olá bem-vinda bem-vindo ao ponto de vista conhecer as raízes históricas e sociais que moldaram as Relações raciais em nosso país é essencial para discussão sobre as desigualdades que ainda persistem nesta edição do ponto de vista Vamos explorar a evolução do ao longo da história brasileira desde a colonização até os dias atuais vamos nos aprofundar no conceito de racismo estrutural suas origens históricas e as implicações sociais e políticas que ele traz neste mês em que teremos pela primeira vez no Brasil um feriado nacional no dia da consciência negra 20 de novembro vamos receber o renomado historiador
e Professor Carlos Alberto Medeiros com uma carreira dedicada ao estudo das desigualdades e do racismo estrutural Professor Medeiros oferece a perspectiva sobre como esses fenômenos estão enraizados em nossa história e como impactam a vida cotidiana de milhões de brasileiros o professor nos ajudará a compreender como esses legados históricos continuam a influenciar a sociedade contemporânea e os desafios que enfrentamos na busca de um futuro mais igualitário muito bem-vindo Professor obrigada por atender ao nosso convite eu agradeço pelo convite é um prazer bom professor eu gostaria de começar o sehor fazer uma pequena análise eh da nossa
história do racismo brasileiro já que o Senhor tem estudado o racismo estrutural não é como o próprio termo diz o a sociedade brasileira foi estruturada em cima do racismo foi estruturada em cima da escravidão escravidão de Africanos eh que era um um algo alicerçado sobre o racismo né e a escravidão foi o eh eh eh especialmente importante em todos os ciclos da economia brasileira ela sustentou desde o ciclo da cana de açúcar da mineração todos eles e eh após a abolição da escravatura e eh o racismo Então continua estruturando a nossa sociedade a gente vê
e os espaços que são ocupados ocupados pelos negros ah a desigualdade né E como isso afeta e eu diria não apenas a população negra afeta o conjunto da sociedade brasileira que poderia ser muito mais avançada do ponto não apenas do ponto de vista econômico Educacional uma série de aspectos se eh os negros tivessem acesso enfim a a essas a a a a essas possibilidades de ascensão social isso eu digo inclusive porque eu já já estive na sede do Banco Mundial em Washington e do banco interamericano que são organizações do capitalismo eles diz exatamente isso que
esse problema afeta o conjunto da sociedade brasileira a economia principalmente EC né Eh até porque a gente viu que houve uma política de atração de populações brancas para evitar que o negro Viesse a ocupar esses espaços do mercado de trabalho não é isso é foi a política de imigração que foi implantada entre as décadas de 1850 e 1930 e ah por ela vieram para o Brasil segundo as estimativas 4 milhões de europeus um número que equivale ao número de Africanos trazidos para cá como escravos a maioria das estimativas há quem fala em 5 milhões de
Africanos mas de qualquer maneira 4 milhões de europeus que eh se estabeleceram Principalmente nos estados do Sul que naquela época compreendiam São Paulo também de São Paulo para baixo digamos e e ah que Eles escolheram em função do clima por ser um clima mais parecido com o clima da Europa n é então se esses europeus não branquearam o Brasil como um todo como era objetivo eles branquearam significativamente o sul e a gente vai ver que não por acaso é uma região onde o racismo também se apresenta de forma mais explícita eu queria que você falasse
um pouquinho também do movimento negro antes da abolição da escravatura porque nós tivemos vários abolicionistas eh que se empenharam pelo abolição e que só agora mais recentemente a gente eh começa a estudar esse trabalho que foi feito eu diria que a luta do negro no Brasil contra esse sistema começa exatamente nas primeiras décadas da escravidão eh segundo as fontes históricas os primeiros africanos foram trazidos para cá como escravos na década de 1530 1536 para a lavoura de cana de açúcar na capitania de São Vicente ou já já o sistema de plantation de exploração intensiva do
