O marido conceda à esposa, o marido conceda ao esposo o que lhe é devido e também, semelhantemente, a esposa ao seu marido em todas as áreas da vida. Mas, especificamente, Paulo está falando da sexualidade e das relações sexuais: a mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e, se o marido, o corpo da mulher, do ponto de vista da sexualidade, passa a ser o deleite do marido. É um poder que ele tem não para maltratar, mas para gostar e ser gostado, usufruir e fazer usufruto.
Esse é o sentido de ter poder sobre o corpo do outro: é ter o direito não para esmagar nem para usar, nem para manipular, mas de tomar a iniciativa de qualquer que seja a sã proposição do intercurso. A mulher, semelhantemente, assim como o homem, tem esse poder também, e a mulher tem poder sobre o corpo do seu marido para entregar-se, para buscá-lo. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.
Está tudo igual na liberdade nua de cada um buscar o outro, franqueza e alegria. Não vos priveis, e, no grego, a palavra da ideia de fraude é daquela coisa que escamoteia, que foge, que se esconde do outro. Sexualmente, alguém que você chama de “meu marido” ou “minha mulher”, mas você pratica uma certa fraudulência, um escamoteamento o tempo todo em relação a ele ou em relação a ela.
Paulo diz: não faça isto; não entre nesse estado de economia sexual relacional entre vocês, porque não é bom. Somente em alguns casos específicos é que um casal absolutamente pode aceitar a abstinência sexual mútua. Em que caso é esse, diz Paulo?
Claro, fora doenças e enfermidades. Estando saudáveis, ele diz: não vos priveis sexualmente um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, mas ainda há um talvez, porque o consentimento tem que ser mútuo. Não se poupem sexualmente, jamais é o que Paulo está dizendo, salvo a exceção, é quem sabe havendo mútuo consentimento, com muita paz nessa mutualidade de consentimento, apenas por algum tempo, não longo, para que juntos o casal se dedique à oração, para logo depois se ajuntarem sexualmente.
Por que Paulo tem esse cuidado? Ele diz para que Satanás não vos tente, não vos seduza, não vos emule, e para que a carne não fique altamente sensível e emulada, para que a produção química acumulada não comece a pretender drogar os sentidos da gente. Porque quem quer que se habituou a ter vida sexual cotidiana conjugal normal intensa, se entrar num período de abstinência, e se um decide se recolher, sem o consentimento do outro, sem que lhe seja algo determinado por ambos, com prazo para acabar, e logo a se ajuntarem, não sendo assim, sendo uma decisão particular de dizer privadamente: “só para mim, não quero mais ter nada com ele nem com ela”, Paulo diz que alguém, especialmente o outro, que não é quem decidiu se privar de sexualidade, é o outro que foi vítima da imposição unilateral desse cônjuge que decidiu assim, sem comunhão, sem mutualidade, sem diálogo, sem nada, e permanece fazendo assim por muito tempo.
Seja qual seja o pretexto alegado, já caiu na malha de Satanás, e Paulo diz que o que vai acontecer invariavelmente é que vai surgir a incontinência, o descontrole, a produção hormonal intensa querendo vazar naturalmente, impedida. A mágoa de se sentir feito ou feita um marido ou esposa celibatária por decisão unilateral do outro é a necessidade natural do carinho, do aconchego da vida. É a demanda que a saúde orgânica e psíquica faz, um desejo natural com o corpo são.
Desejos da natureza não adoecida. E o que pode acontecer é que essa parte sofrida, essa parte deixada, essa parte que foi privada, acabe sucumbindo à incontinência, ao descontrole. É tudo tão patético.
Aí, no caso da igreja, essa parte que foi privada do sexo e que cai na incontinência é jogada embora como um membro podre. Como um membro podre, podre, podre, podre. Quando o evangelho está dizendo isso aqui é como a lei da gravidade, isso aqui é como qualquer outro fenômeno, isso aqui é como o fogo que vocês estão vendo aí atrás de mim.
É fenômeno. A chance de acontecer é total; toda vez que juntar estopa com álcool e fósforo aceso haverá fogo. Não há nenhum mistério.
Paulo está dizendo: se tirou o sexo e colocou abstinência sexual, com produção hormonal orgânica, frustração psíquica, sentimento de rejeição porque foi deixado, de repente aparece alguém que sorri, que se encanta, que se interessa. As forças do descontrole já estão montadas na gente para serem disparadas, e no ambiente religioso, quem vai pagar a maior conta é aquele que foi o deixado, o desprezado, o que foi feito celibatário unilateralmente por alguém que, por uma conveniência pessoal, seja de que natureza tenha, se decidiu que vai viver a sua vida sem tocar no cônjuge sexualmente, e sem explicar. Vou só dizer: não gosto, e deixar o outro lá, casar com alguém, para torturá-lo assim até o dia em que ele não suporte e seja, então, classificado como o adúltero que não suportou o que é insuportável.
