Olá, é com alegria que dou as boas-vindas ao Primeiro Saberes UEG de 2025. Este que é um programa produzido em parceria com a Pró-Reitoria de Graduação como parte integrante das ações de formação continuada para professores e professoras aqui da Universidade Estadual de Goiás. O Saberes, ele também faz parte do Programa Nacional de Bolsa de Iniciação Científica Docência, o PIBID, financiado pela Coordenação de de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível superior à CAPS.
Bom, eh, se você ainda não se inscreveu no nosso canal do YouTube, nas nossas redes sociais, não deixe de fazer isso para acompanhar todas as novidades e os conteúdos exclusivos aqui da OGTV. Bom, e para você também que quer receber a certificação do encontro de hoje, fique atento, porque a nossa produção, ela vai disponibilizar um link para você solicitar o seu certificado. Sobre o tema do nosso encontro de hoje, a formação de professores no Brasil, ela enfrenta desafios constantes diante das mudanças das políticas públicas e também das transformações no cenário educacional.
É fundamental refletir sobre questões essenciais para compreender a docência como um direito humano e a importância da articulação entre teoria e prática na formação docente. Bom, esse é o nosso tema de hoje e você é convidado para seguir com a [Música] gente. Seja bem-vindo, seja bem-vinda ao nosso primeiro episódio dos saberes EG de 2025, que a gente começa esse ano assim em grande estilo, estreando cenário novo, mobília nova, tudo isso graças ao trabalho de muita gente eh aqui da equipe do Crialab, como também da equipe da diretoria de gestão integrada, que possibilitou que nós pudéssemos iniciar esse ano com uma com a nova uma nova cenografia aqui na EGTV.
Bom, e além de estreiar eh a temporada e o cenário novo, nós continuamos a parceria aqui do programa com a equipe do PIBID. E por isso que nós recebemos hoje aqui pro nosso primeiro programa o professor Renato Barros de Almeida, que é da nossa unidade universitária lá de umas. Olá, professor Renato, seja bem-vindo.
Olá, muito obrigado. Boa tarde a todos. Sejamos, tenhamos uma boa tarde de discussão.
Professor Renato, ele é doutor em educação pela Universidade de Brasília, UnB, possui mestrado em educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, é líder do grupo de estudos e pesquisas em formação de professores e currículo, eh, grupo registrado no CNPq. Atualmente ele é professor efetivo da PUC Goiás na Escola de Formação de Professores e Humanidades. Eh, atua eh no programa de pós-graduação em Educação também eh na PUC aqui na UEG.
Ele é professor efetivo eh da Universidade Estadual de Goiás, atua na Unidade Universitária de Inumas, ministrando aulas no curso de pedagogia e também no programa de pós-graduação em educação. É membro da diretoria nacional da ANFOP como vice-presidente do Centro-Oeste e coordenador do GT de formação de professores da AMPED no Centro-Oeste. Também atua como representante pelo Estado de Goiás no Movimento Nacional em Defesa do Curso de Pedagogia e compõe a coordenação colegiada do Fórum de Mobilização e Defesa do Curso de Pedagogia em Goiás.
tem experiência na área de educação com ênfase em políticas educacionais, principalmente nos temas de formação de professores e currículo. Bom, professor Renato, enfim, quanta experiência na na nessa nessa área, né, de formação de professores dentro do campo da educação. É, sempre que nós recebemos um convidado aqui no Saberes que vai falar sobre e formação de professores, é, a gente traz uma provocação que é um pouco do nosso lugar, né, do nosso lugar institucional.
A nossa universidade, ela tem um dos maiores volumes, né, de oferta, tanto de cursos para formação de professores quanto de vagas. Eh, enfim, qual tem sido a importância e os desafios da nossa universidade na formação de de professores no Brasil? Então, muito obrigado pelo convite, que a gente tenha aqui bons papos, esse programa que ultrapassa os muros da universidade.
Então, agradecer na pessoa do Marcelo o convite de estar aqui. É sempre bom falar de formação de professores. Falar de formação de professores no estado de Goiás é falar da UEG.
