Tratamento foi desenvolvido em mais de 35 anos de pesquisa e mais de 60 milhões de dólares já foram investidos pelo Ministério de Saúde dos Estados Unidos no desenvolvimento desse tratamento. Esse tratamento se desenvolveu em laboratórios e centros de excelência para tratamento de autismo, principalmente nos Estados Unidos. E ao longo desses 35 anos foi se desenvolvendo e em 2010 se transformou em um modelo clínico de tratamento para crianças com autismo.
O que isso quer dizer? que depois de 30 anos de pesquisa identificamos que era um modelo que apresentava características de desenvolvimento para as crianças, de suporte à socialização e de redução dos sintomas de autismo tão intensos que valia a pena transformá-lo em um tratamento clínico para as crianças no espectro do autismo. O modelo precoce de Denver tem um nível de robustez científica e de demonstração de eficácia tão importante que foi reconhecido pela agência de saúde dos Estados Unidos, do Canadá e de múltiplos outros países como sendo um tratamento de referência para o autismo e hoje é considerado por muitos o melhor tratamento de autismo que existe no mundo.
Mas qual a diferença do modelo precoce de Denver para outros tratamentos? O modelo precoce de Denver centraliza os esforços do tratamento exatamente no coração dos sintomas do autismo, ou seja, a reciprocidade social, o engajamento social, o interesse social. O primeiro objetivo do nosso trabalho é trazer a criança de volta para a interação social, fazer com que a criança observe mais, imite mais, interaja mais com outras pessoas, com adultos e crianças.
é auxiliar as crianças a usar a própria motivação que elas têm por objetos e por pessoas para o aprendizado de novas habilidades em todas as esferas do desenvolvimento de comunicação a motricidade fina, passando por imitação, jogo, competências sociais, habilidades cognitivas e habilidades de independência social, independência pessoal e comportamentos adaptativos. Todas as esferas do desenvolvimento são contempladas no modelo precoce de Denver. Neste modelo, nós utilizamos o jogo, A brincadeira como base para o aprendizado.
E não um jogo controlado que acontece somente num ambiente estruturado, mas o jogo no chão, em que nós fazemos rotinas, sensórios sociais, em que o interesse da criança guia a intervenção. O modelo precoce de Denver utiliza vários princípios, incluindo os princípios da análise aplicada do comportamento, mas apenas os princípios. Vamos lembrar que a análise aplicada do comportamento não é um modelo de intervenção e sim uma ciência, a ciência do aprendizado.
Então nós fazemos esse trabalho dando suporte para o aprendizado, fazendo o mesmo trabalho de suporte e esvanecimento, mas o suporte à criança acontece dentro de um contexto natural, dentro do contexto de jogo, dentro de um contexto em que ela vai vivenciar. A sala de terapia do Denver é um quarto de criança. Geralmente a terapia é feita até mesmo em casa, a grande maioria das vezes.
E adaptamos o ambiente para que a criança possa ser capaz de aprender, de funcionar, de se desenvolver dentro do ambiente natural da criança com as brincadeiras que ela geralmente gosta de fazer. Existem 13 aspectos que nós olhamos para garantir que o modelo de Denver está sendo bem executado. O primeiro aspecto diz respeito à gestão da atenção da criança.
Nós tentamos garantir que a criança está distribuindo bem a atenção dela entre nós e o material que faz parte da terapia. para o modelo precoce de Denver. Se a criança está fazendo um quebra-cabeça, mas não existe troca social, não existe troca de olhares, não existe reciprocidade, esse aprendizado não é suficiente, porque o coração do autismo não são as dificuldades cognitivas.
O coração do autismo são as dificuldades de comunicação social, de engajamento social. E por isso, pro Denver, a gestão da atenção da criança é absolutamente fundamental. O segundo aspecto são os aspectos do aprendizado.
Se nós temos uma sequência baseada na ciência do aprendizado, que tem antecedentes claros, comportamentos apresentados pela criança sendo reforçados ou reduzindo a sua frequência de acordo com a consequência dada pelo adulto. Então nós gerenciamos o aprendizado da criança. O terceiro aspecto é justamente a qualidade do suporte que estou dando pra criança.
Estou dando suporte para facilitar que ela seja capaz de aprender mais diretamente. Estou dando um suporte que seja sistemático. E para tudo isso existe uma avaliação que é feita.
A cada vez que fazemos uma supervisão, verificamos a fidelidade de implementação e se todos esses itens estão presentes. O quarto item é a gestão do nível de alerta da criança. Uma criança que tá hipercitada não consegue se concentrar para aprender, mas uma criança que tá hipoexcitada e que tá desmotivada também não tem a mesma percepção e o mesmo aproveitamento.
Então nós gerenciamos a motivação e também o nível de alerta da criança. O quinto aspecto é a gestão dos comportamentos inapropriados. Se a criança está fazendo comportamentos inapropriados, como lançar objetos, bater, fugir sistematicamente, evitar o contato social, nós precisamos trabalhar para que a criança reduza esses comportamentos e os substitua por comportamentos mais apropriados, porque senão a taxa de desenvolvimento da criança fica muito lenta.
