pensar assim que o que tudo que eu vivi eu vou olhar pro meu passado e vou reler todos os eventos da minha vida à luz disso então eu vou Pensar assim nossa por exemplo eu parei por uma experiência muito dolorosa que foi ser expulso de uma seita radical mas eu posso olhar para isso hoje e pensar assim isso me constituiu isso foi importante para minha construção como ser humano fazer parte do plano Divino para mim e eu releio esses eventos do passado a partir do meu projeto voltado pro Futuro eh então a
a preocupação o cuidar de ser quem é sempre um lançar-se pro Futuro A Partir daquilo que você já tem sido isso então envolve e cada instante cada momento por isso é uma relação de presente que é o momento de articulação disso né a gente vai entender um pouco melhor mas é importante então a gente ver essa associação entre a preocupação e a temporalidade e que que o heidger tá mostrando aqui se a historicidade é mesmo uma coisa que faz parte da nossa essência se sermos seres de narrativa faz parte da nossa essência e a nossa
Essência é ser preocupação então a historicidade tem que estar fundamentada na preocupação de alguma maneira nós sabemos que a preocupação por sua vez está fundamentada na temporalidade Então na verdade é uma é uma construção né Vamos imaginar três coisas né eu vou pegar aqui só para exemplificar para vocês para vocês entenderem como que isso funciona então vamos supor que eu vou construir um prédio né E aí eu tenho três andares vou vou representar esses Três andares com os livros eh vai ser interessante aqui eu peguei aqui o livro grande conflito é o que eu mostrei
para vocês aqui tem uma narrativa então nós somos seres de historicidade então a historicidade tá aqui em cima mas nós descobrimos que a historicidade faz parte da nossa essência então ela está fundamentada na nossa essência que é o livro aqui embaixo esse livro aqui embaixo é o livro que representa o cuidado ou a Preocupação que é a nossa essência já a preocupação e o cuidado estão fundamentadas na temporalidade então perceba que é como se fosse essa escadinha aqui né Essa construção Zinha as uma uma coisa está fundamentada na outra né o fato de que nós
somos seres de historicidade está fundamentada na nossa essência que é a preocupação e a nossa essência que é preocupação está fundamentada na temporalidade Lembrando que pro heidger temporalidade não é o Tempo do relógio temporalidade é um movimento dinâmico da existência pelo qual a gente vai se lançando sempre em novas possibilidades aí o heidger vai introduzir né aqui o conceito que ele vai dizer assim né Eh esta a temporalidade está relacionada com um conceito que a gente viu que é o de ser resoluto precursor o que que eu falei que é a temporalidade temporalidade é um
movimento dinâmico e esse movimento Dinâmico É aquele da catapulta de me lançar me lançar pro futuro eu tô sempre me antecipando eu estou sempre me jogando eu estou sempre me adiantando a mim mesmo e esse lançar-se no futuro quando a gente considera a existência própria Ou seja quando eu me aproprio de quem eu sou eu tenho um conceito que heidger vai colocar que é da resolução precursora ou decisão antecipatória dependendo da tradução mas o que que é a resolução precursora a gente já viu isso Né resolução precursora é quando eu decido por mim mesmo quando
eu assumo a responsabilidade pelas minhas escolhas e eu me aproprio dessas escolhas então do ponto de vista da existência própria ou seja do existir própria mente de modo apropriado né própria vem daí né tanto é que o que o própria não é exatamente sinônimo de autêntico né mas a palavra próprio significa apropriado então quando eu me aproprio então qu toda vez que vocês virem o r falando de Propriedade eh ele tá falando de uma existência na qual você se apropria daquilo então próprio significa eh apropriado eh significa que eu me apropriei daquela possibilidade e eu
posso me apropriar de possibilidades até que não são autênticas né porque na verdade a autenticidade inautenticidade tem mais a ver com eu ser transparente com eu ser mais então assim eu posso até mesmo me apropriar da possibilidade de não ser transparente Quem disse né que Eu preciso eh ser ser autêntico para ser apropriado né vamos supor eu posso vamos por isso que ele diferencia eu posso apropriadamente escolher a não autenticidade porque eu posso me apropriar e me responsabilizar até pela escolha de não ser transparente pela escolha de não ser autêntico então mesmo se eu escolher
não ser autêntico eu posso escolher isso apropriadamente desde que eu me aproprie dessa escolha por isso é muito importante ter mente Propriedade e autenticidade no heidger não é a mesma coisa propriedade é você se apropriar de suas escolhas autenticidade tem mais a ver com transparência eh tem mais a ver com com ser transparente né é uma palavra que a gente usa muito autêntico é alguém que é transparente eh Mas se a gente pensa o seguinte na nossa vida a gente pode talvez apropriadamente escolher não ser transparente se você assume a responsabilidade por essa escolha só
Escolha continua sendo apropriada porque você está se apropriando daquilo você está assumindo aquilo então se a gente pensa nesse movimento da preocupação ela está relacionada com apropriação né eu cuidando de ser quem eu sou eu me aproprio das escolhas que eu assumo né eu já fiz a analogia né de que pro heidger nós somos como um leque um leque de possibilidades e a vida é se lançar nessas possibilidades Então na verdade eh a preocupação o cuidar de ser que em Se é nada mais é do que assumir possibilidades e eu assumo possibilidades de maneira apropriada
quando eu eh me aproprio dessas escolhas me responsabilizo por elas esse se apropriar de suas escolhas se responsabilizar por elas é o que o heidger tá chamando de resolução precursora ou de precursor ser resoluto ou de decisão antecipadora porque ela envolve dois elementos envolve uma decisão Qual que é a decisão assumir as Responsabilidades pelas suas escolhas apropriar-se de si mesmo apropriar-se dessas possibilidades E é precursora porque porque é o exemplo lá da catapulta é precursora porque é antecipadora porque é é lançar-se pro futuro é adiantar-se a si mesmo né a gente dá alguns exemplos né
Por exemplo no futebol é uma analogia que é interessante da gente usar no futebol quando alguém tá correndo com a bola ele tá sempre antecipando o próximo lance Ele tá sempre antecipando se o outro cara vai chegar perto se vai dar tempo dele chutar no gol se vai dar tempo dele passar pro outro então ele já cada movimento que ele faz já é no futuro já é jogando pro Futuro eh então no futebol tem essa experiência da antecipação eh outros contextos né a gente pode pensar outras analogias mas a A ideia é que a vida
é como um campo de futebol né na qual a gente tá sempre se lançando no futuro a nossa mente tá lá no futuro eh Então a gente tá se antecipando então lançar-se em possibilidades então por exemplo eu estudando para pro doutorado eh estudando para me formar eu tô na verdade fazendo uma coisa hoje que na verdade é pro futuro que é uma antecipação e quando eu me decido e e por isso que é uma decisão e ela é precursora por causa dessa antecipação E aí a gente já vê a articulação né a gente consegue ver
a articulação do tempo aqui né a precursora antecipação Tem a ver com futuro futuro tem a ver com tempo e tempo tem a ver com preocupação cuidar de si mesmo então perceba que tá tudo articulado eh uma coisa que é importante da dizer tempo de novo não é tempo do relógio não é futuro do relógio o futuro é o Projeto o futuro é para onde você se envia depois a gente vai fazer uma analogia com esse enviar também vai ser importante pra gente entender né porque quando eu mando uma carta para alguém a carta já
tá Endereçada e a carta Então já tá movida pro Futuro o carteiro né quando ele tá levando a carta ele não tá pensando onde ele está mas onde ele vai chegar então digamos assim que na decisão precursora o que tá em jogo é onde a gente vai chegar isso é o futuro o futuro não é o futuro do relógio o futuro é aonde eu quero chegar é onde assumindo essas possibilidades isso me leva é então o tempo é nesse sentido o tempo é essa dinâmica que envolve a o envio da carta O lugar onde a
carta vai chegar o antecipar de possibilidades é aí que tá o tempo mas que que o rer quer dizer Ficou claro a relação entre preocupação é temporalidade mas eu preciso entender a relação desses dessas duas coisas preocupação e temporalidade que agora ficou claro né isso aqui a deixa eu colocar o esqueminha de novo aqui com vocês isso daqui é o cuidado nós vimos que o cuidado ou preocupação está relacionada com a temporalidade Cuidar de ser quem se é se lançar em possibilidades futuras mas como essas duas coisas aqui tá relacionado com o de cima tá
sustentando aqui a historicidade é isso que o quer saber e aí que entra também né é o conceito de decisão antecipadora que vai est relacionado E aí eu quero ler aqui para vocês então vamos pensar um pouco mais sobre essa questão da decisão antecipadora o heidger diz assim o ser resoluto foi Determinado como o projetar-se no ser culpado próprio projetar-se Calado e pronto para angústia então o que que o heidger vai fazer aqui ele vai tentar definir e essa questão do ser resoluto então ele diz que que é o ser resoluto é um projetar-se no
ser culpado próprio Calado e pronto para angústia então nós temos aqui alguns conceitos projetar-se ser culpado próprio Calado e angústia são quatro conceitos pra gente entender a noção de Ser resoluto então projetar-se é o primeiro conceito então ser resoluto tem a ver com projetar-se segundo conceito ser culpado próprio é o segundo conceito relacionado com o ser resoluto calado então calado é o quarto conceito e o quinto conceito é pronto para a angústia Então vamos colocar aqui o quarto conceito como angústia então pra gente entender o conceito de ser resoluto a gente tem que entender esses
quatro conceitos projetar-se ser culpado Próprio calado angústia então o que que esses conceitos né esses quatro conceitos tem a ver com um ser resoluto então vamos lá para que a gente possa entender projetar-se é lançar-se né então de novo analogia da catapulta eu me projeto eu me lanço da mesma maneira n t com uma flecha e eu vou tirar ela eu projeto né eu puxo ela para trás e solto esse puxar para trás é até interessante porque a gente vê o movimento da temporalidade eu Tô com a flecha aqui no presente eu vou puxar ela
