Nas últimas aulas do Fundamentos Doutrinários, temos abordado o assunto da salvação, procurando ampliar o seu entendimento, a percepção desse importante fundamento doutrinário. Eu quero explorar agora os diferentes aspectos da salvação. Tenho reconhecido, estudando as Escrituras, sete aspectos bem distintos da salvação.
O primeiro deles é a regeneração. O segundo, adoção. O terceiro, santificação.
O quarto, redenção. O quinto, justificação. O sexto, reconciliação.
E o sétimo, glorificação. Essa ordem é aleatória. Não há necessariamente uma ordem de eventos de prioridades, nada disso.
Bom, o primeiro aspecto, regeneração, algumas semanas atrás já apresentamos uma aula sobre o novo nascimento, que é sinônimo de regeneração. Então, vou considerar esse assunto já ensinado, compartilhado e hoje eu quero falar a respeito de adoção e, nas próximas aulas, nós vamos abordando então cada um desses aspectos para que nós possamos ter uma melhor compreensão dessa obra extraordinária e gloriosa de Deus nas nossas vidas, chamada salvação. E para que a gente possa falar sobre adoção, o que é assunto bíblico, claro e incontestável, por exemplo, em Romanos, no capítulo oito e no versículo 15, a Bíblia diz: "Porque vocês não receberam um espírito de escravidão, para viverem outra vez atemorizados, mas receberam o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!
" O Espírito Santo, que nos é dado, comunicado por ocasião do novo nascimento, é chamado de Espírito de adoção e que nos leva a chamar Deus de Pai. Portanto, uma das características da salvação é a adoção. Para que a gente possa entender a adoção nós precisamos da construção devida, correta, completa, que envolve voltar lá no início, no princípio de todas as coisas, na criação do homem e entender qual era a condição do homem.
Quando falamos da obra da salvação, estamos falando sempre do resgate daquilo que foi perdido, daquilo que foi comprometido com a queda, assunto que já abordamos em outra aula, a queda e as suas consequências. Então, em Lucas, no capítulo três, no verso 38, quando a Palavra de Deus está nos falando da genealogia de Jesus, ela remete quem era filho de quem, até chegar em nada mais, nada menos do que Adão, o cabeça da raça, o primeiro. E a Bíblia diz assim: "Filho de Enos," Lucas, capítulo 3.
38, o último: "filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus. " Então, quando pegamos a ascendência do Senhor Jesus, não só descobrimos que ele era da linhagem de Davi, da linhagem de Abraão, mas nós chegamos em Adão. Mas quando chega em Adão, a linhagem não pára.
O texto termina dizendo que Adão era filho de Deus. A condição em que o homem foi colocado no mundo foi justamente de filho. Adão é estabelecido nessa terra como filho.
Agora a pergunta é: o pecado, a queda comprometeu essa posição? Com toda certeza. E podemos dizer isso baseado no quê?
Em João no capítulo três, no verso 16, a Bíblia diz: "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. " A expressão "unigênito" significa "único". Assim como o "primogênito" significa "o primeiro, o primeiro gerado", "unigênito" é uma expressão que fala do "único".
Agora, como Adão era filho de Deus, esperava-se que ele reproduzisse uma linhagem de filhos de Deus na terra mas daqui a pouco Deus precisa enviar Jesus, que está sendo chamado de o único Filho. Inclusive, precisamos entender que Jesus é chamado de o último Adão. Ele vem com o mesmo propósito do primeiro, mas só foi enviado porque o primeiro falhou.
Ou seja, o primeiro comprometeu a sua posição de filho, não reproduziu outros filhos para Deus e Jesus vem cumprir o propósito inicial que o primeiro nunca havia cumprido. Então, precisamos reconhecer que Adão entra na condição de Filho de Deus, mas que a filiação foi perdida por conta do pecado. A desconexão gerada não é apenas distância no sentido geográfico, mas houve uma ruptura, a conexão com a natureza de Deus, a capacidade de reproduzir quem Deus é, de ser parecido com Deus, foi comprometida.