A Universidade Estadual de Goiás, desde os anos 90, mais especificamente pós 96, ela tem um protagonismo na formação de professores no estado de Goiás. Eh, naquele período que a gente definiu então que precisaríamos de pessoas licenciadas em nível superior para trabalhar na educação básica, a UEG teve um grande projeto, né, Marcelo, com as licenciaturas plenas parceladas. Então, nós formamos muitos professores e continuamos formando muitos professores eh nos mais diversos espaços, né?
Nesses anos todos de UEG, eu já passei por outros municípios como Jaraguá, Anápolis e agora no município de umas a gente percebe o quanto é importante e ela continua sendo importante. Nós temos o mestrado em educação no interior do estado, isso também é uma perspectiva importante. e pensar a formação de professores, é pensar esse espaço de quem é esse sujeito que nós estamos formando, esse sujeito histórico com uma profissão específica, com uma profissão que se difere das demais, porque ela é produto humano, né?
O o ato educativo é um ato que diferencia todos nós professores, porque nós trabalhamos com um sujeito em que nós não geramos apenas um produto, mas uma formação humana. E isso é um grande desafio, ao mesmo tempo que é uma grande satisfação eh estarmos no campo da formação de professores. Professor, eh um dos temas que a gente quer trabalhar com você aqui hoje é a docência como um direito humano.
Eh, qual que é a importância da gente pensar nessa ideia dentro do contexto de formação de professores? Então, eu costumo dizer, né, que o a a nossa profissão, a docência, ela eh se difere de todas as outras, porque não é o domínio de uma técnica como outras profissões em que você domina aquela técnica e faz aquela técnica independente de do sujeito João ou do sujeito Maria, porque as estruturas são as mesmas. Então eu brinco sempre assim, né?
uma uma boca anestesiada pro cirurgio João dentista, pouco importa se é o João ou se é a Maria. e a sua história de vida em si, no ato profissional de restauração daquela daquele dente. Isso de fere porque na sala de aula faz muita diferença se é João ou se é Maria, porque ali é um sujeito vivo, é um sujeito em cuja sua história está presente, cuja sua origem, suas compreensões de mundo.
Então, a docência ela é um direito, eh, é uma profissão que garante a esse sujeito com o qual a gente lida com ele o direito fundamental, subjetivo de ser educado, de ser na sua existência compreendido e compreender as relações que estão estabelecidas diante do mundo. Então, não basta apenas o domínio da técnica de ensinar o verbo, mas é preciso que esse verbo reverbere sobre a sua vida como sujeito. E esse esse é o compromisso que a gente precisa parar a docência, né?
Então, ah, para pensar a formação de professores é pensar um sujeito que é capaz de enfrentar esses grandes desafios, de lidar com diferentes Marias, diferentes Joãos e ali, naquela condição, pensar esse processo de superação, superação que esse sujeito vai aprender. E isso não é uma tarefa senão para um intelectual. Então, essa é esse é um posicionamento que a gente tem de um professor como um sujeito intelectual.
E ele precisa se formar, ele precisa de um mestrado, ele precisa de um doutorado, não para a prática do seu exercício, mas para pensar sobre a prática do seu exercício profissional. professor, e como eh a se dá dentro do processo de formação eh desses professores e professoras o desenvolvimento dessa dessa sensibilidade, né, e dessa postura que precisa ser crítica, também precisa ser emancipadora no que diz respeito a a a esse profissional conseguir ter essa, enfim, nesse reajuste que me parece ser tão fino para conseguir ao mesmo tempo, né, e lidar com a sala do ponto de vista coletivo. Mas ao mesmo tempo entrar nesse campo que você acabou de nos dizer, é que é o da individualidade, da subjetividade de cada um desses indivíduos que estão nessas nesse grupo de sala de aula.
Então eu falo sempre que quando a gente trata essa perspectiva de se pensar o sujeito, não é pensar um sujeito específico, né? uma pessoa com um determinado número de identidade é pensar o sujeito histórico. Quem é a criança em 2025 que realiza seu processo de alfabetização?
