prepare-se para uma história que vai tocar seu coração e questionar seus valores Dona deusina uma guerreira de 71 anos buscou nosso canal para compartilhar um desabafo carregado de dor decepção e uma força surpreendente o que você está prestes a ouvir não é apenas mais um relato é um grito silencioso de uma geração muitas vezes esquecida um testemunho poderoso sobre fam gratidão e o verdadeiro significado de amor incondicional nosso canal reflexões dos avós traz à tona essas histórias de vida que a sociedade prefere ignorar cada narrativa é uma janela para alma de nossos idosos revelando heróis
anônimos que lutam diariamente contra a solidão o abandono e a indiferença antes de comearmos pedimos Abra seu coração aa de Usina pode ser difícil de ouvir mas é essencial para entendermos o valor de nossas raízes e a importância de Honrar aqueles que vieram Antes de nós se você acredita que essas vozes merecem ser ouvidas ajude-nos a espalhar essa mensagem inscreva-se no canal Ative o Sininho e deixe seu like da confiança cada compartilhamento é uma chance de tocar mais vidas e quem sabe reconectar famílias Dona deuzina estamos aqui para ouvir sem julgamentos a história que a
senhora precisa contar que bom que você chegou sua presença me fez ganhar o dia já que você veio Vou compartilhar minha história Espero que tenha tempo e paciência para me ouvir nunca imaginei chegar a este ponto eu deusina 71 anos olho para esse teto descascado que agora é o meu refúgio a diabetes venceu a batalha contra minhas pernas não consigo mais levantar sozinha e a solidão virou minha única companhia sou viúva há mais de 10 anos meu Joaquim se foi cedo demais logo depois que a nossa Caçula completou 30 anos achei que meus filhos seriam
meu amparo Mas como eu estava enganada tive três filhos três criei com todo o amor que uma mãe poderia dar me sacrifiquei trabalhei dobrado Eu e meu Joaquim achávamos que estávamos construindo um futuro uma família que toha nasci em 2 de janeiro de 194 numa cidadezinha pequena no interior de Minas Gerais era um lugar tão pequeno que nem aparecia direito nos mapas nossa casa era um rancho simples no quintal o chão de terra batida é oito irmãos eu era a quinta meu pai se Zé trabalhava na roça de sol a sol plantando milho feijão e
um pouco de tudo minha mãe dona Sebastiana cuidava da Casa das crianças e ainda ajudava na lida do campo desde cedinho a gente já acordava com o canto do galo não tinha essa moleza de ficar na cama não mal o sol raiava e já estávamos de pé ajudando nos AF fazeres Eu e minhas irmãs íamos buscar água no córrego cuidar das Galinhas ajudar mamãe com o café da manhã os meninos iam com papai para a roça comida era simples mas nunca faltava feijão com farinha angu às vezes uma carne de porco que a gente criava
fruta tinha à vontade a gente só precisava subir nas árvores do quintal manga jabuticaba goiaba era uma Fartura só escola ah essa era complicada tinha uma escolinha Rural a uns bons quilômetros de casa eu ia a pé com meus irmãos Por uma estrada de terra chovia a gente ia fazia sol de rachar a gente ia do mesmo jeito da minha primeira professora dona Aparecida ela ensinava todas as séries numa sala só aprendi a ler e escrever ali mas não passei da quarta série naquele tempo pra gente da roça isso já era muito o trabalho Começou
cedo para mim com uns 10 anos já ajudava na colheita carregando cestos de milho apanhando algodão as mãos ficavam calejadas o corpo doía Mas a gente não reclamava era a vida que conhecíamos diversão era pouco mais a gente se virava nos domingos depois da missa tinha as querme da igreja a gente dançava comia Quitutes namorava escondido as festas juninas eram as melhores fogueira quentão pros adultos Claro quadrilha Ah que saudade mas a vida na roça foi ficando difícil as colheitas nem sempre eram boas o dinheiro andava curto eu via meus pais preocupados conversando baixinho à
noite foi quando começou a aquele zum zum zum de gente indo pra cidade grande tentar a vida em 1970 eu tinha 16 anos quando meu tio Geraldo apareceu lá em casa ele tinha ido para São Paulo uns anos antes e voltou contando Maravilhas falava de prédios enormes de trabalho nas fábricas de uma vida melhor meus olhos brilhavam ouvindo aquelas histórias não demorou muito a decisão foi tomada nossa família ia tentar a sorte em São Paulo vendemos o pouco que tínhamos nos despedimos dos vizinhos e parentes e embarcamos numa jardineira velha rumo à capital paulista a
viagem foi longa e cansativa quase dois dias sacolejando por estradas de terra comendo marmita fria dormindo sentados mas a expectativa era grande eu com meus 16 anos sonhava com uma vida diferente cheia de oportunidades Chegamos em São Paulo numa manhã de domingo meu Deus que choque nunca tinha visto tanta gente tanto carro tantos prédios o barulho a correria tudo era novo e assustador fomos morar num cortiço um quarto apertado pra família toda os primeiros tempos foram duros papai conseguiu trabalho numa Construtora mamãe lavava roupa para fora meus irmãos mais velhos logo arrumaram emprego em fábricas
eu com 16 anos comecei trabalhando de babá para uma família no bairro a Dona Celeste minha patroa era boa para mim e eu me apeguei bastante às duas crianças dela foi um tempo de adaptação e aprendizado a cidade grande era um mundo completamente diferente do que eu conhecia o ritmo de vida os costumes até o jeito de falar era diferente mas a gente vai se acostumando né com 18 anos consegui um emprego numa fábrica de costura ali aprendi o Ofício que me acompanharia por toda a vida trabalhava duro mas estava feliz por estar ganhando meu
próprio dinheiro por poder ajudar em casa nessa época a gente já estava morando em uma casa grande de madeira alugada os anos foram passando a gente foi se estabelecendo foi num baile de carnaval de 1974 que conheci o Joaquim eu tinha acabado de fazer 20 anos e ele estava com 23 lembro como se fosse hoje eu toda arrumada com um vestido florido que tinha costurado e ele chegou chegou todo tímido mas com um sorriso que me cativou na hora a gente dançou a noite toda conversou riu quando o baile acabou já sabia que tinha encontrado
