o Olá pessoal bem-vindos a introdução a antropologia EA gente vai continuar falando sobre o método da pesquisa antropológica mas se lá no Malinoski e tava falando do que quero desafinho de se produzir um conhecimento antropológico sobre um povo muito distante uma realidade muito distante daquela do pesquisador a pesquisa antropológica ao longo do século 20 foi se transformando e se voltando cada vez mais para realidade próximas daquele do mundo de origem dos pesquisadores e essa esse é o assunto da nossa aula de hoje como fazer pesquisa Quais são os desafios fazer pesquisa nisso que a gente
conversou no chamar de sociedades complexas as sociedades modernas e enfim um universo de onde E essa ciência antropologia surgem e os pesquisadores em geral o forno antes então como é estudar um mundo social próximo ao nosso isso traz também uma série de desafios e e um bom uma boa introdução é isso é esse texto do Gilberto velho observando o familiar o Gilberto velho é um antropólogo brasileiro e infelizmente já falecido recentemente e e é um dos que melhor representa uma área da antropologia que se marcou pelo estudo do fenômeno Urbano da construção mesmo da sociabilidade
nas cidades e então é natural que ele aqui Escreva sobre os desafios de estudar o mundo que ao mundo no qual praticamente todos nós crescemos nos formamos e conhecemos bem que ela esse universo da sociabilidade Urbana moderna uma sociedade e de mercado complexa e no eu pessoalmente da antropologia brasileira Passo dos anos 70 e 80 e você começa a cada vez mais a voltar o instrumental metodológico e teórico da antropologia que até então tava mais sentado para sociedades muito diferentes da nossa para nossa própria sociedade isso tem a ver E no caso específico da topologia
brasileira com a nossa história recente mas ele topologia brasileira e ela ela se forma nos anos 50 e 60 muito voltada ao estudo das sociedades indígenas e mas nos anos 70 e vocês devem saber disso tudo bem né o país vivia um período de uma ditadura militar e muito muitos muitos intelectuais e comprometido tô pensando da sociedade brasileira em várias áreas das Ciências Sociais tentava entender esse fenômeno e da da Ascensão do autoritarismo e da instituição de uma ditadura militar e pensar alternativas e entender as formas de organização social para resistência a uma ditadura militar
no país e e muitas muitas vezes aplicando as teorias da sociologia e tal e se imaginava que organização Popular rapidamente derrubaria a ditadura militar e tal e isso não aconteceu Então muitos intelectuais na área das em suas Essa era uma Espera aí mas esperávamos que as coisas fossem tomar um rumo e não tomaram tomar um outro talvez a gente não entenda muito bem como é que as pessoas dessa nossa sociedade estão pensando e vivendo a sua vida talvez a gente teve um pouco distante desse universo local onde a vida se dá a cidade complexa como
a nossa e antropologia EA Justamente a disciplina treinada para se aproximar de outros mundos de outros universos e às vezes universos muito próximos socialmente desse grupo de intelectuais né e de pensadores mais distante o próximo fisicamente mais distante socialmente né então começa a crescer dentro por hoje o interesse por estudos nos grupos populares urbanos e de formas distintas como marginais organização social e E aí as cidades começam a virar também foco de interesse no estudo antropológico e e o Gilberto velho fez uma pesquisa sobre ele relata aqui no texto né morando no edifício no Rio
de Janeiro tipo como um edifício conturbado né de classes em caixas de gente não convencional havia consumo de drogas e tal e e ele vai para lá para entender a sociabilidade daquele grupo tentando fugir dos preconceitos que a sua própria condição de classe intelectual de classe média-alta Urbana e tal tinha em relação aqueles outros né E aí ele vai vendo como que mesmo na nossa sociedade é muitos outros distintos da daquele Universo no qual nós nos formamos e e é um pouco isso que ele tá tematizando aqui quando fala nessa ideia de uma distância social