do recurso os recursos da terra e também da mão deobra e já nessas primeiras décadas começam as revoltas de escravos que vão acontecendo pelo Brasil afora e também um fenômeno que ganha uma singularidade aqui não aconteceu apenas aqui que são os quilombos em outros países da da América Latina são chamados de palenques marrones cimarrones eh que também aconteceram pelo Brasil a fora o mais importante do Qual dos quais Palmares S eh durou cerca de 100 anos lá na terra da barriga no atual estado de Alagoas e de onde veio essa grande figura que tá sendo
exaltada com esse feriado que você mencionou zumbi é e os nomes que o senhor pode citar nossa história dos abolicionistas Ah bom nós temos José do Patrocínio Eusébio de Queiroz nós temos Ah uma série deles que lutaram não é Luiz Gama Com certeza há uma série deles e o mas é muito interessante que o patrocínio Faz um uma uma dá uma explicação muito muito boa a respeito da concomitância da Abolição com a república então Abolição foi o Brasil foi o último país das Américas a abolir escravatura em 1888 2 anos depois de Cuba e mais
de 20 anos depois dos Estados Unidos e o movimento a a Republicano no Brasil ganhou força Por quê O que Patrocínio chama dos os republicanos do 14 de Maio aqueles brancos escravocratas que se consideraram prejudicados pelo Império com abolição e viraram republicanos isso explica também porque nossa República nasce Primeiro ela nasce com um golpe de estado Sim e ela nasce mais mais atrasada mais retrógrada do que o império é muito curioso isso E aí as lutas passam a ser eh a abolição já tinha sido alcançada as lutas passam a ser contra o racismo contra a
discriminação racial sim e os movimentos sociais como que surgiram esses movimentos sociais e a gente teve inclusive no início dos anos 1900 um partido negro não foi não digo o partido negro na verdade eh isso é muito interessante você eh eh Talvez o movimento mais importante do ponto de vista do número de membros foi a frente Negra frente negra brasileira fundada em São Paulo em 1931 curiosamente que tinha uma pendência de direita era ligada a ao movimento integralista de prío salgado mas não não não significa absolutamente que ela negasse o racismo Então ela tinha uma
atuação tanto do ponto de vista ideológico como também ela tinha ah bailes festas grupos de teatro tinha isso é muito interessante uma sessão voltada para estimular os negros a se inscreverem como eleitores numa época que o voto não era obrigatório e em 36 a frente se transforma num partido político e nós tivemos Então esse partido político de 36 a 37 quando o golpe do estado novo fecha não a frente Negra especificamente fecha todos os partidos políticos não é mas tivemos então nessa época o que nós temos a partir da da década de 70 é esse
que eu chamo de movimento negro contemporâneo são essas novas organizações que já surgem com inspiração tanto dos movimentos na África os movimentos anticoloniais na África Especialmente nos países de língua oficial portuguesa Angola Moçambique e Guiné Bissau Cabo Verde e também com influência dos Estados Unidos dos movimentos nos Estados Unidos e aí chegam aquele slogan de black power né que atenção nos Estados Unidos não quer dizer cabelo não black power é poder negro essa expressão cabelo black power foi criada no Brasil é mesmo é curiosamente e é porque os negros americanos já assumiam o cabelo negro
né E tinha esse slogan do black power que era o poder ne E também o black is beautiful Sim Isso foi fundamental música né isso veio muito pelo sou pela música não é e também os filmes Então os negros americanos tinham desses dois veículos os filmes aqueles filmes que eles cham de black spit filmes com heróis e heroínas negros apresentados como belos po isso já vem detrás pode ser R Bela fonte mas isso se acentua na segunda metade da década de 60 jime Brown e vários outros né Ah aquele filme cheft aquela série de três
