Essa foi a minha primeira câmera com essa cáo eu gravei meus primeiros vídeos em 2010 os tempos eram mais simples a palavra youtuber nem existia eu não quero ser a pessoa nostálgica que reclama dos rumos que a internet tomou mas lembrar dessa época me faz pensar sobre como espaços sem amarras profissionais amarras comerciais e no qual o público ainda se vê como ipante e não como consumidor é cada vez mais raro mas quando ele aparece é um espaço cheio de potencial eu sei que voltar no tempo é impossível a gente precisa se adaptar ao presente
e acho que mais importante que isso a gente não pode paralisar diante desse futuro esse futuro cheio de ya que a gente não sabe o que vai acontecer com o processo criativo Ou nem com a nossa janta né porque enfim até nossa janta acho que vai ter iar não paralisar é uma questão de sobrevivência esse não é meu primeiro canal no YouTube eu tive Idas e Vindas e uma grande pausa mas lá atrás quando tudo era mato eu tive alguns canais Participei de alguns canais e tive uma minúscula relevância dentro de determinado contexto talvez vocês
me encontrem por aí falando coisas mas fazer vídeo para mim sempre foi um hobby e mais ou menos nessa mesma época Eu frequentei a faculdade de artes cênicas Eu me formei em artes cênicas Até cheguei a particip par de umas peças amadoras e tal e eu também trabalhei por muito tempo como arte Educadora então digamos assim que o assunto criatividade era algo que fazia parte do meu cotidiano Mas de repente tudo mudou por escolha eu me afastei da arte também parei de fazer vídeos eu simplesmente parei de me envolver com qualquer tipo de processo criativo
eu não sei explicar Porquê talvez a minha terapeuta saiba mas ela não vai me dar a resposta de mom beij ada eu tenho que pagar uma quantia mensal para que ela me dê dicas com movimentos de cabeças sutis e olhares enfim eu parei de gravar escrever atuar e não só isso eu parei de ler livro eu parei de assistir filme eu parei de ir a museu exposição de arte coisas que eu costumava ir com frequência eu trabalhava nesses lugares inclusive e quanto mais tempo passava mais difícil ficava pensar em criar novamente na verdade ficou difícil
querer criar porque eu não queria pensar eu queria me alienar essa aqui é a verdade e foi ótimo por um tempo mas depois de um tempo eu comecei a pifar e ficou difícil conviver comigo mesma minha cabeça foi virando uma arena de Rocket League cheia de carrinho sem freio tá ligado eu tive sim um pouco de paz de espírito por um tempo evitando tudo que me fazia pensar demais mas depois parece que eu tava igual a uma matma naquela cena de que o Bill em que ela sai sa do coma e descobre que ela não
consegue mexer as pernas por falta de uso e ela tem que se arrastar para fora do hospital eu tinha um monte de músculo atrofiado que eu esqueci que tinha mas aí de repente eu lembrei que eu precisava deles eu fui acumulando internamente assim um monte de coisa e eu não entendia que tinha sim uma relação entre eu evitar botar a minha cabeça para funcionar criativamente e todo esse acúmulo de ruído interno que me fazia gastar para baixo de 2K por mês entre psicóloga psiquiatra psicotrópicos que são coisas importantes para uma pessoa que é Titica da
cabeça como eu mas não são tudo eu não gosto de abordar arte e criatividade como coisas terapêuticas mas os processos subjetivos que acontecem com o ser humano quando ele entra em contato com a arte com o processo criativo é comprovadamente algo importante pra composição e sobrevivência do sujeito não vou aprofundar isso agora precisaria dar uma estudada enfim trazer referências Mas confia o ponto é que o corpo sente falta daquilo que ele entende que é essencial para não pifar então eu quis voltar a exercitar esse meu lado criativo mas não é tão simples porque agora eu