e que produz um autoridade uma necessidade de buscar compreender o outro que mesmo convivendo na mesma sociedade que o pesquisador habita mundos muitas vezes distintos E isso se relaciona compreendesse os mundos distintos a O que dizia lá uma ali nós que sobre a necessidade nós nos familiarizarmos com aquilo é estranho mas o problema é que não é totalmente dando o Zé totalmente estranho esses outros mundos já são de alguma forma parte da nossa paisagem e nós estamos acostumados a vi o olhando convivendo diferentes maneiras com segmentos sociais os mais diversos no nosso dia a dia
na cidade numa sociedade Urbana numa sociedade mesmo fora do ambiente Urbano na sociedade integrada suas ficar tá muito integrado nós nós convivemos com muitos muitas pessoas e grupos sociais muito distintos dos ossos mas nós convivemos com essas pessoas e colocando elas num determinado lugar no nosso mapa mental E é isso que ele quer dizer essas pessoas nos são familiares não são totalmente exóticas não são problema vezes né então já tem um conjunto de conhecimentos sobre essas e aqueles que eu aprendi e fui construindo ao longo da minha vivência nessa sociedade a partir do meu lugar
nessa sociedade né E esses conhecimentos são conhecimentos portanto localizados e marcados pela minha perspectiva dentro dessa mesma sociedade e não são portanto os conhecimentos que o antropólogo quer buscar não são os conhecimentos dessas pessoas sobre elas mesmas são os meus conhecimentos de um cidadão posicionado aí sobre elas então para isso além de me familiarizar com o diferente eu tenho que estranhar primeiro aquilo que me é familiar e fazer um esforço de desconstruir E essas esses conhecimentos prévios que eu tenho sobre esses outros porque ele certamente vão me impedir de entender o outro nos seus próprios
termos antropologia tem importante um duplo movimento na produção e ao mesmo tempo que a gente vai se familiarizar com aquilo que nos é estranho nós temos primeiro estranhar aquilo que nos é familiar especialmente um contexto que não seja mais próximo e E aí os desafios são muitos primeiro a gente tem que tentar desconstruir os mapas que já organizam a nossa visão de mundo sobre aquele grupo com qual a gente vai estudar o pesquisar a gente se localiza no mundo isso todos nós seres humanos a partir de noções pré-estabelecidas que nos permitem e identificar o sentido
das ações dos outros e a gente aprende isso desde pequeno e isso vai ficando ali sedimentado na nossa forma de ser e de estar no mundo e é isso e esse é o conjunto de um conhecimento e de valores de a tentações do mundo que o Gilberto velho tá vendo aqui que é feito dentro de uma hierarquia nós valorizamos mais algumas coisas e menos outras e isso precisa ser de alguma forma desmanchado para você poder entender o outro nos termos do outro se o outro é muito que já habita o teu universo mental e Então
esse é um primeiro desafio e um segundo e que é fundamental para a gente poder entender a por quê que o outro age como age a partir do mundo que esse outro habita que não é o meu mesmo que a gente esteja na mesma sociedade então por exemplo quando se começou a fazer pesquisa com o populações rurais no Brasil e na própria logia nos anos 70 isso era muito muito crescente os estudos de campesinato né é uma das coisas que o discurso normal dos intelectuais da citadinos né sobre as populações é que eles tinham muitos
muitos filhos né é isso não era bom a ter menos filhos é como se tem muitos filhos fosse uma atitude pouco lógica o pouco pensada desses grupos e quando você se esforça para entender Qual é o sentido que as atitudes das pessoas tem no mundo que elas habitam você começa a ver que no universo camponês faz todo sentido ter muitos filhos porque muitos filhos são muitas inchadas então para aquelas pessoas Aquilo é uma ação lógica e faz todo sentido mas para entender isso você precisa mergulhar no universo daquelas pessoas a partir da sua visão de
mundo delas e não da sua não é preciso um esforço de desconstruir a sua representação do que que seja um uma atitude um comportar É lógico adequado não é no mundo moderno porque o mundo moderno comporta muitos mundos dentro dele né E mesmo esse mundo camponês está Estava inserido no está até hoje não moderno mas tem lógicas próprias que fazem todos que fazem que dão todo sentido para as atitudes que as pessoas que habitam aquele mundo ali dentro tem e você como pesquisador dessa mesma sociedade mas estudando aqui é aquele grupo tem que desconstruir os