alguém especial o namoro foi rápido coisa de 3S meses naquela época era assim mesmo a gente não ficava enrolando não logo nos primeiros encontros já falávamos em casamento em construir uma vida juntos o Joaquim trabalhava numa Metalúrgica ganhava razoavelmente bem eu continuava na fábrica de costura nos fins de semana a gente se encontrava para passear no parque ir ao cinema de vez em quando ou simplesmente ficar sentado na praça chupando um dolé e conversando sobre nossos sonhos lembro do dia que ele me pediu em casamento foi num domingo ele tirou uma caixinha do bolso não
era nada chique um anel simples mas para mim valia mais que qualquer joia cara Fiquei tão emocionada que mal conseguia falar claro que disse sim na hora o casamento foi em Julho de 1974 uma cerimônia simples na igrejinha do Bairro com a família e alguns amigos eu fiz meu próprio vestido branco e simples mas me senti uma princesa o Joaquim estava lindo num terno emprestado do cunhado dele a festa foi no quintal da casa dos meus pais com comida feita por minha mãe e minhas tias não tinha luxo mas tinha amor de sobra nossa lua
de mel foi um fim de semana em Santos era a primeira vez que eu via o mar meu Deus que emoção a gente ficou hospedado numa pensãozinha barata mas para nós era o paraíso passamos os dias caminhando na praia namorando muito e sonhando com nossa vida juntos Voltamos para São Paulo e começamos nossa vida de casados numa meia água alugada no fundo de um quintal era pequena mas era nosso cantinho nos primeiros meses a gente mal tinha móveis dormíamos num colchão no chão comíamos sentados em caixotes mas éramos felizes sabe tínhamos um ao outro e
muitos sonhos o começo foi difícil não vou mentir o dinheiro era curto a gente tinha que fazer malabarismo para chegar no fim do mês eu continuei trabalhando na fábrica de costura e nas horas vagas fazia uns bicos de costureira para as vizinhas o jo qu fazia hora extra sempre que podia na metalúrgica a gente mal se via durante a semana só nos fins de semana que podíamos aproveitar um pouco mas a gente tinha um sonho comprar nossa própria casa então era guardar cada centavinho nada de jantar fora cinema só de vez em nunca nosso lazer
era ficar em casa ouvindo rádio conversando de vez em quando um churrasquinho com a família no domingo cada um levava alguma coisa em 1975 veio a notícia eu estava grávida Fiquei alegre sim mas muito preocupada como íamos criar uma criança naquele espaço e o dinheiro que já era pouco mas o Joaquim me abraçou forte e disse vai dar tudo certo deusina a gente dá um jeito e demos mesmo apertamos ainda mais o cinto comecei a fazer mais trabalhos de costura em casa para juntar um dininho pro enxoval o Joaquim conseguiu um aumento na fábrica a
barriga foi crescendo e com ela nossos sonhos e esperanças Carlos nasceu em dezembro de 1975 um menino forte e saudável nossa vida mudou completamente as noites mal dormidas as fraldas para lavar que eram infinitas na época já tinha fralda descartável mas não era pro nosso bolso as preocupações com a saúde do bebê mas tamb tinha a alegria de ver aquela coisinha crescendo dando os primeiros sorrisos chamando a gente de papai e mamãe com a chegada do Carlos a necessidade de uma casa própria ficou ainda maior a gente dobrou os esforços para economizar eu pegava mais
encomendas de costura chegava a virar a noite costurando com o bebê dormindo do lado o Joaquim fazia bicos nos fins de semana consertando coisas pros vizinhos em 19 77 finalmente Conseguimos dar entrada numa casinha num bairro afastado era pequena precisando de reforma mas era nossa nunca vou esquecer o dia que nos mudamos carregamos nossas poucas coisas numa Kombi emprestada o Carlos com dois anos correndo para lá e para cá todo empolgado quando fechei a porta à noite olhei pro Joaquim e pensei conseguimos os anos seguintes foram de muito trabalho mas também de muita realiz aos
poucos fomos mobiliando a casa fazendo melhorias em 1979 veio a Ana nossa princesinha a família estava crescendo as responsabilidades aumentando mas a gente estava feliz o Joaquim foi crescendo na empresa eu continuava com meus trabalhos de costura a gente se revezava nos cuidados com as crianças não era fácil deixava eles na creche cedo dava uma dó aquele pã tinha dias que a gente mal se via no ano de 84 tivemos uma surpresa Marta Nossa Caçula não estava nos planos confesso que fiquei assustada No começo eu tomava a pílula anticoncepcional religiosamente mas a vontade de Deus
se cumpre queira a gente ou não não é mesmo três filhos como íamos dar conta mas o Joaquim com aquele jeito calmo dele me abraçou e disse mais um pra gente amar deusina e assim foi por ele a gente tinha 10 filhos e estava tudo bem olhando para trás vejo que esses primeiros anos de casados foram os mais difíceis mas também os mais bonitos a gente era jovem cheio de sonhos enfrentando a vida junto passamos por apertos tivemos nossas brigas e quem não tem mas o amor e o companheirismo sempre falaram mais alto o Joaquim
foi meu parceiro meu amigo meu amor juntos construímos não só uma família mas uma vida não era uma vida rica em dinheiro mas era rica em amor em conquistas em momentos felizes cada mobília nova que a gente comprava no carnê cada melhoria na casa cada conquista dos filhos era motivo de celebração as mudanças econômicas do país afetaram bastante nossa vida a inflação era um monstro que parecia devorar nosso salário lembro de receber o pagamento e correr para o mercado porque no dia seguinte os preços já teriam subido era uma loucura vivia a época do Cruzeiro
do cruzado do cruzado novo do Cruzeiro de novo até chegar no real cada mudança de moeda era uma confusão a gente mal se acostumava com uma e já vinha outra tinha que ficar esperta para não perder dinheiro nas conversões o Plano Cruzado em 86 trouxe uma esperança de repente os preços pararam de subir o salário parecia render mais a gente até Se animou a comprar umas coisinhas para casa mas foi por pouco tempo logo a inflação voltou com tudo e a gente teve que apertar o cinto de novo já o Plano Color nos anos 90