tô igual a uma terma depois que ela se arrasta até a caminhonete e fica horas lá tentando movimentar um dedo do pé de cada vez mas para além dessa questão do tempo sem e me engajar em processos criativos tem umas três coisas que foram junt and aí que viraram uma bola de neve que eu acho que não são coisas que acontecem só comigo e aí eu queria compartilhar pra gente ver se a gente se entende seriam três motivos para o meu bloqueio Criativo o julgamento eu me julgo você se julga e você me julga eu
te julgo também a gente não pode fingir que isso não acontece eu entendo todos esses discursos que incentivam a gente a não se julgar tanto ou não se preocupar tanto com o que o outro tem a dizer sobre nós porque no fundo o outro talvez nem esteja prestando tanta atenção assim na gente mas eu acho que isso é fingir que o julgamento não existe eu acho que isso não é o caminho a gente julga e é julgado o tempo todo a questão é que quando o julgamento é positivo a gente entende ele como validação E
aí tá tudo bem porque não estão me julgando estão me validando quando a gente gente decide compartilhar algo com o mundo por exemplo um vídeo qualquer pessoa que entra em contato com esse conteúdo com esse material vai fazer um julgamento e vai dar um feedback se essa pessoa engaja naquilo que a gente tem oferecer é um julgamento positivo mas tem sempre quem vai entrar em contato com aquilo que a gente oferece e não goste ou o que talvez seja pior do que não gostar que é decida ignorar aquilo não fede nem cheira isso quer dizer
que o que a gente compartilha não desperta nenhuma emoção nem negativa e aí cara entra o trabalho da resiliência que é uma parada muito difícil eu não me considero uma pessoa resiliente e isso já me fez ir voltar com esse vídeo várias vezes eu tô com esse roteiro escrito há meses Eu já sentei para tentar gravar várias vezes e aí eu penso a luz tá ruim o som tá ruim a minha cara tá péssima não é exatamente isso que eu queria falar o roteiro tá ruim e se eu colocar isso aqui desse jeito no mundo
a probabilidade de flopar é enorme Então antes que alguém me julgue eu me julgo e não vou fazer o que me leva a segunda coisa que é a crise de identidade ah os divertidos tempos pós quarta Revolução Industrial existe um mundo de possibilidades as nossas referências culturais elas não estão mais restritas a aquilo que a mídia tradicional As instituições culturais tradicionais querem nos oferecer tendo acesso à internet eu tenho infinitas possibilidades de referências quer dizer mais ou menos isso se ao invés de passivamente consumir o que o algoritmo quer dar pra gente a gente resolve
ter uma relação mais intencional ou seja de ir atrás daquilo que me interessa isso é um outro assunto que a gente pode pode aprofundar em algum outro momento mas o ponto é que Teoricamente a gente tem acesso a diferentes referências só que para mim tanta referência me trava Porque embora eu queira talvez parecido com o que eu já fiz no passado experimentar testar diferentes formas de fazer um vídeo por exemplo experimentar Nesse contexto me parece uma grande perda de tempo porque a gente já vê aí quando a gente entra no YouTube da vida por exemplo
o que dá certo os formatos que engajam os assuntos que retém a atenção das pessoas veja bem isso aqui ainda é um hobby para mim eu não tenho pretensão de fazer disso aqui uma profissão ainda assim é impossível não comparar os meus vídeos com os vídeos de outras pessoas outras pessoas que conseguem aí um certo engajamento porque no fundo vai ser frustrante se eu gravar esse vídeo editar esse vídeo publicar esse vídeo e ninguém ligar sei lá teve um vídeo que eu publiquei Acho que foi o último [ __ ] ninguém comentou tá tudo é
não tá tudo bem mas é isso assim sabe tipo a gente quer um biscoito eu eu quero eu gosto de pensar ainda nesse espaço como um espaço de de diálogo e falar com a parede é muito ruim tem um canal que chama life of riza de uma garota canadense chamada carisa ela basicamente publica vlogs mas ela faz de um jeito trazendo elementos da linguagem do cinema visualmente também em termos de roteiro que parece que você tá vendo uma série assim você tá acompanhando a série da vida dela e é muito legal porque ela fala em