seus preconceitos sobre aquele grupo para conseguir entender o porquê das pessoas agirem como agem E aí você vai descobrir que agem de maneira perfeitamente lógica aquilo que antes parecia uma atitude irracional antieconômico até um peso para a vida familiar Tem muitos filhos e tal começa a ganhar outro sentido que algo mais próximo do sentido nativo do por quê que aqueles grupos aquela e domésticas desejam ter muitos filhos quando você tem o processo de êxodo rural nos anos 70 e 80 o inchaço das grandes cidades e antropologia vai estudar essas periferias urbanas as Vilas favelas Você
nota que essa prática de muitos filhos e transforma mas ainda assim essas camadas populares urbanas costumam ter muito mais filhos do que aquela família de classe média da Qual vinho inclusive muitos os pesquisadores os antropólogos quase um essas pesquisas Mas e aí então Não tem lógica é só um vestígio remanescente de um outro tempo não aí você vai descobrir que também ali a uma lógica e que a lógica de que os filhos não cuidar dos Pais na velhice uma espécie de segurança Seguridade Social de quem a época estava excluído da previdência social do estado na
entrada preciso é porque senão quem é que vai cuidar de mim na delícia Então é isso é outra coisa que você vai descobrir na medida em que se vai fazer pesquisa lá e entender como que aquelas pessoas agem a partir do universo de sociabilidade e socialização no qual elas estão inseridas que não é embora sejam sujeitos da mesma sociedade que a nossa não é necessariamente igual a nossa eu Nossa que eu digo aqui do nosso pesquisadores que à época era basicamente que você tinha nutrologia né e pesquisadores brancos de classe média média alta e qualquer
quentinha a formação Universitária nesse campo com isso nos lembra algo que nem já disse aqui né Eu já dizia lá o Roque laraia as pessoas participam da cultura de maneira muito diferente então mesmo dentro de uma sociedade que se quer homogênea uma sociedade Nacional como Brasil e do século 20 o do Século 21 e as pessoas vivem dentro dela e culturais universos simbólicos distintos nas ondas suas trajetórias dos grupos sociais com que elas interagem da sua condição de classe e e o pesquisador seja lá atrás esse em geral homem branco de classe média e ou
hoje cada vez mais ainda bem antropólogos de origens sociais das mais variadas tem que primeiro fazer um esforço de desmanchar os seus preconceitos sobre os grupos com que estuda e mergulhar nesse universo para entender o remapear não é o mundo se aproximando do mapa mental do saber das pessoas com quem ele tá estudando ele ou ela tá estudando né E porque aí você começa a entender o sentido das ações das atitudes dessas pessoas e que é afinal de contas um conhecimento e é isso é que é o conhecimento antropólogo busca não a entender o sentido
daquilo reduzindo ele aos meus termos é portanto um conhecimento menos etnocêntrica o possível o que não quer dizer que Gilberto velho lembra bem isso no texto que vai ser um conhecimento mais objetivo daquela realidade aqui uma a gente tem que ela falar um pouquinho sobre isso mas é importante lembrar a antropologia não acredita que exista conhecimento neutro por mais que a gente busca o critério de alguma objetividade mas como esse conhecimento é produzido por um pesquisador que tem um corpo uma origem na e vai interagir com outras pessoas que também pensam e que também dão
sentido ao mundo essa interação com o outro é sempre marcado pela forma como você vê o outro e como o outro TV né e a tua posição do sujeito também vai interferir no tipo de conhecimento que você consegue produzir no campo e isso acontecia lá no tempo do mar e nós que continua acontecendo hoje em qualquer pesquisa antropológica você tem acesso a determinados níveis de conhecimento desses outros a partir também da forma como você é visto por eles né E isso condiciona muito da interação entre pesquisador e os seus interlocutores no campo então a gente
pode dizer que antropologia não é nenhum conhecimento objetivo da realidade e nem simplesmente subjetivo ele não conhecimento intersubjetivo resultado desse encontro etnográfico entre o pesquisador que fez um esforço de desconstruir o seu mapa mental prévio e com os seus interlocutores em campo que vão tá tão ao longo do tempo tentando colocar esse pesquisador em alguma posição para saber o quanto eles podem se abrir com esse pesquisadores do que que se pode ou não se pode falar nas conversas com o pesquisador o conhecimento daí resultante e também não é uma verdade sobre aquele grupo ele é
