nesta primeira aula do nosso curso é natural que você questionem o que é Afinal escrita criativa Mas nós vamos começar pelo contrário vamos começar dizendo o que não é escrita criativo escrita criativa não é escrever com criatividade criatividade é um conceito muito vago então escrita criativa não é simplesmente escrever com criatividade escrita criativa também não é literatura os conceitos de literatura criação literária escrita criativa se confundem em diversos momentos só que escrita criativa é um conceito um pouco mais amplo do que o conceito de literatura inclusive há pessoas que acham que literatura é aquele texto
mais acadêmico mais formal espécie de um Saramago e escrita criativa é mais solta é mais livre é qualquer texto de ficção não gente a literatura embora haja discussões sobre isso um texto narrativo ficcional é considerado literatura se a boa literatura uma literatura é outra questão mas até em função desse tipo de discussão que a literatura trouxe para si ao se institucionalizar né a ouvir para escola e dizer que tal o livro é bom tá o livro não é bom que Paulo Coelho não é literatura que o Fulano não é literatura enfim a literatura até ao
trazer esse tipo de discussão para dentro de si ela abriu espaço para que o conceitos criativa que é um conceito mais abrangente mais aberto ganhasse força e hoje fosse dominante nos cursos de escrita nos cursos de literatura nos Estados Unidos há muitos anos existem os cursos é no Brasil que esse conceito chegou a menos tempo e tem hoje se fortalecido muito inclusive com cursos de graduação mestrado doutorado em escrita criativa Mas voltando então ao que a escrita criativa E por que a escrita criativa não é simplesmente literatura a literatura é ela trabalha com gêneros como
conto crônica poesia aí alguns autores admitem que trabalham com roteiros de cinema roteiros de games já escrita criativa ela vai lidar também com um conto com crônica de cinema roteiro de games Mas o que está criativa vai lidar também com a não ficção ela pode lidar com o texto publicitário Então ela ela tem um guarda-chuva mais amplo ela vai lidar com um texto de games texto de quadrinhos texto de cinema texto de televisão ela vai ter um guarda-chuva mais amplo em que ela vai abarcar os textos de literatura tradicionais e outros gêneros poéticos que surgiram
ao longo do tempo e aqui eu usei um termo que eu vou usar bastante ao longo do curso o conceito de poética existe um texto do Aristóteles aquele filósofo grego bastante conhecido chamado poética isso esse texto foi escrito 300 Anos Antes de Cristo eu texto mais antigo sobre a escrita que a gente tem notícias e na poética do Aristóteles ele vai dizer que existem três modos poéticos o narrativo o dramático e o lírico e esses três modos poéticos Aristóteles eles são modos que buscam provocar efeito que o objetivo deles não é representar a realidade pode
representar a verdade o objetivo deles é provocar um efeito no leitor que é o efeito da catálise que a gente vai falar sobre ele mais para frente então o mesmo Aristóteles na época tinha escrito outro livro chamado retórica no livro retórica Aristóteles vai falar sobre os textos argumentativos sobre os textos políticos sobre a arte de argumentar que na época dos gregos era muito valorizada ali que tem conceitos como sofismo sofistas e tal pois bem então Aristóteles tem dois textos muito importantes e dois conceitos muito importantes retórica e poética Eu costumo dizer simplificar um pouco isso
dizendo que são textos escritos para convencer e textos escritos para emocionar pois o texto criativo ele é um texto escrito para emocionar a escrita criativa seria a herdeira da poética de Aristóteles com todas atualizações necessárias para o tempo que passou de lá até aqui então o que que é escrever para emocionar escrever para emocionar é porque escrever para provocar tesão medo raiva reflexão melancolia não apenas fazer chorar pode ser fazer rir pode ser fazer a pessoa levanta da cadeira e tomar uma atitude então escrever para emocionar e escrever para atingir um leitor atingir um público