Esse isso é que é importante pensar esse sujeito, porque na turma você vai ter um grupo de alunos, 20, 30 estudantes, né, sendo generoso, porque em algumas instituições você tem um número maior disso, o que é um problema pros professores, mas é pensar ele enquanto sujeito histórico. Quem é essa criança de 6 anos em 2025? Como essa criança se apropria do mundo?
que relações eu vou estabelecer com essa criança para que esse mundo em que ela precisa se apropriar seja um mundo não eh irreal, mas um mundo real. O grande desafio, Marcelo, é os são os posicionamentos que a gente precisa ter quando a gente assume esse lugar da docência. Qual é a minha compreensão de homem, de humano?
Qual é a minha compreensão de sociedade? Que sociedade eu projeto? Qual é as relações que estabelece diante do mundo que eu, professor, entendo na relação com essa criança essa compreensão aí?
Então eu digo que nossa profissão é política, mas ela não é política porque ela toma partido de algo, de algo como partido político, ela é política porque ela é coletiva. É o sujeito coletivo que nós precisamos formar diante de que sociedade, de que relações nós vamos estabelecer com essa sociedade nesse lugar. eh sensível, há que se ter um compromisso ético, há que se ter um compromisso social, há que se ter um compromisso político com a profissão.
Nesse sentido, a formação de professores não pode abandonar os seus fundamentos e ir apenas a uma dimensão pragmática ou prática. Nós precisamos manter dentro da formação de professores essas compreensões que estão no campo da sociologia, no campo da filosofia, da antropologia. da psicologia, o que as políticas públicas, Marcelo, vem retirando essa dimensão, não só da formação de professores, mas também da formação do estudante.
Quando a gente vai vendo a redução dessas áreas que são mais do campo da humanidade do que do campo efetivo do exercício prático, seja no caso da educação básica para o mercado de trabalho, seja no ensino superior paraa perspectiva do emprego. professor, eh, já que você citou sobre as políticas públicas, né, eh, pensando agora na política pública de formação de professores, eh, nós no Brasil a gente tem sempre aí novidades no que diz respeito à legislação, né, mudanças na na nas políticas públicas, eh, que, enfim, que organizam o setor da educação no país. na sua opinião hoje, quais são as lacunas, né, enfim, o que falta pra gente ter um uma política pública de formação de professores mais efetiva, né, enfim, mais atuante nessa perspectiva da gente pensar a docência como como direito humano?
Então, esse é um campo de muita disputa, Marcelo, né? de muita disputa. Eu eu eu milito no campo também das políticas no cenário nacional, mas nós temos uma instabilidade muito grande, porque o Brasil ele tem uma história de políticas de governo, não de uma política de estado.
Então, se a gente pegar a formação de professores, nós temos uma resolução em 2015, outra proposição em 2019, que nós lutamos nacionalmente pela revogação e pela não implementação. E agora já em abril de 2024, outro. Então veja, de 2025 para 2024 nós já temos várias proposições, inclusive a de 2024 de abril sendo implementada agora.
Nós estamos nesse momento discutindo na universidade, na na UEG, os estágios. Eu sou professor de estágio, então a gente tem feito essa esse diálogo. Eh, mas veja, você não tem um tempo de uma formação de uma educação básica brasileira que são de 14 anos.
Então você altera a formação de professores, mas você não aguarda um ciclo formativo do estudante para entender se essa perspectiva de formação foi de fato eh em que medida ela conseguiu avanços, em que medida ela não conseguiu para que você refaça. você já tem outra em 2019. E aí a gente tem no no cenário macroestrutural e político toda uma mudança de 2015 para 2019 no Brasil e no cenário político, que não não vou entrar nesses detalhes, mas de mostrar que há há um movimento de de reorganização.
E aí eu faço a seguinte análise, que o currículo é um elemento de poder, porque ele chega em todos os espaços, ele chega em todas as instituições do Brasil. Então, a Base Nacional como um Curricular está em todas as escolas, em todos os estados. Então, ela é, ele é um espaço de poder.
Essa base nacional exige um novo professor. Então, eu preciso de uma nova resolução. Então, você vai vendo políticas de muitas instabilidades ligadas a governo, a a interesses mais específicos de determinadas épocas e não há uma política de constância.