foi um baque quando anunciaram o bloqueio das poupanças pensei que ia desmaiar a gente tinha juntado um dinheirinho para uma reforma na casa e de repente não podíamos usar foi um período de muita incerteza e preocupação com o plano real em 1994 as coisas começaram a melhorar um pouco a inflação Finalmente deu uma controlada dava para planejar melhor as coisas mas ainda assim a vida continuava apertada se você viveu nessa época me conta se alguma dessas coisas te prejudicou assim como foi comigo compartilha nos comentários embora eu não consiga responder a todos sempre leio com
atenção é muito bom a gente poder trocar essas experiências Você não acha Apesar de todas as dificuldades nossa maior preocupação era dar uma boa educação para os filhos a gente não queria que eles passassem pelas mesmas dificuldades que nós então fazia de tudo para manter eles na escola pública que graças a Deus era pertinho de casa quando eles eram mais velhos ficavam sozinhos mas a vizinhança era como uma família só as crianças cresceram todas juntas brincando na rua uma mãe olhando os filhos da outra todo fim de tarde eu tinha que gritar no portão chamando
para jantar mas uma coisa eu exigia quando eu e o pai chegássemos do trabalho a casa tinha que estar arrumada e assim era eles sabiam das obrigações deles desde pequenos aprenderam a ter responsabilidade no trabalho as coisas também foram melhorando aos poucos Joaquim com sua dedicação foi subindo na empresa de operário passou a depois a chefe de sessão cada promoção era comemorada com um jantar especial fora de casa eu continuei na fábrica de costura mas com o tempo fui me especializando em roupas de festa comecei a fazer vestidos de noiva de madrinha era um trabalho
que eu adorava e que pagava melhor os detalhes finais como bordados pedrarias e pérolas eu deixava com minha amiga Zuleide ela tinha uma paciência que eu não tinha e bem mais tempo Enquanto Eu cortava e costurava três vestidos ela ficava dias só bordando um mas o resultado era lindo e As Noivas sempre ficavam satisfeitas a gente fazia uma parceria boa cada uma no seu talento os filhos foram crescendo cada um seguindo seu caminho Carlos meu mais velho Me deu uma dor de cabeça quando tinha 17 anos engravidou a Rosinha filha da dona Maria nossa vizinha
de rua a menina tinha tinha só 15 anos foi um rebuliço na vizinhança Dona Maria e seu marido seu Celso quase mataram o Carlos Mas no fim das contas como éramos todos conhecidos resolvemos que eles iam morar com a gente fizemos um quartinho nos fundos para eles o banheiro usavam o mesmo que a gente o Carlos começou a trabalhar com o pai na metalúrgica e a Rosinha depois que o bebê nasceu arrumou um emprego de caixa no mercado o Juninho nosso primeiro Netinho nasceu em março de 93 um bebê gordinho com uma carinha Redonda que
lembrava muito o Carlos quando era pequeno ah como aquele menino mudou nossas vidas de repente eu e o Joaquim éramos avós antes dos 40 anos no começo foi difícil viu eu passava Noites em claro ajudando com o bebê a Rosinha Coitada não sabia nada de criança eu e a mãe dela ensinamos ela a dar banho a amamentar a cuidar do umbiguinho o Carlos no começo ficava meio perdido chegava cansado do trabalho e não sabia bem como ajudar mas aos poucos foi aprendendo fazendo o Juninho dormir dando um banhinho o Juninho era um bebê Alegre daqueles
que sorri para todo mundo quando começou a engatinhar virava a casa de cabeça para baixo eu adorava ver ele engatinhando pelo quintal na grama bonita que a gente tinha o Joaquim ficava babando ensinando ele a dar os primeiros passinhos lembro do primeiro aniversário do Juninho como se fosse ontem a gente não tinha muito dinheiro mas fizemos uma festinha no quintal eu fiz um bolo de nata com morango que era o preferido do Carlos os vizinhos todos vieram cada um trazendo um pratinho o Juninho todo lambuzado de bolo ria para todo mundo conforme o Juninho foi
crescendo o Carlos e a Rosinha também foram amadurecendo eles tiveram que crescer rápido sabe mas eram Bons Pais dentro das possibilidades deles o Carlos fazia hora extra para comprar as coisas pro menino e a Rosinha cuidava dele com todo o carinho quando o Juninho começou a falar era uma graça chamava o Joaquim de voim E vivia correndo atrás dele pedindo colo comigo era grudado o dia todo quando eu estava de folga ele dizia vó de que cuuc V de queio pef falava quando queria suco ou fé e me diz como eu podia resistir àquela vozinha
fofa ver o Juninho crescendo ali no nosso quintal era uma bênção já a Ana minha do meio sempre foi trabalhadeira começou como auxiliar num escritório com 16 anos foi lá que conheceu o Marcos que trabalhava na entrega namoraram 2 anos e se casaram em 97 foram morar de aluguel perto do trabalho deles o Marcos era um bom rapaz meio calado mas tratava bem minha filha já a Mar a caçula essa sempre foi diferente estudiosa que só ela desde pequena dizia que queria ser professora terminou o segundo grau em 2002 e conseguiu entrar na faculdade de
pedagogia numa particular aqui perto de casa foi nessa época que eu me aposentei depois de 30 anos trabalhando na fábrica com o dinheiro da aposentadoria e da rescisão decidi fazer uma coisa que há muito tempo queria pagar a faculdade da Marta achei que era um bom investimento no futuro dela Além disso dei uns presentinhos pros netos umas coisas que eles estavam precisando o resto eu guardei pensando no futuro em alguma emergência que pudesse aparecer Só que essa minha decisão causou um rebuliço na família o Carlos e a Ana ficaram chateados dizendo que eu tava favorecendo
a caçula que ela sempre foi a minha filha preferida falavam que também tinham filho para criar contas para pagar foi uma época de muita discussão muita cara fechada nos almoços de domingo eu tentava explicar que a Marta era a única que decidiu estudar que se fossem eles Eu também pagaria dizia que os presentes pros netos eram coisas pequenas nada de extraordinário mas parece que quanto mais eu explicava pior ficava no fim o Joaquim teve que intervir chamou todo mundo para uma conversa falou que o dinheiro era fruto do meu trabalho duro por tantos anos e