não apenas fazer chorar mas causaram Uma emoção o texto para convencer ele já tem um outro objetivo ele quer convencer a pessoa de alguma coisa independente se ela vai ela vai agir o texto o texto poético ele vai tocar mais no coração ele vai emocionar ele vai sensibilizar enquanto o texto para convencer o texto retórico ele vai tocar mais no racional mais no cérebro é outro tipo de movimento que se faz então os textos descrita criativas são herdeiros desses textos poéticos da época do Aristóteles Além disso além de ver a escrita criativa como um gênero
textual nós podemos ver a escrita criativa como uma técnica e esse é o caminho que eu vou seguir ao essa oficina especificamente Como assim escrita criativa como uma técnica então a técnicas consagradas pelos textos poéticos pelos textos criativos que podem ser utilizadas em textos de outras áreas tanto nos textos para convencer quanto nos textos informativos ele escrever para informar é uma forma de escrita que surgiu depois do Aristóteles uma forma relativamente recente na história da humanidade essa escrita para informar que são os textos acadêmicos os textos jornalísticos bem então esses textos não ficcionais eles têm
muito a aproveitar as técnicas escrita criativa mesmo profissional que trabalha no dia a dia numa empresa escrever textos para clientes ou para site enfim textos institucionais Ele tem muito a aproveitar das técnicas que está criativa aquela pessoa que tá fazendo um texto acadêmico que está escrevendo um texto acadêmico numa TCC uma dissertação enfim Ela também tem muita aproveitar das técnicas escrita criativa então a ideia de trabalhar essa criativa como técnica ela vai além próprio gênero isso não precisa querer fazer ficção querer fazer conto poesia ou crônica para fazer um curso de escrita criativa nós podemos
simplesmente querer escrever de forma melhor mais técnica mais consciente obtendo melhores efeitos e melhores resultados Como assim que tipo de técnica que a gente pode utilizar num curso escrita criativa para escrever textos de outras áreas outros gêneros técnicas de narratividade para que nós possamos contar uma boa história para que as histórias que nós temos que contar no nosso texto possam ser histórias mais interessantes por leitor refletir sobre a linguagem a linguagem é um tema muito importante em qualquer tipo em qualquer gênero de texto Então refletir sobre a linguagem que a linguagem coloquial linguagem culta Quais
são as variações de linguagem essa reflexão ela vai ser importante vai ser essencial para a escrita mais consciente trazer essa ideia de que a gente deve escrever com técnicas com consciência a inspiração à disposição elas precisam estar aqui mas o que vai nos fazer escrever um bom texto técnica é a capacidade de observar como transformar uma frase como deixar aquele trecho mais ou menos interessante que palavra utilizar que sinônimo de utilizar para não repetir uma palavra então escrever com mais consciência mais consciência e menos intuição acredito que isso já é uma grande diferença para quem
vai fazer uma oficina escrita criativa escrever depois os próprios textos técnicas de revisão de releitura eu sempre digo que a gente escreve em três momentos a gente primeiro planeja depois escreve e por fim reler revisa na escrita criativa Isso é uma regra isso é obrigatório mas em outros tipos de texto em outros gêneros isso pode ser muito útil e pode só esse simples fato da pessoa planejar antes e depois de escrever ela Releia o próprio texto já pode tornar o texto melhor mais interessante Então as técnicas que está criativa que os Escritores utilizam para fazer
ficção elas vão ser úteis para qualquer pessoa escrever qualquer tipo qualquer gênero de texto e essa esse é um dos viéses possíveis para se estudar criativa e aqui no curso é um viés que nós vamos lidar então trabalhar que está criativa em resumo é pensar nos gêneros escrita criativa e pensar na técnica da escrita criativa para extrapolar e escrever qualquer tipo de texto qualquer gênero de texto é muito comum se confundir o termo escrita criativa como termo literatura nós mesmos trabalhamos com dois tipos de oficina a oficina descrita criativa e oficina de criação literária Qual