filmes cheft o ator acaba de morrer Até recentemente e tudo isso Traz essa força e a música que era o sou né esse gênero que não nasceu assim ele nasce em meados da década de 50 e depois ganha na década de 60 ele ganha ele passa a ser um veículo paraa exposição dessas desse dessas novas posturas do movimento negro-americano isso teve uma influência grande aqui com os baires de sou no Rio São Paulo Bahia Rio Grande do Sul e por aí a fora até queria que o senhor fizesse uma compar porque nos Estados Unidos o
racismo era assumido com leis racistas oficialmente e aqui no Brasil não como é que foi essa influência pra gente utilizar os mesmos mecanismos que foi utilizado lá nos Estados Unidos não essa exatamente a influência das imagens né era muito poderoso porque com aquelas imagens você se via eu me lembro quando e a eu comecei a ver né Essa essas imagens nos filmes nas séries mas para mim o momento de corte foi eu trabalhava no centro do Rio e aquelas bancas aquelas passava bancas de jornais que vendiam publicações estrangeiras e lá tinha uma revista ebon sim
que é uma revista e americana negr dos negros americanos fundada em 1945 e até que um dia eu resolvi comprar a revista comprei lembro que isso comprar uma revista de negro já era se assumir como negro de uma certa forma e a capa da revista era um senador um senador um jovem político negro lá da Geórgia ah eh e abri a revista os anúncios todos os anúncios com a pessoa eu falei isso aí sou eu e comecei a deixar o cabelo eu tinha né comecei a deixar o cabelo foi um dos primeiros no Rio e
Isso mudou a minha minha minha autoimagem né e teve repercussão no mundo feminino eu comecei a olhares essas coisas né do das mulheres isso me reforçou a identidade mas quando a coisa mais eh eh vigorosa para mim foi quando eu comecei a frequentar os bailes os bailes de sou né sim eu tava acostumado aí em festas de negros no Rio Grande do Sul e era bom né porque ali você não seria ofendido ninguém ia contar piadinha racista se eu tirasse a menina para dançar ela não quisesse não é porque eu era negro infelizmente não aconteceu
mas no baile de sol tinha uma outra coisa que era o orgulho negro Sim eu me lembro no primeiro que eu cheguei eu olho assim aquele mar de cabelo afro e falei essa é minha cara aqui né é eu queria que o senhor falasse também um pouco das políticas públicas da evolução das políticas públicas voltadas paraa reparação do racismo que ocorreu Olha eu digo para você que grande a grande vitória do movimento negro nesse no pós-abolição foram as políticas de ação afirmativa que começaram a ser aplicadas tem uma lei da alérgia Assembleia Legislativa do Rio
de Janeiro de 2001 passa a ser aplicada no no vestibular de 2002 os primeiros alunos entram 2003 e isso se propaga pelo Brasil aa né Eh muito curioso tem gente que acha que isso foi uma coisa do do PT do Lula ele depois deu o apoio mas isso foi uma luta do movimento negro e começa a Universidade de Brasília ah com Zé Jorge Carvalho ah aliás um professor branco que puxou essas políticas aqui Universidade do Estado da Bahia Universidade Federal da Bahia Universidade Federal do Pará pelo Brasil afora e 2012 dois Marcos do o Supremo
aprova essas medidas como constitucionais numa decisão surpreendentemente unânime e o governo federal adota pro conjunto das Universidades públicas e eu digo das universidades federais e eu digo que eh isso não só mudou a a paisagem humana das Universidades públicas né eu era o único aluno homem negro na escola de comunicação quando fiz meu doutorado ou meu minha graduação escola de comunicação da UFRJ havia umas duas três mulheres e mais recentemente discursando as disciplinas do doutorado história comparada dezenas de negros então Isso mudou mas eu digo que mais do que isso foi obrigar a sociedade brasileira
discutir a questão racial ela tá presente todo dia praticamente todo dia nos jornais impressos na no jornais televisivos eh e aumentou o número de repórteres de de âncoras os negros na publicidade tudo isso tem mudado muito à sociedade brasileira inclusive também na área da cultura porque passaram realmente a mostrar mais o negro na TV eh não só porque antes era só no esporte na música né e que eles apareciam e e os programas não só as novelas né passaram a mostrar mais os negros em outras áreas sim sim é é é a gente vê isso