para trás ou seja eu vou pro passado então para eu me lançar eu preciso pegar uma herança que eu herdei percebe isso e não é uma questão de o que vem antes o que vem depois é mesmo de de pegar o meu passado e trazer ele para mim é me apropriar do meu passado eu só posso me lançar no futuro à medida que eu me aproprio do meu passado que eu me aproprio daquilo que eu tenho sido eu não consigo me projetar pra frente se eu Não me apropriar de quem eu já tenho sido o
movimento da existência é assim eu não posso me projetar numa possibilidade futura sem me apropriar daquilo que eu já fui até aqui então de novo eu puxo a flecha para trás e solto ela e eu projeto ela numa direção eu envio ela para um alvo então na nossa vida a gente se projeta a gente se decide em relação a algum alvo a gente tem um ponto onde a gente quer chegar a gente envia de novo esse aqui vai ser Muito importante noção de envio eu envio a flecha para algum lugar então esse projetar-se mas aí
ele vem falar no ser culpado próprio o que que vem a ser ser culpado próprio a palavra para culpa no heidger tem mais a ver com uma palavra que a gente usa para dívida então por exemplo quando eu oro o Pai Nosso né na Tem muita gente que ora o Pai Nosso assim Pai Nosso que estais nos céu santificado seja o vosso nome venha a nós o vosso reino seja feita a vossa Vontade assim na terra como no céu o pão nosso de cada dia nos dai hoje perdoai as nossas Alguns vão dizer ofensas assim
como nós temos perdoado a quem nos tem ofendido mas algumas leituras vão dizer perdoai as nossas dívidas né poderia ser também perdoai as nossas culpas Então na verdade a palavra culpa dívida Ofensa ofensa não pega tão bem pro conceito do heidger mas a noção de culpa aqui é a noção de dívida perdoai as nossas dívidas Qual que é a nossa maior Dívida a maior dívida que a gente tem pro Heider é é a dívida que a gente tem com a gente mesmo já parou para pensar isso aqui não é dívida moral é dívida existencial Você
tem uma dívida com você mesmo se um dia alguém puder reclamar de quem você é agora essa pessoa que mais merece ouvir suas reclamações é você mesmo é claro eu sei Todos nós temos uma história na nossa história de vida muitas coisas nos formaram e muito do que a gente é é culpa de como as pessoas Agiram conosco mas na verdade muito do que a gente é também tem a ver com como a gente escolheu reagir a isso porque eu posso diante de uma coisa ruim que me acontece reagir de um jeito mas eu também
posso reagir de outro e a maneira como eu escolho responder as situações me constitui então aquilo que eu vou sendo tem a ver com aquilo que eu vou decidindo Não no sentido de livre arbítrio mas no sentido das possibilidades que eu assumo das Escolhas que eu faço Então na verdade se existe alguém que você precisa cobrar por ser quem você é agora essa pessoa principalmente é você mesmo aqui não é uma ideia ingênua de livre arbítrio aqui não é uma ideia ingênua de que a gente pode ser o que a gente quiser de meritocracia Não
é isso não tem nada a ver com isso no heidger a ideia aqui é que a gente sempre está em dívida com a gente mesmo porque a gente é as possibilidades que a gente assume Independente se a gente assume essas possibilidades porque a gente tem livre arbítrio ou porque tá determinado pela física ou porque tá determinado pela sociedade pela cultura não importa o que importa é que nós somos aquilo que nós eh nos construímos nos constituímos então ser culpado é estar em dívida e nós sempre estamos em dívida com a gente mesmo e não é
dívida no sentido moral então por isso que é muito cuidado que a gente tem que ter com o heidger porque Ele não tá propondo uma noção ingênua então tipo assim ah se uma pessoa é tá com depressão é uma pessoa deprimida é culpa dela no sentido moral não é culpa dela no sentido existencial Então pode parecer polêmico o jeito que eu falei mas pro heidger culpa existencial e culpa moral não estão relacionadas você tem culpa de ser quem você é mas não é culpa no sentido moral porque às vezes quem você é não é culpa
sua no sentido moral Às vezes quem você é é culpa das Pessoas que te fizeram mal Às vezes quem você é culpa das pessoas que te prejudicaram mas o rger não tá falando dessa culpa o rger tá falando de responsabilidade aquilo que você é é sua responsabilidade ponto final tudo que você é é sua responsabilidade porque você se apropria das coisas porque você escolhe decide e assume possibilidades pode ser que não seja sua culpa moral talvez você não tenha culpa de ter sofrido e você não tem ninguém tem culpa De ter depressão por exemplo mas
você tem uma dívida com você mesmo no sentido de assumir a responsabilidade do que você pode fazer então a partir de agora Talvez você tenha depressão porque as pessoas te fizeram mal mas o que você pode fazer a partir de agora qual que é a sua responsabilidade nisso você pode buscar terapia Você pode buscar ajuda você pode permanecer prostrado não sei mas o que importa pro HG é a sua Responsabilidade é você se apropriar então da sua situação e se responsabilizar por ela mesmo se ela não for culpa sua não for culpa sua no sentido
moral porque pro heidger tudo é culpa sua no sentido existencial mas não é culpa no sentido moral então por isso que talvez a melhor palavra seja responsabilidade Todos nós temos responsabilidade mesmo por aquilo que não é Nossa culpa eu tenho responsabilidade por ser gay a gente Sabe que ninguém escolhe ser gay que ser gay não é uma questão de nascimento mas pro heidger é uma escolha não no sentido de escolha de livre arbítrio escolha da vontade porque pro Heider a palavra escolha significa assumir possibilidades ser gay é uma possibilidade portanto eu assumi essa possibilidade mesmo
que eu assumi essa possibilidade por questões genéticas mesmo que eu assumi essa possibilidade porque tava determinado pela minha natureza por isso que a gente Tem que tomar muito cuidado quando o heidger fala de escolha e pro heidger escolha não necessariamente a escolha de livre arbítrio de liberdade da vontade então quando heidger Por exemplo quando alguns existencial por exemplo a gente pega a Simone de bovar a Simone de Bovo fala que ser lésbica é uma escolha só que quando a gente diz que ser lésbica é uma escolha não é no sentido de que um dia alguém
tava lá e falou assim ai hoje eu vou ser Lésbica Não é esse o sentido então por isso que os existencialistas né os filósofos da existência o rger não é bem um existencialista mas os filósofos da existência são mal interpretados quando eles falam de escolha porque escolha nesse caso não é escolher no sentido de livre arbítrio escolha nesse caso significa responsabilizar-se apropriar-se eu posso me apropriar do fato de que eu sou gay isso que é uma escolha pro pro Existencial pra filosofia existencial eu escolho ser gay não é que eu escolho ser gay no sentido
de Ah eu decidi ser gay não eu escolho ser gay no sentido de que eu me escolho me responsabilizar e me apropriar e me assumir nessa possibilidade por isso cuidado quando vocês ouvirem um filósofo existencial falar de escolha ele não está falando de escolha no sentido de liberdade da vontade ele tá falando de escolhas no sentido de se Apropriar de possibilidades é por isso que o Sartre né Por exemplo ele fala que Nós escolhemos o nosso Nascimento eu escolhi nascer no sentido de livre arbítrio não nem existia como é que eu ia escolher nascer mas
no sentido existencial sim eu escolhi nascer por que que eu escolhi nascer porque eu assumi essa possibilidade porque eu me apropriei dessa possibilidade eu me aproprio da minha própria existência isso que é escolha no sentido Existencial por isso que escolha no sentido existencial não necessariamente envolve culpa moral eu tenho culpa moral de ter nascido não eu tenho culpa moral de seguei se fosse pecado não é não da mesma maneira mas eu tenho culpa existencial porque eu tenho responsabilidade por isso porque eu tenho uma dívida comigo mesmo por causa disso porque eu tenho o dever de
me apropriar dessas possibilidades fazer alguma coisa a partir Disso então é por isso que ele fala de ser culpado próprio de apropriar-se de responsabilizar-se então de novo para onde eu mando a flecha eu me aproprio dessa desse lançar-se dessa possibilidade que eu assumo então ser resoluto tem a ver com dívida tem a ver com culpa tem a ver com responsabilidade existenciais E aí o heidger vai dizer também que o terceiro conceito eu falei que o primeiro conceito que tem a ver com ser rosolo é projetar-se segundo Conceito é ser culpado próprio e o terceiro conceito
é calado Por que calado por Vamos pensar naquilo que o heidger disse quando ele falou da Voz da Consciência o heidger fala que nós todos temos uma uma uma voz da consciência que nos chama a responsabilidade de novo eu tô distinguindo não é moral e a gente tem uma voz da consciência Moral a voz da consciência moral ela não é calada ela até fala demais né se você se você ela tem o conceito na psicanálise de superg né que é uma Instância moral censurador então ela vai te censurar se você pensar em fazer algo errado
na religião a gente tem um senso moral também na na moralidade a gente tem uma ideia de que nós temos uma consciência moral essa consciência fala pra gente não faz isso faz aquilo faz aquilo o outro só que Não é disso que o Ridger tá falando o rger tá falando de uma consciência que ela é silenciosa porque ela só te chama a responsabilidade mas ela não fala o que você tem que fazer consciência moral ela só diz assim se responsabilize mas aí se eu pergunto pra consciência quer dizer pra consciência moral não pra consciência existencial
o que que eu devo fazer ela só vai dizer não importa o que você vai fazer mas se responsabilize eu já disse Também que isso não significa que o heidger ensine uma doutrina chamada de decisionismo heidger nunca disse que não importa heidger nunca disse que não importa as escolhas que você faz só importa que elas sejam autênticas por né quando eu falo que a consciência existencial só diz eh faça uma escolha autêntica não importa qual seja não vou te eu tô dizendo só no seno que ela não vai te dizer qual é mas isso não