a diferença entre os dois quando eu pergunto isso os participantes dos meus cursos muitos respondem que a criação literária é mais séria é aquilo que é mais acadêmico precisa ter uma qualidade melhor E quanto a escrita criativa é mais livre é mais lúdica pode ser até mais comercial essa definição ela não é correta o termo literatura ao longo dos anos foi muito institucionalizado Muitas universidades trabalham com esse termo o vestibular tem uma prova inteira sobre literatura em geral valorizando os cânones ou seja aqueles livros que se tornaram reconhecidamente aprovados pelas instituições para serem trabalhados como
bons exemplos do que é literatura nós não vamos agora entrar no mérito de questionar problematizar esses conceitos sobre o que é estrutura O que é boa ou uma literatura se dá para falar nesses termos mas nós podemos perceber que o termo literatura ele está muito ligado aos grandes nomes aos grandes autores e muitas vezes o escritor iniciante ele não se sente escritor ele não se sente fazendo literatura por causa desse tipo de por causa desse tipo de questão por causa desse tipo de tradição do peso que a literatura traz para o escritório iniciante Então hoje
na academia você tem que discutido muito o próprio termo literatura o J cooler por exemplo gosta de trabalhar com o termo do Jacob são chamados literariedade características propriedades literárias barra poéticas que um texto tem independente ele vai ser classificado ou não como literatura mas para simplificar essa conversa eu gosto de dizer que literatura é arte da palavra Assim como nós temos a música que a arte do som a pintura que a arte da tinta A escultura que a arte da forma nós temos a literatura Como a arte da palavra A grande questão é o que
é arte Paulo Coelho é literatura Paulo Coelho é arte o autor de não ficção como Laurentino Gomes é literatura é arte o uso como Renato Russo as suas letras são literatura são Artes então para não entrar nesse tipo de detalhe esse tipo de questão que é muito mais teórica do que prática nós nos vamos usar o termo escrita criativa Não há dúvida que as letras de música do Renato Russo ou mesmo que os textos do Paulo Coelho São textos de escrita criativa a Marcela mas eu não acho que falou com ele seja criativo pelo contrário
acho que ele utiliza muitas técnicas já foram usadas ele é muito Clichê bem mas em termos de gênero nós estamos falando escrita criativo então como eu falei anteriormente escrita criativa não é escrever com criatividade uma pessoa que se propõe a fazer um poema e ela faz um poema rimando ão com ão João balão etc ela vai fazer um poema ruim um poema que não é criativo mas que está classificado dentro da escrita criativa Assim como nós temos músicas as músicas ruins quadros bons quadros ruins enfim como qualquer área nós temos aquilo que tem maior Ou
melhor qualidade estética acabamento um conceito muito importante da poética do Aristóteles é o conceito de Catarse é fundamental que quem faça uma oficina de escrita seja uma escrita literária ou não entenda o que é Catarse Catarse para Aristóteles é a purgação da alma a partir de um drama você não vai explicar isso com exemplos quando uma pessoa vê um filme por vezes ou ler um livro ela chora chora chora Eu lembro que eu tava na saída do cinema naquele filme A Culpa é das Estrelas e uma menina chorava chorava chorava e perguntei mas tu gostou
do filme Adorei o filme como a gente pode gostar de algo que nos emociona de algo que nos faz chorar de o que mexe tanto com a gente isso é a tal purgação isso é tal catase uma das formas de explicar cartazes é comparar purgantes você sabe né O que é um purgante antigamente se fazia uma sangria antigamente a pessoa tinha uma doença uma febre os médicos tiraram sangue tiraram sangue tiraram com esperança de que junto com sangue bom saísse a doença saísse a bactéria enfim o problema que ela tinha então a purgação via catálose