o Gilberto véi lembra bem isso uma interpretação é a interpretação que aquele pesquisador aquela pesquisadora conseguiram produzir a partir da sua interação com o outro no campo e aí se a gente quiser falar em critérios de objetividade e essa interpretação pode ser chegada e confrontada com outras interpretações e nesse sentido pesquisar um grupo próximo que nos é a familiares e permite uma interpretação ainda mais de curada porque a interpretação que antropólogo vai produzir sobre aquele grupo e e vai ser uma dentre muitas que já existem nessa sociedade porque outros atores sociais e que não necessariamente
antropólogos também estão produzindo o saber e um discurso sobre o esses outros porque esses outros são também partes da própria sociedade em que vivemos então numa sociedade complexa Você tem uma infinidade de atores pensando sobre a sociedade escritores romancistas poetas compositores jornalistas que estão Produzindo um conhecimento sobre como é a vida daquela sociedade a gente pegar os belos poetas da música popular brasileira né músicas que são verdadeiras interpretações antropológicas sobre a sociedade brasileira músicas Cazuza músicas do Caetano Veloso e são interpretações é sobre a determinados segmentos sociais determinados grupos de pessoas faixas etárias segmentos etários
são críticas sociais muitas vezes entre relações de classe numa sociedade são também um conhecimento e uma interpretação sobre alguns grupos às vezes uma interpretação mais geral sobre a sociedade brasileira e o conhecimento que o antropólogo vai produzir na sua interpretação daquele grupo vai ser mais um mais uma interpretação que pode ser confrontada com essas outras mas que tem a pretensão de ser uma interpretação mais próxima possível da maneira como esses outros se vem das categorias nativas usadas por esses outros para dar sentido a ao seu ser e estar no mundo a sua vida as suas
atitudes aos seus gestos né a maneira como ele se posiciona em relação a outros há a preocupação dessa da interpretação antropológica em e o a diferença dela em relação a outras interpretações é que ela busca tem um compromisso maior com a maneira como e o grupo com o qual se tá estudando e que se busca interpretar como que esse grupo se pensa e se vê e dá sentido à sua vida mas o que não quer dizer que a gente vai simplesmente relatar como ele se vem vai tentar por aquilo em diálogo com uma teoria antropológica
sobre o tema de recorte da pesquisa né o sobre o problema daquela pesquisa então vai se discutir com a literatura mas se comparar com que já se escreveu sobre esse tema é a partir de Pesquisas com outros grupos o Finn tem uma né uma dinâmica própria do conhecimento acadêmico e especial dessa desse Campo disciplinar chamada antropologia Mas é uma interpretação que vai também poder ser comparada com as outras muitas interpretações que essa própria sociedade produziu o mesmo que algo que não acontecia quando antropologia estudava apenas sociedades muito distantes onde o conhecimento sobre esse outro geral
vinha apenas do que Aquele antropólogo estrangeiro tinha escrito trabalhado ou pensado sobre aquele povo Então nesse sentido o a interpretação produzida e por nós com grupos próximos a nossa a interpretação mais sujeita a critérios objetivos de validação lá comunidade acadêmica do que aquela que foi produzida por alguém que foi para um lugar muito distante e chega aqui diz olha aí eu fui lá eu vi é assim e ninguém mais foi ninguém mais viu então é agradar replicação do experimento fica um pouco mais prejudicado então a critério de validação então a é possível falar em objetividade
mas o ideal mesmo é falarem intersubjetividade Mas porque é uma interpretação pro É nisso que a gente chama um encontro etnográfico entre o pesquisador e os seus interlocutores de pesquisa mas também não são um objeto de pesquisa porque é isso encontra desse encontro que vai surgir de uma maneira e diabo dialogada e a Interpretação que antropólogo vai sistematizar como um conhecimento etnográfico sobre aquela realidade no esse encontro etnográfico é onde a metodologia antropológica surge e se desenvolve ela é não se define apenas por um conjunto de regras de como produzir informação a vamos fazer entrevistas
