e ao contrário do que supunha redecard o conhecimento seria criado a partir de uma lógica social é através do contato com o mundo e com outros e através de intenções sobre esse mundo que ideias são criadas nenhum saber seria não situado todos os saberes estariam dentro dessa natureza social e assim desse modo nenhum deles seria neutro são isso sim Sempre articulados por sujeitos sujeitos que no fim das contas estão relacionados a contextos particulares interesses e intenções afinidades e por aí vai Pois bem mesmo apesar disso tudo ao longo da modernidade foi criado uma suposição do
contrário uma suposição e seria possível um modelo único uma explicação Universal uma explicação que exatamente por ser Universal excluiria uma série de outros saberes nesse movimento de supor universalistas uma dimensão política é atrelado ao conhecimento haveria aqueles que anunciam que produzem e saberes e outros os que são submetidos a eles as saberes a um processo de tornar uma percepção particular em uma suposição Universal transformar uma concepção cultural em um pressuposto natural biológico do mundo em si EA proposta de Colonial tenta exatamente lidar com isso de colonizar significaria reverter esse processo e abrir a possibilidade de
outros saberes tratarem som é mas como tornar essa proposta em algo prático real aqui nós chegamos ao ponto crucial de tudo que a gente anda comentando e tem um autor que gostaria que você conhecesse um autor que seria capaz de colocar tudo isso de forma Clara e prática um sujeito chamado Boaventura de Sousa Santos e e tu Boaventura de Sousa Santos é preciso colocar imprimir o plano esse lado político da construção e da legitimação de certos saberes lembra Natal geopolítica do conhecimento que a gente estava falando a pouco a ideia de que haveria um sistema
político global que define saberes válidos e saberes Inválidos pois bem por Boaventura o principal foco se é desafiar esse tal sistema mundo essa caracterização geopolítica dos saberes mas para isso seria preciso romper com a ideia de universalismo do conhecimento e É nesse sentido que ele Boaventura propõe uma noção que importantíssima para a gente aqui a noção de pragmatismo epistemológico pragmatismo aqui vem da Leitura que Boaventura de Sousa Santos o autor norte-americano lado a virada do século 19 para o século 20 um cara chamado John dewey dentro da lógica do pragmatismo seria necessário refletir sobre as
ideias a partir do impacto real prático dessas dez criam no mundo o pragmatismo trata exatamente dessa percepção de que os saberes se direcionam as coisas impactam essas coisas e a partir desse Impacto dos saberes sobre as coisas que eles os saberes devem ser considerados o John dele que faz parte dessa linha pragmatismo ele não focava principalmente na relação com o ensino para ele aprendizagem deveria ser pragmática ou seja voltar-se ao mundo no sentido de lidar com ele e possibilitar efeitos práticos para o DIU e o que é ensinado e aprendido deve contribuir E se fosse
ferramentas a serem usadas pelos sujeitos para que eles consigam lidar com o mundo a ideia de que o ensino não ocorre para além do mundo das coisas práticas do mundo mas ocorre exatamente para esse mundo e visando lidar com as práticas desse mundo aliás nas reflexões da pedagogia essa idéia de pragmatismo ajudou a encaminhar uma série de outras reflexões e propostas sobre como organizar o ensino e aprendizagem propostas que tentam organizar currículos por exemplo com a intenção de possibilitar reflexões sobre o mundo isso não apenas nas ciências humanas mas também na prática de laboratório de
sei lá biologia por exemplo a ideia de que o conhecimento organiza práticas no mundo e como tal deve ser Ah pois bem é a partir dessa consideração dessa concepção pragmática sobre o conhecimento que o Boaventura de Sousa Santos Pensa a idade epistemicidio que a gente está todo o nosso último vídeo se lembra então epistemicidio seria a destruição de saberes ao longo do processo Colonial saberes que são Calado e silenciados apagados e e pensam por exemplo no livro didático de filosofia basicamente são livros de história da filosofia e quais autores você vê por lá no ver