Significa que não existam escolhas que são mais válidas ou menos válidas do que outra no sentido ético no sentido moral heidger não era um subjetivista moral um relativista moral o que eles está dizendo é até paraas suas escolhas serem éticas elas precisam primeiro ser autênticas e aqui que nem é autêntico né talvez a melhor palavra seja apropriadas né para que para que você seja ético primeiro você precisa se responsabilizar para que você Seja ético primeiro você precisa se apropriar-se então talvez a sua consciência moral ela vai te dizer qual que é a escolha certa mas
antes de você tomar uma escolha moral você precisa fazer uma escolha existencial não tem escolha moral Sem escolha existencial então o hilger não está dizendo que qualquer escolha é válida o que o heidger está dizendo é que não existe escolha moral Sem primeiro uma escolha existencial não existe ética sem Responsabilidade primeiro então é calado Nesse sentido porque a consciência moral não vai te dizer o conteúdo da sua escolha isso quem vai te dizer a moral é a ética ela vai só te dizer e é que você deve se responsabilizar por essa escolha por isso é
calado por isso é silencioso e também é calado num outro sentido porque envolve o quarto conceito que é o conceito de angústia então é calado porque o que que é angústia pro Heider angústia tem a ver com Liberdade angústia tem a ver com nada porque se a consciência não te diz o que você deve escolher de maneira clara Isso significa que você está diante da responsabilidade da Liberdade consciência existencial não vai te falar escolha psicologia como pro seu projeto de vida a escolha existencial vai falar escolha aí você vai falar não mas deixa outras pessoas
escolherem por mim a Consciência existencial F falar não pode ser deixa a Bíblia escolher por mim vou lá procurar na Bíblia deixe Deus escolher por mim deixe meu professor escolher por mim deixa as teorias da ética da moral escolherem por mim não você tem que escolher primeiro mesmo se você for escolher as teorias da ética então escolha Primeiro as teorias da ética e depois faz o que a ética Manda mesmo se você for escolher o que a bíblia Manda primeiro escolha a Bíblia Depois né o que ela manda Então tome uma escolha primeiro não terceirize
sua responsabilidade você é o senhor da sua vida isso é angustiante né porque você está diante de nada é muito mais fácil quando as pessoas falam pra gente é muito mais fácil quando a gente tem um Norte Claro só que a vida a gente tem que lidar com a incerteza né é muito comum que a gente busque muita certeza né Eh então assim sei lá para eu decidir Que Profissão eu vou fazer minha mãe vai me contar qual que é aí eu posso confiar não precisa ter angústia para eu escolher que religião eu vou seguir
vou seguir as religiões dos meus pais não precisa ter angústia Eles escolheram por mim se eu vou escolher o que eu vou fazer da minha vida eu vou seguir o que a Bíblia fala não precisa ter angústia né foi revelado por Deus porque que eu teria angústia se eu vou escolher alguma coisa se eu vou escolher quem eu vou Namorar é muito fácil escolher quem eu vou namorar porque meu psicólogo falou que essa é a melhor pessoa é muito fácil eu escolher Que profissão eu vou seguir porque meu terapeuta ocupacional disse que é aquela porque
outro escolheu por mim não prec ter angústia porque se a escolha tiver errada é culpa da pessoa acontece que toda escolha envolve risco e incerteza e você vai ter tomado uma escolha só quando você falar assim eu Assumo os riscos e a incerteza você nunca vai ter certeza de quem a pessoa certa para você você nunca vai ter certeza de que essa é a profissão que você deve seguir você nunca vai ter certeza de nada a vida não te dá certezas Só que você tem que escolher Até quando né outras pessoas irão escolher por você
isso que o heidger chama de agente ou de impessoal o a gente ou impessoal é quando os outros estão escolhendo pela gente Só que agora o Rad tá dizendo quando a gente pensa no ser resoluto no projetar S ouvir a voz da consciência existencial essa voz silenciosa que não vai te dizer nada porque ela não vai tomar o seu lugar ela não vai tomar o lugar porque ela é você mesmo te chamando a escolher por isso que é calado né por isso que é calado não te diz o que é para fazer porque se te
dissesse a escolha não seria [Música] Sua então assim é angustiante então por isso que o conceito de ser resoluto envolve esses elementos o projetar-se o lançar-se em possibilidades o ser culpado próprio estar em dívida sempre com si mesmo consigo mesmo eh que uma dívida que se te coloca a se apropriar de quem você é assumir a responsabilidade de quem você É é calado porque não te diz o conteúdo do que você deve escolher e angustiante Porque só cabe a você a liberdade de Fazer essa escolha e não existe nada dizendo qual é a escolha certa
toda escolha envolve riscos isso é importante né pessoas por exemplo que T toque ou transtorn de ansiedade tem muita dificuldade de pensar escolhas né porque eles pensam muito nessa angústia eh nessa incerteza mas toda escolha é incerta toda escolha é angustiante toda escolha envolve incerteza E aí o Heider vai trazer um outro conceito também muito importante Que é o conceito de Decão conceito de dec tem a ver com o conceito de estar lançado Então vamos pensar de novo no exemplo da Flecha né eu lanço a flecha mas ah nós fomos lançados no mundo no mundo
que já tava aí no mundo que nós herdamos eh até a flecha se ela for lançada já existe o alvo ela é puxada para trás num arco num espaço num lugar eh Nossa nosso lançar-se no mundo né ele está associado com o fato de que nós já somos jogados Dentro de algo é como se se tivessem tacado a gente aqui no mundo e vive aí então é as nossas escolhas todas as nossas escolhas estão também dentro de um Horizonte eu não posso escolher qualquer coisa né Por exemplo eu não posso eu não tenho o poder
por exemplo de agora escolher ser Deus eu não tenho como escolher isso eu não posso escolher agora sair voando eu não posso escolher agora viajar pro Japão porque nem tem dinheiro para isso não tem como eu não posso escolher agora ir mor em Marte então o heidger nunca teve uma noção de escolha ingênua heidger nunca propôs que a gente pode escolher qualquer coisa faz o que você quiser a vida é sua você se determina nas nossas escolhas se dão dentro do Horizonte do mundo que a gente foi lançado eu vou dar um exemplo de uma
coisa que tá acontecendo agora se eu tiver nascido na Palestina ali na faixa De gaza tá acontecendo a guerra o meu horizonte campo de possibilidades vai est reduzido e eu vou ter que escolher dentro do que é possível ali né então assim se eu tô num país que tá em guerra guerra que tá sofrendo e atentados de um outro país que alguns caracterizam como genocídio muitas mulheres e crianças estão morrendo e eu tenho tô vivendo dentro desse contexto as minhas escolhas dentro desse contexto Tem um limite eu não não é fácil não posso fazer o
que eu Quiser tô desesperado tem poucas possibilidades que eu posso assumir então o heidger Então essas duas coisas são importantes sobre o heidger heidger nunca disse com escolha que a gente pode decidir o que a gente quiser que a escolha fosse livre arbítrio pro heidger escolha é só assumir possibilidades até Se isso for ou que tá determinado pela nossa natureza o que tá determinado pelo ambiente o determinismo não é incompatível com a filosofia de C tempo Mais estranho que isso pareça não é né vou repetir isso é polêmico mas o determinismo físico vamos pegar aqui
não é incompatível com a filosofia existencial de ser e tempo porque escolha em ser e tempo não é escolha no sentido de livre arbítrio mesmo se não existir livre arbítrio mesmo se Nossas escolhas todas forem determinadas pela física o que importa pro heer é que nós temos a capacidade de assumir possibilidades Não importa se eu assumir Essa possibilidade porque tava determinado pela física existe um leque de possibilidades e eu assumo uma uma dessas possibilidades agora se eu assumir essa possibilidade porque meu meus minha genética determinou isso não é incompatível com a filosofia de ser e
tempo por isso também a filosofia de ser e tempo não é incompatível com o determinismo da psicanálise porque Qual que é a questão de ser e tempo ser em tempo não discute questões se existe Determinismo na Física na psicanálise o que ser tempo ser incompatível é com determinismo existencial com a ideia de que nós não temos uma existência capaz de assumir possibilidades eh Então isso é importante nós estamos lançados no mundo e é claro que as nossas escolhas vão estar o nosso leque de possibilidades vai estar limitado num certo Campo numa certa esfera Ah então
o heidger diz assim né estando dejectos o o da zign é certamente Abandonado a si mesmo e entrega seu poder ser como ser no mundo né eu dei aquele Exemplo né É claro a gente não existia antes alguém enviou a gente aqui talvez talvez existia não sei algumas pessoas podem achar que a gente tem uma alma que já existia antes de nascer no corpo mas aqui é uma metáfora é como se alguém pegou tacou a gente aqui no mundo e se vira faz aí o que for fazer e por isso que ele fala a gente
tá abandonado aqui abandonado em que s é que só eu Posso decidir pela minha vida eu fui lançado aqui agora eu tenho que me virar eu não tenho que ficar terceirizando a responsabilidade para outras pessoas eh deado o das zign é repetido a um mundo eu fui lançado no mundo que já tá dado aí eu nasci aqui com um monte de significado já colocado com numa sociedade numa cultura disseram para mim quem eu sou o que eu devo ser o que eu devo fazer como eu devo viver eu nasci aqui Eh remetida a um mundo
e existe factualmente com outros eu não tô sozinho eu tô numa sociedade eu tô no mundo compartilhado Então as minhas escolhas meu leque de possibilidades vai ser delimitado pelo mundo onde eu estou pelas pelos significados se eu nasço numa cultura ocidental Então eu tenho um C certas possibilidades tenho uma uma certa liberdade de escolher certas carreiras certos empregos Se eu nascesse por exemplo na Coreia do Norte Talvez o Meu leque de possibilidades fosse outro na Coreia do Norte eu tenho a possibilidade de viajar para outro país fazer viagens pelo mundo me tornar um grande turista