é como a gente pega uma pessoa que tem um trauma isso a psicanálise também nos ensina e a pessoa ao invés de esconder aquele trauma ela fala ela fala ela fala ela chora ela expurga aquele drama aquele trauma a partir da fala isso é catártico e a ficção ela tem esse poder nos leitores as espectadores que é o poder catártico nós enfrentamos nossos medos nós desafiamos os nossos maiores Monstros nossos maiores traumas a partir da ficção sem precisar estar correndo risco real né Afinal aquilo tudo é uma história então a Catarse é essa Purificação das
Almas a partir da descarga emocional provocada por um dano Aristóteles na poética foi tão específico e esse texto gente de 300 Anos Antes de Cristo é um texto te conhecido Que ele vai nos ensinar como é possível leitor a sentir a Catarse a ter a Catarse e ele vai falar sobre a tragédia então para Aristóteles o herói e herói aqui é alguém que tem de mais para o bem do que para o mal não é um super-herói que nós temos hoje é uma pessoa um protagonista que tem demais para o bem do que para o
mal para que haja a identificação do leitor com esse herói pois o herói ele precisa partir da Dita que é da felicidade para desdita para infelicidade ou seja o herói precisa começar a história bem saudável feliz e terminar a história infeliz em geral nas tragédias como a gente sabe eles terminam motos Afinal são tragédias né Pois então essa passagem da felicidade para a infelicidade ela não pode ser casual ela não pode ser aleatória ela deve acontecer por uma desmedida desse herói que é uma desmedida desmedida é uma ação trágica é uma ação consciente ou suficiente
que o herói toma e faz com que ele chegue ao fim trágico faz com leve isso leve ele a tragédia vamos pegar como exemplo Romeu e Julieta Shakespeare Ele usou muito dessa estética dos gregos das tragédias gregas mas trabalhou com temas mais contemporâneos por isso shakespere até hoje é uma referência tão importante se você não tem um hábito de ler textos os Shakespeare muito a pena ainda mais que as traduções no Brasil são muito boas muito leves e muito contemporantes pois bem Romeu e Julieta Romeu e Julieta começam a história felizes jovens bonitos livros ricos
filhos de rei né eles são das pessoas que estão felizes estão na Dita e eles terminam bem mortos né ele se suicida duas vezes para mostrar que eles realmente queriam esse fim mas o que levou eles a tragédia que levou eles ao suicídio Qual foi o erro trágico de Romeu e Julieta o amor olha que bonito né ele conseguiu construir uma história e que o erro trágico é o amor O amor é consciente o amor é inconsciente enfim o fato é que se apaixonar fez com que ambos acabassem tendo aquele fim e isso é extremamente
trágico extremamente catártico porque o leitor se identifica com os personagens e ao terminar o leitor ele tá triste mas ele está reflexivo ele está mexendo é como se a Catarse entrasse dentro de nós e mexesse com que há de mais humano dentro de nós e isso é muito forte isso é muito profundo tanto que nós jamais esquecemos as histórias que nos emocionaram e que mexeram conosco porque elas nos transformaram elas tornaram o que nós somos hoje mas Aristóteles vai além ele vai dizer que não pode o herói sair da infelicidade para felicidade porque isso provocaria
satisfação não catasse ele vai dizer que o vilão não pode sair da felicidade para a infelicidade porque isso também provocaria satisfação e Aristóteles ainda vai dizer que o vilão não pode sair da infelicidade para a felicidade porque isso nos causaria repugnância gente tem que entender que Aristóteles está escrevendo isso 300 Anos Antes de Cristo ou seja há mais de 2.300 anos atrás de lá para cá muita coisa aconteceu obviamente no mundo na arte na cultura e hoje nós temos uma fórmula que é muito interessante que é a fórmula do Herói ou do Mocinho ou da
Mocinha que começa infeliz começa na pior e termina feliz vamos usar como exemplo Branca de Neve Branca de Neve começa sendo expulsa de casa mandada para morrer e termina feliz para sempre aqui nós não vamos discutir o que é esse final feliz casar com príncipe da submissão Isso é uma questão muito interessante muito importante mas não é neste momento que nós vamos tratar disso vamos concentrar agora no fato de que uma heroína Branca de Neve começou a infeliz e treinou feliz essa fórmula se repete em diversas histórias da Disney inclusive algumas histórias da Disney que