Platão Aristóteles Santo Agostinho Tomás de Aquino de kart Rei deu e por aí vai se nota alguma coisa em comum a todos eles todos são de uma tradição específica do pensamento uma tradição euros entrada Isso é uma geopolítica do conhecimento supõe o conhecimento tido como válido como aquele relacionado a um contexto geopolítico da Europa e as tradições que derivaram de lá pensa esse mesmo livro não a partir do que tá lá mas sim a partir do que não foi colocado lá isso aí que tem sítio saber isso Tupis egípcios luz Guar e já não Mamis
E por aí vai todos os excluídos desse reconhecimento enquanto saberes válidos se entende quando Sei lá o pensamento Tupi é considerado só a partir de tradições de origem europeia como por exemplo antropologia quando rola sim o tal pensamento Tupi por exemplo ele não é considerado como um pensamento propriamente dito mas como um objeto de estudo a partir de reflexões vindas de outro espaço geo-político de conhecimento epistemicidio essa prática política de apagar outros modos de conhecer o mundo é [Música] e esse de feminicídios ele se dão em relação a tal suposição de um conhecimento único racional
e Universal Então me acompanha quebrar com essa colonialidade que conduz estais epistemicídios para quebrar com ela seria preciso quebrar também com essa pretensão à neutralidade de um conhecimento Universal e como fazer isso aí é que entra a proposta do pragmatismo segundo o Boaventura de Sousa Santos a inveja definir saberes válidos e Inválidos segundo um critério de neutralidade critério de neutralidade que no final das contas acaba escondendo uma disputa colonial de poder como a gente acabou de ver ao invés de categorizar saberes a partir desses critérios de neutralidade e objetividade não for categorizá-los a partir de
um pragmatismo não seja da sua capacidade te ligar de lidar com problemas palpáveis de criar alternativas e soluções para o mundo real e aqui tem um ponto importante não é supor um problema Universal mas encarar as especificidades de questões particulares para cada qual dessas particularidades soluções próprias ele tenta pensar a ideia dos conhecimentos A partir dessa linha do flagra batismo como como se fossem instrumentos o saco mundo a gente toma decisões a gente escolhe agir dessa ou daquela forma informados por certos conhecimentos o grande problema dos epistemicídios é que ao longo do colonialismo nós fomos
descartando um por um desses instrumentos desses saberes nos sobraram poucos apenas aqueles de uma certa tradição em específico a tradição europeia esses epistemicídios no fim das contas eles acabam nos enfraquecendo nos enfraquecem exatamente por limitar em nossas possibilidades de ação no mundo por limitar a quantidade de problemas diferentes que a gente é capaz de resolver ao não medir os conhecimentos a partir de uma disputa política da colonialidade e sim a partir de sua capacidade de lidarem com problemas e o pragmatismo epistemológico ele tenta rever Exatamente isso pragmatismo epistemológico para o Boaventura de Sousa Santos seria
como uma espécie de antídoto a colonialidade e mais que isso seria um caminho para possibilitar novas soluções para problemas que não conseguimos resolver a partir apenas de uma tradição e desses saberes eurocêntricos E para isso seria necessário fazer saberes apagados como Tupis Yanomami zulus eo Buzz para essa construção de alternativas possíveis e mais seria necessário que todos esses saberes dividir sem espaço dividir sem espaço em políticas públicas e estratégias educacionais modelos econômicos E por aí vai esse dividir espaço seria fundamental é não hierarquizar esses conhecimentos de saída supondo saber e superiores e inferiores mas priorizar
estes ou aqueles dependendo da sua capacidade em lidar com este Ou aquele problema hierarquizá-los não segundo critérios supostamente universais mas sim a partir de um pragmatismo epistemológico É nesse sentido que o Boaventura de Sousa Santos o Finn já necessidade de uma diversidade epistemológica e que acaba chamando de uma Ecologia de saberes coexistência de conhecimentos no espaço público e na organização de estratégias políticas saberes que não se excluíam mutuamente é como enriquecer um instrumental disponível essa caixa de ferramentas que a gente usa para lidar com o mundo quanto mais rica e diversa essa Ecologia de saberes
