até ano que vem tô indo pra China, né? Porque, cara, eu me apaixonei muito por pelo que a China tem feito. Como você disse, tirou milhões de pessoas da extrema pobreza.
Ainda tem muito pobre, mas não na extrema pobreza, né? E é um país bem organizado. Agora, uma questão que eu queria entender contigo é a seguinte: a China é um estado forte, isso ninguém tem dúvida.
Por um outro lado, você fica limitado em questão de liberdade de algumas questões, por exemplo, lá você não tem acesso ao Google, ã, redes sociais, eles são bem centralizadores, né? O que que eu quero entender contigo é na sua opinião, é melhor um estado forte, mesmo que você tenha que perder um pouco da sua liberdade? >> Depende do que a gente chama de liberdade, né?
Essa grande discussão da China é que as pessoas lá não são livres. você perguntar pro chinês, ele não, ele não tem essa preocupação. Ele não o conceito de do chinês, nome do povo oriental como um todo, de liberdade é muito diferente da nossa, né?
Então você fala: "Ah, você é livre aí no Brasil, mas você tem que andar de carro blindado, você não vai pra periferia, você tiver na Paulista, você não você não vai ficar atendendo o celular no meio da avenida porque você vai ser roubado. " Então, para eles, isso é um absurdo, né? Eh, e na China você pode fazer tudo isso sem grandes preocupações, você não vai ser assaltado.
E tem muitas coisas que são fake news, né? Eh, não sei se já entrevistou aqui o o Felipe Durante, >> ele tem um canal que que ele fala muito sobre isso, né? Sobre >> eh ele mora lá, é o engenheiro, foi trabalhar numa indústria, ele mora lá e ele faz vídeos mostrando como é o dia a dia da China, né?
Eh, de repente você é até interessante você tirar essa essas dúvidas do dia a dia, ele ele ele responde todas. >> Convite aqui para no nosso podcast >> e o e o Felipe mostra lá que toda sempre que sai uma fake news dessa, ele vai lá e mostra que não é assim que funciona, né? Então, que bom que você vai pra China assim, só indo lá para você realmente ver.
Eh, e você vê que tem muita gente que vai se surpreende, né? >> Uhum. >> Eh, com com a vida lá e como é o conceito de liberdade.
Quando a gente fala de redes sociais, eh, essa é uma crítica que todo mundo faz. Eu até acho que eu tive lá no no Vilela e o pessoal falou: "Ah, lá não pode ter only fans". Tipo assim, mas que preocupação é essa, né, que a pessoa tem que ter?
Eh, hoje, eh, num tem um livro do Ianvaro Fax que chama Tecnofodalismo, que ele fala que a gente já passou, nós estamos superando o capitalismo para um que ele chama de tecnofealismo, né? É o domínio de todo o mundo pela tecnologia, pelo principalmente pelas bigtechs, né? Eh, e você vê que esses movimentos que os Estados Unidos fez desde que o Trump assumiu, é tentando proteger o poder eh não só econômico, mas o poder político dessas Bigc, porque elas definem eleições no mundo inteiro, né?
>> Com certeza. foi a grande preocupação aqui. Então, quando a gente olha isso e da onde aonde está chegando, a gente olha o exemplo chinês, você pode falar: "Put, eles fizeram uma coisa certa", que foi proibir que as bigtech tivessem o domínio sobre o mercado chinês.
Mas você não eh isso que eu tô falando é fake news. As pessoas se elas quiserem ter acesso a ao Google, ao YouTube lá, elas podem, elas conseguem via VPN, elas conseguem e o governo sabe disso. Só que o governo criou um mercado deles, das redes sociais deles, né?
Então eles têm lá o Chat, tem o próprio TikTok, então são redes sociais deles onde os algoritmos e os dados de toda a população chinesa não fique na mão de uma empresa estrangeira, né? Então aí você fala: "Ah, mas é uma ditadura tá na mão deles, mas o nosso tá na mão nos Estados Unidos. Todos os meus dados, todos os seus todos meu costume de consumo, tá tudo na mão das bigteags americanas.
Isso é um poder imenso. Quem gente sabe hoje na economia da informação que a gente chegou, que hoje é que a gente vive é a economia da informação, a economia da atenção, né? Eh, o o bem mais valioso nessa economia hoje são dados, né?
Então, quanto mais as empresas colhem de dados das pessoas, mais poder ela tem eh de fazer os seus negócios, né? Então, a gente sabe disso, né? Você abre o Instagram e olha um vídeo sobre um microfone, você vai ficar um mês toda hora aparecendo um vídeo, quais são os melhores microfones do mundo recebendo.