talvez não é na Coreia do Norte eu teria possibilidade de me tornar youtuber gravar vídeos aqui para vocês não mas eu teria outras possibilidades que é dado por aquele contexto Se eu nasço por exemplo na faixa de gás Eu tenho um outro leque de possibilidades Se eu nasço por exemplo Eh em outro tempo histórico Sei lá eu nasci na sociedade vitoriana sou uma mulher ah na sociedade vitoriana Ah eu nasci na América Latina como um escravo africano meu leque de possibilidades muda depender do mundo onde eu estou e esse mundo é um mundo compartilhado o
problema que o Rider vai dizer aqui ó é que de pronto e no mais das vezes o si mesmo está perdido em a gente ele se entende a partir da possibilidade de existência que cada vez Tem curso no dia de hoje no mediano ser interpretado público do daar que que é o ag gente é o outro o o que o outro colocou eu me delimito ali então ah quando a gente é bem interessante que a gente fala a gente né quando a gente escolhe a partir daquilo que já está posto nós estamos perdidos nesse agente
o nosso leque de possibilidades fica muito mais limitado e não só o nosso leque de possibilidades fica muito mais limitado Que as escolhas que a gente assume dentro desse leque não é a gente que escolheu escolheram pela gente então sei lá se eu faço psicologia porque minha mãe chegou e falou assim Ah meu filho era meu sonho que você fizesse psicologia eu fala Ah mãe vou escolher psicologia porque a senhora quer então perdido no agente se eu nasci né a trans sou vamos supor que eu seja uma mulher trans Mas Eu vivo como homem porque
me disseram que eu sou homem o médico foi lá e disse que eu sou homem minha família disse que eu sou homem minha família disse que eu devo ser homem e eu falar é você homem por causa disso a gente tô perdido no a gente nem precisa ser isso pode ser o contrário também né se eu escolho que eu ten tem que ser parte do movimento LGBT porque eu sou gay todo gay tem que é dar suporte ao movimento LGBT se eu sou se eu penso uma de uma Determinada maneira porque a filosofia ideológica que
eu sigo é dessa forma tô perdido no ag gente se eu acho que eu tenho que defender por exemplo a Coreia do Norte porque eu sou comunista e eu defendo porque Eu sou comunista perdido num agente se eu sou de uma religião porque eu ordio os meus pais perdido no agente o conteúdo não importa o que importa é a sua postura diante daquilo porque você pode ser comunista e escolheu ser comunista porque você se Apropriou e se responsabilizou por essa escolha Mas você pode ser comunista porque você assumiu a possibilidade que já tava colocado você
terceirizou não foi você que se apropriou disso né então o que importa pro heidger aqui pensar É que geralmente a gente não escolhe por a gente mesmo a gente escolhe por aquilo que põe por aquilo que coloca e esse e esse aquilo que coloca é o ag gente então geralmente as nossas possibilidades estão Limitadas pelo que já está posto pelo outro pela cultura pela linguagem pela sociedade pelas ideias tanto e tanto a gente assume possibilidades com base naquilo que a gente herdou e assumiu acriticamente então é por isso que ele fala né que até a
nossa compreensão a maneira como a gente interpreta o mundo geralmente é a partir daquilo que já estava colocado daquilo que já foi posto então isso que ele quer dizer quando ele fala que nós geralmente estamos perdidos No agente eh is é bem curioso né ele fala até que é o que tem a ver com mediano né e público mediano é na média todo mundo pensa assim na média todo mundo faz assim na média todo mundo tem que acordar de manhã ir pro trabalho na média todo mundo tem que ter um emprego e estudar na média
todo mundo tem que ter sua religião na média todo mundo tem que casar algum dia na média todo mundo tem que ter seus filhos na média todo Mundo tem que defender tal e tal ideia política na média na média na média eh Então esse é o agente né A maioria das vezes quem a gente é não é o que a gente apropriou-se mas é aquilo que disseram pra gente que a gente é o outro constitui quem eu sou então o grande outro a gente vai usar um termo do lacão grande outro que é esse agente
que é a linguagem a cultura as normas sociais constitui quem eu sou então quando Alguém pergunta quem você é eu sou aquilo que fizeram de mim isso que é a resposta de alguém perdido no agente quem você é eu sou aquilo que fizeram de mim quem você é ah eu sou eh Cristão Por que que você é cristão Porque fizeram isso de mim Ah quem que você é eu sou psicólogo Por que que você é psicólogo Por que fizeram isso de mim eu sou comunista Por que que você é comunista Por que fizeram isso de
mim então o agente determina quem eu sou o si mesmo Então quando o si mesmo é constituído pelo agente eh nós temos essa questão do impessoal que é o que o heidger tá comentando aqui quando a gente pensa então nas nossas decisões e escolhas existenciais Geralmente os outro o outro a linguagem a cultura a sociedade decidem por nós e na medida em que as minhas decisões são aquilo que me constitui e constitui quem eu sou isso significa que no geral quem eu sou não é é quem eu escolhi ser eu sou aquilo que Fizeram de
mim então na existência imprópria ou seja na existência que eu não me aproprio de mim mesmo eu sou aquilo que fizeram de mim é por isso que o sre usa essas expressões o que que acontece na existência imprópria ou seja na existência na qual não me aproprio de quem eu sou eu sou aquilo que fizeram de mim então rger diz o ser resoluto no qual design retorna a si mesmo abre as Possibilidades cada vez factuais do existir próprio a partir da herança que esse existir assume como de o retorno resoluto a dejeção traz consigo uma
entrega de possibilidades sobrev por tradição tem vários conceitos importantes pra gente pensar mas aqui primeiro falar então retorne para si mesmo então vamos pensar aqui eu Existindo de maneira imprópria eu estou existindo sendo aquilo que os outros fazem de mim então o que que eu preciso fazer eu preciso retornar a mim mesmo quando eu me retorno quando eu me volto para mim mesmo e aí eu vou passar a fazer o que o sre fala né eu vou passar a ser o que eu faço do que os outros fazem de mim Então como que eu passo
a ser o que eu faço do que os outros fazem de mim eu vou assumir me apropriar da herança ou seja vou me apropriar daquilo Que os outros estão fazendo de mim e vou fazer alguma coisa a partir disso eu vou assumir essa herança vou me apropriar dela mas eu vou me apropriar de maneira criativa Então o que o rger tá chamando aqui de tradição é o que eu erdo quando eu nasço no mundo eu herdo uma tradição O que que é uma tradição é um conjunto Ó definição de tradição por heidger tradição é um
conjunto de interpretações sedimentadas que eu erdo tradição é um Conjunto de interpretações sedimentadas herdadas então eu nasço no mundo que já tem um conjunto de interpretações sedimentadas herdadas essa analogia da sedimentação é a analogia das camadas geológicas Então eu estou aqui no século XX estou num planeta que a que ao longo do seu desenvolvimento Houve várias sedimentações várias camadas até chegar no hoje e eu vivo sobre essas camadas a história também é assim a história do Ocidente é uma sedimentação de interpretações a história da minha vida é uma sedimentação de interpretações a história da minha
família é uma segmentação das interpretações a história da minha cultura é uma sedimentação de interpretações e eu fui jogado nesse meio a por isso que entra da dejeção Eu Fui jogado mas eu fui jogado de um jeito que eu fui abandonado a mim mesmo e o que que eu vou fazer eu posso simplesmente ficar Aqui jogado E assumir de maneira acrítica essas interpretações e viver de acordo com elas mas eu posso assumir essa herança de uma outra maneira não tem como eu abandonar essa herança não tem como eu jogar fora essa tradição o rger vai
falar né lá no início de sero tempo ele vai introduzir um conceito que é muito interessante eu acho que é no parágrafo de número seis de ser tempo vou dar uma conferida aqui que ele vai quando ele vai iniciar C tempo ele vai Falar que é necessário uma tarefa de destruição Destruction eh da a história da ontologia essa história da ontologia é a tradição sedimentada que foi recebida pelo filósofo o filósofo também recebe uma tradição Quando você vai estudar filosofia você descobre que você herdou uma tradição que nem é sua mas que você herdou todo
mundo que vai fazer um curso de Filosofia Descobre isso chega lá na filosofia primeiro ano você descobre assim mano eu vou ser filósofo Mas eu eu tenho uma herança O que é filosofia hoje vem de uma construção que vem lá do Platão que vem lá do Sócrates que foi construindo sedimentado sedimentado a chegar no hoje até se se você for um filósofo analítico que não curte muito a história da filosofia vamos supor ainda assim a sua filosofia hoje ela é resultado de toda uma sedimentação E aí a questão é o que fazer com toda essa
história da filosofia heidger fala destruição Mas Que que é destruição pro heidger destruição não é jogar fora não tem como jogar fora destruição é desconstrução criativa é você pegar toda essa história e não assumir ela acriticamente é você ir batendo o martelo e destruindo os tijolinhos para você ver que que sobra de bom para você ver o que no meio dos Entulhos tem de positivo para você ir Dedim o que que o arqueólogo o que que o geólogo o que que essas pessoas fazem elas fazem dessedentação Mas qual que é O objetivo da D sedimentação
é é acabar com tudo Não é descobrir artefatos no meio daquela daquele sedimentos então o arqueólogo descobre vaso cerâmica que carrega uma narrativa também que carrega uma história o geólogo Eh Ou quando você encontra um fóssil no meio da sedimentação você reconstrói aquela história Então qual que é a ideia da destruição é a destruição do arqueólogo é a destruição do geólogo é a destruição de você ir e pegando toda essa tradição E criticamente e depurando ela para pegar o que há de positivo nela para ver as possibilidades positivas que existem ali por isso o filósofo
faz uma destruição criativa uma destruição que não é anulação que não é eliminação mas que é uma destruição criativa E é isso que o ridger também fala que a gente pode fazer com outras tradições que a gente herda herdei uma tradição ocidental herdei uma tradição sobre o que é ser homem herdei uma tradição Familiar herdei uma tradição o que que eu faço a partir disso eu só assumo ou eu destruo criticamente ou eu ressignificou eu reconstruo ou eu eh você não precisa ser o que fizeram de você você pode ser o que você faz daquilo