A Escritura prossegue aqui dizendo que é insuportável, como Paulo que tinha dito aqui, nesse contexto, que ele ia dizer tudo que diria a esse respeito. Como aqui adiante, de novo ele repete que, considerando os tempos difíceis que eles estavam vivendo, de opressão de todos os lados, é que ele estava dando esses conselhos que são sabedoria para atravessar dificuldades diversas e variadas. E ele diz: “ó, essa é uma área que, quem estiver livre disso, estiver sozinho em tempo difícil, continue.
Mas, se você não é essa pessoa e precisa da relacionalidade, da conjugalidade, então se conjugue, mas se conjugue para valer, porque se você sente essa necessidade, você tem que atender essa necessidade, a sua. . .
”. Do outro, e tem que ser alguém com essa parceria, com esse pacto de amor e de atendimento mútuo. No mais, ele diz: se você não é assim, está em paz; sem ser assim, não está precisando de nada nem de ninguém.
Tá tudo bem, porque os dias são difíceis. Eu preferia que todo mundo fosse como eu sou. Tô na minha, quieto; não sofro essa pulsão, mas a maioria só.
Então, quem sofre, case e case bem, e case para atender o significado da necessidade conjugal plena. Mas não se violente; se você está em paz, não se violente a casar. E, se você tá casado, cumpra o seu casamento com toda a amplidão possível.
Cada um tem de Deus o seu próprio dom, a sua própria condição, um de um modo, o outro de outro. Cada um viva com propriedade a sua própria identidade e a sua própria natureza de ser. E aos solteiros e viúvos, Paulo diz: digo que lhe seria bom se permanecessem nesse estado no qual eu estou.
Tem muito mais liberdade para ir, para vir. Mas se você é um solteiro desesperado para casar, case. Se você é um viúvo que não tem a menor vocação à quietude sexual, case.
No caso de vocês não se dominarem sexualmente e caírem na incontinência, o que cura a incontinência é tratar dela na medida certa. É não deixar o bicho ficar esfaimado; o bicho do corpo, o bicho químico, o bicho psíquico, o bicho da necessidade de alimento emocional. Não deixar que ele entre nesse estado famigerado em nós, porque se essa fera entra no estado de famig, geração de avidez incontrolável de fome, Paulo diz: eles não se dominarão.
Isso não dá pra gente dominar quem carrega essa natureza. Paulo diz: coisa prática é casar, porque do contrário vai entrar num estado de existência incontinente, promíscuo, insatisfeito para sempre. Vai crescer cada vez mais e você vai se tornar aquela pessoa que não pode ver uma oportunidade que faz que não se segura nunca.
É neste contexto que Paulo diz que o casamento é melhor. Ele não diria isso hoje. Hoje eu tenho certeza, hoje aqui entre nós, eu não estou vivendo nenhuma opressão governamental para não casar, para isto, para aquilo.
As dificuldades que eu tenho, você tem, são de outra natureza: são estruturais, conjunturais, são circunstanciais ou são de natureza psicológica, espiritual, existencial, no máximo familiares. Mas nada que faça com que a gente tome uma deliberação de, em desejando viver uma vida como todos os humanos viveram aqui, ou seja, casando, tendo filhos. Não tô impedido disso, não tenho nada contra.
Naquele contexto onde o casamento podia ser um péssimo negócio por causa da perseguição vigente, por causa daquelas opressões externas, é que ele diz: não p. Nada moral, ético, existencial, só conjuntural. É que ele diz: é melhor casar-se nesse contexto.
Por mais que você vai enfrentar luta, perseguição, fugir com a esposa para lá ou para cá, não ter chão, ter uma mobilidade menor, mas ainda assim é muito melhor você casar nesse contexto no qual a gente está vivendo, que eu digo que é perigoso, do que viver abrasado. Porque viver abrasado pode tirar a solução da tua alma, porque é o caminho para perder o domínio e para se tornar um escravo da promiscuidade, da dissolução todos os dias da vida, ficar viciado nisso, incontinência. Quais são as suas incontinências?
Paulo tratou aqui da incontinência sexual. A Escritura fala da incontinência em relação aos alteradores de consciência. Os que se entregam à incontinência dos alteradores de consciência em geral, na Bíblia, são os que se entregam à embriaguez e perdem o controle.
Mas embriaguez é uma representação de todo tipo de alterador radical de consciência que pode fazer a gente perder o eixo e o descontrole. Tem gente que cai num estado de incontinência econômico-financeira; é aquele cara inseguro que ganha alguma coisa e entra num estado de descontrole, perdulário, no gastar, no gastar, no gastar. Ah, são tantas as formas de in.
. . [Música] VNV TV, o canal é.
. . [Música] Você h.
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