algum vídeo que por muito tempo ela tentou seguir essas regras que existiam do que é uma boa estrutura de vídeo no YouTube porque a sua introdução tem que ser assim assim assada você tem que ter um gancho o início do seu vídeo tem que ter até 30 segundos para prender atenção e tal e aí uma hora ela cansou assim porque não tava dando certo para ela e ela resolveu tacar o [ __ ] e fazer do jeito que ela achava que tinha que fazer quebrando todas as regras e aí foi quando o canal dela viralizou
sabe o ponto é que ela decidiu experimentar ao invés de seguir o que já tava dado ali e cara deu muito certo para ela mas eu acho que essas coisas são o ponto fora da curva E aí ao invés de me estimular e pensar Caramba isso é um exemplo eu penso isso é um ponto fora da curva e eu não sou o ponto fora da curva então o que que eu faço eu fico esperando a inspiração acho que ainda existe muito isso de acreditar na inspiração como algo que tem vida própria como se a inspiração
fosse uma criatura mágica que visita pessoas especiais em ocasiões especiais e aí a gente tem que esperar que ela aja e se ela não age sobre a gente é porque a gente não faz parte do rol de pessoas especiais eu percebi em mim um sério problema que é eu não quero perder tempo como uma ideia mediocre eu prefiro esperar e dar tudo de mim naquela grande ideia isso obviamente não tem funcionado para mim eu fico esperando e eu não sei exatamente o que eu tô esperando mas eu tenho absoluta certeza que a hora que a
coisa chegar eu vou reconhecer a coisa vou saber que era isso que eu tava esperando essa é minha relação com a inspiração só que aí no fundo eu sei que os meus músculos criativos estão ficando cada vez mais atrofiados por falta de uso a gente alimenta esse mito da Inspiração por puro medo da parte mais assustadora do processo criativo que é começar porque começar significa provavelmente fazer algo ruim e fazer algo ruim significa enfrentar o julgamento não do jeito que a gente gosta tá vendo como as coisas se conectam uma coisa que eu tô tentando
enfiar na minha cabeça principalmente com a publicação desse vídeo aqui é que a inspiração não é algo que vem antes da criação a gente precisa pegar embalo na ladeira a inspiração não é um amigo que vai te chamar para fazer uma coisa legal a inspiração é aquele amigo que aparece só quando você já tá fazendo alguma coisa Não tô dizendo que aqueles momentos em que parece que você é atingido por um raio e tem uma grande ideia não existam mas ficar esperando o raio é um pouco ineficiente eu acho E aí como é que a
gente rompe com esse bloqueio parece simples na teoria né porque aí é só parar de se julgar não pensar demais fazer ruim mesmo e é isso aí mas Falar é fácil então eu acho que não é só sobre eu decidi que não vou me julgar mais decidi que deixa a crise de identidade para lá por enquanto eu acho que eu entendi que não é sobre criar Apesar desses problemas é criar com esses problemas falar sobre eles aqui por exemplo E aí assim eu tive até duas outras ideias de vídeo complementares a esse vídeo aqui vou
me comprometer em voz alta e dizer que em algum momento eu pretendo fazer esses vídeos Então me enrolei aqui eu não lembro o que eu tava falando isso é um ponto porque eu fui lá e fiz um roteirinho assim não palavra por palavra mas fiz um outline ali de toda a linha de raciocínio que eu ia seguir E aí quando chegou na conclusão eu falei não sei como vou concluir eu fiquei muito temp presa na conclusão e eu falei vou gravar mesmo que eu não tenha conclusão porque na hora que chegar na conclusão eu vou
ter uma conclusão não tem uma conclusão bom se você tem a sua história de bloqueio criativo ou se alguma coisa que eu falei aqui nesse vídeo despertou algum pensamento alguma reflexão Joga aí nos comentários no mais eu te convido a se inscrever assinar a seguir esse espaço porque eu vou tentar cada vez mais usar isso aqui para alguma coisa e assim a gente vai indo é isso beijo tchau