todo dia né professores negros negros em tudo quanto juízes médicos não é então mostrando que a gente pode ocupar qualquer lugar Pode ocupar qualquer espaço eh a gente teve essa política de cotas raciais digamos pra educação queria que o senhor falasse também de outras medidas reparadoras que foram surgindo para reforçar o combate ao racismo estrutural Olha eu digo que uma uma uma área muito importante eh tem sido as as empresas várias grandes empresas têm adotado políticas de diversidade racial com maior ou menor profundidade mas isso tem mudado também né eh eh essa área então a
gente tá vendo agora executivos negros eu v o meu banco ser atendido por gerentes negros uma coisa que não havia isso então tudo é é resultado também dessas políticas e é interessante porque a visão isso começou também nos Estados Unidos e com a visão de quê De que esse tipo de política não beneficia apenas os negros ou as mulheres os homossexuais os grupos sejam atingidos por elas elas beneficiam a empresa por quê a empresa assim Pode captar os talentos que estão dentro desses grupos e que seriam Discriminados não chegariam à empresa então isso também tem
se espalhado e é muito bom e o trabalho do movimento negro eu queria que o Senor Contasse um pouco também da história do crescimento do movimento negro no Brasil que H eh várias nuances né mudanças como é que foi isso não é eu digo então esse movimento contemporâneo que chamo começa na década de 70 e o Marco é a Fundação em 71 em Porto Alegre do grupo Palmares que se mais não tivesse feito seria muito importante porque vem dele a ideia de se comemorar o 20 de novembro como ele chamavam dia de zumbi ou dia
do negro nãoé e essas organizações começam a aparecer pelo Brasil a fora no Rio de Janeiro nós fundamos o a cimba sociedade de intercâmbio Brasil África o ipcn Instituto de Pesquisa das culturas negras que era um nomes de fachada a Simba nunca fez intercâmbio com a África PCN não pesquisava eram para não afrontar a ditadura né exatamente usando um termo mais direto isso só começa a acontecer já em 78 já quando começa a abertura que vem o movimento negro Unificado que era primeiro movimento negro Unificado contra a discriminação racial E essas organizações se espalham para
você ter uma ideia um censo que foi feito eh 1989 mostrou mais de 600 organizações pelo Brasil a fora então elas estão por toda parte Claro que tem algumas nuances eh eu diria nenhuma dessas organizações é de direita elas tendem a ser de centro esquerda mas tem formas de atuação diferentes existe essa luta também como você mencionou pela reparação né que algumas alguns militantes do movimento negro T adotado e e a a luta aí tá tá presente diariamente também agora o registro histórico é muito importante porque o senso ele passou a citar eh a cor
a raça das pessoas muito recentemente não não não não desde o primeiro Censo 1872 foi o primeiro senso mas as pessoas eh não respondiam né assim dizend não era feito com tanta amplitude mas ali você já tem a categoria branco preto pardo e não havia a categoria indígena ah é mas se classificavam como par é os o quem tava fazendo Censo é que definia exatamente é é isso houve momentos por exemplo o sensos eh houve sensos em que não se fez essa pergunta sobre raça barra cor como eles falam hoje porque achavam que era desnecessário
que as pessoas não iam não iam ser sinceras e tal eh e ele ele eh acaba se impondo não é e junto do além do senso nós temos também as pesquisas nacionais por amostra de domicílios que são feitas com grupos mais reduzidos e é interessante porque no Censo a pergunta sobre barra cor é fechada Ou seja você tem que escolher uma daquelas categorias branco preto Pardo amarelo e desde o senso de 91 indígena na na nas pesquisas para amostras de domicílio pinares você pode dizer o que você quiser É então apareceram na pá de 1976