A humanidade perdeu isso. E, obviamente, Jesus vem para restaurar aquilo que foi perdido. Em Hebreus, no capítulo dois, de 11 a 13, fica evidente que Jesus veio gerar outros filhos para Deus.
A Escritura diz assim: "É por isso que Jesus não se envergonha de chamá-los de irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, no meio da congregação, eu te louvarei. E, outra vez", agora vem outra citação bíblica: "Eu porei nele a minha confiança. E ainda", outro texto no Antigo Testamento: "Eis aqui estou eu e o seus filhos que Deus me deu.
" Todos esses textos são relacionados com Jesus, dizendo que Ele não se envergonha de nos chamar irmãos, que Ele vai se apresentar diante Deus dizendo: "Eis-me aqui e os filhos que Deus me deu", ao mesmo tempo em que não deixamos de ser seus filhos, ima vez que Jesus é apresentado como Deus, também pelo posicionamento dele como Filho de Deus, a Bíblia diz que ele não se envergonha de nos chamar de irmãos, de se posicionar como o irmão mais velho. Portanto, é evidente o que Jesus veio fazer. Então Jesus, que inicialmente é chamado de o Filho unigênito, passará a ser chamado ao longo das Escrituras de o primogênito.
Essa distinção também é importante. Por exemplo, em Romanos, no capítulo oito, no verso 29, nós lemos: "Pois aqueles que Deus de antemão conheceu, ele também predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. " O Filho que entra como unigênito, passaria a ser o primogênito, o primeiro de muitos irmãos.
Por quê? A partir dele haveria novamente uma filiação para Deus na terra. Outros filhos de Deus seriam gerados na terra.
Portanto, aquilo que foi comprometido com a queda, com o pecado, lá em Adão, seria restaurado a partir de Jesus Cristo. Em Colossenses, no capítulo um, no verso 18, embora o foco aqui seja a ressurreição, a Bíblia diz: "Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em todas as coisas tenha a primazia. " O primeiro gerado na ressurreição dos mortos, mas todos também seremos ressuscitados e ele já não mais é chamado de unigênito, e sim de primogênito.
Em Hebreus, no capítulo um do verso seis, a Escritura diz: "E, novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. " E sabemos que Jesus foi recebido com adoração angelical na sua chegada e ele está sendo chamado não apenas de unigênito, mas de primogênito. Por que as duas linguagens?
Uma delas enfatiza que quando Jesus vem, não há filhos. As outras enfatizam o propósito pelo qual ele veio: gerar novos filhos para Deus nessa terra. Ou seja, sempre precisamos olhar para a salvação como a restauração daquele plano inicial.
É muito comum ouvirmos as pessoas, principalmente fora do contexto da Igreja, do que aqueles que têm um entendimento bíblico mas infelizmente, às vezes nós vemos pessoas do lado de dentro repetindo declarações que não são bíblicas e ouvindo do lado de fora. Uma delas é: Todo mundo é filho de Deus. A pergunta é: Todo mundo é filho de Deus?
Não. Adão foi criado como filho para reproduzir isso, de maneira que no plano inicial de Deus, todos deveriam ser. Mas quando o primeiro se desconectou, comprometeu a natureza de Deus, deturpou e corrompeu o DNA divino que Ele havia recebido e deixou de reproduzir aquilo para o qual foi criado.
Ele não apenas deixou de ser filho, mas garantiu que não houvesse mais filhos de Deus na terra. A solução, ela viria por meio de Jesus Cristo. Ela não é automática.
O que nós dizer é que todos são criaturas de Deus, porque fomos criados por Deus. Mas a filiação é um direito que foi perdido há muito tempo. E como se experimenta a filiação?
Por meio desse aspecto da salvação que estamos chamando aqui de adoção. No Evangelho de João, no capítulo um, nos versículos 11 e 12, nós lemos assim, falando sobre Jesus: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. " Está falando do seu povo, da nação de Israel.
