Eu tava brincando com o senhor que é ainda mais especial para mim recebê-lo aqui porque faz 5 anos que eu me formei, o senhor deu entrevista pro meu TCC. Evandro, senhor falou comigo no meu TCC e agora a gente tá aqui novamente. Você meio que privilégio privilégio participar do teu TCC e agora tá aqui.
Privilégio a todo nosso, eu que agradeço. Queria começar um pouco sobre essa questão da ex-presidente Domf. Eh, com essa questão da anistia dela, que vai ser julgada pela comissão, ela pode se tornar uma anestiada política, vai receber uma série de direitos, mas antes de mais nada vai ser reconhecida como uma pessoa passível de de anistia.
Você acha que a história, passado esse tempo do impeachment até hoje tá fazendo justiça à figura da Dilma Rosse? Olha, pouco a pouco eu acredito que sim, né? Dilma foi muito injustiçada em vários momentos da sua vida.
Ela foi uma pessoa que lutou contra a ditadura militar, sofreu as penas, as consequências desse tipo de postura na juventude, foi presa, foi torturada. Portanto, é absolutamente indescabítamente a o reconhecimento dessa perseguição política. Isso não ser feito, né?
Só se pode atribuir isto às injunções políticas do governo Jair Bolsonaro, porque qualquer governo com mínimo de comprometimento democrático seguramente reconheceria que Dilma foi vítima da mais atrozes violências e, portanto, merece esse resgate histórico. Independentemente de qualquer outra consequência, eu acho que para ela esse reconhecimento histórico é importante. E depois sofreu o impeachment.
Eu me recordo que na na no própria defesa do impeachment eu mencionei isso. Eu comecei falando de Dilma eh menina jovem sendo perseguida pela ditadura militar e depois agora presidente da República perseguida também pelo Estado brasileiro a partir de uma evidente trama golpista que tinha por objetivo afastá-la da presidência da República sem nenhum fundamento. E agora pouco a pouco eu acho que vai se dando tomando conta da realidade.
mesmo aqueles que diziam que o impeachment era necessário, hoje tem claro que não havia crime de responsabilidade nenhum. Tem claro que aquilo foi um, evidentemente uma trama. Tem claro que foi de uma injustiça total e pouco importa se as pessoas gostavam ou não gostavam do governo.
O presidencialismo tem como característica o direito do governante de permanecer exercendo suas funções e é também o direito daqueles que elegeram. Isto foi ceifado, foi tirado de uma forma arbitrária e contrária à Constituição. E cada vez mais eu acho que a história começa a ficar evidenciado.
Acho que hoje ninguém praticamente, a não ser quem queira realmente uma posição política, duvida de que Dilma eh foi vítima de um golpe na perspectiva em que golpe é toda a destituição de presidente da República feita ilegitimamente sem desacordo com a Constituição. Tânia. É, eu sempre eu digo que eu sempre quando me lembro da da do processo de impeachment da da Dilma, eu fico muito triste.
Eu chorei muito pelo rompimento eh democrático, né? Como é qual foi a coisa mais dolorida pro senhor naquele processo onde o senhor tinha um protagonismo ali como defensor, né? Andad um Olha, Tânia, foi um momento muito difícil, talvez mais difícil da minha vida, porque eh eu tinha claro que a gente ia perder, né?
A partir de um certo momento já na Câmara dos Deputados, vendo a dinâmica que Eduardo Cunha tinha colocado na própria comissão que avaliava o Pintman com gente da estrita confiança dele, eu tinha claro que era irreversível, não é? Alguns ainda no governo achavam que podia se reverter, mas quando houve a decisão da Câmara, eh, aí a do plenário tava claro que foi bem. Eu me lembro que teve uma discussão que era a seguinte: alguns companheiros nossos levantaram a hipótese, falar: "Olha, isso aqui é uma injustiça, isso aqui é uma verdadeira palhaçada do ponto de vista jurídico.
" Será que nós eh temos que estar presentes como defesa ou não é melhor deixar eles fazerem e a gente ficar acusando a tentativa golpista de forma? E no momento em que se abriu essa discussão, eu me lembrei de algo que marcou a minha história. Eh, na faculdade.
Eu entrei na faculdade de direito da PUC, ainda na época da ditadura militar. E logo no primeiro ano, e se você me perguntar quem era esse palestrante, eu não sei lhe dizer, é, né, porque primeiro ano você não lembra das coisas. Eu me lembro que era um advogado de empresas políticos.
E uma pergunta que alguém da plateia fez para ele era exatamente a seguinte: "O senho não se sente um palhaço conestando com os arbítrios da ditadura num processo que não é um processo, num processo que é uma farça? O senhor não acha que o senhor não tá legitimando esse tipo de coisa? " Ele respondeu: "Al que nunca me saiu da cabeça.