Então, isso é poder econômico, né? E o que a China fez foi se blindar disso, né? Ela sabia que a economia dela ia crescer porque ela tinha um planejamento longo prazo.
Ela sabia que ela teria essas necessidades e ela não deixou que isso ficasse na mão de empresas estrangeiras. E hoje parece ter sido uma decisão correta, né? >> Ô, o importante, olha, olha como é importante vocês que estão nos assistindo estarem com a mente aberta para receber informações, porque realmente quando a gente fala de falta de liberdade, o que o Cobor falou aqui é muito muito real.
Às vezes eu tô falando aqui com a Carol, pô, vamos vamos alugar um jet ski, mas eu nem escrevi no celular. Olha que loucura. Do nada começa a aparecer aqui para mim na no Google ou no no em outra rede eh informações de de jetsk para alugar e a gente começa a se falar: "Pô, então qual é a liberdade que eu tenho?
Se tudo que eu falo aqui, ó, tá sendo observado, né? Outro dia, não sei se é fake news ou não, até que se você souber pode colocar aqui. Há há anos atrás teve um tsunami, um terremoto no Japão e um repórter brasileiro perguntou pro para um japonês na rua, né?
Poxa, vocês não têm medo de morar em um país que tem tsunami, que tem terremoto? E essa pessoa que tava sendo entrevistada, ela falou: "Eu teria mais medo de morar no Brasil que em um farol, um semáforo. Você pode tomar um tiro".
Então, eh, e aí a gente começa a entender que, poxa, o que que é liberdade? O que que é viver numa ditadura ou não? E aí eu queria até te perguntar, Cobor, aqui no Brasil, pro estado ser mais forte, seria necessário a gente voltar a uma ditadura, o exército tomar conta ou não?
politicamente a gente consegue fazer com que isso, sem a questão de de um exército tomar conta, mas ter um um estado mais, o que que seria necessário pra gente ter um estado mais forte? >> Essa é uma decisão política, né? Como a gente vive numa democracia, por mais que seja uma democracia que a gente chama de uma democracia liberal e burguesa, a gente ainda tem o caminho da democracia via eleições.
Eh, tudo isso de o estado ser mais forte ou não, é uma decisão política. Eh, existem uns trabalhistas que defendem o que a gente chama de um estado desenvolvimentista, né, que foi o que aconteceu no Japão, foi o que aconteceu na Coreia do Sul, que é um estado, por mais ainda e ligado no sistema capitalista, foi um estado desenvolvimentista, ou seja, eu sou o indutor da economia, eu tenho o papel de desenvolver a economia, foi tudo isso que aconteceu e esses países se desenvolveram. Então, o que a gente sobre o ponto de vista econômico defende é que o estado seja forte e presente na economia.
é ele que induz é todos os investimentos e todos os setores estratégicos que devem se desenvolver. Então, o estado necessariamente, no meu ponto de vista, tem que ser mais forte. Eh, eu costumo brincar, existe dois caminhos, né?
um a gente continuar no nosso sistema democrático seguindo e um outro que os mais radicais defendem que é uma revolução. Eh, não existe outro caminho. A revolução talvez seria o caminho mais rápido, mas obviamente muito mais traumático, né, de você mudar as coisas muito mais rapidamente.
O outro é que na nossa no nosso sistema político, a gente tem vê os partidos de esquerda tentando ocupar mais espaço para tentar eh implantar essa pauta de um estado mais forte. Eh, o que é innegável é que o Estado brasileiro é grande, mas ele é grande paraa minoria da população. A gente tava falando aqui no início da da operação lá no Rio de Janeiro, eh, pra maioria da população, o estado é inclusive ausente, né?
Ele não tá presente e o estado tá presente e pras classes dominante, para elite econômica, a gente sabe disso, né? É muito diferente a gente aqui em São Paulo, você morar aqui nos jardins, >> né? se morar no Jardim Europa, no Itaim, eh, no Vila Olímpia, é outra realidade.
Você for começar a ir pra periferia, você vai ver a ausência do estado na periferia e a presença muito forte dele, eh, onde estão as elites eh econômicas, né? Então, assim, o estado existe, ele já é grande, só ele não tá presente onde deveria estar, né? E é aquilo que eu falo, o poder econômico se traduz em poder político, né?
