[Música] Então tudo vive uma vida Comunitária o resto são parente também tá na aldeia você tem a relação de parente sabe quem é quem é pai quem é mãe quem é a avó hã então com isso desde pequeno você sabe como como se comportar a pessoa que você deve respeitar porque é avô avô Você tem uma relação de brincadeira h de amizade n relação com os pais Mã São relações mais mais reverencia né Você sabe que são primos primão são irmãos Então você conhece todo mundo relação sabe como como seira as comidas qual é o
nome dessa Aldeia que você nasceu Alia minha Aldeia se chama Bene tala Ben tala o greo cantou sua boca banto [Música] escreveu [Música] o GR cantou eu sou [Música] cabang militante é alguém que tem consciênci que não fica só no discurso faz um trabalho engajando engajado pressionando hum eh para mudar a sociedades denunciando hã E analisando que não fica um militante não é um Não não é um pessimista é um otimista que acha que lutando é possível mudar a mudar a sociedade sabe qual é a em termo de brincadeira a relação entre otimista ser pessimista
não qual é o pessimista fica com o corpo dele cheio não bebe o otimista Bebe por até ficar bêbado então otimista luta ele acredita que é possível mudar a sociedade pessimista não você se considera então um militante otimista eu acho que todos os militantes são otimistas porque se não fosse não ia lutar Professor a gente tá aqui com várias Produções suas alguns livros né você tem vários lançou vários ao longo da carreira eu sei que o senhor foi o primeiro antropólogo formado na Universidade do Congo como é ser um antropólogo africano bom antropólogo africano para
um colonizado eu fui colonizado Então eu fui formado na colonial e a antropologia como se diz os próprios antropólogos list dizer que a antropologia é filha do do imperialismo e do colonialismo então uma ciência que contribuiu muito para legitimar a colonização a exploração do continente africanos mas eu tive que fazer um esforço muito grande hum depois da minha formação para me descolonizar Intel atualmente e esse grande esforço realidade começou no Brasil se que minha primeiro livro publicado no Brasil era Minha tese de doutorado que era não está aqui que era sobre um grupo étnico do
do do do Congo mas depois quando comecei a a trabalhar na USPA a partir de 1980 aí que fez um esforço muito grande hum para fazer uma antropologia engajada Hum uma antropologia ao serviço da própria da da da dos negros eh população com a qual eu me identificado aqui é África aqui é negro no Brasil negro no Brasil isso aqui são minhas publicações aquele lado é teoria sobre o racismo de aula sobre isso aqui é filosofia essas coisas todas de pensamento de modo de modo geral profess que tem mais ou menos quantos livros Olha nunca
contei nunca contei nem tem ideia de quanto tem aqui são empilhadas porque não tem mais lugar Hum você vê lá lá em cima é parte da antropologia né tá tudo empilhado né É por isso que um dos livros que me marcou muito porque tem mais de 150 publicações entre livro capítulo do livro artigo né e matéria de jornais mas um dos livros que marcou muito minha carreira o primeiro era esse livro Negritude uso e sentido publicado em 1986 muito jovem negra naquela época começaram a se conscientizar a tomar consciência da questão da negritude E assumir
sua Negritude a partir do H da leitura desse livro aqui é um pequeno livro porque a primeira edição era da Ática hum eh era número de págin limitado não podia escrever mais do que isso um pequeno livro mas um pequeno livro que muito eh marcou minha minha carreira então o segundo livro também que muito me marcou esse livro é discutindo azade no Brasil que tem a ver com o primeiro porque quando começar a discutir a questão da identidade Negra Que pela Negritude encontrei no caminho uma um personagem que chama eh mesti Pardo que as pessoas
