Rainha de todos os seres encantados, é a senhora dos bosques e dos verdes prados. Onha, Rainha das Colinas, locais de RV brancas, flores são as suas roupas. Olá, eu sou a Flávia Esper e hoje a gente vai falar sobre a deusa On.
Se escreve A-I-N e é uma deusa irlandesa. Para quem está participando do Oráculo da semana, escolheu essa carta. Eu vou falar um pouquinho da deusa e também do simbolismo para quem escolheu essa deusa essa semana.
Para quem ainda não participa do Oráculo da semana, vou deixar o link do grupo aqui embaixo. É só vocês entrarem; só eu mando mensagem, não tem um monte de anúncio, e ali eu posto todo domingo a foto das três cartinhas para vocês escolherem e, às segundas-feiras, a foto das deusas e a explicação de cada carta, tá bem? Então vamos lá!
Hoje a gente vai falar sobre essa deusa que é uma deusa fada, é uma deusa irlandesa que teve muito presente para mim há cerca de uns 20 anos, coisa assim, quando eu estudava druidismo e mitologia celta. On é uma deusa que tem várias características, né, e um simbolismo muito rico também para quem escolheu essa carta. Ela é uma deusa cujo nome significa prazer, esplendor, alegria; é uma deusa solar.
Ela era comemorada no solstício de verão, né, que depois no cristianismo passou a ser comemorado como São João, com fogo. É uma deusa que tem ali uma relação com fogo, com calor. Enfim, ela tinha uma irmã gêmea chamada Grian e, junto com essa irmã gêmea, se revezavam para cuidar da roda do ano dos ciclos.
A cada solstício—solstício de inverno para criança e solstício de verão para Onha—elas revezavam, elas trocavam de quem ia cuidar ali do equilíbrio do mundo. Onha é uma deusa muito querida, eh, ela era protetora das mulheres, da gravidez. Ela era uma deusa fada que concedia desejos, que cuidava do amor, da alegria, dos sonhos das pessoas; protegia também, mas ela tinha algumas características muito específicas e é sobre essas características que a gente vai falar um pouquinho hoje.
Bom, uma das características é que ela era uma deusa que podia se metamorfosear, então ela se transformava às vezes num cisne branco, às vezes numa égua vermelha. Em algumas leituras, ela inclusive tem os cabelos vermelhos e, então, ela é uma deusa que fala muito também dessa coisa da adaptabilidade, da flexibilidade, da gente se transformar para poder passar pelas questões da vida. Uma das histórias também sobre ela é que, em algumas versões, ela aparece como uma sereia que penteia seus cabelos com um pente de ouro nas margens do lago.
Seus cabelos são descritos como fulgurantes, radiantes como o sol; na maioria, aparecem como vermelhos, mas em alguns, aparecem como dourados, talvez por essa referência ao sol. E ela vai penteando seus cabelos no lago até que o pente se disfarça e os cabelos fiquem brancos. Também é uma história sobre ela, mas muito mais do que isso, ela era uma deusa que trazia muita generosidade, né?
Ela inspirava, ela trazia inspiração poética para seus seguidores, mas ela também era uma deusa que não tolerava o desrespeito. Então, da mesma forma que ela inspirava poeticamente quem iria até buscá-la, ela também se vingava; ela fazia com que as pessoas enlouquecessem caso desrespeitassem a deusa e o seu espaço sagrado. Então, ela é uma deusa que trabalha tanto a generosidade quanto também o limite e a defesa do que é sagrado, do feminino, do que é importante: o respeito.
Uma outra questão dela é que, como ela era do mundo dos encantados, ela é uma deusa fada, uma rainha das fadas, né? Ela também ajudava as pessoas que pediam a ela para ampliar o olhar. Então, ela traz toda essa conexão com o mundo do encantamento de olhar o que está além.
Ela traz essa conexão com os nossos sonhos, os nossos desejos. E tem alguns mitos, algumas histórias sobre ela. Uma das histórias é sobre um rei; eu não sei se estou pronunciando o nome dele corretamente.
Ai, esse rei, ele foi atrás dela. Em algumas versões, ele inclusive matou o pai dela, mas o que em todas as versões aparece é que ele violentou, ele estuprou a deusa Onha. E ela, hum, no meio da raiva, com a própria boca arranca a orelha dele e ele passa a ser chamado de "Deus Mono", de "Rei Mono", "Orelha", "Rei de Uma Orelha Só", "Rei Sem Orelha".
Por conta disso, ela jura vingança e amaldiçoa também os descendentes dele. Depois, em algumas versões, ela inclusive vai atrás dele e o mata. Então, essa história traz uma questão muito grande sobre defender o próprio corpo, o próprio espaço e o feminino.