vamos usar questionários vamos fazer grupos vocais não tudo quando você tá em campo Emerso na vida daquele grupo tudo é a fonte de conhecimento e de informação e os Pequenos Detalhes as negativas as frustrações dos sucessos tudo isso te permite descobrir algo sobre a maneira como aquelas pessoas dão sentido à sua vida é como elas agem o seu cotidiano e e nesse sentido o segundo texto que a gente traz para aula de hoje é um ótimo exemplo disso que é um relato e uma análise das suas próprias experiências de pesquisa feita pela Paula Machado uma
pessoa com formação em psicologia que tinha atuado numa vila de Periferia Urbana de Porto Alegre como psicóloga do postinho de saúde e que vai fazer o seu mestrado em antropologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e resolvi fazer a sua pesquisa sobre as representações de masculina a Sexualidade e saúde reprodutiva dos homens daquela Vila e então ela é uma mulher que já atua ali já esteve ali já era conhecida como a psicóloga do postinho né e que volta para que lugar agora numa outra posição de pesquisadora da universidade para fazer uma pesquisa sobre
homens e sobre um tema delicado que é sexo sexualidade Entre esses homens de uma camada Popular urbana da Periferia de Porto Alegre Então essa reflexão que ela faz sobre a experiência de pesquisa dela ajuda a gente haver muitos os desafios que estão postos na produção de um conhecimento uma sociedade e da qual você participa e do que e como isso é rico também para a produção das interpretações antropológicas na primeira coisa que a gente Norte aqui é que é a propor nesse caso antropólogo a Paula participa daquela sociedade ela já esteve ali como psicóloga ela
agora é professora da Universidade que todos conhecem né ela está constantemente sendo colocada uma outra posição pelos seus interlocutores e como ela é mulher e e o tema é um tema delicado que envolve basicamente relação entre homens e mulheres é sexo sexualidade e reprodução e isso também põe desafios e limites na construção das redes de interlocução dela muitos ficam com receio de indicar um amigo para ela entrevistar e ela tem que pensar muito bem onde que ela vai encontrar essas pessoas como ela vai encontrar essas pessoas né E ela trabalhando então com homens casados como
ela vai lidar com as mulheres desses homens casados que vão ficar encimadas de ver o marido fala sobre sexo com outra mulher e é preciso o tempo inteiro então e pensando em estratégias que te permitam construir uma relação de maior confiança com os seus interlocutores e construir uma rede mesmo de interlocutores é isso exige um esforço não só como a gente já já viu no Gilberto velho de desconstrução dos das minhas opiniões dos meus mapas mentais sobre o que que é as representações de gênero e de Sexo e Sexualidade dos homens da Periferia Urbana de
uma cidade brasileira eu tenho que desconstruir o que eu entendo disso para ir entender o que que eles pensam sobre isso mas exige também esse esforço de buscar as estratégias de acesso EA construção de Pontes EA construção de relações sejam elas também e o menos marcadas por preconceito possível da minha parte em relação a eles da parte deles em relação Olá amigo é bom e evidentemente essas essas a Deus construção desses preconceitos Nem sempre é possível e nunca é possível na sua totalidade em especial e essa forma como você é localizado pelo outro né como
a mulher que pode estar dando em cima do seu marido do meu marido por exemplo né quando uma esposa de um dos interlocutores entra Furiosa no bar e dizendo tá acabar com aquilo que aqui pesquisa que estou essa quer fazer pesquisa para o meu marido mas é assim eu também quero fazer pesquisa tem algum homem aí para fazer para fazer pesquisa comigo é isso só coisas sobre as quais você vai ter muito pouco controle né e não vai conseguir nunca eliminar isso e a ideia não é essa a ideia é isso é fundamental na nossa
ideia de construção de marca de alguma objetividade né na pesquisa é você estar atento a isso ter consciência disso então a primeira coisa que a Paulo é muito bem aí no texto é colocar junto que ela tá falando e como foi a sua interação no campo também tem que ter consciência de que o fato dela ser mulher de classe média que já foi psicóloga lá isso tem que ser dito e colocado para o teu leitor porque e principalmente para você mesmo quando você vai analisar o material porque isso é localizar se o teu a tua
