Conta-se que havia um filósofo, um buscador da sabedoria, que tinha dois discípulos, dois jovens discípulos e que eles eram tão bons, tão aplicados, que um dia ele chega pros dois e diz: "Olha, se vocês continuarem se aplicando ao conhecimento da maneira que tem feito até agora, um dia eu vou subir essa montanha com vocês, vou levá-los lá em cima e vou apresentá-los não a um filósofo como eu, mas a um sábio completo, um homem que já detém a sabedoria, já a encontrou em boa medida. Tem os jovens diante de uma expectativa como essa, imagina, eles ficam mais motivados que é possível para um filósofo ficar. Começam a se aplicar mais firmemente ainda na vivência daqueles ensinamentos, na prática daqueles ensinamentos e vão se desenvolvendo muito rapidamente.
Aí um dia o seu mestre diz: "Tá bom, vocês chegaram a um ponto que estão realmente merecendo o que eu prometi para vocês. Amanhã de manhã cheguem bem cedo que nós vamos ter uma caminhada longa, vamos subir à montanha. Lógico que nenhum dos dois nem dormiu aquela noite, né?
ansiosos, angustiados, quando amanheceu Deus do estrada na direção da casa do filósofo. Bom, aquela era uma região rural perto de uma aldeia e várias pessoas estavam caminhando para aquela aldeia para uma feira que acontecia lá todos os dias. E aquela feira matinal ia então um conjunto de de pastores carregando seus rebanhos naquela direção.
Próximo deles ia um jovenzinho, um adolescente, carregando o rebanho com vários animais, entre eles um porco. E esse porco tinha uma ferida na pata e caminhava mais lento do que o resto do rebanho. E o pastorzinho muito impaciente, porque ele tinha uma hora para estar na feira da aldeia e o porco atrasava todo o caminho, que aí ele batia com a vara no porco.
porco que já estava ferido, sofria mais ainda e andava mais devagar ainda e não tinha solução àquela situação. Aí havia entre eles, naquele grupo de pessoas, um ancião bastante idoso, com a cabeça já totalmente branca, mas com uma postura muito digna. Ele chega pro pastor e pergunta: "Eu posso carregar o porco?
" O pastor fica meio surpreso, um ancião, um porco grande, pesado. É carregar o porco. Ah, senhor quer carregar, pode carregar.
Ele se abaixa e coloca o porco nas costas e vai vê-se que ele fazia um grande esforço, mas vai carregando o porco com toda dignidade. Isso. Os dois jovens discípulos assistindo a cena, eles olham o pastorzinho dando sorrisos e olhares de de soslio para ele.
Eles vem que ele tá debochando do velho e achando aquela atitude ridícula. E olham pros olhos do porco. O porco tá aliviado da dor, mas não tem nenhuma gratidão.
Que gratidão não é própria de porco, né? Ou seja, nem o jovem tá grato, nem o porco tá grato, nem ninguém tá grato. E aí eles ficam pensando, mas por que será que esse ancião fez isso?
Será que é pelo porco? Será que é pelo jovem? Nenhum dos dois tem nenhuma gratidão por ele.
E chegam então à casa do seu mestre com aquela dúvida, contam a história para ele e perguntam: "Por que esse homem fez o que fez? Foi pelo porco ou foi pelo pastor? " Aí o filósofo para, pensa um pouco e diz: "Não foi por nenhum dos dois, foi por ele mesmo, porque como a sua consciência indicava para ele que isso era o justo, se ele não o fizesse todos os dias da sua vida, quando ele lembrasse desse fato, isso lhe doeria, ele lembraria que ele deveria ter feito aquilo que era justo e não fez.
Então ele não fez nem pelo porco, nem pelo jovem. Ele fez pela paz da sua própria consciência. por si próprio ele o fez.
Os jovens acharam a resposta muito boa, como em geral todas as respostas que o seu mestre dava era mais que suficiente para atender as inquietudes deles. E eles vão subir a montanha, né? E passam várias horas subindo aquela montanha que era escarpada.
Quando chegam lá em cima, a cabana, o velhinho, quem era o velhinho? Lógico, o velhinho que carregou o porco, né? Não podia ser outro, né?
Quando eles chegam, encontram velho, eles ficam meio surpresos, mas não falam nada. Passam um dia agradabelíssimo na companhia do sábio. Aprendem coisas que eles nunca tinham aprendido em toda a vida.
Uma maravilha. Já que cai à tarde, é o momento deles descerem. É uma caminhada relativamente longa, tem que descer rápido.
Aí o mestre o chama, eles vão despedir do velho. Aí ficou naquela, a gente pergunta para ele o episódio do porco. Ah, não sei.