A Bíblia diz: "Mas a todos quantos o receberam", porque a Bíblia é enfática que com a rejeição de Israel para com Jesus a porta da salvação se abriria também aos gentios. Deus tinha um plano de incluir a todos. Mas o apóstolo Paulo afirma que a salvação é para todo o que crê, mas ele diz: "primeiro para o judeu, depois para o grego", leia-se gentio.
Então, na ordem do plano de Deus, Israel vinha primeiro. E Jesus vem cumprir esse papel. Mas a Bíblia diz: "Os seus não o receberam.
" Mas o verso seguinte afirma: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, os que creem no seu nome. " Então não são todos que são filhos de Deus. Somente os que recebem a Jesus.
E aqui, quando falamos de receber, estamos falando da manifestação de uma fé específica, que crê não só na existência de Jesus, mas reconhece o que Ele veio fazer. Reconhece a nossa própria condição de pecado ou de pecador, desconectados de Deus, que necessitam da sua obra de salvação, para então recebermos o poder que vem de Deus, não do homem sobrenatural, de sermos feitos filhos de Deus. A experiência de ser feito filho procede da regeneração.
Esse aspecto da salvação é chamado de novo nascimento. É quando isso nos coloca novamente na condição de filhos, e, como já detalhamos antes, em aula anterior, o novo nascimento, eu quero focar direto nessa consequência chamada adoção, que é um dos elementos que envolvem a regeneração. Embora a gente tenha sido gerado de novo, não significa que não houve a existência anterior ao novo nascimento então o termo "adoção" também é utilizado.
Isso não significa que apenas fomos colocados na família sem receber o DNA por meio da regeneração, mas que ao proporcionar a regeneração, Deus estava nos trazendo de volta, nos acolhendo e nos adotando na sua família. Então, precisamos de fato, enfatizar aí a restauração do que foi perdido. Em primeiro lugar, a gente destacou a condição inicial do homem criado como filho e como isso se perdeu.
Mas o segundo aspecto da adoção é justamente a restauração daquilo que foi perdido. Gálatas, capítulo quatro, versículos 6 e 7, diz assim: "E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho ao nosso coração, e esse espírito clama: Aba, Pai! Assim, você já não é mais escravo, porém filho; e, sendo filho, também é herdeiro por Deus.
Esse posicionamento da filiação algo extraordinário, glorioso, dentro do plano e do propósito de Deus, precisa ser devidamente entendido, compreendido na nossa fé, porque afeta diretamente a nossa posição, a nossa relação com Deus. Daqui a pouco eu quero falar tanto de privilégios como de responsabilidades que estão relacionados aos filhos, mas nesse momento precisamos dar ênfase na restauração daquilo que foi perdido. Deus queria para si uma família.
O homem é criado como uma extensão da família de Deus, que podemos dizer, é composta inicialmente pelo mistério bíblico chamado da Trindade. Quando Deus criou o homem, ele não estava começando a sua família. Ele estava ampliando a sua família.
E o homem que deixou de ser da família seria restaurado e reintroduzido na família de Deus. Por isso, em Efésios, no capítulo três, nos versos 14 e 15, o apóstolo Paulo diz: "Por essa razão eu me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toda a família, nos céus e na terra, recebe o nome. " Particularmente, eu gosto dessa ênfase da paternidade de Deus, apresentada com clareza no Novo Testamento.
Isso não é visto de forma clara no Antigo Testamento, embora haja vislumbres aqui e acolá sinalizando aquilo que Deus faria. Até porque essa paternidade havia sido perdida, havia sido comprometida, e ela nos seria restaurada por meio de Cristo. A partir do momento que isso fosse restaurado em nós, receberíamos o nome de Deus novamente, seríamos adotados na sua família, passaríamos a tratá-lo como Pai e a Bíblia fala de uma família que está tanto nos céus como na terra.