não considerava hum eh dizia que não tem que destirar Negritude no Brasil porque não tem negro no Brasil todo mundo é mestio hum que eu estava criando falsos problemas hum aí que tento nesse livro mostrar que a messag um fenômeno natural faz parte da história da da humanidade onde povo se encontra sempre tem mestiço mesmo onde houve lei né contra casamento interraciais nasceram mestiços então a pureza é um mito porque somos todos mestiços mesmo aquele que se acha negro ou branco que receberem 50% do seu patrimônio do pai e da mãe já são indivíduos mestiços
então a pureza é um mito hum Então nesse livro que eu tento mostrar é como a messag é manipulado utilizado politicamente para escamotear os problemas da sociedade brasileira para dizer que não somos racista porque o Brasil é o país mais mestiçado no mundo comparando com outros países né então que é o mito da democracia racial né exatamente e você vê quando nós começamos a discutir as políticas de cotas e ou políticas afirmativas o que algum dizia mas cota para negro quem é negro no Brasil todo mundo é mestiço n então é o uso político ideológico
da mestiçagem que um fenômeno [Música] naturalo dizer que o conceito de negro é um conceito político não é um conceito eh genético [Música] aqui você tava bem mais novo né cengel é e qual é a sua relação agora com os cabelos brancos adoro adoro me apresentar como preto velho de vez em quando usa até cachimbo para mostar que sou preto velho Umbanda por exemplo é símbolo tem sabedoria mesmo hum de onde vem a palavra Negritude o conceito de Negritude não nasceu na África na África Profunda o conceito de Negritude nasceu H na década de 30
no quartier Latin em Paris ent os intelectuais africanos né e da da da da da diáspora das antias franceses ou outros como meser hé P de e de Haiti e le da sengor pessoa que estava estudando na Europa né para assimilar a civilização à cultura ocidental que era o símbolo de superioridade porque dizia que a África não tem Cultura não tem civilização não tem tudo é ruim tudo é feio ele estava correndo para assimilar aquele lá para ser aceito ou que Fran não chamou de máscara branca PED Negra máscara branca você pega máscara branca porque
a sua cor da pele tá associada à inferioridade você quer fugir dessa inferioridade mas eles se deram conta que apesar de todo esforço que ele fazia e falando o francês com sutaque franceses Então se dera conta a nossa saída é assumir a nossa nossa nossa nossa Negritude aceitar o nosso nosso corpo negro aceitar a nossa história que os europeus querem negar pra gente né aceitar que nós temos temos culturas nesse sentido que nasceu o conceito de de de de de Negritude Como dizia Messer Negritude é o quê o fato de aceitar Hum seu corpo né
de dizer olha eu também se olhar no espelho Eu também sou bonito sou feio hã aceitar sua sua sua sua ancestralidade nesse sentido que nasceu esse conceito para dialogar com os outros para dizer aquilo que você tá me negando eu tenho Hum Tem passado tem tudo ú e descobrir que a África contribuiu hã na criação da da da da da da civilização civilização não Universal mas civilização pluriversal que a civilização mais antiga er civilização egípcia os egípcios os faraones até 30 dinastia antes da invasão hã dos eh H dos gregos dos Romanos dos outros os
faraon era negro mas ao não nasceu porque os negros estavam e se deram conta que era negro a Negritude nasceu por causa do da situação hã do tratamento reservado aos portadores da Pele Negra na história da humanidade como lutar contra eles a gente tem que se unir a gente tem que se unir através de nós mesmos porque nossa identidade a identidade de qualquer pessoa passa pelo corpo dele antes de atingir a a a mente é o corpo se eu sair daqui na rua andando as pessoas vão me olhar Vão descobrir que sou intelectual da USP
meu corpo o policial pode ass se aproximar se fosse num fabela na noite achando que sou sou assaltante até descobrir que você é de classe média inteletual talvez você já tá morto Hum porque a nossa identidade passa pela c da pele o resto é visto Depois e você acredita na vida após a morte não eu sou materialista ninguém voltou para contar o que aconteceu do outro lado meu pai e minha mãe nunca voltaram para contar para me dizer Estamos esperando você será bem-vinda eu não acredito eu sou Maternal Isa morreu apodreceu mesmo pronto acabou a