O sexto aspecto é justamente a reciprocidade. A criança está consciente do adulto, da sua presença, dos seus turnos, do seu papel na interação, do seu papel no jogo. Se a criança não está consciente, ela pode até mesmo estar fazendo o jogo e participando.
Mas se ela não estiver consciente do outro, interagindo com o outro para o modelo precoce de Denver, o ganho ainda é muito limitado. O sétimo aspecto diz respeito à gestão da motivação da criança. Nós estamos seguindo a liderança da criança, estamos elaborando as atividades para que elas se tornem interessantes.
Estamos fazendo uma boa distribuição entre as dificuldades da criança e as coisas que ela tem mais facilidade de fazer. Estamos ensinando coisas difíceis e fáceis de forma intercalada? Estamos respeitando a motivação da criança e terminando antes dela se tornar muito desmotivada?
Vamos fechar a atividade enquanto ainda existe motivação. Tudo isso diz respeito ao sétimo item, que é de gestão da motivação da criança. O oitavo item diz respeito ao afeto.
O afeto positivo. Existe um afeto positivo genuíno, natural, que percorre todas as atividades e que a gente utiliza esse afeto para ganhar mais ainda motivação e criar ainda mais um laço com a criança. E mais, esse afeto é recíproco.
A criança demonstra ao longo da terapia esse afeto. A terapia, pelo modelo precoce de Denver, é uma terapia afetiva. O nono item diz respeito à sensibilidade do adulto, a capacidade do adulto em perceber as comunicações verbais e não verbais da criança e a respondê-las de forma apropriada, a ser responsivo e não somente ignorar ou deixar passar desapercebidos as tentativas da criança de se comunicar, de se expressar.
O 10o item diz respeito à qualidade da comunicação. Existe uma frequência suficiente de oportunidades de aprendizado de fala e de comunicação não verbal? O terapeuta está sendo capaz de adequar o seu nível de linguagem ao nível de linguagem da criança?
E o 11º item diz respeito à diferença das funções da linguagem. O terapeuta está tentando ensinar múltiplas funções da linguagem ou ele tem se concentrado em somente uma? Precisamos ensinar as crianças a pedir, a comemorar, a celebrar, a partilhar, a negar, a fazer efeitos sonoros, fazer gestos.
Todas as funções da linguagem tem que estar aqui contempladas. O 12º item diz respeito à estrutura. Eu tenho uma estrutura de atividade que auxilia a criança a perceber quando a atividade está começando, a facilitar a transição de uma atividade para outra, sem que haja um conflito muito grande, sem que a criança tenha uma quebra e uma ruptura muito grande da sua motivação.
Estou contemplando a abertura, uma abertura clara da atividade que deixa claro com quem e com o que vamos fazer essa atividade. Estou desenvolvendo um tema que deixe claro como e quais ações são esperadas da criança. Estou fazendo variações para ampliar o repertório da criança.
E além disso, estamos fazendo uma transição que é clara, que é fluída, sem ter que levar a criança fisicamente, mas que ela se conduza gradualmente ao longo da transição. E por último, nós olhamos especificamente a transição. Nessa transição, nós fizemos um fechamento em que a criança se move de forma autônoma, que ela tem a liberdade de escolher as próximas atividades, que ela tem a liberdade de participar e de aprender até mesmo durante a transição de uma atividade para outra.
E além disso, a transição foi clara? A transição ocorreu de maneira harmoniosa ou não? Então, gente, o modelo precoce de Denver utiliza estratégias naturalistas, estratégias no ambiente natural.
reforço natural. Não utilizamos reforço alimentar, não utilizamos reforço com iPad. O reforço é o próprio reforço da interação social que vai se construindo à medida que a criança avança na terapia.
O controle instrutivo, ou seja, a capacidade da criança de se engajar e de participar, vem pela sua própria motivação, pelo prazer que ela tem em fazer as atividades. Porque uma criança que não tem prazer na atividade que está fazendo, quando o terapeuta vira as costas, para de fazer aquela atividade e em casa, na escola, com os coleguinhas, vai acabar não fazendo aquela atividade. Se a criança não gosta de brincar com blocos e faz aquilo na terapia porque não tem escolha, quando o terapeuta virar as costas, ela não vai ficar em casa brincando de empilhar blocos.
Muitas crianças no espectro do autismo fazem terapia, mas quando o terapeuta vira as costas, ficam andando de um lado pro outro, se estereotipando, assistindo televisão e vídeos o dia todo e não se engajam em nenhuma atividade realmente funcional. Então, o coração do Denver é garantir que o prazer esteja presente, que a motivação esteja presente para que a criança generalize os seus aprendizados. Se você gostou desse vídeo, se ele te ajudou de alguma forma, não se esqueça de compartilhar o vídeo para que outros pais e profissionais possam também compreender um pouco mais sobre o modelo precoce de Denver.
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