Aí galera que curte engenharia clínica, hoje eu vou falar pra vocês sobre o FMEA e o RCA. São duas ferramentas que a gente usa para fazer o gerenciamento de risco, que é o tema que a gente tem estudado nesses últimos vídeos. Afinal de contas, é razoável que uma organização hospitalar procure entender quais são as fontes de risco e os mecanismos de ação que levam um evento indesejado ocorrer.
E o FMEA e o RCA são duas ferramentas que os profissionais de engenharia clínica podem utilizar para ajudar na determinação, no conhecimento dos riscos e na proposição de medidas de controle. Se você já conhece o FMEA e o RCA, fique aí, você pode emitir alguns comentários e ajudar a gente a melhorar os nossos vídeos. Se você não assistiu ainda, fica com a gente que você vai aprender um pouco mais sobre esses dois importantes temas que afetam os profissionais da engenharia clínica.
FMEA: Failure Mode and Effect Analysis Ele procura identificar de maneira proativa, ou seja, a gente usa essa ferramenta quando o evento ainda não ocorreu para identificar quais são os modos de falha, como que as falhas podem ocorrer e uma vez identificando como essas falhas podem ocorrer, o que vai decorrer dessa situação. Então são duas coisas, são duas atividades que se complementam com o objetivo de fazer uma atividade proativa, identificar riscos e facilitar o gerenciamento de riscos. É importante, é uma análise multidisciplinar, cada tipo de profissional envolvido num evento possível tem visões diferentes que se complementam e dão maior precisão para o tema.
Você pode usar a árvore de decisões para analisar cada etapa de um evento, um fluxograma ou mesmo a matriz de riscos, inclusive tem um vídeo que a gente já deixou aí colocado no canal, você pode rever e entender como ele pode ajudar você a fazer uma análise desse tipo, uma análise prospectiva, riscos que não ocorreram. Para ilustrar um pouco eu vou tomar um caso aqui que foi o caso de uma queda de um monitor na beira do leito que a gente poderia ter analisado essa possível causa antes. Por exemplo, o monitor poderia cair sobre o paciente?
Sim, ele poderia cair sobre o paciente se a base dele estivesse colocada sobre o paciente. Essa base poderia estar inclinada? Sim, poderia estar inclinada.
O fabricante poderia ter deixado de dar uma recomendação segura sobre como utilizar aquele equipamento? O equipamento tem partes móveis? Ele poderia se movimentar?
Que cuidados eu deveria ter quando eu vou acomodar o paciente em um leito qualquer? Um leito qualquer ou de UTI particular que foi nesse caso que eu estou comentando. Seria necessário prender o equipamento na base?
Enfim, eu posso fazer uma quantidade de perguntas para poder identificar esse fato que a gente sabe que ocorre. Então por isso que hoje já no projeto arquitetônico o pessoal tem lançado mão de dispositivos de segurança que a gente coloca do lado da cama, não fica sobre o paciente, então diminui bastante o risco de queda, mas esse caso que aconteceu pode mostrar com clareza como o FMEA poderia ter sido utilizado. Então se você atua dentro do hospital com engenharia clínica, você conhece como os equipamentos funcionam, conhece os riscos inerentes a cada equipamento você pode já com sua equipe começar a praticar uma análise do FMEA em situações de risco.
Faça isso, não custa muito. Você pode fazer 1, 2 ou 3 riscos por ano, no final de um período você vai ter essas questões muito bem endereçadas. E o RCA?
O que significa isso e como que a gente pode usar? O RCA significa "Root Cause Analysis", ou análise da causa raiz. É uma ferramenta que procura ir um pouco além daquelas questões básicas, óbvias e e aprofunda um pouco mais no problema para poder identificar o que levou aquele evento ocorrer.
Ele é um processo que não é focado na pessoa, no indivíduo, é uma atividade de trabalho que procura medir onde um processo pode ter falhas no desempenho. Por exemplo, recentemente, recentemente não, há uns dois anos atrás a gente teve um incêndio em alguns carros próximos de um estabelecimento de saúde. Durante a carga de oxigênio líquido ocorreu esse incêndio e analisando aqui, eu particularmente não fui lá investigar, não participei, não tenho dados concretos, mas a gente pode raciocinar algumas coisas.
Por exemplo, a gente sabe que no abastecimento de oxigênio, por ele ser criogênico, à baixa temperatura ele é mais pesado que o ar. Aliás, ele já é mais pesado que o ar. Então numa falta de movimentação de ventilação natural ou artificial aquilo se acumula no local fica uma névoa de oxigênio muitas vezes presa dentro da instalação conforme ela foi projetada e construída.
Outra coisa: será que os carros não estavam muito próximos do tanque de abastecimento? A gente sabe, às vezes você abre o capô do carro e vê o óleo por todo o motor que acaba não pegando fogo por falta de oxigênio suficiente porque calor e combustível você tem ali. Quando essa nuvem de oxigênio entra em contato com o motor quente, com aquele óleo que é o combustível, a combustão é muito mais facilitada.
Então por isso pode ter ocorrido esse acidente. Outras questões, por exemplo, se não foi o motor do veículo que estava estacionado que estava quente, poderia ser, por exemplo, a falta de aterramento ou teve um vazamento foi maior que o normal, porque. Enfim, existe uma série de perguntas que a gente pode fazer para descobrir o que aconteceu e o que pode ser feito para corrigir isso.
A gente teve um acidente também com uma autoclave que foi noticiado na Bahia e foi anunciado como uma explosão do equipamento e nesse caso eu tive o cuidado de ligar, fazer uma ligação, falar com o pessoal e eu entendi o que aconteceu. Segundo eles foi a guarnição da tampa da autoclave que por uma razão qualquer, não foi substituído na preventiva, foi colocada de maneira errada, era a guarnição errada, ela acabou não suportando a pressão interna da autoclave e deu vazão para o vapor que estava dentro pela junção porta-guarnição com a estrutura da autoclave. Então foi um escape de vapor repentino e não uma explosão de uma autoclave.
Então é isso aí pessoal. O FMEA e o RCA são ferramentas que os profissionais de engenharia clínica podem conhecer e utilizar e basicamente aquela métrica que eu tenho falado que é reconhecer os riscos, saber que eles existem depois medir a magnitude do risco, o tamanho dele, saber se ele é grande ou pequeno comparado com referência legal normativa e aí você propor medidas de controle. Então é isso aí, você está na Escola de Engenharia Clínica no YouTube, o nosso tema é gerenciamento de risco e qualidade e hoje o FMEA e RCA como ferramentas para podermos trabalhar.
Se te perguntarem sobre FMEA e RCA, você já tem um comecinho para começar a conversar, recomendo que estude um pouco mais e mais uma dica que eu quero dar, reforçar esse manual de segurança no ambiente hospitalar, ele foi produzido pela Anvisa só que quando foi publicado ele deixou de ter os índices, as referências bibliográficas fazer menção às pessoas que participaram, então nós escaneamos esse documento e temos ele disponível para enviar para quem quiser estudar um pouquinho mais essa questão de segurança no ambiente hospitalar. É só mandar um e-mail pra escola@engenhariaclinica. com que a gente manda pra você sem problema nenhum.
E também se você tiver dúvidas na interpretação do manual é só falar com a gente que nós temos interesse em lhe ajudar a ter um entendimento maior sobre tudo o que está colocado aqui. É isso aí! E no mais, muito obrigado pelo seu tempo!