que fizeram de você e aí o r usa uma expressão aqui uma analogia que é do entregar a si mesmo essa herança né a Vamos pensar o seguinte tem uma tinha uma coisa que era comum as pessoas fazerem acho que que não é tão Comum hoje assim que vamos supor que que eu queria Guardar algumas coisas para mim mesmo né E aí eu pego vários utensílios ou vários objetos que tem significado importante para mim então sei lá ah essa garrafinha tem um significado importante para mim Eh esse livro tem um significado importante para mim a
meu meu anel tem um significado importante para mim e aí as pessoas pegavam tudo isso colocavam dentro de uma caixa de uma cápsula do tempo elas Iam no quintal cavavam um buraco enterravam e deixava ali ou ia numa praça num lugar importante deixava ali elas esperavam passar um tempo 10 anos anos 20 anos e depois de 20 anos elas vão lá e cavam o buraco pegam e tiram os objetos e aqueles objetos elas entregam o que que elas fizeram elas entregaram para si mesmas né Elas entregam esses objetos para si mesmas a herança é a
mesma coisa né para você entregar a herança para si mesmo você precisa Primeiro se apropriar dela como que você vai entregar uma coisa para si mesmo se primeiro você não se apropriou daquilo eh então para você entregar a caixa para você mesmo aquele objetos você tem que ter se apropriado deles dado o significado para eles e mandado para você é outro exemplo também né na nas em algumas psicoterapias você tem a ideia de escrever uma carta para você mesmo então você escreve uma carta e entrega para você mesmo ou você entrega naquele Momento mesmo você
escreve e lê ou você guarda para te mandar depois e mas a ideia é que você se auto entrega aquilo mas para eu me entregar aquela carta eu preciso me apropriar daquela carta o que que o adgar tá dizendo qual que é a Qual que é o uso criativo da tradição eu não vou jogar fora a tradição eu vou pegar ela para mim só que eu vou ressignificar ela e entregar ela ressignificada para mim mesmo e essa analogia que ele tá usando aqui é uma Analogia bem interessante Então você não vai ser quem você é
jogando fora tudo você pode não gostar de ter nascido numa sociedade cristã mas você não vai conseguir Não Ser Cristão enquanto você não se apropriar disso também enquanto você não entender que o Ser Cristão também fez parte da sua história que Ser Cristão faz parte da sociedade que você vive e que você você pode ressignificar isso até para escolher ser ateu para escolher ser islâmico mas primeiro você Precisa se apropriar de quem você vem sendo até aqui e de onde você nasceu para eu me apropriar disso né então eu preciso re a me assumir aquilo
para mim preciso assumir que eu nasci numa sociedade que é assim eu preciso assumir que eu nasci numa religião que é assim eu preciso assumir que eu nasci num mundo de significados que é assim e eu só consigo modificar isso a partir do momento que eu assumo isso por isso não dá para ser um revolucionário que não se Apropria do os aspectos positivos da sociedade em que se vive não dá para fazer revolução sem sem sem apropriação não dá para ter mudança sem apropriação então não dá para negar o seu passado e você só consegue
se lançar pro futuro se apropriando do seu passado se apropriando de tudo aquilo que vem fazendo ser quem você é mas aí ao invés de você deixar que essas coisas façam ser quem você é de maneira passiva você Agora decide que você vai vai fazer algo a partir disso Talvez o que as pessoas fizeram com você agora na sua vida foi ruim talvez pessoas te prejudicaram talvez você passou por violências na sua vida mas você precisa se apropriar disso que aconteceu com você para você dar outro sentido você não vai conseguir se lançar pro Futuro
dar nov sentido Se você não se apropriar da sua história como que eu vou ser uma pessoa que superou as angústias os traumas do Passado se eu não aceito esses traumas como parte de mim se eu só rejeito se eu só elimino não vai dar certo eu preciso me apropriar eu preciso me apropriar da tradição que eu herdei e até reconhecer que existem aspectos positivos nela mesmo que eu não goste que existem aspectos positivos em eu ser parte de uma sociedade Cristã capitalista que seja mas que tudo isso me constitui me forma faz ser quem
eu sou Então heger vai dizer assim o ser Resoluto constitui cada vez um legado transmitido por tradição quanto mais mais propriamente o da se resolve ou seja decide Isto é quanto mais se entende sem ambiguidade a partir de sua mais própria e assinalada possibilidade no adiantar-se para a morte tanto mais inequívoco e não contingente é o encontrar por escolha a possibilidade de sua existência o que que o heidger tá Dizendo quanto mais eu me aproprio e busco compreender aquilo que erdei porque assim se você não entende a sua história se você não compreende o seu
legado como que eu vou por exemplo me opor a minha tradição Cristã se eu não nem sequer entendo essa tradição que eu hordei como que eu vou me modificar se eu nem sei o que que é o legado que eu recebi então quanto mais você busca olhar criticamente fazer essa destruição crítica da tradição quanto mais você Busca por exemplo filósofo para fazer Boa filosofia mesmo que ele queira eh ir contra toda tradição filosófica ele precisa entender essa tradição para ele para ele fazer uma boa crítica então para você fazer uma boa crítica aquilo que te
formou você precisa entender aquilo que te formou quanto mais você tem clareza sobre isso quanto mais tem clareza sobre as coisas que te influenciam porque também se você não tem nem consciência do que te constituiu Como que você vai reconstruir isso em você se você não tem consciência da sua história do legado que você recebeu da da das das heranças sejam boas ou ruins que você herdou dos seus pais das suas familiares da sua sociedade se você não tiver clareza sobre isso menos Clara vai ser suas escolhas mas obscuras serão as suas escolhas quer fazer
escolhas Claras quer fazer escolhas eh conscientes eh seguras tem a clareza daquilo que te formou R vai dizer assim somente o ser livre para a morte dá o da zign pura e simplesmente seu alvo e empurra a existência em sua finitude a finitude apreendida tira a existência da interminável multiplicidade de possibilidades de bem-estar facilidade e responsabilidade que se oferecem de imediato e conduz o dasai da singeleza do seu destino designamos assim o originário gestarse do Design que reside no ser resoluto próprio gestarse em que O design livre para a morte se entrega a mesmo por
tradição numa possibilidade herdada E no entanto escolhida olha aqui quantos conceitos interessantes né um conceito que é muito importante pro Heid é o conceito de morte eu já expliquei que morte pro heidger Não é morte biológica é o fechamento do leque de possibilidades Mas pense o seguinte se não fosse a morte se não fosse a finitude se não Fosse a ideia de colque fosse se fechar você poderia se desculpar de não assumir escolhas porque você poderia falar assim ah eu não preciso me decidir agora eu posso viver de acordo com aquilo que tá colocado eu
posso ser o que os outros fazem de mim um dia eu mudo um dia eu me importo com isso não preciso me importar com isso agora Deixa isso para depois dá muito trabalho tem como não viu que o leg pode se fechar a qualquer hora a morte é Iminente você pode morrer a qualquer momento por isso o heidger tá falando que a existência própria é uma postura diante da vida é uma postura de novo Vamos fazer uma analogia aqui com a religião né e com as a ideia da volta de Jesus muitos cristãos tem essa
ideia Jesus vai voltar e qual que é a ideia da volta de Jesus eu preciso estar preparado a todo momento porque ele pode voltar a qualquer momento eu não sei a hora não Sei o dia em que Cristo virá mas eu sei que ele vem se eu sei que ele vem eu mudo minha postura né Tem um pessoal e do do eh de um centro né acadêmico que fez uma série sobre rid que eu vi uma das pessoas comentando isso lá não vou lembrar o nome agora dessa comparação com a volta de Jesus né Qual
que é a ideia Jesus pode voltar a qualquer momento Jesus pode voltar a qualquer Momento o que que eu posso fazer então esperar ele como se ele pudesse voltar agora não sei se ele vai voltar daqui 2000 anos daqui 5 dias isso que é uma comparação Não tô dizendo que eu sou cristão que eu acho isso mas que que os cristãos pensam eu tenho que estar preparado porque pode ser a qualquer momento a morte também é isso então o que o rger tá dizendo é que quando você entende a noção de morte você muda sua
postura porque não importa quando você Vai morrer o que importa é sua postura diante da morte não importa quando Jesus vai voltar mas se você pensa que a vinda dele pode acontecer a qualquer momento você vai viver como se cada dia fosse o último dia Então você tem que viver como se cada dia fosse o último dia se cada dia fosse o último dia você ia falar assim ah eu vou continuar fazendo o que os outros falam para eu fazer a eu vou continuar sendo o que a cultura manda eu fazer não se hoje é
seu último dia de Vida viva como se hoje eu fosse seu último dia de vida decida-se responsabilize-se não ten amanhã Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje então a nossa morte a nossa finitude revela a A Urgência de uma escolha de uma entrega a si mesmo e olha que legal ele fala que entregar-se mesmo a tradição embora seja herdar uma Tradição ao mesmo tempo uma escolha Por que que é uma escolha porque é uma apropriar-se você não erda Passivamente a tradição você se apropria dela criativamente E aí o ridger vai introduzir aqui
alguns conceitos que são três palavras no alemão que elas são muito parecidas é um trocadilho mas no português não fica Claro porque no português essas palavras não são parecidas e são três palavras que no alemão são parecidas eu não sei Alemão então então eu vou pronunciar Talvez um pouquinho errado mas a gente tem a Palavra pra historicidade que é guit gesit é muito difícil falar né gesit Tem uma palavra para destino que é gesic e tem uma palavra para gestar que é gesen o que importa pra gente aqui né eu não vou ficar arriscando a