Isso significa não apenas aqueles de nós regenerados que ainda estamos na terra e não partimos para o céu, mas a soma das duas coisas. Santos que já partiram, santos que aqui permanecem, a Bíblia diz que Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, quando Jesus faz menção ao fato de que a Bíblia menciona Deus como sendo o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e todos esses que deixaram de estar aqui na terra e já passaram para os céus compõem a mesma grande família da qual nós somos parte. Então, precisamos de fato entender isso.
Quem são os filhos de Deus? Quem é parte da família de Deus? Aqueles que receberam a Jesus.
Isso significa o arrependimento, que é o reconhecimento do pecado e das suas consequências, o que incluía a perda da adoção. Mas é o reconhecimento de que, em Cristo Jesus, a solução para sermos recebidos na família nos foi novamente oferecida. Então existe, além do arrependimento, que é o reconhecimento da nossa condição, a expressão da fé, que é abraçar e nos apropriar da solução que Deus nos oferece por meio de Jesus Cristo.
Então, sim, somos regenerados, recebemos pelo poder do Espírito Santo a comunicação da vida de Deus que nos transforma e essa vida coloca em nós um novo código genético. Quando lemos em primeira de João, no capítulo três, no versículo nove, que a semente de Deus está em nós, essa palavra traduzida "semente" no grego "sêmen" no português, a gente usa isso para falar da semente humana e de animal, mas não vegetal, ela era usada para falar de todo o tipo de semente. Semente é aquilo que tem um código genético, um DNA definido.
É por isso que quando você planta milho, nunca vai colher feijão. Tudo aquilo que a planta será já está definido no código genético que está dentro da semente. Isso significa que nós recebemos uma nova natureza.
Segunda de Pedro, Capítulo 1. 4 diz; "A fim de que vos torneis participantes da natureza divina. " Essa ênfase já foi dada quando falamos de regeneração, mas ao falarmos de adoção, precisamos entender que não somos apenas um corpo estranho a quem foi permitido conviver dentro da família.
A natureza do Pai nos foi novamente comunicada e é justamente por meio da regeneração que a adoção acontece e nós somos novamente recebidos na gloriosa família de Deus. Dentro dessa família, eu e você deixamos de ser escravos e agora passamos a ser filhos. Aliás, eu li Gálatas, capítulo quatro, versos 6 e 7, mas Romanos 8.
15, quem já mencionado no início da aula, diz: "Porque vocês não receberam um espírito de escravidão para viverem outra vez atemorizados, mas receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: Aba, Pai! " O mesmo Espírito que nos regenera, que nos coloca na família, que nos adota, ele também nos remete ao Pai com uma consciência de quem somos. A compreensão de paternidade deveria afetar profundamente da paternidade de Deus sobre nós, deveria afetar profundamente o nosso senso de identidade.
Agora, muitas vezes as pessoas pensam que: "Ah, esse negócio de ser filho de Deus não é bem para agora. Isso aí talvez tem a ver com a nossa realidade futura, com aquilo que nós vamos experimentar depois. E eu quero gastar um tempinho fazendo essa distinção.
Não, isso não é algo que eu e você precisamos projetar para o futuro. Em primeiro de João no capítulo três, no verso dois, o mesmo capítulo que vai dizer que recebemos a semente de Deus em nós, diz o seguinte: "Amados, agora, somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que quando Ele", uma referência a Jesus, "se manifestar, seremos semelhantes a Ele", estava falando da transformação plena, "porque haveremos de vê-lo como Ele é.
" Então, sim, existe algo mais nos aguardando? Sim, quando Ele se manifestar, nós seremos semelhantes a Ele numa dimensão muito maior do que já experimentamos agora. Mas a Bíblia está dizendo: "Agora somos filhos de Deus.
Depois, ainda não foi manifesto, ainda não foi revelado o que seremos. " O que fica nas entrelinhas é que existe alguma forma de atualização, de aperfeiçoamento, de melhoria. Isso não significa que seremos filhos depois, somos filhos agora.
Algo maior, melhor, além da compreensão, nos aguarda. E eu e você podemos ficar empolgados com isso mas não adianta simplesmente tentar definir aquilo que a Bíblia não define. A Bíblia diz: "ainda não se manifestou o que haveremos de ser.