Então, a luta que a gente tem é para que a gente tenha princípios de políticas de formação de professores que não sejam alterados a cada governo, mas que sejam perenes e que isso possa perpassar. E a gente tem, Marcelo, um projeto de formação de professores discutido nacionalmente no país desde o final dos anos 80, né? eh com princípios de uma sólida formação teórica, de um princípio de formação na universidade com pesquisa, ensino e extensão, que é esse princípio que a gente vem defendendo paraa formação de professores.
Então, para mim, o grande desafio é essa instabilidade que a gente não consegue constituir para um projeto que seja implementado, avaliado, reavaliado, mas ele vai se alterando eh as políticas e vai se alterando principalmente por meio do currículo nas minhas leituras. Muito bom, professor Renato. A gente vai agora para um para um breve intervalo.
Daqui a pouquinho a gente volta e fique aí para mais conversa logo depois no segundo [Música] bloco. Muitas foram as mãos que construíram a Universidade Estadual de Goiás. Muitas são as memórias de homens e mulheres que contribuíram para que essa fosse uma grande universidade.
Agora, a UEGTV quer ouvir as suas memórias, conhecer o seu ponto de vista dessa grande história. Mais do que aquilo que a mente pode lembrar, queremos ouvir as memórias que ficaram guardadas no coração. Faça a inscrição de sua entrevista pelo www.
tv. br. g.
br. [Música] [Música] [Música] [Música] [Música] [Música] [Música] [Música] Estamos de volta com Saberes UEG, hoje falando sobre educação e formação docente. É, recebemos aqui o professor Renato da Unidade Universitária de Inumas da UEG, que está conosco conversando sobre sobre esse assunto.
Professor Renato, eh, o PIBID aqui na na nossa universidade, enfim, é uma ação muito importante dentro desse eixo de formação de professores, né? Eh, a universidade sempre tem conseguido aí bons resultados e na parceria entre a UEG e a CAPS. Eh, qual que tem sido a importância da universidade tocar os projetos, né, vinculados ao PIBID aqui na UEG junto à licenciaturas?
Então, o PIBID é um programa eh que a gente tem desde o início dos anos 2000, né, 2007, a CAPS passa a atuar na educação básica também. Eh, nós vivemos historicamente, é importante registrar o PIBID como uma política pública que permanece. Nessa crítica que eu que eu fiz anteriormente de de vulnerabilidade.
O PIBID é uma política que permanece. PIBID nasce em 2007 com a CAPS passa a atuar também na educação básica e ele nasce no conjunto das diretrizes curriculares pro curso de pedagogia de 2006, num momento de amplo debate do governo com as entidades acadêmicoscientíficas. FOPI ANPED.
E nesse cenário ele ele é importante, Marcelo, porque ele traz para o estudante a o exercício da docência no sentido dele estar na escola, dele vivenciar a realidade da escola, sem perder de vista o diálogo com a universidade. Então ele não traz um viés pragmático. E aí a gente tem várias produções e pesquisas sobre o PIBID ao longo disso.
Ele é importante por alguns motivos, entre eles o apoio ao estudante, o estudante que pode realizar uma carga horária dele na escola em diálogo com a universidade. Então a gente não aparta isso da universidade. E ele também nasce com uma perspectiva de apoio financeiro mesmo aos estudantes de licenciatura, de auxiliar esses estudantes para licenciatura.
Nós vamos ter ao longo da história do PIBID uma uma um caminho ali em 2017, 2018 com a residência pedagógica que tenta levar o PIBID para uma dimensão mais democrática. a gente tem uma luta nacional para manter o PIBID nas suas origens, para manter o PIBID com a sua com a sua perspectiva e ness nesse sentido mesmo do estudante, mas sim perder a universidade. O que a gente traz de preocupação quando a gente fala da política do PIBID e que a gente falava também quando ainda a residência não havia sido extinta, é que a gente não pode deixar o estudante ah compreender que ele vai se formar na escola pela escola, com a escola, numa num viés cotidiano da escola.
O cotidiano da escola é elemento para desvelar a realidade com a qual ele vai enfrentar, mas ele precisa olhar isso intelectualmente. Então, a parceria, escola e a universidade não pode se apartar. E uma outra questão que também é importante a gente alertar que o PIBID não pode ser entendido como o estágio supervisionado, né?
Por quê? O estágio supervisionado tem dentro da matriz curricular do estudante um sentido do da compreensão a partir da realidade na qual ele se insere numa dimensão acadêmica. O PIBID é a relação teoria e prática.