Ela era uma grande deusa, muito ligada à proteção do feminino e das mulheres, e esse mito traz muito essa questão. Tem outras histórias sobre ela, tem histórias também sobre os viajantes que se perdiam. Diz que se eles batessem algumas vezes numa árvore de flores brancas, em outros lugares diz que são três vezes numa árvore com flores brancas, não três vezes, não, numa árvore com flores brancas; batessem ali chamando por ela, ela vinha em socorro.
Então, é uma deusa que, como todas as fadas na mitologia irlandesa e celta, não são seres assim super doces e delicados o tempo todo; elas também têm personalidade e algumas são vingativas. Também tem esse outro lado, né? Então, On é, como uma deusa das fadas, dos seres encantados, ela traz essa ambivalência.
Ela não fala de ser boazinha ou generosa em excesso, né? Para que se tenha as bênçãos dela, é necessário respeitá-la, é necessário reverenciar o que ela tem de sagrado, de feminino. Ela também é uma deusa que trazia a cura; ela era invocada para cura, para proteção.
Da gravidez para proteção dos amores, mas sempre com essa dualidade: se não há o respeito, ela transforma inspiração poética em loucura; se não há o respeito, ela transforma cura em vingança. Né? Então, para quem tá se conectando com essa deusa, para quem escolheu essa carta no oráculo hoje, é importante pensar um pouquinho sobre como vai a sua relação com o feminino.
Né? No caso das mulheres, consigo mesma; no caso dos homens, com sua parte feminina e, em ambos os casos, com outras mulheres. Como é que você cuida do feminino?
Como é que você respeita ou reverencia o feminino? Né? Como é que vai a sua generosidade, a sua doação?
Ela é excessiva? Você consegue impor limites? Você consegue defender quando você é desrespeitado ou desrespeitada?
Ou é algo sem medidas? Ou eu me dou demais e aceito coisas que eu não devia aceitar? Ou eu não me dou de forma nenhuma para me proteger?
Oná é uma deusa que fala sobre a gente conseguir caminhar, transitar por essas duas partes. Né? Então, não é se fechar, é poder compartilhar, é poder ser generoso, generosa, mas também saber a quem fazer isso e saber se defender do que for desrespeitoso, do que nos agride, do que não respeita o sagrado em cada um de nós.
Né? Então, ela traz isso muito forte para quem escolheu essa carta. Ela também traz um acreditar nos sonhos, né?
O tal do salto de fé, de confiar naquilo que você quer fazer, de confiar nos seus sonhos, de conectar com essa energia mágica de Oná, para que as coisas floresçam, aconteçam. Ela é uma deusa também do florescer; diziam que era ela quem tinha impregnado os frutos e as flores com os aromas, com os perfumes que eles têm. Então, ela é uma deusa que transmite vida, alegria, nutrição, né?
Para os sonhos, inclusive para os amores. O que é que você quer viver ou quer criar? O que quer sentir?
Quer experimentar? O que é um sonho seu? Então, se conectar com essa energia mágica dessa deusa, pedir para enxergar além do que você está vendo, o que está impedindo; o que você pode.
. . ?
Quais são os caminhos que você pode seguir para conseguir melhor o que você quer? Né? Então, se você escolher essa carta, também pode pensar um pouco nisso.
Uma outra coisa que ela faz também é a questão de proteção e cura. Quando a gente se conecta com um lado mais sensível, quando a gente busca o que está para além do que é visível, aqui, no mundo dos Encantados, né? A gente consegue perceber que muitas das coisas que precisam de cura no mundo prático, até físico, também têm um simbolismo emocional ou energético que precisa ser olhado.
Então, ela também nos ajuda na cura, porque nos ajuda a olhar além do sintoma, olhar o que está por trás. Quais são as emoções? Quais são os sonhos presos?
Quais são as coisas não ditas? Quais são os espaços em que você foi desrespeitada ou desrespeitado e não pôde se colocar, se defender, dar limites? Muitas vezes a gente adoece como um reflexo do que a gente não conseguiu trabalhar ou fazer de outra forma, e aí o corpo faz pela gente ou o corpo sinaliza para a gente que tem algo ali que não está encaixado.
Então, ela aparece como uma deusa da cura; tem inclusive uma fonte dedicada a ela até hoje na Irlanda. Mas ela aparece também por conta disso, né? Desse olhar com o sensível, com o que está oculto, além do sintoma, além do que é visível.
Então, para quem escolheu essa deusa essa semana, tem pelo menos três coisas importantes para olhar. Né? Uma é essa, olhar além do que está por trás dos sintomas, dos padrões, das coisas que estão emperradas.
Né? Pedir ali quase um Thundercat, a visão além do alcance, né? Para enxergar o que mais, além do que se vê, pode estar acontecendo.