interpretação vai ser sempre uma interpretação localizada e é preciso que você compartilha sua localização com seus leitores e para de Olha isso é o que a minha condição né de mulher que já atua com psicóloga naquela Vila e tal me permitiu produzir de interação no campo Daí é claro que o outro pesquisador com outra localizado em outras caixinhas do mapa mental daquele grupo daquelas pessoas teria será sua outras coisas a outras dimensões a outra se e tal então a a honestidade intelectual hoje na antropologia não está em buscar um conhecimento verdadeiro objetivo real que é
uma reprodução do pensamento nativo do grupo que eu estudo não é você ser franco e dizer exatamente o que e como você foi localizado ali dentro Ok como você conseguiu construir um universo de interlocução com uma rede tal e qual e que te deu acesso e te permitiu construir esta interpretação aqui sobre aquela realidade que vai ser já uma interpretação o bem diferente da que você teria daquele grupo que você tivesse ficado preso no seus preconceitos no mapa mental que você já tinha como membro daquela sociedade sobre aquele outro e já será feito todo esse
esforço de construção de uma interlocução de médio-longo prazo ali dentro um conhecimento o próximo das categorias nativas e da visão de mundo Nativa mas será sempre marcado pela experiência da interação humana e ainda mais quando você que tá ali interagindo é alguém que compartilha uma sociedade mais Geral com o grupo que está sendo estudado e esse texto da Paula ajuda a gente já vi os desafios que são muitos na produção disso mas também as oportunidades e como que essas situações de tensão e de conflito muitas vezes de negação de informação ou de interação e também
revelam o permitem ao pesquisador entender melhor Como que o outro pensa porque que para aquela Mulheres foram problema sério isso diz algo sobre aquela mulher esposa do interlocutor dela né algo sobre a maneira como as pessoas ali homens e mulheres pensam a ideia de conjugalidade de fidelidade o que que são ameaças aí sou não que lugar isso apresenta na construção da imagem pública da pessoa vem E essas situações vividas no campo te permitem produzir algo na sua interpretação e por isso o trabalho de campo é um trabalho de viver lá né viver com aquelas pessoas
e e a informação produzida não vem apenas dos questionários nos formulários das entrevistas vendo a vivência de uma vivência e intersubjetiva em que tanto você vai aprender muita coisa sobre aquilo quanto inevitavelmente aquelas pessoas os seus interlocutores também vão aprender sobre elas mesmas sobre você muitas vezes sobre Antropologia Até que não é por acaso que muitas muitos anos agropolos exclusivo de peso na topologia internacional como estamos trabalha são pessoas que foram parte de grupos estudados por um antropólogo depois viraram ali interlocutor muito próximo do antropólogo e depois passa também descobri se universo da antropologia é
produzido por E aí então a experiência do trabalho de campo e as esse conhecimento intersubjetivo produzida dentro afeta afeta era o pesquisador e afeta o grupo o grupo pesquisado é um grupo com o qual se pesquisa é uma experiência compartilhada e uma experiência compartilhada fascinante e desafiadora e mais que tá aí e acessível a todos machos e esses esse nosso módulo do curso no momento é um convite para que vocês exercitam um pouco dessa sensibilidade de tentar aprender outras partes do mundo em que vivemos da sociedade brasileira das sociedades modernas e tal como queira e
tentando estranhar lá o estranhar algumas dessas partes e descobri um conhecimento que seja diferente daquele que a gente já naturalmente tem do mundo no qual a gente só vive nesse sentido antropologia e psicanálise compartilhe um bocado de coisas em comum é nós podemos e devemos fazer uma análise da nossa própria sociedade com um olhar antropológico e isso vai certamente se uma experiência bastante e intensa como gerar psicanálise também né para quem se análise e mas muito gratificante e espero que vocês tenham gostado desses dois textos a gente vai conversar mais sobre eles lá no nosso
encontro na quarta-feira e me ficamos em contato um grande abraço e até mais