Então, o PIBID é um programa importante, necessário, no caso da nossa universidade, eh, é muito, eh, nítido os estudantes que a gente tem, que tá no PIBID, o que que ele traz paraa sala de aula, o que que ele discute sobre a escola, a noção que ele tem de realidade, os desafios que ele observa lá e que ele pode dialogar comigo numa disciplina, com o colega na outra disciplina. Então o PIBID passa a ser uma política muito importante e no caso brasileiro de continuidade desde 2007 nas universidades pelo país, né? Então a é é importante, né?
Que a gente olhe aí a gente vê agora a política nova, pé de meia e etc. E a gente vai vendo com uma certa eh um certo cuidado pra gente ver, olha o que que o Ped avaliou em relação ao PIBID para uma outra política para formação de professores, né? Como é que a gente tem visto o PIBID nas universidades, nos encontros nacionais que a gente tem do PIBID?
Então, eh, falar de políticas públicas é falar sempre desses grandes desafios, né, que é importante avaliá-lo. Enfim, eu acho que o PIBID, a minha opinião é que o PIBID é uma política importante, importante paraa nossa universidade, mas para várias universidades do país, em especial nas regiões eh mais pobres desse país, Centro-Oeste, Norte, Nordeste, como uma forma importante de fazer esse exercício intelectual que eu defendo na formação de professores. Professor, o PIBIT tem ajudado, diante disso que você tá nos contando, a criar uma zona de mais aproximação entre a escola e a universidade, de modo que a universidade também compreenda que a escola também é um campo de construção de conhecimento.
Sem dúvida, sem dúvida, né? A nós aprendemos na docência sendo docentes, isso é innegável. A gente aprende a ser professor sendo professor, mas não apenas sendo professor.
Nós aprendemos a a ser professor sendo professor e pensando sobre ser professor. Esse lugar da elaboração e da produção é na universidade. A universidade não pode se afastar da escola básica, assim como a escola básica também não pode se afastar da universidade, que é uma contradição que a gente tem vivido hoje nas políticas públicas.
Quando você olha paraa formação continuada de professores, aonde está a nossa universidade estadual na nossa secretaria de estado da educação? Qual a relação que a gente consegue estabelecer entre nós que produzimos conhecimento no campo da formação de professores e a SEDUC Goiás? E esse não é um caso só de Goiás, é o caso que a gente vai vendo que a formação continuada vai se afastando da universidade, porque a gente vai vendo uma concepção mais pragmática de resolução de problema.
de acompanhamento da prova Brasil, provinha Brasil. Então, nós precisamos enquanto universidade, enquanto eh espaço público de formação de professores aproximar da educação básica. Então a gente, por exemplo, a o curso de pedagogia em umas fazem esse trabalho com a Secretaria Municipal de Educação.
Então os nossos alunos fazem estágio nas escolas municipais daquele município. É uma aproximação pequena, mas é uma aproximação. Então é o PIBID é uma forma de aproximação, de trazer a escola para dentro, de trazer a realidade da escola atual para se pensar a formação de professores.
A universidade não pode ficar numa torre de marfim. sem entender qual é o cotidiano da escola e como é que é que é a partir desse cotidiano que a gente precisa produzir conhecimento. Professor, a gente vai para mais um intervalo e continue conosco.
Daqui a pouco a gente volta falando mais sobre formação de professores aqui no [Música] Saberes. O que é criar? Criar é imaginar, inventar, produzir, fomentar.
E é isso que o Crialab, o laboratório de pesquisas criativas e inovação e audiovisual da Universidade Estadual de Goiás, está sempre buscando. Com a participação de pesquisadores, estudantes e realizadores, nosso maior objetivo é pensar em um audiovisual cada vez mais criativo e inovador. Na telinha, na telona, vertical, horizontal, para ver e para ouvir.
Um novo jeito de olhar é o que buscamos por aqui. Venha ser criativo com a gente. Venha para o Crialab EG.
Entrevistas, videocasts, programas e muito conteúdo educativo. Tudo isso você acompanha no canal da UEGTV. Clique para inscrever-se e ative o sininho para ficar por dentro de tudo que acontece por aqui.