que eu tinha o direito de usar como bem entendesse aos poucos as coisas foram se acalmando mas ficou aquele climinha estranho por um bom tempo olhando para trás às vezes me pergunto se fiz a coisa certa mas quando vejo a Marta formada dando aula realizada na profissão Acho que valeu a pena só queria que os outros entendessem que mãe não tem preferido a gente só faz o que acha melhor pros filhos cada um na sua situação é triste viu os netos foram chegando o Carlos e a Rosinha tiveram três fora o Júnior veio a Patrícia
e o Lucas a Ana teve dois com o Marcos o Felipe e a Amanda a casa vivia cheia nos fins de semana era uma alegria só o Joaquim adorava ser vovô ficava bobo com as crianças a vida não era fácil para nenhum deles o Carlos continuou na Met foi Seguindo os passos do pai a Rosinha conseguiu um emprego melhor num Supermercado Grande a Ana e o Marcos continuaram no mesmo trabalho mas foram crescendo aos poucos ela virou assistente administrativa e ele supervisor de entregas a Marta se formou em 2006 foi uma festa só primeira da
família a ter um diploma logo conseguiu emprego numa escola municipal como professora só foi casar em dois 2008 com 24 anos com um professor que conheceu no trabalho o casamento dela foi o mais arrumado porque ela mesma quis pagar por tudo nesse meio tempo depois de tanta falação por causa do meu dinheiro resolvi tomar uma decisão que beneficiasse toda a família usei boa parte do que tinha guardado para fazer uma reforma na nossa casa não era só uma reforminha não transformamos a casa num sobrado daqueles bem caprichados ficou uma lindeza viu no andar de Baixo
Carlos foi morar com a família dele foi um alívio sair do aluguel e para mim era uma alegria ter os netos por perto no começo ele morava no quartinho que improvisamos para eles nos fundos de casa mas então depois de levantar um sobrado ali virou uma lavanderia boa com espaço para estender roupas lá em casa o varal vivia cheio a gente ficou morando em cima fizemos uma escada externa para cada um ter sua privacidade nossa parte ficou maior com uma varanda gostosa onde eu adorava sentar para ver o movimento da rua e tomar um cafezinho
de tarde a Ana morava pertinho vinha quase todo dia depois do trabalho só a Marta Coitada foi a única que ficou mais longe depois que se formou arrumou um emprego numa escola num bairro mais afastado e acabou se mudando para lá mas sempre que podia nos fins de semana PRP principalmente ela vinha sabe essa reforma foi mais que só aumentar a casa foi um jeito de manter a família unida de dar um conforto pros meus filhos e netos claro que no começo teve aquele zum zum zum gente falando que eu tava gastando demais mas meu
marido Tinha Um bom salário e era pro nosso conforto ver a casa cheia nos fins de semana os netos correndo para cima e para baixo o cheiro de café fresco e bolo saindo do forno Ah isso não tinha preço foi o melhor investimento que eu podia ter feito a casa ficou grande mas o coração ficou maior ainda os netos foram chegando o Carlos e a Rosinha tiveram três o Júnior a Patrícia e o Lucas com a família crescendo precisaram se mudar para uma casa maior mas o aluguel pesava no orçamento a Ana teve dois com
o Marcos o Felipe e a Amanda a casa vivia cheia nos fins de semana era uma alegria só o Joaquim adorava ser vovô ficava bobo com as crianças a vida não era fácil para nenhum deles o Carlos continuou na metalúrgica foi Seguindo os passos do pai a Rosinha conseguiu um emprego melhor num Supermercado Grande a Ana e o Marcos continuaram no mesmo trabalho mas foram crescendo aos poucos ela virou assistente administrativa e ele supervisor de entregas a Marta se formou em 2006 foi uma festa só primeira da família a ter um diploma logo conseguiu emprego
numa escola municipal como professora casou em 2008 com 24 anos com um professor que conheceu no trabalho o casamento dela foi o mais arrumado porque ela o marido e a família dele quiseram pagar por tudo nesse meio tempo depois de tanta falação por causa do meu dinheiro meu Deus como falavam não me davam um minuto de Sossego todo mundo sabia que eu tinha guardado uma economia e cada um queria dar palpite de como eu devia gastar cansada de tanta pressão resolvi tomar uma decisão que mudaria a vida de todos nós decidi usar aquele dinheiro todo
para fazer uma reforma na nossa casa transformar ela num sobrado bem caprichado Ah mas se eu soubesse o orçamento que os pedreiros fizeram parecia certinho no papel mas você sabe como é obra né uma coisa puxa outra e quando vi o dinheiro na estava dando tive que fazer um belo de um empréstimo no banco para conseguir terminar tudo foram mais de 4 meses difíceis convivendo com poeira barulho e bagunça por todo lado o Joaquim ficava bravo com a sujeira reclamava todo dia mas eu dizia para ele ter paciência que no final ia valer a pena
e valeu mesmo apesar do susto com os gastos extras com o sobrado pronto o Carlos e a família puderam sair do aluguel e vieram morar no andar de baixo foi uma bênção a gente ficou morando em cima com uma escada externa para cada um ter sua privacidade nossa parte ficou maior com uma varanda gostosa onde eu adorava sentar para ver o movimento da rua e tomar um cafezinho de tarde nos fundos do terreno onde antes tinha um quartinho improvisado fizemos uma lavanderia espaçosa todo dia aquele varal ficava cheio de roupa era uma alegria ver aquele
espaço sendo bem aproveitado a Ana mor pertinho vinha quase todo dia depois do trabalho só a Marta depois que se formou acabou indo morar num bairro mais afastado por causa do trabalho na escola mas sempre que podia nos fins de semana principalmente ela vinha sabe essa reforma foi mais que só aumentar a casa foi um jeito de manter a família unida de dar um conforto pros meus filhos e netos claro que no começo teve aquele zum zum zum gente falando que eu tava gastando demais mas meu marido Tinha Um bom salário e era pro nosso