136 categorias né Então isso que levou alguém a dizer mas você vê essa questão de raça Não tem não a maioria delas 7% a maioria 90 e tantos por ah a foram exatamente dentro das categorias tradicionais né dentro das categorias tradicionais é claro que houve lá quem dissesse sou marrom bombom sou cor de chocolate mas isso no no no na na na choc na eh digamos nos números Gerais foi insignificante essa pesquisa foi feita com em torno de 60.000 pessoas que que significa que se uma disser que sou marrom bombom não significa absolutamente nada né
Então as tradicionais preto branco Pardo eh B que prefere negro né foram foram a pegaram 96% da pesquisa agora vamos pros Desafios que políticas públicas ainda são essenciais Porque infelizmente o racismo ainda prossegue eh até antes eu queria que o senhor fizesse uma diferenciação de racismo Estrutural para racismo institucional que a gente tá vendo mais sendo divulgado agora mas o que ainda é necessário fazer é o o estrutural é esse que a sociedade brasileira tá estruturada em torno dessas desigualdades não é isso que eh mantém a própria sociedade da maneira como ela é Ela é
baseada nisso ela é estruturada nisso o racismo institucional eh é o racismo praticado por organizações Eu tenho um exemplo não sei se teria o tempo para falar tudo isso mas eu tenho um exemplo muito interessante algo que aconteceu comigo um do da uma das situações dolorosas que eu vivia na época que morava em São Paulo eh tinha uns 10 anos de idade um garoto da minha idade e ele era sócio atleta do Tênis Clube Paulista da área de natação e ele veio me convidar o diretor tinha pedido que ele os outros trouxe levassem outros meninos
Claro para aumentar a rede de captação de talentos eu não conhecia bem São Paulo São Paulo era meio parecido na minha visão com o Rio Grande do Sul fiquei meio preocupado mas eu fui Infelizmente eu tava certo nós não passamos da portaria o porteiro foi até Grosso não não tem vaga não tem vaga mas o Vitor meu amigo o diretor pediu não pode sair pode sair eu voltei para casa e chorei eu sabia o que que tinha acontecido uns dois dias depois o Vittor veio me procura eu fui falar com o diretor né Aí ele
falou assim a primeira coisa que o diretor falou como é que ele é diretor imediatamente decodificou o que tinha acontecido aí ele é um moreninho nós não aceitamos pessoas de cor ou seja o não foi uma ação do porteiro era uma regra do Clube portanto era institucional mesmo que não estivesse escrito explicitamente nas normas tá dizendo assim o clube se reserva o direito de não aceitar que não sei o que era ali mas a prática era essa né muitos clubes tinham essas regras né sim isso vem de de muito tempo né Por exemplo em Porto
Alegre o primeiro que que ainda vive foi criado em 1872 sociedade Floresta Aurora que continua lá até hoje mas como você falou pelo Brasil aa uma música dober Gil fala do tempo que preto não entrava no baiano Clube baiano de tênis nem pela porta da cozinha ou seja nem para trabalhar isso na Bahia as pessoas imaginam que seja uma coisa do Sul que seja uma coisa de Elite não necessariamente né com certeza e os desafios Professor o que ainda a gente precisa fazer para combater esse racismo é nós temos aí todas essas desigualdades né que
são ainda desigualdade do ponto de vista de de rendimentos de educação tratamento recebemos da polícia e do Judiciário pros quais nós somos culpados até prova em contrário o que nós temos que prosseguir É nesse projeto de ah conscientização da sociedade brasileira mostrar os o os malefícios que isso provoca não apenas para nós negros mas para o conjunto da sociedade e aumentar então esse apoio para irmos derrubando Essas barreiras então nós temos que e Ah claro que as políticas de ação afirmativa tem sido muito importante mas temos que começar desde o curso primário desde o antigo
primário agora o o fundamental um ou seja temos que levar uma educação de qualidade para as crianças no Brasil no modo geral eu me lembro que quando eu estudei quando eu era criança as escolas públicas tinham qualidade mas elas eram em número muito reduzido então o que que a ditadura civil militar hoje se fala assim fez ela expandiu a rede pública Mas aí o que que fez caiu a qualidade do ensino cairam o salarios dos professores Então tem que se atacar e por essa ponta que é fundamental e e estudar também a história do negro