Tudo que a gente vê acontecer no Congresso é sempre para para defender o interesse dessa classe eh dominante, que é a minoria, né? Tudo que você tenta passar no Congresso politicamente, eh, para tornar o Estado mais presente para as populações mais carentes, você vê que isso é barrado no Congresso Nacional, né? Mas é o caminho que a gente tem.
Se a gente votou por não fazer uma revolução, a gente tem que tentar mudar o sistema político eh de dentro dele, né? >> Quando você fala revolução, seria o exército toma frente. >> É uma revolução que que as pessoas falam é o estilo do que aconteceu na China, uma revolução comunista, né?
Você tomar o estado, as classes trabalhadoras, no caso no na China, né? os camponeses, a classe trabalhadora que tomou o poder na China, né? >> Eh, logo depois do final da Segunda Guerra Mundial, teve voltou-se a Guerra Civil, na realidade durante a Segunda Guerra Mundial já existia, né, essa guerra civil eh, do Malto Setung contra o Partido Nacionalista ali do Shank, né?
E aí houve-se uma trégua ali, né, para combater inclusive a invasão japonesa na China, né, e a China tava do lado dos aliados, né, e aí recebeu ajuda também, do ocidente, mas literalmente foram foi o próprio povo chinês que conseguiu eh vencer ali, pelo menos no território chinês, a Segunda Guerra Mundial, expulsar o Japão do território da China, até porque o os Estados Unidos estava guerreando com o Japão em outras ilhas, né, obviamente fornecendo ajuda na medida do possível, mas eh basicamente foi o povo chinês que expulsou eh, o império japonês da China, né, que tava já tinha dominado Taiwan e já tinha entrado no norte da China. E aí, acabada a Segunda Guerra Mundial, aí eles terminou aquele acordo, né, para expulsar os japoneses da China e eles voltaram pra guerra civil, que foi o Partido Nacionalista eh do Shankaique contra o exército vermelho do Malto Setung, né? E aí foi vencida essa revolução comunista, né?
Eh, que aí o Shankaique fugiu para Taiwan, né? E e se formou a ilha ali depois até acho que a gente até falou aqui no outro episódio, né? que eles passaram a considerar que Taiwan era China, mas por interesse eh nos Estados Unidos, né?
Mas aí teve a revolução comunista na China e eles implantaram o sistema comunista que tá vigente até hoje, né? E obviamente implantada o essa revolução comunista, eles colocaram eh dentro do que eles julgavam ser necessário para tornar eh o estado forte, né? Porque você sabe que o comunismo, na realidade é o é o estágio final do socialismo.
O socialismo ainda tem a presença do estado e depois o comunismo seria a ausência total do estado, né? Então, na realidade, a, apesar de ser o Partido Comunista Chinês, o regime na China é um um regime socialista, né? É, o comunismo nem existe, né?
>> É, o comunismo nem existe. No mundo, não existe, né? Ainda é um ideal, né?
>> A a ser seguido, mas eh o sistema que existe na China é um sistema socialista, um socialismo de mercado, né? É um sistema onde o estado forte organiza o sistema de mercado, né? as trocas comerciais, eh, que tem mostrado, tem tido muito sucesso.
Então, eu não vejo assim, sinceramente as pessoas que eu converso bastante, que são mais revolucionárias, né, eh discordam de mim, mas eu não vejo um um ambiente nem eh cultural e nem filosófico na nossa sociedade para implementar uma revolução. >> Uhum. >> Eu não consigo ver isso, tá?
Por isso que eu ainda sou ainda do da pessoa que vai dialogar e tentar convencer que a gente tem um caminho a fazer dentro eh desse sistema político para que a gente eh melhore a situação de todo o povo com a presença mais forte do estado, porque o estado, eu sempre falo aí na é um terceiro que eh regula relações desiguais, né? Então, até no início, no surgimento do estado, é esse sempre foi o objetivo, né? Sempre se não existir o estado é a lei do mais forte.
É o mais forte vai sempre subjulgar o mais fraco, né? Então o estado é um terceiro que regula essa relação desigual e obviamente se ele regula uma relação desigual ele tem que estar lá para proteger o mais fraco, porque o mais forte não precisa de proteção, né? Então, e não é o que a gente costuma ver na maioria dos países, né?
O estado em algum momento, ele é coptado pelo poder econômico e ele tá sempre defendendo, na realidade, os mais fortes e não os mais fracos, né? Então eu acho que se a gente não tem um ambiente com a revolução, a gente tem que arduamente seguir o caminho da democracia e da política para tentar mudar isso por dentro. Yeah.