vida continua com os sobreviventes minha vida continua de uma outra maneira através de meus netos bisnetos que carrega meu sangue mas eu não acredito na na na Encarnação Hum uma vez eu ouvi uma frase cabel que quando um ancião morre vai com ele toda uma biblioteca ess frase de ampb que eu sabe do Mali que foi um dos historiadores que escreveu história Ger da África um dos volumes temex de á que trabalhou com a a oralidade Quando morre uma um anciã é como uma biblioteca queimado porque tá tudo na sua memória o cantou sua boca
banto [Música] [Música] escreveu o g cantou sua bocca banto [Aplausos] [Música] escreveu arte é cultura se você olhar a arte africana a arte africana tradicional é uma arte abstrata por Excelência porque os os os africanos saav esculpindo são os conceitos então arte africana uma arte além do aspecto estético uma arte eh funcional utilitária não era uma arte para contemplar que a gente compra como arte de turístico sem encontra uma máscara pendurada na parede hã ou mas não era isso essa Era uma arte que tinha uma função sacralizada alguns eram eh arte ligada ao poder autoridades
que eram os Tronos H dos dos Reis dos chefes hã eh eh bengal essas coisas Todas hã Era uma arte totalmente funcional Então as raízes formar formador do Brasil são múltiplos são europeos hé orientais indígenas africanos e todos esses raízes são representant no museu de arqueologia e etnologia não é como não tem museos que são especializados que fala S de arte contemporânea pode ser arte contemporânea eh ocidental mas Aqui você encontra todas as raízes né Eh históric materializadas dos povos que se formaram o Brasil e precisava mostrar que a África não é simplesmente é um
um continente de povos primitivos mas que eles criaram Artes criaram civilizações né que é materializado por esses objetos que a gente vê aqui hum Então quando você olha uma máscara como essa máscara aqui você conta a história né Tod as máscaras podem ter uma função eh H religiosas mágico religiosas pode ser uma máscara utilizado no rito de iniciação das crianças né pode ser er um uma arte e uma máscara utilizada nos gritos de fertilidade e de fecundidade da terra só queas pessoas que participa desse ritual não devem ser conhecido eles Vê com as máscaras né
são iniciados ninguém sabe quem são hum se você não iniciado você não pode usar essa máscara tem que ser iniciado e saber para que serve aquele aquele rito isso aqui é um instrumento musical hum para mostrar que vários povos criaram instrumentos musicais os africanos criaram Marimba H que é uma palavra de língua bantu que se encontra em todos língua bantu e outra língua é Marimba na minha língua matna mimba Hã Não é qualquer pessoa que vai tocar essa instrumento tem que ser iniciados hum isso passa pela educação educação [Música] tradicional [Música] alexino você faz parte
de uma nova geração de professores negros na USP né Queria saber em que medida a sua trajetória se confunde com a de cabel olha professor verade foi o meu primeiro Professor negro e africano né em toda a minha formação Então você imagina né eu passei toda a minha formação sem ter professores negros e muito menos africanos né E quando eu chego no mestrado vou fazer uma disciplina com o professor camb para mim foi muito marcante uma Uma emoção muito grande assim o primeiro Impacto que eu tive com o professor cigel eu tava muito ansioso né
quando eu fui fazer a matrícula na disciplina dele Ah E aí assim eu nem dormi à noite porque eu falei assim olha o primeiro Professor negro e o primeiro a professor africano que eu vou ter que eu vou ter contato né assim para mim era um uma coisa assim inusitada então assim eu me lembro que na véspera da da da disciplina eu não dormia à noite A aula era de manhã né e eu não dormia à noite que eu falei assim nossa assim aí quando eu chego lá eu para mim era como se fosse uma