você sabe que a Disney utilizou histórias que já eram histórias populares muitas compiladas pelos irmãos Grimm pois muitas dessas histórias não tinham sinais felizes e nas versões da Disney os sinais são adocicados para que ele se tornem mais leves se torne mais palatáveis e haja essa lógica do Final Feliz da infelicidade para a felicidade O que são as histórias de heróis que a gente vê tanto hoje em dia são personagens que começam ou anônimos ou a terra correndo risco ou eles correndo algum tipo de risco de ameaça ou psicologicamente abalados e terminam como os grandes
salvadores da humanidade com finais felizes finais gloriosos glorificantes Então essa fórmula que é a fórmula antitragem né de partir da infelicidade para a felicidade é o que eu chamaria de entretenimento então nós temos hoje duas grandes forças Além da Força da Catarse que é uma tradição aristotélica extremamente antiga e muito forte nós temos uma força muito grande de hoje na cultura do entretenimento claro que a Catarse entretenimento eles podem coexistir existe uma peça de teatro aqui no Rio Grande do Sul chamada Bailey na curva Ela é maravilhosa e um dos motivos é que a gente
ri muito acho que foi a peça de teatro que eu mais ri na minha vida mas no final a gente leva um soco ela é catática Ela tem uma temática ela provoca um efeito muito perturbador e muito interessante dá para citar também aquele filme controverso mas muito premiado A vida é bela a vida é bela é um texto aparentemente neve que nos entreten que nos faz rir mas que tem uma volta dele tem um subtexto muito forte e que é se catártico embora haja essa controvérsia em cima da forma como ele diminui ou tenta fazer
graça com algo tão sério como foi a Segunda Guerra Mundial Mas enfim nós temos Então hoje não apenas a catálose como entretenimento e são dois pesos muito importantes não dá para a gente escrever literatura escrever ficção ou escrever um livro de não ficção hoje pensando ignorando o entretenimento ignorando o fato de que há várias histórias aí que prendem o leitor então nós precisamos no nosso texto prender o leitor nós precisamos atrair leitor nós precisamos entregar para o leitor um pouco de entretenimento um pouco de satisfação mesmo que nosso objetivo seja provocar nele a catálise provocar
nele o efeito é possível conciliar as duas coisas é possível é necessário e é desejável sobre entretenimento existe um livro muito interessante do Mário várias louças chamado a civilização do espetáculo uma aula nós vamos colocar um tópico sobre ele o Vargas vai problematizar o excesso do entretenimento segundo ele hoje a cultura a política até o erotismo foram convertidos e entretenimento e isso tira deles um certo peso tira deles uma certa profundidade tornando tudo muito superficial muito efêmero eu não vou entrar agora nas discussões políticas acerca disso elas são muito interessantes agora pensando como literatura pensando
como cultura existe sim muita gente que escreve textos extremamente leves e descartáveis Você vai dar o exemplo da pipoca e do refrigerante a própria refrigerante era nos causam prazer momentâneo Um prazer efêmero mas elas não deixam nada dentro de nós em termos de nutrientes para o organismo Então existe esse tipo de literatura um tipo cultura o tipo de arte produzida hoje que é meramente um passatempo aqui não estou para julgar ninguém Então nós não estamos querendo que você deixe de fazer essa arte passar tempo não há mal nenhum nisso mas será que não é possível
já que nós queremos fazer um texto criativo um texto que provoca efeito além do passatempo trazer algo mais profundo mais original que inquiete que provoque Que permaneça no leitor porque aqueles textos que são puramente entretenimento que são puramente passatempo eles são esquecidos O que é Afinal essa tal inspiração existem as musas inspiradoras bem primeiro eu gostaria de dizer que sim existe a inspiração as musas inspiradoras já é outra questão acho que não apenas musas como diversas outros elementos nos inspiram o conflito nos inspira a tragédia social nos inspira o crime nos inspira medo nos inspira