" Então, eu, particularmente, não gosto de especulações. Não gosto de ficar tentando dizer: "Olha, será isso, será aquilo? " Mas o que precisamos entender é que a posição de filho é para agora.
E se entendermos isso, então privilégios e responsabilidades, que é o que eu vou falar na sequência, não deveriam ser projetados para o futuro. Deveriam ser aspectos que entendemos serem consequências da adoção, do fato de termos sido recebidos na família, e que já devem se manifestar nas nossas vidas desde já. E eu quero falar um pouco a respeito desses privilégios e responsabilidades.
Então, a posição de filhos, por exemplo, nos dá direito a uma herança. Em Romanos no capítulo oito, no versículo 17, nós lemos assim: "Se somos filhos, somos também herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo. Se com Ele sofremos, para que também com ele sejamos glorificados.
" Quando a Bíblia está enfatizando aqui "se somos filhos", nós precisamos entender que isso envolve algo mais do que apenas uma declaração. O Espírito, diz o versículo anterior, o verso 16 de Romanos 8, "testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Quando?
Agora, não no futuro. Porque, como falei anteriormente, agora somos filhos de Deus. E o texto está dizendo: "E se somos filhos, também somos herdeiros.
" Então a pergunta é: Quando somos herdeiros? Agora, ainda que a gente possa dizer que a herança plena não se manifestará agora, não há como negar que a posição de herdeiros nos toca nesse momento para o aqui e o agora. E por que eu e você precisamos compreender isso?
Porque há algo extraordinário quando falamos a respeito da herança. Muitas pessoas, elas acabam sendo prejudicadas no seu relacionamento com Deus por falta da percepção, do entendimento de quem são, como filhos, e do que essas pessoas têm quando falamos a respeito de herança. E acredito que um bom exemplo que cabe aqui é quando a gente olha o próprio ensino de Jesus a respeito do filho pródigo.
A Bíblia diz que um sai de casa, mas reivindica a herança, mesmo com o pai vivo. Ele diz: "Eu quero a parte que me cabe da minha herança. " Ele simplesmente está olhando e dizendo: "Eu sei que tenho uma herança.
" Agora, os padrões culturais, para a gente não dizer legais, determinavam que o acesso à herança deveria acontecer depois da morte do pai ou num tempo predeterminado. Mas aquele primeiro filho, ele tem o entendimento errado do que é estar na casa, do que é relacionar-se com o pai, mas ele tinha um entendimento correto da herança, sai com ela. O filho que ficou, que depois fica indignado quando o filho que saiu, o pródigo, volta está sendo recebido com festa, ele simplesmente protesta diante do pai.
O verso 25, de Lucas 15 diz: "Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos empregados e perguntou o que era aquilo.
E ele informou: Seu irmão voltou e, por tê-lo recuperado com saúde, seu pai mandou matar o bezerro cevado. " Ou, dependendo da tradução, como estou lendo aqui, "o bezerro gordo", aquele que ficou confinado, sendo engordado, preparado para o dia da festa. O verso 28 diz: "O filho mais velho se indignou e não queria entrar.
Saindo, porém, o pai procurava convencê-lo a entrar. Mas ele respondeu ao seu pai: Faz tantos anos que sirvo o senhor e nunca transgredi um mandamento seu. Mas o senhor nunca me deu um cabrito sequer para fazer uma festa com os meus amigos.
Mas, quando veio esse seu filho, que sumiu com os bens do senhor, gastando tudo com prostitutas, o senhor mandou matar o bezerro gordo para ele! Então o pai respondeu: Meu filho, você está sempre comigo; tudo o que eu tenho é seu. " Uma vez eu ouvi um pastor comentar o que ele classificou da teologia do cabrito.
Gente que está lá dentro da família de Deus e simplesmente está triste porque Deus nunca lhe deu um cabrito do rebanho, mas na oportunidade que tem em desabafar sua tristeza o pai vai explicar: "Meu filho, você não precisava ter recebido um cabrito. Todos os meus rebanhos, tudo isso é teu. " Em outras palavras, o pai está dizendo: "Você podia ter matado o cabrito que quisesse, a hora que quisesse, feito churrasco com seus amigos.