conforto ver a casa cheia nos fins de semana os netos correndo para cima e para baixo o cheiro de café fresco e bolo saindo do Forno Ah isso não tinha preço foi o melhor investimento que eu podia ter feito a casa ficou grande mas o coração ficou maior ainda Teve uma época que as coisas começaram a ficar difíceis meu pai Seu Zé que já estava com a saúde fraca faleceu de repente foi um baque para toda a família especialmente para minha mãe dona Sebastiana ela ficou arrasada sem chão poucas semanas depois do enterro mamãe começou
a ficar doente primeiro eram umas tonturas depois uma fraqueza que não passava o médico falou que era depressão misturada com pressão alta eu fiquei muito preocupada meus irmãos que moravam mais perto ajudavam como podiam mas a situação estava complicada trabalhavam E eu não podia ficar de mãos atadas vendo ela perecer mamãe morava numa casinha perto da gente no bairro ao lado desde que viemos para São Paulo ela e papai tinham se estabelecido por aqui também depois que papai se foi a gente logo percebeu que ela não podia ficar sozinha poucas semanas depois do enterro mamãe
começou a ficar doente primeiro eram umas tonturas depois uma fraqueza que não passava o médico falou que era depressão misturada com pressão alta eu fiquei muito preocupada conversei com o Joaquim e ele concordou que era bom trazer a mãe para passar uns dias com a gente só até ela melhorar um pouco Arrumamos um quarto para ela ficar no começo mamãe nem queria vir dizia que não queria incomodar Mas eu insisti falei que ia ser bom para ela mudar de Ares um pouco passei aqueles dias cuidando dela fazia comida fresquinha levava ela para tomar sol no
quintal tentava animar ela como podia ela falava muito do meu pai do quanto sentia falta dele aos poucos mamãe foi melhorando começou a se interessar pelas coisas de novo a conversar mais os netos vinham visitar a bisa e isso alegrava ela ver a casa cheia de vida aos poucos foi trazendo ela de volta foram dias intensos cuidar da minha mãe me fez pensar muito na minha própria vida na minha família era cansativo mas gratificante poder retribuir um pouco de todo o cuidado que ela sempre teve comigo a mãe foi melhorando ela começou a insistir em
voltar pra casinha dela disse que já tinha dado Trabalho demais e que já se sentia forte ela sentia muita falta dos cachorros dela que a vizinha estava cuidando a gente ficou com o coração apertado mas entendeu que era importante para ela manter sua independência levamos ela de volta mas combinamos de passar mais tempo juntas foi um período difícil mas que nos uniu ainda mais como família os netos continuaram chegando e enchendo nossa vida de alegria em 2011 a Marta nos deu mais uma netinha a Laurinha foi uma gravidez complicada ela teve que ficar de repouso
nos últimos meses mas quando a Laurinha nasceu toda miudinha e saudável foi uma benção o Quim ficou todo bobo era a caçulinha dos netos nessa época nossos netos mais velhos já estavam crescidos o Júnior Filho do Carlos já tinha 18 anos e até tinha começado a trabalhar como cobrador de ônibus desde pequenininho ele era fascinado por veículos grandes lembro que em todo aniversário ou Natal ele pedia um ônibus ou caminhãozinho de brinquedo agora o sonho dele era juntar dinheiro para tirar a carta de motorista e um dia dirigir Aqueles ônibus enormes por um tempo ele
ficou na dúvida se seria motorista de caminhão ou de ônibus colocou tudo na balança o caminhão pagava mais mas significava ficar longe de casa e enfrentar os riscos das estradas do Brasil já o ônibus eram só 6 horas de trabalho por dia no fim decidiu que queria ser motorista de ônibus o Júnior sempre foi muito apegado à família e a ideia de poder para casa todo dia pesou bastante na decisão dele mesmo assim os olhos dele ainda brilhavam quando passava um caminhão na rua era igualzinho ao pai quando era jovem sempre fascinado por esses veículos
grandes ver ele perseguindo esse sonho me enchia de orgulho era como se eu pudesse ver um pouquinho do Carlos pequeno de novo só que agora era meu neto fazendo seus próprios planos pro futuro a Patrícia com 16 era estudiosa que nem a tia Marta sonhava em fazer vivia com a cara enfiada nos livros Sempre Tirando notas boas na escola dizia que queria ser engenheira construir pontes e prédios grandes era engraçado ver como ela e o irmão tinham essa Fascinação por coisas grandes cada um do seu jeito os filhos da Ana também estavam ficando moços sempre
vinham passar o fim de semana com a gente o Joaquim adorava ensinar eles a jogar dominó igual fazia com os filhos quando eram pequenos quando minha mãezinha Dona chegou aos seus 80 anos começou a ficar meio esquecida no começo a gente achava que era só coisa da idade sabe mas foi piorando Dona Zilda a vizinha de anos da mãe me contou que via ela saindo de madrugada para caminhar fiquei preocupada até que um dia numa terça-feira que eu nunca vou esquecer ela sumiu foi um desespero Só eu o Joaquim meus filhos todo mundo saiu procurando
Ligamos pra polícia pros hospitais depois de Horas de angústia encontramos ela perto do viaduto da Lapa toda desorientada Meu Deus quase morri do coração a Marta minha Caçula chorou tanto quando viu avó naquele estado nessa hora decidi que ia trazer minha mãe para morar comigo Afinal a casa era grande tinha espaço mas aí meu irmão Josué entrou na conversa ele era aposentado assim como eu morava só com a Berenice a esposa dele os filhos deles o Rodrigo e a Camila já eram casados e tinham suas próprias famílias o Josué insistiu que era melhor a mãe
ficar com ele disse que minha casa já tava muito cheia com o Carlos e família embaixo eu e o Joaquim em cima e a Ana sempre por perto falou que na casa dele seria mais tranquilo pra mamãe no fundo eu queria cuidar dela mas o Josué tinha razão a casa dele era mais calma sem o barulho das crianças aceitei mas com o coração apertado combinei de ligar todo dia e visitar sempre que pudesse as coisas foram indo mas a cabecinha da mamãe foi piorando um dia o Josué me ligou dizendo que tinha levado ela no