Mas é claro que existe a inspiração vamos chamar inspiração de uma vontade quase incontrolável de escrever então a gente pode chamar trocar a palavra inspiração pela palavra disposição vontade e todos nós que estamos assistindo um vídeo sobre escrita criativa já temos dentro de nós essa disposição essa vontade a vontade de escrever a inspiração ela já está em nós não precisamos buscá-la Nós não precisamos ficar aguardando surgir a inspiração para escrever um texto a maioria de nós não é profissional na escrita então elas escrevemos nos momentos que nós queremos que nós sentimos necessidade de escrever é
diferente de um Jornalista que todo dia precisa fazer uma crônica por exemplo ou não romancista que tem um prazo para entregar um livro para eles Pode sim faltar a inspiração que nada mais é do que faltar à vontade qualquer profissional às vezes acorda de manhã e não tem tanta vontade assim de trabalhar e aí se torna um drama E aí é preciso invocar as musas inspiradoras da vontade de trabalhar mas para quem não é profissional para quem escreve por prazer para quem escreve eventualmente para quem não tem essa obrigação de cumprir prazos tão fechados tão
apertados a inspiração não é uma questão a inspiração não é um problema pelo contrário por muito tempo as pessoas acharam que como escritores são baseados em inspiração Eles não precisam de técnica Eles não precisam de transpiração o que a gente sabe hoje que não é verdade basta olhar o músico o músico ele precisa estar inspirado para compor inspirado para fazer um Show caso ele tem muita técnica esses cantores famosos ganha muito dinheiro sei lá Michel Teló por exemplo Eles estudaram e estudam até hoje diariamente composição questão de voz vocal instrumento um estudo na música na
pintura no teatro é muito valorizado sempre foi na literatura na escrita criativa curiosamente não se tem essa tradição tão grande de estudar quer dizer não aqui no Brasil né Estados Unidos já existem cursos há quase 100 anos pelo menos 50 60 anos já existem cursos formais em universidades escrita criativa nós voltando a questão da inspiração e da transpiração ou da vontade e da técnica técnica sem vontade não funciona aí a gente percebe aquele texto que é um texto para cumprir tabela que é um texto frio que é um texto sem paixão mas também não funciona
e o resultado é pior ainda quando nós temos vontade mas não temos técnica é só um despejar de ideias no papel às vezes nós ficamos iludidos que autores como Clarice Lispector Caetano do Abreu despejavam suas ideias no papel e saíam textos maravilhosos mas primeiro eles fizeram isso depois de muito estudar muito ler muito escrever muito ouvir feedbacks críticas e tal e aperfeiçoar seu próprio texto segundo Muitos daqueles textos publicados como se fossem feitos de uma sentada passaram por edição passaram por revisão os próprios autores podem ter modificado aqui ele os seus textos então a transpiração
a técnica ela é fundamental E aí entra um conceito que eu gosto muito de falar quando a gente escreve por inspiração quando a gente escreve de uma forma um pouco mais automática Nós escrevemos muitas coisas de forma inconsciente nós não temos domínio do nosso próprio texto é como se fosse um cavalo andando a revelia e a gente lá em cima se equilibrando e tentando dar alguma ordem alguma direção para esse cavalo o nosso objetivo com oficinas com cursos com vídeos como esse é que vocês dominem esse cavalo que vocês Tragam para o consciente questões de
escrita que são inconscientes porque usar a palavra adentrar e não usar a palavra entrar porque usar uma frase com quatro cinco linhas porque o título da história vai ser este e não vai ser aquele porque a personagem se chama Clara e não se chama Mariana porque o personagem daquela cena é uma mulher e não é um homem enfim são diversos infinitos questões técnicas que a gente se depara ao longo de um texto essas questões estéticas né que dão a forma do texto e a gente precisa tomar consciência delas a gente precisa fazer as de forma