[Música] Nós estamos de volta com Saberes UEG. Hoje nós refletimos sobre educação e formação docente. Está com a gente para falar sobre o assunto o professor Renato Barros de Almeida.
Professor Renato, eh continua, então continuando então a nossa conversa, eh a epistemologia da praxis é apontada como fundamental na formação dos professores. Como garantir que a teoria e a prática estejam realmente eh integradas no processo formativo? Então, a base dessa epistemologia, que é uma teoria do conhecimento, é que pra gente ter um professor crítico emancipado, esse intelectual que é capaz de olhar diante da sua realidade, pensar e agir sobre ela, trata a ideia de uma da teoria e da prática não como duas coisas que se relacionam ou que se articulam, mas duas coisas que são amalgamadas mesmo, né?
é uma unidade. Não há possibilidade de uma ação sem uma reflexão, uma reflexão sem uma ação. Eh, nesse sentido, essa base teórica, ela parte do pressuposto de que esse professor intelectual é que é capaz de olhar aquela realidade, a inserção social daquelas crianças, cultural e a partir disso pensar uma possibilidade de transformação.
Ou seja, não está dado fora da realidade que esse professor insere a sua tomada de posição. Não adianta que a gente tenha a ideia de que é preciso que você tenha uma prática a para realizar. E essa prática A, ela é generalista e universal.
Ela não é. É preciso que esse professor tenha condições naquela realidade de pensar. Então veja, a gente vê algumas coisas dizendo assim: "Ah, agora vamos adotar uma metodologia inovadora, vamos fazer uma sala de aula invertida".
A inversão não é só o que se fazia antes, que era o ensino do conteúdo se faz em casa e agora você vem aqui discutir como se esse se essa inversão da troca da explicação feita em casa e o debate em sala de aula fosse universal para todos. aquela realidade que tá constada ali naquela sala de aula, ela precisa talvez não dessa inversão, mas de uma outra forma inovadora. Em outras palavras, eu estou dizendo, né, a ação não está na mudança do jeito do professor fazer, mas na condição que ele tem de colocar o aluno, o estudante em movimento do seu próprio pensamento.
Então, a epistemologia da praxis parte desse pressuposto de que a prática pedagógica é uma prática que precisa sim de uma diversidade de possibilidades, mas essa diversidade precisa ser tomada pelo professor diante da realidade que ele tem. Não, eu que não o conheço, que vou criar uma proposta metodológica para que ele realize lá na sala de aula. Professor, e a universidade, como é que ela pode eh contribuir na formação desse desse professor ou desse profissional de educação nessa perspectiva assim crítica, emancipatória a partir do que você tá tá nos contando?
Então, vamos pegar o exemplo aqui do PIBID para tentar ser mais objetivo. Então, o estudante vai lá e observa uma determinada eh criança que conversa sobre eh um assunto específico, cadeia alimentar. Ele diz assim: "Eu sou a baleia porque eu sou o maior do mundo.
" O outro não, eu sou o leão porque eu sou o mais forte. Eu vou comer você ou eu vou comer você? Nessa hora ao professor, ele pode fazer uma reflexão e dizer assim: "Bom, baleia e Leão não tem o mesmo habitate".
Nós podemos então a partir disso agora pensar uma possibilidade para as crianças. Esse professor que a gente defende crítico e emancipado, ele só não vai dizer, ele não vai apenas dizer o seguinte: "Não, não é leão não tem como matar a baleia ou a baleia matar o leão porque eles vivem em espaço diferente, presta atenção. " Não, ele pode fazer ali um projeto de trabalho com essas crianças sobre a diferença entre quem mora no oceano, na no meio aquático, quem mora no terrestre.
Esse exercício é um exercício que apenas um profissional e um intelectual consegue fazer a partir da realidade que as crianças têm. E nós, enquanto professores na universidade, é isso. Bom, o estudante chega com essa história.
E aí, o que que você fez? Como é que você interviu naquela realidade? Como é que você desdobrou esse assunto que aquelas crianças brincavam sobre essa questão?