O que faltou a você foi o entendimento de que você tem acesso à herança. " Digo isso porque alguns de nós, mesmo como filhos, estamos muitas vezes espiritualmente falando e vivendo como mendigos. E a vida de oração de alguns, ou a falta da vida de oração reflete isso um entendimento pobre e limitado, como se não tivéssemos direito a receber absolutamente nada da parte de Deus.
Não estou dizendo que a gente deve ter o comportamento do primeiro, valorizar mais a herança do que o relacionamento, abraçar a herança, virar as costas para o pai, nada disso. Mas se valorizar a herança em detrimento de quem é o pai, obviamente, é um erro incontestável, não reconhecer a herança enquanto desfrutamos do pai, estamos na casa também é apresentado na mesma parábola como outro erro. E nós precisamos entender que a Bíblia fala de uma posição e de coisas que Deus tem nos dado.
Quando falo de coisas não estou falando somente daquilo que é tangível, palpável ou de ordem material. Mas Efésios, capítulo um diz, no verso três, que "Deus já nos abençoou com toda sorte de bênçãos em Cristo Jesus, nas regiões celestiais. " E eu e você precisamos compreender: há uma herança.
Todo o pacote da salvação, do relacionamento com Deus, das coisas espirituais. Não falo apenas de bênçãos que são pessoais ou buscadas apenas numa perspectiva egoísta, mas também não podemos excluir aquilo que Deus gostaria de fazer na vida de cada um de nós. Quando falamos a respeito do lugar dos filhos, há algo a ser entendido.
E para mim, naquela conversa que Jesus tem com a mulher cananeia que vem diante de Jesus, Mateus 15 relata isso, intercedendo, clamando a respeito da sua filha, que estava endemoniada, o que nós percebemos é que Jesus inicialmente dá o que a gente pode classificar de uma "invertida" na mulher. Por exemplo, versos 21 a 24, de Mateus 15, diz: "Saindo dali, Jesus foi para a região de Tiro e Sidom. " Ou seja, fora dos termos de Israel, entre os gentios.
"E eis que uma mulher cananeia", ou seja, não era da linhagem de Abraão, "que tinha vindo daqueles lados, clamava: Senhor, Filho de Davi", a expressão "Filho de Davi" ela está reconhecendo que ele é o Cristo, "tenha compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Jesus, porém, não lhe respondeu palavra.
" A primeira atitude é: não deu a atenção. Numa linguagem atual a gente diria "não deu moral". O texto continua e diz: "Então seus discípulos aproximando-se, disseram: Mande-a embora, pois vem gritando atrás de nós.
" Jesus não responde, mas ela não para de insistir. Os discípulos abordam Jesus e dizem: "Olha, está ficando ruim para o Senhor e para a gente. Se não vai atender, manda embora.
" Jesus simplesmente justifica: "Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. " Ainda que ele esteja fora dos termos, basicamente diz: "Estou buscando as ovelhas perdidas da casa de Israel. " Isso reflete ordem.
Paulo, escrevendo aos romanos, fala que a salvação é para todo o que crê, primeiro do judeu, depois também do gentio. Então, embora Deus não faz acepção de pessoas, ele estabeleceu uma ordem. Jesus explica isso à mulher samaritana: "A salvação vem dos judeus.
Transbordou, sendo oferecida primeiramente aos judeus. Antes, ser oferecida aos gentios. " Nesse ínterim, a mulher aproveita a parada de Jesus com os seus discípulos na discussão para abordá-lo mais uma vez.
O texto diz, no verso 25: "Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, me ajude! Jesus respondeu: Não é correto pegar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos. " O que é que Jesus está tentando explicar a essa mulher?