pronunciar essas palavras é que essas três palavras são parecidas né A primeira palavra significa historicidade a segunda palavra significa destino e a terceira palavra significa gestar então no no Alemão isso vira um trocadilho pra gente não fica claro que é um trocadilho que o heidger tá fazendo ess entre essas três palavras que ele vai falar que que estão relacionadas Então vamos pensar cada uma né Nós temos a historicidade nós somos seres de narrativa nós temos um destino eu vou explicar essa noção de destino e nós temos um gestar um acontecer Ah vamos pensar cada uma
primeira historicidade então primeiro a gente tem o termo historicidade né que se refere Ao fato de que nós somos seres de narrativa o segundo termo tem a ver com gestarse que também significa acontecer no alemão Mas gestar é uma palavra legal porque no português a gente tem uma analogia né com a com o gestar da gestação né então digamos assim que a medida que a gente se constitui a gente tá se gestando eh então na medida em que eu me constituo É como se eu tivesse me formando gestando quem eu sou e esse gestar vai
terminar com a minha morte né Que é quando eu me completo quando está completo quem eu sou então a gente pode imaginar uma analogia com o o gestar de um bebê né O bebê é gestado no ventre da mãe e ele nasce ele fica pronto para nascer no caso a gente fica pronto para morrer né porque a gente se completa a gente se torna quem a gente é quando a gente morre porque aí sim no ciclo da nossa existência se completou então digamos assim que a vida é como um gestar a vida é um Nascimento
a gente Está nascendo e está se formando a todo tempo então a gente se gesta numa narrativa o gestarse é uma acontecer narrativo e aí nós temos uma outra palavra né que é a palavra destino e essa palavra destino tem a ver com a ideia de envio então por exemplo né se eu escrevo uma carta e eu entrego para um um carteiro ele vai essa carta está sendo enviada a um destino Então essa carta está sendo levada para ser entregue em algum lugar da mesma maneira Se eu puxo a flecha para acertar um alvo eu
estou enviando essa flecha para o alvo que eu pretendo então na existência quando o rid usa a palavra destino ele tá pensando nesse alvo que a gente se projeta destino que não é aquele sentido de destino da mitologia né como se fosse um o fatalismo Ah aquela ideia de que a gente tá destinado a um desfecho final não esse destino Na verdade é um destinar-se a gente se cha a gente se projeta a gente se direciona a gente Direciona a nossa trajetória existencial trajetória é um termo legal também né quando a gente aponta a flecha
ela vai seguir uma trajetória até atingir o alvo quando eu envio uma carta ela vai ser endereçada para para algum destino E eu então direciono a trajetória dessa carta né se se a gente pensasse no aviãozinho né tem aquele programa do Silvio Santos que ele pega uma nota e taca o aviãozinho ele direciona a trajetória do aviãozinho para para ele atingir o alvo Na plateia então da mesma maneira quando eu tenho um projeto de vida eu me direciono eu direciona a minha trajetória de acordo com esse projeto só que o heidger vai falar que esse
destino não pode ser pensado só de maneira isolada então assim não tem como eu pensar o meu projeto existencial sem pensar ele dentro de um contexto social dentro de um contexto comunitário não tem como eu pensar o meu projeto de existência então sem pensar ele nesse Contexto mais amplo porque por exemplo mas se eu pensasse Ah meu projeto projeto de existência é ser psicólogo Mas eu só posso ser psicólogo se eu vou atender pacientes se eu vou contribuir com a sociedade fazendo isso então e eu só posso ser psicólogo dentro de uma sociedade que faz
sentido ter ter psicólogo que existem transtornos mentais ou experiências psicológicas difíceis Ah que as pessoas procuram ajuda psicológica Então esse projetar-se Não tem como se dar isolado esse projetar-se se dá numa comunidade e a comunidade pode ter um projeto comum porque nós participamos de um destino comum nesse sentido que o heidger vai dizer ah que o destino é o precursor Se entregar ao aí do instante que reside no ser resoluto Ou seja é o precursor tem a ver com decisão antecipadora é um ser entregar é entregar a si mesmo uma herança um legado no aí
ou seja no contexto em que a gente está no instante Que reside no ser resoluto ou seja neste momento no hoje no agora né Eu só posso me decidir pelo agora né eu decidir é sempre imediato decidir é sempre iminente e ele se dá num aí no mundo num contexto que já tá colocado Então eu só posso me projetar num contexto compartilhado os o design se gesta no ser com os outros então a gente só se gesta como se a gente tivesse no mesmo ventre com compartilhado com outras pessoas é como se o mundo estivesse
Grávido de gêmeos ou de vários gêmeos né todos gestando se juntos e todos então podem partilhar de um destino comum aqui é importante né aqui é um pouco polêmico porque o o heidger vai falar então de destino comum de luta comum e a palavra no alemão né que é CAF e uma palavra que que foi usada depois pelo Nacional socialismo eh e essa ideia de destino comum depois provavelmente foi interpretada pelo próprio heidger como uma uma expressão De um destino comum do Povo alemão né então o povo alemão poderia ter o seu destino comum no
nacional socialismo mas é importante a gente dizer isso aqui é importante Heider quando escreve o serit tempo ainda não tinha esse sentido Nacional socialista serit tempo é de 1927 o heidger vai se envolver com o nazismo depois da década de 30 então quando rger se envolve com o nazismo ele vai reinterpretar os conceitos da sua filosofia à luz da Visão política que Ele passou adotar então ele vai entender assim olha existe um destino comum pelo para o qual se projeta a nação alemã que era o Nacional socialismo Ah mas é importante dizer que mesmo se
o heidegger tivesse usado sentido comum eh o destino comum para aplicar ao Nacional socialismo isso não significa que o conceito de destino comum seja Nacional socialista Porque é importante a gente diferenciar a forma e a matéria do conceito que que é isso a forma é a Estrutura do conceito a matéria é o conteúdo que a gente usa para preencher esse conceito a analítica existencial do heiliger geralmente ela é formal ou seja ela só mostra a estrutura o conteúdo da estrutura ele pode ser preenchido de diferentes maneiras então por exemplo o rger fala de decisão existencial
essa decisão existencial essa decisão por si mesmo ela só tem a forma da decisão ela não diz o conteúdo O que que você vai decidir você vai decidir ser psicólogo Você vai decidir ser eh Engenheiro o conteúdo heidegger não fala o heidegger fala da estrutura da mesma maneira em ser em tempo no livro ser e tempo como ser e tempo é um livro de forma análise formal o rger nunca vai falar conteúdo então por exemplo quando o rger fala de destino comum qual que é o destino comum não diz por que que ele não diz
porque o conteúdo vai ser preenchido pelo design o heidger nunca vai dizer qual que é o Conteúdo o conteúdo é sempre preenchido pelas escolhas que uma pessoa faz pela sociedade em que ela vive concretamente então assim o heidger infelizmente ele preencheu isso daqui com o Nacional socialismo o heidger preencheu o seu destino comum com o Nacional socialismo Mas isso não significa que eh nós tenhamos que preencher da mesma maneira ou que o conceito implique nisso então a matéria o conteúdo que o heidger preencheu o conceito depois na vida dele É um problema da pessoa heidger
agora a estrutura do conceito Não envolve Nacional socialismo a estrutura do conceito pode até envolver um projeto comunista pode até envolver um projeto Liberal pode até envolver um projeto conservador pode envolver projetos de todos os campos políticos e pode envolver nenhum projeto político Talvez o destino comum pode ser pensado o destino comum de uma comunidade indígena o destino comum pode ser pensado o Destino comum compartilhado por pessoas de um certo grupo de um certo momento de um certo tempo então quem que vai definir o destino comum conteúdo do destino comum vai ser cada comunidade cada
comunidade vai preencher isso de uma maneira infelizmente ridger preencheu com o Nacional socialismo Mas isso não significa que ah necessariamente o conceito implique que tem que ser preenchido assim né lembramos que ser e tempo é um livro de Análise existencial estrutural e formal não não discute matéria não discute conteúdo então nunca vocês vão ver o heidger discutindo conteúdo ele vai discutir a estrutura a forma conteúdo ele ele teve lá na vida dele os conteúdos que ele preencheu os conceitos agora eh a matéria do do conceito não é necessária o próprio heidger dis diz isso várias
vezes em ser tempo ó minha análise não tem conteúdo psicológico minha análise não tem conteúdo Antropológico minha análise não tem conteúdo político porque eu tô analisando só a estrutura o conteúdo é outra questão talvez em outro livro outra obra eu poderia discutir conteúdo mas nesse livro eu não estou discutindo conteúdo então infelizmente heidger preencheu aqui com o conteúdo errado não significa que o o conceito na sua estrutura formal dependa desse conteúdo então eu vou dizer eu já caí nessa mentira algumas vezes né de que algumas Pessoas como Emanuel Fer vão falar assim que o heidger
na sua Filosofia é essencialmente Nacional socialista isso é falso nada na filosofia de ser tempo é essencialmente Nacional socialista Até porque não tem como ser porque ser e tempo é um livro formal que Analisa estruturas não conteúdos políticos psicológicos antropológicos nada no em ser tempo discute conteúdo só discute forma conteúdo se preenche pelo sujeito o sujeito que vai preencher o conteúdo Design vai preencher o conteúdo a pessoa na sociedade em que ela vive vai preencher o conteúdo então pode ser por exemplo que uma pessoa vivendo numa comunidade indígena compartilhe de um destino comum com aquela