Pergunta, não. Pergunta. Ah, vamos perder essa oportunidade.
Vamos perguntar. Aí eu sabe, tem algo mais que eu possa fazer por vocês? muito gentil, muito solícito.
Eles dizem: "Olha, senhor, já que o senhor tá perguntando, na verdade, a gente tem uma dúvida. Hoje de manhã a gente vinha subindo a montanha e vinha um rebanhozinho e tinha um jovenzinho com porco machucado, senor pegou, abaixou, colocou porco nas costas, carregou porco. " A gente já perguntou pro nosso mestre, ele já explicou pra gente, a resposta foi a contento.
Mas já que nós estamos aqui, nós gostaríamos de ouvir a sua resposta. Por, afinal de contas você ocorregou aquele bendito porco? Foi por causa do pastor, foi por causa do porco, foi por causa da sua própria consciência.
Por que foi que o senhor fez isso? Aí o sábio hoje de manhã, é hoje, hoje de manhã rebanho. É rebanho.
Porco é um porco grande assim, gordo. É, vocês me desculpem, viu? Mas olha a idade.
Eu já não tenho a memória que eu tinha antigamente. Eu não lembro dessa história desse porco. Eu gostaria de dar uma resposta para vocês, mas olha, a minha idade é terrível.
Eu não tô lembrando. Me desculpem, eu fico devendo essa resposta para vocês. João, tá?
Tá bom, obrigada. Vamos embora. Mas ficam perplexos.
Como é que alguém carrega um porco e esquece? Que coisa surpreendente. Eles descem silencioso, meio perplexos.
E o mestre deles numa postura totalmente diferente, como se tivesse refletindo, né? Lá pelo meio da descida, o mestre deles solta uma gargalhada. Eles dizem: "Bom, mais um louco".
O outro carrega pouco e não lembra. O outro ri à toa. Que que foi?
Que que aconteceu? O mestre diz: "Eu tô rindo de mim mesmo, da minha ignorância ao responder vocês. Porque eu respondi: "Por que eu carregaria um porco?
Eu, filósofo, carregaria um porco por quê? Porque se eu não o fizesse a vida inteira a minha consciência cobraria isso. Então eu me obrigaria a fazer aquilo que eu entendo como justo.
Agora ele é um sábio. Ele não se obriga a fazer aquilo que é justo. Ele faz com tanta naturalidade que a memória dele nem registra.
É como se você perguntasse para alguém quantas vezes ele respirou hoje ou quantas vezes piscou hoje ou quantas vezes bebeu água. né? Sendo tão natural nele, é uma expressão tão natural do seu ser que a memória nem registra como um fato digno de nota.
Ou seja, eu respondi a vocês porque que um filósofo carregaria um porco? Um sábio carrega um porco pelo que ele é. Isso é tão natural que ele nem sequer o recorda.
Sei se vocês percebem o que tá implícito nisso, porque se você olha de fora as duas situações, um filósofo ou um sábio, quem olha de fora não saberia distinguir, porque todos os dois estão carregando porco, não é isso? Agora, se você olha por dentro, a diferença é muito grande. Como o filósofo carrega o porco?
Que porcaria, hein? Por que que eu tinha que encontrar com esse porco hoje? Por que que eu não peguei outro caminho?
Esse miserável desse porco. Não, mas deixa eu carregar. Eu tenho que carregar o porco.
Mais que droga. Como pesa esse porco além de mais um porco obeso. Que coisa horrível.
E fed. Eu vou chegar com a roupa toda emporcalhada, mas deixa eu carregar o porco. Ou seja, dentro ele tá em guerra, ele está em luta consigo mesmo, mas por disciplina ele impõe a conduta reta, não é isso?
E o sábio faz com tanta naturalidade que para ele não existe outra possibilidade que não carregar o porco. Então ele tá totalmente pacificado, não tem dúvidas. É tão natural que a memória nem sequer registra.
Agora, como você acha que você passa de uma condição de filósofo a outra de sábio? Carregando mil vezes o porco por disciplina. Um dia carregará o porco por natureza, por princípio, pel aquilo que é.
De tanto praticar as virtudes por disciplina, um dia será as próprias virtudes e não terá outra possibilidade na tua vida se não agir segundo as virtudes. Estarão incorporadas e farão parte do teu próprio ser. Então acho muito interessante essa história porque mostra claramente as duas condições.
As virtudes impostas por disciplina, por um ato de consciência e de vontade, e as virtudes incorporadas como atributo do próprio ser. Uma é a transformação, a outra é a transmutação. É mudança total da natureza do ser que se torna ele mesmo a própria virtude.
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