consciente o mais consciente possível e não deixar que a inspiração nos domine Gui nosso texto e por vezes não nos deu o rumo não nos dê controle sobre a própria história aí vocês vão me dizer assim mas Marcelo Isso vai tornar o processo de escrita insuportável porque imagina se a cada frase tinha que parar e pensar no que eu tô escrevendo gente Nós escrevemos de três momentos eu costumo dizer que há três momentos três fases para se escrever um texto O primeiro é o planejamento o segundo é a escrita de fato quando a gente senta
Bota a cara no papel ou liga o computador e escreve o terceiro é a reescrita é a releitura é muito importante é fundamental que o autor Releia o texto que escreveu então o momento de fazer essa reflexão técnica não é no momento do planejamento embora ali claro que pode ser feito não é um momento da escrita é no momento da releitura é um momento de nosso texto e pensar porque será que eu usei o nome Clara e não usei o nome Mariana acho que nesse caso funcionaria melhor Mariana e assim a gente vai construindo nosso
texto refletindo sobre ele depois do texto está escrito claro que com o tempo a gente começa a pensar nessas coisas já na hora de planejar o texto Então na hora do planejamento a gente já começa a problematizar porque que ele vai tomar essa atitude querendo ter um exemplo é muito comum histórias que começam dizendo que eles estavam nos Estados Unidos estavam na Irlanda e os personagens não tem nenhuma cara de Americana irlandês eles não agem como americanos a pessoa que escreveu talvez nunca tenha pisado na Irlanda ou nos Estados Unidos porque ambiental nesse lugar é
funcional é importante para a história eu também gosto de dizer que tudo num texto precisa ser funcional tem uma função para provocar o melhor efeito possível então a técnica é isso a técnica é claro conhecer técnicas possíveis se aplicar porque há pessoas que sequer sabem que existe uma sinestesia que aquela possibilidade aquela técnica aquela figura de linguagem e se misturar Sensações o tato olfato Paladar e a visão Enfim então a pessoa quando conhece um conceito como sinestesia ela amplia o seu acabou osso técnico é como se naquela paleta de cores ela ganhasse uma cor nova
para poder utilizar no seu texto Mas além disso tendo técnica ela vai conseguir fazer escolhas ao longo do texto que torna ele mais interessante provoca um efeito mais interessante consigam ser mais precisos para o leitor isso no fundo é o que a gente quer nosso texto seja forte Impact e chegue né atinge o nosso leitor então eu não desprezo a inspiração a inspiração é muito importante a inspiração é a vontade é a disposição é o tesão a gente precisa disso vai adiante para escrever para aguentar as dificuldades que tem nesse meio da escrita como em
qualquer outro meio agora a inspiração a disposição sem técnica Sem trabalho sem transpiração sem releitura ela é inocula Ela vai acabar frustrando muito quem escreve por uma questão de vaidade achar que o texto sai pronto eu morro de medo quando eu ouço alguém me dizer Marcelo ontem à noite fiquei sem dormir Tive uma noite insônia e escrevi um livro inteiro olha que maravilha fez um livro inteiro e uma noite gente não se constrói uma casa não se constrói um prédio não se constrói uma história em uma noite nós podemos ter a inspiração da história e
essas anotações da noite insônia da pessoa pode ser ótima para o planejamento pode ser um ótimo ponto de partida mas escrever é muito mais complexo do que isso e As Histórias Que nós amamos Que Nós lembramos que nós gostamos Com certeza foram escritas de forma muito mais complexa do que uma noite de insônia Então se tivesse uma fórmula para pensar escrita a fórmula é transpiração e inspiração técnica e vontade juntos sempre para que a gente possa fazer textos mais interessantes para o leitor e provocar um efeito nesse leitor muito obrigado pela atenção de vocês e
até a próxima [Música]