Dr Mendes aquele neurologista famoso o diagnóstico veio Alzheimer foi difícil de aceitar ver minha mãe sempre tão lúcida perdendo as memórias aos poucos a gente foi se adaptando o Josué e a Berenice cuid dela com todo carinho eu ia lá quase todo dia levava os netos de vez em quando a Patrícia filha do Carlos era a preferida da bisavó mesmo não reconhecendo mais a gente direito os olhos da mamãe brilhavam quando via a bisneta Numa manhã de domingo O Telefone Tocou cedo era o Josué estava chorando disse que tinha ido dar o café da manhã
pra mamãe e ela não acordou parecia que estava dormindo disse ele fiquei arrasada com 84 anos minha mãezinha tinha nos deixado o velório foi cheio de gente muita flor muita lágrima muita história sendo contada depois que tudo passou fiquei pensando na vida na minha mãe tão forte reduzida aquela Senhorinha frágil no final em como a gente nunca tá preparado para perder os pais não importa a idade mas também pensei em como ela tinha tido uma vida boa cheia de amor e que agora onde quer que ela estava em paz livre daquela doença terrível que tinha
roubado suas memórias Mas a vida tem dessas coisas né meses depois dessa triste perda na nossa família veio o baque em meados de 2012 o Joaquim Começou a sentir umas dores estranhas primeiro ele não deu muita bola dizia que era só cansaço mas a coisa foi piorando Numa manhã de Setembro ele acordou tussindo sangue fiquei apavorada Levei ele correndo pro Hospital nessa época ele também já estava aposentado depois de muitos exames veio a notícia que ninguém quer ouvir era câncer de pulmão já em estágio avançado foi como se o chão tivesse sumido debaixo dos meus
pés o Joaquim meu companheiro de toda a vida meu porto seguro estava doente e não era uma doença qualquer o médico falou que o caso era sério que o tratamento seria pesado e se você pensa que só fumantes T câncer de de pulmão está completamente enganado o coitado nunca colocou uma bituca de cigarro na boca começamos a Batalha Contra o Câncer quimioterapia radioterapia um monte de remédios o Joaquim sempre tão forte foi ficando fraquinho perdendo peso mas nunca perdeu a esperança ele dizia deusina eu ainda vou ver todos nossos netos formados sabe eu me aposentei
em 2002 como já te disse depois de completar 30 anos de trabalho na fábrica na época achei que era hora de descansar mas sabe como é a gente se acostuma com a rotina depois de uns meses em casa já tava sentindo falta do serviço foi aí que o supervisor me ligou disse que estavam precisando de alguém com experiência para treinar o pessoal novo perguntou se eu não queria voltar não como funcionária registrada mas como prestadora de serviço Consultei um advogado para ver se tava tudo certo se não ia perder minha aposentadoria o advogado explicou que
pela lei eu podia sim voltar a trabalhar depois de aposentada só que agora seria diferente eu continuaria recebendo minha aposentadoria normalmente e o trabalho na fábrica seria um extra ele disse que era importante fazer um contrato de prestação de serviços para deixar tudo certinho achei uma boa ideia era um dinheirinho a mais entrando e eu podia continuar fazendo o que gostava voltei pra fábrica em 2004 agora como consultora trabalhava menos horas mas o salário era bom e o melhor continuava recebendo minha aposentadoria as coisas ficaram assim por uns bons anos eu me sentia útil o
dinheiro ajudava nas despesas de casa e dava para juntar um pouco também foi bom ter feito essa escolha porque quando o Joaquim ficou doente em 2012 eu tinha uma reserva aguardada mas não contava isso PR os meus filhos depois daquilo que aconteceu no passado eu fechei minha boca quando o câncer do Joaquim foi diagnosticado tive que parar de vez conversei com o pessoal da fábrica expliquei a situação Eles foram muito compreensivos como eu já não era funcionária registrada não teve aquela burocracia toda para sair eles até me deram uma bonificação pelos anos de serviço como
consultora esse dinheiro extra que eu tinha dado era como um presente do céu nessa hora difícil sabe quando o Joaquim trabalhava na metalúrgica a gente tinha um plano de saúde bom consultinha aqui exame ali tudo certinho mas depois que ele se aposentou o plano ficou caro demais para gente manter devido às nossas idades alguns exames fazíamos pelo SUS outros particulares por causa da urgência dos resultados o Joaquim coitado às vezes passava mal por causa da químio e e a gente tinha que correr para pronto socorro público a gente ia de táxi para todo lado Já
pensou meu velho enjoado tonto da químio espremido em um ônibus lotado nem pensar Também guardei uma parte pensando nas emergências e olha foi uma decisão abençoada teve vez que precisamos comprar remédio caro que o posto não tinha o dinheiro tava ali guardadinho para essas horas claro que o dinheiro não resolvia tudo a gente ainda passava perrengue e ainda enfrentava a fila mas pelo menos dava uma segurança sabe ver o Joaquim deitado na cama tomando os remédios que a gente conseguiu comprar e sabia que tinha feito a escolha certa naquela hora o conforto do meu marido
a chance de lutar contra aquela doença maldita era tudo que importava mas aí a família percebeu que eu tinha dinheiro e então vieram os netos o Júnior e uns primos dele apareceram com a ideia de comprar mos diziam que era para trabalhar que era mais rápido eu entendia o lado deles mas caramba era tudo que eu não precisava naquele momento mais preocupação eles queriam que eu fizesse um empréstimo e tudo diziam que iam me pagar direitinho que pros aposentados o juros era menor teve uma tarde que eu explodi tava todo mundo lá em casa falando
ao mesmo tempo cada um querendo um pedaço daquele dinheiro bati na mesa e gritei chega esse dinheiro é pro vô de vocês para cuidar da saúde dele não é para casa não é paraa moto não é para nada disso O silêncio que fez na sala depois disso foi tenso Acho que pela primeira vez eles viram o quanto eu tava sobrecarregada cansada o Joaquim coitado tava no quarto e ouviu tudo depois ele me chamou pegou na minha mão e disse Faz o que você achar melhor deusina você sempre soube cuidar da gente Depois desse dia as
