Faz 80 anos que morreu Stefan Zweig, o austríaco por trás da expressão “Brasil, país do futuro”. Na verdade, esse é o título de um livro dele, escrito em 1941, quando Zweig e a esposa, Charlotte Altmann, foram morar em Petrópolis. Lugar onde também passariam os últimos dias de vida.
O escritor judeu via no Brasil um paraíso longe da influência nazista, que naquela época se alastrava pela Europa. Se você não conhece tão bem Stefan Zweig, ou nunca ouviu falar dele, neste vídeo eu vou apresentar alguns aspectos marcantes da vida do autor, e explicar de onde veio essa conexão com o Brasil. Vamos começar entendendo de onde partiu essa admiração dele pelo Brasil, segundo especialistas.
Stefan Zweig sempre foi de viajar muito. Rodava o mundo. E numa dessas viagens, lá em 1936, ele passou uns dias no Brasil.
Foi recebido por autoridades, com direito a banquete e audiência privada com próprio presidente, Getúlio Vargas. A historiadora da USP, Carol Colffield, disse ao repórter da DW Brasil, Edison Veiga, que os livros de Zweig "eram muito conhecidos e foram organizadas inúmeras homenagens". Por causa dessa recepção calorosa, de cara nasceu o encantamento e a ideia de fazer um livro sobre o Brasil.
Algo que só ocorreria anos depois. Quando Stefan Zweig e a esposa, Lotte, se exilaram no Brasil, em 1941, fugindo da expansão do nazismo na Europa. O Brasil era visto por ele como país da tolerância e hospitalidade.
Duas coisas que ele já não via mais na sua terra natal. Stefan Zweig nasceu em 1881 em Viena, na Áustria. Mas esse livro de 1941, “Brasil, país do futuro”, é um marco controverso na biografia do escritor.
Por quê? Porque o Brasil, naquele momento, estava longe de ser modelo. Não era nenhum paraíso absoluto de calor humano.
O país vivia uma ditadura fascista: o chamado Estado Novo, regime encabeçado por Getúlio Vargas, que se estendeu até 1945. A imprensa nesse período era controlada, e Zweig parecia dialogar com uma percepção própria da realidade, individual, particular. Alberto Dines, que pesquisou a vida de Zweig, dizia ser esse um ponto central para entender por que ele foi tão criticado na época.
Para Dines, os jornalistas, como não podiam falar mal do governo, criticavam o Stefan Zweig, que eles acreditavam ter sido pago pela ditadura getulista para descrever o Brasil como um país do futuro, incrível. Os elogios de Zweig ao Brasil foram interpretados como propaganda nacionalista, e o visto de residência permanente dado a ele, uma recompensa pelo trabalho. Olhando o livro de Stefan Zweig, dá para perceber que o deslumbramento pelo Brasil não era exatamente cego.
Porém, a ditadura foi descrita da seguinte forma: “E hoje, que o governo é considerado como ditadura, há aqui mais liberdade e mais satisfação individual do que na maior parte dos nossos países europeus. ” Nas palavras da letróloga Mariana Holms, pesquisadora da USP, e integrante do Grupo de Estudo Stefan Zweig, "a utopia prevaleceu" na imagem do Brasil que "ele formou para si". Ela também conversou com o repórter da DW Brasil, Edison Veiga.
"O presente de preconceitos e de violenta desigualdade, herdada da era colonial brasileira, foi ofuscado e também relativizado no livro [Brasil, país do futuro]", analisou a pesquisadora. A repercussão negativa daquela que é considerada sua obra máxima deixou o escritor bastante frustrado, e cada vez mais pessimista, como revela uma de suas obras mais conhecidas, Histórias de Xadrez. O livro foi escrito em Petrópolis.
Era como se o pacifista convicto estivesse pressentindo a aproximação da guerra. Na Quarta-Feira de Cinzas do carnaval de 1942, ele e a esposa receberam a notícia que não queriam: o primeiro navio brasileiro tinha sido afundado por um submarino alemão. Cinco dias depois, eles cometeriam suicídio com uma overdose de barbitúrico, uma substância sedativa.
Na carta de despedida, Zweig escreveu: “Cumprimento todos os meus amigos. Que vocês possam apreciar a alvorada após a longa noite. Eu, muito impaciente, vou antes de vocês.
” Mas o título de seu livro, na época ridicularizado, permaneceu imortal. Se gostou do vídeo, não esqueça de deixar o seu like, compartilhar, e comentar o que achou. Até a próxima!