mais amplas são as nossas possibilidades de lhe darmos com problemas diferentes aqui tem um ponto e é importante pensar como essa Ecologia de saberes seria viável no contexto de um ambiente virtual com a internet é isso poder levantar umas reflexões sobre algoritmos E como eles operam nas redes sociais olha só a principal intenção de um algoritmo é organizar os conteúdos de uma forma convidativa para que o usuário permaneça conectado como algoritmo faz isso ele cria um ambiente de confirmação os algoritmos reforçam posturas políticas concepções de mundo e todos os gostos que o usuário demonstra para
a plataforma as redes sociais então reproduzem esse padrão nos conteúdos que apresenta para o usuário ao mesmo tempo que reafirma crenças e o afasta de alteridades de experiências diferentes diferentes das suas Ele termina por confirmar e naturalizar as crenças do próprio usuário nesse sentido os algoritmos num fortalecer em uma lógica e a colonialidade ele se reforçariam ideias que historicamente já se supõe o universais nessas Tais bolhas como comumente se chama essas comunidades homogêneas criadas pelos algoritmos a possibilidade de uma possível Ecologia dos saberes é bem dificuldade exatamente por confirmar e reconfirmar a postura do usuário
não facilita a sua abertura pessoal a outras percepções e outros saberes isso pode ser uma reflexão importante sobre redes sociais EA circulação de informações no meio do Virtual a partir de uma perspectiva de colonial e de um pague matismo ecossistema lógico no final das contas é como seis algoritmos eles reforçassem uma lógica prévia uma lógica prévia da colonialidade que por si só já se supõe natural naturaliza é coisa do mundo quando esses algarismos água íntimos eles reforçam essa essa dimensão da colonialidade eles acabam pegando exatamente naquilo que essa comunidade colonialidade é forte a suposição de
que o mundo é desse jeito que o mundo dado desse jeito mas então dentro dessa tal geopolítica do conhecimento montada ao longo da idade moderna a Ecologia dos saberes seria fazer emergir epistemologias do Sul conhecimentos oriundos do hemisfério sul e que gradualmente foram silenciadas em nome de conhecimento do Norte e a formação de um fundo global de um caminho de trocas de experiências e saberes entre Esses povos e tradições que foram submetidas historicamente a epistemicídios essas epistemologias do Sul esses conhecimentos do Sul possibilitariam segundo Boaventura de Sousa Santos outras possibilidades de ação e aqui se
abre todo uma gama diferente de propostas de intervenção quando a gente se depara com alguma questão a ser resolvida no mundo algum problema a gente acaba tomando uma tradição euros entrada como uma única saída possível para repensar certos padrões políticos por exemplo a gente acaba e se valendo de referências muito próximas a esses mesmos padrões a ideia do pragmatismo epistemológico e da ecologia de saberes a pontaria possibilidades muito diferentes Aquelas que nós pressupomos como naturais políticas públicas sobre questão de território de Educação de saúde meio ambiente qualquer outro assunto poderiam ganhar estratégias totalmente novas caso
conseguimos desnaturalizar esses conceitos seria se valer desse conhecimentos a partir das suas capacidades de pragmaticamente gerir o mundo e os seus problemas saberes europeus ameríndios e africanos por exemplo utilizados segundo as suas capacidades específicas sobre temas igualmente específicos isso tudo a ver a nova Gama de repertórios possíveis para enriquecer as suas propostas de intervenção no seu material no livro tem alguns desses conceitos não europeus dessas epistemologias do Sul e eu queria pontuar e meio que complementar a um deles aqui ó o Ubuntu é uma noção filosófica muito importante alguns grupos do sul do continente africano
grupos como uso luxuosas What in the Belly Pois então o bumbum tu vem de dois conceitos o burro e um tour Hugo significa totalidade da existência uma existência que perpassaria tudo Independente de suas particularidades é algo que é compartilhado e que se conecta todos um Tur por outro lado é a particularidade de um determinado ser aquilo que o diferencia de outros que marca sei lá sua individualidade Ubuntu portanto seria a conexão entre o todo e o particular o coletivo e o indivíduo é uma forma de transcender esse dualismo no fim das contas as duas coisas