Às vezes as coisas não andam porque a gente tem uma parte nossa que está com medo de que aquilo aconteça. Então, vamos lá, acolher e conversar com essa parte; não é ignorar, né? Por um outro lado, a questão dos limites entre ser generoso e ser respeitado, né?
Não dê a sua generosidade, a sua vulnerabilidade, seu coração a qualquer pessoa. É preciso que sejam pessoas que te respeitem, que respeitem os seus limites, que respeitem o que há de sagrado em você. Isso tanto para homens quanto para mulheres.
Né? Oná é uma deusa extremamente generosa, como eu já falei, mas que sabe se vingar e, por limite, se defender. Né?
Então, muitas vezes a gente entra num processo do tal do people pleasing, né? De agradar todo mundo ou de querer ser bonzinha ou de achar que ser caridosa, ser bondosa é assim, né? Ser generosa com todo mundo o tempo inteiro, tirar a própria roupa para dar para o outro, deixar que o outro nos desrespeite porque, tadinho, eu entendo por que está fazendo isso.
Né? Isso não é algo com que Oná concordaria. Então, assim, a nossa abertura, a nossa generosidade, quando ela está excessiva e aceita passar por cima de nós mesmos, ela está desequilibrada.
E isso, às vezes, é fruto de questões lá da infância, das formas como a gente aprendeu que era às vezes necessário agradar o outro para não perder o vínculo, a relação. Né? E aí a gente cria isso e vai reproduzindo ao longo da vida.
Ou medo, às vezes, de que mostrar sua face, né? Os seus limites, o seu não, a sua face mais vingativa ou raivosa, vai afastar as pessoas. Então, Oná trabalha justamente o contrário, o equilíbrio disso.
Não se doar de forma nenhuma, se fechar totalmente, é tão desequilibrado; é uma defesa de uma ferida e de uma. . .
Dor tanto quanto agradar todo mundo e passar por cima da gente. Então, presta atenção um pouquinho como é que tá esse equilíbrio dentro de você. Né?
Você consegue ser generosa respeitando seus limites? A quem também respeite e valorize o que você tem a oferecer? Ou isso tá aí um pouquinho desregulado?
Você passa por cima das suas necessidades para agradar o outro? Você não diz o que quer ou não consegue colocar limites por medo de que o outro vai embora ou que interprete mal, ou que se magoe? Se você tem essas questões e escolheu essa carta hoje, é um bom momento para refletir sobre isso, né?
E quando isso é muito, muito presente e atrapalha suas relações, vale a pena ir para a terapia, né? Buscar um caminho de autoconhecimento, ver da onde isso vem, por que que você é assim, para poder equilibrar isso, né? Para que as relações sejam mais equilibradas e fluidas, tanto na doação quanto no receber e no ser respeitado, e não poder dar limites.
Tá bom? Acho que é mais uma coisa que eu tinha falado dela. Ah, sim!
A questão da adaptabilidade. A terceira coisa para quem escolheu essa carta: como é que tá essa fluidez, essa possibilidade de se adaptar para lidar com as situações, para transitar pela vida? Ela também fala disso nesse baralho.
Quem tá lá no grupo vai ver a foto da Car, inclusive. É essa a qualidade dela que eles escolhem pra carta: a questão de ser adaptável, flexível, de poder se transformar, não para perder sua identidade. Quando ela se transformava na égua, por exemplo, ninguém a pegava, né?
Mas poder se transformar, se adaptar dentro do espaço do que é da sua natureza e do que é respeitoso com você, para transitar ali pela vida, pelas situações, pelos grupos, né? Então, se você tá aí, escolheu essa carta ou tá em contato com essa deusa, vale a pena fazer uma reflexão, uma pesquisa interna de como tão essas questões. Tá bem?
Bom, eu vou cantar aqui agora a música. As três deusas que vieram no oráculo essa semana são deusas que tocam música, por coincidência. Então, vou cantar agora.
Eu não sei de quem é essa música; eu aprendi há muito tempo num curso. Não sei de quem é, não sei nem se eu tô cantando certo, mas vou deixar aqui para quem quiser, porque ela resume um pouco a história de de on. Eu sempre falava "a", depois que eu fui descobrir que a pronúncia é outra.
Então, vamos lá: "É rainha de todos os seres encantados. É a senhora dos bosques e dos verdes prados. É a rainha das colinas, locais onde brancas flores são as suas roupas.
Nas margens do lago, penteia seus cabelos dourados, fulgurantes como um radiante sol. Dance conosco, ó rainha de todas as fadas, pelos anéis encantados em noites em luas aradas. " Aproveita para curtir o canal, para entrar no grupo do WhatsApp, para se inscrever aqui, curtir o vídeo.
Na verdade, isso me ajuda também a divulgar. Tá bom? Beijo, até semana que vem!