"Olha, você pode ter acesso à casa de Israel. Isso não faz de você membro da família. " Eu lembro quando meus filhos eram pequenos e queriam botar o nosso sobrenome no cachorrinho que a gente tinha na casa e eu fiquei doido com eles.
E eu dizia o cachorro não é parte da família. "É, pai. Ele mora com a gente.
" Eu dizia: "Ele tem acesso à casa, mas ele não é parte da família. " E essa nossa discussão foi longe. Até que um dia eu apelei e falei: "Olha, vamos ver o que Jesus diz sobre isso?
Jesus diz que os cachorros não estão na mesma posição dos filhos. Não se pode pegar o que é dos filhos e dar para os cachorros, porque não estão na mesma posição. " Eu lembro que eles fizeram uma cara de que concordaram e me disseram: "Apelou, hein pai?
" Jesus usa esse exemplo para a mulher. Diz: "Olha, o fato de você ter acesso, não coloca você como participante. " Mas o verso 27 diz: "A mulher disse: É verdade, Senhor, pois os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos donos.
Sabe o que ela está dizendo? "Eu não estou tentando violar o direito que os filhos de Abraão, pelo menos os filhos segundo a carne, têm. " Mas ela está dizendo: "O Senhor há de convir que eles não estão aproveitando tudo o que o Senhor tem", e os cachorrinhos comem as migalhas.
Então essa mulher está dizendo: "Sem querer usurpar o lugar deles me deixa aproveitar o que eles estão desperdiçando? " Quando ela se posiciona dessa forma o verso 28 diz: "Então Jesus clamou: Mulher, que grande fé você tem! Que seja feito como você quer.
" E a Bíblia diz: "E desde aquele momento, a filha dela ficou curada. " Agora preste atenção a porta da salvação ainda não foi aberta aos gentios. Eles ainda não estão sendo recebidos na família, não experimentaram a adoção, mas essa mulher pôde receber cura e libertação comendo das migalhas que caem da mesa.
Se comendo, das migalhas que caem da mesa e dos filhos já tem cura e libertação para mim e para você, a pergunta a ser feita é: o que é que não está à minha e à sua disposição quando entendemos o que é assentar-se à mesa e usufruir o direito dos filhos? Essa compreensão, ela pode mudar completamente a forma como nos relacionamos com Deus e aquilo que nós experimentamos e recebemos. Mas, ser filhos não tem apenas privilégios, ele também coloca diante de nós responsabilidades.
E uma dessas responsabilidades, está lá Em Efésios 5. 1, que diz: "Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados. " Temos a responsabilidade ao receber um novo código genético de mudar o nosso comportamento, de adequar o nosso comportamento de maneira que a gente possa refletir Deus nessa terra.
E muitas vezes eu vejo alguns tentando só enfatizar o privilégio de ser filho sem a responsabilidade de ser filho. Acredito que também não adianta pregarmos só a responsabilidade e ignorarmos o privilégio, mas as duas coisas são parte do combo e elas devem vir juntas. E nós precisamos entender que há um privilégio sermos recebidos na família, sim.
Há reconexão com Deus, o uso do nome do Pai, o fato de sermos herdeiros em primeiro lugar da salvação e dentro desse pacote de todas as bênçãos que emanam dela, inclusive o privilégio de sermos cooperadores de Deus no avanço do seu Reino, mas também a responsabilidade de uma vida santa que reflita o caráter de Deus. Isso é parte do combo. Então não adianta a gente tentar enfatizar uma coisa em detrimento de outra.
Precisamos compreendê-las de forma completa e a minha oração é que você entenda adoção. Com esse entendimento do que envolve o combo de ser filho, privilégios e responsabilidades e entre elas, principalmente, uma conduta diferente, nós vamos ampliar um pouco o assunto na próxima aula falando sobre santificação, uma orientação prática de como nos sujeitar à nova natureza e subjugar a velha. E a minha oração é que o entendimento de cada uma dessas verdades que vem sendo apresentadas de forma dosada, que a soma delas nos leve a um lugar de uma correspondência diferenciada para usufruirmos plenamente o plano e o propósito de Deus.