o indivíduo eo coletivo e assim misturar iam o indivíduo só seria possível como tal como indevido a partir da sua conexão com a coletividade ou um tu existe a partir do bulbo segundo um ditado Zulu "uma pessoa é uma pessoa a partir de outras pessoas ainda o próprio coletivo o BO só é do jeito que é porque cada Qual dos indivíduos no tu são do jeito que são aí percebe uma coisa esse conceito vai além da oposição entre indivíduo e coletivo mudar a mim mesmo é impactar O todo possibilitar que o outro seja melhor é
uma forma de possibilitar que eu seja também melhor porque ele impacta positivamente coletivo e o coletivo impacta positivamente e isso pode inverter alguns raciocínios naturalizados que a gente carrega sobre certos temas por exemplo em 2017 o Enem trouxe um tema que deixou muita gente Perdida na hora de pensar numa argumentação o tema era desafios para a formação Educacional de surdos no Brasil eu peguei impulso é se focar exclusivamente na ideia de inclusão mas essa mesma noção de inclusão pode ser colocado em perspectiva eu era Suponha que seria necessário inserir esses sujeitos em um sistema pré-estabelecido
mas sem transformar esse próprio sistema Mas pensa comigo esse sujeitos não impactariam próprio sistema em si Ou melhor não transformariam o hobo a ideia de Ubuntu trattare a questão da formação educação de surdos não apenas na Esfera individual ou seja de possibilitar o acesso a esse sujeitos e o desenvolvimento sei lá de seus potenciais pessoais não só nesse esfera individual mas também na possibilidade de contribuírem com o próprio sistema educacional seriam ou a experiências outras perspectivas que enriqueceriam a todos pela percepção de Ubuntu uma questão como essa poderia ser pensada a partir de outro viés
que não aquele a pena de possibilitar o desenvolvimento do cacional ou formativo desses sujeitos em específico desses indivíduos em uma proposta de intervenção poderia ser explorado esse outro lado reconhecer esses indivíduos como capazes de ajudar na transformação do coletivo indivíduos dotados de experiências que não devem apenas ser incluídas mais reconhecidas como possíveis conhecimentos de uma Ecologia dos saberes Rio 2016 rolaram duas aplicações no Enem e por isso foram dois temas diferentes redação mas ela não temos que podiam partir de discussões semelhantes na primeira aplicação O tema foi "caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
na segunda aplicação O tema foi "caminhos para combater o racismo no Brasil e a noção de Ubuntu poderia contribuir para destacar que nenhuma dessas violências seja a intolerância religiosa o racismo em uma das violências parte apenas os indivíduos que as cometem são violências que são gestados no coletivo no hubo combater essas violências portanto deveria passar por políticas públicas que não se restringissem ao ato individual da violência mas que se estendessem a coletividade aliás sobre esses temas a ideia de interseccionalidade seria bem interessante lembra kimberlé crenshaw que a gente comentou a pouco o combate à intolerância
religiosa deveria considerar suas intersecções com racismo como em relação à tradições de origem africana por exemplo o combate ao racismo deveria levar em consideração entrecruzamentos com fala sobre sexualidade e gênero por exemplo e nisso tudo garantir a existência desses outros saberes e experiências segundo a percepção de Ubuntu poderia possibilitar uma transformação da coletividade os caminhos para o combate a essas violências dentro dessa lógica não deveria se limitar a tolerância ou a inclusão mas se na garantia denunciar esses saberes diferentes de compôr uma Ecologia de saberes e possibilitar outras práticas diante do mundo de outras possibilidades
de estratégias para solução de problemas palpáveis são esses saberes como capaz de anunciarem possibilidade sobre o mundo de participarem na construção do sistema e não apenas serem incluídos a ele nota como essa lógica de colonial de epistemologia do Sul pode abrir a série de novas abordagens sobre diferentes temos no livro de vocês a indicação de outros conceitos não eram centrados a idade chaire pé e a ideia de ananci explorando as nações pragmatismo epistemológico Ecologia de saberes e colonialidade esses conceitos podem fazer formas muito originais de propostas de intervenção e esse é o foco aqui tentar
reconhecer em nós mesmos o que nós temos de conhecimentos universalizados colocar isso em questão um cheque e abre a possibilidade para abordagens mais originais que saiam desse centramento