coisas acalmaram um pouco os filhos entenderam que aquele dinheiro era pro tratamento do pai ponto final os netos ficaram meio sem graça mas acabaram entendendo também aquele tempo foi de altos e baixos teve momentos que achamos que o tratamento estava funcionando que o Joaquim ia melhorar mas também teve Recaídas terríveis internações de urgência Noites em Claro no hospital no natal de 2013 fizemos questão de reunir todo mundo lá em casa foi a última vez que a família toda esteve junta com o Joaquim ele já estava bem fraquinho mas fez questão de sentar à mesa Foi
uma noite emocionante o fim chegou em março de 2014 numa madrugada de domingo o Joaquim foi dormir e não acordou mais foi calmo Sem sofrimento eu estava do lado dele segurando a mão senti quando ele deu o último suspiro o velório do Joaquim foi uma despedida à altura do homem maravilhoso que ele foi o salão da funerária ficou pequeno para tanta gente que veio prestar as últimas homenagens era um vai e vem constante de pessoas Cada uma com uma história uma lembrança do meu velho logo na entrada via Marta cuidando do livro de condolências ela
fazia questão de pedir para cada pessoa assinar dizia que era importante ter esse registro de quem esteve lá para se despedir do pai aquele livro ficou cheio de nomes de mensagens de carinho mais tarde folheando aquelas páginas Me emocionei vendo quanto o Joaquim era querido vi o pessoal da metalúrgica chegar muitos ainda de uniforme direto do turno a empresa que ele prestou serviço por anos mandou duas belas coroas de flores os vizinhos da rua toda vieram até a dona Zumira que mal sai de casa por causa da artrite fez questão de vir apoiada na bengala
e deixar sua assinatura tremida no livro da família do Joaquim só o valdemor o irmão mais velho dele apareceu com a esposa e os filhos os pais do Joaquim seu Antônio e Dona Conceição já tinham partido há muitos anos eles moravam no interior de Minas o Joaquim sempre sentiu falta deles principalmente depois que adoeceu nossos filhos os netos ah os netos Todos estavam arrasados foi quando percebi que agora era minha vez de ser o Esteio da família o Joaquim sempre foi Nossa Rocha nosso Porto Seguro agora eu precisava ser forte por todos eles respirei fundo
enxuguei as lágrimas e comecei a consolar um por um os primeiros meses depois que o Joaquim partiu foram os mais difíceis da minha vida a casa ficou tão silenciosa tão vazia às vezes eu me pegava falando sozinha como se ele ainda estivesse ali para me ouvir o pior era de noite quando eu deitava naquela cama grande demais para uma pessoa só quantas vezes acordei assustada procurando o calor do corpo dele ao meu lado só para lembrar que ele não estava mais ali achei que os filhos iam estar mais presentes mas a vida deles continuou no
ritmo de sempre o Carlos sempre ocupado com o trabalho e a família dele mal aparecia tão longe que era né quando ele resolvia subir à escadas era correndo só para ver se eu precisava de alguma coisa urgente a minha nora Rosinha vinha bem mais que ele a Ana com aquele emprego novo dela vivia sem tempo ligava de vez em quando mais por obrigação do que por vontade a Marta morando longe era a que eu menos via acabei me aproximando mais das vizinhas a Dona Lourdes a Aparecida mulheres que como eu estavam Aprendendo a Viver sozinhas
depois de tantos anos de casamento a gente se encontrava para um café para fazer crochê ver novela às vezes só para ficar de papo pro ar mesmo era com elas que eu desabafava sobre a solidão sobre a falta que o Joaquim fazia com o tempo fui me acostumando à Nova rotina Aprendi a gostar do silêncio da casa a aproveitar a liberdade de fazer as coisas no meu tempo podia assistir minhas novelas podia comer o que quisesse sem me preocupar com a dieta de ninguém claro que a saudade nunca passou mas ficou mais suportável foi em
2016 uns do anos depois que o Joaquim se foi que comecei a sentir os primeiros sinais de que algo não estava bem com minha saúde comecei a sentir uma sede constante ia ao banheiro com mais frequência que o normal no começo não dei muita bola achei que era coisa da idade mas quando comecei a sentir um cansaço Fora do Comum resolvi procurar o posto de saúde depois de alguns exames veio o diagnóstico diabetes confesso que fiquei assustada lembrei da minha avó que também teve diabetes e sofreu muito com as complicações da doença o médico me
tranquilizou disse que hoje em dia com o tratamento adequado dava para levar uma vida normal contei pros filhos sobre o diagnóstico o Carlos ficou preocupado disse que ia aparecer mais vezes para me ajudar mas na prática pouca coisa mudou a Ana se ofereceu para me levar em médicos particulares mas eu preferi continuar no posto de saúde mesmo a Marta ligou chorando dizendo que queria estar mais perto para me ajudar os primeiros meses foram de adaptação aprender a aplicar a insulina a medir a glicose a contar carboidratos parecia que eu tinha voltado pra escola mas aos
poucos fui pegando o jeito as amigas do bairro foram um grande apoio a dona Sida que já tinha diabetes há anos me deu muitas dicas valiosas com o tempo o controle da diabetes virou parte da minha rotina claro que tinha dias mais difíceis dias que a glicose teimava em não baixar dias que eu ficava desanimada mas aí eu olhava pro retrato do Joaquim e pensava meu velho prometi para você que ia me cuidar e é o que estou fazendo os netos quando vinham me visitar eram um raio de sol nos meus dias mas as visitas
eram raras todo mundo sempre ocupado com suas vidas os anos foram passando meus bisnetos foram chegando e a diabetes foi deixando suas maras noç er só dormências n peras nada que me incomodasse mas a poucos comearam que não cicatrizes forando vezes dia e noite sem trgu bem dia pereg mais esad dobrado soinha foi umque eu que sempre fui tão Independente de repente me via no andar de cima da minha própria casa o Carlos meu filho mais velho teve que começar a me ajudar a descer quando eu precisava ir ao médico era humilhante depender assim dos