comunidade indígena de viver em harmonia com a natureza é o Projeto existencial daquela comun Ade e o seu projeto individual vai ser organizado de acordo com o projeto da comunidade o que o radia quer mostrar com a noção de destino comum é que o Nosso projeto de existência não é isolado do projeto de existência comunitário eu não tem como ter um projeto de existência alheio ao projeto de existência da minha comunidade se eu vivo no Brasil eu posso ter um projeto de existência baseado no que eu quero que é melhor pro meu país e como
que eu vou servir ao meu país por exemplo se eu vivo numa comunidade indígena eu posso pensar como o meu projeto individual de existência pode servir ao projeto maior Dessa comunidade e pode concorrer e contribuir com ele Então na verdade eh heidegger infelizmente ele quis contribuir com uma coisa ruim mas isso não danifica o conceito de destino comum é importante dizer isso para não gerar problemas aí nós finalizamos aqui o parágrafo de número 74 nós podemos analisar o parágrafo de número 75 em que o rga vai falar da história do mundo ou história Universal né
ah no parágrafo de número 75 Então Nós vamos ver aquela aquela noção que eu compartilhei com vocês de que pro heidegger Ah o fato da gente ser capaz de construir uma história uma historiografia só é possível porque nós somos seres de historicidade Então é porque eu sou um ser que constrói narrativas um ser de narrativa que sempre me coloca em narrativa que é possível construir uma história um esquema histórico modelo histórico que na verdade constrói uma narrativa Já Pensaram que a história Na verdade é um modelo e não uma descrição literal do que aconteceu porque
assim eu não tem como eu ter acesso a todas as informações as todas as variáveis toda a história que eu construi uma narrativa toda a historiografia é uma narrativa algumas narrativas podem ser mais ou menos fiéis ao F aos fatos mas toda a historiografia é uma narrativa é uma forma de narrar os fatos e a gente narra os fatos da maneira que é melhor se Adequa a um certo projeto um projeto de narrativa então por exemplo né Vamos pensar aqui na historiografia se eu sou o Dominico losurdo e eu vou escrever um livro de História
Dominico losurdo é um marxista e ele tem uma ideia de sociedade de como as coisas têm que ser se ele vai narrar a história vai constituir uma narrativa da história concorda que ele vai fazer uma narrativa mesmo que ele T serento Imparcial ele vai fazer uma narrativa que vai estar de Acordo com os métodos do materialismo histórico dialético sei lá o quê que é uma perspectiva Por exemplo agora vamos pensar outra outra perspectiva vamos supor que eu sou uma pessoa que acredita que a história da humanidade é movida por Deus então eu vou fazer uma
narrativa da história tentando mostrar como Deus está eh organizando a história para atingir um propósito se eu faço isso então eu vou criar uma certa narrativa da mesma maneira eu sou Foucault por exemplo sou Michel Foucault eu quero mostrar como que eh o meu projeto existencial de narrativa é é mostrar como o o poder e o saber se entrelaçam para produzir discursos para produzir verdades então percebe que a maneira como eu vou descrever a história e vou escrever a história é uma narrativa então se eu pego história da loucura história da sexualidade são descrições literais
dos fatos não é um modelo que constrói uma Narrativa Mas isso não é só o fucca é com qualquer projeto de historiografia por mais Imparcial que esse projeto tem de ser toda maneira de contar a história é uma maneira de construir uma narrativa porque a história não está dada os eventos aconteceram mas se eu vou contar a história eu preciso articular os eventos e para articular os eventos eu preciso ter uma narrativa de fundo eu preciso ter um modelo que organiza a sequência dos eventos então perceba que Os eventos só são colocados em sequência porque
já existe prévio aos eventos a priori uma narrativa que eu quero contar uma mesmo que eh auten ser Imparcial sempre tem uma narrativa não tem como fazer um modelo da história sem uma narrativa Claro aí sim algumas narrativas podem ser mais fiéis aos fatos algumas narrativas menos fiéis aos fatos mas toda tentativa de fazer uma historiografia vai selecionar fatos vai selecionar fatos que considera Importantes relatar e que considera que não é importante relatar Se eu considero na Bíblia né na Bíblia a gente tem o que a gente chama de historiador deuteronomista o historiador deuteronomista que
é que é uma escola que é autor dos livros de Primeiro Samuel segundo Samuel juízes que que esse que que esses livros esses livros contam uma história a Bíblia Hebraica conta uma história mas de que perspectiva de uma narrativa de uma Narrativa da escola deuteronomista que tem certos pressupostos e ideias Ah então da mesma maneira se vou fazer uma história da religião das religiões eu posso contar várias narrativas a história comparada das religiões na antropologia a gente tem por exemplo as teorias evolucionistas se eu vou pensar que as que as sociedades evoluem de uma primitiva
para uma mais evoluída tudo isso são tentativas de construir narrativas e essas narrativas não não Não tem como fazer história sem el fazer história é construir narrativas então mesmo uma história mais Imparcial mais isenta mais mais que tenta ser fiel aos fatos ainda vai ser uma narrativa e eu só vou ser capaz então de construir uma história Universal a história de toda o e assim complicado né porque geralmente o que as pessoas chamavam de história Universal até a época do heidger era a história do ocidente né então a gente tem por exemplo uma narrativa nós
temos Uma narrativa de que a história começa com a escrita por que que a gente se Lou a escrita então começa com a escrita a história começa com a escrita aí nós vamos ter a antiguidade Então a gente vai ter a Grécia antiga a Roma antiga o Egito Antigo E aí depois da antiguidade que era um período que tinha um certo sistema de produção eh que tinha um escravismo mas não era aquele mesmo escravismo que o Colonial Ah e depois a gente vai ter eh depois da Antiguidade o início da idade média com a queda
do império romano e aí na Idade Média a gente vai ter o domínio da igreja e com o domínio da igreja a gente vai É também um sistema feudal eh baseado na relação entre senhores camponeses vassalos e depois da Idade Média a gente vai ter o renascimento o renascimento vai retomar coisas da antiguidade grega e vai permitir uma transição para o que a gente chama de modernidade aí com a modernidade nós Vamos ter a o mercantilismo nós vamos ter a colonização da da América da a Ásia da então a Europa vai sair colonizando o mundo
eh e aí nós vamos ter o surgimento do capitalismo E aí depois da modernidade nós vamos ter a contemporaneidade que são os séculos recentes nós vamos ter també a Revolução Industrial E aí perceba que tudo isso que eu fiz é uma narrativa eu poderia contar a história de outro jeito Por que eu não conto a história Começando na China Por que que eu não conto a história destacando o que aconteceu no Japão ou por que que eu não conto a história a partir também do que aconteceu aqui na América pré-colombiana então perceba que todas as
maneiras de contar a história vão ter que passar por uma narrativa até a ideia de antiguidade idade média idade moderna idade contemporânea eu coloco os fatos numa linearidade numa sequência de eventos Isso é uma narrativa então é importante a gente entender que só é possível fazer história universal por meio de uma narrativa e aí a gente tem queer entender que a que a via vai de cá para lá e não de lá para cá ou seja a via vai da história da narrativa pra história universal O que é mais fundamental é a nossa historicidade e
o que é o que é derivado disso a nossa capacidade de construir uma história Universal porque se a gente faz o contrário se a gente Vai da história universal pra narrativa que que é história Universal história Universal é uma história linear que começa com a antiguidade idade média idade moderna idade contemporânea que tem uma sequência de eventos muito centrada na Europa e que tem essa linha de sequência de antes e depois e se eu Peg esse esquema de uma linha linear com sequência de antes e depois e tento entender historicidade narrativa a partir disso eu
vou er em pensar que a Narrativa é ou a historicidade própria do Design é uma sequência de eventos e não é isso né como eu já expliquei para vocês dando o exemplo das narrativas de criação queda e Redenção na verdade é muito mais dinâmico né tá tudo acontecendo ao mesmo tempo como expliquei no começo do vídeo então o heidger vai falar dessa questão da história universal ele vai dizer assim a tese da historicidade do daai não diz que um sujeito sem mundo é histórico mas Que o ente que existe no mundo é o é gestarse
da história é gestarse no ser no mundo a historicidade do Design é essencialmente historicidade de mundo harger vai falar né que então a nossa historicidade é uma historicidade dentro de um mundo o que que é um mundo é uma Trama de significados articulados Então eu só consigo fazer historicidade dentro de um mundo e o mundo também é uma narrativa os significados se articulam numa narrativa e é dentro de uma Narrativa que os próprios objetos do mundo podem aparecer com dado sentido então por exemplo né Eh se eu pego alguns objetos clássicos da historiografia como a
guilhotina a guilhotina aparece com um significado que tá associado a todo o contexto de significações da revolução eh francesa se eu pego um objeto como uma caneta ou um celular tá relacionado com a revolução eh digital e tudo me aparece dentro da narrativa de mundo que a Historiografia constrói Então nada nenhum objeto aparece a nós sem fazer parte de uma narrativa prévia e até a Canet que eu tô usando e tem uma narrativa né ela foi produzida num contexto de uma sociedade que sabe escrever que sabe ler que produz anota é a um anel que
eu tô usando que é uma aliança de novo essa aliança só tem um significado dentro de uma narrativa histórica né é uma aliança que nasce num contexto em que a gente pensa no Significado do casamento do dispositivo de aliança eh do significado do compromisso e toda monogamia e todos esses elementos históricos se eu penso no meu óculo se eu penso no tipo de cabelo que eu uso tudo que existe faz parte de uma narrativa e só tem o sentido que tem dentro desse contexto maior e essa narrativa articulada com todas as suas significações é o