né que isso já é é obrigatório mas não é cumprido frequentemente a lei 10600 45 e depois houve a a outra que incluiu também os indígenas 10639 né então o que que acontece a gente tem que eh eh aumentar o conhecimento da sociedade na contribuição das da da dos africanos não apenas no Brasil na né para civilização brasileir mas pro mundo nãoé eu me lembro que um dos primeiros trabalhos que eu fiz já como militante negro foi um audiovisual naqueles antigos com slid Carrossel passado africano que falava sobre as civilizações do Sudão ocidental o Reino
de Gana o rei de Mali o reino do Mali e o império de sonai civilizações riquíssimas em ouro e sal o ouro não precisa explicar e o sal era tão importante que a palavra salário vem de sal eles construíram uma riqueza que se traduzia em bibl tecas universidades e o homem mais rico da história segundo as a a todas as estimativas Mansa musa imperador do Mali cuja Fortuna Hoje seria mais de 700 bilhões de dólares ele bate Elon musk bate ess esses bilionários todos né e e isso por quê Porque era uma região região muito
r e não foi apenas temos que ver o Egito como uma civilização de base africana né não era apenas Negra mas base africana nós temos o reino de achum o reeno de meroi a no sul da África as as muralhas do zimbábue que mostram civilizações que se desenvolveram em todos em todas essas esses pontos do continente africano E isso se refletiu evidentemente no Brasil é nosso tempo tá quase acabando a gente ainda não falou do seu livro sobre racismo eu queria que o senhor só desse um uma eu tenho na verdade tenho dois livros eh
sobre o tema um é o resultado da minha dissertação de Mestrado em ciências jurídicas e sociais que é o livro na lei na raça legislação e Relações raciais Brasil e Estados Unidos onde já começa esse trabalho de comparação ah mostrando exatamente esse jogo de semelhanças e diferenças e mais como é que essas sociedades se influenciaram ao longo do tempo para você ter uma ideia a palavra missena é uma tradução de mess Nation que aparece pela primeira vez no texto de um branco americano racista que apresenta o Brasil como exemplo da degeneração provocada pela mistura de
raças ao mesmo tempo os negros americanos grandes Inter aais Ah o Brasil era visto como Paraíso racial isso por muito tempo então foi um esse esse tipo de jogo a partir da década de 70 começa a influência de lá para cá né então esse livro meu livro trabalha isso E também o outro que foi racismo preconceito e intolerância que procura trabalhar com esses conceitos eh em com autoria com os antropólogos negros também Jack Dad esqui e Edson Borges um livro chegou à sétima Edição eh e era adotado então escola de Ensino Médio bom então queria
agora suas considerações finais porque a gente realmente o tempo já encerrou Olha eu acho que a própria a realização desse programa tendo e o foco nesse tema já é um sinal dessas nossas mudanças né eu fico muito otimista porque eh eu vejo que eh a a Aos Trancos e Barrancos a sociedade brasileira tá começando a reconhecer esse problema e usando uma metáfora médica para que uma pessoa se cure de de uma doença especialmente uma doença grave é preciso que ela reconheça a existência da doença para se medicar adequadamente e isso me faz ver lá no
horizonte lá no futuro o momento que o Brasil vai resolver essa fechar essa cultura essa fratura exposta do racismo e vamos chegar a uma sociedade realmente igualitária Professor muito obrigada por sua participação aqui esclarecimentos paraa nossa edição do ponto de vista eu agradeço nesta série do ponto de vista sobre racismo no Brasil eu conversei sobre as raízes da discriminação racial e do racismo estrutural foi com o historiador e escritor Professor Carlos Alberto Medeiros você também pode acompanhar o ponto de vista pelo YouTube da TV Câmara siga as nossas redes sociais Instagram Twitter tiktok e Facebook
eu sou Regina Assunção agradeço a sua audiência até a próxima [Música] k [Música]