outros Mas o que eu podia fazer se eu arriscasse descer sozinha certamente iria rolar escada abaixo as idas ao mercado que antes eram quase um passeio para mim também ficaram impossíveis meus pés não aguentavam mais o peso do corpo por muito tempo foi aí que o Carlos pegou meu cartão do banco para receber minha adoria e fazer as compras para mim no começo eu ficava desconfiada Queria ver todas as notas conferir cada centavo mas com o tempo fui me acostumando que escolha Eu tinha minha vida foi ficando cada vez mais limitada da cama pro sofá
do sofá pra cama as janelas viraram minha única conexão com o mundo lá fora eu passava horas olhando o movimento na rua Vendo a Vida Passar enquanto a minha parecia congel naquele sobrado o Carlos vendo que eu não podia mais ficar sozinha começou a pagar um salário paraa filha da vizinha me ajudar a menina era boa pessoa ficava comigo o dia todo mas era jovem cheia de energia não aguentou muito tempo cuidando de uma velha doente depois dela vieram outras cada uma ficava um tempo e depois desistia faz 3 anos que a Sandra está comigo
ela é um anjo tem paciência me ajuda com tudo é ela quem está me ajudando a escrever essa história agora sabe estou desabafando com vocês nunca imaginei que minha vida ia chegar a esse ponto outro dia assistindo o canal reflexões das avós no YouTube que por sinal foi a Sandra quem me mostrou eu fiquei Encantada tenho passado meus dias melhores de ouvir todas as histórias não sabia que a vida podia ser tão triste para muitos e também tão alegre para outros me identifiquei tanto com as histórias que ouvi pedi paraa Sandra entrar em contato com
eles quem sabe minha história não possa ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo que eu às vezes olhando paraas minhas pernas cheias de feridas pros meus pés enchados me pergunto onde foi que eu errei Será que se eu tivesse cuidado melhor da minha saúde lá atrás as coisas seriam diferentes ou será que se for para ser a gente não pode fugir o pior de tudo é a solidão os filhos cada um com sua vida aparecem de vez em quando mas é como se fossem visitas de médico rápidas e sem muito envolvimento não sentam comigo
para conversar sempre andando de um lado para outro às vezes penso que minha mãe é quem se deu bem não se lembrar de nada em alguns casos é bem melhor dos meus filhos o Carlos vem mais claro já que além de morar aqui é ele quem cuida das minhas contas mas é sempre correndo sempre com pressa Como se estar aqui fosse um fardo esses dias ele me levou na concessionária veio Manso amigo eu já desconfiei queria alguma coisa dito e feito era para comprar um carro usado para ele no meu nome Mãe a senhora precisa
vir tem que assinar os papéis ele disse e lá fui eu arrastando minhas pernas doloridas me apoiando nele para não cair enquanto ele conversava com o vendedor todo empolgado com o carro novo eu ficava lá sentada num canto me sentindo invisível quando perguntei se não podíamos dar uma voltinha já que estávamos na rua ele logo cortou não dá mãe tenho que voltar pro trabalho e ainda teve a cara de pau de dizer que o carro era para meu conforto que ia me levar nas consultas sei sei Até agora nenhuma consulta aconteceu com ele me levando
nesse carro novo a Ana e a Mar então mal ligam de vez em quando mais por obrigação do que por vontade é sempre a mesma lenga lenga Oi mãe tudo bem tá precisando de alguma coisa antes que eu possa responder direito já estão se despedindo com mil desculpas de trabalho filhos compromissos é como minha mãe sempre Dizia um pai cria 10 filhos mas 10 filhos não criam um pai às vezes me pego pensando se eles sabem como dói essa indiferença se fazem ideia de como é passar dias e mais dias sem ver um rosto familiar
sem sentir um abraço sem ouvir um te amo mãe sincero eu entendo que eles têm suas vidas seus problemas mas será que é pedir demais um pouco de atenção um pouco de carinho será que eles Se Esqueceram de todas as noites em claro que passei cuidando deles quando estavam doentes de todos os sacrifícios que fiz para dar a eles uma vida melhor ah se eu pudesse voltar no tempo talvez tivesse feito diferente talvez tivesse ensinado melhor o valor da família da gratidão e os netos Ah esses então cresceram cada um seguiu seu caminho tenho bisnetos
que nem conheço direito só de foto sabe o que mais me entristece é pensar em tudo que eu e o Joaquim sonhamos para nossa velice a gente imaginava uma casa cheia de Netos almoços de domingo com a família toda re planejava Viajar conhecer lugares que a gente só via na TV e olha no que deu eu aqui presa nessa cama dependendo dos outros Para tudo tem dias que eu acordo e nem quero abrir os olhos para quê para ver o mesmo teto descascado as mesmas paredes ouvir o mesmo silêncio mas aí eu lembro do Joaquim
Lembro de como ele enfrentou o câncer com coragem sem nunca perder a esperança e penso que eu preciso ser forte por ele pela memória dele a Sandra me ajuda muito nesses momentos Ela conversa comigo me distrai com as notícias do mundo lá fora eu sinto que não tenho muito tempo pela frente a diabetes vai vencendo a batalha dia após dia mas enquanto eu estiver aqui quero deixar minha história quem sabe ela não possa servir de alerta para alguém para que cuidem da Saúde enquanto é tempo para que valorizem a família enquanto podem e para você
que está me ouvindo se por acaso for jovem cuide dos seus velhos visite Seus avós Ligue para sua mãe passe um tempo com seu pai a vida passa rápido demais e quando a gente se dá conta pode ser tarde demais essa sou eu deusina 71 anos contando minha história não é um conto de fadas longe disso mas é real é verdadeira E se puder tocar o coração de alguém já terá valido a pena o pessoal do canal tem um livrinho chamado 100 chás das avós para diversos males eu comprei e gostei muito lembrou muito da
minha mãezinha ela sempre tinha uma receita natural para tudo se você tiver interesse entra no primeiro link logo abaixo deste vídeo e vá lá conhecer vale muito a pena viu fique com Deus você e toda a sua família ah