Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, no Evangelho, iniciamos a nossa reflexão a respeito do capítulo 10 de São Mateus.
Aqui nós vamos ver a escolha dos doze Apóstolos e tudo aquilo que Jesus vai ensinar enviando-os em missão. Agora é importante nós entendermos o que significa essa escolha dos doze Apóstolos. Veja só.
O Antigo Testamento começou com um grande ato de fé, o ato de fé de Abraão. Abraão sai de sua terra, Deus promete uma numerosa descendência e, na hora que Abraão acha que vai acontecer a descendência — porque finalmente ele tem Isaac —, Deus pede a Abraão um sacrifício. Abraão se dispõe a sacrificar.
Um grande ato de fé. Deus poupa o seu filho. De Isaac nasce Jacó, de Jacó nascem as doze tribos, e ali é constituído o povo de Israel, dividido em doze tribos.
Então, foi desse grande ato de fé que nasceu esta descendência de fé. Acontece que, querendo reformar o seu povo, ou seja, verdadeiramente preparar um povo perfeito para o Senhor, Deus mesmo vem a esse mundo, e Jesus quer dar um reinício para o povo e escolhe os Doze. Mas como foi que começou o Novo Testamento?
O Novo Testamento começou também com um ato de fé. No Antigo Testamento, Abraão; no Novo Testamento, a Virgem Maria. Também a Virgem Maria realiza um ato de fé, realiza um ato de fé em que ela aceita ser a Mãe do Salvador, mas também aceita oferecê-lo, sacrificá-lo, entregar o seu Filho para redimir a humanidade.
Pois bem, de este Filho gerado e sacrificado é que brota a Igreja; mas, como no Antigo Testamento havia doze filhos de Jacó e doze tribos, agora nós temos doze Apóstolos, não mais para constituir doze tribos, mas para que fique bem claro que verdadeiramente esses Doze são instrumentos de Cristo para realizar o novo povo de Deus, membros do seu Corpo místico. No Evangelho de hoje, Jesus escolhe os Doze e lhes dá poder “para expulsar os espíritos maus, curar todo tipo de doença e enfermidade”, se coloca aqui o nome dos Doze, e aí o Evangelho conclui, dizendo assim: “Não deveis ir onde moram os pagãos nem entrar nas cidades dos samaritanos. Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel”.
Ou seja, claramente Jesus quer pegar aquele resto de Israel, aquele povo que permaneceu fiel no Antigo Testamento, para o incorporar à sua Igreja antes de partir para os povos pagãos, antes de alargar as fronteiras da Igreja. Por quê? Porque daqueles descendentes de Abraão muitos haviam apostatado e abandonado a fé de Abraão.
No evangelho de São João, Jesus diz que Deus pode fazer filhos de Abraão de pedras; mas, na verdade, aqueles filhos falsos de Abraão que eram somente descendência do sangue não eram filhos de Abraão verdadeiros; eram filhos de Satanás. É assim que Jesus, com essas palavras duras, trata os falsos israelitas, ou seja, aqueles que descendem do sangue de Abraão, mas não carregam a fé de Abraão. Pois bem, agora é necessário ir primeiro àquele resto que está lá, que ainda tem a fé de Abraão, para então, a partir de Pentecostes, alargar as portas da Igreja para todos os povos.
Somos agora filhos de Abraão, filhos de Maria. Nascemos de atos de fé: daquele fundador do Antigo Testamento — o ato de fé de Abraão — e daquele que inaugura o Novo Testamento — o ato de fé da Virgem Maria. Recebemos esta fé, que é a fé apostólica, a fé destes doze pobres pescadores da Galiléia que dilataram as fronteiras do antigo Israel para açambarcar o mundo inteiro numa Igreja católica, universal.
Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.