que permite que as coisas apareçam a nós no que a gente chama de mundo então até os Fenômenos os eventos históricos a os objetos tudo isso só tem sentido dentro de um mundo que é uma Trama articulada de sentidos esses objetos que aparecem para nós dentro desse mundo é o que nós chamamos de ente do mundo histórico ou de ente intr mudano são entes que aparecem dentro do nosso mundo então heg diz assim né ah por um lado a história do mundo significa o gestarse do mundo em um essencial e existente unidade com das zign
por outro significa ao mesmo Tempo o gestarse do utilizável e do subsistente do interior do mundo então quando a gente fala da história do mundo a gente pode tanto est falando da narrativa do dasai quanto estar falando dos entes no interior do mundo que aparecem com dado significado então aqui o HG tá usando história do mundo não no sentido da historiografia da história Universal ah da da historiografia mas de história do mundo mundo aqui como mundo como Trama de significados articulados e Mundo é a mesma coisa que narrativa então né são formalmente sinônimos o mundo
é uma narrativa então quando o heidger fala de história do mundo é a história da narrativa e que que ele tá dizendo essa história da narrativa envolve duas coisas a narrativa do próprio design de como ele se constitui de como ele se gesta e a narrativa sobre os objetos que aparecem nesse mundo todo objeto que aparece no mundo aparece dentro de uma Trama de significados Aparece com uma certa significação Então é isso que ele quer dizer quando ele fala desses dois sentidos de história do mundo história do mundo pode se referir ao gestarse do mundo
em sua essencial existên unidade com dasin Ou seja é a própria história do daai ou gestarse do utilizável e do subsistente no interior do mundo ou seja os significados que os objetos possuem na medida em que se dão nesse mundo depois o ridger vai trazer um outro Conceito que é o conceito de dispersão nós nos dispersamos no mundo né Nós nos perdemos no mundo nós nos absorvemos no mundo nós ficamos muito absorvidos dentro da narrativa que a gente faz parte dentro do contexto de significados que a gente faz parte que a gente meio que se
perde dentro desse mundo então ele vai chamar isso de dispersão que é um pouco do que a gente estudou de decadência do mundo e de absorção nesse mundo e e e Aí dentro dessa absorção desse mundo da Zine foge da morte ou seja foge de encarar a iminência da morte então a gente absorvido nesse mundo a gente até esquece que a gente vai morrer que a nossa vida tem um limite a gente pensa a morte como uma coisa distante então a gente eh acaba se absorvendo em toda essa essa narrativa nesse mundo e a gente
até esquece que essa narrativa Tem um limite que ela não é infinita ela não é para sempre ah E aí o heidger vai depois falar né a da ele vai dizer assim o nascimento se incorpora na existência Se bem que apenas Afim de que a existência livre de Ilusões Assuma a dejeção do próprio aí e aqui vai ser muito importante muitas pessoas acham que quando o Heider vai falar de de autenticidade existência própria ele tá falando como se a gente tivesse que abandonar todos os significados do mundo que a gente vive e e romper com
isso Tudo e escolher uma vida do zero para nós mesmos perceba que não é isso que o heidger está propondo o heidger não está propondo que a gente se desligue de tudo que nos formou que nos constituiu e assuma uma vida completamente diferente disso ele tá dizendo na verdade que o nascimento se incorpora na existência Ou seja eu me aproprio do meu nascimento eu me aproprio da minha história apenas para que livre de Ilusões eu assuma a Dejeção do próprio aí para que eu me aproprie desse próprio mundo então eu na verdade vou romper com
o mundo para recuperá-lo a ideia do heidger É essa a gente rompe com o mundo cotidiano para recuperar ele de outra forma Então na verdade eu preciso resgatar o mundo é isso que o heidger propõe o heidger não está propondo romper com o mundo e criar uma vida completamente diferente única sua não heger tá propondo romper com uma modo de ver no mundo acrítico e depois De uma virada resgatar esse mundo tem uma analogia né que é bem interessante eu acho que é usada no hinduísmo quando alguém alcança um grau de iluminação que é a
ideia do sonho eu posso estar sonhando vamos supor que eu fui dormir e eu comecei a sonhar quando eu tô sonhando eu posso estar no sonho A não ser se o sonho não for lúcido eu posso estar no sonho sem saber que eu estou sonhando então né boa parte dos nossos sonhos a gente não sabe que a gente está Sonhando Mas vamos supor que eu tô lá no meio do meu sonho e aí numa parte do sonho alguém chega para mim e conta olha isso aqui é um sonho nada aqui é realidade e aí eu
descubro que nada ali é realidade mas eu vou continuar no sonho então eu vou continuar fazendo parte do sonho só que agora livre da ilusão sabendo que aquilo é um sonho então o que que o heidger tá pensando analogia é semelhante a gente não vai deixar de viver no mundo a gente não vai Deixar de fazer parte do mundo a gente não vai de deixar de fazer parte da narrativa do mundo só que eu vou fazer parte da narrativa do mundo sabendo disso me criando disso e não simplesmente assumindo acriticamente aquilo que está colocado Então
o que o rer propõe em C de tempo e aqui vai ficando muito Claro não é que a gente abandone o mundo não é que a gente abandone o que fizeram de nós é que a gente se Reapropriar me apropriar do mundo que me constituiu E aí eu posso então ser fiel à existência o ser resoluto constitui a fel a fidelidade da existência ao próprio si mesmo eu vou ser fiel ao quem eu sou porque eu não sou mais do que que fizeram de mim eu sou aquilo que eu escolho fazer do que fizeram de
mim eu não abandono o que me constituiu eu ressignificou eu reestruturou é isso que o heidger quer dizer ah e aí isso permite que eu tenho uma certa Constância uma certa estabilidade ao meu ser porque existe duas formas de ter uma Constância no seu ser existe a forma própria e a forma imprópria a forma imprópria de ter uma Constância no se no seu eu é simplesmente ser aquilo que o agente postula se eu sou aquilo que os outros fazem de mim ou seja só aquilo que o agente coloca eu vou ter uma Constância ilusória o
meu eu vai ter uma fixidez ele vai ser constante porque ele vai ser constante porque ele é fixado Pelo outro mas eu posso fixar o meu eu pela minha escolha me apropriando de quem eu sou e esse fixar-se de maneira própria é o que ele vai chamar aqui de constância da existência eu sou consistente com essa apropriação eu posso até mudar de opiniões de ideias Mas eu sou consistente com responsab iz ar por quem eu sou eu sou consistente com as minhas escolhas eu sou consistente com a minha responsabilidade se eu tomei uma escolha eu
sou Consistente E assumir as consequências dessas dessa escolha eh então e aí a última coisa que o heidger fala é de uma despres zação do hoje ele vai dizer assim pra gente finalizar né a temporalidade da historicidade própria ao contrário como instante precursor e repetente é uma despres presentação do hoje e um desacostumar se dos comportamentos usuais de ag gente a existência histórica imprópria carrega do que Remece Do passado que se lhe tornou irreconhecível busca inversamente o moderno a historicidade própria entende a história como retorno do possível e sabe por isso que a possibilidade somente
retorna quando a existência está aberta para ela em destino E no instante na repetição resoluta então R aqui tá deixando muito claro que existência própria não é abandonar o legado a história o mundo que te formou fazer isso não é a existência própria Porque você não está se apropriando daquilo que te formou a existência própria é uma réplica é uma repetição n a palavra réplica é muito interessante porque réplica a gente pensa assim ah vou fazer uma réplica de um de um quadro então eu faço um outro quadro que se assemelha aquele mas a palavra
réplica também tem o sentido de uma resposta quando eu tô num debate por exemplo tem a a eu apresento a minha posição a Minha tese os meus argumentos e a outra pessoa Faz o quê ela responde aos meus argumentos ela repete para responder criticamente então é esse o sentido de réplica réplica é uma resposta crítica Então como que eu repito como que eu replico eu replico respondendo eu replico dando uma resposta então aí a ideia né Eu não sou aquilo que fizeram de mim eu sou aquilo que eu faço do que que fizeram de mim
o que importa é a maneira como eu respondo a esse legado é como eu me eu respondo a essa tradição o Rá que tá aqui então discutindo uma postura diante do mundo quando hber fala de postura existencial autêntica própria ele não tá falando de abandonar tudo e ser uma coisa completamente nova ele tá falando de réplica ele tá falando de resposta crítica ele tá pedindo que a gente responda a existência que a gente se aproprie do legado que a gente respondeu e que a gente escolha o que a gente vai fazer a partir desse legado
não é possível se reconstruir num vácuo Não é possível se ressignificar no meio do nada o que o heidger tá propondo é que a gente se reapropriar do legado e da tradição que nos constitui e deu uma resposta autêntica a situação em que a gente vive então o que o rer tá propondo é uma resposta existencial à situação concreta em que a gente existe isso que é réplica isso que é resposta então eu faço parte de uma narrativa eu não vou deixar fazer parte eu recebi um legado eu não vou Deixar de ser alguém que
recebeu um legado não tem como eu jogar fora o que me constituiu Mas eu posso escolher o que eu vou fazer a partir disso aqui né eu usei algumas expressões sartriano claro que o heidger não é 100% fã do Sartre né ah o Sartre também não é 100% fiel interprete do heidegger também usei a expressão narrativa que é uma expressão do porer não é exatamente 100% sinônimo mas eu acho que transmite Ah mais claramente as ideias que o hgar tá Tentando propor quando ele fala de historicidade eh eu espero que vocês tenham gostado desse vídeo
é deixe seu like no vídeo né a gente vai iniciar um novo ano tudo dando certo a partir do ano que vem a gente vai finalizar é toda a série de ser tempo e a gente vai ter todo o livro comentado e deixe seu like no vídeo se inscreva no canal caso ainda não seja inscrito Ative o Sininho para novas notificações e até mais