uma uma entidade né e de repente a tê-lo como professor né um professor negro isso me criou um grande Impacto e me levou a pensar né a o que que estava acontecendo porque nunca eu tinha tido um professor negro mesmo na eca Escola de Comunicações e artes onde eu estava ali naquele momento fazer mestrado eu era O Primeiro Aluno negro ali dentro né Ah então assim já era um impacto também e hoje quando se vê a univers cidade então a hoje a USP tem cerca de 6.000 professores desses 6.120 são negros ainda continua ah muito
poucos professores professores negros né Mas já tem avanços eh por outro lado em diversos diversos Campos e acredito que o professor cambel eh ele foi um dos que fomentou políticas formativas né então já naquele momento ele colocava necessidade de políticas afirmativas necessidade de cotas ele defendeu cotas inclusive pessoas foram contra ele de forma Quase que meio que violenta eh quando eles ele falava de cotas políticas afirmativas ele foi um homem que lutou muito se hoje a universidade ela ela já tem cotas a USP foi uma das últimas universidades a colocar cotas né se hoje tem
uma pró-reitoria de inclusão e pertencimento eh isso tudo se deve ao histórico de este homem Professor cig L munanga né então assim por isso que ele é tão reconhecido H por por por essas características então assim ele já naquele momento isso a gente tá falando ali nos anos 1980 né ele já tava pensando a universidade que deveria ser hoje né então é um homem contemporâneo Sem dúvida alguma e entre os livro tem um outro livro que queria te mostrar esse livro é o que que me fez conhecer entre os educadores superando o racismo na escola
porque antes da lei des 1639 a educação não tratava da questão racial os educadores não sabia tratar da questão racial e em 1999 Recebi um convite do ministério de educação para organizar esse livro superando o racismo na escola convidei vários educadores principalmente eh Negra hã hum para escrever os textos compõe esse esse livro Hum que eu organizei você vai ver que Ana Céli Silvia Antonia Olímpio e Santana Você conhece Glória Moura era mulher do Carlos Moura Helena Teodora do Rio luí pir lim eald Pinheiro e Andrade mar José Lopes das silvias Gomes petron Rafael sanjos
arújo verus lóes não tem nenhum Branco porque convidei só negro né educador que já lidava com essa questão para escrever o texto para esse livro superando na escola qual a importância desse pensamento partir desse pesquisador desse intelectual negro justamente e porque aquele que a conceção evarista fala de escrevivência porque eles quando fala de racismo da disciplinação na escola ele sabe o que é H porque viveram isso na pele os filhos viverem isso Desde da infância viam isso então ele sabe o que os outros paraos outros é um conceito Nunca nem sabe muito inclusive nega hã
diz que não existe quando o negro reclama e diz Ah você que é hã né Eh complexado tá na na na sua cabeça não tem não é tudo isso el tem amigo negro tem isso frequente religião de matrizes africanas são eles as vítimas que podia entrar nesse projeto hã para h saber como começar a tratar a questão da da Educação antiracista na escola então o Brasil foi o primeiro país a ter essa lei Vanguarda as pessoas não não não não sabe quanto essa lei é importante como você luta contra o racismo né se o racismo
é institucional se ele é estrutural se ele é sistêmico como você luta contra ele já que não é possível você destruir uma estrutura se fosse estrutural hã a estrutura se destrui pela revolução não é pelo discurso Pelo menos é educação educação um dos caminhos mas que educação educação antirracistas multicultural você sente saudade de alguma forma essa fase no cono a gente tá aqui na beira da da praia a gente sabe que do outro lado do oceano tem um continente Africano eu sinto saudade sinto saudade principalmente dessa da Solidariedade o Grio cantou sua boca banto escreveu
o banto canto doce da Liberdade com luta consciência plantou quando a mão do negro olheu Palmares onde brancos pobres e negros com indígenas cantaram Pedagogia comunal da afro solidariedade o jeito da gente é [Música] assim mesmo o corpo negro sendo negado aqui o poeta não muda de opinião