E aí, Marcelo, isso vai aparecendo nas mais diversas, seja em questões de raça, seja em questões de gênero, seja em questões de conceito, como por exemplo, o habitate terrestre, habitate aquático, isso vai aparecendo. Agora, isso não vai est escrito num livro o que fazer na hora que a criança perguntar qual é o mais forte, se é a baleia ou se é o leão. Isso é um professor que precisa ter perspicácia.
PIBID é uma um exercício como esse. As disciplinas de estágio, quando eu vou com as alunas pra escola e falo: "Qual é o desafio que você identifica para essa turma de quarto ano do ensino fundamental nessa escola? " As crianças não leem.
Tem tem sete crianças da turma de 23 que não leem. Qual é a intervenção que nós vamos fazer? Então não tem um projeto pronto que ele vai buscar e vai falar assim: "Toma esse projeto, você precisa fazer esse exercício de pensar esse projeto, de pensar essa ação de intervenção que você tem.
" Agora, claro que a gente precisa de uma escola também e de uma de uma condição de trabalho que permita esse professor fazer esse exercício, né? Que enfim, né? essa essa resposta que você nos dá agora, acho que resgata um pouco lá da sua primeira resposta aqui no programa, que é a necessidade, né, de se ter uma formação que, enfim, eh, coloque no no na escola um profissional que consiga entender essas particularidades que vem com a com a história da criança, né, enquanto enquanto enquanto sujeito histórico.
Isso. Eh, isso, professor, me parece um grande desafio, né, do ponto de vista eh da formação, né, desses desses profissionais. eh, como é que a universidade tem se preparado, enfim, né?
Ou do ponto de vista de política pública, o que que seria uma situação mais adequada ou que se poderia ter pra gente pensar num futuro eh próximo, numa numa em políticas públicas, mas também em ações dentro da própria universidade no que diz respeito à formação desse profissional eh que você tá nos trazendo. Então, Marcelo, eu acho que a UEG tem um um grande trunfo que é a sua interiorização. Uhum.
Se é difícil formar um profissional da educação intelectual, é difícil formar isso nos mais diversos espaços desse estado, porque muitas vezes é negada a esse sujeito acesso. Quando você vê um programa de pós-graduação que abre 20 vagas anuais pra produção de pesquisa no interior do estado, como é o programa de educação de inúmas, isso resulta em avanços significativos para aquela determinada comunidade que vai projetando para outras comunidades. Então, a gente tem, por exemplo, lá o lançamento de várias pesquisas que fazem pesquisa ali mesmo no município, professores da rede municipal, professores daquela daquele município que passam a ter no programa referência desse intelectual.
os programas como PIBID, que vai para todos os para vários dos municípios do estado de Goiás e você tem um colega ali que conduz o PIBID naquele naquele município via universidade que faz esse exercício. O exercício intelectual ele é um exercício que a gente aprende, Marcelo, né? Nós não nascemos pesquisadores, nós aprendemos a ser pesquisadores, nós aprendemos a fazer pesquisa.
Então, acho que a grande contribuição que a UEG tem é essa capilaridade de interiorização que ela faz e esses espaços que a gente luta para a interiorização para pra gente chegar nesses diversos espaços, né? E acho que esse é o grande desafio. Nós temos produzido pesquisa, nós temos feito pesquisa junto aos professores das mais diversas redes.
Eu tenho, eu tenho orientando de Edeia, eu tenho orientando de Goianira, então são pessoas de outros municípios que vão levando também para suas redes um professor mestre, um professor doutor que vai atuar na educação básica, porque a defesa de que nós não fiquemos apenas na universidade, mas que a gente esteja também nesses espaços, né? Então acho que a universidade tem o seu tem esse compromisso social, esse impacto na sociedade que é formar cada vez mais professores, professoras que têm esse perfil, essa dimensão eh intelectual que a gente defende. E pensando do ponto de vista institucional, professor, as secretarias de educação dos municípios, a secretaria do estado, enfim, são espaços que que, enfim, dão voz ou e que acolhem eh esse professor, enfim, crítico, emancipado, que busca uma atuação assim para além do da média, né, que às vezes a gente encontra sobretudo no serviço público.