" Ele disse: "Na sua vida profissional, você muitas vezes vai encontrar processos que você sabe que tem razão e sabe que vai perder. Uhum. Neste caso, cumpra seu papel de advogado falando mais alto, de forma que as pessoas fora da sala de audiência, onde se dará o julgamento escutem, porque são esses teus gritos, essa tua fala que vai chamar a atenção para que ali aconteça uma injustiça.
Talvez você não reverta, mas paraa história isso ficará registrado. Eu me lembrei disso na reunião, coloquei essa questão e Dilma concordou, falou: "Não, vamos fazer defesa. A sociedade tem que entender com o que está acontecendo aqui e somente se nós fizermos a defesa é que nós poderemos no futuro demonstrar que nós somos eh vítimas de um golpe.
Isso foi feito, eu acho que foi importante, mas foi dolorido. Quer dizer, foi muito difícil, né? Você saber que você tá com a razão e ninguém te ouvir.
Você saber que eh os argumentos que nós tínhamos eram absolutamente sólidos e nós nunca teríamos a demonstração da nossa correção. Então, foi muito difícil. Teve lágrimas no senhor.
Teve. Eu me lembro uma situação bastante curiosa, porque o advogado tem que até, né, 11, né? E quando eu terminei a defesa de Dilma no Senado, tinha 1 hora e meia para falar, eu fiz aquela sensação, eh, para mim foi muito forte, porque eu tava, eu acabei de falar de si e tava embaixo o Lindberg Faria, a Grace Hoffan, a Vanessa Graziotim e alguns companheiros estavam lá e estavam chorando literalmente, né?
Eu tinha feito um final eh bem bem emotivo da fala e eu me abracei a eles e comecei a chorar. Eu só falei bom, agora posso chorar, acabou. Só me esqueci de uma coisa.
Eu tinha uma coletiva com a imprensa com 300 jornalistas em seguida e eu eu sou muito controlado, mas se eu solto aí não volto não. Eu comecei a chorar assim quase que convulsivamente e alguém falou car duas coletiva falei: "Meu Deus do céu, não eu vou entrar chorando na coletiva". Quer dizer, como é que o advogado chora antes do veredito, né?
decisão é é como se você confessasse que sabe que vai, eu não posso falar isso, né? E a sorte que tinha muita gente no corredor do Senado, eu tinha que ir até o local, ia até a coletiva. Então eu fui tensão, falei: "Air, eu não vou conseguir parar de chorar".
Ponto um. Ponto dois, eu tenho que inventar alguma coisa inteligente para falar para não dizer que eu tô chorando porque perdinha, né? E aí eu cheguei na na coletiva e alguém, a primeira pergunta é por que você tá chorando?
Sabe que perder? Ótimo. Uhum.
E eu falei: "Não, é que eu não perdi o poder de me indignar diante da injustiça e quem perde esse poder perdeu sua humanidade, eu não perdi a mim". Consig é verdade, não menti. Mas foi engraçado que quando terminou isso, tal, toca o telefone Dilma Russ: "Ô, Carlos, que ladeira é essa aí?
Que ladeira é essa? Aí eu comecei a rir, falei: "É, você é falso, hein? Você tá querendo emocionar as pessoas.
Você deve ter pego um cigarro e deve ter Mas era a maneira que ela tinha dar inclusive o entusiasmo que ela foi. Ela é muito firme. Ela realmente ela conduziu esse processo com muita sobriedade, com muita firmeza.
Não chorou em pouco chorou não. O reservado deve ter chorado, né? Houve momentos em que eu vi que ela assim particularmente no Senado, como ela fi, ela foi prestar aquele depoimento de 13, 14 horas, que ela ficou muito indignada com um parlamentar que era da oposição, mas que ela tinha com uma pessoa próxima, né?
e que falou algumas coisas que eu acho que ia tocar na Câmara ou Senado que fez Senado. E aí ela ficou muito tensa naquele momento. Eh, eu percebi, eu inclusive não podia falar, eu vi que ela ficou pálida, eu botei a mão, falei: "Calma, calma, calma, se controla".
O Lewandowski percebeu, perguntou se queria parar, falou: "Não vou parar, eu quero até o fim". Quem ser? Quem é o quem será o senhor da história?
Meu livro de história. Eu vou contar. é uma pessoa da militância antiga dela.
Eu vou eu vou rever essa sessão. Ela ela era ela militância militância antiga dela que ela nunca esperava que ele fosse falar o que ela falou que dia uma pessoa muito honrada, muito honesta e uma pessoa que sabe que ela é honesta chamada de corrupta perfeito. Aquilo e aquela pessoa pegou aquilo mexendo, né?
Porque quando a gente fazia, fez a avaliação eh prévia, eu citei onde eu achava que podia vir. Olha, fulano vai falar isso, fulano vai falei, esse cara aqui vai falar agressivamente e ela falou, não, fal banheiro de luta.