Então, Marcelo, eu acho que esse é um ponto que a gente ainda tem que conquistar, né, de uma forma muito franca. O que que a gente vê nacionalmente? Secretarias de Estado da Educação que fazem parcerias de formação continuada de seus professores muito mais vinculadas a organizações sociais do que às universidades.
Então, a gente tem visto um crescimento alto de contratação externa à realidade do estado, a realidade dos seus municípios para fazer essa formação, né? Então, eh, a minha minha pesquisa que encerra agora em junho é sobre formação continuada de professores e quanto de influência internacional e nacional dessas instituições atuam sobre as secretarias. Então, acho que ainda a gente precisa conquistar esse espaço.
Esse espaço tá bem apartado, né? A formação continuada dos professores das redes estaduais e municipais. E eu tô falando de Brasil, até por conta de dados da pesquisa, ela não se faz especificamente em parcerias com as universidades.
Eh, um outro ponto que também eu acho que a gente precisa avançar é naquilo que diz respeito às condições dos professores da rede, das redes estaduais e municipais para sua formação. Então, a gente tem dificuldades com que os nossos orientandos de mestrado e de doutorado com as licenças, por exemplo. Entendi, né?
Então, a gente tem visto algumas secretarias fazendo algumas resistências em relação a isso, que é uma questão ruim, porque se o professor fica do anos afastado fazendo mestrado, ele volta, mas ele volta um professor para essa rede eh muito melhor, muito melhor, mas ele volta crítico também. E aí, de repente isso isso atrapalha um pouco essa dinâmica eh da política eh que a gente tem, porque a gente tem um movimento nacional das políticas muito vinculado à avaliação de resultados. Marcelo, isso, isso a gente tem enfrentado também alguns desafios, né?
Porque esse professor intelectual nem sempre ele responde a demanda da provinha Brasil, nem sempre ele responde à demanda de um de um IDEB, porque quando você toma uma uma política eh vinculadas às avaliações de resultados, você passa a fazer preparatório para as provas. E aí esse professor que é intelectual, que tem outro tempo, que a aula dele tem um tempo que é de reflexão, não vai eh alinhar-se a essa lógica da da política de avaliação, né? Então, os estados que se alinham mais à políticas de avaliação, essa esse distanciamento das redes municipais e estaduais é maior com relação à defesa desse professor que eu faço de de um professor como um intelectual que se forma, que tem um tempo para estudar, que tem o tempo para pensar, né?
Acaba virando redes em que é muito preenchimento de planilha, muito preenchimento de dados e os professores esgotam nessa coisa intensificada de fazer e de produzir números. e perde-se essa questão da qualidade. Então, em síntese, eu acho que a gente precisa avançar, avançar em aproximação política com as redes estaduais e municipais no nosso estado, mas mais ainda no nosso país.
Sor Renato, muitíssimo obrigado pela conversa, pela sua presença aqui no Saberes. Foi muito bom ter-lo conosco. Eu que agradeço, né?
Quero aproveitar para dizer que nós vamos receber em Goiânia, Marcelo, de de 12 a 14 de maio, o encontro nacional da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação. A UEG é uma parceira da ANFOP, parceira eh neste evento. Então, convidar todos vocês a participarem desse encontro.
Eh, é um encontro comemorativo dos 39 anos da carta de Goiânia, uma carta importante paraa formação de professores e paraa educação no Brasil, eh em que a gente declara pra Constituição de 88 o que que a gente queria paraa educação no Brasil. Então nós vamos comemorar o a quarta Conferência Brasileira de Educação que aconteceu em Goiânia em 1986. Todos convidados de 12 a 14 de maio a participar do 25 22º Encontro Nacional da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação, Brasil todo aqui em Goiânia para discutir formação de professores, presença dos da da de pessoas também ligadas ao executivo nacional nesse bom debate que a gente vai fazer nesses próximos três dias aí.
Bom, fique o convite pra participação do evento em abril. Eh, agradecemos muito a sua participação conosco hoje nesse primeiro encontro dos saberes de 2025. Você que deseja receber sua certificação do encontro de hoje, não deixe de fazer o seu pedido, se inscrever no link que a produção do programa disponibiliza e para essa para essa finalidade.
E a gente espera semana que vem e para mais um encontro dos Saberes UEG aqui na UEG TV. Um abraço e até semana que vem.